Partilhá-Lo

Partilhá-Lo

13 de Junho de 202657 min 17 s

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Ficou prometido, na semana passada, que voltaríamos à sua companhia para podermos continuar uma conversa tão agradável como foi aquela que explorámos e desenvolvemos aqui em estúdio sobre o tema dos contratempos. Esta semana voltamos a estar juntos e voltamos a ter a mesma equipa da semana passada. Vamos ter connosco o Pedro Esteves. Olá, Pedro. Obrigado por estares connosco mais uma vez. A Inês. Olá, Inês. E também a Rita. Olá. É um privilégio poder estar convosco neste episódio para podermos falar agora de um outro tema. Hoje vamos falar sobre partilha. Vai ser muito bom podermos falar de partilha. Antes, porém, deixe-me dizer-lhe que o programa A Bíblia Aberta está sempre na TV Novo Tempo Portugal.

Provavelmente já é cliente da MEU. Então, se é cliente da MEU, já sabe, no canal 186 da MEU, encontra-nos lá 24 horas sobre 24 horas. Estamos cá para lhe trazer esperança, mas também para lhe trazer a certeza da vida eterna em Cristo Jesus, e isto acontecerá dentro de muito pouco tempo. Se não conseguir estar connosco na TV Novo Tempo, poderá sintonizar-se em Lisboa, nos 91.2 FM, a Rádio RCS, Ou então ir à internet, procurar o canal do YouTube e procurar a TV Novo Tempo Portugal ou mesmo a Rádio RCS. Encontrará lá este programa, este núcleo de episódios.

A missão de partilhar

E nós estamos numa temporada muito interessante que estamos a falar como crescer para nos aproximarmos e, sobretudo, para termos uma relação próxima com Deus. Hoje iremos falar sobre partilha. Por isso, apronte-se com a sua Bíblia, esteja pronta para poder ler algumas passagens bíblicas. A primeira que eu quero sugerir é de Mateus, capítulo 28. No último capítulo da Bíblia, ou melhor, de São Mateus, deste livro, para lermos os versículos 18 a 20. Capítulo 28, versículos 18 a 20. E diz que chegando-se Jesus falou-lhes dizendo, é-me dado todo o poder no céu e na terra, portanto, id, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a guardar todas as coisas que vos tenho mandado, e eis que estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos.

Rita, hoje vou começar por ti. E o que eu te quero perguntar é, como é que esta autoridade total de Cristo, porque Jesus disse claramente é-me dado a mim todo o poder no céu e na terra, e ao mesmo tempo a promessa da sua presença, e quando ele diz que vai estar connosco todos os dias, como é que tudo isto pode fundamentar a missão de nós podermos fazer novos discípulos? A primeira parte é muito importante, não é? a ele lhe é dado todo o poder. E ele vai usar esse poder em favor de todos aqueles que o seguirem. Então, a parte é importante. Mas eu queria me centrar primeiramente, e depois voltamos lá, no todos os dias. Porque nós temos um hábito muito comum que é compartilhar a nossa vida em partes. Fazemos um horário, dedicamos dois minutos para aquilo, quatro minutos para o outro, três horas para não sei o quê, não sei quantas horas para trabalhar.

E então o que é que nós fazemos? Vamos compartilhando a nossa vida em partes. E deixamos o que? Uma hora de manhã para meditar? uma tarde de sábado ou assim, para ir partilhar a mensagem de Deus. Ou seja, como estamos habituados a compartilhar tudo, depois também queremos compartilhar e colocar só, em determinados momentos, a nossa relação com Deus e o nosso caminhar com Deus e o nosso partilhar de Cristo com os outros. Mas Jesus aqui vai dizer que é todos os dias e estes todos os dias não é só todos os dias um bocadinho, é constantemente. Ou seja, Ele tem o poder para nos ajudar para que constantemente nós possamos partilhar aquilo que ele é. E isto devia nos ajudar a perceber qual é o grande objetivo de Deus para a missão do cristão.

Deus não quer que o cristão tire um bocadinho de tempo para ensinar Cristo, mas que o cristão, pelo poder de Cristo, que vai transformar a nossa vida, nos ajuda todos os dias a agirmos para o servir constantemente. Sempre. E esta é a base deste texto. Em tudo o que tu fizeres, faz, sabendo que aquilo que vais fazer vai tocar outro. E quando tocares outro, imprime Cristo nessas pessoas. Imprime-me a mim, porque eu tenho o poder de transformar a tua vida para que isso aconteça. Eu gosto muito de um texto em Mateus 5 que diz que nós somos o sal da terra. E eu não sei se tu já colocaste sal dentro de água. E depois tentas tirá-lo. Quando tentas tirar o sal dentro de água, consegues? Não, desaparece. Porquê?

Porque onde ele tocou... Já está. Às vezes pomos um bocadinho a mais e depois custa-nos muito regular aquilo. Porquê? Porque o toque do sal é... Em tudo que ele toca, ele coloca o sabor dele. E Cristo quer que nós sejamos isto. Cristo chama-nos a que por onde quer que formos, ensinarmos quem Ele é. E não quer dizer que seja fazer porta à porta, levar revistas, fazer... Ele pede que nós, em tudo o que façamos, em todos os nossos gestos, possamos, pelo poder dele em nós, tocar as outras pessoas constantemente, de todo o nosso coração, abrindo as portas, através do sorriso que vamos dar à pessoa. Porque isto de todo o tempo é muito fácil para mim, como alguém que trabalha o dia todo, ensinando Bíblia, fazendo estudos bíblicos, estando com pessoas, mas se calhar um bancário, ou um enfermeiro, Vai dizer, como é que eu posso fazer isto?

Eu não posso no meu trabalho agarrar e falar de Jesus. Há sítios que não é permitido. Não há necessidade de falar dele para o ensinar sobre ele. Há só necessidade de agir como ele agia. Já viste que Jesus falou muito pouco e agiu muito mais? Passamos muito mais tempo a ler sobre as coisas que ele fez do que as coisas que ele disse. E muitas vezes, aparentemente, as coisas que ele fez não têm uma teologia direta de palavras. A ação dele é aquilo que nós estudamos. Então, aquilo que nós somos convidados neste versículo não é agarrar e todos os dias dar estudos bíblicos desde que acordamos até que nos deitamos. Este texto chama-nos a fazer algo muito mais interessante. pelo poder da ação de Deus na nossa vida, pela força que Ele tem e a transformação que Ele tem realizado em mim, para onde quer que eu vá, eu seja aquilo que Ele me ensinou a ser.

Ou seja, Deus pede-nos que nós partilhemos, não é? Podemos partilhar um sorriso, podemos partilhar um abraço, uma palavra de conforto, uma palavra de certeza, enfim, temos muitas coisas para partilhar, não é? Exatamente. Não temos que partilhar só uma coisa. Não, porque é em todas as outras coisas que nós partilhamos que nós planamos aquilo que ele é em nós. E às vezes nós queremos... Eu estive ao pé de uma senhora, ela tem 80 e muitos anos, e ela queria muito que eu fosse visitar para falar com o marido. Mas ela teve o tempo todo assim... Diga-lhe para ir à igreja, diga-lhe para fazer aquilo. E eu brinquei com ela e disse assim, eu não vim para ser a sua intérprete, eu acho que vocês estão casados há tantos anos, consegue dizer o que é que pensa. Eu vim aqui para conversar e o conhecer. Porque conversar e conhecê-lo também é uma forma de espalhar e conhecer quem é Cristo.

E às vezes nós precisamos de perceber isto. Não tem que ser falar diretamente, mas através do amor que ele deu a cada um de nós, passar esse amor às pessoas para onde quer que vamos. Vamos avançar nesta ideia que a Rita está aqui a colocar, de alguma maneira testemunharmos aquilo que nós vemos e aquilo que nós ouvimos, porque no fundo é isto que Deus nos pede. Mas antes de lançar um desafio ao Pedro, eu gostava que nós pudéssemos ir ao

O poder do Espírito Santo

primeiro capítulo de Atos, para lermos o versículo 8, porque aqui há uma digamos, uma promessa, se quisermos, muito interessante. Capítulo 1 de Atos, versículo 8, diz... Ora, nós vimos aqui, na passagem anterior que lemos com a Rita, que Deus pede-nos para que nós sejamos com ele todos os dias, Deus promete que está até à consumação dos séculos e agora vem esta promessa, não é? Recebareis a virtude do Espírito Santo que há de vir sobre vós. Pedro, de que modo o testemunho que podemos dar enquanto cristãos depende, vamos dizer, primariamente do poder do Espírito Santo e não propriamente das capacidades que nós podemos ter, das capacidades humanas?

Sem dúvida. Senão Jesus não tinha feito esta promessa, claro. Mas queria ainda assim contextualizar aqui um pouco este tema, que me parece relevante fazê-lo. Nós, ao longo desta temporada aqui no Biblio Aberto, estamos a estudar... tudo o que tem a ver com o crescimento em Cristo. No fundo tem a ver com a maturidade cristã. Como é que nós nos podemos tornar, passo a passo, cristãos mais maduros? O que é que promove esse crescimento? Por isso é que já falámos de coisas como estudar a Bíblia, como a oração e tantos outros temas, os relacionamentos, Ainda dizias há pouco, na última semana, e nós já estamos mais para o final desta sequência, desta temporada, falávamos sobre o sofrimento e as tribulações como parte deste grande processo de crescimento.

Ora, nós não podemos esquecer o seguinte, o crescimento em qualquer coisa na vida só existe crescimento quando se é reprodutivo. Se uma coisa existir só para si mesma, ela vai acabar por apodrecer. O termo é um pouco forte, mas é assim mesmo. É como se este universo foi criado com uma espécie de organização altruísta. As coisas que eu quiser só para mim, que não forem de alguma maneira um exercício de benefício para outros ou para o bem comum, é como se eu acabe por me perder dentro daquilo. E a fé cristã é exatamente isto. Se a fé e a nossa relação com Deus for uma coisa egoísta, ela é falsa.

Por isso é que é tão importante falarmos, e Jesus tanto insistiu, os apóstolos, nesta ideia de darmos testemunho da fé, de sermos uma bênção para outros. Não é uma lógica proselitista, apenas naquela dimensão às vezes muito superficial de, ok, eu tenho a minha igreja, quero ver se conquisto os outros para a minha igreja. É muito mais profundo do que isto. Não é marketing. Não é uma estratégia de tentar vender um produto. Não é isso que se trata. Nem é isso que, por exemplo, aqui na Novo Tempo nós estamos a fazer todos estes programas e a levar a Bíblia e a esperança, como sempre dizemos, à vida das pessoas. Isto não é marketing. Porque se for marketing, então, não só há produtos que talvez sejam mais interessantes, mais vendáveis, facilmente vendáveis, como nós nem nos preparamos, nem nos especializamos para isso.

Também há outras marcas que estão mais bem preparadas para vender o seu produto. Cristianismo é uma experiência profunda com Cristo, que é tão transformadora, que afeta a minha vida logo de todas as pessoas que estão à minha volta, das minhas relações. Jesus usou um termo para falar deste conceito, parece-me que é o termo mais profundo, mais cheio de significado, que é a ideia de ser frutivo. E aí nós vemos o conceito de crescimento. Porquê? A ideia qual é? Jesus mesmo disse, eu sou a videira, vós sois as varas. Isto é João XV. Aí temos um grande discurso de Jesus, nesses vários capítulos mais para o final do Evangelho de João.

E quando Jesus cria esta metáfora, está a falar do nosso relacionamento com ele. A essência, o ponto de partida da nossa fé é que nós temos uma relação com o Cristo, Jesus está vivo, é o Deus presente. Então, ele é a videira, nós somos as varas. Só que o cristianismo não é só isto. Não é só a ideia de que Jesus Cristo é uma fonte viva e nós agarramos a ele e estamos ali. Ah, é tão bom estar aqui agarrado a Jesus. Porque o texto diz, para que dês muito fruto. Isto tem uma saída. Isto não é o conforto de estar no quentinho de uma relação com alguém, neste caso com o Criador.

Isto fortifica. Por isso é que a missão é tão vasta e o propósito é tão grande que obviamente nós não o vamos conseguir fazer sozinhos. Mas é interessante ver que, de alguma forma, Deus, ao nos dar esta perspectiva, contraria um pouco a nossa natureza. Porque nós somos pessoas, quando temos alguma coisa boa, procuramos guardá-la para nós. E tê-la para nós, para sermos possuidores de alguma coisa diferenciada dos outros. Até para, vou dizer, darmos nas vistas no sentido de nós somos proprietários de algo que os outros não têm. E aqui Jesus diz, quando tu tens uma coisa boa relacionada comigo, Tens que a partilhar. Tens que ser benção.

Mas o mais engraçado é que podemos ter este pensamento, e muitas vezes temos, mas quando o contrariamos, somos muito mais felizes. Eu não sei até que ponto é que já experimentaram, mas eu já experimentei ter algo muito bom e quando partilhei com os outros fiquei muito mais cheia do que quando tinha só para mim. Ou seja, apesar dessa ser a nossa natureza, quando a contrariamos, percebemos que somos muito mais felizes quando as contrariamos. Nós somos criados para dar. É isso. E frutificar é uma coisa que dá imenso prazer, que é bom. E nós precisamos de perceber esta realidade. e integrá-la mesmo, apropriarmos totalmente esta grande verdade. Não se trata, portanto, de performance.

É muitíssimo importante esta compreensão de que a missão cristã não é performance. Por isso é que a habilidade humana ou as capacidades humanas não são o mais relevante para cumprir a missão. Porque é uma coisa muito mais integrada na nossa vida. É estilo de vida. É escolha. É uma maneira de estar. Não é uma performance, uma coisa que eu aprendo a fazer. Ok, agora eu tenho aqui um truque que alguém me ensina e eu vou começar a fazer a missão cristã. Aliás... Na verdade há um truque. Aqui o texto diz que vamos receber o Espírito Santo, não é? E este é o truque. Quando nós recebemos o Espírito Santo, Nós tornamos-nos testemunhas, porque temos uma experiência e vamos partilhar.

Mas não é um truque nosso. O truque não é nosso. Esse é o plano. É isso mesmo. Não é um truque que nós conseguimos aprender. Não é uma artimanha. E às vezes esta lógica da missão cristã pode ser vista pelas pessoas, até pelas organizações, por exemplo pelas igrejas, como uma artimanha. Vamos ver qual é o melhor mecanismo e vamos mudando com o tempo e com as modas e com o que o mundo vai oferecendo. Todas essas coisas até podem ser usadas, mas a essência é uma obra que Jesus fez em nós. e que ela vai transparecer na minha vida. Por isso, a missão não começa com habilidade, com capacidades humanas, é a presença de Deus em nós. É isso que significa que recebereis a virtude do Espírito Santo e então sim, vão por esse mundo afora e sejam realmente aquilo que podem ser.

Há uma segunda dimensão que me parece também muito relevante aqui, é que, sejamos claros, nenhuma argumentação humana, por isso mesmo que usássemos as melhores estratégias de marketing, as melhores artimanhas e truques, para dizer a palavra que já usámos aqui, para tentar convencer alguém sobre uma determinada verdade, a verdade é esta, que uma argumentação humana não produz conversão na vida das pessoas. até pode convencer pessoas de algumas coisas, o carisma às vezes arrasta pessoas, porque tem aquele líder tão inspirador que uma pessoa até pode vir um pouco arrastada por isso, mas transformação na vida de uma pessoa não acontece por argumentação.

Eu uma vez ouvi um grande servo de Deus, muitos de nós aqui conhecemos, até quem está em casa connosco, o pastor Bulion, Alejandro Bulion, que além de ser um grande conferencista, um grande orador, também é um professor. E ele dizia para um grupo de pessoas, precisamente falando sobre esta questão da missão, de que uma verdade absoluta em todo o mundo, que é uma verdade universal, é que ninguém quer mudar de religião, ninguém quer mudar de igreja, ninguém quer mudar de fé. Se perguntássemos aqui, agora, a 100% das pessoas que nos estão a ouvir, eu já fiz esta pergunta várias vezes, às vezes para confrontar e explicar um pouco as pessoas num auditório e perguntar assim, há aqui alguém que esteja mesmo com vontade de mudar de fé, de mudar de religião? Ninguém levanta a mão, porque nós estamos sempre convencidos de que a nossa experiência espiritual é melhor, é boa, está correta, mesmo que as pessoas que hoje estão reunidas neste auditório virtual possamos representar tradições religiosas muito diferentes.

Sejamos honestos, cada um de nós está convencido que a sua tradição religiosa, a sua maneira de interpretar a Bíblia, o que seja a sua igreja, é a melhor, ou a que está certa, ou a que está mais próxima da verdade. Como toda a gente tem esta convicção, deduz-se que uma regra universal é que ninguém quer mudar. Se nós entendermos, portanto, a religião, a missão, como uma tentativa de Trazer pessoas de uma religião para outra, se for esse o objetivo, nós percebemos que na verdade ninguém quer isso, mas há pessoas que mudam de religião. A verdade é essa. Alguns de nós até mudamos. O ponto é que a mudança de que Jesus está a falar aqui e que ele sempre ensinou, é uma mudança muito mais profunda do que essa manifestação externa, a ser pertença à organização AOP.

É a nossa religiosidade. É a nossa prática religiosa. É uma mudança profunda. É isso que se signa por conversão. É uma mudança profunda de sentido de vida e de propósito, de aliança. Ora, isso acontece como? Não é com argumentação. É uma obra profunda que só o Espírito Santo pode fazer. Então e nós fazemos o quê? Nós podemos ser usados para iniciar um processo de outra pessoa questionar-se. Porquê isso aconteceu na tua vida? Que experiência é esta? Como é que tu consegues enfrentar uma dor ou um sofrimento que eu vejo que estás a passar? Como é que o enfrentas dessa maneira? São estas questões que pessoas à nossa volta, claro que se questionam, a partir do nosso exemplo. Ou seja, há pessoas que até seguem outros, o exemplo dos outros, ou seja, gostam, querem ser iguais àquele, não é?

Isso, e aí não há mal nenhum nisso, porque a pessoa fica o quê? Fica impactada com o que está a ver na vida de outra pessoa. Mas isso não vai mudar nada na vida dela. Por isso é que Jesus diz Se o Espírito Santo for, então uma obra maravilhosa vai acontecer. Por isso a nossa missão é sermos parceiros do Espírito Santo nessa hora. Tal como dizia a Rita há pouco, quando nós somos o Sol, diluí-me-nos de alguma maneira em toda esta perspectiva do testemunho. Há aqui uma questão que eu gostava de introduzir que tem a ver com o amor, não é? O amor tem que estar sempre presente na nossa conversa, quer queiramos, quer não. E a Bíblia tem uma passagem que nós vamos ler em 2 Coríntios 5 14, que fala do amor que constrange, e não o amor que possa coagir a nossa vida.

O amor que constrange

Vamos ver em 2 Coríntios 5, para lermos o versículo 14. É um versículo muito bonito, que diz que porque o amor de Cristo nos constrange, julgando-nos assim, que se um morreu por todos, logo todos morreram. Inês. de que maneira é que o amor de Cristo pode redefinir as nossas motivações, as motivações de missão e de alguma forma o amor de Cristo pode nos ajudar a colocar o nosso foco onde deve estar verdadeiramente. Para começar, já aquilo que o Pedro estava a dizer, passamos por esta verdadeira conversão. Mas só há verdadeira conversão porque vimos também este amor de Cristo de maneira clara nas nossas vidas.

Faz parte da equação. Ainda na semana passada eu falava um pouco, um bocadinho, um pouco de testemunho da minha conversão e aquilo que eu vi, essa graça que eu vi, foi também um amor que eu nunca tinha visto, que eu nem sequer imaginava que existia, que é um amor incondicional, um amor que salva, um amor que quer inteiramente o meu bem. E nós neste mundo não estamos habituados a ver pessoas tão bem intencionadas e às vezes até nos questionamos se é autêntico, se não há ali nada por trás. Porquê? Porque parece bom demais para ser verdade, não é? Este mundo é um mundo de pecado e podemos então ter sempre estas questões, mas Deus e este amor de Cristo não há nada por trás.

É autêntico, é verdade. Parece bom demais para ser verdade também, mas é. É verdade. E é quando nós aprendemos a conhecer este Deus e este amor, que nós percebemos que nunca vamos compreender um amor tão profundo. E então é aqui que aparece este versículo que diz, porque o amor de Cristo nos constrange, age em nós de maneira tão poderosa, ao transformar o nosso interior, ao ver, ao mostrar-nos um mundo diferente e com uns óculos diferentes, que quando temos esta perceção de tudo aquilo que Deus faz por nós e já fez no passado, agora que já temos, se calhar, um pouco de tempo e podemos olhar para trás, que de repente nós estamos numa situação de admiração profunda.

É assim que eu me sinto na minha vida. Uma admiração profunda. E quando vejo tudo aquilo que Deus faz, Sinto-me constrangida. Esta palavra, na verdade, tem a ver com uma impulsão, não é? É como se estivesse aqui, imaginando que tenho alguma coisa na minha mão, eu carrego com força e aquilo sai. Porque Deus, ao amar-me tanto, dá-me uma força especial, é um motor da minha vida. Então, esta motivação é também para partilhar aquilo que ele tem feito por mim. Eu, quando eu me converti, eu disse assim, uau, mas Deus fez isto por mim e eu sinto-me tão diferente e a minha vida mudou tanto. Eu tenho de dizer aos outros, eles não sabem, eles estão ali, coitados. Pensava eu, dos meus colegas, eu tinha 13 anos, não é?

E falava, falava e dizia a toda a gente e eles nem pareciam muito interessados e eu dizia, ah, como é que, na minha cabeça há 13 anos, como é que eu vou conseguir mostrar-lhes que aquilo que me aconteceu também lhes pode acontecer e vai mudar a vida deles para sempre, não é? Então, aquilo que está a ser, e que estamos a falar um pouco, de sermos testemunhas, de sermos o sal, não é uma obrigação religiosa, não é? De partilhar e planificar, como a Rita estava a dizer, só naquele tempo determinado, no sábado à tarde ou outro tempo determinado, não é? Passa a ser... parte integrante da nossa vida, porque ao ter esta experiência com Cristo, eu torno-me uma testemunha.

Como estávamos a falar, não somos advogados, não somos chamados a... Vendedores? Não, somos vendedores, publicitários. E há uma perspectiva, desculpa interromper-te, e há uma perspectiva que nós temos talvez que pensar sempre. Por exemplo, a instituição Hadra tem uma frase que eu gosto muito, que é salvando uma vida de cada vez. Ou seja, se nós olharmos para o mundo inteiro, vemos que não temos essa capacidade. Mas podemos começar a demonstrar esse amor, esse afeto, esse carinho através da nossa família, não é? Porque são aqueles que estão mais próximos de nós. Talvez aí nós consigamos exemplificar bem o que é necessário ser o sal da terra, não é? E sermos nós mesmos.

E à Jesuscátia temos de explicar a certas pessoas, têm expectativas elevadas sobre um cristão, porque se calhar o cristianismo transmitiu esta imagem ao longo dos tempos. que um cristão é uma pessoa perfeita. Às vezes as pessoas até têm expectativas e ficam ali a olhar, a ver se não há alguma falha. Mas nós temos de mostrar a estas pessoas que estão à nossa volta que não é isso ser cristão. Ser cristão é estarmos debaixo da graça de Cristo, é termos recebido algo que nós não encontramos em lado nenhum, um perdão, e que estamos a caminhar e a aprender com ele e somos transformados E que pode acontecer a gente cair, mas Deus está aqui para nos levantar, não é?

Este texto fala também um pouco disso. Ele diz que se Cristo morreu por todos, então já não vivemos mais para nós, já estamos a viver para Ele. A missão já não é uma atividade só, é aquilo que eu sou, são as conversas que eu tenho, é a minha perspectiva sobre a vida. E eu lembro-me de conversar com certas pessoas E sem querer, eu digo sem querer porque não tinha projetado testemunhar, não tinha projetado, mas perguntaram-me uma vez um vizinho meu, ele disse-me, então não ficas preocupada porque vais mudar de casa e nem sabes por onde é que tu vais, não é? Como pastores ficamos às vezes sem saber o que é que vai ser da nossa vida.

E eu naquele dia sem pensar, sem nada, eu disse, olha, mas sabes, Deus tem sido sempre tão bom comigo que já tomou conta de mim e vai continuar a tomar. Depois foi quando eu vi a cara dele de surpresa ao ouvir estas palavras que eu disse que ele não estava mesmo nada à espera que eu lhe falasse isto. E eu também não estava à espera, mas veio do meu coração. E eu vi que ele ficou a refletir, não é? Ele não me disse mais nada. Mas não pensei, ah vou aqui dizer umas coisas para tentar convencer. Não, vem naturalmente. E é isto que é a missão, não é algo complicado, porque às vezes nós complicamos muitas coisas, e não sei fazer, e não sei como é que vou falar às pessoas, mas não é complicado, somos testemunhas, não somos advogados, não estamos aqui a convencer ninguém, até podemos com pedrasia, não é?

Convencer intelectualmente. mas a verdade é que nós queremos ajudar as pessoas a encontrar a salvação, a encontrar Cristo, aquilo que transformou a nossa vida também pode transformar a deles. Estamos centrares na reconciliação também destas pessoas com o Deus delas. Porque Deus tem tantos projetos para elas também, como teve para nós. Então, é a resposta ao amor a missão. Deus amou-me, Deus transformou-me em vida e agora vou partilhar. Nesta conversa nós já tivemos a oportunidade de verificar a autoridade divina que está entre nós. Essa autoridade divina chega por meio do seu Espírito, porque é a promessa que nós recebemos poder através do Espírito de Deus, e obviamente que, a envolver todo este campo, temos o amor que constranja a nossa vida.

A conversa está muito boa, mas temos mesmo que cortar aqui por breves instantes. Vamos para um curto intervalo, voltamos já a seguir. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Voltamos para a segunda parte do programa A Bíblia Aberta. Hoje estamos a falar de partilha, daquilo que nós temos e daquilo que Deus nos dá, daquilo que nos faz criar uma paixão, se quisermos, pelas coisas divinas. O Senhor Deus dá-nos a oportunidade de partilharmos com os outros, para que mais pessoas possam sentir essa mesma paixão e esse mesmo querer de um dia nos encontrarmos com o nosso Deus face a face. Estamos a conversar aqui entre amigos, o Pedro Esteves, a Inecha Azul, a Rita Mano.

São os meus três convidados. Mas, antes de voltarmos à conversa, não posso deixar passar o momento sem lhe dizer que nós temos, de alguma maneira, uma pequena revista para lhe oferecer, um guia de estudo muito interessante. Desta vez nós queremos realmente oferecer-lhe a máquina humana. É um guia de estudo que tem este título e que é muito interessante porque nele você vai encontrar tudo aquilo que Deus nos fala por meio da Bíblia, como é que nós podemos usar o nosso corpo, como é que nós podemos cuidar do nosso corpo, que benefícios Deus quer dar através da nossa vida física espiritual e também mental. Aqui tem muitos conselhos, tem muitas dicas, e eu creio que é muito importante você poder também exercitar esta área, porque é uma área que Deus nos pede a exercitar.

Por isso, já sabe, 933-939291 é o número para o qual deve enviar a sua mensagem solicitando este Guia de Estudo, a Máquina Humana. Fica aqui a certeza de que lhe enviaremos se você enviar uma mensagem para a TV Novo Tempo ou para a Rádio RCS. Muito bem, vamos voltar outra vez à conversa porque nós estamos aqui num tema sob partilha e é muito importante nós desenvolvermos o máximo que pudermos dentro do tempo que temos. Eu gostava agora de podermos entrar aqui numa dimensão do testemunho dado com mansidão e temor. Vamos ver o que isto puder dar.

Testemunho com mansidão

1º de Pedro, capítulo 3, versículo 15, nós vamos encontrar aqui uma passagem muito interessante em que nós podemos ler o que Pedro nos disse sobre esta questão do testemunho com mansidão e temor. Diz-nos 1º de Pedro, capítulo 3, versículo 15. Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações, E estáis sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós." Rita, voltamos outra vez à conversa. Que equilíbrio bíblico deve existir, digamos que entre firmeza? E a firmeza aqui trata-se da doutrina, dos conceitos que nós tiramos da Bíblia e também da mansidão.

Ou seja, do modo como nós podemos apresentar esta esperança cristã que nos é dita aqui a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós. É muito interessante e é uma coisa difícil. Nós dizemos, é muito fácil. Não. Pelo menos para a minha personalidade é muito difícil. o que tem muito de energética às vezes também tem de explosiva e isto é difícil. Às vezes nós queremos ter razão, queremos levar a nossa avante e acabamos por perder as duas coisas. Ao longo da história, eu fico feliz de não ser a única e triste porque somos todos assim, mas vimos que em muitos momentos da história do cristianismo houve muita dificuldade em manter estas duas coisas. Se, por um lado, queremos manter-nos firmes no que a Bíblia nos ensina, fazer com que aquilo que a Bíblia nos ensina seja cumprido em amor, tem sido das coisas mais difíceis que nós podemos encontrar.

Mas podemos ir ao tempo de Jesus e percebemos que isto foi uma das coisas com as quais ele lutou. Às vezes falamos nos fariseus como sendo gente muito má. Mas qual era a história por trás dos fariseus? Eles tinham passado cerca de 200 anos em que tiveram dificuldades para se manter firmes nas suas doutrinas, para poderem ter seguido aquilo que sabiam que era o melhor e que Deus lhes tinha mostrado. Então, quando eles conseguiram fazê-lo, tornaram-se pessoas muito rigas e perderam a outra parte, que é a mansidão e o amor, ao fazer... isto. E aconteceu ali e aconteceu em muitos outros momentos da história. E a história está lá para nós aprendermos. Há um provérbio chinês que eu gosto muito que diz, aprende com os erros dos outros, não vais ter tempo para cometê-los a todos.

E isto ensina-nos a nós que temos que aprender com aquilo que a história nos mostrou. Há uma necessidade constante do equilíbrio entre estas duas coisas. E como é que nós vamos encontrar o equilíbrio nestas duas coisas? Quando nos centrarmos na segunda. Eu costumo dizer, muitas vezes, que o problema é que o cristão tem uma visão de que a salvação vem por aquilo que ele faz e não que aquilo que ele faz é porque lhe vem a salvação. Quando nós fazemos uma coisa porque temos que fazê-la, vou dar aqui um exemplo, quando eu sou obrigada a fazer muitos sacrifícios para conseguir uma coisa, quando a outra pessoa não faz os mesmos sacrifícios, eu exijo que ela faça como eu faço e isso vem aquela dureza, ok?

Quando eu faço uma coisa com uma resposta de saber que aquilo que eu estou a fazer é o melhor para mim, para aqueles que estão à minha volta, para o planeta Terra e para todos, então, independentemente do que o outro já esteja a fazer ou não, eu vou ter a capacidade de o fazer com muito mais amor, com muito mais mansidão. E, se calhar, vou ter muito mais a capacidade de ajudar a pessoa a encontrar isto que eu já encontrei. Esta é uma verdade muito maior e muito mais concreta quando falamos de cristianismo e quando falamos de amor a Deus. Quando falamos da partilha do amor a Deus. Quando eu encontrei Jesus. Descobri que Jesus morreu por mim. Quando eu descobri tudo o que Ele continua a fazer diariamente na minha vida. Quando eu descobri que mesmo quando eu faço a geneira Ele está lá para me chamar outra vez.

Quando eu descobri que nos momentos bons, nos momentos maus e nos momentos mais ou menos, ele está sempre ao meu lado. Quando eu percebi isto, quando isto faz sentido, eu quero que outros percebam isto. E eu não os vou obrigar. Eu vou-lhes dar. Porque é uma coisa que eu descobri que é boa para mim. Isso é uma coisa que me mudou. No meu caso, quando eu conheci Jesus, ele mudou completamente a minha vida. Para muito melhor. A vida começou a ter um sabor, fazer sentido. Então, eu não tenho de te obrigar a fazer como eu faço. Eu tenho é que te mostrar Jesus. E quando tu conhecer Jesus, tu também vais querer fazer como eu faço. Então, se calhar, temos que traduzir verdadeiramente o que é que significa temer ou temor, não é?

Exatamente. Não é ter medo. é compreender, é ver aquilo que o Senhor fez e dizer isto é incrível. Então eu vou querer que isto seja para todos, porque isto é muito bom. Então não é o temer que nós pensamos de ter medo, mas saber que o poder que Deus tem é tão grande que me espanta de tal maneira que eu quero que isto seja partilhado para todos. Então, isto deixa de ser uma dificuldade. Quando eu vou pelos caminhos certos, quando eu me centro no mais importante, é a segunda parte, é a mansidão e o amor. E então, a outra parte vem como consequência. Faz todo sentido. Sabes que eu gosto muito de uma passagem que está em Provérbios capítulo 8, versículo 13, que diz que o tumor do Senhor é odiar o mal.

Exato. Ou seja, não é ter medo. Não. É um procedimento contra o mal. É fazer com que aquilo que é mau eu sei que é uma consequência e que me vai fazer mal e então eu quero fazer tudo contra isso. Mas só que nós só não conseguimos perceber isso quando percebemos que tudo aquilo que Deus me pede na Bíblia, Ele não me pede para me humilhar, para me baixar, Ele pede sempre para me exaltar, para me fazer ser melhor, para me fazer crescer. E é quando eu percebo isso deixa de ser um sacrifício e passa a ser um prazer. E quando eu te levo um sacrifício é diferente de quando eu te levo um prazer. Se eu te levo um remédio que tu tens de tomar que faz-te bem mas sabe mal, é muito diferente de se eu te levar uma coisa muito docinha que eu sei que gosto muito e digo, vai, experimenta-se, faz-te bem e é muito bom.

Quando nós levamos Cristo assim, experimenta, porque um dos meus textos favoritos na Bíblia é provar e ver que o Senhor é bom. Prova, experimenta e vais ver que vais fazer a diferença. É muito diferente eu chegar ao pé e dizer, tens que fazer porque se não fizeres vais morrer e não vais mais existir. E muitas vezes esta é a diferença e por isso falta-nos esta parte. Muito bem. Vamos avançar nesta questão da partilha.

A ternura de Deus

Seguindo aqui, digamos, a motivação que a Rita nos colocou, há aqui a necessidade de nós podermos encontrar uma outra passagem agora em Jeremias. Vamos a Jeremias. Convido-vos a colocarem-se em Jeremias, no livro de Jeremias. Capítulo 31, para lermos o versículo 20. 31 de Jeremias, versículo 20 diz, não é Efraim meu filho precioso, filho das minhas delícias? Porque desde que falo contra ele, me lembro dele com ternura. Por isso as minhas entranhas se comovem por ele. Certamente dele me compadecerei, diz o Senhor." Pedro, este versículo é extraordinário, não é? É de um amor e de uma revelação do coração de Deus impressionante, não é?

O que é que esta revelação, digamos, do coração de Deus, das próprias entranhas, vamos dizer assim, do próprio Deus, da essência de Deus, nos ensina sobre o que é termos uma postura diante daqueles que, por exemplo, se afastaram da fé, daqueles que se calhar não acreditaram na fé que tinham. Sim. Realmente, a questão da partilha e do testemunho tem uma dimensão um pouco específica junto daqueles que ou se afastaram da fé, que deixaram os valores e os princípios em que acreditaram, ou até mesmo, podíamos incluir aqui, aqueles que, de uma forma bastante evidente, a rejeitam. Uma vez que estamos a falar sobre como é que nós damos fruto, como é que somos o sal e a luz do mundo.

Temos que também pensar sobre esta dimensão particular, que é, não estamos... Grande parte dos nossos contactos, das pessoas com quem lidamos no dia-a-dia, não são sempre aquelas pessoas que nunca ouviram falar disto, que estão aí num mundo de trevas e de repente descobrem uma coisa nova. Ao contrário, se calhar, muitas vezes nós lidamos com pessoas que conhecem precisamente estas grandes verdades bíblicas, conhecem Jesus, E depois temos mesmo esses casos daqueles que já tiveram uma relação profunda com Jesus. Alguns até pessoas com quem nós partilhámos momentos e a experiência da fé e depois vêmo-los deixar essa experiência. E aí é interessante, claro, pensar sobre como é que a Bíblia nos ilustra, nos dá luz sobre como lidar com essa realidade.

E aqui o texto de Jeremiés, todo este capítulo 31 é muito, muito bonito. Está cheio de metáforas sobre esta realidade, que aqui é usado Efraim, e que no fundo se refere a esta ideia de que é um filho precioso, que tem o amor do pai, mas que já teve que receber algumas mensagens mais duras, que aqui o texto diz falar contra ele, Precisamente porque, e aqui vem... O versículo é quase autoexplicativo, porque diz eu falo contra ele porque me lembro dele com tornura. E isto parece um contrassenso enorme, não é?

Se nos lembramos dele é porque ele está longe, não é? Isso. Supostamente nós não nos lembramos de uma pessoa que está pertinho de nós, que vive connosco, não é? Esta ideia de como é que se pode ao mesmo tempo falar contra alguém, mas fazê-lo porque nos lembramos com tornura. Nós sabemos que esta realidade é perfeitamente conciliável e possível. Basta pensar que nós, normalmente, as pessoas que mais amamos, as pessoas a quem mais queremos na vida, são com frequência as pessoas a quem mais dizemos coisas duras. Que é para não dizer sempre. Eu não vou dizer nada duro, profundo, com muita intensidade a uma pessoa que não me diz absolutamente nada.

Eu falo com mais intensidade na medida em que é intensa a relação que eu tenho com alguém. Por isso é que os pais às vezes são um pouco chatos com os filhos. É verdade. Porque, é claro, tanto querem o bem dos filhos, que às vezes falam contra eles. Isto obviamente tem de ser medido com sabedoria, caso contrário, isto pode tornar-se numa forma apenas de rebaixar e amesquinhar, de faltarem palavras que erguem, que reconhecem o bem. Às vezes temos esta facilidade que é muito humana de ser muito fácil ver o mal. e as coisas que não estão bem e ser muito difícil ver o que está bem, o que é bem feito, tudo isto são realidades que fazem parte da nossa vida, e por isso mostra-nos como realmente, também na partilha cristã, no testemunho da nossa fé, este equilíbrio é muito importante.

Ou seja, nós devemos olhar para aqueles que não têm fé, que rejeitam a fé, ou até que se afastaram dela, com este conceito de serem pessoas preciosas, Porque é isso que o texto aqui nos mostra. Lembremos sempre disto, Jesus disse, o Filho do Homem veio para buscar e salvar o que se havia perdido. Portanto, quando alguém até se afastou, essa pessoa o que fez foi que voltou ao caminho de estar perdido, o que significa que as promessas de Cristo se renovam ainda mais para essa pessoa. O apóstolo João disse, na primeira carta de João, capítulo 3, e o versículo 1 diz assim, vede com grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus.

Fôssemos chamados aqui é uma expressão, parece um pouco estranha, e ela é central aqui, que é, nós não merecíamos ser filhos. Então nós fomos chamados filhos, que é a ideia de ser adotado. Então, eu fui adotado. Porque eu não merecia, porque eu falhei, porque o meu temperamento, a minha natureza, as minhas tendências são terríveis. Então, o amor de Deus resgatou-me disso. E agora o que é que eu faço para o outro que ainda não foi resgatado? A única alternativa lógica, razoável, é eu. Eu tenho para ele o mesmo amor que desejei que antes Deus tivesse para comigo. Lembra aquela célebre parábola do homem que tinha uma grande dívida para com o senhor, o rei, pediu misericórdia para com a sua dívida porque nunca a podia pagar e o rei disse, ok, vai, em paz, e perdeu-lhe a dívida.

E depois ele mesmo chega à rua, tem um desgraçado que tem uma dívida com ele e ele foi terrível e mandou-o para a prisão. É uma parábola incrível para ilustrar este facto de que nós, se não olharmos com ternura, com o coração totalmente sensível por uma pessoa que não quer a mesma fé, que não quer Jesus na sua vida, esquecemos que nós já fomos assim. Ou que muitas vezes somos assim. Porque isto não é uma coisa... Ok, entrei, agora estou aqui no clube dos bons, dos santos, coitados dos outros, eu estou sempre a sair para fora do clube. Há um exemplo muito interessante na Bíblia, que é o exemplo de Pedro. Ele entrou, foi o Pedro que foi, de repente quando Jesus morre, ele traz Jesus e afasta-se completamente dele.

Ou seja, nós muitas vezes vivemos este quadro. E esse estava entre os discípulos. Pedro estava entre aqueles que lá em Samaria disse a Jesus, senhor, queres que a gente faça já descer fogo do céu para os consumir? Lá está, porque aqueles não estavam supostamente no clube dos certos. E depois foi esse mesmo que negou e blasfemou do nome de Jesus. Quer dizer, quem é que estava melhor? Os de Samaria, que não conheciam Jesus, nem o aceitavam e nem o quiseram ouvir, ou este desgraçado que era discípulo de Jesus, mas depois... traio e blasfema dele e engana, parece-nos evidente que Pedro estava muito pior. E é curioso ver que depois Jesus, como diz aqui a passagem, me lembro dele com ternura ao próprio, Jesus vai ter com ternura, vai ter com Pedro com muita ternura. Fez a Pedro aquilo que Pedro não queria fazer em São Maria.

Isso. Que é olhar para a pessoa. Nós podemos até reconhecer que está mal, mas ter profunda ternura pela condição daquela pessoa. É aqui que o exemplo de Jesus é maravilhoso. Jesus dizia ser misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso. Lucas 6, 36. Portanto, esta postura de misericórdia e ternura é absolutamente essencial para compreender o efeito de que a missão é mais bem sucedida no contexto da graça. Isto nós precisamos de entender. Porque a graça é a única solução para todos os que estão perdidos. Todos. Sempre foi assim. Isso é assim desde o Éden. Quando Adão e Eva fugiram e se esconderam de Deus, naquele momento estavam condenados.

A graça de Deus manifestou-se desde o primeiro dia em que o pecado entrou nesta terra, a narrativa bíblica mostra isso, precisamente porque Deus vem em busca do que está perdido. A única coisa de Deus que tinha que fazer, se quisesse, era afastar-se e deixar aqueles dois desgraçados ali, que eles iam tratar de se autodestruir em pouco tempo. Mas Jesus vem e apresenta o caminho e a solução, por isso é que As pessoas que estão afastadas, na verdade, estão mais carentes de graça. Qual é o princípio bíblico? Onde abunda o pecado, só há uma alternativa. É superabundar a graça. Eu gosto muito desse momento porque, quando nós lemos, vemos que Deus, antes do momento em que lhe diz todas as consequências, antes disso, dá-lhe o plano da salvação.

E esta é a expressão da graça, não é? Primeiro Deus diz assim, olha, eu amo-te tanto que eu já tenho a solução. Mas até lá tu vais ter que passar por algumas coisas. Mas eu já tenho a solução para ti. E esse é o amor e a graça de Deus. É isso. A última nota é para dizer que tudo isto que eu aqui estou a dizer neste momento, baseado nestes vários textos, não significa, não retira em nada, de que o amor verdadeiro, a graça de Deus por alguém, e o nosso carinho e vontade que alguém realmente volte para Jesus, este amor e compreensão não retiram que nós podemos e devemos ter uma ação ativa para a restauração do outro. Porque se eu amo o outro, é evidente que eu vou fazer o que estiver ao meu alcance.

Por isso, nunca esqueçamos que a Bíblia também diz, que dizia o apóstolo Paulo de Timóteo, que Deus quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade. Portanto, é preciso ter uma ação Ativa seria uma redundância, mas é preciso estar disponível para agir e compreender, ou seja, procurar aquele que está perdido. Ver o que é que eu posso fazer para o ensinar e estar ativos no processo de restaurar aqueles que estão perdidos. Isso também é muito importante. Eu creio que talvez, não vou dizer como remato, porque a conversa nunca poderá ser rematada, quando nós extraímos as coisas da Bíblia temos sempre mais para aprender, mas eu diria que talvez pudéssemos incluir aqui um último conceito que

A plenitude de Cristo

foi o apóstolo Paulo que escreveu em Efésios, capítulo 3. Eu gostava de ler convosco e também com todos aí em casa. Efésios, capítulo 3, versículos 17 a 19. Porque é muito importante vermos este conceito e agora explorarmos um pouquinho esta ideia. Diz que para que Cristo, habite pela fé nos vossos corações, afim de, estando arraigados e fundados em amor, podermos perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura e o comprimento e a altura e a profundidade e conhecer o amor de Cristo que excede todo o entendimento para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus. Ou seja, o que eu gostava agora que nós pudéssemos de alguma forma desenvolver nos minutos que ainda temos é esta questão de Cristo habitar em nós, nos nossos corações.

Inês, a pergunta é dirigida a ti, todos nós podemos, enfim, meter um pouquinho a nossa colher se entendermos que... Mas Inês, de que forma Uma experiência profunda do amor de Cristo em nós é a condição indispensável para um testemunho autêntico e, ao mesmo tempo, um testemunho transformador na vida daqueles que vivem à nossa volta. Eu queria dizer que é a única forma. Como é que eu posso testemunhar de Jesus se eu não tive um verdadeiro encontro com ele? Se não vivi uma experiência transformadora já, eu na minha vida? Se não vi a graça dele de perto? Posso falar de ideologias, convicções, dizer que ir à igreja é bom, ou então não falo de nada porque não tenho nada para dizer também.

E se calhar às vezes é o que vai acontecendo. Não temos nada para partilhar, não partilhamos. Infelizmente, não é? Aqui neste texto nós vemos que Paulo sonha, é o sonho dele, que os seus destinatários possam realmente fazer a experiência de Deus nas suas vidas. Porque Paulo tinha esta experiência. Paulo aprendeu a conhecer Cristo e a vida dele foi transformada completamente. Ele não era a mesma pessoa. De Saul a Paulo são duas pessoas diferentes. E ele sabe que isto mudou tanto a vida dele, que ele queria que estas outras pessoas pudessem fazer a mesma experiência. Aqui, no início, alguns versículos mais cedo, no capítulo 14 deste mesmo capítulo, Paulo diz, por esta causa, me põe de joelhos diante do pai.

Ele põe-se de joelhos, ele está a orar por estes destinatários, porque ele tem uma ânsia no coração dele, é que todos possam experimentar Cristo, todos possam viver a plenitude de Deus e ter aqui conhecer o amor de Cristo, sim, que isso é todo o entendimento, porque isso ninguém vai poder compreender nunca nesta terra, este amor. mas eu disse para que sejais cheios da torna, da plenitude de Deus. Este é o sonho de Paulo, para cada um de nós. Já para as pessoas primeiras a quem ele escreveu esta carta. E é isto que depois vai fazer com que tenhamos um testemunho eficaz. Um testemunho eficaz não é porque eu fiz uma boa estrutura, é porque ele veio da experiência que eu fiz e tive com Deus.

Tenho aqui um ideiamente bom. Rita há bocadinho já me ensinou este adoçar, não é? E eu pensei no açúcar. Porque alguém poderia falar-nos do açúcar, poderia-nos dizer que dá gosto, que é uma delícia. Mas se nós não provarmos, como é que vamos saber qual é o sabor do açúcar? É o mesmo com Deus. Nós, em primeiro lugar, para termos um testemunho eficaz ou transformador, não sei bem qual era a fórmula da pergunta, autêntico e transformador. Algo que seja autêntico é que me diz respeito, não é? Eu vivi, eu não estou a mentir. É algo que eu vivi, não é? Eu preciso, em primeiro lugar, de experimentar Deus, de provar quem Ele é, de o deixar adoçar a minha vida.

Mas se nunca comi açúcar, se nunca experimentei viver com Deus, o que é que eu vou dizer dele? Então Paulo já sabe o que é viver na presença de Deus e ele quer que nós, ao provarmos e vivermos esta mesma experiência que ele viveu, que possamos então também de maneira automática, não é? Vai ser inevitável testemunharmos e que este testemunho seja autêntico e transformador. E vamos também testemunhar nas circunstâncias acertadas. E sabemos que Deus fará a sua parte. Porque é Deus que convence do pecado, é Deus que transforma a vida dos outros. E nós somos só chamados a ser testemunhas. É Deus que vai tocar o coração e fazer o que há para fazer.

Muito bem. Temos um minuto. E eu vou pedir que vocês possam, num minuto, os três, nem é um minuto para cada um, é um minuto para todos, uma ideia para fecharmos este tema da partilha. Pedro? Eu utilizaria o texto de Jesus na parábola. Lucas 15, quando Jesus disse, qual de vós é o homem que, tendo cem ovelhas, não vai após a perdida? Por isso, a missão é também o reconhecimento de que há ovelhas que precisam de voltar ao aprisco do pai e nós podemos ter um papel nisso. Muito bem. Inês? Para mim, aquilo que Paulo está a dizer neste texto, que acabei de mencionar, é termos nós também esta mesma vontade, ansiedade de ver as pessoas salvas, de ver estas pessoas a viver e a experimentar Deus verdadeiramente, que isto seja também a nossa maior vontade na nossa vida.

Inês, Rita? Volto àquele texto que eu gosto muito e que eu convencionei, provado e ver que o Senhor é bom. Ou seja, é um convite constante de Deus, não tem a ver com quem é o Jorge, quem é o Pedro, quem é Inês, quem é Rita, mas aquilo que o Senhor já fez em nós. E a única forma de se perceber isso é provando, experimentando. Então eu acho que o convite a experimentar Deus é a última coisa que eu gostava de dizer hoje. Fica aqui o reto para nós os quatro, digamos assim, mas também para todos aqueles que estão lá em casa ou nos estão a ouvir através da Rádio RCS, a questão de procurarmos o nosso Deus e provarmos o nosso Deus. Antes de nos irmos embora, quero mesmo só falar-lhe da máquina humana. Provavelmente precisa, e é bom que tenha este guia de estudo consigo para que possa perceber claramente que a nossa saúde é uma necessidade urgente, Todos nós temos necessidade de estruturarmos a nossa saúde e ao mesmo tempo podermos ver qual é o plano divino para a nossa saúde.

Está tudo neste guia de estudo. Basta que envie uma mensagem para o 933 93 92 91 e será oferecido um exemplar para si e para todos aqueles que necessitam deste guia de estudo. Quanto a nós, já sabe, voltamos na próxima semana com um novo tema, com uma nova equipa, que o Senhor possa abençoar.

Sobre este episódio

Neste episódio, somos convidados a refletir sobre o verdadeiro significado da partilha na vida cristã. Mais do que palavras, partilhar é viver diariamente uma experiência com Deus que se reflete em cada gesto, atitude e relacionamento.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 6 · Episódio 12
Estreou
13 de Junho de 2026
Categoria
Espiritualidade