Mordomia e Missão

Mordomia e Missão

05 de Setembro de 202657 min 32 s

Capítulos

Transcrição

Gerada automaticamente

Abertura

É uma alegria muito grande podermos voltar à sua companhia, depois de uma semana de pausa, digamos assim, porque o programa A Bíblia Aberta tem um episódio semanal aqui na TV Novo Tempo Portugal, também na Rádio RCS. Se tiveres a operadora Mel, poderás sintonizar sempre o canal 186. É lá que nós estamos. E durante 24 sobre 24 horas transmitimos vários programas que lhe apresentam a esperança e a certeza da vida em Cristo Jesus e também a possibilidade de vida eterna. E este é um dos programas que faz parte da grelha de programação da TV Novo Tempo Portugal. Bíblia aberta. Ora, por este nome de programa, de certeza que já percebeu o que é que nós vamos fazer, vamos abrir a nossa Bíblia e durante os próximos minutos iremos encontrar algo de precioso para a nossa vida, para que durante esta semana possamos meditar e aprofundar o nosso conhecimento.

Nós estamos a estudar as cartas aos Coríntios, que Paulo escreveu, a primeira e a segunda. Estamos na segunda carta aos Coríntios e por isso vai ser muito bom E muito importante que você pegue na sua Bíblia e que a possa manter aberta e seguir, digamos assim, todos os versículos e todas as passagens que vamos assinalando para aprofundarmos o nosso conhecimento. Tal como ficou prometido na semana passada, A equipa não muda, continua a ser a mesma e é um privilégio muito grande para mim voltar a ter comigo o Moisés Silva. Olá Moisés. Olá, é um prazer. Obrigado mais uma vez por estares connosco. A Urte Linda, que digamos que é a cara mais bonita de toda esta equipa. Sejas bem-vinda.

E também o Pedro Esteves. Olá Pedro, obrigado por estares mais uma vez connosco e podermos assim avançar no estudo da Palavra de Deus. Eu quero muito avançar-se e nós vamos começar por falar aqui do exemplo de

Exemplo de Jesus

Jesus. Isto porquê? Porque hoje vamos falar um bocadinho sobre o tema geral, se quisermos, um bocadinho sobre mordomia e missão. Vamos ver o que é mordomia, vamos ver a missão e isto junto e vamos começar pelo exemplo de Jesus. Nada melhor do que vermos o que Jesus viveu dentro desta temática. Para isso, Paulo leva-nos à segunda carta aos Coríntios, no capítulo 8, para lermos o versículo 9. Abra a sua Bíblia em 2 Coríntios 8, 9, porque lá encontramos esta passagem. Porque já sabeis a graça do Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós, se fez pobre, para que pela sua pobreza enriquecêsseis. Moisés, Paulo descreve aqui a encarnação de Cristo com linguagem financeira, se quisermos, não é?

Fala de riqueza, fala de pobreza, fala de enriquecimento. O que é que esta escolha de palavras que Paulo vai referir nos podem dizer sobre a forma como um crente deve entender a sua própria relação com os bens materiais que ao longo da sua vida vai adquirindo? Paulo sintetiza a missão de Jesus com uma incrível economia de palavras. Em duas frases ele vai mostrar a missa de Jesus. Diz imenso, não é? É, diz imenso. Bom, e é impressionante que esta história é contada numa linguagem financeira, como já referiste. Aqui a essência é Jesus é rico.

Ele é que é rico. Nós somos apenas mordomos. Ele é o Senhor. e nós somos aqueles que temos que administrar os bens do Senhor, não é? O que é que, ao dizer que Jesus é rico, o que é que está a dizer? Está a dizer que Jesus é o autor, nós sabemos isso, ele é o autor, ele é o criador, ele é o dono de tudo o que há, tudo o que existe no céu e na terra lhe pertencem. Mas ele diz que, por amor, ele fez qualquer coisa. fez-se pobre. O que é que ele fez? Ele assumiu a natureza humana.

E a natureza humana ele não assumiu. Aliás, é interessante porque depois Paulo, quando vai escrever aos filipenses, ele vai dizendo que ele aniquilou-se. Está em Filipenses 2.7. Ele aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. Então, este ser divino, este ser que era o dono de tudo, ele não só se torna um homem, mas ele assume a natureza de servo. Rebaixa-se a nível humano, digamos assim. Ninguém queria ser servo. Mesmo Jesus diz, se vocês querem ser o maior no reino dos céus, vocês têm que se fazer servos. E ele também me diz, eu não vim para ser servido, mas para servir.

Então, este ser divino assume a natureza humana e ele vai mostrar como é que é ser um ser humano, que é um ser que está disponível para servir, um ser que está predisposto a tomar a posição de servo e isto mostra como é que nós precisamos de olhar para os bens. Primeiro, nós não somos os donos de nada, não é? Nós costumamos dizer que quando nascemos não trazemos nada. E quando morremos também não levamos nada connosco. Então, nós podemos usar os bens que Deus nos concede, mas eles não são nossos.

Aliás, é por isso que os nossos filhos, quando nós morremos, eles são herdeiros. Porquê? Porque não é nosso? Fica para alguém Não podemos levar. Não podemos levar connosco. Os filhos são herdeiros. Então, nesta perspectiva, nós temos que ver que nada é nosso, nada nos pertence. Aliás, a Bíblia diz que o ouro e a prata pertencem ao Senhor, são do Senhor. E é interessante que, quando faz a descrição da nova terra, e do céu também, nós vemos lá os bens, vemos lá o ouro, vemos lá a prata, vemos lá as pedras preciosas, então elas pertencem ao Senhor. E esta perspectiva nós podemos perceber um bocadinho que humildade é aquilo que é requerido da nossa parte.

Porquê é que a humildade é requerida da nossa parte? Porque nós, como mordomos, temos que nos sujeitar, nos submeter ao Senhor. E, por outro lado, a nossa salvação, ela é necessária, portanto, nós dependemos dela, e mordomia e missão andam juntas, quer dizer, para a nossa salvação nós precisamos de ter a missão, mas precisamos ser mordomos, precisamos de estar totalmente ao serviço. Jesus contou várias parábolas e na parábola do bom mordomo e do mau mordomo ele diz dá provas da tua mordomia.

Então nós temos que dar provas da nossa mordomia diante de Deus. A forma como gerimos E este gerir é para o bem dos outros, para que os outros possam também receber as bênçãos que Deus lhe quer dar. Nós somos responsáveis por gerir essas bênçãos. O que quer dizer? O Senhor está a ver, olhar para cada um de nós e a ver a forma como nós gerimos os bens do Senhor. para benefício daqueles que estão ao nosso redor. Então, precisamos todos de compreender esta perspectiva desta mordomia, de sermos mordomos. Não somos senhores, somos mordomos. Somos servos. Estamos ao serviço do Nosso Senhor. E é muito interessante ver que realmente Jesus Cristo é o ser.

rico do universo. Ele é verdadeiramente rico, não é? Mas é muito interessante que esta passagem também nos leva à ideia de que ele, por amor, se fez pobre. E é pela pobreza de Deus que nós vamos enriquecer.

Motivação de Paulo

Esta ideia é... Esta troca é muito interessante. Aliás, continuando nesta perspectiva, se formos a 2ª de Coríntios, capítulo 9, mas agora para lermos o versículo 15, ele diz, graças a Deus pelo seu dom inefável. E aqui nós podemos ver a motivação de Paulo. Paulo apresenta a gratidão pela graça de Deus como a raiz, se quisermos, de toda a generosidade que nós possamos ter enquanto cristãos. Hortelinda, na prática, como é que uma pessoa pode distinguir se dá por gratidão genuína ou por obrigação? Será isto um hábito ou até mesmo olharmos para aquela ideia de pressão social? Há um poeta que eu já tenho referido alguma vez, que é um poeta libanês, que é o Khalil Gibran.

Ele, no seu livro, o profeta, ele tem um capítulo sobre o dom, sobre o dar, e ele diz o seguinte, há os que dão com tristeza, e isso é para eles o seu batismo. Há os que dão com alegria, e isso é para eles a sua recompensa. É aos que dão e não sentem nem tristeza nem alegria, mas são como a ursa lá no monte que exala o seu perfume porque é ursa. Pela boca de tais seres, Deus sorri à terra." Eu acho isto muito bonito e acho que, como cristãos, era isto que nós realmente deveríamos ser. Aquele que compreendeu a profusão do amor de Deus na criação já.

Quando tu olhas para esse universo, no que podes ver, e naquilo que os aparelhos bem sofisticados dos homens te mostram, quando tu olhas à tua volta, tudo aquilo que Deus criou, há uma profusão imensa, estonteante, não é? Quando tu olhas para o amor de Deus revelado na redenção, como já falaste aqui, esse dom inefável, Deus amou-nos de tal maneira que foi esse ato realmente incompreensível, de um dom que nós não podemos, de maneira nenhuma, compreender os limites. Deus amou-nos. de tal maneira que deu realmente o seu filho olhar para a cruz, é realmente ter esse dom. A Deus devia promover em nós uma segunda natureza, não é? Ou seja, o dar de maneira natural, como a ursa.

Damos porque nós somos objeto do grande dom de Deus. Devia ser totalmente natural para nós. Foi Jesus que terá dito, segundo o apóstolo Paulo, não é? Não vemos nos evangelhos, mas vemos no livro de Atos, no capítulo 20 e no versículo 35, em que Jesus terá dito, mais bem-aventurada coisa é dar do que receber. Mas infelizmente nós, teimosamente, continuamos a preferir a menor bem-aventurança que é o receber, não é? Preferimos a menor do que a maior, que é dar, não é? Enfim, e eu digo isto. Isto é o ideal de Deus. Mas quando eu penso em mim mesma, eu estou bastante longe deste ideal. de dar naturalmente, de me ser natural dar, de tudo aquilo que tenho estar disponível para quem precisa, para o serviço de Deus, para a obra de Deus.

Ainda dou conta, medida, peso, ainda estou muito ligada à minha própria gestão. Portanto, dos dons, Dizes que nós devemos dar por pressão social, hábito. Não penso que eu dê por pressão social, mas pode haver quem dê por pressão social. O olhar dos outros, a pressão dos outros, fazer como toda a gente. Pode levar pessoas, portanto, a dar. É muito interessante que às vezes eu vou no metro e há os sem-abrigo ou o mendigo que passa a pedir. Se ninguém ousa ser o primeiro a dar, ninguém dá. Mas a partir do momento em que há uma pessoa que dá, há uma série de bolsas que se abrem e o mendigo acaba por levar uma melhor esmola.

Isto é pressão social. Ninguém se sente realmente pressionado, mas face ao comportamento dos outros, nós fazemos igual. Às vezes também damos por hábito. Eu posso dar por hábito. Tenho o hábito de levar a minha oferta. No momento em que vou adorar a Deus, a minha oferta faz parte da adoração a Deus. Eu levo a minha oferta, portanto que decidi como seria. Posso dar por hábito, não é? E leva sempre a mesma? E levamos sempre a mesma. Nem penso porquê, nem o quanto, nem o como. É um hábito que realmente dá. Agora, dar por gratidão. Dou algumas vezes por gratidão. E é verdade que esta gratidão de tudo o que Deus é e representa para nós e põe à nossa disposição, devia não ser apenas uma motivação de vez em quando, mas um estado.

Nós devemos ser gratos em permanência. Aconteça, portanto, o que nos acontecer. Mas também me ocorre dar por dever. Quando falas aqui de obrigação. Eu gostava de ter uma palavra sobre esta questão do dever. O dever é uma das palavras mais proscritas, enfim, no nosso tempo, não é? Dentro da nossa sociedade. Dar por dever, que horror! Eu preciso de querer, de sentir, de desejar. Da mesma maneira que dizemos muitas vezes, há casais que dizem, ficar casado por dever, jamais. Que horror! Isso é negar o amor e o direito à felicidade. Ou até mesmo os filhos, ficarem com os filhos.

por dizer que horror os meus filhos teriam os mais infelizes. É não compreender realmente o que é a palavra amor, não é? O que é que a palavra amor realmente tem dentro? É porque muitas vezes o dizer é o braço direito do verdadeiro amor. Aquilo que nós não conseguimos fazer por vontade, por prazer, por gratificação própria, porque nos dá alegria, nos dá... Nós devemos ser capazes de o fazer por dever. Quando alguém necessita de mim, quando a obra de Deus necessita do meu aporte financeiro, quando um ser humano necessita de ajuda para viver, para existir, para se realizar, se não for capaz de agir nem por gratidão, nem por compaixão, eu devo ser capaz de agir por dever.

E é isso que Deus nos pede. Os mandamentos de Deus. Deus não diz não matarás. Pensa bem quais as circunstâncias. Deus não diz não roubarás, não adulterarás. São imperativos morais. Para aquele que necessita, dar para a obra de Deus, para a salvação do mundo, é um imperativo moral. Se não somos capazes de o fazer por generosidade natural, Deus manda-nos fazer por imperativo moral. Devemos dar. E porquê é que Deus nos manda fazer por dever? Porque é dando que compreendemos a importância, o valor e a beleza de dar.

Então, se não somos capazes de dar por melhores motivos, devemos, porque o outro necessita. Não coloquemos o foco em nós mesmos, não é? Coloquemos o foco na necessidade do outro. O que eu sinto, o que me parece, o que eu gostaria, isso passa para o segundo plano. É o outro na sua necessidade. na sua fragilidade, na sua predição, que deve ser o estímulo para que eu dê, para que eu contribua. E isso, como dizia lá o poeta, deve ser uma segunda natureza. É interessante ver que quando nós, enfim, contribuímos com aquilo que nos é possível, na missão. Nós nunca deveríamos dar em função da pessoa A, B ou C, que porventura vai cumprir a missão, mas em função daquilo que Deus vai preparar para essa pessoa, não é?

Compreender que a missão é de Deus. Isso. E é Ele que gera os recursos. Mesmo se alguém os possa gerir menos bem, Deus está por cima de tudo. E Ele vai orientar as coisas de maneira que os recursos que foram dados realmente com boa vontade e boa intenção, alcancem os seus não ofereço a Deus, ou melhor, eu não ofereço à igreja, mas ofereço a Deus. Essa é, sem dúvida, uma ideia a reter. E tu deste aqui uma ideia bastante interessante que o dever é o braço direito do amor e quando nós temos realmente esta noção e a desenvolvemos na nossa vida,

Espírito de partilha

somos capazes de planear. Planeamos e planeamos bem. E vemos que o nosso planeamento chega a Bom Porto, não é? Aliás, olhando para esta ideia do planeamento, se formos a 2 Coríntios 9, para lermos o versículo 7. Nós encontramos aqui Paulo a dizer isto, que cada um contribua segundo propôs no seu coração. Portanto, ninguém é obrigado a dar, nem ninguém é obrigado a dar sempre o mesmo ou exatamente o que outro dá. Contribua segundo propôs o seu coração. Não com tristeza, nem por necessidade, porque Deus ama ao que dá com alegria. Quase que as palavras que tu há pouco mencionaste de alguém que as escreveu estão muito inseridas nesta ideia de Paulo. E no fundo nós vemos aqui Paulo a defender que ofertar O nosso conceito de ofertar deve ser uma decisão refletida e não propriamente algo que eu faça obrigado ou por indiferença.

E deve ser proporcional a cada um perante as suas posses. Pedro, como é que um crente pode, de alguma maneira, desenvolver uma espiritualidade em torno daquilo que é a sua vida financeira e, ao mesmo tempo, essa espiritualidade ou esse desenvolvimento possa ser intencional, ser livre e ser alegre. É uma questão muito interessante. Cruza-se muito com tudo o que estamos a abordar aqui, por isso acho que o interessante aqui é que conseguimos trazer ideias que se juntam umas às outras. e nos ajudem a ter uma visão mais global possível sobre como é que, na Bíblia, nunca... Podemos às vezes cair nesse erro de pensar que a Bíblia fala de questões espirituais, existenciais, e que, portanto, à partida, se fosse nessa linha, não precisaria muito falar de dinheiro ou de como é que nós lidamos com os bens que temos, sobretudo num contexto social, que é ajudar os outros, Queria até trazer aqui para este tema um pouco mais essa dimensão.

Portanto, a Bíblia fala muito sobre dinheiro, na verdade. Fala muito sobre a maneira como as pessoas administram o que têm, sobretudo num contexto de responsabilidade. Porque nós vivemos em comunidade. E esse é o contexto permanente no qual estes temas são abordados. na palavra de Deus, incluindo esta expressão do apóstolo Paulo. Porque este versículo 7, que tu leste aqui, que nós muitas vezes isolamos, nem sequer com uma intenção, porque as expressões são muito boas, são uma espécie de princípio universal, mas mesmo que façamos destas expressões, como cada um contribua conforme o que propôs, o que aponta para a ideia de um planeamento intencional, No fundo, a expressão o que cada um propôs já retira a ideia do que cada um se lembrou ou que surgiu no momento.

Propor implica uma preparação. Portanto, há aqui esta ideia de intencionalidade, de reflexão, de responsabilidade. Não é por impulsividade, por exemplo, que é o contrário de propor no seu coração. Quando eu dou por um impulso, ou quando eu dou, seja qual for o contexto, porque ali na hora digo, bem, estão todos a dar. Lá está. Tanto pode acontecer. Crer que era hortelina? Já não sei se era Moisés que falava naquele exemplo de que na rua era hortelina, sim. Se eu vejo o outro a dar, eu já fico com uma certa pressão para dar. Mas pode ser também na igreja, nas ofertas, que é aquele sentido de eu dou um pouco por... Ok, agora ficará estranho se eu não der? A minha chama aconteceu isso várias vezes. O ponto aqui é dizer que o ideal, o princípio que está a ser estabelecido, é um princípio de intencionalidade, porque implica planeamento.

Para eu propor no meu coração, quero dizer que eu tive que refletir. E depois, claro, o apóstolo dá esta segunda parte, que também podemos considerar um princípio universal, que é dar com alegria. que aqui é colocado com oposição ao dar com tristeza ou por necessidade. Mas eu queria trazer este princípio, que está aqui, mesmo se ele é universal, mesmo aqui aos Coríntios tem um contexto, porque o contexto eram ofertas levantadas para apoiar os pobres. Uma comunidade pobre, pessoa de crentes, Jerusalém, até feita uma comparação com outros, creio que daqui um pouco até o Moisés querer falar-lhe disso. Mas esta ideia de que o apóstolo Paulo está a falar sobre estes princípios, mas há um contexto.

E o contexto é uma comunidade de irmãos nossos que precisa de apoio. E, portanto, nós entendemos que faz parte da nossa espiritualidade, da maneira como nós vivemos a fé em comunidade. Por isso, temos de ter sempre muito em atenção isto, a fé. É, na Bíblia, essencialmente uma experiência comunitária. E toda a experiência comunitária implica as habilidades e os instrumentos de nós vivermos em comunidade. Viver em comunidade tem vários princípios que estão subjacentes. Eu queria, por isso, ler aqui vários textos. Fui aqui ao Antigo Testamento, que acho que é interessante trazer esse contexto.

E nós vamos encontrar Um número de vezes, eu escolhi aqui alguns, mas há muitos em que Deus deu instruções, às vezes advertências, às vezes juízes, através dos profetas, precisamente sobre como a maneira como um povo, coletivamente, deve lidar com os pobres. Portanto, há uma espécie de uma ética para nós lidarmos com os bens que temos, e faz parte dessa ética o olhar para aqueles que têm menos. Então, vamos a isso. Deuteronómio 15. Alguns versículos, a partir do 7, vou ler assim um ao outro. Quando entre ti houver algum pobre dos teus irmãos, não endurecerás o teu coração, nem fecharás a mão ao teu irmão pobre, antes lhe abrirás a tua mão.

Porque nunca deixará de haver pobres na Terra. E ainda há pouco tempo ouvi uma expressão muito interessante, que era a ideia de que com frequência nós vemos até crentes, que utilizam esta expressão e depois esquecem-se de qual é o seu contexto, que é a ideia de que sempre haverá pobres na Terra. Tu podes fazer a leitura deste texto num sentido... Como desculpa para não dares nada, mas sempre vai haver. Sim, como uma espécie de desculpa. Até não é no sentido político, mas é no sentido de posicionamento. Quer dizer, sempre vão haver aqueles que não se esforçam. Aliás, vivemos num tempo em que cada vez mais há estas leituras, mesmo entre cristãos, globalmente pelo mundo, muitas vezes até com fundamentos um pouco sim políticos, com a ideia de tentar defender certas teses que todas têm o seu lugar e sobretudo as pessoas defenderem as suas teses.

Não podemos é usar fundamentos bíblicos para defender teses que não estão lá para isso, que as pessoas têm os seus ideais, isso é mesmo assim. Mas é interessante que essa ideia de que sempre existiram os pobres serve na mente de algumas pessoas para expressar a ideia de que os que não se esforçam, os que não têm mérito, os desgraçados que não querem saber, de que esses sempre existirão. Essa leitura é totalmente contrária ao que está aqui escrito. Por isso é que eu li o texto aqui completo. A expressão sempre existirão pobres na terra está associada diretamente à ordem de Deus ajuda os pobres. Ou seja, a existência de pobres não é uma demonstração da vontade de Deus.

Isso mesmo. Um condicionamento que o pecado pôs a Deus. O pecado e que, portanto, a resposta comunitária é preciso apoiar os pobres que sempre existirão. É esse o sentido. Aliás, vejam, a expressão exatamente a seguir, a dizer, nunca deixará de haver pobres na Terra, é a seguinte, eu acho que a maior parte das vezes as pessoas que utilizam este texto simplesmente param aqui, porque a seguir diz, por isso te ordeno, livremente abrirás a mão para o teu irmão, para o necessitado e o pobre. Então a ideia de que sempre haverão pobres na Terra é para te dizer, é por isso que se tu hoje não és pobre, apoia o que é pobre. Porque sempre eles existirão. Sempre haverá pessoas que estarão numa condição de precisarem de que aquele que não está a viver essa realidade seja o instrumento da comunidade para que a pessoa pelo menos possa, olha, não mendigar o pão, não morrer de fome, ou até, se quisermos, numa situação maior, poder sair dessa situação, porque ajudar aqui não tem que ser sempre o sentido mais assistencialista, que é se há um pobre dá-lhe um pão.

Aqui pode ser ajuda-o, ajudá-lo pode ser dá-lhe trabalho, sei lá, ajudá-lo pode ser trá-lo para a tua casa, ou ajuda-o a desenvolver-se. Nós até dizemos ensina-o a buscar. Mas há um sentido comunitário, portanto eu termino que o tempo já vai avançado, mas é para dizer que uma vez que o apóstolo Paulo está a escrever esta expressão, cada um contribua segundo pôs no seu coração, e com alegria, no contexto de que havia crentes pobres que precisavam de auxílio, não podemos esquecer que este texto tem este contexto imediato. A nossa responsabilidade é ajudar e estar atentos às pessoas que têm mais necessidades do que nós, e isso é uma responsabilidade cristã, bíblica.

O povo de Deus não... não permite, vai até o seu limite para que as pessoas pobres possam sair dessa situação. Por isso é que a Hortelinda há pouco falava muito que o dever é, no fundo, um braço direito, se quisermos, do amor e desta generosidade. Nós precisamos de ter atitude, mas a atitude ficará para a segunda parte do nosso programa de hoje, do nosso episódio. Não sai do seu lugar porque a Bíblia Aberta tem muitas coisas ainda para lhe oferecer. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança.

Atitude e fé

Abrimos aqui a segunda parte do programa, ou do episódio, se quisermos, do Programa Bíblia Aberta. Já sabe que nós estamos sempre no canal 186 da Mel. Também estamos na Rádio RCS, nos 91.2 FM, para a Grande Lisboa. Ou então, se não tiver nenhum destes meios de comunicação, poderá aproximar-se do YouTube, ligar a TV Novo Tempo Portugal. Não encontrará apenas este episódio, mas todos os outros que nós já tivemos o privilégio de abrir. a palavra do Senhor e poder apresentar e falar sobre grandes temáticas, estão lá todos, poderá fazer uma revisão, poderá passar tempo connosco, porque o nosso grande objetivo é que cada um de nós que estuda a Bíblia possa ter cada vez mais esperança e certeza em Cristo Jesus enquanto aqui vivermos, mas também na plena certeza de que um dia poderemos viver no céu com Jesus.

Antes de voltarmos ao tema que nós estamos a falar, e estamos a falar sobre mordomia e missão, nós ficámos aqui de ver que precisamos de ter atitude, mas antes de irmos a esta temática, eu tenho um guia de estudo para lhe oferecer, um guia de estudo que provavelmente você já ouviu falar, mas não seja no programa, porque há um programa com esta temática, na Mira da Verdade, mas também existe um guia de estudo com o mesmo título, na Mira da Verdade. Ou seja, aqui, por exemplo, a pergunta que se coloca é, podemos nós falar com os mortos? Será que há alguma possibilidade de nós falarmos com algum ente querido que porventura já partiu? Fica este enigma. Não lhe vou dar a resposta porque vai encontrar aqui, nesta revista, uma resposta baseada nos escritos bíblicos.

Portanto, se desejar saber mais sobre várias temáticas que têm a ver conosco, então coloque na sua agenda esta proposta de pedir e de solicitar um guia de estudo. É muito fácil, basta enviar uma mensagem para o 933 93 92 91 e alguém deste lado irá olhar para a sua mensagem com muito carinho e irá devolver-lhe a palavra oferecendo-lhe este guia de estudo. Muito bem, nós estávamos ainda há pouco a falar do nosso dever e o dever anda de mãos dadas com o amor Vimos que é nossa obrigação, e o Pedro, no fundo, resumindo o que o Pedro disse, devemos olhar para aqueles que não têm tanto quanto nós, ou que estão em situação menor, e por isso isto tem que criar em nós uma atitude.

Nós não podemos ficar sempre parados, indiferentes com aquilo que se passa à nossa volta. Antes de eu pedir ao Moisés que possa dar uma forma a desenvolver esta ideia, eu gostava de lançar o desafio de lermos 2 Coríntios capítulo 8, O versículo 2, porque Paulo vai nos dar aqui uma dica muito interessante. Como é que, em grande prova de tribulação, a abundância do seu gozo e da sua profunda pobreza abundaram em riquezas da sua generosidade? Esta é a dica que Paulo nos dá. como é que, ou como que em grande prova de tribulação, tudo isto aconteceu em riquezas de generosidade. E nós podemos ver que aqui estamos a falar dos macedónios.

Como dizia o Pedro ainda há pouco, antes de irmos para o intervalo, eram um povo pobre, e mesmo assim, eles davam com alegria, eles davam com satisfação, e até pediram para participar, inclusive, na coleta que era feita regularmente nas reuniões que existiam naquele lugar. Moisés, como é que a atitude Destas pessoas, de alguma forma, pode nos dizer algo tão importante, sobretudo sobre a relação entre a experiência interior de fé e, ao mesmo tempo, o ato concreto de podermos ofertar. Os macedónios, que já foi referido, eram pessoas pobres. em Jerusalém também havia um problema, havia fome.

E eles poderiam ter pensado, bom, nós somos pobres, nós estamos já com algumas dificuldades, nós não vamos participar da coleta, nós não vamos ajudar, porque nós também temos as nossas dificuldades. Nós também somos pobres. Também somos pobres. O que é que vamos fazer? O que é que podemos dar? Isso. Não é? Só que o versículo diz-nos, o versículo 2, que eles deram com alegria abundante. Como é que é? Nós não sabemos qual foi a quantidade, o valor que eles deram, mas pelo menos a alegria foi abundante. Quase que nos leva a pensar naquela experiência que Jesus contou daquela mulher que tinha uma única moeda e que dá com alegria, não é? E diz que deu tudo. Deu tudo quando tinha.

Então, isto mostra que nós precisamos de ter alegria, aliás já foi mencionado, o Pedro já há pouco falou, que Deus ama ao que dá com alegria, Mas eles também deram com generosidade, porque o versículo termina que diz que da sua pobreza superabundou a riqueza da sua generosidade. Então foram generosos. Sim, porque quem tem pouco, mesmo pouco que dê, dá com generosidade, não é? E Paulo está aqui a mostrar a sua extrema pobreza, mas apesar dela eles vão dar com generosidade. Em terceiro lugar, eles deram voluntariamente.

Eles não foram coagidos. Eles compreenderam a necessidade que estava a passar em Jerusalém e eles vão voluntariamente, diz o versículo 3, porque eles, testemunho eu, na medida das suas posses, e mesmo acima delas, se mostraram voluntários. Quer dizer, se calhar até deram mais do que aquilo que podiam. Mas eles juntaram-se como comunidade e disseram, vamos ajudar. Vamos colaborar. Também, eles deram com um senso de que dar é um privilégio. É uma honra poder colaborar, poder dar. E esta atitude é perceptível no pedido dos macedónios para participar da coleta, porque diz o versículo 4, pedindo-nos com muitos rogos, quer dizer, Paulo estava a dizer, mas vocês não precisam dar, vocês também são pobres, vocês também estão a passar necessidade.

Mas ele diz, pedindo-nos com muitos rogos a graça de participarem da assistência aos santos. Extraordinário! E eles também, finalmente, participaram da coleta como um ato de total consagração. São aspectos interessantes estes que estão aqui em análise. Porquê? Porque às vezes nós podemos olhar para um donativo quase como um descargo de consciência. Bom, eu vou dar, a minha consciência fica livre, não tem problema mais nenhum. Já fiz a minha parte, agora eles que falam. Não. Houve aqui toda uma envolvência, houve aqui toda uma atitude que demonstra o amor de Cristo no coração deles e da responsabilidade que eles sentiam para com os outros.

que deve ser também a nossa responsabilidade. Quero dizer, nós precisamos de demonstrar esta fé, porque eles sabiam que Deus também ia prover às suas necessidades, mesmo que eles viessem a passar. Mas eles também queriam estar envolvidos na comunidade, eles queriam estar envolvidos participando ativamente de uma comunidade que estava a participar para Jerusalém. Eles também queriam fazer parte dela. Quase que nós podíamos aqui referir aquilo que Malaquias nos diz, que quando nós damos, o Senhor Deus depois faz transbordar o nosso copo, não é? Há vezes as janelas do céu e vejam-se no bem matá-la bastante. Isso, não é? Podemos ser pobres, mas sabemos que Deus pode sempre suprir as nossas necessidades.

Unidade entre crentes

E isto leva-nos Enfim, eu acredito que aquilo que mais importava naquele lugar também para Paulo e para os cristãos era que eles vivessem unidos, que houvesse uma unidade de grupo. E claro está que os de Macedónia queriam participar também nessa unidade. Aliás, se formos à 2ª de Coríntios, capítulo 8, para lermos agora o versículo 5, nós encontramos este sentido de unidade. Diz Paulo, a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor e depois a nós pela vontade de Deus. E a ordem é extraordinária. Paulo vai colocar isto numa ordem extraordinária. Primeiro a Deus e depois a nós. Paulo vê aqui que as ofertas eram um sinal de unidade entre os crentes, não é?

Eles eram de culturas e origens diferentes, mas isso pouco importava. Importava que eles viviam em unidade. Urgelinda, de que forma este ato de dar, pode de alguma maneira transformar a experiência espiritual de cada um de nós, de uma pessoa, e ao mesmo tempo a sua ligação com os outros, ou aos outros, se quisermos, e não ser apenas uma transação financeira. Eu acho muito interessante que o apóstolo Paulo fale da unidade, porque realmente é o princípio da unidade. que é o pano do fundo de tudo isto que se passa aqui. Tanto do fazer a coleta, como da atitude de cada um. É porque a unidade, nós somos um em Jesus Cristo.

Sabemos que a unidade é um tema predileto de Paulo, é um tema maior de Paulo. Este estarmos unidos em Cristo, este em Cristo, que é um leto motivo que aparece constantemente, Portanto, nas suas epístolas, que ele diz que não há judeu, nem grego, não há servo, nem livre na alma, nem mulher, porque todos são um em Cristo Jesus. E depois em Efésios ele vai detalhar esta unidade dos crentes, dizendo que há um só corpo, que é a igreja. Nós somos um corpo. E isto é muito importante para compreendermos a importância da entre-ajuda. Se o meu olho não ajudar a minha mão ou se a minha mão não ajudar o meu olho, realmente o meu corpo vai ficar prejudicado.

Há um só corpo, há um só espírito, há uma só esperança, há um só Senhor, há uma só fé, um só batismo, um só Deus, que é Pai de todos e é tudo em todos. Portanto, é esta unidade que é a base E a motivação de todo o nosso comportamento é porque nós somos um em Cristo. Então, com esta coleta, o apóstolo Paulo quer provar, na prática e no concreto, que a Igreja é uma. A unidade da igreja não é um conjunto de ideias teológicas bonitas, interessantes, que se escrevem, que se pregam, mas a unidade da igreja é algo que se demonstra.

E demonstra-se particularmente face à necessidade dos crentes. Daí que, como estava a dizer o Moisés, o Moisés, os próprios pobres se sentiram totalmente concernidos. Era uma oferta que era uma experiência vivida em comunidade e que traduzia a unidade da Igreja. E eles não queriam ficar de fora. Eram pobres, podiam participar com a sua pequena oferta, mas eles eram a igreja. Eles realmente faziam parte dessa igreja. Portanto, a unidade, sermos um em Cristo, não nos permitirá sermos egoístas.

Não nos permitirá excluir as pessoas. Porque os pobres, os doentes, até os andrajosos, Todos aqueles que nós podemos até desconsiderar, esses podem ser a Igreja. Então é face a esta unidade e perante a esta unidade que devemos desenvolver este espírito de partirem, este espírito de comunidade, não é? Esse espírito que a igreja de Jerusalém, precisamente, nos primeiros tempos do Evangelho, a igreja de Jerusalém soube viver isto tão bem, não é? Como diz lá no capítulo 4, era um a alma e o coração dos que queriam e ninguém dizia que o que era seu era seu propriamente.

mas tudo estava ao serviço dos outros. Esta unidade espiritual em Cristo que tem que se traduzir em atos concretos e tem que se traduzir numa generosidade, quer seja numa assistência ao outro na sua necessidade, quer seja no promover a salvação do outro, investindo, portanto, na pregação do Evangelho, em montes de serviços, em projetos de salvação. E depois é muito interessante que estes atos concretos que a Igreja realiza e demonstra a sua unidade, também fomentam ainda mais essa unidade. Ainda hoje, quando os crentes se juntam para levar avante projetos, projetos de evangelização, projetos de assistência social, projetos cívicos, e a igreja está junta, realmente a igreja sente-se vibrar como um corpo.

E isso junta as pessoas, liga as pessoas e cria realmente esta identidade cristã. E, particularmente, quando os projetos pedem o teu dinheiro, exigem que tu te des a nível de tempo, de talentos, mas também a nível monetário, que exigem o teu tesouro, então realmente aí demonstramos o que é que é importante para nós e demonstramos a nossa verdadeira identidade cristã. O que é que Jesus disse? Lá onde está o teu tesouro. Lá está o teu coração. É onde tu investes, é onde tu dás, é aquilo em que te gastas, que realmente mostra o que é importante para ti. Lá no teu tesouro, onde puseste o teu tesouro, lá está o teu coração.

Portanto, é este o desafio que o Senhor nos faz de vivermos esta unidade, através do dom da entrega de nós mesmos. Claro que este dom e esta entrega é já em si mesmo um dom de Deus. Como dizia David, quem somos nós, aliás, em Crónicas, a primeira de Crónicas, 29-14, ele dizia, mas quem sou eu, quem é o meu povo, para que pudéssemos fazer ofertas tão voluntariamente, porque tudo vem de ti e da tua mão te damos. Já vamos mandar isso a seguir até. É, na tua mão te damos. Portanto, é a ação de Deus em nós que promove esta confraternização e esta confraternidade, mesmo nos bens materiais. É verdade que nós podemos sempre ir buscar um pouquinho daquilo que foram os outros episódios e eu estava a ouvir, Tartulina, e estava-me a lembrar da semana passada quando nós falámos dos vasos de barro que se partem.

Eu creio que é preciso mesmo que eles se partam para nós entendermos O que é que está lá dentro, não é? E se lá dentro não está o amor pelos outros, então alguma coisa está mal, porque foi isso que Deus nos deu. Nós estamos, digamos, a caminhar para o fim deste episódio, mas ainda quero lançar um desafio aqui ao Pedro, só perguntar se ele concorda que a mordomia É um estilo de vida, mas antes de tu poder responder, eu gostava de ir a 1ª de Crónicas. É verdade que a Hortelinda antecipou-se ligeiramente.

Mordomia e dinheiro

Há passagem que eu tinha aqui como dica, mas não há problema nenhum. 1ª de Crónicas, capítulo 29, versículo 14, tem exatamente as palavras do leste. Porque tudo vem de ti e da tua mão tu damos. Pedro, se tudo o que temos vem de Deus, e se calhar é preciso aqui assimilar bem esta ideia e termos isto bem presente na nossa vida, porque em muitos momentos nós achamos que o que temos é nosso, não é? Mas se tudo o que temos vem de Deus, como é que essa consciência deve mudar o modo como uma pessoa trata os seus bens, o seu dinheiro? Mas eu queria estender aqui, para além dos bens e do dinheiro, por exemplo, o tempo e os talentos. no seu dia-a-dia? Sem dúvida. Essa pergunta é muito importante porque leva-nos para, se quisermos, uma visão um pouco mais abrangente, ou bastante mais abrangente.

Ou seja, dizermos que mordomia é, talvez, o estilo de vida, não é? Essa ideia de que mordomia, que até é uma palavra que convém esclarecer um pouco, diretamente para quem esteja a ouvir-nos, que não esteja tão habituado a uma certa linguagem, porque é curioso que na utilização regular, embora seja uma palavra não muito comum, mas ela é sociologicamente utilizada mais como uma conotação terrivelmente negativa, porque mordomia normalmente é o que se diz que as pessoas que têm muitas benesses têm. Por exemplo, está-se sempre a dizer que os políticos, por exemplo, aquilo é só mordomias. E mordomia nesse contexto é que te dão muitas coisas, pagam-te muitos direitos e tens... Mordomias tem, curiosamente, esse sentido.

Quando nós estamos a utilizar a expressão mordomia num contexto bíblico, se quisermos, que vem da ideia de ser mordomo. Portanto, exercer mordomia Por isso é que, no fundo, nós estamos a falar de princípios bastante mais gerais, e por isso são estilo de vida, mais do que apenas a maneira como damos ofertas ou gerimos uma parte do nosso dinheiro, é a maneira como é que nós olhamos para a vida. E a vida não é só dinheiro. O dinheiro é uma partezinha da vida, embora sejamos totalmente honestos e sem falsas hipocrisias, que o dinheiro é absolutamente central para a nossa vida. E ele é central de várias formas, mas essencialmente é central porque praticamente tudo o que é essencial à nossa vida depende de ser adquirido.

Portanto, nós comemos, Pode haver um grupo de pessoas que é cada vez menor que, por exemplo, cultiva os seus próprios alimentos. e, portanto, quase não precisaria de dinheiro. Sempre precisaria de alguma coisa, porque tens de comprar as sementes, embora... Enfim, podíamos dizer que no Limita existem formas de autossubsistência. Tu crias mecanismos para as tuas árvores e os teus legumes e depois voltas a cultivar, mas nós sabemos que, se calhar, 99% das pessoas que nos vão estar a ouvir hoje não vivem nesse estilo de vida. Estão a viver em caixas de fósforos, que são os andares em prédios Aqui em Lisboa, noutras cidades do país, sem terra e sem acesso...

E mesmo que tenha um pedacinho de terra é meio por brincadeira para lá meter umas alfaces... Então, até para a coisa mais básica da nossa existência nós precisamos de dinheiro. Se juntarmos a isto, ter uma casa para viver, que é o mínimo da dignidade, e nós que estamos aqui a gravar em Portugal, podem estar com certeza pessoas, estão certamente a ver-nos que estão fora de Portugal, nós vivemos neste momento em Portugal uma realidade muito dramática, uma das mais dramáticas do país neste momento, que é que as pessoas que já não têm, porventura, uma casa, e mesmo as que têm, às vezes, com a mudança nas prestações e assim, ficam aflitas, hoje, para as novas gerações, está muito difícil adquirirem uma casa ou conseguirem ter dinheiro suficiente para pagar a renda para viver. Portanto, isso significa que nós, até para conseguirmos não estar a viver na rua, as pessoas já estão muito aflitas, a precisar de muito mais dinheiro.

Então, se juntássemos a roupa para nós vestirmos, a água para bebermos e tomarmos banho... Enfim, não há absolutamente nada do que sejam as condições básicas, o que nós hoje consideramos básico para viver, que não seja o preciso de ter dinheiro. Sobretudo nas cidades. Essencialmente nas cidades. Mas é que as pessoas estão a viver quase todas nas cidades. Já houve um tempo, se recuarmos, em que era o contrário. Mas hoje quase toda a gente está a viver em grandes ou médias cidades. Em Portugal não é que haja muitas cidades grandes. As pessoas estão a viver num contexto urbano, porque é ali que estão os trabalhos, as empresas e os serviços que as pessoas normalmente podem ter como trabalho. Logo, só para estar nesse lugar, nós hoje vivemos a realidade de que muitas pessoas, para conseguirem ter emprego, e, portanto, conseguirem construir a sua carreira, colocam os filhos ou em escolas, ou até antes de estarem nas escolas públicas, por exemplo, em creches e assim, em que metade do salário, por exemplo, da mãe é só para alguém estar a tomar conta do filho.

Isto é o absurdo, muitas vezes, da sociedade em que nós vivemos. Famílias que tenham dois ou três filhos, que já são raras, mas admitindo que ainda há algumas que tenham dois filhos pequenos, por exemplo, que tenham que os ter em instituições e que paguem, então podemos dizer que às vezes quase um salário de uma família média em Portugal é só para os filhos estarem alguém a tomar conta deles, para eles poderem trabalhar. E nós diremos, bem, então mais valia não trabalhar. Não, o problema é que as pessoas tomarem a decisão de não trabalhar, amanhã depois não têm emprego, não têm uma carreira, E depois como é que vão pagar outras coisas que esses filhos também precisam? Quando os filhos estiverem, forem crescidos, para onde é que elas vão? Para onde é que vão, se não se construiu minimamente uma carreira? Então nós percebemos que o dilema que as pessoas vivem, que eu estou só a descrever, é um dilema real.

O que significa que quando nós falamos de dinheiro, estamos a falar da essência da nossa vida, porque nós não conseguimos viver sem esses recursos. Por isso é que Agora vamos então trazer para tentarmos concluir esta ideia. Por isso é que o que a Bíblia nos apresenta não é a ideia de que um cristão verdadeiro não quer saber de dinheiro, não está ligado aos bens materiais. Nós não vamos encontrar isso em lado nenhum da Bíblia. Aliás, é por isso que Jesus e o apóstolo Paulo, depois também disseste, que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os maus. Mas não é a ideia de que é o dinheiro. Até no tempo em que a Bíblia foi escrita, mesmo se culturalmente estamos a falar de uma coisa nada a ver com o que eu estava agora a descrever, ainda assim as pessoas precisavam de dinheiro para viver.

Mesmo se a relação com o dinheiro era muito diferente. O que significa que o problema é quando o dinheiro se coloca como a essência da pessoa que eu sou. Ortelina falava na diferença entre... Logo no princípio, entre o ser e o ter. E o estar. Ou o estar. E realmente a ideia de que eu não posso definir-me como pessoa a partir das coisas que eu tenho, dos recursos a que eu tenho acesso. Essa é uma essência da mensagem bíblica, do Evangelho. Eu não me posso definir como pessoa por ter coisas. por ter acesso a dinheiro. Caso contrário, a pessoa que tem um salário maior é mais pessoa do que a que tem um salário menor. E o mundo é feito disto.

Sempre será. Pessoas que têm muito mais recursos, seja porque tiveram sorte, se podíamos designar assim, na vida, na família onde nasceram. E isto é uma realidade. Há pessoas que nasceram em ambientes de pobreza e elas não têm culpa. E outros nasceram num berço de ouro. Quem tem culpa disso? São as circunstâncias. São os desequilíbrios deste mundo. São os desequilíbrios da sociedade. mesmo que muitos se esforcem para conseguir e quantos conseguem sair desses ambientes, mas não pode ser o que nós temos que nos define. Ora, isto é importante para dois grupos de pessoas. Isto é importante, voltando, aos pobres. E aqui eu vou largar a definição. O pobre pode ser aquele que vive com pouco, que tem que fazer as contas todos os meses.

E aquele que tem milhões numa conta bancária. Isto não muda a dignidade das pessoas. É isso que a comunidade cristã traz. As pessoas não são definidas por terem muito dinheiro, muitos recursos. As pessoas são definidas pela sua essência, pelo valor que Deus lhes dá. Por terem sido criados à imagem... Foram criados à imagem de Deus. Fazem parte do projeto de salvação. Jesus morreu por todas elas. Se nós crermos nestas coisas, não fizer a diferença na maneira como nós nos sentimos diante do que temos, então é porque nós ainda não conseguimos realmente que o Evangelho produza fruto. Então, se eu tenho um salário baixo, se vivo aflito todos os meses, eu não posso pensar que sou uma desgraça ou que sou uma miséria e depois olho para outro irmão ou para o meu vizinho que eu vejo que tem um Ferrari à porta de casa e o considerar-me um desgraçado.

Eu não sou desgraçado por não ter um carro ou por andar de camioneta. Isso não define nada como pessoa. Por isso é que é esta grande verdade dizer que tudo vem de ti. Tudo vem de Deus. que significa que, em certo sentido, é como se nada fosse nosso. Essa dimensão é muito importante. As pessoas não se distinguem. Mas, por outro lado, isso também significa que eu preciso de ter uma relação com os bens materiais, com todos os recursos, que é uma relação de equilíbrio, uma relação saudável. Porque a tendência do mais pobre é naturalmente dizer eu não presto, mas a tendência do mais rico é dizer eu sou melhor.

Ou eu tenho autoridade. E não é melhor, não tem mais autoridade, porque é uma dádiva que Deus lhe está a dar. Então, quando nós trazemos esta visão do que é ter recursos, Para a nossa prática, nós percebemos que o cristianismo, a fé e o evangelho são, na verdade, uma espécie de equilíbrio social, porque quer aos que são mais ricos, quer aos que são mais pobres, traz ambos para um lugar comum, mesmo se as diferenças sociais continuam a existir. Mas, diante uns dos outros e diante de Deus, não estamos em lugares tão diferentes. O ideal de José era esse, era que o que colhou muito não sobrou e ao que colhou pouco não faltou. Portanto, que houvesse esse equilíbrio entre o que tem muito e o que tem pouco, de maneira a que ninguém fosse privado do essencial para viver.

Ou seja, Deus dá-nos 100%, pede-nos que devolvemos 10%, mas depois, os outros 90, que façamos uma boa gestão. Isso, não é? Quero que tenhamos muito, quero que tenhamos pouco. Exatamente. O que pode significar coisas diferentes para o que tem pouco e para o que tem muito. Porque têm coisas diferentes para gerir. Mas são sempre mordomos no pouco ou no muito. Como dizia Jesus, ser fiel no pouco para que no muito possa ser colocado. Muito bem. O nosso tempo terminou. É pena, porque a conversa estava ótima e de certeza que ainda havia muitas outras coisas que podíamos juntar àquilo que já dissemos, mas fica aqui o nosso

Encerramento

muito obrigado por terem estado comigo neste programa e, em breve, voltaremos a estar juntos, se Deus quiser, para voltarmos a fazer equipe e continuarmos a conversar sobre as coisas de Deus. Muito obrigado pela vossa presença. Quanto a si, já sabe, o programa Bíblia Aberta está sempre neste canal de TV, na TV Novo Tempo Portugal, Estamos no canal 186, é uma vez por semana e poderá assistir-nos sempre neste mesmo horário. Antes de nos irmos embora, dizer-lhe que continuamos a ter sempre uma oferta para lhe fazer. Esta é uma oferta especial, na Mira da Verdade, onde você vai encontrar diversos temas muito atuais e importantes de nós sabermos o que é que a Bíblia tem para nos dizer. Se estiver interessado nesta revista, poderá enviar o seu pedido para o 933-939291.

933-939291. E nós faremos o resto. Enviaremos gratuitamente para a sua casa. Na próxima semana, nós vamos continuar, e estamos quase a fechar o livro A Segunda Epístola aos Coríntios, vamos falar sobre como lidar com falsos mestres. Não perca o próximo episódio e, até lá, que Deus o abençoe grandemente.

A nossa oferta

A nossa oferta

O Sábado da Criação

Sobre este episódio

A forma como lidamos com o dinheiro, os bens, o tempo e os talentos revela muito sobre a nossa relação com Deus. Neste episódio de A Bíblia Aberta, continuamos o estudo da 2.ª Carta aos Coríntios e descobrimos o verdadeiro significado da mordomia cristã e da missão.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 7 · Episódio 11
Estreou
05 de Setembro de 2026
Categoria
Espiritualidade
Apresentação
Jorge Duarte