Ministério Cristão autêntico

Ministério Cristão autêntico

29 de Agosto de 202657 min 15 s

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Seja muito bem-vindo a mais um episódio do programa Bíblia Aberta. Nós somos a TV Novo Tempo e estamos no canal 186 da Mel, diariamente, permanentemente, 24 horas, a fazer-lhe companhia, mas também a transmitir-lhe esperança. Se estiver fora, enfim, da sua casa, estiver na rua, poderá seguir-nos e poderá escutar-nos através da Rádio RCS, isto na Grande Lisboa, e também pelo YouTube, através do canal Novo Tempo Portugal. Todas estas plataformas estão à sua disposição e você poderá seguir-nos, poderá acompanhar, poderá estudar connosco a Bíblia. Por isso, se está desse lado com a sua Bíblia, abra a sua Bíblia a partir de agora, porque durante os próximos minutos nós vamos encontrar motivos mais do que suficientes para nos sintonizarmos com as coisas que Deus deixou para cada um de nós.

Semanalmente estou sempre muito bem acompanhado. Estão comigo mais três colegas que, de alguma maneira, me ajudam a descobrir, a pesquisar e a aprofundar os temas que temos trazido à antena. São eles o Pedro Esteves. Olá, Pedro. Olá, Pedro. Seja bem-vindo mais uma vez. A Hortelinda. Olá, Hortelinda. E voltamos a ter o Moisés connosco. Olá Moisés, muito obrigado pela tua presença. É sempre um prazer voltar a ter-te neste programa e em vários episódios. Ora bem, nós estamos a estudar duas epístolas de Paulo, a primeira e a segunda epístola. Nós já ultrapassámos a primeira, portanto, se não assistiu a todos os episódios e se quiser fazer uma revisão daquilo que está escrito em 1ª de Coríntios, poderá ir no YouTube, buscar todos os episódios desta sequência, desta temporada, mas hoje vamos voltar a abrir a nossa Bíblia em Segunda de Coríntios e vamos olhar para os capítulos 3 a 7, onde Paulo vai falar exatamente do ministério de ganharmos almas para Cristo.

E é muito interessante que uma autora A americana Ellen White diz que a conversão dos pecadores e a sua santificação por meio da verdade é a mais forte prova para um ministro de que Deus o chamou para o ministério. É um pouco sobre isto que nós iremos passar os próximos minutos. detalhando e aprofundando aquilo que Paulo deixou também para os ministros do Evangelho, para os responsáveis, pela Igreja, enfim, por todos aqueles que têm a função de ganhar almas e, no fundo, todos nós, a partir daqueles que pregam até àqueles que ouvem, todos nós temos esta responsabilidade e, por isso, quer queiramos, quer não, temos um Ministério Cristão autêntico.

Autenticidade e ministério

Eu gostava de abrir esta sequência bíblica, abrindo a Bíblia, em 2 Coríntios 3, e é para lá que nós vamos, para o capítulo 3 de 2 Coríntios, lendo os versículos 2 e 3. Vamos ver. vivo. Hortelinda, hoje vou começar pelas senhoras, por isso vou começar por ti. numa época em que cada pessoa cuida tanto da sua imagem, daquilo que é a sua presença nas redes sociais, vemos aqui Paulo afirmar que a única carta de recomendação de uma vida cristã, de uma vida cristã autêntica, são as transformações que ela pode produzir nas outras pessoas, não tanto em nós, mas nos outros.

O que é que isto nos diz sobre os critérios com que um crente deve, de alguma maneira, avaliar a autenticidade da sua própria fé e, digamos, do seu testemunho? É interessante o apóstolo falar em cartas de recomendação. Hoje já não se usam cartas de recomendação. Há algumas culturas, talvez na cultura africana ainda se use um pouco, mas as cartas de recomendação eram documentos formais que eram escritos por pessoa com autoridade que realmente tinha o objetivo de atestar o caráter, a competência, a idoneidade de uma pessoa. Era como que, diríamos hoje, seria o seu currículo, mas escrito, portanto, não pelo próprio, mas por outro. Isto permitia de abrir portas, permitia de uma aceitação mais ampla.

Era uma espécie de declaração de confiança. O apóstolo Paulo, porque ele não tinha sido um apóstolo como os outros, o apóstolo Paulo não foi testemunho ocular da vida, da pregação, da morte, da ressurreição de Jesus, foi, poderíamos dizer, um apóstolo póstumo, que Jesus, portanto, enviou após já não estar entre nós, estar, portanto, já no céu, ele enfrentou algumas dúvidas sobre a autoridade do seu ministério. Algumas pessoas de má fé achavam que o apóstolo não tinha autoridade e tinha que, de alguma maneira, validar essa autoridade. Temos, algumas vezes, noutras epístolas, o apóstolo a fazer toda uma lista das coisas que ele faz.

Às vezes até se compara aos outros apóstolos. E penso que deve ter sido muito sagradável para Paulo dizer isto, que algumas vezes ele diz, mas isto até parece que me estou a gloriar, não é? Mas ele necessitava de afirmar a sua autoridade, o seu ministério. Portanto, e aqui ele vai dizer aos coríntios que A validação do seu ministério não se encontra realmente em cartas de recomendação, em ideias que os outros possam ter sobre ele ou possam dizer sobre ele, mas sobretudo nos resultados do seu ministério, do seu trabalho, como tu também disseste. Portanto, o apóstolo vai se apropriar de um critério, para avaliar o seu trabalho, vai se apropriar de um critério que é o critério de Jesus Cristo.

Jesus Cristo disse a calcular-vos dos falsos profetas que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. e depois diz, pelos seus frutos os conhecereis. Portanto, é Mateus 7, 16 a 20. Pelos frutos os conhecereis. Este é o critério que Jesus dá para que possamos avaliar a qualidade, a autoridade do trabalho, portanto, de algumas pessoas. Logo, o apóstolo vai dizer isto mesmo. Portanto, é no efeito que o meu ministério teve na vossa vida nos vossos comportamentos, na transformação do vosso caráter. É aí que está realmente a minha carta de recomendação. Portanto, é aquilo que fiz por vós e em vós, aquilo que Deus fez através de mim, é isso que constitui o verdadeiro argumento.

Portanto, o argumento invencível. Penso que nós hoje também devemos avaliar tanto o nosso trabalho, como aqueles que nos rodeiam, como as situações, as circunstâncias, através dos frutos, dos resultados. É isso que realmente nos diz a verdadeira natureza das coisas e, portanto, das pessoas. Não só no que fazemos, mas também em nós como pessoas. Qual é o resultado do nosso chamado para ministros de Deus na nossa vida. no nosso caráter, no percurso que nós fazemos, que rasto é que nós deixamos por onde nós passamos. Falavas aí da imagem e vivemos numa época da ditadura da imagem, em que o parecer prima sobre o ser.

Daí essa paixão, essa busca, portanto, de aparecer nas redes sociais. O ser humano hoje, infelizmente, afirma-se mais pela aparência, por aquilo que parece, e não pela realidade. por aquilo que ele é. Portanto, é a diferença entre o ser personagem e o ser pessoa. E realmente investimos na personagem, naquilo que parecemos, naquilo como os outros nos veem. É isso que conta para nós. Finalmente, o que é importante não é o que eu sou, é o que o outro pensa que eu sou. Eu tenho que ser como eu acho que o outro vai gostar que eu seja. Então, de tal maneira, nos perdemos nesse emaranhado de falsas realidades, que podemos correr o risco de ficar completamente perdidos de nós mesmos.

Perdidos nesse parecer, em vez do ser, nesse personagem, em vez da pessoa. E isso vai afetar muito a nossa vida espiritual, porque Deus não se relaciona com a personagem. Deus não tem nada a ver com a personagem. Deus o que busca é a pessoa, quem tu és, bem lá no fundo. É isso que conta para Deus, não é? Deus disse a Samuel, quando ele foi realmente para um giro, um rei, e que Samuel olhou para a aparência daquele homem, portanto, que estava ali diante dele, o filho mais velho de Jessé, e Deus disse-lhe, não, olha, tu olhas para a aparência, Olhe para o coração, lá para esse lugar em que só ele e eu, portanto, podemos chegar. Então é esta busca da autenticidade, de verdade, que realmente nos faz crescer.

Vivemos muitas vezes ao lado de nós mesmos. nessa personagem. E nós, como somos capazes de nos contar bonitas histórias, acabamos às vezes por acreditar que somos aquilo que parecemos. Só que realmente vivemos em fuga, em fuga de nós próprios. Mais longe, o apóstolo Paulo desafia-nos ainda nesta epístola, no capítulo 3, até vou ler, no versículo 5, ele diz, examinai-vos a vós mesmos, permaneceis na fé, provai-vos a vós mesmos. ou não sabeis quanto a vós mesmos que Jesus está em vós, se não é que já fostes reprovados. Portanto, é esta verdade intrínseca que nós devemos buscar, uma avaliação autêntica, honesta, sincera, de quem somos, do que fazemos, como fazemos e para quem nós realmente fazemos.

E isso é que vai realmente mostrar-nos quem somos. Os nossos frutos, não é? Jesus disse que não se colhem uvas dos espinheiros, nem figos dos abralhos. Portanto, os bons frutos são o resultado de uma vida consagrada a Deus, porque de todas as maneiras é Deus quem produz esses frutos em nós, através do Espírito Santo. Era isso que o apóstolo quis dizer. Ele se propunha a ser avaliado dessa maneira. E nós também devemos propor-nos, avaliar-nos e avaliar todas as coisas. Pela prática. E se fosse hoje, ou se o apóstolo Paulo tivesse os meios de comunicação que temos hoje à nossa volta, muito provavelmente, ou com toda a certeza podemos dizer que nas redes sociais Paulo não seria em muitos momentos como nós temos sido, não é?

Como pessoas, não é? Porque de alguma maneira ele tinha uma vontade enorme de mostrar a Cristo, não é? Exatamente. de mostrar Cristo. E há uma coisa que nós vemos que Paulo vai juntar. Duas coisas que parecem ser tão diferentes, como o sofrimento e a glória, não é?

Sofrimento e fé

Em momentos diferentes, mas que se juntam. E por isso, se nós formos à 2ª de Coríntios, capítulo 4, para lermos agora o versículo 10, nós podemos encontrar esta ideia, trazendo sempre, por toda a parte, a mortificação do Senhor Jesus Cristo no nosso corpo. para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos. Moisés, Paulo descreve aqui o sofrimento não como um obstáculo, digamos, para a sua fé, para a sua vivência cristã, mas como o canal, se quisermos, através do qual a vida de Cristo se revela em todos nós. Como é que um crente pode atravessar o sofrimento sem perder a fé? Sobretudo numa cultura em que nós associamos a vida bem-sucedida, aquilo que nós tanto sonhamos e esperamos alcançar, com a ausência de dificuldades.

Porque num caminho muito tortuoso, talvez para nós seja difícil perceber como é que nós vamos ter uma vida bem-sucedida. Como é que um crente pode atravessar o sofrimento sem perder a fé? Ficando no exemplo de Paulo, nós vemos que Paulo sofreu muito. Aliás, eu acredito que ele tivesse no seu corpo cicatrizes profundas de tudo aquilo que ele sofreu. Marcas, não é? Marcas. Ele levava, como ele diz, trazendo sempre, por toda a parte, a mortificação. Quer dizer, ele trazia as marcas. Mas ele sabia que era um vaso frágil. Ele até se compara, está no versículo 7, compara-se a um vaso de barro.

E o vaso de barro a qualquer momento pode-se partir. Queres ler esse versículo? Posso ler, que diz assim, portanto, 2 Coríntios 4, 7. Então, o que vale não é o vaso, o que vale é o que lá está dentro. o vaso a qualquer momento parte e está lá dentro alguma coisa. E Paulo continua a seguir. Ele sentiu-se muitas das vezes atribulado, angustiado, perplexo. Ele vai mesmo dizer, em tudo somos atribulados, porém não angustiados. Perplexos, porém não desanimados.

Perseguidos, porém não desamparados. Abatidos, porém não destruídos. Quer dizer, ele sentia-se pressionado, perplexo, perseguido, abatido, mas ainda assim não foi esmagado, desesperado, abandonado ou destruído. Ele estava disposto a levar no seu corpo esta mortificação que ele fala. Porque esta mortificação do Senhor para Paulo Provavelmente queria dizer os sofrimentos que ele mencionou nos versículos anteriores. E é interessante que ele também faz aqui, apresenta aqui este par morte e vida.

Mas o que ele realça não é morte, o que ele realça é vida. O que ele realça é que no final haverá vida eterna. E como é que nós poderemos, pegando nisto, que é a pergunta que tu nos fazes, que tu me fizeste, é como é que nós podemos passar pelo sofrimento sem perder a fé? Porque isso aí é que interessa para mim hoje. Porque todos nós estamos sujeitos ao sofrimento. Todos nós estamos neste vaso de barro que pode ser partido a qualquer momento. Ora, primeiro, eu devo lembrar que Cristo também sofreu. E o sofrimento não significa necessariamente o abandono que Deus nos abandonou.

Significa que estamos... Aliás, o próprio Jesus sofreu. E sofreu muito. Ele mesmo chegou a um ponto de dizer, meu Pai, porque me abandonaste? Deus não o abandonou, mas havia uma separação. No seu sofrimento, ele sentia essa separação do Pai. E também, ao ter sobre si a carga do pecado, não ser pecador, mas o pecado da raça humana. E precisamos de ver, de enxergar um propósito para além da dor. Jesus viu esse propósito para além da dor. E qual era o propósito? A salvação da raça humana. Paulo também tinha um propósito para além da dor. Qual era o propósito? O levar o Evangelho a todos.

Qual é o propósito da nossa vida? Para além da dor. se calhar a nossa salvação, a possibilidade de termos a vida eterna. Então, quando eu tenho esta perspectiva, muda-se, digamos, o paradigma. Em terceiro lugar, manter os olhos na vida de Cristo. Quando eu olho para Jesus, quando eu olho para o exemplo de Jesus, isso traz-me conforto. Isto dá-me esperança. Isto dá-me sentido para a minha vida. Em quarto lugar, persistir na comunhão com Deus. Mesmo diante do sofrimento, da dor, eu vou persistir nesta comunhão. Porque não tem outra coisa. É a minha única esperança.

Porque se não for isto, é o desespero. Então, eu vou continuar a estudar a Bíblia, a orar, a partilhar da minha esperança, mesmo que eu esteja em sofrimento, e é muito interessante, E isso acontece com pessoas que estão à beira da morte, muitas das vezes, sabem que vão morrer, e nós vamos junto delas para levar algum conforto. Parece que são elas que nos animam a nós. Porquê? Porque elas estão imbuídas desta esperança. Elas estão em sofrimento, mas elas sabem o que é que as espera. Elas têm uma confiança no Senhor. Então, partilhar também com outros esta esperança ajuda-nos a manter a nossa confiança.

E, em quinto lugar, viver pela esperança, viver pela fé e não apenas pelo que se vê. Como diz o versículo 18, ele diz, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem, porque as que se vêem são temporais e as que se não vêem são eternas. Então, quando temos esta visão, é mais fácil não perder a fé. Diante do sofrimento, mas mantendo esta confiança, esta esperança do Senhor. É muito interessante que tu dizias ainda há pouco que muito provavelmente Paulo guardava no seu corpo algumas dessas marcas que ele ia recebendo por causa do seu foco, que era Cristo, não é? E ele tinha verdadeiramente esse sentimento, como ele diz, de que a vida de Jesus se manifestasse também na vida dele, no seu próprio corpo.

Se Cristo foi aquele que sofreu verdadeiramente na cruz, em que todos nós, quando olhamos para imagens, para filmes, e nos mostram que o Senhor Jesus sofreu imenso, a própria Bíblia é o livro por excelência, onde nós encontramos isso, mas às vezes as imagens levam-nos a termos aqui uma noção clara do que Jesus sofreu. Paulo também não estava nada preocupado com essas marcas que ele poderia eventualmente ter no seu corpo, mas o seu foco era Cristo. os frutos que ele recebia eram direcionados para Cristo. E por isso nós podemos ver que há aqui como que um ministério de reconciliação

Embaixadores de Cristo

focado em Cristo. Este era o objetivo de Paulo. Aliás, se formos a 2 Coríntios 5, versículo 17, não é? 2 Coríntios 5, 17 diz de sorte que se alguém está em Cristo, nova criatura é. As coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo. Pedro, O apóstolo Paulo diz aqui que todo crente é um embaixador de Cristo. Depois nós vemos que o apóstolo Pedro também vai ter uma ideia muito semelhante a esta de embaixador de Cristo, digamos que com uma missão, ou seja, de mostrar que como embaixadores de Cristo temos a mensagem da reconciliação. Na vida concreta de uma pessoa, sobretudo nas suas relações de trabalho, familiares, relacionais, O que é que muda quando ela interioriza, quando ela se apropria desta identidade embaixadora?

E, no fundo, o que é que pode impedir estas pessoas poderem fazer isto mesmo? Se apropriarem desta ideia? Verdade. É muito interessante que o cristianismo, tal como a Bíblia o apresenta, é uma questão de identidade. E isso realmente muda a perspectiva sobre o que é religião, o que é fé. É possível ter uma relação com a religião que seja uma espécie de uma relação, digamos, de separação total. Se a religião for um ritual que eu cumpro, então eu vou a um lugar, vou a um templo, cumpro aqueles rituais e depois sigo a minha vida. Algumas religiões caracterizam-se um pouco por essa natureza, que é, há um conjunto de coisas obrigatórias ou necessárias de serem feitas, e desde que eu cumpra esse conjunto de realidades, eu cumpri as minhas obrigações religiosas e, portanto, o que eu posso esperar que um dia Deus me dê, um galardão, ou a vida eterna, ou o que seja o que for, está associado a cumprir esse conjunto de coisas.

E existem algumas grandes religiões no mundo que a base delas é essa. ou eu tenho que predigar um sítio uma vez na vida, por exemplo, ou tenho que fazer um conjunto de orações diárias, ou saber de qualquer coisa. Há algum cristianismo também. E tal. E algum cristianismo está dentro destas religiões que essencialmente se manifestam através de certas práticas. Muitas delas ritualizadas. O que significa que, não é que isto retire, e com isto não quero dizer que cumprir práticas ou a ritualização na religião não tenha o seu papel. Podemos dizer que não há praticamente nenhuma religião cristã ou mesmo de religiosa que não tenha uma dimensão ritual. O ponto é que se a religião estiver essencialmente nesses rituais, o resultado disso é que, no fundo, a minha prática religiosa não afeta, em certo sentido, a minha vida, a minha conduta, a minha cultura.

E é muito interessante que o que o apóstolo Paulo nos propõe aqui é que a fé cristã torna-se a nossa identidade pessoal, que é o que se traduz na expressão quando alguém está em Cristo é uma nova criatura. Não é alguém que pratica determinado tipo de coisas. A pessoa é uma nova criatura. A ideia de que não é possível estar exposto a Cristo ao que ele viveu, ensinou e aos valores do Reino de Deus e ser uma pessoa igual, equivalente. Comum. Comum. Manter o mesmo estilo de vida que eu tinha. Talvez até possamos ler aqui um bocadinho mais. Tu leste só o 17, às vezes é uma questão de economia de não lermos muito texto de uma só vez.

Mas como estamos em 2 Cor 5, eu proponho lermos aqui o 19 e o 20, pelo menos esses dois. Que dizem o seguinte, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação." E então é aqui que vem aquela expressão que tu usaste na pergunta, em que ele termina dizendo, de sorte ou de maneira, que somos embaixadores da parte de Cristo. Portanto, percebemos aqui que na sequência de dizer nós somos novas criaturas quando estamos em Cristo, portanto, isto é uma questão de identidade, E Paulo vai usar a experiência de Cristo como o nosso padrão para essa identidade. Tal como ele veio ser embaixador do céu e reconciliar o céu e a terra, nós como agora absorvemos, integramos-nos nessa cultura do Reino de Deus, nós vamos fazer a mesma coisa.

À nossa volta nós vamos procurar constantemente ser embaixadores dessa cultura de reconciliação, de unir. Portanto, é realmente um chamado muito interessante que os Evangelhos fazem, o Evangelho, portanto os apóstolos também exploram muito o que é o Evangelho, esta ideia de ser embaixador de Cristo, que é viver de acordo com os valores do Reino de Deus. Há algumas dimensões que nós podemos juntar a isto como exemplos do que é viver esses valores. E talvez o primeiro exemplo que eu gostava de dar, obviamente, diz respeito à maneira como nós nos relacionamos com os outros. Existem muitos padrões de relacionamento que podem estar dentro da nossa casa, na nossa família, ou em qualquer outro ambiente social.

Existem realmente esses padrões que não são cristãos. São padrões muito baseados no egoísmo, no meu interesse, permanente, mas no que eu quero que aconteça, na rivalidade ou na competição. Nós hoje vivemos num mundo onde a competição faz parte, é como se fizesse parte. Nós vivemos em ambientes de vida que sociologicamente se chama capitalistas. E claro que isto aqui não é para discutir política, mas é evidente que essa estrutura trouxe muito sucesso a muita gente. mas a verdade é que cria um ambiente mais competitivo. É como se nós, estejamos muito conscientes ou não, a ideia que nós, no fundo, como a vida em sociedade é uma espécie de um grande mercado, Eu, para ter um trabalho, tenho de competir com outro, porque tenho de tentar ser melhor.

Mas, se pensarmos bem, até na escola já há um pouco esta ideia de que, como eu um dia, imaginemos, os miúdos mais velhos, ok, eu quero entrar na faculdade, mas há uma nota que eu tenho de ter, é como se eu estivesse numa competição com outros, porque eu tenho de ter melhor nota que os outros. No fundo, a vida, de certa forma, ela leva-nos a esta ideia de que nós estamos num mercado onde competimos e temos de tentar ser melhores. Então, o Evangelho e o Reino de Deus dá-nos esta ideia de que, intrinsecamente, em termos de identidade, nós não competimos com ninguém, nós não estamos em rivalidade com ninguém. Por isso, qual é a proposta, no fundo, que os apóstolos, que a Bíblia está sempre a fazer? Vou dar aqui um exemplo. Efésios 4, também o apóstolo Paulo. Versículo 32.

Antes de ser uns para com os outros, benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros. E depois sempre isto. Como também Deus vos perdoa em Cristo. Como nós temos uma referência do que é que Deus fez por nós e em nós, especialmente através de Cristo, esse é que é o padrão para a maneira como nós nos relacionamos. Portanto, somos pessoas que procuramos restaurar relações, evitar divisões, aprender a perdoar, tratar as pessoas com dignidade, tudo isto são coisas muito importantes na experiência do cristão. E depois há uma segunda dimensão, que eu terminaria com ela, desta experiência de ser embaixador, se quisermos, desta nova identidade, que é a ideia de que não é só no aspecto relacional, este primeiro que eu me referi, de sermos pacificadores, de não procurarmos a divisão e a competição, mas mais do que isso, nós temos um propósito de conduzir outros à salvação.

Ou seja, de que o nosso exemplo, de que os nossos relacionamentos sejam também de tal forma inspiradores, eu diria assim, positivos, que as pessoas digam Eu gostava de ter isto que eu estou a ver na vida desta pessoa. Um colega de trabalho, alguém dentro da família, um colega na escola ou na faculdade. Essa ideia de que nós damos um exemplo permanente que deve ser um exemplo que inspira e causa, em vez de causar indignação ou irritação, causa atração. que é um pouco, se quisermos, o que Jesus expressava naquelas célebres ideias de vós sois a luz do mundo ou vós sois o sal da terra. A ideia de que a nossa presença diante do mundo, e o mundo onde nós estamos, Sal e luz são duas metáforas de coisas que atraem.

Ou seja, é muito melhor estar à luz do que estar no escuro. É na luz que se pode ver. E o sal, porque obviamente sabemos, porque ele se mistura na comida, porque ele dá gosto, porque ele traz sabor, preserva, tem todas essas características positivas. Portanto, Jesus também nos está, através destas imagens, que é isto que o apóstolo Paulo aqui está a explorar, a ideia de que A nossa vida torna-se uma forma de iluminar, de inspirar, de trazer sabor. E isso não fala de nós, fala de Cristo. O conceito, portanto, de ser embaixador de Cristo é criar condições para que outras pessoas me perguntem de onde vem essa luz. Somos como um aperitivo que convida realmente a um banquete maior. Isso mesmo, é uma excelente metáfora, um aperitivo.

No mundo da mídia, nós estamos aqui na televisão, utiliza-se hoje muito aquela ideia do teaser, que é... Há um filme, ou há um vídeo, ou há um documentário, e mostra-se uma porção. E a pessoa vê aquela porção e diz-se que tem que ir ver isto. As redes sociais hoje utilizam muito a ideia de vídeos muito curtos, reels, shorts ou outras formas. Este programa, por exemplo, faz vários, como vários de nós que estamos aqui. E a ideia qual é? De que a pessoa ouve 30 segundos de uma frase. A razão pela qual se dá às pessoas esse tipo de conteúdo é para que a pessoa vá ver o programa completo. Exatamente. Porque a pessoa ouve a Ortelina aqui numa frase que ela diz aqui, que ela aparece muito, e aqui no Novo Tempo é um dos mais vistos, vai ficar aqui esta curiosidade. Quando fazemos pequenos reels com a Ortelina, são sempre muito vistos. Ela nem sabe.

Ela nem sabe. Eu não sei ver. Nem ela que os escolhe, nem nada. Vou explicar aqui um exemplo real. E depois muitas pessoas vêm. E nós sabemos que o objetivo é que as pessoas vêm aqueles 30 segundos e digam o quê? Eu tenho que ir ver quem é esta senhora e o que é que ela quer dizer-me mais. E a pessoa ali vai e carrega no vívio para ir ver completo. Então esta ideia de que nós somos esse aperitivo deveríamos ser uma pequena amostra. E a pessoa que há à nossa volta, que se cruza até connosco na rua e vê a sensibilidade, a gentileza, o cuidado, uma palavra boa e diz Onde é que aprendeste isso? De onde é que isso vem? E então nós temos o privilégio de dizer isto. Não sou eu. Eu sou uma nova criatura. Foi Jesus que me transformou e eu estou a tentar ser um embaixador dele. Paulo, sem dúvida, que era um instrumento de Deus, muito bem talhado e muito bem aprofundado nas coisas que mereciam grande importância.

E nós vemos que Paulo leva-nos à ideia clara de que devemos ser embaixadores, ou seja, devemos levar os outros à reconciliação. A conversa está a ser ótima e eu acredito que você ainda não se desligou de nós, não pode mesmo fazê-lo. Nós vamos sair por um curtíssimo intervalo, mas voltamos para a segunda parte e contamos consigo. Até já! Estamos de volta para a segunda parte de mais um episódio do programa A Bíblia Aberta. Já sabe, nós estamos sempre no canal 186 da MEL e também na Rádio RCS, nos 91.2 para a Grande Lisboa.

Ou então, se não tiver nenhum destes meios de comunicação, poderá entrar no YouTube. procurar a nossa conta, que é Novo Tempo Portugal. E aí não tem só este episódio, tem todos os outros que nós já registámos e que deixámos para que possamos, volta e meia, passar por lá e renovar o nosso conhecimento. Antes de continuarmos a nossa conversa, que está em torno de um ministério que é um ministério muito importante e necessário e que devemos fazer, escolhermos bem a forma como aprofundar o nosso ministério, eu quero lançar o desafio para um guia de estudo. Nós temos um guia de estudo para lhe oferecer, ele trata de sentimentos e digamos que vai um pouco procurar encontrar também naquilo que a ciência transmite aquilo que poderá ser a profundidade dos nossos sentimentos.

Podemos ter aqui forma de entender, por exemplo, os meios como Deus usa para nos curar e qual o melhor tratamento que existe para a nossa vida. Atenção que o tratamento é sempre diferenciado, é sempre personalizado e Deus sabe tratar do nosso problema de forma individual. Então, se desejar ter este guia de estudo, sentimentos para a ciência do existir, se é e quer, poderá solicitar para o 933 93 92 91 933 93 92 91 e deste lado nós iremos receber a sua mensagem e podemos assim enviar para a sua casa totalmente gratuito. Fique com esta certeza de que é importante também estudar outras temáticas e estes guias de estudo dão exatamente esse privilégio.

Vamos voltar à conversa porque ela estava muito agradável e vamos voltar a ver o que Paulo nos transmite na segunda epístola aos Coríntios e eu gostava de lançar

A chamada santidade

o desafio de abrirmos agora no capítulo 6, por isso mantenha a sua bíblia aberta, no capítulo 6, versículo 14. Segunda de Coríntios 6, 14 diz, não vos prendais a um jogo desigual como os infiéis, porque Porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? Hortelinda, Paulo está aqui claramente a falar, eu diria, de um chamado à santidade, não é? Paulo apela para que cada crente se separe de influências que possam comprometer a sua vida com Deus, mas Jesus chamou-nos a ser o sal e a luz do mundo, ou seja, estarmos integrados completamente dentro da sociedade onde nós estamos a viver e onde fazemos a nossa vida.

Como é que uma pessoa pode viver esse equilíbrio no dia-a-dia, mantendo a sua identidade espiritual, sem se isolar daqueles que mais precisa do Evangelho? Paulo usa aqui uma expressão muito interessante. Novos prendais a um jugo desigual. E penso nesta palavra, jugo, portanto, ele já mostra a impossibilidade dessa união, em todo o caso, de um relacionamento íntimo e muito próximo, portanto, entre os crentes e os descrentes. Como sabemos, o jugo é uma peça de madeira única, indivisível, que é colocada sobre o pescoço de dois animais, geralmente bois, para que eles possam fazer um trabalho conjunto.

De forma, eles não podem ir em direções diferentes, porque pelo jogo estão juntos, não é? Na mesma direção. Não podem caminhar a ritmos diferentes. nem sequer podem ter alturas diferentes, ou seja, o jugo é aquilo que obriga duas pessoas a seguirem o mesmo caminho, a pensarem praticamente da mesma maneira, são obrigados a fazer tudo juntos, para viver ou para morrer. Aliás, esta é a imagem do casamento, que é uma relação conjugal, ou seja, o homem e a mulher, o marido e a esposa, são ligados por um jugo, algo que os prende e que os obrigaia na mesma direção, que cria dependência, que cria, claro, perda de liberdade, perda de autonomia.

Só que no casamento, pelo amor e pelo projeto que é o casamento, é uma perda consentida e até mesmo desejada, e até mesmo útil, não é? Sem esta conjugalidade não há realmente casamento. É a ideia de que perdemos alguma coisa porque ganhamos uma melhora. Exatamente, perdemos algo a nível pessoal para construirmos uma coisa que só existe connosco, que é o casal. Inclusive Jesus vai oferecer o seu jugo também, não é? Jesus também disse, tomai o meu jugo, porque ele é leve. Porque ele é libertador. Mas o nosso jogo, nas nossas relações com os outros, podem não ser libertadores, podem ser altamente condicionados.

E é isso que diz aqui o apóstolo Paulo. Não vos prendais a um jogo que vos vai condicionar e que vos vai impossibilitar de cumprir o propósito de sermos, como dizia há pouco o Pedro, embaixadores de Cristo. Para sermos embaixadores de Cristo temos de ser livres. estar livres para poder representar Cristo. Então, não podemos estabelecer com aqueles que não creem, que não têm a mesma orientação de vida, uma relação, portanto, de intimidade. Pode ser desastroso. O apóstolo diz mesmo que justiça, que sociedade tem a justiça com a injustiça, que comunhão há entre a luz e as trevas. Portanto, há uma incompatibilidade radical o mundo e Deus, e o reino de Deus.

Portanto, é qualquer coisa que é radical, não há como conciliar estes dois mundos. Mas não nos enganemos, portanto, sobre as palavras. Aquilo que nós dizemos mundo pode ter várias conotações. Para nós o mundo é Não é o mundo, certamente o mundo que a Bíblia fala, que o apóstolo nos põe de sobreaviso e diz para não nos ligarmos. Não é o mundo geofísico, que foi criado por Deus e que Deus se interessa nele. E menos ainda o mundo humano, as pessoas. Deus ama as pessoas. Deus deu o seu Filho. Deus amou o mundo e de tal maneira que foi ao ponto de dar o seu próprio fim.

Portanto, Deus ama as pessoas. Agora, aquilo que Deus nos põe de sobreaviso é o mundo como sistema de comportamentos, de valores, as prioridades. Tudo aquilo que realmente... O que é que é importante? O que é que vale? Há pouco o Pedro falava sobre a competição, a concorrência entre as pessoas. Isto é o mundo, são os valores do mundo, não é? Mas nós, no reino de Deus, não é assim. No mundo os valores são o carisma, o poder, o estatuto. No Reino de Deus os valores são o amor, o altruísmo, o serviço, a partilha, a autenticidade, essa verdade fundamental.

Logo, quando duas pessoas se juntam e buscam uma realização comum, não podem realmente ser uma do mundo e outra, portanto, que pertence a Deus. Agora, Deus põe-nos sobrevisto contra os sistemas de pensamento, de comportamento, de valores, de atuações. Deus é contra os sistemas que as pessoas criaram e muitas vezes com a inspiração daquele que é o príncipe deste mundo. que nós, portanto, sabemos quem é, que é o Satanás. Mas Deus ama as pessoas e quer que nós, cristãos, nos identifiquemos com este amor. Da mesma maneira que Ele ama as pessoas, Deus quer que nós amemos as pessoas, sejam elas quem forem.

Os franceses têm uma expressão conhecida que eles dizem, há que não deitar fora o bebê com a água do banho. E nós deitamos fora o mundo, devemos separar-nos do mundo, mas não das pessoas. Devemos, portanto, amar as pessoas. Para que o crente seja à luz do mundo, tem de estar realmente no meio do mundo. Mas este equilíbrio que tu falavas é um equilíbrio difícil, não é? É um equilíbrio difícil. É o equilíbrio que existe entre o ser e o estar. Jesus disse que eles não são do mundo, mas eles estão. Então, depende muito de qual é o fundamento da tua existência. A nível do ser, tu és cristão. não és do mundo, mas tu estás no mundo.

As tuas circunstâncias, a tua vivência é com as pessoas do mundo. Então é esta espécie de dicotomia a nível do qual, portanto, tu vais viver. Podíamos talvez substituir o termo mundo para mais compreensível trevas, por exemplo, não é? Pois é, o mundo das trevas é o lugar onde Deus é desconhecido. Isso, onde Deus não está. E onde os comportamentos são consequentes por esse desconhecimento. Eu penso que Jesus designou isso com a expressão mal. Porque ele disse na oração sacerdotal, não peço que os tires do mundo, mas que os livros do mal. Jesus criou a dicotomia não entre mal e mundo, e as pessoas criou entre o mundo e o mal.

Aí é que tem que estar a dicotomia. Claro, como Jesus disse muito bem, o príncipe deste mundo é o príncipe das trevas. Logo, os sistemas, os valores, os comportamentos, tudo aquilo que é promovido, vem das trevas. E é contra isso que Deus nos diz cuidado, porque isso vai-nos desviar do caminho. Eu penso que há, só para terminar, uma frase de Jesus que eu acho que nos ajuda a ver como resolver esta dicotomia. A Jesus, quando ele enviou os discípulos ao mundo pela primeira vez a pregar, portanto, ele ainda estava, os setenta que os mandou a pregar, ele disse, eis que eu vos envio como cordeiros ou como ovelhas ao meio dos lobos. E depois ele diz, cedam então, por isso mesmo, cedam então, prudentes como as serpentes e simples como as pombas.

É estas duas atitudes que nós temos que desenvolver. Ser prudentes como as serpentes em relação ao mal. Identificando, estando atento. Estando sempre vigilante ao mal que realmente pode chegar. Mas mesmo assim, aberto, tranquilo, sereno, acolhedor para com as pessoas, a quem nós devemos levar e demonstrar o amor de Deus. E a preocupação de Paulo era tão grande que ele muitas vezes falava do conforto e falava da alegria. Ele tentava levar estes dois itens, digamos assim, como ponto de chave para a

Tristeza e arrependimento

vida do cristão. Aliás, se formos a 2 Coríntios 7, para lermos o versículo 10, diz que a tristeza, segundo Deus, opera a arrependimento, para a salvação. do qual ninguém se arrepende, mas a tristeza do mundo opera a morte." Moisés, Paulo aqui distingue dois tipos de tristeza, se quisermos. Uma que transforma e a outra que destrói. Ora bem, na experiência espiritual de uma pessoa, e podemos dizer qualquer um de nós, como é que nós podemos reconhecer a diferença entre uma convicção que nasce de Deus e ao mesmo tempo uma culpa que pode paralisar e pode nos afastar de Deus? E todos nós temos o grato privilégio de ministrar, de orientarmos igrejas, de estarmos de alguma forma à frente.

Somos líderes de igreja. Como é que um pastor ou um ministro pode acompanhar-se e ajudar-se neste discernimento? É interessante que Paulo, aqui no capítulo 7, explica a razão para o seu consolo e para a sua alegria. E Paulo escreveu estas duas cartas com o propósito que era de edificar a Igreja. Só que estas cartas, ao chegarem à Igreja, elas criaram tristeza. E porquê que elas criaram tristeza? Porque elas vão, vamos dizer, vão tocar a ferida. Vão pôr a nu os problemas que a Igreja estava a viver.

E estas cartas vão criar uma tristeza, vamos dizer, um descontentamento nos crentes, mas por outro lado, também vai trazer uma alegria, que é saberem que há alguém que se preocupa com elas, que é de que eles podem crescer na santificação, podem tornar-se pessoas mais semelhantes a Cristo, e isto vai criar estas duas dictomias. Por um lado, a tristeza, mas por outro, a alegria. Nós temos o exemplo de Jonas. Jonas, quando foi a Nínive, a mensagem dele criou tristeza nas pessoas. Elas contristaram-se, jejuaram, vestiram-se de saco e cinza, mas arrependeram-se.

E qual foi o resultado disso? O resultado disso foi que toda aquela cidade foi poupada. Quando Jonas estava à espera de ver a destruição de Nínimo, e depois ficou muito zangado com Deus porque aquela aboboreira ou aquela planta se secou e ele perdeu. Ele diz, tu ficas tão preocupado por uma simples aboboreira e não é de eu ficar preocupado por 120 mil pessoas que vivem nesta cidade, além dos animais. A tristeza daquelas pessoas levou-as à salvação. Jonas tinha uma outra tristeza, que era só por aquela situação momentânea.

Há aqui realmente uma tristeza que levou à salvação. E temos até o exemplo, eu tenho aqui também o exemplo de Pedro e de Judas. Pedro chorou amargamente depois de ter negado Jesus. Amargamente! Mas essa tristeza dele, o que é que levou? ao arrependimento levou a querer estar com Jesus. Ele estava ansioso por ver Jesus. Ele sentia que precisava do perdão de Jesus. Judas também se arrependeu, entre aspas. Ele viu o seu erro, a sua falha, mas não correu para Jesus. Correu para se enforcar.

É uma tristeza. A de Judas foi a tristeza que não transformou. a tristeza de Judas levou-o a afastar-se de Deus. E agora, nós, o que é que podemos fazer? É mostrar às pessoas esta realidade. Porque é bom quando nós sentimos tristeza pelos nossos pecados e vamos a Jesus. quando nós reconhecemos a nossa condição e quando desejamos a transformação. Dizia-se Senhor, eu sou indigno, eu preciso de Ti, eu preciso da Tua graça. Foi o que fez Pedro. Eu preciso do Teu perdão. Eu preciso de ter uma vida nova contigo. Tu precisas transformar, porque a minha natureza leva-me a fazer o erro.

Lá está, a minha natureza leva-me para o mal, leva-me para o mundo. enquanto que a natureza que Cristo quer implantar em cada um de nós vai nos transformar e levar-nos a ser pessoas diferentes, mais preocupados com o bem-estar do outro, mais atentos à necessidade do outro. E isto leva-nos realmente a podermos ter uma tristeza e depois esta tristeza traz, no fundo, traz a alegria, que é a alegria de vermos que o Senhor está a trabalhar em nós, está a operar em nós, está a fazer de nós novas criaturas.

A fragilidade do vaso

Não há coisa melhor do que isto. Há pouco tu, Moisés, já referiste esta passagem, mas eu penso que seria muito importante nós voltarmos a pegar nela e tentarmos continuar a conversa que tu já iniciaste de 2 Coríntios 4 7. em que diz, temos este tesouro em vasos de barro para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. E nós aqui podemos ver que a autenticidade e missão caminham juntas, não é? Paulo dá-nos esta perspectiva. Paulo é simultaneamente frágil, inabalável, é ferido, é alguém que sofre, mas tem esperança, não é?

Precisamente porque não depende de si mesmo. Pedro, o que é que a imagem do vaso de barro, e há pouco o Moisés já deu aqui uma pinceladazinha sobre esta ideia, o que é que esta imagem de barro diz a uma pessoa que sente que as suas limitações, o seu passado, a sua fraqueza, a desqualificam na ideia ou na perspectiva de servir a Deus? É uma imagem muito interessante e que tem uma certa conexão com a história de Paulo. Eu gostava de começar a realçar isso. Não tenho a certeza se ele estava consciente desse termo ou não, mas há uma expressão, a metáfora do vaso é muito importante na história do próprio apóstolo no início do seu ministério. Nós sabemos que Saulo era um perseguidor da igreja que depois recebe aquele chamado extraordinário de Jesus.

E esse chamado foi muito disruptivo. Portanto, a igreja mesmo teve dificuldade em aceitar que era possível aquele homem vir a ser chamado por Deus para ser seu apóstolo. Então, em atos, vou-me contar aqui rapidamente essa porção da história, no capítulo 9, Está, claro, o momento em que Jesus aparece em glória, quando ele está a caminho de Damasco, no cavalo, tudo aquilo, e depois é Ananias assim designado, um servo de Deus, que estava também, provavelmente, de liderança nesse tempo. Ananias é chamado por Deus e recebe uma mensagem diretamente. Portanto, Ananias, nesse momento, fica quase no papel de um profeta, porque recebe uma revelação da parte de Deus.

E é Ananias que recebe, a partir do versículo 10, de Atos 9, que recebe uma mensagem da parte de Deus para ele ir uma rua chamada Direita e perguntar, na casa de um certo Judas, por este homem. E então revela-lhe pela primeira vez que tinha chamado Sal para ser seu instrumento. E é muito interessante porque Ananias vai ficar absolutamente espantado com esta escolha e quase que vai dizer adeus Tens a certeza, no fundo é isso que ele vai fazer. Eu sou lá bem. Eu estive a ver aqui um portfólio e não faz sentido ser esse o escolhido. E isso vai mesmo acontecer, o Cananias vai mesmo dizer adeus. Senhora, muitos ouvi acerca deste homem e quanto mal ele tem feito aos santos.

em Jerusalém. Então... Pedro, deixa-me só interromper. Se hoje fosse, digamos, esta experiência vivida com alguém que nós não conseguimos imaginá-la como cristão ou como arrependido, talvez teríamos a mesma ideia. Teríamos a mesma reação. E então Jesus vai novamente falar, porque percebe-se no contexto que é o próprio Jesus que fala com ele, nessa visão que ele tem. E então Jesus vai dizer o seguinte a respeito de Paulo. vai, no fundo confirma-lhe, esquece isso, eu sei que parece estranho o que ela está a dizer, mas vai, porque este, para mim, é um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, dos reis e dos filhos de Israel. Então, o senhor vai usar a expressão vaso escolhido para se referir ao Ministério do Apóstolo Paulo.

Eu imagino que Paulo tenha ouvido estas palavras do próprio Ananias, que lhe terá dito, olha, eu venho aqui, e admito que ele o tenha aberto o coração e dito eu não queria acreditar que fosse possível e se calhar contou-lhe isto, mas Jesus apareceu-me e disse-me que tu eras um vaso escolhido. Então é muito interessante esta ideia que depois Paulo, mais do que uma ocasião, vai usar a mesma metáfora precisamente para expressar esta ideia de que O vaso do barro é, em si mesmo, uma coisa de pouco valor. Primeiro porque o barro é uma coisa fácil de obter, vem do pó da terra. Um vaso... Que se parte. Que se parte. Ele é frágil, há um bocadinho o Moisés até se referia a isso.

Ele tem essa fragilidade em si mesmo de ser uma peça, mas também o material não é nobre. Aliás, por isso, aqui na arqueologia e na história, o que mais se encontra do passado, quase, eu não sou grande socialista nisso, mas a gente vai a museus por aí, já fui a vários pelo mundo, e a gente vê. O que há mais é vasos de barro por todo o lado. Cacos que partiram. Porquê? Porque é muito fácil obter barro. Porque é misturar água com terra. Claro que há terra que dá com as suas características melhor, mas no fundo o material em si não é um material nobre. Por isso não é como ter um poto de ouro, ou de prata, ou mesmo de cobre, de metal, o que for. Porque essas peças duram mais e são mais valiosas. Não é qualquer pessoa que tenha acesso. Mas qualquer família pobre podia fazer o seu próprio barro, meter dentro de um forno e fazer.

Então é interessante porque a própria metáfora já em si mesma expressa a ideia de que a qualidade é o conteúdo. Um vaso de barro pode levar água pura, que no deserto vai saciar e salvar a vida. O vaso pode levar também vinho, que na festa vai ser a celebração e a alegria, ou qualquer outro material nobre. O vaso leva. Ele em si mesmo não é o conteúdo. Portanto, esta ideia de que nós temos este tesouro em vasos de barro, expressa esse grande princípio de cristão de que o valor não está em nós. E isso serve-nos, para terminar dizendo, isso serve-nos de duas maneiras.

Porque por um lado impede-nos de cair no orgulho espiritual, que Jesus o Apocalipse... Enfim, a Bíblia está sempre a explicar que o orgulho espiritual é sempre a grande pedra de tropeço do crente. Portanto, saber que nós não valemos nada, que somos só barro, impede-nos desse problema, obviamente, mas também nos impede o contrário, que é nos acharmos que não valemos nada e que não servimos para nada. Também nos impede, porque Deus diz, não, eu tenho aqui algo de muito valor que te posso usar. E estas duas mensagens continuam a ser muito importantes para nós hoje. Terminamos da melhor maneira, falando deste vaso que se parte para que depois Cristo, como diz Jeremias, o possa reconstruir.

Digamos, a uma imagem semelhante à de Cristo. Meus amigos, muito obrigado por termos estado durante praticamente esta hora a conversar sobre coisas tão importantes e tão necessárias para a nossa vida espiritual. E para todos lá em casa também agradecemos muito a vossa presença. Antes de nos irmos embora queremos dizer-lhe que temos um guia de estudo para lhe oferecer-se. Não perca, se ainda não tem este guia de estudo em sua posse. Ele fala sobre sentimentos. Fala também da ciência do existir e nós podemos ver como é que alguns fatores podem, de alguma maneira, ser lidados para o transeptor no emocional, como é que nós podemos facilitar a melhoria da nossa vida e, por isso, esta questão sobre, por exemplo, a depressão é outro dos assuntos que este guia de estudo tem, então não perca.

Faça agora o seu pedido enviando uma mensagem para o 933 939291 e teremos muito gosto em oferecer-lhe mais este guia de estudo. Está tudo dito por hoje. Para a semana vamos voltar com um novo episódio e vamos falar sobre mordomia e missão também com esta equipa. Ou seja, despedimos-nos durante uma semana, mas voltamos para a semana. Se Deus quiser, até lá. Que Deus o possa abençoar.

A nossa oferta

Sobre este episódio

Nesta edição de Bíblia Aberta, mergulhamos em 2 Coríntios 3 a 7 para descobrir o verdadeiro significado do ministério cristão e da missão de cada crente. O apóstolo Paulo revela que a maior prova de uma fé autêntica não está nas palavras, mas nos frutos de uma vida transformada por Cristo.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 7 · Episódio 10
Estreou
29 de Agosto de 2026
Categoria
Espiritualidade
Apresentação
Jorge Duarte