Lidando com Falsos Mestres

Lidando com Falsos Mestres

12 de Setembro de 202657 min 17 s

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Seja muito bem-vindo a mais um episódio do Programa Bíblia Aberta. Semanalmente estamos por cá para lhe fazer companhia e também podermos encontrar tudo aquilo que o Senhor Deus quer que saibamos, que conheçamos e estudemos para aprofundar-se tudo aquilo que é a nossa vida espiritual e a nossa preparação para a eternidade. É sempre muito bom voltarmos à sua companhia, sabemos que você está desse lado e que nos acompanha e é para nós um grande privilégio podermos ter a sua presença semanalmente no programa A Bíblia Aberta. Como sabe, nós somos a TV Novo Tempo Portugal, estamos no canal 186 da MEU e estamos também nas emissões regulares da Rádio RCS nos 91.2 FM para a Grande Lisboa. E se não puderes em nenhum destes canais, poderá então sintonizar-nos através do YouTube no canal Novo Tempo Portugal.

Estamos aqui para lhe fazer companhia e estamos muito bem acompanhados. Estamos hoje com uma nova equipa. Temos connosco a Joana Corado. Olá, Joana. Sejas bem-vindo. Obrigada. E obrigado por teres aceitado novamente o convite para estares connosco. A Hortelinda já é, digamos, um membro da casa da nossa conversa. É muito bom ter-te connosco. Obrigado por mais esta oportunidade. E Pedro, obrigado também por estar mais uma vez connosco. Na semana passada nós tivemos o privilégio de estudar um tema muito interessante. Juntámos duas características, mordomia e missão. e pudemos olhar, por exemplo, para aquilo que nos diz São João, capítulo 3, versículo 16, que diz que todo aquele que nele pareça, não pareça, mas tenha a vida eterna, e vimos aqui claramente que a mordomia e missão andam de mãos dadas, vimos a preocupação de Paulo nestes dois temas, e hoje vamos continuar a ver outras preocupações de Paulo, outras recomendações que Paulo deixou à Igreja de Coríntios.

Estamos a estudar a 2ª Carta aos Coríntios e por isso vamos entrar aqui em mais um tema. E por isso, meus caros amigos, vou propor-vos que nós entremos numa guerra

A guerra espiritual

espiritual. Estão prontos para isso? Vamos lá? Vamos entrar numa guerra espiritual, que esta foi uma das preocupações também de Paulo nesta epístola. Se formos à 2ª de Coríntios, capítulo 10, versículo 4, Nós podemos encontrar aqui esta passagem que diz que as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus para destruir fortalezas. Ou seja, Paulo aqui descreve claramente o confronto com o erro como uma guerra espiritual na nossa vida. Hortelinda, vou começar por ti. Como é que um crente pode enfrentar falsos ensinamentos com a firmeza de Paulo, sem perder a mansidão e ao mesmo tempo ter a gentileza de Cristo? Talvez não seja fácil para os humanos, não é?

É porque ao longo dos séculos muitos cristãos esqueceram essas palavras das armas espirituais que Paulo indica, não é? E lutaram contra o erro ou aquilo que eles pensavam que era um erro com as armas da carne, com violência. com agressão, com destruição. Infelizmente, o cristianismo deu à história algumas das suas páginas mais tristes, mais negras e mais indignas, em que cristãos derramaram o sangue de outros cristãos que pensavam e queriam coisas de maneira diferente. No entanto, a confrontação com o erro é incontornável. Cristo é o príncipe da paz. Cristo é a verdade. E Satanás é o pai da mentira.

E como este mundo está no maligno e o maligno, portanto, tem muitas vezes acesso até mesmo aos crentes, esta guerra espiritual, ela é incontornável, não é? Mas o erro deve ser denunciado, deve ser corrigido, deve ser eliminado para que certas pessoas não sejam arrastadas pelo erro, não é? Pessoas com menos experiência, com menos capacidade de aprofundar, portanto podem ser arrastadas e afastar-se do tal fundamento sólido e inamovível que é o Evangelho, o Evangelho de Jesus Cristo, o apóstolo Paulo e o próprio Cristo advertiu contra os cordeiros, os lobos que vêm vestidos de cordeiro e que penetrarão o rebanho e que Precisamente através de erros, de controvérsias.

podem fazer muito mal. No entanto, este combate é um combate espiritual, como diz aí o apóstolo Paulo. As nossas armas e a nossa forma de combater não são as mesmas, portanto, das guerras daqui são espirituais. E Paulo diz que elas são poderosas para destruir as fortalezas. E estas fortalezas aqui não é boa coisa, não é? As fortalezas são precisamente essas concepções, ideias, argumentos produzidos pela suficiência humana. Os erros, as heresias, muitas vezes têm na base o orgulho humano, a necessidade de protagonizar, a necessidade de ter razão, a necessidade de ter relevância.

As pessoas precisam de inventar muitas coisas. Mas isso deve ser combatido, portanto, para manter a pureza da fé e deve ser combatido com as armas espirituais. E quais são essas armas espirituais? Para todos os erros teológicos, a grande arma é a palavra de Deus. É a palavra de Deus que vai realmente, portanto, Definir a Palavra de Deus que é lâmpada para os nossos pés, luz para o nosso caminho, que Jesus Cristo disse mesmo, santifica-os na verdade. A Tua Palavra é a verdade. Para combater o erro devemos fazê-lo com a verdade. E a verdade é a Palavra de Deus. É ela que é o aferidor das ideias, dos ensinos.

E quem a experimentou guardou no seu coração, como foi, por exemplo, com Davi. Exatamente, guardei a tua palavra no coração para não pecar contra ti. Portanto, esta é realmente a grande arma que nós temos. Mas claro que temos que a conhecer, temos que nos apropriar dela para podermos usar. Maneja bem a palavra da verdade, dizia Paulo Timóteo. Maneja bem a palavra da verdade. Mas esta palavra é interessante. Esta palavra é também a espada do espírito, que nós encontramos em Hebreus 4.12, em que diz assim, a palavra de Deus é viva e eficaz. e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, que penetra até à divisão da alma e do espírito das juntas e medulas e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.

Ou seja, a palavra de Deus não vai apenas corrigir o erro teológico, portanto ideológico, do exterior, mas a palavra de Deus vai-te corrigir a ti. A palavra de Deus vai penetrar no teu coração, vai revelar as tuas intenções, tanto se és tu que propagas o erro ou até mesmo se és tu que o combates. Eu penso que é muito importante que a palavra de Deus esteja no nosso coração para que nós possamos identificar, corrigir e até eliminar o erro sem orgulho e sem sermos nós mesmos também. objeto, portanto, desse mesmo erro. Ou seja, sem a palavra de Deus é impossível estarmos nesta guerra espiritual e vencermos.

E é impossível se não o tens no coração. Se o tens só na cabeça, não chega. Tu precisas de te identificar com a palavra. Precisas de a viver. Precisas de a possuir, de alguma maneira. Então, precisas de ser honesto. A honestidade é outra arma. Se não fores honesto, se não fores autêntico, não podes usar esta arma. Deves ser honesto nesse questionamento, nessa busca, nessa análise. Outra arma é a oração. A oração é aquilo que nos mantém ligados ao centro da sabedoria, à fonte da luz que é Cristo. Portanto, através da oração tu recebes a luz para poderes identificar as trevas. O que faz identificar as trevas?

Aquilo que não vem de Deus. É realmente a luz que vem de Deus. E através da oração tu vais ter uma visão do erro e da pessoa que propaga esse erro, também orientada pelo Espírito de Deus. Uma oração com honestidade, que eu acho que faz toda a diferença. Porque muitas vezes, da mesma forma que a palavra no intelectual é diferente do que a palavra vida no coração, uma oração ritual, ritualizada, que não é transparente nem honesta, acaba por não servir da mesma forma, acaba por não ser uma arma. Acaba por ser uma arma contra nós, ou uma pedra de tropeço. Isso que Jesus chamou as vãs repetições. As vãs repetições, aquilo que é uma atitude de quereres ver aquilo que tu queres, aquilo que te convém.

Nós temos muita tendência a ter a verdade conveniente. Esta atitude de honestidade e a oração previnem-te de buscar uma verdade conveniente. Esse era o problema dos fariseus. Eles queriam uma verdade conveniente. Outra arma chama-se humildade. Eu penso que tu só podes corrigir o erro se fores humilde, teres a capacidade de tu mesmo te colocares em questão, de te questionares, seres capazes também de reconhecer que se calhar o erro finalmente não está do lado outro, o erro pode estar do teu lado. Ou seja, esta atitude de honestidade e de humildade é absolutamente indispensável para poderes identificar e também poderes corrigir e eliminar o erro.

Finalmente, é uma atitude de verdade. E é só assim que o Espírito de Deus te pode utilizar e te pode levar a identificar o erro e a corrigi-lo. E até podes ter de mudar tudo a opinião. Se eu parto para um debate de ideias ou de análise, com certeza que eu é que tenho razão, imediatamente eu estou bloqueando toda a luz que possa vir até mim. Claro que dissemos aqui, temos uma referência. A verdade e o erro não são apenas uma questão de ideias. A verdade é Deus. Eu sou a verdade, disse Jesus. E é a nossa relação com Ele que nos vai realmente proteger do erro.

Ele vai afirmar e defender a verdade.

Gloriar-se no Senhor

Ora, estamos numa guerra espiritual, já encontramos aqui algumas armas que nos serão muito úteis, digamos assim, para podermos de alguma maneira enfrentar esta guerra espiritual e vencermos, porque temos mesmo que a vencer. Ora, quando nós utilizamos todas estas armas que foram aqui mencionadas, nós temos que glorificar Deus e gloriar-nos no Senhor. Aliás, Paulo vai-nos dar essa indicação exatamente em 2 Coríntios 10, lendo os versículos 17 e 18. 2 Coríntios 10, 17 e 18 diz aquele, porém, que se gloriar, gloriu-se no Senhor. porque não é aprovado aquele que a si mesmo se louva, mas aquele a quem o Senhor louva. Ou seja, Paulo está aqui a distinguir claramente que entre gloriar-se nas próprias realizações e gloriar-se no que Deus fez e faz por cada um de nós.

Joana, na vida de um crente, como é que nós podemos reconhecer quando é que o orgulho espiritual está a disfarçar-se, digamos assim, no zelo por Deus? Bem, esta é uma preocupação muito particular de Paulo, ao longo das suas cartas. Esta preocupação com o que se gloriar. E, na verdade, é uma questão que Paulo inicia logo esta carta de 2ª de Coríntios. repete esta questão, mas em 2 Coríntios, logo no início, em 1,12, ele começa a apresentar a questão da glória como um motivo legítimo de satisfação, orgulho, não propriamente como status apostólico, por inteligência ou sucesso, mas aqui, satisfação e orgulho por uma consciência limpa, diante de Deus, de que aquilo que está a fazer está a ir bem.

Depois, mais à frente, Em 2 Coríntios 10, que estamos agora a debruçar-nos um bocadinho, neste texto de 10, versículo 13, adianta até 17, Paulo já fala que é um carinho da glória que nós podemos desenvolver em nós mesmos. e o tal orgulho espiritual, que eu acho que é a tradução mais interessante aqui que se pode ter. E a sua preocupação, no fundo, parece ser com aquilo que se pode desenvolver no coração, mesmo que aparentemente seja algo bom. E o orgulho espiritual é particularmente difícil de identificar Porque usa frequentemente uma linguagem de devoção, um serviço a Deus, uma ortodoxia.

Algo que é difícil depois de discernir. Apresenta-se com roupagens. Paulo realmente critica. Critica aqueles que medem-se consigo mesmos, como diz aqui no texto, um bocadinho acima, no versículo 11, medem-se consigo mesmos e comparam-se consigo mesmos. Ora bem, quando nós olhamos para nós mesmos ou para outro, estamos completamente desfocados daquilo que é o mais importante. E quando nós retiramos os olhos de Cristo, nós vemos em vários aspectos na Bíblia alguns personagens que realmente retiraram os olhos de Cristo, focámos em nós mesmos ou nos outros, nós aí sim trocamos o zelo pelo orgulho. Porque o zelo por Deus leva-nos a olhar para Cristo como sendo ele o padrão. Já o orgulho espiritual leva-nos a olhar aos outros para confirmar que nós estamos acima deles, na verdade.

E aqui eu acho que nós podemos... Como é que nós... Diz aqui um bocadinho a pergunta, como é que nós reconhecemos? E para mim o ponto base e central, para mim uma das formas mais básicas de reconhecimento é, sem dúvida, examinar o nosso próprio coração. em o meu próprio coração, para compreender as intenções, para compreender porque é que eu faço determinada coisa. E Davi faz apelos constantes. É muito interessante. Davi faz apelos constantes, o próprio Jeremias a Deus, para lhe ajudar a examinar o coração. Mas, de qualquer maneira, este é um assunto que vamos alinhavar mais à frente, não vou desenvolver. Mas, para mim, este realmente é básico. Depois um outro é quando nós nos apercebemos que começamos a comparar-nos a outros.

Nós sabemos que a comparação é um processo natural do funcionamento humano e há comparações que são realmente positivas. Ajudar-nos a perceber se no trabalho estamos a ter um bom desempenho, se não estamos. Existe algo de normal na comparação. E normalmente nós acabamos por procurar, não é? Evaliar as próprias capacidades, o nosso valor, opiniões. Mas quando não existe uma medida objetiva clara, nós recorremos aos outros como referência. Por isso é que é tão importante nós relembrarmos que a nossa medida objetiva clara é Cristo. E aqui eu penso que Paulo, nestes textos, vai nos ajudar a refletir o perigo de compararmos uns com os outros, porque leva a uma certa competitividade.

Mesmo que não tenha como propósito ultrapassar o outro, deixamos que mine o nosso coração e ambiente à nossa volta. Portanto, aqui, quando nós começamos a perceber que estamos a comparar-nos aos outros e a nossa referência não é Cristo como padrão, mas os outros, aí já podemos perceber que podemos estar a viver mais orgulho espiritual e a ser substituído aqui pelo zelo, com essa roupagem. Depois, um terceiro aspecto que também fez-me pensar é quando nós começamos a olhar e a falar muito de nós mesmos. Não sei se às vezes já vos apanharam nesta armadilha. Porque é falar muito de nós mesmos, sem nos darmos conta. As músicas que fizemos, as coisas que concretizámos com os casais, os trabalhos que consegui fazer com os jovens.

O que consegui, o que consegui, não é? Quando nós, é muito fácil, nós fazemos quase também aqui um check. Um check é uma lista de coisas que nós fazemos que nos consideramos santos, porque as fazemos também, não é? E esquecemos frequentemente de quem é que santifica. Quem é que nos santifica? Quem é que santifica as coisas ao longo da Bíblia toda? É o Espírito. É Deus, não é? É Deus quem santifica. E nós vemos isso. Foi Deus que santificou o sábado. Não fomos nós que santificámos pelas coisas que fazemos nele. Deus já santificou. Nós vemos que o próprio Paulo disse em 1º de seu Unicéncio, e o mesmo Deus de paz vos santifica. Sou eu que estou a santificar, não é Cristo. É Deus que me santifica. Também percebemos que Ele santifica até a nossa própria vontade. Aqui há um texto em filipenso, também Paulo, acho que ele realmente se preocupava com este tema.

Ele diz que Deus é quem opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua vontade. Ou seja, Ele próprio santifica a nossa vontade. Nós temos uma cultura de santificação dentro da igreja. E eu não tenho qualquer dúvida disto. E retiramos muitas vezes o papel que Deus tem em nos tornar santos. E coloca em nós mesmos essa tarefa através das coisas que nós fazemos ou deixamos de fazer por zelo. de Deus. E é nesse momento que o orgulho espiritual cega os nossos propósitos e tem tendência para, através de um eu estudo a Bíblia, às seis da manhã eu faço exercício, como bem. Fazes tudo também porque é a vontade de Deus. Colocamos sobre os outros aquele peso que os fariseus também colocaram e que Lucas dizia, ai de vós entregues a lei porque sobrecarregais os homens com fardes difíceis de suportar.

A crítica de Jesus neste aspecto não é a obediência em si a Deus, mas sim o que é que o legalismo, esta necessidade de santificação, transforma a religião numa carga pesada, sem misericórdia, sem graça, sem auxílio. E nós podemos estar a viver esse orgulho espiritual quando, lá está, mais uma vez, não gastamos tempo a examinar o nosso coração, quando nos começamos a comparar uns aos outros e quando começamos a olhar muito para aquilo que nós fazemos nas nossas disceclícias e nos esquecemos que é Deus quem scientifica e quem transforma. Isso não impede que nós possamos obedecer à lei. Eu estava-te a ouvir com muita atenção e estava a pensar, apesar de nós termos sido chamados por Deus e sentimos-nos honrados por isso, fazemos parte, digamos, da sua equipa, damos-lhe muito trabalho.

Damos-lhe mesmo muito trabalho. E nisto pode acontecer uma coisa. é a infiltração, digamos assim, de falsos mestres que nós podemos até identificar, ou estarem identificados, mas que nós depois vamos tê-los por

Falsos mestres e o Evangelho

perto. Aliás, Paulo, em 2 Coríntios 11, versículo 4, vai dizer que se alguém vos pregar outro Jesus que não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrerias. Ou seja, Paulo avisa que é possível pregar um outro Jesus. Uma outra versão, digamos assim, distorcida de Cristo. Que critérios práticos pode um crente usar hoje para discernir se o ensino que está a receber é fiel e é, digamos que, fiel ao Evangelho? Sim. É muito útil tentar pensar sobre isso, responder a essa pergunta.

Não quero dizer que haja uma resposta definitiva ou já feita, mas é muito importante nós percebermos que é preciso ter algum tipo de critério para poder identificar falsidades. Isso é tão verdade que a Bíblia está cheia desses alertas. Não só estabelece alguns critérios, mesmo que não sejam escritos como uma lista, mas eles estão espalhados pela escritura, mas sobretudo nesta lógica de identificação de que a falsidade existe. E aqui é muito interessante porque só num versículo curto o apóstolo Paulo refere-se a três formas de contrafação. Porque é outro Jesus, outro Espírito e outro Evangelho. São coisas relativamente próximas, podíamos dizer, quase que se misturam em termos conceptuais, mas se o apóstolo Paulo as identifica como três coisas distintas, é evidente que cada uma delas tem a sua função no nosso caminho.

e, de facto, é preciso estar alerta para elas. E é interessante, ainda nesta introdução, antes de dar aqui alguns critérios, para responder diretamente à pergunta, também é interessante que se percebe que o apóstolo não está a falar de que esta contrafação venha de um campo inimigo. Ou seja, como se fosse, imaginam, uma religião pagã. Existem religiões pagãs e essas, claro, não têm Cristo ou não têm o Evangelho. No fundo, é como se ele não estivesse a falar de inimigos externos. mas de inimigos internos. Porque a própria linguagem é de que estas contrafações estão muito próximas. é pregar outro Jesus. O que quer dizer que se é outro Jesus, o que é que está a ser pregado? É um Jesus. Não é...

Não quero usar aqui o nome de um outro Deus qualquer para não parecer que estamos a falar específicamente, mas não é um Deus qualquer que se inventou. Não, é Jesus, só que é outro Jesus. Quer dizer que se é outro Jesus e é outro espírito e é outro evangelho, então quer dizer que estamos no campo do que é cristão, do que está revelado. Até mesmo porque os erros que vêm de outras religiões, alheias ao cristianismo, não são perigosos para as quais são imediatamente identificados. São os que vêm de dentro que são perigosos. Elas são facilmente identificáveis. Não quer dizer que algumas delas não possam ter uma certa atração, eventualmente. Ainda há pouco tempo, ouvi a história de uma pessoa que já foi um cristão bastante ativo, que hoje, por exemplo, está num universo de outra religião, oriental.

Enfim, há filosofias que podem ser atrativas. Mas, vamos dizer, para aquele que está, pelo menos, a tentar estar firmado na palavra de Deus e seguir Jesus, realmente não é tanto isso que reside o perigo. E é isso que o apóstolo está aqui a alertar-nos. Então, realmente, nós podemos ter alguns critérios ou algumas ideias práticas que nos possam ajudar. Vamos a isso a dois ou três, pelo menos. É interessante, nós precisamos de reconhecer que exaltar Cristo tal como ele é apresentado na Bíblia é uma coisa muito importante porque Jesus e o seu ensino, a sua atitude e a sua vida são a referência do crente. Nós temos uma facilidade muito grande A Joana estava, no fundo, a dar alguns exemplos, até, da nossa conduta e prática cristã, não colocarmos Cristo, de facto, como a referência.

É muito fácil dizer isso, mas comportar-se como Cristo, eu até vou usar dizer aqui uma coisa um pouco, não digo chocante, mas pode ser um pouco polêmica. Hoje, em muitas igrejas cristãs, Portar-se como Cristo seria uma coisa polémica e mal vista. Portar-se como Cristo, se tentássemos mentizar o comportamento de Cristo. Por isso é que precisamos de entender isto. Nós temos que buscar realmente Cristo. Às vezes podemos dizer que há textos, há coisas que Jesus disse que se nós hoje dissessemos essas coisas seriam ofensivas para muitos. Mas a Escritura diz, o próprio Jesus disse, examinais as Escrituras. dizia ele aos fariseus, porque percebem que nelas tem a vida eterna, mas elas é que testificam de mim.

Então Jesus está a dizer, vocês lutam contra mim e o meu ensino, mas a Bíblia é que testifica de mim. Quer dizer que nós na Bíblia, no fundo Jesus está a dar um princípio hermenêutico. que, para quem não percebe tão bem a palavra, é um princípio de interpretação da Bíblia. Por isso podemos considerar como o primeiro dos princípios hermenêuticos. Que é, Cristo é que é a chave hermenêutica por excelência. Quer dizer que, para eu entender qualquer verdade, eu tenho que entender como é que Cristo a viveu. Então, vamos dar exemplos práticos aqui. Deus tinha estabelecido o sábado como dia do Senhor. Isso vinha lá desde o Génesis. Quando Deus sim, do que a Joana dizia, quando Deus santificou o sábado, não é? Tornou aquele dia santo.

E depois nós percebemos que, na verdade, Jesus vem reinterpretar a maneira como se vive o sábado, porque o povo de Deus, que mantinha uma tradição de obediência em relação ao sábado, transformou o sábado numa outra prática que nada tinha a ver com o princípio que Deus estabeleceu. E o que Jesus fez foi tornar-se-lhe a chave hermenêutica. Ou seja, o que Jesus vai dizer é o que eu vou fazer no sábado e a maneira como eu vou viver o sábado é que é a chave para entender o que é o sábado. E muitas vezes criticado, claramente. Por isso é que ele era criticado. Porquê? Porque a sua prática não coincidia com o status quo. E porque a sua referência não era a tradição do homem. Isso, as tradições não eram a referência.

Por isso ele transformou-se e colocou-se ele próprio como o que podemos designar a chave hermenéutica, que é a conduta e o ensino de Cristo é que são a chave para entender o que Deus de facto queria dizer. Porque, nesse sentido, Jesus é um interpretador de si próprio. Ninguém melhor pode interpretar as suas palavras ou o seu pensamento que o compositor. Ele veio descodificar o que ele criou. Por isso é que nós encontramos, por exemplo, o sermão da montanha. que é um sermão absolutamente magnífico, ético, em que, em grande medida, se pudéssemos dizer o que é que Jesus faz no sermão da montanha, é que ele descodifica o que Deus estabeleceu. Por isso é que é um sermão ético. Talvez das coisas mais importantes desse sermão seja que Jesus reinterpreta os 10 mandamentos.

Nós diríamos que o desmedimento é tão direto e tão curtinho que nem há nada para interpretar, mas há. Toda a lei pode ser interpretada, como nós vemos aí pelos tribunais, que às vezes vêm numa instância, eles julgam de uma maneira, depois vai para outra instância, e o mesmo tribunal, a mesma lei, os juízes interpretam diferente. Toda a lei tem uma interpretação. E Jesus veio provar que até dizer, não matarás, o que é que há para interpretar em não matarás? Não matas, pronto. Mas Jesus veio reinterpretar a expressão não matarás. Quando disse chamar-se estúpido ao teu irmão, estás a retirar-lhe a vida e a dignidade, estás a matá-lo. Jesus, como foi ele que esteve lá a dar a lei, como faz parte, ele é o criador daquela ética, ele pode reinterpretá-la.

E nesse sentido, Esta ideia, este grande critério de que Jesus é a chave hermenéutica é muito importante para nós entendermos que a essência do que é cristão, em Jesus nós encontramos o modelo. Seja nas suas palavras, que ele ensinou e educou, seja na sua conduta. Muitas vezes não foi a dizer coisas, foi a fazê-las, agir, e nós dizemos ok, é assim que se tratam as pessoas. É assim que se fala com um pobre. É assim que se lida com um doente. É assim que se lida ou se fala com um hipócrita. Está tudo lá. Ele não me deu de explicar. E é assim que é Deus. Sim que é Deus, não é? Por isso Deus é assim. Ou seja, é o mesmo que dizer, se Deus hoje estivesse aqui e lidasse com esta realidade, era assim que Ele o faria.

Por isso Jesus ensina-nos realmente a interpretar a realidade. Por isso o apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 3, dizia, ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. Por isso, distorções em relação ao entendimento sobre a fé, sobre a palavra de Deus, existem. Não é nada que nos possa admirar, até porque como a palavra é tão vasta, é quase um campo natural de haver discórdia ou interpretações diversas, como o tempo já não permite ir mais longe, eu fico com esta ideia de que nós temos que, o máximo possível, e isso é que é a essência da fé cristã, usar Cristo, o seu ensino, o seu exemplo, como chave para entender o que é que eu preciso de fazer.

Verdade que o tempo não para e nós estamos numa conversa extremamente animada. Precisamos de ir aos sofrimentos pelo Evangelho, mas isso fica para a segunda parte do nosso episódio de hoje. Não saia do seu lugar, voltamos já já a seguir depois de um breve intervalo.

Guia de estudo

TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Voltamos a estar consigo para mais um pedacinho de tempo para voltarmos a fazer aqui a segunda parte do programa de hoje, do episódio de hoje. Estamos com a Bíblia aberta na segunda carta de Coríntios. Estamos quase, quase a chegar ao final desta carta que tem sido tão importante e tão enriquecedora para cada um de nós. Antes de continuarmos a nossa conversa, tenho algo para lhe oferecer. É habitual, semanalmente, ter sempre uma recordação, se quiser, um guia de estudo que pode ajudá-lo a si a poder encontrar mais sobre as grandes verdades que o Senhor Jesus deixou nas Sagradas Escrituras.

E, por isso, desta vez eu tenho uma revista que tem por título Eu creio. E esta revista vai procurar revelar o que é a palavra de Deus e o que é que nós podemos encontrar na palavra de Deus. Ora, nós já aqui há pouquinho dissemos que para termos sucesso na nossa guerra espiritual, uma das armas é nós podermos interiorizar, viver, e termos a Palavra de Deus bem vincada no nosso coração, bem interiorizada. Então, aqui está um guia de estudo que poderá ajudar, sem dúvida, na sua pesquisa, no seu conhecimento sobre a Palavra de Deus. Se desejar ter esta revista totalmente gratuita em sua casa, basta ligar para o 933 93 92 91 933 93 92 91 e nós faremos chegar gratuitamente para si.

O sofrimento pelo Evangelho

Vamos voltar à conversa. Já falámos da guerra espiritual, já falámos dos falsos mestres identificados, já falámos também da questão da glória, que a glória está no Senhor e deve ser sempre atribuída a Deus. Vamos agora falar um bocadinho dos sofrimentos no Evangelho, ou pelo Evangelho, se quisermos. Para isso eu convido-vos a abrirmos a nossa Bíblia em 2 Coríntios, capítulo 12, para lermos o versículo 9. No capítulo 12, versículo 9 diz, E disse-me, A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Ou seja, a lista de sofrimentos de Paulo é impressionante. Nós já aqui tivemos algumas vezes, em detalhe, esses mesmos sofrimentos. Ele via, de alguma forma, nessa lista, não uma derrota, mas uma prova clara da sua fidelidade a Deus.

Ortelinda, como é que uma pessoa pode chegar ao ponto de ver as suas dificuldades, as suas limitações, como um lugar de encontro com o poder de Deus? Ao longo desta nossa partilha, aqui na Bíblia Aberta, já temos tido a ocasião de falar, portanto, sobre este antagonismo irredutível que existe entre Cristo, que é o Enviado do Pai, e o mundo extraviado, perdido no pecado, completamente alienado de Deus. Esta oposição é aquilo que nós chamamos, muitas vezes, o grande conflito. neste conflito entre o bem e o mal. É porque é inerente à natureza do pecado. Não podemos esquecer isto. É inerente à natureza do pecado.

Quer rebelião contra Deus, rejeitar a verdade, rejeitar Deus, rejeitar aqueles que representam Deus. Como o próprio apóstolo diz, o mundo está no maligno. E o mundo no maligno tem esta reação de... O bem é como um corpo estranho, não é? É, portanto, algo a eliminar, algo que incomoda, algo que realmente é para eliminar. Às vezes já tenho ouvido pessoas que me dizem, com alguma perplexidade, então, mas para que Cristo morresse por nós e nos salvasse, Ora, foi necessário que existisse um Judas para o matar. Então, Judas é uma vítima da salvação de Deus, porque para que Jesus morresse por nós era necessário que alguém o matasse e, portanto, alguém estaria predestinado a matar Jesus.

Aliás, estes são os argumentos de alguns filmes sobre Jesus Cristo. Os mais antigos, Jesus Cristo, o Pérsidário e outros, realmente põem em relevo a inocência de Judas que estava predestinado a fazer aquilo. Bem, pensar assim é realmente desconhecer a natureza do mal e é desconhecer o ódio de Satanás por Deus e pelo que o representa. É porque não foi necessário Deus predestinar ninguém para matar Jesus. Bastou Deus enviar o seu filho como homem a este mundo. A sua morte era certa por esta reação, portanto, do mal com o bem. Era incontornável que qual corpo estranho e incómodo o mundo rejeitasse e o matasse.

O que é de admirar é que ele tinha vivido 33 anos. E como nós sabemos muito bem, a intenção foi matá-lo mesmo em bebé. Jesus incomodou muita gente. Jesus incomodou! E não podia não incomodar. Porque num mundo doente, eu tenho um professor que dizia que num estômago doente, até uma boa comida faz mal. E porquê? Porque o estômago está doente. Ou seja, o mundo está doente, está no maligno, segue o mal. Todo aquele que representa Deus e que vive uma vida de harmonia com Deus é um corpo estranho. Há, portanto, que o eliminar. Ora, os cristãos que são fiéis, que vivem num mundo que não quer saber de Deus e que representam Deus, esses cristãos, eles vão, enfim, ter a mesma sorte, o mesmo destino de Jesus Cristo.

O inimigo vai procurar persegui-los, vai procurar destrui-los. Aliás, Jesus disse isto mesmo. Se me perseguiram a mim, Podem estar certos que vos vão perseguir. Portanto, a vocês. Porquê? Porque o princípio é o mesmo. Nós representamos Deus e o mundo está em rebelião contra Deus. Então, mas da mesma... E é isto que é fantástico. É que da mesma maneira que Deus pegou na morte que deram a Jesus e a tornou uma vitória, A tornou um lugar de encontro com a humanidade, para salvar a humanidade. O apóstolo Paulo diz que com o cristão é a mesma coisa. Os nossos sofrimentos, os sofrimentos que o inimigo nos provoca.

São, nas mãos de Deus, um lugar de encontro entre Deus e os outros. São um testemunho de que Deus age, de que Deus vive, de que Deus conduz, de que Deus sustém, de que Deus é real. mesmo no mal e no sofrimento, Deus é real e que os crentes tenham uma fé e uma esperança mesmo nesses momentos de fraqueza. Por isso é que o apóstolo diz aí que disse a Deus para o libertar, portanto, desse sofrimento e Deus diz-lhe A minha graça te basta, o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza." Ou seja, é na fraqueza, na fragilidade humana, nas dificuldades, que realmente Deus se pode revelar e Deus se revela para poder atrair outros, portanto, para a salvação.

Logo, Deus vai permitir que o mal nos ataque, tal como fez com Jesus, para fazer desse sofrimento um lugar de encontro. um lugar de encontro com isso. Lembremos da experiência dos mártires do primeiro século. Os mártires cristãos eram atirados para o circo de Roma, para o coliseu. E a maneira como eles morriam, muitas vezes louvando a Deus, fazia com que, após a sua morte, uma nuvem de pagãos se levantassem e se convertessem em Jesus Cristo. De maneira que Tertuliano chegou a dizer que a morte dos cristãos é semente. Quanto mais cristãos matam, mais cristãos aparecem. Ou seja, o martírio daqueles crentes era um lugar de encontro entre Deus e todos os que estavam à volta, como apelo, como convicção.

O Espírito dava, portanto, convicção. Eu não estou a fazer o elogio do sofrimento. Nem a apologia, portanto, da tortura. De maneira nenhuma. O sofrimento é mau. Sempre. Ele é sempre perturbador. Ele é sempre horrível. E Deus tem horror a ele. Mas o que estamos a dizer é que o amor triunfa mesmo no sofrimento. E com o poder que Deus tem de transformar o mal em bem, Deus até usa esse sofrimento que é infligido pelo mal, pelo inimigo, no qual ele não participa, mas ele tem o poder de o transformar em bem. Essa é realmente a vitória do amor de Deus e nós, os cristãos, somos participantes dessa vitória.

Agora, eu não sei porquê que nós, aqui no Ocidente, atualmente, não somos perseguidos, não é? Se a pessoa não pensar nisso, significa que por não estarmos em sofrimento, quem não sofre, quem tem uma vida tranquila, estará em... como é que se encontra, não é? Mas é o nosso sofrimento um lugar de encontro entre Deus e os outros. Como é que nós reagimos ao sofrimento? Talvez não somos perseguidos, mas somos atingidos pela doença, por exemplo. Às vezes. Mas a maneira como lidas com a doença é uma maneira de Deus falar através de ti. É uma forma de Deus dizer a minha graça te basta. A minha graça lhe basta ao que está doente. A minha graça, portanto, é suficiente. Por outro lado, talvez nos tenhamos tornado um bocadinho inofensivos, não é?

Se calhar o nosso comportamento é tão acomodado, e isto é uma questão que eu deixo para todos nós e para aqueles que nos seguem, talvez sejamos quase irrelevantes. Não incomodamos. Talvez por isso tenhamos... Há, aliás, uma escritora que nós muitas vezes referimos aqui, que é a Lenoire, que ela diz, quando a Igreja voltar a ter o fogo do Espírito Santo, e o fervor, portanto, a paixão por Cristo, reacender-se-ão as fogueiras da perseguição. Até lá, vivamos este tempo de paz, mas com os olhos fixos em Jesus. Eu estava a ouvir-te há pouco, quando tu estavas a descrever, no fundo, Jesus e tudo o que ele fez, lembrei-me de um dos nossos colegas que temos, que muitas vezes fala que nós Devemos andar em sentido contrário ao mundo, não é?

E Jesus andou em sentido contrário ao mundo, não é? Por acaso ainda não trouxemos esse colega aqui. Temos que ver se o convidamos. Se calhar não colidimos. Jesus colidia com o mundo. Nós se calhar não colidimos. Temos que nos analisar. De qualquer maneira, uma das particularidades de Jesus, e que Paulo depois vai

O autoexame espiritual

também, eu vou dizer, viver dentro da sua experiência como apóstolo, foram os sucessivos apelos que ele fez aos impenitentes, enfim, a todos aqueles que estavam por perto. Em 2 Coríntios, capítulo 13, versículo 5, diz, examinai-vos a vós mesmos, se estáis na fé, provai-vos a vós mesmos. Paulo aqui pede aos coríntios para se examinarem, para verem se eles estavam verdadeiramente na fé. E talvez eu possa fazer esta pergunta à Joana, porque vai quase no seguimento daquilo que tu disseste há pouco, não é? Podemos quase aqui dar um bom remate. O que é que significa, concretamente, este autoexame? E já agora, por que razão é tão difícil para uma pessoa ser honesta consigo mesma nesta avaliação?

Pronto, aqui nós ficamos exatamente naquele primeiro ponto, não é? Que referi. E este tema, para mim, é particularmente especial. Porque eu percebi que este tema é a base do meu dia-a-dia. É a base do meu dia-a-dia. Quando nós observamos as atitudes de Jesus, eu acho que isto é interessante quando vemos, pronto, Como estávamos a partilhar, vimos ali um bocadinho esta chave hermenêutica, vemos como é que Jesus age. Nós percebemos que estas atitudes de Jesus são sempre muito imprevisíveis. Parece que apanham-se sempre toda a gente de surpresa. Para um lado ou para o outro, é sempre apanhada de surpresa. E eu creio que são imprevisíveis quanto a pessoa que está à sua frente. Ou seja, Jesus não colocava as coisas em caixinhas.

Ele olhava para lá do que estava a pessoa e reagia dessa forma. Ele verdadeiramente olhava para o coração, quase como o Anthony de Saint-Exupéry, que diz que o essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração. Eu acho que esta frase foi inspirada certamente. Eu vou partilhar aqui alguns textos que fazem Fazer-me aqui pensar um bocadinho sobre este tema, e tem-me feito pensar, não é de agora, tem-me feito pensar sobre este tema do examinar o coração. Eu lembro-me quando Jeremias era um senhor muito introspectivo, muito depressivo talvez. Lamentava-se muito. Muito churão. Mas é interessante, ele era muito reflexivo. Eu acho que ele era muito reflexivo e talvez por isso devia ser uma pessoa muito sensível, como falámos há bocadinho no carro.

E ele diz em Jeremias 7-9, enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso quem o conhecerá. Ele diz que o Senhor esquadrinha o coração, ele prova os pensamentos e isto para dar a cada um os seus caminhos de acordo com a fruta das suas ações. Aqui, na verdade, aparece-se a ideia de que Deus investiga o coração humano profundamente, além das aparências. Mas depois diz para nós examinarmos a nós mesmos. O próprio 2 Coríntios 3.5 diz examinai-vos a vós mesmos, permaneceis na fé, provai-vos a vós mesmos. Então diz aqui três coisas que estão aqui um bocadinho ligadas. É um chamado a um autoexame espiritual.

Só que este autoexame muitas vezes é confundido quase com uma introspeção psicológica. E vai muito além do que isto. Porque este autoexame deverá ser sempre à luz de Deus e da verdade. A Bíblia ensina-nos aqui duas verdades em conjunto. Que o coração humano é realmente enganoso, não é confiável por si só. Mas que Deus conhece, examina, julga o coração com perfeição e que nós temos aqui uma parte nisto. Só que não o façamos sozinho. Podemos pedir a Deus que o examine e que nos ajude. E este tema aparece de uma forma muito forte na espiritualidade de Paul porque parece que ele vive constantemente entre duas tensões. Entre a consciência humana versus o julgamento de Deus, o juízo, a sua própria consciência. Então, este autoexame faz-nos pensar um bocadinho também de como é que a nossa consciência funciona.

Quando estamos naquele autoexame, pensamos um bocadinho, mas a minha consciência diz que está tudo ok por ali. Mas Paulo é muito direto. Ele diz que, em 1ª de Corinthians 4.4, diz aqui, porque em nada me sinto culpado. Na minha consciência não me sinto mal, não me sinto culpada, mas nem por isso me considero justificada. O meu juiz é o Senhor. E isto é algo muito importante quando nós pensamos no autoexame. A nossa consciência, e Paulo mostra aqui uma coisa muito importante, nós até podemos ter uma consciência limpa, mas isso não garante que estejamos completamente limpos diante de Deus. Mostra que a consciência não é infalível.

E isto ecoa realmente sem germias da 7-9, porque o coração pode enganar até a perceção mais interna. Por isso é que é tão difícil fazer este autoexame, como perguntaste, porque esta consciência e este discernimento espiritual têm as suas limitações e devem ter um foco bem específico. O foco deve ser sempre Cristo ao centro. Se a nossa fé é genuína, se Cristo está realmente presente na vida do crento, como disseste, não é só em pensamento, mas perceber na prática se a fé em Cristo que opera em mim está a transbordar naquilo que eu vivo no meu dia a dia. Por isso é que ele, na verdade, diz que é difícil. Nós percebemos às vezes o que significa Cristo em nós.

O autoexame é para isso mesmo. Não é para ver se estou bem espiritualmente. Está Cristo em mim? Nesta teologia, isto não é uma coisa vaga, mas é uma realidade de união espiritual com Cristo. Uma fé verdadeira tem que ter uma união com Cristo e esta presença de Cristo tem uma evidência na vida do dia-a-dia, uma evidência de regeneração. Eu gostei muito aqui de uma frase da Escola Sabatina que dizia assim, há um poder disponível para aqueles que querem viver uma vida vitoriosa. E Paulo em 2 Coríntios, depois ele fala aqui um bocadinho nos de Coríntios que acabavam por praticar coisas que não estavam certas e Paulo exorta-vos a uma disciplina no fundo e ele diz eu oro, eu rogo a Deus que não faças mal a alguém.

Mas para que vós passais o bem, o que desejamos é a vossa perfeição. E isto é uma bela oração, porque ele pede-lhes para eles examinarem o modo como eles estão a viver a fé. E esta é a dificuldade, muitas vezes, de nós fazermos auto-exame, porque acabamos por não nos focar, focamos muito na nossa consciência e esquecemos no focar naquilo que é a presença de Deus na nossa vida e como é que ela se transborda no dia-a-dia, na vida do dia-a-dia. Como é que a nossa fé está a ser alimentada, não é? Sim. Nós não podemos assumir automaticamente que estamos na fé. Importante testarmos se a nossa vida realmente corresponde à presença de Cristo em mim. Na verdade é por aí. E Paulo volta, de alguma maneira, ou melhor, sim, volta a falar de falsos profetas, digamos assim, e ele põe aqui muito este critério para nós tentarmos

Os falsos profetas

perceber quem é que está à nossa volta. Eu gostava muito rapidamente de darmos aqui um salto. A Mateus, capítulo 7, para lermos os versículos 15 e 16, que diz, guardai-vos dos falsos profetas que vêm até vós vestidos com roupas de ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores, pelos seus frutos os conhecereis. Portanto, nós vemos aqui Paulo e Jesus a convergerem claramente no mesmo critério de nós podermos tentar descobrir se os frutos daqueles que estão à nossa volta revelam verdadeiramente se eles são uma boa árvore ou não. Que frutos são estes concretos, podemos dizer assim, na vida de uma pessoa, que podem ser o sinal mais seguro que ela está efetivamente no ensino verdadeiro e não apenas numa versão, eu diria até sedutora, se quisermos, mas que é falsa do Evangelho?

Pois, aqui lemos palavras de Jesus, que estão na mesma linha destas que ainda há pouco eu mesmo falava. É uma advertência, aliás, muito comum no Novo Testamento, sobretudo, que é esta ideia de que obviamente existem falsos profetas. Mais uma vez, falso profeta é sempre um engano. A sedução do engano do falso profeta é que ele parece um profeta. Portanto, não são falsos diabos. Ou não são diabos. A expressão para falar deste tipo de falsidade não é uma expressão totalmente antagónica à fé ou à experiência cristã. São pessoas que estão próximas de nós e que nós até as aceitamos. Se elas são profetas, são é falsos, mas estão a ser designados como profetas.

Porque o profeta é o quê? Aquilo que fala em nome de Deus. Logo, o falso profeta fala parecido com Deus. E nesse sentido... É a contrafação. É uma contrafação. E nesse sentido, o alerta que os apóstolos deixavam muito à Igreja e que Jesus também deixou, nós obviamente percebemos que no tempo da Igreja primitiva, nestes primeiros anos Enquanto e sobretudo depois de Jesus deixar esta terra, é claro que este tema era particularmente relevante. Há um contexto específico para este tema ser tão importante. Porque enquanto nós hoje, provavelmente, podemos dizer que uma grande rigidez, uma espécie de visão muito dogmática da fé, é uma das coisas que se tornou uma marca do cristianismo.

Porque historicamente o cristianismo veio a tornar-se institucional. Demorou uns séculos até um movimento muito orgânico que acontecia na casa das pessoas, na experiência de partir o pão uns com os outros. Essa experiência, historicamente, foi sendo substituída por uma experiência, pode ter elementos desta, mas que é essencialmente muito diferente, que é a experiência da igreja como uma instituição. em que as pessoas reúnem-se no templo, em que existem regras que vão sendo forjadas, às vezes muito quadradas, sobre o que é isto que é suposto ser um cristão. Um estilo de liturgia. Um certo estilo que pode ir da liturgia à maneira como falamos, comemos, enfim, o que ouvimos, o que consumimos.

E que promove o afastamento das pessoas. Que muitas vezes tem esse fruto, que é as pessoas afastam-se umas das outras porque eu ando a ver quem é que é parecido comigo. todos os que não forem parecidos comigo, à partida eu não os quero, porque tenho medo. E, portanto, podemos lidar hoje de uma maneira muito diferente do que era esta realidade, por isso é que a Bíblia tem que estar sempre a ser atualizada, porque o conceito do que é um falso profeta hoje pode ser muito diferente deste conceito específico para este momento. O ponto aqui é que, num tempo em que a própria doutrina, se pensarmos bem, Para muitos hoje, para nós aqui a esta mesa e muitas pessoas que estão lá em casa a ouvirmos, que são crentes, aliás, de diferentes denominações, essencialmente cristãs, quando nós falamos de doutrina, automaticamente nós pensamos numa coisa fixa.

Pode ser num número ou pode ser num conjunto de dogmas ou formulações específicas da fé. Mas neste tempo isso não existia. Aliás, no tempo, se quisermos, sempre que nós falamos de uma parte primitiva de um qualquer movimento, se há uma característica nas coisas primitivas é que elas estão em progressão. Por isso são muito pouco rígidas, são altamente flexíveis. Nós podemos olhar para a história de qualquer igreja, por exemplo, das diferentes denominações. Nós aqui somos adventistas do sétimo dia, conhecemos a história desta denominação e percebemos que aquilo nos primeiros dez anos, a própria doutrina, as ênfases estavam constantemente a mudar. Porquê? Porque as pessoas estavam a descobrir. Ora, num tempo em que as pessoas estão a descobrir a verdade e, digamos, a abrir-se à revelação, o potencial das pessoas serem enganadas é enorme.

Por isso é que, normalmente, os primeiros anos de um qualquer movimento, eles são muito dinâmicos, mas também muito dados a erros e a falhas. Por isso é que, nestes primeiros anos, nós vemos o apóstolo Paulo escrever às igrejas, e nós vemos, com cada problema dentro da igreja... Nós, como dizias há pouco, estamos quase a acabar este estudo... Sim, é no próximo episódio. Na semana, o próximo episódio já é o último desta temporada, portanto, chegamos aos últimos capítulos, e nós percebemos que o apóstolo Lida com problemas, por exemplo, chegámos a falar daqueles problemas de depravação sexual, com cada coisa que nós hoje diremos, isto era um desastre o que se passava aqui. Mas é um desastre que as pessoas vinham, por exemplo, muitas de tradições pagãs, onde certas práticas estavam misturadas com a religião, e portanto importavam para dentro da fé e da prática religiosa essas coisas.

Por isso o falso profeta, naturalmente, era aquele que iria, de uma forma insidiosa, trazer elementos que afastavam da pureza do Evangelho. E nesse sentido é muito importante que o apóstolo diga que, no fundo, mais do que questões que têm a ver, por exemplo, com as características pessoais, a aparência, a eloquência, o carisma E até, talvez isto mais próximo de nós, os dons não são o critério para o quanto uma pessoa está de facto a falar em nome de Deus, que é o que o profeta faz. Porque é esses elementos externos que podem ser atrativos, e isso hoje de facto nós precisamos estar muito atentos, seja em diferentes movimentos religiosos, Seja na capacidade de pessoas usarem a sua influência.

Nós até vivemos hoje num tempo de influências. Isso hoje é um modo de vida. Influenciar os outros é um modo de vida. Porque existem plataformas, sobretudo no mundo digital, que elas existem porque dão acesso a público e, portanto, é uma plataforma de influência. Portanto, hoje a influência está muito ligada aos recursos que as pessoas têm e a capacidade que elas têm de fazer-se ouvir. nós temos de estar muito atentos a que os frutos, por causa disso, são o grande elemento que nos pode fazer diferenciar, porque o fruto, nós sabemos qual é, é a obra do Espírito Santo em nós. Ela traz bondade, traz amor fraterno, traz equilíbrio e temperança, enfim, traz um conjunto de características que são o fruto da nossa vida.

Nós precisamos estar atentos a isso na vida dos outros e, sobretudo, na nossa, claro. Temos 30 segundos para cada um de vocês.

Conclusão

Vamos resumir muito rapidamente. Hortelinda, numa palavra... Olha, eu pediria no que disse o Pedro, e eu vou lhe pedir desculpa por pegar numa frase dele, neste tema dele, porque eu acho que é muito importante que as pessoas que recebem estes profetas estejam familiarizadas com a Bíblia. Penso que um dos problemas é a falta de familiarização com a Bíblia. Olhemos primeiro para nós e depois para os outros, acima de tudo olhamos primeiro para nós no sentido de auto-examinar o nosso coração, porque isso vai deter todas as nossas ações e modos de vida. Pedro, uma palavra só. Nós precisamos de pedir que o Espírito Santo nos seja concedido, porque Jesus disse que aqueles que têm o Espírito Santo nunca serão enganados.

Fica aqui o remate desta excelente conversa que tivemos sobre este tema tão importante. Para a semana voltamos e voltamos com a mesma equipa. Também vamos voltar para estar consigo. Até lá, se quiser solicitar este guia de estudo, poderá fazê-lo para o 933-939291. Tem por título Eu Creio e revela muitas das grandes questões e da importância que a Palavra de Deus pode ter na nossa vida. Por hoje, nós já dissemos tudo, não temos tempo para mais, mas fica a promessa no próximo episódio de podermos estar aqui para fecharmos a 2ª Carta aos Coríntios. Até lá, mantenha a sua Bíblia aberta e continue a aprender com Deus. Que Deus abençoe.

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Eu Creio

Sobre este episódio

⚔️ Como podemos vencer a guerra espiritual sem perder o amor, a humildade e a verdade?

Neste episódio de Bíblia Aberta, continuamos o estudo da 2.ª Carta aos Coríntios e exploramos alguns dos desafios mais relevantes para a vida cristã: a guerra espiritual, os falsos ensinamentos, o orgulho espiritual, o sofrimento pelo Evangelho e a importância do autoexame à luz da Palavra de Deus.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 7 · Episódio 12
Estreou
12 de Setembro de 2026
Categoria
Espiritualidade
Apresentação
Jorge Duarte