Abrimos aqui mais um episódio do programa Bíblia Aberta, na TV Novo Tempo Portugal. Nós estamos no canal 186 da Mel, estamos também na Rádio RCS, nos 91.2 FM, na Grande Lisboa, e estamos também no YouTube, no canal da TV Novo Tempo Portugal. É um privilégio estarmos consigo e voltarmos à sua companhia. Porque queremos abrir a Bíblia, nós os quatro que estamos aqui, mas também queremos muito que você, onde se encontra, possa ter a sua Bíblia à mão e possa abrir-se para poder recolher as grandes informações que Deus nos dá e aquilo que Deus espera de cada um de nós. Na semana passada nós procurámos descobrir algo muito interessante.
dentro daquilo que é a importância de compreendermos a ressurreição de Cristo e de podermos ter a certeza de que a ressurreição de Cristo nos dá o privilégio de acreditarmos e de termos bem presente uma fé e uma esperança vivas. que ela vai permitir que também nós ressuscitemos um dia e também a morte termine de vez. O que é certo é que hoje nós vamos abrir a Bíblia e vamos juntar a esta conversa, porque eu não estou sozinho, nem quero estar sozinho, vou juntar os meus três amigos da semana passada, não sei se você se lembra dos nomes, mas eu vou dizer, tenho comigo o Miguel Sabino, olá Miguel, obrigado mais uma vez por estares connosco, é um privilégio, o Daniel, olá Daniel. Obrigado por estares e também o Pedro, que volta a estar aqui connosco semanalmente.
É um privilégio receber-vos no programa à Bíblia Aberta e espero sinceramente que esta conversa seja tão boa ou melhor que a da semana passada. Vamos a isso? Então, eu proponho que nós possamos abrir a Bíblia agora na segunda epístola aos
Coríntios. Basicamente, fechámos na semana passada a primeira epístola Vamos começar uma nova etapa de Paulo, agora na 2ª Carta aos Coríntios, no capítulo 1, versículo 3. Vai ser aqui que nós vamos ver um bocadinho do conforto que pode surgir da dor. Vamos ver um bocadinho o que é que isto significa. Diz o versículo 3. Miguel, de que maneira o sofrimento pode, de alguma maneira, transformar alguém, e gostava que nós pudéssemos ter isto em mente, transformar alguém num instrumento de encorajamento e esperança dentro do projeto igreja ou comunidade de crentes.
Olá, novamente, Jorge. De facto, o sofrimento é uma coisa que faz parte da nossa experiência. Infelizmente. Exatamente, infelizmente. Mas é uma coisa que, apesar de ser uma constante da vivência e da experiência da vida humana, é uma coisa que é sempre estranha. E é muito interessante que Paulo abra precisamente esta carta, esta segunda carta aos Coríntios, e começa precisamente por referir, ou bem dizer, o Deus, Pai de Jesus Cristo, e o Deus de toda a consolação. Porque, de facto, porque a experiência humana está, enfim, imbuída de sofrimento pela natureza daquilo que nós, enfim, já vimos e que até referenciámos a semana passada, porque falámos da incorruptibilidade, não é?
é de facto necessário que haja uma consolação. E, portanto, sermos consolados, Jesus também no seu discurso nas bem-aventuranças ele diz bem-aventurados porque serão consolados, o Deus da consolação é de facto o reconhecimento de Deus de que nós Apesar de vivermos, ou termos sido criados para a vida eterna e para uma vida sem dor e sem sofrimento, o que é certo é que esse sofrimento pelo pecado acaba por se transformar numa parte intrínseca da vida humana, da experiência humana, de vivência. E até é interessante ver que quando Jesus diz que se ele for o Espírito Santo virá e vem como consolador. Exatamente, é interessante. temos esta vivência de sofrimento e esta necessidade de consolação, principalmente por um aspecto muito interessante que é a ideia da injustiça.
Porque nós, quando somos confrontados com uma situação de sofrimento, seja nossa, pessoal, seja de alguém que nos é próximo, ou seja até alguém de uma experiência que nós, enfim, ouvimos ou referenciamos. Epá, que horror! Tão novo, tão nova, não é? Ou um acidente que levou uma vida. Ficamos por aquela expressão mais horrível. Que pena. Que horrível. Porquê? Porque nós sentimos que isso é injusto. É injusto. Quando nós vemos, e é uma das críticas, enfim, aqueles que dizem que Deus não existe porque se Deus existisse não existia o sofrimento no mundo, é precisamente esta ideia da injustiça. porque não é justo que nós tenhamos que passar por isto.
E este é um sentimento que é natural e é humano e é muito legítimo que exista. E, portanto, Deus não podia fugir a esta ideia. Não podia fazer de conta que o sofrimento não existe. Quase que podíamos dizer. Na semana passada chegámos à conclusão de que a primeira grande mentira do inimigo é não morrerás. Exatamente. Digamos que logo a seguir ele diz que Deus é injusto, não é? Exatamente. Ou seja, esta ideia de injustiça, então como é que nós a resolvemos? Este conflito, como é que nós o resolvemos? Como é que nós o ultrapassamos? E é interessante que Deus na sua infinita sabedoria, ele providencia as...
eu não diria as soluções, mas a forma de nós podermos de alguma forma ajudar-nos a resolver uns aos outros o sofrimento. E é interessante que... das formas mais extraordinárias que nós temos para, por vezes, ultrapassar problemas, dificuldades, situações na nossa vida, é como? É partilhando experiências e ouvindo experiências de outros. E através da partilha de experiências, para além de nós acrescentarmos esta comunidade de fé que nos une, ou seja, nós temos um conjunto de crenças, de ideias com as quais nós todos nos identificamos e partilhamos em comum, Nós também podemos, partilhando a nossa experiência, por vezes de sofrimento, por vezes de dificuldade, nós podemos não só consolar-nos, um bocadinho, se calhar aqui até com uma ideia egoísta, dizer, pá, caramba, eu estou mal, mas não estou tão mal como, não é?
Até podemos ter aqui um bocadinho esta ideia egoísta. Mas, acima de tudo, reconhecendo que Partilhando a experiência e o sofrimento uns com os outros, nós podemos de alguma forma acessarar-nos. E penso que foste tu, Daniel, na semana passada que referias a questão do processo psicológico, da terapia, não é? Da recuperação. Nós conversando, verbalizando aquilo pelo qual nós estamos a passar ou ouvindo outros a fazerem isso, de alguma forma é um processo de cura. Não nos tira o sofrimento. não nos resolve os problemas. Sim, até porque Jesus disse claramente, no mundo teréis aflições. Não nos retirou essa... Deus não nos está aqui a dizer, são tudo rosas, não é? E a experiência cristã é uma experiência que, apesar de ter a alegria e a esperança da certeza da salvação e da ressurreição, como falávamos na semana passada, O que é facto é que, ainda assim, nós continuamos neste mundo.
Nós passamos pelo sofrimento. E a forma que Deus a encontrou foi não só tocar o coração de cada um de nós, e faz isso, e aliás o Espírito Santo, como dizíamos há bocadinho, é o Consolador, e portanto ele próprio tem esse papel de nos ajudar a lidar com as dificuldades, e por vezes tragédias terríveis que acontecem, mas também faz uns dos outros, ou cada um de nós e uns com os outros, instrumentos terapêuticos para lidarmos com essa situação. E é interessante ver que Jesus não precisava de vir a esta terra para saber consolar-nos. Mas o facto de ele ter vindo aqui é quase que nós termos a certeza. Ele também viveu o que eu estou a viver. E ele passou, aliás, nós sabemos que ele sofreu precisamente com a morte, com a injustiça deste sofrimento que é intrínseca à experiência humana.
Ele, como Criador, também sabia que não era esse o seu propósito. E ele sofria e sofre e continua a sofrer com isso. Portanto, de facto, Deus não é indiferente ao sofrimento. E a experiência de sofrimento humana é algo que toca de muito perto a Deus, porque Ele sabe perfeitamente que, na nossa natureza, não foi para isso, não é esse o propósito da nossa existência. E, portanto, é extraordinário que Deus providencia a forma terapêutica, digamos assim, de lidar com o sofrimento. E Paulo vai claramente dizer que isto é quase como um ministério, quando nós partilhamos uns com os outros a nossa experiência, um ministério conduzido pelo amor. Mas, Paulo, para além de falar aqui da questão da dor e Deus como o misericordioso, o Deus da consolação, ele vai colocar aqui uma outra tónica,
digamos, na 2ª Carta de Coríntios, quando ele, no capítulo 1, versículo 12, vai nos levar para a questão da sinceridade. e ele vai mostrar que a sinceridade verdadeiramente importa. Ele diz, porque a nossa glória é esta, o testemunho da nossa consciência de que, com simplicidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo, e de modo particular, convosco. Daniel, por que razão a sinceridade e a transparência que Paulo aqui, enfim, enumera, são tão importantes para a credibilidade de um líder cristão, de alguém que segue a Jesus, ainda hoje, digamos assim?
Bom dia também, da minha parte. Isto torna-se extremamente interessante quando vemos a forma como o Paulo está a iniciar uma conversa com aquela igreja, porque iniciando exatamente com a questão de que é verdade que temos dificuldades, mas não deixa de estar bem na cabeça dele aquilo que leva a que uma determinada comunidade esteja unida e aquilo que leva uma comunidade a reconhecer um líder. porque um líder não é algo que uma comunidade tem, é algo que uma comunidade reconhece. Quase que podemos juntar isto àquilo que nós falamos muitas vezes num meio mais de convivência social, que o respeito não se ganha, o respeito conquista-se.
E é um bocado aqui aquilo que eu vejo. E quando temos um texto que começa com um porque, A mim também me leva logo a pensar o que é que estava a ser dito para que seja necessário esmiuçar um pouco mais e explicar um bocado mais. E é engraçado que no verso imediatamente anterior o que Paulo está a fazer é tomar um ato de gratidão por todos aqueles que daquela igreja sabiam que estavam a orar por si. Ou seja, ele reconhecia que a Igreja estava preocupada com ele e que o facto de ele saber que a Igreja estava a orar para ser a consolo. Ele sentia-se bem e reconfortado e revigorado na sua energia. Ele conta aqui uma história, refere-se a um acontecimento na Ásia em que a vida dele passou por perigos.
Quase ia desta para melhor, ele quase que diz isso e daí ele expressar essa gratidão. Exatamente. Quando nós estamos numa comunidade e temos a noção que, mesmo que fisicamente esteja sozinho, mas emocionalmente não estou esquecido, não estou só, para mim isso cria um sentimento de força para superar a dificuldade. Mas Paulo não fica pelo agradecimento. Ele vai explicar porque essa é a minha glória. Ou seja, a alegria dele, o objetivo de vida dele, cumpria-se, complementava-se, por sentir que realmente era reconhecido naquilo que estava a fazer. Ele o que estava a fazer como missão de vida era levar a mensagem do Cristo, ressuscitar, foi aquilo que, como Miguel dizia, aquilo que falámos na semana passada.
E neste trabalho de levar esta esperança, ele diz, e aí fico muito grato porque oram por mim. Agora acrescenta ainda mais. É que a minha glória não é o que eu digo. A minha glória é que vocês veem o que eu sou. E isto leva-nos num caminho de perceber aquilo que é um chefe e aquilo que é um líder. Um chefe diz. Um líder é. E isto quase que nos leva também a ecoar um bocadinho o que nós vemos em todo o Antigo Testamento quando Deus chega a um ponto que diz eu sou o que sou. Não é pelo que eu digo. Eu sou. E todo aquele que começa a ter Cristo no seu coração e começa realmente a viver uma experiência com Deus passa de apenas aquilo que fala para aquilo que naturalmente é.
E então vem a situação da própria transparência. E quando nós falamos na transparência é aquilo que vem para fora tal como o suor sai naturalmente com o esforço. Aqui, a vivência de preocupação com o próximo, este epístolo de amor em que Paulo mostra uma tamanha preocupação com aquela comunidade, não é algo que ele diz estar preocupado. A comunidade percebe que ele está preocupado. Isto leva-me também a um outro fator que, ao longo de toda a história da humanidade, vamos notando e que a Igreja não é uma exceção. As comunidades sentem-se atraídas por um líder. por alguém que eles tenham como ideal de vida. Nós ainda falávamos na semana passada na questão dos gregos e toda a mitologia e a força que a mentalidade grega dava aos heróis e era o ponto de referência da nação e que motivava a unidade nacional.
Quando nós falamos, no caso do povo português, toda a ideologia dos descobrimentos, todos os grandes líderes das expedições tornam-se foco de uma unidade nacional. Também na Igreja existe a necessidade de ter uma referência, alguém que vai à nossa frente e que nós não apenas vamos pelo que ele diz, mas porque reconhecemos nele algo com quem eu me identifico. E Paulo chega ao ponto, noutra carta, a dizer diretamente, olha, podem ser meus imitadores da mesma forma como eu imito a Cristo. E acho que esta é a grande lição que Paulo aqui vai introduzindo quando se coloca na situação de dizer, olha, a minha alegria é vocês verem mais aquilo que eu sou do que propriamente aquilo que eu digo.
E eu sei que vão ouvir o que eu vou falar, Porque viram primeiro que o que eu estou a dizer está de acordo com o que eu faço, está de acordo com aquilo que já é naturalmente a minha vivência. E isto leva àquela questão. quando nós pensamos na responsabilidade que possamos ter de liderança num determinado grupo de pessoas, seja a nível desportivo, seja a nível de uma empresa, seja a nível apenas de um grupo de amigos em que tenhamos a oportunidade de nos comportarmos como líder de grupo, será que nós estamos no coração daquelas pessoas? Ou estamos apenas no racional daquelas pessoas?
Porque se estivermos apenas no racional, Um pequeno vento faz mudar o líder e muda a pessoa porque era apenas pelo que ele falava. Mas quando aquela pessoa é tão transparente que eu sinto vontade de ouvir o que ela tem para dizer, porque primeiro me afetuei a ela, então o líder vai permanecer e vai ser esse líder que vai ser o ponto de união do grupo. Ele, no fundo, acaba por começar esta carta dizendo obrigado por confiarem em mim essa posição e porque dão-me essa oportunidade de sentir que estou a fazer algo de útil e mais, e porque se preocupam comigo. Porque nem já passámos da parte de terem-me como uma referência, já passaram a parte de terem-me como professor, passaram a ter-me como um amigo.
E com um amigo nós preocupamos-nos. E então quase que vemos aqui o milagre do amor, que é algo que se tornou bidirecional. Paulo ama, mas não pode deixar de dizer, mas obrigado porque também me amam, porque oram por mim, porque essa é a minha maior glória, a minha maior alegria. Sentir que uns e outros nos preocupamos uns com os outros. É muito interessante ver que, no fundo, Paulo era uma pessoa extremamente sincera. E, por ser sincero, ele também era, como iniciámos, um consolador. Ele não deixava de dizer o que tinha que dizer, mas dizia-o de forma a que os outros pudessem não só compreender, aceitar e reconhecer que, eventualmente, em alguns momentos, podiam estar menos bem.
E isto importa salientar que, perante todas estas características tão interessantes que Paulo menciona e que nós já vimos aqui pelo menos duas, o consolo, a sinceridade, há também aquela ideia de termos planos e de trabalharmos em planos, não é? Agora, se calhar, algumas vezes nós temos que mudar de planos.
E quando mudamos de planos, isso até poderá ser um acto de amor. E é isso que Paulo nos vai mencionar. Se formos a 2 Coríntios 2, versículo 1 diz E isto liberei comigo mesmo, não voltar a irter convosco em tristeza." Tem muito que se lhe diga esta frase, não voltar a irter convosco em tristeza, quando eu estou triste. Pedro, alguns crentes em Corinto duvidavam E a Bíblia mostra-nos das intenções e até do amor de Paulo. E neste capítulo, Paulo vai afirmar a sua integridade no ministério. Ele vai fazer questão de mostrar a sua integridade no ministério. Por que razão esta qualidade, que é tão importante, seja em Paulo, seja em qualquer um de nós, seja um ministério semelhante à daquele que Jesus viveu e que, no fundo, é aquilo que o Senhor Deus quer que cada um de nós tenha como cristãos?
Sem dúvida que nós não temos razões nenhumas para duvidar de que Paulo era um homem muito íntegro, com muita firmeza de caráter. E isso, claro, manifestava-se em tudo. Nesse aspecto, como em tantos outros, Paulo é uma excelente referência para nós. Há uma célebre frase escrita por Ellen White no livro Educação, que se refere àquela ideia de que o mundo está necessitado de homens que sejam capazes de ser fieis ao dever, ao que é correto, como a bússola é o Norte, que é, se ela estiver ajustada, tu podes virar a bússola para onde quiser, jogá-la para o chão, tirá-la ao ar, porque ela vai sempre colocar-se, porque ela está alinhada magneticamente com o Norte. Portanto, como ela sabe qual é o Norte, não são as circunstâncias ou as conveniências que fazem uma pessoa que está firme no que sabe ser a vontade de Deus, no caso de um contexto cristão, ou aquilo que é correto, ou aquilo que necessita ser feito.
Às vezes, e mais nas relações humanas, há coisas que precisam, por exemplo, ser ditas, verdades que precisam de ser afirmadas, ou reformas que precisam de ser feitas. Nem tudo tem a ver com verdades bíblicas ou questões doutrinais. É simplesmente pessoas que precisarem de correção, ou haver erros ou falhas que precisam de ser orientadas. E é muito interessante nesse aspecto que Paulo se coloca como uma pessoa que não se vai vender essa ideia, não vai ajustar a sua maneira de estar por aquilo que parece a ter mais ou menos interesse. Talvez para compreender isto melhor, tu leste 2 Coríntios 2.1, mas talvez valha a pena ler aqui alguns versículos mais, para percebermos um bocado melhor o contexto. Temos que ir ao final do capítulo 1, porque é de lá que ele vem, e eu vou ler o versículo 23 e 24, são os últimos do capítulo 1, onde ele diz, invoco porém a Deus por testemunha sobre a minha alma, porque vejam que ele vai meter uma espécie de uma certa gravidade no que vai dizer.
O que eu vou dizer agora, para não haver interpretações, é uma coisa tão séria que eu tomo Deus como testemunha do que eu vou dizer e da minha pessoa, que para vos poupar não tenho até agora ido a Corinto. Para os popacas, é que se ele tem ido lá, as coisas teriam sido um pouco mais duras ou mais firmes. Mas continua. Não que tenhamos domínio sobre a vossa fé, como quem diz. Não que eu seja vosso dono, ou que seja eu que vos obrigue. Mas se eu fosse aí, o que eu estaria a dizer é que eu teria que dizer um conjunto de verdades que vocês precisam de ouvir. mas porque somos cooperadores do vosso gozo. E depois, agora vamos então ao versículo que lemos, mas delibrei isto comigo mesmo, não ir mais ter convosco em tristeza, porque se eu vos entristeço, e aqui nós começamos a perceber que há aqui alguma coisa, algum tipo de acusação, algum tipo de mau estar, pelo menos em parte da igreja aqui de Corinto, mas se eu vos entristeço, quem é que me alegrará?
senão aquele que por mim foi contristado. E escrevo-vos isto mesmo, para que, quando lá fora, não tenha tristeza da parte dos que deveriam alegrar-me, confiando em vós todos que a minha alegria é de todos vós." Portanto, nós percebemos que a relação entre Paulo e, neste caso, a Igreja de Corinto, foi uma relação, vamos dizer, intensa. e que intensam o adjetivo que obviamente implica às vezes dolorosa a ideia de haver contraditório, de haver correção. Podíamos até falar de disciplina. E provavelmente algumas pessoas, não muito satisfeitas com algumas dessas afirmações, atitudes e posturas de Paulo, começaram a questionar Paulo.
A questionar as suas intenções, a questionar até a sua autoridade. em certo sentido até a condenar ou a questionar a sua sinceridade nos seus propósitos, a sua motivação. Por isso nós vemos aqui Paulo um pouco a abrir o coração e a tentar mostrar qual é que é realmente a motivação do seu Ministério e que não tem nada a ver com conveniência pessoal. Realmente, quando nós vivemos em comunidade, isto é uma realidade que é uma verdade que nós conseguimos ver concretizar em qualquer ambiente em que as relações, a intimidade das relações, se tornam obviamente muito importantes, a começar pela família, mas outros ambientes sociais, em lugares de trabalho, por exemplo, E igrejas, claro, as igrejas são ambientes, obviamente o apóstolo está a escrever uma igreja.
Ou seja, o que conecta estas pessoas todas e o próprio apóstolo é o facto de eles terem uma fé em comum, de terem valores cristãos em comum, de terem uma prática, de terem a Bíblia, a Palavra de Deus e o Evangelho como fundamento da sua vida. Portanto, é isto que cria, digamos, a base para que depois exista uma comunidade cristã. Portanto, nós percebemos que Paulo estava muito interessado aqui em demonstrar, e é nesse aspecto que ele é um exemplo muito importante para nós, de que a integridade de uma pessoa que vive em comunidade é muito importante. Normalmente a integridade vai gerar bons frutos. Algumas vezes a integridade vai gerar questionamentos, obviamente. E Paulo o que cria muito é que a vida dele, o seu ministério e as suas motivações fossem acima de tudo coerentes com aquilo que ele prega.
com aquilo que é o ensino do Evangelho. Por isso, há aqui ainda um aspecto ou dois que eu acho que são importantes. A integridade é a ideia de que há uma coerência entre a mensagem e a vida. Já aqui, até em certo ponto, abordámos isso. Talvez pudesse citar aqui o apóstolo Pedro, primeiro de Pedro 2.12, que diz assim, tendo o vosso viver honesto entre os gentios, para que naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus. Quer dizer que se nós formos coerentes com aquilo que dizemos, até as pessoas que dizem mal de nós glorificam a Deus. Porque mesmo que digam mal de ti numa situação em que tu estás a ser verdadeiro, correto diante de Deus, até o que dizem mal de ti é glória a Deus.
Porque só estão a atacar precisamente por causa da forma como tu estás a procurar ser justo, ser íntegro. Estereo equivalente a eu no meu trabalho, por exemplo, ao invés de tentar por conveniência aliar-me a um grupo, vamos dizer assim, para tentar dar aqui exemplos que possam dizer alguma coisa às pessoas que vivem no mundo real, não é? Não é o mundo desta mesa ou o mundo das ideias, é o mundo real. Às vezes a pessoa, por conveniência, pode evitar dizer uma verdade que os colegas precisam de ouvir, para não me chatear. Mas se a pessoa disser, não, eu vou dizer a verdade, mesmo que isso não me torne muito famoso entre os colegas, é essa a ideia de que eu vou manter-me fiel àquilo que é. verdadeiro. No fundo é isso, não é? Então, integridade é esta ideia de se manter honesto com as intenções, fidelidade nas minhas ações àquilo que eu sei ser a verdade.
Mas, para finalizar, há aqui um aspecto que eu acho que ainda é relevante, é que a integridade, a longo prazo, torna o Ministério das Pessoas, a vida, espiritualmente e até em outras dimensões, mais frutífero. Porque quando nós não somos íntegros a propósito de coisas de curto prazo, temos a sensação que podemos ganhar alguma coisa, um favor aqui, uma palmadinha nas costas ou assim, mas na verdade esses ganhos normalmente são de curto prazo. Enquanto a honestidade, a verdade e a integridade são coisas que mesmo que te criem uma pessoa que fica descontente, como aqui Paulo, as pessoas já a desconfiar dele, a longo prazo Paulo sabia que esta é a única maneira de realmente colher o bom fruto.
O melhor exemplo desta realidade é Jesus Cristo. Porque Jesus Cristo colheu um péssimo fruto no curto prazo. Quando, por exemplo, Jesus afirmava contra os fariseus grandes verdades sobre a hipocrisia daquelas pessoas, na alguns casos até afrontá-los, dizendo raça de víboras, sepulca os caiados de branco, para dar aqueles exemplos mais conhecidos, ou aqueles célebres hais que ele proclama sobre Jerusalém e sobre os líderes religiosos. É evidente que se Jesus tivesse interessado em não ganhar inimigos ou que vê-se não o chateavam muito, o que é que ele ia fazer? Calava-se. e não me dizia aquelas afirmações. Mas ele disse-o não por uma vontade de mostrar que podia dizer tudo, mas porque sabia que aquelas informações eram necessárias.
Então, Jesus escolheu a integridade e as consequências no curto prazo, a benefício de um longo prazo em que a Igreja e o povo de Deus, como nós ainda hoje, colhemos os frutos de vermos que ser fiel à verdade é sempre melhor do que ficar temporariamente naquilo que não é verdade. Aquilo que o apóstolo Paulo a Tito chamava a sã doutrina. É que ele dizia, tu fica e fala o que convém à sã doutrina. Ou seja, não digas o que convém no momento. Diz o que convém ao que é certo, ao que é bom, ao que é justo.
Isto é um grande exemplo para nós. Mas aqui nesta passagem Paulo também é prudente, não é? Porque ele diz, não vou estar convosco, se eu me sentir nesta perspectiva, porque eu posso, de alguma forma, também vos dizer algumas coisas que são importantes dizer... Mas explica porquê que não vai. É isso. Não tenta enredar e dizer que não dá jeito. Seria como não explicar porquê que não vai. Ou seja, ele deixa a porta aberta para eles compreenderem porquê que ele não vai. Exatamente. E depois ele mais à frente diz que espera estar com eles e que ainda haja muita alegria juntos. Mas neste momento diz a verdade. É por isso que vemos que Paulo, de alguma maneira, mudou de planos. E, por vezes, mudar de planos é um ato de amor também. E nós vemos claramente este ato de amor em Paulo. Nós estamos a fazer-se a aberta de hoje, mais um episódio, dentro daquilo que são as epístolas de Paulo aos Coríntios.
E a conversa está sempre muito agradável com os meus amigos que semanalmente estão connosco. Mas agora é hora de irmos para intervalo. É um curtíssimo intervalo. Não saia do seu lugar. Nós voltamos já a seguir. TV Novo Tempo. O canal da Bíblia.
O canal da esperança. Voltamos para a segunda parte do programa Bíblia Aberta. Já sabe, o Bíblia Aberta é um programa da TV Novo Tempo Portugal. Estamos no canal 186 da MEL, estamos também na Rádio RCS e no YouTube. Poderá encontrar-nos... Quando quiser, onde quiser e em qualquer lugar onde esteja. Estamos a falar hoje de um ministério que deve ser suportado e ter o amor como base e Paulo aqui já nos deu várias dicas de como é que nós podemos fazer a nossa liderança, como é que nós podemos ser como membros de igreja. como é que deve ser o nosso comportamento, sendo sinceros, consolando-nos uns aos outros.
Enfim, há aqui muitas perspectivas em Segunda de Coríntios, porque passávamos para a Segunda Epístola, aos Coríntios, que Paulo escreveu. E a conversa vai continuar com estes meus três amigos, o... o Miguel, o Daniel e o Pedro. E por isso eu vou começar pelo Miguel. Miguel, vamos voltar outra vez à conversa e vamos falar de disciplina, ok? E vamos ver que a disciplina sem amor claramente destrói. Eu creio que esta é a conclusão que vamos chegar, mas abrindo em 2 Coríntios 2, versículo 8, nós podemos ver, 2 Coríntios 2, 8 diz, Pelo que vos rogo, que confirmeis com ele o vosso amor. Miguel, porquê é tão difícil em muitas igrejas, em muitas comunidades de membros, de pessoas fiéis a Deus, equilibrar a firmeza contra o pecado, por um lado, e ao mesmo tempo com a misericórdia que devemos ter para com o pecador?
De facto, eu acho que esta questão da disciplina é, eu diria que é talvez das mais difíceis ou das mais complexas na liderança de uma igreja. Eu acho que isto acontece principalmente porque só há ação disciplinar, digamos assim, na igreja quando o pecado é visível. Normalmente. O que é que eu quero dizer com isto? Quando o pecado se materializa em alguma coisa que é visível e que é reconhecível pelo resto da comunidade, é que há uma ação disciplinar da igreja. Enquanto isso não acontece, normalmente, não há ação disciplinar.
E isso faz com que resulte daí, principalmente para quem é o alvo da disciplina, ou as pessoas que são próximas, aquela sensação de injustiça. aquela sensação de, epá, há outros que têm pecados, mas que porque não são visíveis, não há consequências, digamos assim, não acontece nada, não é? E, portanto, esta injustiça, este sentimento de eu estou a sofrer, mas outros não estão a sofrer, é o que normalmente corroi quando tem que haver uma acção disciplinar. E, normalmente, Eu sou membro de igreja há muitos anos e tenho muitos anos também como membro do conselho de igreja, como ancião de igreja, e eu não me lembro de nenhum caso em que tenha havido uma ação disciplinar dentro da igreja que não fosse por questões de alguma forma ligadas com a questão da sexualidade.
ou é porque é uma gravidez extemporânea antes do casamento, ou porque é uma situação de adultério, ou porque é uma situação de novo casamento, mas sempre que a igreja é chamada, ou na minha experiência como membro de igreja, a igreja é chamada a se pronunciar numa ação disciplinar, é normalmente por causa de assuntos desta natureza. E mais uma vez, os pecados da raça humana não se esgotam nesta dimensão. Daí o sentimento de injustiça que me parece que resulta. principalmente para quem é o alvo da ação disciplinar. E portanto, acho eu também, é por isso que Paulo tem este cuidado, faz este parênteses, ele diz que quando tiverem que falar com os vossos irmãos ou forem vocês alvos de alguma injustiça dos vossos irmãos em relação a vocês, façam a ação disciplinar com amor.
Eu há uns dois anos, talvez, fui convidado a falar numa igreja e o tema era precisamente a questão da ação disciplinar da igreja. E não foi uma conversa fácil, porque as pessoas continuam a enraizar-se, mas ele fez, mas elas têm, ou há esta vivência, e isso é conhecido, e o opróbrio da igreja. Quando nós olhamos, por exemplo, para ali de Deus, nós não vemos lá escrito que uma gravidez antes de casar é um dos mandamentos que lá estão, mas vemos o falso testemunho. Vemos a cobiça. Vemos o desonrar o pai e a mãe.
e nunca vemos ações disciplinares na Igreja, com ou sem amor, nem sequer se está a entrar nessa questão, com isso. E a Bíblia tem uma série de comportamentos que para Deus são abomináveis. Exatamente, exatamente. E são vários, não se esgota nisto. Mas a nossa, depois, a forma como nós materializamos o aspecto, principalmente da disciplina na Igreja, é muito, enfim, é muito limitado a isto. E nestas situações, Lá está, para tudo na vida nós podemos chamar o exemplo de Jesus à discussão e à referência como o caminho certo. E quando Jesus é confrontado precisamente com uma questão de carácter sexual e precisamente com uma questão disciplinar, em que aqueles homens que vão a Jesus vão cheios de razão porque eles estavam com o peito cheio a dizer esta mulher violou a lei de Moisés.
E esta mulher foi apanhada em flagrante. E esta mulher... Portanto, nós temos a razão toda. Não há nada que tu nos possas apontar, não é? E Jesus inverte a questão e mostra a hipocrisia deles. Porque, ao fim e ao cabo, eles que tinham esta questão que era visível, e esse é o grande problema, é porque quando o pecado é visível não há como fugir a ele, é o que é. Mas Jesus mostra-lhes os pecados invisíveis. e faz com que eles, um a um, virem as costas e soem embora. E depois, então, ele perguntava... E aí vem a... Desculpa, só terminar a ideia. E aí vem a ação disciplinar. A ação disciplinar de Jesus não é quando ele aponta os pecados dos outros. A ação disciplinar de Jesus é quando ele resgata o pecador. Porque o que diz Jesus diz, então eu também não te vou condenar, eu vou-te resgatar.
Eu vou-te dar a oportunidade de tu passares à frente do teu pecado e então aceitares a graça de Deus. E isto para mim é que é o extraordinário e o aspecto mais esquecido por vezes da ação disciplinar, quando nós temos na igreja e há casos que nós conhecemos e todos nós vivemos situações umas mais próximas, outras mais afastadas, aquilo que mais custa Muitas vezes é até se calhar a forma, lá está, da injustiça do tratamento, porque uma situação porque era A ou B foi feita desta forma, ou porque era o pastor A ou B foi resolvido desta maneira. E isto é a nossa justiça humana a funcionar, não é a justiça de Deus. Para mim, esta questão é essencial e é fundamental nós, à sombra daquilo que Paulo está a dizer, olharmos para Jesus e vermos o que é que Jesus faz.
A disciplina de Jesus não é uma disciplina de condenação, é uma disciplina de salvação, é uma disciplina de resgate, é uma disciplina de restauro. Não é? Desculpa. Eu ia só dizer que, muito provavelmente, aquilo que Deus ou Jesus assinalou em cada um daqueles homens que estavam a gritar que aquela mulher era pecadora, eram exatamente os pecados que Deus abomina. Exatamente. E que nós subtraímos, digamos assim, num aspecto... Esta história tem essa maravilha de que quando Jesus depois lhe diz, vai e não peques mais, ele tem autoridade para dizer isso, porque não peques mais é uma espécie de ordem disciplinar. Quer dizer, agora não voltas a falhar. E se nós lêssemos esta frase descontextualizada, pareceria que Jesus estava a dizer, com a lei dos médios e do pérsico, agora vais e não pecas mais.
Só dizer isto assim parece ridículo, mas no contexto nós percebemos que ela, quando ouve Jesus dizer vai e não pecas mais, Naquele contexto, essa frase foi uma maravilha que ela precisava de ouvir. Ela disse, ok, eu não vou voltar a fazer isto. Ou seja, a reação dela vai ser, eu não quero nunca mais fazer este erro, porque essa graça estendida, essa capacidade de ser justo, que é, eu vi o teu mal, mas podes estar tranquilo que eu estou a ouvir dos outros todos. Dá-lhe a autoridade para dizer, veja, agora não voltes a fazer isso. A nossa dificuldade é conseguir unir essas duas coisas e já vamos falar mais sobre isso. E isso traz-nos, eu diria, um triunfo. Não é um triunfo nosso, mas é um triunfo de Cristo no meio da nossa ansiedade, no meio dos nossos problemas.
Se formos a 2ª de Coríntios, capítulo 2, versículo 14, diz o seguinte... Daniel, como é que é possível experimentar a paz espiritual mesmo em tempos de grande luta emocional? Isto é extremamente interessante quando nós conseguimos ver como funciona a nossa mente, como funciona a nossa reação perante algo que nos desafia e, acima de tudo, perante o incerto. O ser humano tem uma dificuldade muito grande de lidar com o que não é previsível.
Aliás, o século XXI quase que podíamos dizer que era sinónimo de algoritmos. E os algoritmos baseiam-se na previsibilidade do comportamento humano. E o ser humano habitua-se a este contexto de que gosta de ter controle sobre as coisas. Mas também, ao mesmo tempo, o Paulo, parece que já conhecendo que é assim que funciona, vai buscar uma outra parte, que é... Há situações em que fogem ao nosso controle. Parece que não têm como se segurar. E então é aí que ele diz... No entanto, mesmo quando isto acontece, posso agradecer Porque não sou eu que faço. Eu gosto de uma expressão, quem está no meu círculo mais próximo conhece, que eu repito-as várias vezes, mas acho que encaixa aqui a 100%.
Há problemas que estão ao nosso alcance resolver e com esse nós temos que nos preocupar. Mas há outros problemas que nós não temos como resolvê-los e é tão bom quando podemos dizer apenas, então que resolva ele. E esta é a expressão que Paulo está aqui a usar. Há certos problemas que não são ao alcance dele resolver, mas Cristo é que vai à leme, é que dá as vitórias, é que dá a segurança e ele fica contente com essa situação ao ponto de dizer que quando ele age nessa circunstância, quando ele age na certeza de que não é por mim que isto se resolve, tem cheiro a Cristo. E este de ter cheiro a Cristo, acho que é o maior testemunho daquilo que ainda há pouco dizíamos do que é que é ser um líder.
Não é pelo que ele está a fazer. aquilo que ele é, aquilo que ele representa, transpira cheira, de maneira que só o facto de estar ao lado transmite esse senso de segurança e de previsibilidade. Porque não são os seus defeitos ou capacidades que estão a ser destacados, o que é destacado é que ali algo que ele tem que eu não consigo explicar, mas que eu também quero para mim. Este sentimento de segurança, de confiança, que pode trazer o entregar a Deus, entregar a Cristo aquilo que não está ao meu alcance resolver, traz essa confiabilidade, essa previsibilidade e, acima de tudo, traz interesse a quem está à minha volta de poder também ter essa esperança.
É por isso que este ministério é claramente movido pelo amor. Não temos outra alternativa. E se formos a 2 Coríntios 2, versículo 4, nós podemos encontrar esta grande verdade. Porque em muita tripulação e angústia de coração vos escrevi com muitas lágrimas, não para que vos entristecesseis, mas para que conhecesseis o amor que abundantemente vos tenho. Pedro, nós podemos dizer que corrigir alguém com amor pode ser uma das expressões mais profundas do verdadeiro cuidado cristão. Achas que é verdade ou não? Sim. Não chega só a dizer sim porque não temos alguns minutos para preencher. Temos, hoje temos. E podemos enchê-lo de coisas boas e da Palavra de Deus.
Mas a resposta é tão diretamente sim que no máximo podemos tentar fundamentar esse sim. Uma das melhores metáforas para essa realidade temos usado, aliás, aqui é esta mesa, no Bíblia Aberta, muitas vezes essa metáfora porque ela é tão... Eu acho que à escala humana é a melhor metáfora sobre Deus, sobre o relacionamento entre Deus e o seu povo e a maneira como nós temos de nos relacionar, que é a experiência que nós fazemos na paternidade, quando somos pais e mães. Portanto, há a pergunta se é possível Se corrigir alguém pode ser a melhor expressão de amor, é só pensarmos no que acontece nas famílias de, obviamente, famílias quase que chega a dizer, minimamente normais.
Minimamente estruturadas. Minimamente estruturadas, não é? Porque infelizmente há casos simplesmente horríveis, mas fora desses casos, o amor que os pais têm pelos filhos é tão altruísta, é tão dedicado, Nós queremos que aquela vida flurecha. Costuma-se dizer que a relação entre pais e filhos é a única em que nós desejamos ao outro melhor do que a nós próprios. Desejamos que ele seja maior do que nós, melhor do que nós, mais bem-sustido que nós. Nesse sentido, perguntaria aos três pais que estão comigo aqui a esta mesa. Passaria pela cabeça de algum pai que ama e quer o bem dos filhos não os corrigir? Porque a não-correção é a garantia do fracasso. Porque se tu não aprendes, se ninguém te diz que estás a fazer mal, se ninguém te coloca no caminho do que é certo, em alguns casos mais extremos, se ninguém te impede de continuares a praticar o mal, por isso é que na educação há ferramentas que são para impedir, elas são diversas.
Elas podem ir desde o castigo até simplesmente não dar acesso. Seria como se eu tivesse um filho que está constantemente com o computador à frente. E se eu descubro que o computador está a destruir a vida, se estamos a falar de uma criança ou de um jovem, era o mesmo que eu dizer. Então, olha, vais continuar aí e continuas a destruir a tua vida. Mas também temos aí uma outra situação, se me permites Pedro. Claro. É que nós temos uma tendência humana para olhar para a correção sempre como algo negativo e de impedimento. Mas também existe a correção e a disciplina de redirecionamento, porque existe aquele... Faz falta lembrar que eu corrigir alguém pode também significar apenas, olha, tu não atingiste o determinado objetivo porque percorreste este passo, este passo e aquele passo.
Tens que alterar este passo para conseguires chegar ao objetivo que tu próprio tens. Isto também é corrigir. mas é o corrigir não com o sentido de acusação, digamos assim, de destacar o erro, mas sim de apontar o que é que faltou para chegares a bom porto. E em ligação à questão anterior, esta questão é, o que é que nos falta para sentir Cristo que foi Ele que fez? O que é que falta para sentir esta união entre Igreja? É esta folhinha que torna a disciplina como algo desejável. Eu, como filho, desejo disciplina, desejo que me corrijam, porque se não me ensinarem como é que eu faço, eu nunca vou conseguir.
E aqui percebemos aquilo que na pedagogia se diz que o jovem sem limites torna-se alguém com uma propensão à depressão muito maior. Porquê? Porque os limites fazem falta para eu saber como alcançar o sucesso. Sem dúvida. E esse padrão, no fundo, aplica-se muito bem ao que Paulo está a fazer aqui e por isso Paulo vai, aliás, utilizar uma vulnerabilidade muito grande, parece até um pouco incomum, num homem que nós, à partida, criamos uma imagem dele de ser um homem duro, nem vou dizer isto como se fosse uma coisa negativa, mas um homem forte, um homem firme, um homem que não hesita e que depois escreve a dizer, eu vos escrevi com muitas lágrimas. Eu, sinceramente, não fiz assim nenhum estudo para perceber se neste tempo antigo haveria uma visão próxima da que nós, pelo menos a nossa geração, herdou.
Aquela ideia de que o homem não chora, de que o homem controla-se para poder dizer que seria a verdade. A minha inclinação seria dizer que este seria o tipo de tempo em que o homem a sério não chora. Mas há uma coisa que temos que ver. Jesus chorou. Isso é sem dúvida. Esse é o homem perfeito. Por isso não precisa de responder às suas emoções. Nem de fazer de conta que é forte quando por dentro se sente fraco. Mas isto era um parêntese para dizer que acaba por ser extraordinário o Paulo aqui mostrar esta vulnerabilidade. de dizer, ou podia não dizer nada disto, mas diz, olha, eu escrevi-vos com lágrimas. Quase como se ele pudesse dizer, olha, vocês olhem aqui para as folhas que estão escritas e as minhas lágrimas estão aí nelas, porque aquilo que eu vos disse, e nós percebemos que ele agora está a falar daquela parte mais disciplinar, as coisas que eu vos acusei, as correções que eu vos fiz, não foi para que vos entristecesseis.
Portanto, ele está a explicar a ideia de que O verdadeiro amor, neste caso um amor pastoral e fraternal, não pode ignorar o erro. tem que procurar restaurar o erro. Portanto, as muitas lágrimas de Paulo nós percebemos que são lágrimas por ver os seus amados irmãos e filhos espirituais no erro. A falharem o alvo. A falharem o alvo. E ele chora por causa disso. Portanto, aí nós percebemos como é perfeitamente conciliável. Ele está a chorar porque ele chora porque ama tanto estas pessoas. Ele fundou estas igrejas. Ele tem uma relação paternal, em certo sentido. Daí que a metáfora funciona bem. Eu, que sou pastor, consigo perceber isto, porque eu tenho uma relação há muitos anos paternal com muitas pessoas nas igrejas onde eu fui pastor.
Curiosamente, em muitos casos, uma relação paternal com pessoas com idade para serem meus pais. mas que eu tenho na mesma uma relação paternal. Mas então, eu poderia dar o meu exemplo especialmente com jovens. E eu, ao longo de 24 anos de ministério, em vários lugares e comunidades cristãs onde eu estive, há jovens, em todas elas, onde ainda hoje tenho uma relação paternal. Ou quando falo com eles, ou tento saber como é que eles andarão, aquela coisa de saber se ainda estão nos caminhos do Senhor, como é que será que está a vida deles. Essa preocupação paternal é uma coisa que eu consigo sentir totalmente. De me levar algumas vezes às lágrimas ou a uma preocupação profunda, a uma tristeza profunda.
Já senti muitas vezes, especialmente por jovens, uma tristeza profunda. Porque percebi que eles fizeram escolhas tão más. E depois outros por ver, por exemplo, que voltavam. Já vi jovens que se afastaram muito de Deus e que depois vi-os voltar para Deus. É uma alegria profunda. Por isso eu consigo aqui identificar-me com o Paulo nesta ideia de que o verdadeiro amor não ignora o erro. Por isso ele diz, eu escrevi-vos, eu corrigi-vos, repreendi-vos, mas vejam, estou a chorar, porque eu estou a fazer isto. para vosso bem. Há um provérbio, o provérbio 27.5, que diz que melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Que é o mesmo que dizer, na repreensão, franca, verdadeira, honesta, é que está o amor. Por isso é que, para ir à pergunta que tu fizeste, o amor bíblico nunca é permissividade.
Amar alguém nunca é sinónimo de aprovar o que a pessoa faz. Isso é muito importante. Por isso é que a motivação é que determina o espírito da correção. Em certo sentido, até o resultado é a motivação. Um grande exemplo disto que nós temos é o próprio Deus. O apóstolo aos hebreus diz que o Senhor corrige os que ama e castiga a qualquer que ele recebe por filho. Está a falar de Deus. Este texto não é sobre educação, sobre como é que os pais devem administrar castigos. Está a falar de Deus. E diz que o Senhor corrige e açoita aqueles que recebe por filho. Quer dizer que quando Deus quer proteger os seus filhos que ele ama, isso pode significar ter que os corrigir.
E, portanto, isso para nós implica que precisamos muito de aprender este magnífico segredo, no fundo, que é equilibrar verdade e graça. Aliás, um outro texto que eu acho maravilhoso é João I. Naquele prólogo de João, quando ele fala do verbo que se fez carne, no versículo 14 ele diz que o verbo se fez carne e habitou entre nós, e depois é muito célebre, cheio de graça e verdade. Muita coisa tem sido escrita sobre estas duas dimensões da natureza de Cristo. E elas entendem-se como dois pilares que são absolutamente necessários. Porque na ausência de um deles nós poderíamos ter dois extremos muito perigosos. Teríamos. Entre as comunidades cristãs, por exemplo, temos muitas vezes isto.
Quais são? Verdade sem amor conduz muitas vezes a dureza e o legalismo mesmo. Portanto, uma dureza de coração que afasta pessoas é eu dizer tenho verdades mas depois não tenho amor que as sustentem. Mas se existir amor, o que chamaríamos amor, vamos usar o termo num sentido mais popular, o que poderíamos chamar amor sem verdade Isso ia conduzir a permissividade ou até superficialidade. Nada conta, nada interessa, segue o teu caminho, ninguém te vai chatear por nada. Então nós percebemos que graça e verdade são dois pilares essenciais para uma pessoa poder desenvolver uma fé ou então uma comunidade poder ser estável e não se autodestruir. Então, numa comunidade nós precisamos distender graça às pessoas, constante.
Mas isso não significa que nós vamos retirar a verdade e o lugar das coisas que têm que ser ditas ou das coisas que são certas. Porque nem tudo é certo. Nem tudo está correto. Então, eu acho que encontramos em Jesus, em Paulo e hoje está lá em nós, também condições para que isto aconteça. Graça e verdade, duas coisas que se unem, que se juntam e têm exatamente o mesmo tamanho e a mesma dimensão na nossa vida. Eu quero vos agradecer, sinceramente, por terem estado comigo ao longo de duas
semanas, digamos assim, nesta conversa franca, honesta, sincera, em torno daquilo que Paulo nos deixou. Que Deus vos faça abençoar. Vemo-nos em breve, ok? Vou-vos convidar novamente. Quanto a si, já sabe, nós estamos no final de mais um episódio do Bíblio Aberta, mas queremos, antes de nos ir embora, de lhe deixares um guia de estudo. Queremos oferecer-lhe um guia de estudo bastante interessante. Desta vez, Vamos apresentar-lhe ou vamos sugerir-lhe que possa solicitar o guia de estudo sobre o livro de Apocalipse. Este livro é extraordinário. Começa por dizer que é a revelação de Jesus Cristo. Portanto, Jesus tem muito para nos contar neste livro e coisas extraordinárias e extremamente importantes. Aliás, Se nós viermos aqui aos títulos das temáticas, nós podemos ver que temos 18 temáticas nesta revista, o que há muito para dizer.
E podemos ver o que são os 7 selos, o que significa os 144 mil selados. Enfim, nós podíamos ver aqui a volta de Jesus, um reino que vai durar mil anos. Não perca tempo. Ligue agora para o 933 939291. Faça o seu pedido enviando uma mensagem dizendo que quer a revista ou o guia de estudo com o título de Apocalipse. Sabe o que vai acontecer? Nós, deste lado, teremos muito gosto em receber a sua mensagem e iremos, claramente, dar seguimento para que você receba logo em sua casa e comece este estudo mantendo, claro está, a sua Bíblia aberta. É um gosto, semanalmente, podermos estar consigo. É muito bom podermos partilhar a verdade e podermos levar até si aquilo que o Senhor Jesus nos ensina a nós.
Porque é este o princípio bíblico. Quando nós aprendemos, devemos também transmiti-lo aos outros. Da nossa parte está tudo dito. Voltamos para a semana. Vamos continuar a descobrir mais nas epístolas de Paulo. Neste caso, na segunda epístola de Paulo. E, por isso, eu lanço-lhe o desafio. Mantenha a sua Bíblia aberta. Continue o seu estudo. Estaremos cá na próxima semana para continuarmos uma boa conversa consigo. Até lá.
Continuamos a viagem pela 2.ª Carta de Paulo aos Coríntios e descobrimos como Deus transforma a dor em consolo, a sinceridade em credibilidade e a disciplina numa expressão de amor.