Na semana passada ficou a promessa de voltarmos esta semana para encerrarmos mais uma temporada de alguns episódios que estivemos sempre a olhar para as duas epístolas de Paulo. Estamos chegados ao fim da segunda epístola, hoje iremos tratar basicamente dos últimos capítulos, do remate que ele vai dar a esta carta, mas não menos importante e necessário para que compreendamos tudo aquilo que Paulo sugeriu aos seus crentes, aos crentes e fiéis das igrejas que ele fundou e que, no fundo, ele amou. E, por isso, nós temos aqui o grato privilégio de voltarmos a estar consigo. Já sabe que, para nós, é sempre um privilégio muito grande podermos entrar na sua casa, estar no seu trabalho, estar consigo enquanto conduz, enfim, não importa o local.
E por isso, desde já, muito obrigado por nos receberes no seu cantinho, digamos assim, e poderes agora, nos próximos minutos, abrir a palavra de Deus connosco e juntos podermos fazer aqui uma ótima conversa em torno deste tema, ou seja, do final da segunda carta de Paulo. aos Coríntios. Como eu disse também e anunciei na semana passada, uma equipa que trabalha tão bem e que origina uma ótima conversa não pode mudar e, por isso, volto a ter comigo os meus três companheiros, digamos assim, de conversa da semana passada. Olá, Joana, mais uma vez, obrigado por estares connosco.
Também a Hortelinda. Olá, Hortelinda. E o Pedro. Olá Pedro, o Diretor da Estação. É sempre um privilégio poderes ter esta equipa e sobretudo estes colegas que vão-se, enfim, revezando, mas proporcionam sempre grandes conversas entre nós. Muito bem, hoje nós iremos começar por falar pela graça, vamos passar pelo amor e vamos terminar na comunhão. Vamos começar pela graça? Vamos a isto, a graça de Jesus e para isso eu convido aqui e você aí em casa a poder abrir a sua bíblia em 2 Coríntios capítulo 8. No capítulo 8 da 2ª de Coríntios, lendo o versículo 9, diz... Nós vemos aqui Paulo a descrever claramente a encarnação de Jesus, como o empobrecimento voluntário que Cristo fez da sua vida.
Hortelinda, o que é que esta imagem nos diz E o que poderá dizer a uma pessoa sobre o que significa, na verdade, receber a graça? Bom, a graça é o tema de toda a Bíblia, não é? É o grande tema. Ela foi escrita para falar, realmente, da graça anunciada e prefigurada no Antigo Testamento. Aliás, terminámos a semana passada a dizer a tua graça te basta, não é? A tua graça, a minha graça te basta, não é? Prefigurada no Antigo Testamento é realizada no Novo Testamento, na pessoa, portanto, do Senhor Jesus Cristo, e é tão bem explicada pelo apóstolo Paulo como mais ninguém explicou tão bem a graça. Aliás, esta segunda carta aos Coríntios, que estamos terminando, ela começou com a graça.
O apóstolo diz a voz, graça e paz da parte. do Pai e de Jesus Cristo. E termina também com a graça, não é? A graça do Senhor Jesus seja convosco. Como se o apóstolo quisesse dizer que a graça é o pano do fundo de tudo aquilo que ele tem para dizer. É o enquadramento E é a mensagem, finalmente, que ele realmente transmite. Tudo está escrito para transmitir realmente esta graça de Deus. Esse texto que tu leste de que Jesus, sendo rico, se fez pobre por amor de nós, podemos dizer que ele é uma síntese. Uma síntese do plano da salvação. O que é o plano da salvação? Finalmente é isso, não é? Deus quer rico, se faz pobre por nós.
Ele quer grande, se faz humilde. Ele quer forte, se fez fraco. Para que nós, miseráveis, nos tornássemos ricos. Há aqui uma verdadeira transferência, portanto, de posições e de privilégios, claro que no plano espiritual. O apóstolo Paulo descreve este empobrecimento de Jesus de maneira muito vívida. Enquanto ele diz em Filipenses 2.6.8, de sorte que haja em vós o mesmo sentimento, que houve também em Cristo Jesus, não é? O qual sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se.
Está aqui este verbo forte. Ele esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens, e achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e não foi uma morte qualquer, foi a morte da cruz. Portanto, é este esvaziamento, este aniquilamento, esta redução praticamente ao nada. esvaziou-se daquilo que eram as suas prerrogativas divinas e assumiu plenamente a humanidade no seu ponto mais carente, mais pobre, mais sofredor. Portanto, é isto que Jesus fez por nós. Jesus desce, desce, desce.
mas para depois subir. E ele não sobe sozinho. Deus lhe deu um nome que está acima de todo nome. Jesus sobe, mas Jesus que desceu a escada sozinho, ele não sobe sozinho, ele sobe connosco. Ele, como diz no outro texto, ele o levou cativo, o cativeiro. Portanto, aquilo que era o nosso cativeiro, que era o pecado, que nos condicionava, que realmente nos tinha roubado a vida eterna, Jesus levou isso. Isso é a graça. A graça é tudo isso que Jesus fez, portanto, por nós, para poder tirar-nos desta situação de perdidos para a situação de salvos. O amor de Deus, então, torna-se graça para com os pecadores.
A graça é o amor de Deus revelado ao pecador, àquele que está perdido. Portanto, a graça não é para os anjos. Os anjos não precisam da graça de Deus. Tenham o amor de Deus. Mas os seres humanos não tinham direito. A graça é o amor adaptado à necessidade humana para restaurar e trazer o humano de novo à relação com Deus. Toda a Bíblia foi escrita para traduzir isto. E toda a história da Bíblia, desde o início até ao fim, o profetismo, foi para traduzir isto. E depois Jesus foi quem realizou, portanto, tudo isto.
Então, esta graça é plena, é abundante. É tudo o que Deus disponibiliza para que vocês e eu possamos ser vencedores. sobre o mal, sobre o pecado e sobre a morte. É toda a força que em Cristo nos é disponibilizada. É a fé, é o arrependimento, é o perdão, é a justificação, é a capacitação para vencer o mal. É tudo, finalmente, o que necessitamos para ser e permanecer salvos. E isso é um dom, um dom de Deus. Por isso se chama graça, não é? A graça é o que Deus faz por nós. Portanto, e o que dá em Jesus Cristo. Mas tu falaste de recepção da graça. Como é que o ser humano pode receber, portanto, esta graça?
A graça é o que Deus faz por nós. É o que Deus disponibilizou. Agora, a recepção da graça é uma demarche. Não digo que seja só nossa, não. Nós precisamos da graça de Deus para aceitar a graça, não é? Mas é uma demarche que eu tenho que realmente tomar. É uma decisão que eu tenho que tomar. Eu devo apropriar-me desta graça. Esta graça que está disponível em Jesus Cristo, tudo o que foi feito por mim, eu tenho que o tornar para mim. Tenho que o tornar pessoal, tenho que ser meu. E isso realmente, tanto Jesus como Paulo dizem que nós nos apropriamos e personalizamos essa graça através, portanto, da fé.
É crendo nela, é tão simples. É crendo que a graça me é dada. e que eu a aceito se eu quiser. Porque, na realidade, a minha liberdade tem sempre, para Deus, prioridade. E Deus não me salva do ofício. Deus salva-me. Fez tudo isto, fez toda esta descida para me levar. Mas Ele só me leva se eu quiser. Portanto, Deus não nos obriga. Então, não aceitar esta graça é a maior desgraça. É a maior desgraça. Não aceitar esta graça, rejeitar esta graça, é a maior afronta que podemos fazer a Deus. O maior pecado que podemos cometer não é matar, roubar, adulterar. O maior pecado que podemos cometer é rejeitar a graça que Deus nos dá para sermos salvos e queremos permanecer, portanto, no pecado.
E é um total desperdício. É uma pena realmente não nos apropriarmos desta graça. Há uma frase que eu ouvi na minha juventude em que diz assim, olhando para mim, eu pergunto-me, como poderei ser salvo? Mas olhando para a graça, eu pergunto-me, como poderei perder-me? Pois é uma pena muito grande, se com toda esta salvação plena e abundante, disponível e de graça, nós não a aceitemos. quase que podíamos fechar aqui o nosso episódio. Já não era preciso dizer mais nada. Tudo dito. Obrigado, Artinda, por esta explicação tão simples, mas que nos deu a perceber
claramente o que é a graça. A graça é uma oferta que Deus fez, oferecendo o seu próprio Filho. E quando nós olhamos para este ser que era tão rico e que, por amor de nós, se fez pobre, nós temos que pensar também naquilo que é o amor de Deus. E nós não precisaríamos de sair das duas cartas de Coríntios. Aliás, o primeiro de Coríntios, capítulo 13, tem um hino ao amor. Mas eu gostava de vos levar agora muito rapidamente a Romanos, capítulo 5. Porque também em Romanos... Em Romanos capítulo 5, versículo 8, Paulo vai dar esta tónica do amor. Ele vai dizer, mas Deus prova o seu amor para connosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.
E por isso nós podemos ver que Deus não espera que nós possamos merecer. Deus não espera, o amor de Deus não espera que nós mereçamos. Elage antes de nós termos alguma condição, ainda no pleno pecado da nossa vida. Pedro, como é que este facto que no fundo a Bíblia nos apresenta aqui de uma maneira tão enriquecedora para nós. Como é que este fato pode mudar a forma como um crente se relaciona com Deus e ao mesmo tempo ele tem momentos de falha e tem momentos de culpa? Acho que aqui nós estamos mesmo no coração do Evangelho. E a tua pergunta também toca num desses elementos do coração do que é o Evangelho que tem a ver com a forma como nós nos relacionamos com Deus e a forma como vemos Deus.
A nossa visão de Deus reflete quase sempre o que é a nossa prática religiosa. Nós nunca temos uma experiência de fé que seja outra coisa que não uma tradução da maneira como nós vemos Deus. Por isso, se eu vejo Deus como um ser ameaçador, A minha conduta e a minha experiência cristã está assente na ideia de medo e de culpa. Então, é muito importante que, ao estudarmos este tema, estamos a focar-nos aqui numa tentativa de explicar teologicamente, e depois, claro, com as implicações práticas, o que é o amor de Deus, que eu aposto aqui neste Este capítulo final, aliás ele vai terminar, daqui a um pouco eu mesmo irei falar um pouco sobre isso, quando ele fala precisamente sobre o amor de Deus, a comunhão do Espírito e a graça do Senhor Jesus.
Então nós estamos a tentar entender o que é este conceito do amor de Deus. E se há uma coisa que nós podemos dizer que este texto nos aponta, eu vou relê-lo, Deus prova o seu amor para connosco em que Cristo morreu por nós, sendo ainda pecadores, quer dizer que Deus não esperou pela nossa ação para elegir. O que significa que o olhar de Deus e a ação de Deus sobre nós não está dependente de nós, das nossas escolhas, das nossas ações. Logo, o tipo de relação que nós criamos com Deus e o que é a fé cristã não tem a ver com o quanto nós nos tornámos justos, obedientes ou dignos.
Por isso é que a ideia de mérito precisa muito bem ser compreendida e explicada dentro do que é a fé cristã, porque o mérito não é um dos elementos que compõe as bases do que é ter fé em Jesus. O amor de Deus não é recompensa. Consequência? É uma dádiva. O amor de Deus é a natureza dele agir em relação aos seus filhos. Deus não ama em recompensa, tal como Ele não castiga porque ficou chateado connosco. Como Deus não tem sombra de variação, Para nós é-nos muito difícil compreender isto.
Nós estamos habituados a um conjunto de ideias que, vamos dizer, no campo das relações humanas e no desenvolvimento pessoal, elas até podem ter o seu lugar. Por isso é que eu acredito que nós com muita frequência fazemos uma confusão gigantesca, precisamente porque nós transferimos características do desenvolvimento humano para a forma como nos relacionamos com Deus. E é por isso que nós cometemos asneiras muito graves e boicotamos a nossa própria experiência cristã. O que é que eu quero dizer com isto? Nós estamos habituados a um conjunto de ideias, desde logo, a começar pelo facto que nós talvez nos incutiram isso, e nós até pais aqui incutimos ideias aos nossos filhos, como eu digo, tem o seu lugar, a ideia de que as coisas que eu faço têm consequências.
Então, nós gerimos, por exemplo, a disciplina, a educação e o crescimento para poder corrigir, por exemplo, os mais novos, um pouco em função da consequência negativa que pode vir, seja porque nós vamos trazer a consequência ou só porque os advertimos, olha, se fizeres isto as coisas vão decorrer mal. Então nós criamos, obviamente, e estimulamos-nos à ideia de que as nossas escolhas, como elas têm consequências, nós criamos uma lógica relacional que muitas vezes está baseada precisamente na ideia de que se eu me portar bem, então eu vou obter o resultado que espero. No campo negativo, isto poderia evoluir para o facto de que os filhos, neste caso, desenvolveriam uma relação com os seus pais de insegurança tal que o amor dos pais estaria dependente do seu comportamento.
Seria condicional. É condicional. Por outro lado, nós também temos, agora não só na educação, mas por exemplo se avançarmos na idade e já um pouco para o campo profissional e projeto de vida, nós temos ideias meritocráticas que também têm o seu lugar. Ou seja, o meu esforço vai determinar, em grande parte, o meu salário. Seria isto. Portanto, se eu me esforçar mais na escola, se eu estudar mais e for mais trabalhador, vou ter melhores notas, se tenho melhores notas, vou conseguir ter um futuro melhor. Ou se eu sou um empresário, quanto mais eu me dedicar, quanto mais horas eu trabalhar, quanto mais eu conhecer o campo da minha área, eu vou ter mais mérito.
Portanto, o mérito, obviamente, faz parte da equação da vida. Obviamente. Por isso, em média, Há muitas exceções à regra, mas, em média, as pessoas que tenham mais mérito, que desenvolvam uma performance melhor, elas vão obter resultados do quanto investiram. Se nós trouxermos estas duas dimensões para o campo da nossa relação com Deus, nós estamos completamente condicionados a pensar que Deus age como os seres humanos e como a sociedade. projetamos esse nosso esquema em Deus. Esse esquema humano está projetado para Deus. Portanto, resumindo a ideia ou aplicando-a a Deus, o conceito é que Deus me ama, se...
ou que Deus me castiga, se... e, portanto, o meu comportamento é que é o parâmetro ou padrão para o sentimento de Deus em relação a mim. Portanto, na verdade, esta visão da fé redonda faz com que eu trabalho ou haja para a aprovação de Deus. Por outro lado, se o mérito e a performance determinam o resultado, eu também obviamente fico com a ideia de que quanto mais eu me esforçar para trazer para cima da mesa da minha salvação e da minha relação com Deus coisas que possam trazer valor, a ideia é eu vou trazer valor para este processo.
E, portanto, isto desvirtua completamente. Não é só a minha fé. Isto desvirtua quem Deus é. Por isso é que é tão importante. E a tua relação com Deus. Sim, pois a minha relação com Deus. Que neste caso nasce do facto de eu ter uma visão deturpada de quem Deus é. Por isso é que nós precisamos de entender coisas tão simples e profundas como estas. Que nós precisamos de basear a nossa segurança espiritual no facto de que Deus nos ama. Deus nos ama porque Ele quer amar-nos. Não tem a ver com as coisas que eu faço. Nós amamos a Deus porque ele nos amou primeiro, é o que diz a Escritura.
O apóstolo João, discípulo do amor, como muitas vezes é chamado, que elaborou muito precisamente sobre esta dimensão de quem Deus é, da sua natureza e da nossa relação com ele, dizia-lhe que com grande amor o Pai nos tem dado, que fôssemos chamados filhos de Deus. Nós não merecemos ser filhos de Deus. Nós fugimos da paternidade de Deus. É isso que o pecado faz. Portanto, nós não temos nada que ser chamados filhos de Deus. É isto que está aqui em causa. Só que Deus chama-nos filhos na mesma. Ou seja, não depende de mim Deus me tratar como filho. Por isso que uma outra imagem e outra terminologia que a Bíblia usa com frequência é a ideia de que nós somos adotados.
Porque é o conceito de que nós, como perdemos a dignidade e a capacidade de ser filhos, se fosse pelo nosso esforço, já não dava. Porque, no fundo, é como se fosse uma coisa que nós perdemos. Como perdemos, é como se me tirassem um título. Se eu tiraram o título, eu não o posso voltar a recuperar. Só que por isso somos adotados, porque Deus diz, mas é a minha vontade que sejas meu filho. Resgatado, não é? Por isso é ser resgatado ou reconciliado. Portanto, nós não podemos viver a nossa relação com Deus como se precisássemos constantemente de provar o nosso valor. É isto. E o que a Bíblia explica é que a cruz é essencialmente onde isto está mais claramente visível.
Por isso é que a expressão é Deus morreu por nós, sem que nós tivéssemos deixado de pecar. Portanto, a morte, o amor sacrificial de Deus não depende das minhas escolhas. Aliás, as pessoas por quem Jesus estava a morrer foram as que o crucificaram. É impossível haver uma metáfora melhor para o facto de que o amor de Deus não é uma recompensa, nem é justiça, porque ele foi morto por aqueles a quem estava a estender a graça. Por isso ele dizia perdolhos. Fábio, não nos condenes deste mal. Não nos condenes porque se eu estou aqui é precisamente por causa disso. Porque senão o ser humano já estava condenado porque foram os seres humanos que o mataram.
Portanto, nesse sentido, nós precisamos muito de compreender que Deus conhece a nossa condição. Deus não é surpreendido pelas nossas fraquezas. E o seu amor continua a ser oferecido. Talvez, portanto, na Bíblia, a história que melhor registra e melhor nos sirva de referência para a natureza de Deus e a nossa relação com ele é a velhinha e célebre história do filho pródigo. Porque ele é que vai embora, ele é que se afasta, ele é que gasta tudo, portanto ele não tem direito a nada. Mas o pai aceita, mete-lhe o anel no dedo, mete-lhe as roupas e diz-lhe, vem para casa, porque aqui sempre foi a tua casa. E preparou-lhe uma festa.
E preparou-lhe a festa. Portanto, isso não dependeu da qualidade, da performance daquele homem, porque ele chegou lá todo mal cheiroso e porco, porque a escolha dele levou-o para esse lugar. E nós precisamos muito de entender Deus desta forma. Caso contrário, nós passamos a vida com medo e com culpa. E a Bíblia também diz que onde há amor, não há medo. E que Deus temos um espírito de coragem e não de medo. O amor de Deus manifesta-se para connosco só pelo facto de existirmos. Ele ama-te porque existes. E tu existes porque ele te amou primeiro. Ele te amou antes de existires.
Não fizeste absolutamente nada. Mas porque existes, ele ama-te. Mas existes porque ele quis. E é muito interessante ver que Paulo vai dar-se, digamos, uma importância muito grande ao amor de Deus.
E depois temos um outro apóstolo, não menos importante que Paulo, que é João, que vai falar do Deus de amor. E eu gostava que nós saltássemos muito rapidamente da 2ª Carta aos Coríntios e irmos até 1ª de João, capítulo 4, versículo 8, porque diz que aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Ou seja, nós vemos aqui que João mostra a necessidade que nós temos de conhecer Deus. Joana, na vida prática de uma pessoa, de que forma a qualidade das suas relações com os outros pode ser, de alguma maneira, um espelho, vamos dizer, honesto? Um espelho honesto daquilo que é a sua relação real com Jesus?
Olha, eu gosto muito deste versículo. Até a primeira reflexão pública lá que fiz, há muitos anos atrás, foi sobre este tema. Porque eu acho que esta frase é mesmo determinante para o nosso relacionamento com Cristo. Porque há uma busca constante de saber quem é que é Deus e o que é que é Deus, não é? Lembro-me na altura de estudar o que era isto de conhecer a Deus. O tema era conhecer a Deus. O que é conhecer a Deus? Era sobre isso o tema que estávamos a falar. Eu acho que é o que nós precisamos. Tudo fala e a vida eterna é que te conheçam a ti mesmo e que te conheçam. Há uma constante exurtação de toda a Bíblia para conhecermos Deus. E este conhecer Deus, no fundo, como este verbo, conhecer, está muito ligado aos relacionamentos, até do relacionamento íntimo entre um homem e uma mulher.
E Abraão conheceu a Sara e gerou um filho. É uma relação extremamente íntima que João exorta aqui, de que se não existe esta relação íntima com este Deus, não há frutos, não há amor. Porque Deus é o amor. Então, quando nós temos esse relacionamento, acabamos por transmitir amor. E nós podemos ver o amor de Deus, um vislumbre do amor de Deus em várias áreas da nossa vida, no dia-a-dia. Nós conseguimos ver no relacionamento entre um marido e uma mulher, conseguimos ver entre pais e filhos, como já falámos, nas amizades sinceras. E também podemos ver o amor de Deus na natureza, de diversas formas. Mas aqui o ponto central de João é interessante que isto não é apenas vamos ser pessoas melhores.
É muito mais do que isso. Deus não é apenas alguém que manda amar. Ele é amor e quem o conhece, inevitavelmente, é transformado por essa realidade. E essa realidade vive-se no nosso dia-a-dia. E por isso é que as relações humanas para João vão funcionar um bocadinho aqui. como um termómetro espiritual. Não porque vão ser perfeitas, estes relacionamentos, mas porque revelam uma direção fruto desse conhecimento de Deus. E Paulo, quando descreve também aqui, já que vamos falar aqui do santo Paulo neste trimestre, ele queria muito que os coríntios, tanto que a igreja de coríntios, vivessem em unidade. Mas sem amor não há unidade.
Por isso é que em 1ª de Corinthians 8, 1 fala aqui que ele ensinou que o amor vai edificar e sem amor tudo é inútil, tudo é vazio. Tudo o que nós fazemos, portanto, deve ser feito com amor. Por isso é que o amor é uma extensão, o nosso amor é uma extensão do amor de Deus. Então eu pensei aqui, escrevi aqui alguns tópicos, no fundo, o que é que é este amor na prática. Nós percebemos que, João insiste repetidamente, se alguém diz amo a Deus e odeio-o, sermo é mentiroso. Nós percebemos aqui que o amor a Deus não fica invisível na prática. Não conseguimos que seja escondido. Há uma incoerência espiritual quando há um discurso de devoção a Deus. mas depois, por outro lado, as relações são marcadas por dureza, por indiferença, por desprezo, e para João isto é um problema de conhecimento de Deus.
Nós podemos ter um conhecimento intelectual, mas isso não é conhecer Deus. Eu posso ter um conhecimento muito descortinado do meu esposo, mas eu posso não o conhecer na intimidade. E na prática, nós podemos falar O que é que é aqui um relacionamento saudável com os outros e o que é que é o amor a Deus e uma devoção a Deus mas acaba por não ter na prática. Isso é um problema do conhecimento de Deus. Aqui um outro ponto é que as relações humanas acabam por também expor o tipo de amor que que está aí, de onde é que vem? É um amor que vem de Deus? É um amor que produz perdão, que produz frutos, que produz paciência, que produz verdade? Ou é um amor muito centrado no ego, em nós próprios?
É um amor que produz controlo, que produz competição, ressentimento? Por isso é que mesmo em 1ª de João 5.12 diz que, nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Portanto, não é só emoção, é uma expressão de lealdade com o interior. E podemos também perceber que as relações são um lugar onde a fé se torna verificável. As relações próximas vão revelar o discurso religioso que nós temos na prática. Como é que nós agimos quando somos contrariados? Como é que nós tratamos quem não nos traz qualquer tipo de benefício? Como é que nós lidamos com ofensas reais no dia-a-dia?
Como é que nós falamos quando não estamos num público religioso? E estes lugares que existem no nosso dia-a-dia acabam por mostrar esta fé, acaba por ser verificável. Por fim, o mais importante, o critério final é que o amor de Deus, o centro desta carta, não é, ou deste texto, não é amar mais, mas o que consiste o amor é que nós tínhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou primeiro, como disseste. Portanto, isto muda tudo. O amor aos outros não é a origem, nem vai ser a origem da salvação, é um resultado de termos sido alcançados por amor a Deus, que partilhaste há um bocadinho connosco. Pronto, no fundo é por aí.
Muito bem. Como dissemos ainda há pouco, a nossa conversa é uma conversa em torno daquilo que está escrito na segunda carta aos Coríntios. Estamos praticamente a fechar esta carta e também a fechar esta temporada. Mas ainda temos mais duas ou três questões, digamos assim, dois ou três pontos
importantes a salientar. Vai ficar para a segunda parte do nosso episódio. Não saia do seu lugar. Veja a seguir. Iniciamos aqui a segunda parte do programa Bíblia Aberta com mais um episódio e, sobretudo, estamos quase no final da segunda carta aos Coríntios. Vamos encerrar esta temporada que tem sido deliciosa, com várias conversas e temáticas extremamente importantes e de certeza que você se acompanhou todos os episódios. Dá graças a Deus pelas boas conversas que tivemos aqui, pelo conhecimento que vamos adquirindo. Antes de voltarmos à conversa com os nossos três convidados, com a Joana, com o Artelino e com o Pedro, vamos lançar o desafio de procurar a verdade.
Não sei se você anda à procura da verdade. Mas o que é certo é que existe a verdade e nós podemos procurá-la, devemos procurá-la e nada melhor do que termos, se calhar, algumas ferramentas, queiramos dizer assim, que nos podem ajudar a chegar lá mais rapidamente. Ora, este guia de estudo é precisamente uma ferramenta que nós temos à sua disposição para que possa procurar a verdade e descobrir muitas das verdades que a Bíblia tem. Não estão todas aqui, obviamente, mas talvez estejam aqui muitas daquelas que você ainda não conhece ou então que precisa rever claramente na sua vida. Por isso, se desejar adquirir este guia de estudo, é muito simples. Basta enviar uma mensagem para o 933 93 92 91.
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porque temos que chegar à comunhão, ok? Então, vamos agora entrar nesta questão da comunhão e Paulo leva-nos, não propriamente em Coríntios, nas cartas aos Coríntios, um pouco nesta linha da comunhão com o Espírito Santo, mas leva-nos então a Gálatas. E se formos a Gálatas, capítulo 4, versículo 6, nós vamos encontrar aqui, claramente, Paulo a definir esta comunhão do Espírito Santo. Diz que, e porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama, Abba, Pai. Então nós podemos ver aqui que Paulo descreve o Espírito Santo como aquele que legitima e que torna íntima a nossa relação com Deus. Hortelinda, como é que uma pessoa, bem da verdade, pode distinguir entre uma fé que é apenas intelectual ou, se quisermos, doutrinária, e ao mesmo tempo uma fé que é genuína e que é animada pelo Espírito?
Falar do Espírito era indispensável neste tema. Falámos do amor de Deus. O Pedro... E se calhar o tempo que temos não vai dar para tudo, mas vamos tentar. Exatamente. E falar de espírito, que promove realmente a comunhão, é indispensável. Por isso o apóstolo termina a sua epístola assim. Pois a obra da salvação, como sabemos, é uma obra das três pessoas de divindade. Deus o Pai é o que concebe o plano da salvação. Deus o Filho é o que executa, que realiza, a torna efetiva e o Espírito Santo é o que nos leva a participar dessa salvação. Podemos dizer que o pai e o filho trabalham do exterior, promovendo realmente aquilo que nós necessitamos para ser salvos, não é?
Sobretudo o filho, não é? Em quem se concentra. Portanto, toda a nossa salvação. E o Espírito Santo trabalha do interior. O Espírito Santo vai finalmente trabalhar com o receptor. Porque se não houver algo de Deus que trabalhe com o receptor, nós acabamos por não poder desfrutar nem a integrar aquilo que é a nossa salvação. O espírito é puro, as antenas espirituais, a sensibilidade, a perceção. dá convicções, mostra a importância e a urgência, portanto, de aceitar o dom de Deus. Portanto, se o Espírito Santo não tocar, não impressionar, não levar a aprofundar, não revelar, como disse Jesus, não convencer do pecado, da justiça e do juízo, não há vida espiritual.
O Espírito Santo liga o nosso interruptor. Liga o nosso interruptor. E sem essa ligação, sem essa presença do Espírito Santo, o ser humano perdido é como uma pessoa completamente desidratada à beira de uma fonte, mas que não tem sede. Então, se não for o trabalho do Espírito Santo em nós, tudo aquilo que o Pai fez, tudo aquilo que Jesus realizou, com tanto sacrifício, fica sem efeito. Nós necessitamos desta ajuda, que venha realmente, trabalhar, portanto, em nós, estar em nós. Sem isso não há salvação. Logo, o Espírito Santo é tão nosso Salvador, como é Jesus, como é o Pai.
A salvação é realmente um dom de Deus. Portanto, de toda a divindade. Aliás, o versículo que lemos diz que o Espírito do seu filho clama Abba Pai. Exatamente. Há aqui uma convergência destas forças. É o Espírito que nos leva a abrir os nossos olhos, a ver, a perceber. Realmente é o que nos promove um novo nascimento. Ou seja, um novo nascimento é voltar, é ver a vida. É despertar, portanto, para a vida. Agora há uma coisa que é importante e que nós temos que ter em conta. É que o Espírito de Deus não se impõe. Deus não se impõe. Deus se propõe. E o ser humano precisa de se abrir à sua influência. É evidente que a salvação, que é Deus que concebe, é o Filho que realiza e é o Espírito que a promove em ti.
Então, se não houvesse a liberdade humana, quer dizer, toda a gente teria que se salvar, se só dependesse de Deus. A Bíblia nos diz que haverá perdidos, haverá aqueles que passam ao lado de tudo isto e realmente não beneficiam. É porque a nossa decisão, a nossa liberdade, a nossa escolha, tem na nossa salvação um grande papel. Esta é a nossa parte. Esta é a nossa parte. Esta é a nossa parte. E a nossa abertura ao Espírito. Falaste de uma fé intelectual. A nossa abertura ao Espírito pode ser fragmentada, pode ser parcial. Portanto, nós podemos abrir ao Espírito apenas o intelecto. E a nossa fé, a nossa relação, torna-se apenas raciocínios, doutrinas, ensinamentos, ideias, conceitos, elaboração de doutrinas.
É um pouco aquilo que a Joana estava a dizer há pouco, não é? Conhecemos, mas não conhecemos. Ou não vivemos, não é? É apenas uma parte. É apenas uma parte. Não é uma parte de desprezar. É algo que é importante. Só que sozinho não chega. A fé conceptual, que é feita de argumentos e de ideias, não é ainda uma fé plena que possa ter a salvação, viver a salvação plena. Outros abem ao espírito realmente a sua dimensão psicoafetiva. E assim a sua experiência é feita de sentimentos. estados de alma, muita emotividade. Mas depois, quando passa a essas emoções, o que fica espremido não dá grande coisa.
Não tem uma verdadeira influência na vida dessas pessoas. Todos nós conhecemos pessoas muito emotivas na sua fé. Ainda há aqueles que possuem talvez uma natureza mais mística. São aqueles com mais tendência para o religioso. têm uma fé marcada por grande religiosidade. São os temperamentos místicos, não é? Comprasem-se em práticas, em ritos religiosos, em celebrações, em cerimónias, em festas, portanto, é todo o aspecto religioso da dimensão espiritual, mas também é só isso, não é? Acaba por ser qualquer coisa que não vai a fundo, como realmente a Joana. Estava a dizer. E depois ainda há aqueles que às vezes se enganam a eles mesmos e os outros mais facilmente.
São os que fazem coisas. São aqueles que, para eles, a fé é realizar coisas. Projetos, ações, confazer. Confazer. Confazer. Portanto, fazem até boas obras. Alguns até dizem, para mim a religião é fazer o bem. Pois, mas se fica só aí não chega. Pois, e o próprio Jesus diz que no final também virá e irá, no fundo, dizer não vos conheço. Exatamente, fizeram tanto bem, tantas coisas, mas finalmente não vos conheço. Faltou realmente aí alguma coisa. E o que faltou foi uma verdadeira conexão. Não é com Deus. Não vos conheço, porque estiveram fazendo tudo isso desconectados. Se calhar tentamos nós ligar o interruptor quando é o Espírito Santo que deve o ligar.
Que tem que o ligar, é o Espírito Santo. Portanto, é necessário que o Espírito Santo habite todas estas dimensões. Que nós falamos intelectual, a psicoafetiva, a religiosa e aquela da prática, não é? De realizar o bem. Tem que ser o Espírito Santo a promovê-la. Para isso o Espírito Santo tem que habitar o nosso ser. A nossa entrega tem que ser total, não parcial, não parcelada segundo as nossas conveniências ou as nossas tendências. Necessitamos que o Espírito nos abisse, que Ele faça morada em nós, como disse Jesus, não é? Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama e será amado de meu Pai e viremos para ele e faremos nele morada.
morada. O espírito fazer morada em nós é o que vai inspirar os pensamentos, o intelecto, vai inspirar os afetos, os sentimentos, as emoções, vai inspirar a nosso próprio misticismo, não é? Que é bom. Vai inspirar as nossas ações. Tem que ser o espírito que vive em ti, que depois habita todas estas dimensões da tua pessoa e realmente as torna. as torna uma vida. E quando o Espírito alcança o nosso coração e vive connosco, por ele, ele nunca mais sai. Ele nunca mais sai, exatamente. E é o Espírito que vive e fica todas as coisas, como diz o apóstolo. E é o Espírito que atesta que somos filhos de Deus. O próprio Paulo diz que não somos de nós mesmos.
Não somos de nós mesmos. É os que são guiados pelo Espírito de Deus. Esses são os filhos de Deus. Só esses são os filhos de Deus. Podemos fazer muita coisa, mas se não formos guiados pelo Espírito de Deus,
ainda não pertencemos a Deus. Porque o Espírito é que nos dá esse sentimento e essa realidade de pertença. E depois temos um Deus que é tão extraordinário que ele quer ser Deus connosco. Isto para mim é uma das partes fantásticas que a Bíblia nos dá, é que mostra que Deus quer ser Deus connosco. Vamos voltar outra vez a Paulo, a 2 Coríntios capítulo 13, para lermos agora o versículo 11, porque diz, cedo de um mesmo parecer vivei em paz, e o Deus de amor e de paz será convosco. Ou seja, este Deus de presença, de estar connosco, como a Hortelinda falava, por meio do seu Espírito, viver em nós, morar em nós, estar connosco. Joana, o que é que isto nos pode dizer, ou o que é que isto poderá dizer a uma pessoa sobre a responsabilidade que tem de tornar-se Deus visível ou invisível aos que a rodeiam?
Então, é muito aquele que conhecem, aquele provérbio que diz que diz-me com quem andas, dir-te a quem és. Eu acho que é uma consequência demasiado óbvia quando vemos o relacionamento com Deus, que a pessoa tem realmente um relacionamento com Deus pela forma como lida com os outros. Não dá para esconder. É como aquele versículo que diz que a candeia não é a que se esconde. Não quero com isto dizer, eu acho que isto é uma coisa importante de nós. nos lembrarmos. Não quero com isto dizer que não há conflitos entre uma comunidade.
Não quero dizer que por haver conflitos, então não temos o amor de Deus. Se não temos um amor constante, pronto, está fora. Não me parece ser Isso. Eu, quando eu leio aqui, eu gosto imenso destas salvações finais de Paulo porque ele diz aqui, fala um bocadinho sempre em comunidade. Ele fala sempre em aperfeiçoar. Diz logo, não é? Quanto há mais irmãos, adeus. Começa logo assim. O versículo começa assim, adeus. Aperfeiçoar, ou seja, no fundo, este aperfeiçoar é sendo unidos, amadurecer espiritualmente, não é? consolaivos e seres do mesmo parecer. Aqui no sentido do mesmo parecer, não intelectualmente, que ele queria aqui dizer, depois em Filipenses fala um bocadinho, mas num conjunto de ações. Até podemos, até há bocadinho estava aqui a ver, que até diz como, não é?
Ela até diz aqui, tinhais o mesmo amor, não é? Em Filipenses 2.2. Tinhais o mesmo amor, sendo unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. Não fazes nada por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um vosso superior. Ou seja, está aqui descrito aquilo que é o viver com Deus no meio de nós. Eu costumo dizer que a comunidade, esta comunidade cristã, existe porque se reúne à volta de uma fogueira e essa fogueira é Cristo. E essa fogueira é tão luminosa que não há como outros grupos não nos verem, porque temos no centro Cristo. O amor a Deus, como eu disse há bocado, nunca fica invisível na prática.
Não há como. Não há como. É uma incoerência espiritual se isto acontecer. Quando há conflitos, a forma como se geram os conflitos, não quer dizer que eles não vão aparecer. A forma como eles são geridos. a forma como há relações marcadas pela sedência ou pela dureza, pela crítica ou pela entreajuda. Portanto, aqui nós temos uma responsabilidade individual de mantermos, através da forma como lidamos uns com os outros, da forma como eu lido com os outros, de manter Deus connosco dentro da comunidade. Temos essa responsabilidade. Há uma expressão que eu sempre gostei muito de ouvir nos clubes, é que nós somos embaixadores de Deus.
E ser embaixador é um representante, depois até foi aqui no dicionário, ser embaixador é um representante oficial de alguém maior do que sim mesmo. Enviado para falar, agir, viver em nome dessa autoridade. E nós realmente somos embaixadores. Para nós, nós somos uns representantes oficiais de algo maior do que nós, que é Deus. Somos esses representantes mesmo dentro do meio da nossa comunidade cristã, assim como também com a nossa vizinhança, no nosso trabalho, com a nossa família dentro de casa, com os nossos filhos na rua. Nós somos representantes de Deus. Se nós recebemos a luz, temos que espelhar. É impossível que essa luz não se veja. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte.
Isso mesmo. É impossível que não se veja. E como é que as pessoas vêem Cristo em nós? Pela forma de falarmos, pela forma de agirmos, pela forma de vivermos em nome de Deus. E eu lembro-me que desde miúda penso sempre que nós quando estamos num meio académico ou num meio profissional e temos... e as pessoas sabem que nós somos cristãos e que somos uns cristãos especiais porque somos Adventistas do Sétimo Dia e temos ali uma catrafada de coisas que parece que nos acompanham, que as pessoas identificam. Sim, eu tenho que honrar Deus aqui porque eu sinto que realmente aquilo que eu transmitir eles vão ver Deus porque eles sabem que eu adoro a Deus.
pessoas ateus, não ateus, várias pessoas que não têm Deus na sua vida, se eles sabem que eu adoro a Deus e que eu sigo Deus e que eu acredito que Ele existe, eles vão ver Deus através de mim. Não há como. Então eu sentia... Mais do que ver a tua religião? Mais do que ver a minha religião, sem dúvida. Então eu via sempre, eu sentia-me se calhar até um pouco culpada, Porque sentia que às vezes nem sempre conseguia suprir as expectativas que as pessoas poderiam ter de Deus. Porque eles olham para mim e dizem que se eu adoro a Deus, se eu tenho Deus contigo, eu vou agir desta forma e ser um Deus. E então às vezes sentia-me um bocado triste. Nós não devemos carregar esse peso, mas devemos saber que temos essa responsabilidade. Em tudo o que fazemos devemos pensar, lembrar-nos que estamos a honrar Deus e que o estamos a tornar visível a outros.
E isso só se consegue quando se conhece Deus, porque conseguimos transportar de uma forma natural, de uma forma instantânea, de uma forma espontânea. e não de uma forma demasiado intelectualizada e que não vem do coração. Pegando na tua imagem, muito bonita, de que no fundo nós estamos à volta de uma fogueira e a fogueira é Cristo e que ela ilumina-nos a tal ponto que nós também iluminamos os outros, ou os outros veem-nos nessa luz. Dentro desta fogueira nós podemos colocar os três seres de Deus. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. E é assim, basicamente, que Paulo vai terminar a sua segunda carta aos Coríntios, no capítulo 13, versículo 13, Ele diz, a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus o Pai e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós.
É assim desta forma que Paulo termina. Pedro, também nós vamos terminar este episódio e esta série de temática, mas deixa-me perguntar-te o que é que perde um crente na sua vida espiritual quando a sua fé não alcança à plenitude a revelação de Deus? desta revelação de que Deus é Pai, Filho e Espírito. Por isso acho que é um tema interessante para terminar, porque o apóstolo termina assim. É interessante porque para o apóstolo essa expressão que ele usa é uma saudação, é uma despedida profundamente cristã. No caso, ele não está a imitar ninguém. Nós, hoje, já imitamos muito formulações, porque temos esta base, mas ele não estava a imitar, ele estava a inventar a formulação. E é a declaração mais trinitária de toda a vida.
Sim, por isso é uma declaração profundamente trinitária. Mas com um interesse, que aliás é o exercício que eu vou tentar fazer aqui em 5 minutos, que é esta ideia de que Este conceito trinitário na Bíblia claramente não é um conceito dogmático. Não é como se os apóstolos tivessem a tentar explicar uma doutrina. Aliás, ela nunca está explicada na Bíblia. Ela simplesmente existe na Bíblia, não está explicada como tal. E é como o batismo que Jesus diz, batizai em nome do Pai, Filho e Espírito, não tem uma explicação teológica sobre isso, simplesmente diz, olha, batizem assim, no nome de Deus, Pai, Filho e Espírito. E o apóstolo aqui despede-se. da igreja, desejando o melhor que podia para a igreja.
E o melhor que ele consegue formular são estas três maravilhosas experiências para a vida do crente que Paulo vai associar à pessoa do pai, do filho e do espírito. Por isso é que esta declaração é profundamente trinitária, mas neste sentido de não tentar convencer alguém que Deus é isto ou aquilo, porque no fundo é o que é que nós sabemos sobre Deus? Como é que nós podemos conseguir explicar a Deus? Aliás, pequeno parênteses, esse é um dos problemas. de uma certa visão muito dogmática sobre temas como, por exemplo, a trindade, que é nós estamos a tentar formular numa folha e escrever quem Deus é. Estamos condenados logo à partida. Não cabe na nossa compreensão humana. Se nos colocamos nessa missão.
Por isso a Bíblia aparece esta visão trinitária, não é que a palavra exista na Bíblia, mas é a declaração de que Deus é assim porque ele escolheu revelar-se assim. É, portanto, Para mim pessoalmente, gosto muito deste tema, é quase indiferente como é que Deus é. Porque a única coisa à que eu posso ascender é como é que Deus se revelou. Ou seja, o que é que Deus disse sobre si. E Deus disse-se Pai, Filho e Espírito. Sendo que não o disse por uma questão de matar a nossa curiosidade. Disse porque é muito diferente ser Pai, ser Filho e ser Espírito. E Paulo consegue resumir isto de uma maneira incrível ao dizer esta ideia de que o amor de Deus, porque Deus é o que está acima, é uma coisa que nós não merecemos, mas Ele dá, porque Ele pode dar o que Ele quer.
E porque estas três partes trabalham unidas por nós. É isso mesmo, trabalham a favor. Por isso, a plenitude de Deus é porque nós precisamos que Deus seja assim. Nós precisamos desse amor soberano do Pai Por isso a obra do pai, essencialmente, qual é? É de ser o Criador, é de ser o Senhor. Ele é o que mantém a ordem, porque ele tem a autoridade total. E aquele que ofereceu a graça. Por isso, ele oferece essa sua autoridade total, que está manifesta no seu amor. Mas Cristo, a sua obra essencial é a obra de redenção, de aproximação, de reconciliar. Por isso é a graça que ele dá, que é uma ação que é imersida. Mas o Espírito tem essa obra de santificação, que é uma obra interior.
Como dizia há pouco o Artlindo, é uma obra que acontece em nós. E, na verdade, nós precisamos muito que Deus seja estas três dimensões. que podiam ser resumidas na seguinte forma. A plenitude de Deus, a nosso favor, manifesta-se da seguinte forma. Como o Pai é o Deus da autoridade suprema, Ele é o Deus que estabelece princípios. Os princípios de Deus são eternos, são bons para nós. Por isso, o que é que a Bíblia vai dizer? Deuteronómio 6, 17, por exemplo, diz, diligentemente, guardem os mandamentos do Senhor vosso Deus e os seus estatutos e tudo o que Ele vos tem mandado. e procurem fazer o que é reto e bom aos olhos do Senhor. Então o apelo do Pai é para nós seguirmos estes princípios de vida porque Ele sabe o que é melhor para nós, é o nosso Criador.
Só que nós não temos só o Pai a dizer vai por este caminho, este é o caminho. Nós temos o Filho que diz o quê? Vem por aqui. É assim que se faz. Mostra. Que mostra. Eu sou o caminho. Vem crescer. Por isso, se o Pai é o Deus dos princípios, Jesus é o Deus do exemplo. Por isso ele disse assim, eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. Então, Jesus ensina-me na prática o meu exemplo, mas o exemplo de quê? Para cumprir os princípios que o Pai estabeleceu. Então eu tenho os princípios que o Pai estabeleceu, e um exemplo de como é que eles se vivem. E agora eu tenho um espírito que faz o quê? Que me dá poder. Para eu fazer o quê?
Seguir o exemplo de Jesus? fazendo a vontade do Pai. Por isso nós temos exatamente as três necessidades para a nossa experiência. A autoridade, o exemplo e o poder para fazer. Nós temos isto no Pai, no Filho e no Espírito. Ficar sem uma destas coisas é autodestruição.
Olha, meus amigos, a conversa estava ótima, está tão bom, mas não podemos continuar porque o nosso tempo chegou ao fim. Foi um gosto receber-vos aqui no Programa Bíblia Aberta e contamos muito brevemente ter-vos de volta porque é sempre um gosto conversar com vocês. Muito obrigado pela vossa companhia e ajuda. A si também, que está aí em casa, foi um gosto poder estar consigo ao longo desta temporada e podermos conversar sobre estes temas tão importantes e tão necessários. Antes de nos irmos embora, deixe-me dizer, se anda à procura da verdade, então tem aqui um guia de estudo excepcional para poder fazer essa pesquisa e encontrar as grandes verdades que o Senhor Deus deixou inscritas na sua Palavra. Basta ligar ou mandar uma mensagem para o 933 939291 e de certeza que nós iremos dar uma resposta muito rápida para que receba gratuitamente em sua casa este guia de estudo à procura da verdade.
Está assim fechada mais uma temporada, deixamos de parte agora as hipístolas de Paulo e para a semana vamos voltar. Não pense que nos vamos embora, não vamos. Para a semana cá estaremos de novo com uma nova temática, com uma nova temporada. Vamos abrir a Bíblia e centralizar a nossa atenção nos dons que Deus nos dá, incluindo o dom de profecia. Tudo isto e muito mais a partir da próxima semana, não perca. Até lá, que Deus o abençoe grandemente e continue com a sua Bíblia aberta.
Neste episódio de Bíblia Aberta, chegamos ao fim da 2.ª Epístola aos Coríntios e encerramos esta temporada com uma reflexão profunda sobre três pilares essenciais da fé cristã: a graça de Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo.