Estamos de volta para mais um episódio do programa A Bíblia Aberta. É sempre muito bom podermos voltar à sua presença, estar consigo, seja em casa, seja na rua, porque temos a oportunidade de estar consigo onde você se encontra. Através do canal 186 da Mel, a TV Novo Tempo transmite 24 horas sobre 24 horas e o programa A Bíblia Aberta está, digamos, no elenco da programação desta TV que é uma TV de esperança, um canal onde você encontra realmente mensagens de índolo espiritual para crescimento da sua fé. Mas também, se não puder estar connosco ou se não tiver a operadora Mel, poderá estar ligado a nós através da Rádio RCS para a Grande Lisboa nos 91.2 FM.
É sempre aqui que também estamos semanalmente e se tiver oportunidade de nos ver ou de nos ouvir, acredite que nós tudo faremos para que você encontre Jesus através da Bíblia e possa assim encontrar também as grandes verdades que fazem a diferença na nossa vida. Estamos cá todas as semanas e temos sempre uma equipa de vários amigos, de várias pessoas que lidam, que tratam, que estudam, que praticam, no fundo, a sua fé a partir dos escritos da Bíblia. Hoje voltamos a ter o Pedro Esteves. Olá, Pedro. Sejas bem-vindo. Voltamos a ter a Inês. Olá, Inês. Mais uma vez. E hoje, comigo, creio eu, que é a primeira vez, temos a nossa querida Rita. Olá, muito bom dia. Tudo bem? Obrigado por voltares a este programa.
E nós vamos iniciar o nosso estudo de hoje, a nossa reflexão e também a nossa conversa, através de um tema que é muito interessante.
Hoje vamos falar de contratempos. Provavelmente você já teve vários contratempos na sua vida. Hoje nós vamos dar aqui alguns exemplos de contratempos que a Bíblia nos apresenta. Isto com a necessidade de nós crescermos numa relação com Deus. Para isso, nada melhor do que começarmos com uma passagem bíblica e eu lanço-lhe o desafio de poder abrir a sua Bíblia em Marcos capítulo 4 para lermos dois versículos. Marcos capítulo 4 para lermos o versículo 40 e o versículo 41. Ele disse aos discípulos, pois sois tão tímidos, ainda não tens fé? Eles sentiram grande temor e diziam uns aos outros, quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?
Inês, temos aqui uma situação que Jesus viveu com os seus discípulos. Os seus discípulos viveram uma situação de contratempo, vamos dizer assim. Como é que os tempestados podem revelar a qualidade da nossa fé e, ao mesmo tempo, o tipo de fé que nós podemos ter e que Jesus espera, claramente, de cada um de nós? Nós já sabemos, já temos visto, não é pessoalmente, cada um das nossas vidas, que a vida nesta terra tem altos e baixos. Mesmo sendo nós filhos de Deus. Digo isto porque às vezes nós até poderíamos pensar que porque somos filhos de Deus e cristãos estaríamos protegidos de todos os males, mas as coisas não são bem assim.
Nós temos... E não é porque somos filhos de Deus que não vivemos nesta terra de pecado e não somos atingidos pelo pecado. O pecado não são só coisas que nós fazemos, mas é tudo aquilo também que nos faz sofrer. E ainda que Deus ponha a sua mão na nossa vida e nos proteja de tantas coisas e nos acompanhe, mais cedo ou mais tarde nós vamos atravessar tempestades. E nós vemos aqui neste texto que os discípulos estavam a atravessar uma grande tempestade. Estavam ali no mar. Muitos deles eram pescadores e estavam também habituados... Familiarizados com aquele lugar, não é? Com a vida do mar. Com a vida do mar. Eles sabiam que poderia haver tempestades. O que é certo, não eram todos formados em pescadores, vamos dizer, não é?
Mas o que é certo é que eles ficaram em pânico. Estavam ali super preocupados, não sabiam como fazer e até vão dizer a Jesus que estava a dormir, não é? Porque o versículo anterior vai nos dizer que Jesus estava na popa dormindo sobre o travesseiro, não é? Então Jesus estava ali completamente em paz no meio desta tempestade. mas eles vão dizer, mestre, não te importa que pereçamos. Então, a reação deles é que eles têm a sensação que Jesus não está muito preocupado com aquela situação e que toda a gente pereça nesta tempestade, não é? E podíamos dizer, mas onde é que está a fé destes discípulos?
Não significa que não tenham fé, não é? Mas acho que é uma questão que nós podemos pôr já é como é que nós integramos a fé nas nossas tempestades. E esta também deve ser uma questão que estes discípulos puderam depois, mais tarde, começar a refletir, porque muitas vezes as nossas primeiras reações, quando a tempestade acalma, nós vamos poder pensar, mas porque é que eu reagi desta maneira? O que é que aconteceu? Porque como e com a ajuda de Deus, se quer numa próxima tempestade eu posso reagir de outra maneira, não é? Ou seja, nós vemos aqui os discípulos completamente bloqueados e Jesus era o único que não estava bloqueado, ou seja, era o único que conseguia encontrar uma solução. Porque quando estamos com um bloqueio é difícil nós encontrarmos soluções, não é?
Que soluções? Eles não têm controle sobre a situação. E é esta falta de controle sobre a situação que faz com que nós, no nosso lugar, de pessoas que estão a atravessar uma tempestade, ou os discípulos, possam vir a ter uma reação destas. Falta-nos o controle. Mas, então, quem é que está no controle? Temos de ser nós ou é Deus? E as tempestades revelam, então, muitas coisas sobre nós e a nossa fé. porque nós não podemos, se calhar, medir em qualidade, mas aquilo que Deus mais quer é que nós possamos aprender a conhecê-lo de perto, a confiar inteiramente nele, e isto é pormos também a nossa vida nas suas mãos.
de maneira a andarmos em paz como Jesus. Isto só pode acontecer se já estivermos nesta caminhada. E até podemos ter momentos de stress e angústia. Não é porque somos cristãos que não vamos ter um momento de stress e de angústia. Mas o importante nestes momentos de stress e de angústia que podem servir como aqui uma bandeira vermelha, um red flag, dizer ok, isto aqui é um sinal que eu preciso entregar tudo o que eu estou a sentir a Deus. Estou a viver uma tempestade, não sei como reagir, não tenho os dados nas minhas mãos. Mas quem é que pode gerir? Quem é que pode acompanhar? Quem é que pode acalmar a tempestade? Nem que seja a tempestade interior. Às vezes a tempestade exterior não se apazigou assim tão rapidamente.
Mas qual é a minha atitude e a minha posição diante desta tempestade é aquilo que já está a acontecer dentro de nós, não é? E isto são os milagres que Deus pode fazer na nossa vida. E eu realmente tenho vivido, já de maneira pessoal, todos estes milagres. Mas isto implica entrega, oração. E é isso. Assim que eu começo a estar mais agitada, eu digo, ok, tenho de me entregar. Tenho de dizer ao Senhor que é Ele que tem de tomar conta desta tempestade. Porque eu quero estar em paz. Qual é o interesse da minha vida? a eu estar super estressada e não deixar a minha fé me levar. Então Deus quer realmente que nós possamos, e é isto que tipo de fé Jesus espera em tempos de crise, Jesus espera que nós possamos confiar nele porque vai ser bom para nós.
Vamos estar nós em paz e ele sabe que ele pode gerir. Ele podia gerir esta tempestade, tanto que ele disse ali umas palavras e ficou tudo calmo, não é? Então, se ele pode gerir esta tempestade, ele pode gerir todas as tempestades. À sua maneira, não à nossa, e isso implica a confiança total, não é? não há tempestade que não traga sofrimento. Quer queiramos, quer não, não é? Podemos fugir um pouquinho a esse sofrimento, podemos ter a sorte de não sofrermos demasiado, mas não há tempestade que não traga sofrimento e perante esse sofrimento o que nós temos que viver é imperceberança, ou seja, tentarmos contrariar esse possível sofrimento. Eu gostava de ler convosco uma passagem de Marcos, capítulo 5.
É só virarmos a página para o capítulo 5 E podermos encontrar aqui uma experiência vivida por uma mulher. É uma experiência fantástica. Se tiver oportunidade, depois leia todo o episódio a partir do versículo 21 do capítulo 5 de Marcos, porque ela é deliciosa, sobretudo por vermos a perseverança desta mulher perante o sofrimento. Mas eu gostava de retirar daqui dois versículos. O versículo 28 e depois o versículo 34. E no versículo 28 diz que dizia ela, se tão somente tocar nas suas vestes serarei. Esta expressão desta mulher refere-se a Jesus. Se tão somente tocar nas vestes de Jesus, eu tenho a certeza que vou ficar curada.
E se formos ao versículo 34, diz que ela procurou, chegou, tocou e Jesus disse-lhe filha a tua fé te salvou vai em paz e se curada deste teu mal.
Rita Afinal de contas, qual é a diferença que nós podemos ter entre estar perto de Jesus e aproximar-nos de Jesus, pela fé, e o que é que isto traz de implicações para a nossa vida espiritual enquanto membros de uma igreja, enquanto fiéis, crentes em Jesus? Estes versículos todos estes é, de alguma forma, a ilustração da resposta que tu perguntaste. Estamos a falar de uma mulher. Este texto refere-se a uma mulher que estava a passar por um momento muito difícil da vida dela. Tinha gasto tudo o que tinha a tentar encontrar médicos que a curassem, que resolvessem o problema dela. E o problema dela era muito grave. Se calhar muito mais grave do que aquilo que nós hoje...
Hoje uma mulher com hemorragia sofre. Mas aquela senhora estava completamente fora da sociedade. Porque uma mulher que estivesse nas qualidades em que ela estava, não podia estar junto das outras pessoas, não podia tocar nas outras pessoas. E aquilo que a Bíblia nos mostra é que esta mulher já estava nesta situação há muito tempo. Ou seja, era considerada imunda. Era uma pessoa impura, não podia tocar em ninguém. Imagina o que é viver anos da tua vida sem poder ter o toque humano. Aliás, a Bíblia diz que foram cerca de 12 anos. Imagina 12 anos sem poder sentir o toque humano. Aqui isto é a gravidade da situação desta senhora. Há 12 anos que ninguém lhe pode tocar. Que ela não pode viver em comunidade e em sociedade. E agora ela ouve falar que Jesus, aquele homem incrível que estava a mudar a história, estava a passar perto dela.
E ela olha e pensa, este sim é o único que me pode ajudar. e ela vai contrariar tudo, ok? Porque o que ela vai fazer é contrariar todas as regras, aparentemente. Vai para o meio de uma multidão, lembra-se de que não podia tocar em ninguém, e ela vai tocar na veste de Jesus. E ao mesmo tempo que vivemos... O que não era fácil chegar a Jesus, não é? Não, porque... A multidão era grande. E o texto é muito divertido. Eu gosto muito deste texto e eu acho subevamente divertido. Porque Jesus faz uma pergunta quase tonta. Quem é que me tocou? Então, ele está completamente rodeado de uma multidão imensa, ok? A multidão aperta-o de um lado, aperta-o do outro. E Jesus... vira-se para os discípulos e diz, ó pastor, quem é que me tocou?
E os discípulos respondem, ó senhor, estás a ser amassado por toda a gente e estás a perguntar quem é que te tocou? Porque isto é a tua pergunta. Claro. Ons tocavam no ídolo, tocavam na pessoa, apertavam o influenciador magnífico. Estavam perto, não é? Estavam perto no sentido de, uau, este é... E esta mulher não. Esta mulher foi em contra do Salvador. E as vestes de Jesus não eram mágicas, não tinham nada de especial. Não foi porque ela tocou no vestido dele que foi curado. E Jesus sentiu o toque dela porque sabia que aquela mulher, no meio daquela multidão toda, era alguém que não olhava para a vedeta que passava, mas olhava para o Salvador.
E é por isso que o toque dela vai ser diferente do toque de todas as outras pessoas. Voltando à tua pergunta, como é que isto é importante para nós hoje? Como é que eu hoje olho para esta história e percebo que a minha fé vai ter uma ação diferente? É porque quando a fé vem ao nosso encontro, quando nós temos a certeza de que Cristo não é só alguém que existe, mas Ele é o Salvador. Ele é o Criador, Ele é o Redentor. Ele é aquele que tu podes tocar quando estás privada do tudo, não é? Quando não podes tocar em mais ninguém. Quando é aquele que te vai suprir a tua maior necessidade de toque de amor.
Então, quando Ele é este, então tu vais a Ele e então o teu toque é diferente, porque é pela fé. Eu gosto muito de um texto que encontra-se em Mateus, no capítulo 11, No versículo 28 e 29 que diz... Quando nós vamos ao encontro de Jesus assim... aberto de tudo, entregue de tudo, então o toque vai ser diferente. Nós, como congregação, se formos para o clube social, onde existem pessoas que vestem como eu visto, que comem como eu visto, que estão como eu estou, ou vou porque eu tenho que ir, é uma coisa.
Agora, se eu vou, se eu me congrego, se eu estou junto, porque eu sei que vou encontro deste, que é o único que me consegue trazer amor e alívio à minha alma, Então, eu estou a ir da forma certa. E é esta a diferença para todos nós como cristãos. Estamos a ir ao clube social, estamos a ir ao clube de amigos, às pessoas que nós conhecemos, ou estamos a ir a Cristo. E nessa perspectiva que tu estás a dar, houve um exemplo muito importante. Talvez, se calhar, tirando o de Jesus, se calhar é o exemplo que nós mais referimos quando, porventura, falamos de fé, de sofrimento e de perseverança. que é o exemplo de Jó. E quando nós vamos ao capítulo 19 de Jó, para lermos os versículos 25 e 26, que é uma passagem subejamente conhecida dos cristãos.
Aliás, eu acho que todos nós olhamos para esta perspectiva e dizer, quem me dera a mim ter a fé de Jó, quem me dera a mim ter a capacidade que Jó teve para dizer estas palavras. Mas em Jó capítulo 19, versículos 25 e 26, diz, porque eu sei que o meu Redentor vive. e que por fim se levantará sobre a terra, e depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne, eu verei a Deus." A certeza que este homem tinha perante a perspectiva divina daquilo que o Senhor Deus é capaz de fazer.
Pedro, eu gostava que nós pudéssemos de alguma forma poder perceber aqui como é que a esperança escatológica sustentou a fidelidade e a confiança de Jó, e ao mesmo tempo que papel esta esperança deve ter, quando enfrentamos as perdas e quando temos contratempos na nossa vida. Sim, é um tema muitíssimo importante. Talvez decifrar aqui a palavra que utilizaste, que é muito relevante aqui neste contexto de jogo, que é a palavra escatológica. Há uma diferença entre ter esperança, É claro que a esperança é um conceito que se pode aplicar de muitas maneiras. A esperança também é uma experiência que se tem fora do universo religioso. E aí é muitas vezes ter esperança de que as coisas vão correr bem.
Ter esperança de que este negócio que eu vou fazer vai ser bem sucedido. Depois mesmo na fé há a esperança de que Deus está connosco, que está ao nosso lado. Quando definimos esperança escatológica, é assim um termo um bocado técnico, embora talvez já conhecido para muitos, mas pode ser para alguém que está connosco que o termo não lhe parece muito familiar, tem a ver com a esperança de que Deus vai ter a última palavra. A escatologia é tudo o que tem a ver com o final das coisas nesta Terra. Ou seja, esperança escatológica é a firme convicção uma fé profunda de que não apenas Deus vai ajudar-me a resolver o problema agora. No presente. No presente. Porque alguns problemas não se vão resolver agora.
Por exemplo, se eu tiver uma doença degenerativa, e muitas pessoas, ainda há pouco tempo tive conhecimento de uma pessoa que faleceu com uma doença degenerativa, essa pessoa já sabia há mais de um ano que aquela doença era imparável. A não ser que houvesse, obviamente, não estou a retirar a hipótese de Deus fazer um milagre absolutamente sobrenatural. Tirando esse cenário, enquanto há doenças que nós ainda esperamos que as coisas corram melhor ou que a pessoa venha a curar-se, há estes casos de doenças que sabemos que o final é aquele. Então a pessoa vai ter esperança em quê? Se ela já sabe que é só uma questão de tempo. Aí entra esta esperança que não é nesta terra, não é para este tempo. É uma esperança para o que está por vir, para o que Deus tem preparado para o futuro.
É muito interessante. Aliás, o Jó dizia mesmo, contudo ainda na minha carne verei a Deus, ou seja, tem que haver aqui um futuro, não é? É isso. Não é somente um presente. Ele sabe que mesmo que morra agora e que a sua carne agora lhe aconteça o processo normal de quem morre, a sua carne voltará a ser-lhe dada. Esse conceito, no fundo, é quase uma protoprofecia sobre a volta de Jesus, que no tempo em que o texto de Jó é escrito, não havia ainda um conhecimento, uma revelação muito clara, como nós cristãos temos, sobre especificamente o que é a volta de Jesus. E a ressurreição. a traição dos mortos, o facto de que Jesus virá em glória, tal como para o céu o vimos ir. Todos estes são conceitos que nós conhecemos bem, porque depois a Bíblia, especialmente o Novo Testamento, vai explorar.
Jesus deixou essas promessas. Os apóstolos explicaram detalhadamente como é que este mundo vai terminar. Alguns acontecimentos que antecedem esse fim, mas que depois Jesus vem, de que haverá uma separação, obviamente, entre aqueles que renderam a sua vida a Jesus. Jó é interessante porque, tão longe de todo este conhecimento, tinha uma percepção profética, que é diferente de ter uma revelação profética. Uma revelação profética é uma coisa que foi dada especificamente a um profeta através de um sonho, de uma visão, de uma revelação clara e a pessoa escreve. Deus mostrou-me isto. Jó, como claramente não tem isso, eu falo aqui do que seria uma perceção profética. E essa questão ajuda a viver o presente, não é?
É exatamente isso. Este contexto aqui leva-nos agora. Então como é que Jó Para não resumirmos aqui toda a história dos homens que passou por sofrimentos dramáticos numa questão obviamente envolvida num grande conflito. Sabemos que foi Satanás o inimigo que diretamente o vai tocar e aí ele vai perder a família, os filhos, os bens e depois perde a saúde, passa por um sofrimento atroz a todos os níveis. Já agora estás a falar do toque. A Rita falou A Rita falou do toque em Jesus, a cura, o toque que Satanás faz na nossa vida. Esse toque traz doença, traz destruição, traz sofrimento. O que nós podemos retirar agora desta história, desta perceção é de que a esperança de Jó, como tinha esta convicção profética de que ele voltaria Mesmo que agora perdesse esta batalha, mas não iria perder a guerra, dá-nos aqui um conjunto de conceitos muito simples, mas que eu acho que vale a pena ainda explorar.
A primeira é de que a esperança da intervenção futura de Deus não elimina a nossa dor e o nosso sofrimento, mas impede que o nosso sofrimento seja absurdo. Há uma dimensão de absurdo no sofrimento. O que é que eu quero dizer com absurdo? É que é injusto, por um lado, aquela velha máxima de que acontecem coisas más a pessoas boas, e nós dizemos porquê é que isto não aconteceu a um desgraçado qualquer aí, uma pessoa horrível? Não, vai acontecer a uma pessoa boa, bondosa, que fazia bem aos outros? Muitas vezes o sofrimento tem este sentido de absurdo, não parece fazer lógica. E nós estamos habituados a viver numa lógica de racional. Nós tentamos ter uma estrutura de pensamento sobre as coisas.
O sofrimento é aleatório. Uma pessoa vai na rua, uma pessoa que vai para ajudar alguém, vem um carro e atropela-o. E nós dizemos, porquê? Porquê isto? Se a pessoa ia fazer o bem? É absurdo. É, mas se pudesse justificar, já não faz sentido, não é? Porque o mal, o sofrimento, o pecado, Não se pode justificar, não tem justificação, não devia existir, não é? Então não pode ter lógica. Há uma ausência de lógica, porque o mal tem essa violeza de ser aleatório. No entanto, vejam, esta visão escatológica retira apenas o absurdo. Porquê? Porque aquela coisa ilógica que aconteceu não é o fim da história.
Enquanto se nós retirarmos a esperança, como dizia o apóstolo Paulo, se a nossa esperança for só para esta vida, ok, nós esperamos, temos esperança, Deus vai agir, vai curar, vai curar a minha família que está destruída, mas depois as coisas não acontecem, eu digo, Deus não existe, Deus não está a fazer nada. Mas como eu sei que o galardão, a recompensa, não é aqui, então isso retira, digamos, este sentido completamente absurdo. O apóstolo Paulo, em Romanos 8, diz, tenho por mim certo ou tenho para mim certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que há de ser revelada. É exatamente esta a expressão.
que está aqui a ser dito. Mas há ainda uma segunda dimensão que nós também podemos dizer. É que esta ideia de escatologia mostra uma convicção profunda de que Deus restaurará todas as coisas e a justiça será feita. Mas para isso Deus tem de ter uma intervenção única e especial. Por isso, há pouco falava desta ideia de uma Ressurreição que é aqui anunciada por Jó, antes de haver uma compreensão sobre a Ressurreição, mas lembremos, que é os nossos ouvintes e espectadores, que por exemplo Daniel, já no profeta Daniel, lá no último capítulo de Daniel, talvez uma das primeiras menções mais diretas do Antigo Testamento à Ressurreição, diz que muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão.
Aí temos, ok, já uma evidência clara, e claro, o apóstolo Paulo falou imenso sobre a ressurreição, e em 1.ª de S. Unicénsis 4, para dar um exemplo de um texto muito conhecido para muitos de nós, em que o apóstolo diz que o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Portanto, a ressurreição é o horizonte da experiência cristã. Ou seja, quer eu morra, quer não morra, essa é que é. A nossa esperança está fixada nisso. Lembremos que Jesus, por exemplo, ressuscitou algumas pessoas. Talvez os milagres mais extraordinários. Uma ação sobrenatural, que até nos custa a nós imaginar, que uma pessoa está morta, os tecidos já se estão a decompor, uma palavra de Jesus trouxe Lázaro à vida, ou o filho da viúva Naim, para dar estes exemplos.
Mas nós temos toda a evidência de que aquelas pessoas voltaram a morrer. Ou seja, nem a ressurreição que Jesus operou pode ser considerada a esperança daquelas pessoas. Só lhes deu mais um tempo de vida, não é? Nós temos uma história no Antigo Testamento de um homem que pediu mais tempo a Deus, Deus deu-lhe mais 15 anos, depois ele desgraçou-se, nos 15 anos a seguir, com as escolhas que fez, que é um exemplo reverso. Mostra, ao contrário, que tu seres curado ou teres uma oportunidade na vida, ok, este sofrimento foi-te evitado, pode não ser o melhor para ti. Neste caso ficou um exemplo claro de que só foi pior para ele. Porquê? Porque a esperança momentânea não lhe valeu em relação à esperança futura. E é neste sentido que nós precisamos de compreender que o cristão não assenta a sua esperança num otimismo em relação às circunstâncias.
Ficou muito conhecido no tempo da pandemia. Parece que não, mas já lá vão uns anos valentes, desse período complicadíssimo que nós vivemos. E na altura ficou muito famosa aquela expressão, vai ficar tudo bem. Lembram-se disso? As pessoas escreviam nas janelas. Não estou a ser hipócrita ou muito negativo para dizer que isso não fez sentido. Claro que fez sentido, porque era uma maneira de as pessoas se animarem umas às outras. Mas o que eu quero mostrar aqui é que não, não ficou tudo bem. Montes de pessoas morreram, perderam a vida, pessoas ficaram com problemas respiratórios para sempre, houve muita gente que perdeu o emprego ou perderam as empresas e depois já não se conseguiram levantar. Para muita gente a expressão vai ficar tudo bem até soa uma coisa horrível.
Não me digam a mim que ficou tudo bem que eu perdi o meu filho. Eu perdi um grande amigo durante a pandemia. Então para esse meu amigo e para a família não ficou tudo bem. Mas, se a minha fé não for apenas um otimismo para o presente, mas for uma confiança em Deus e no que Deus vai fazer, então eu posso dizer assim, vai ficar tudo bem. Deus vai corrigir tudo aquilo que agora não está correto. E é por isso que a esperança escatológica, na ressurreição, na intervenção definitiva de Jesus, é que é verdadeiramente a esperança cristal. Esta esperança que nós temos e, acima de tudo, esta certeza que Deus nos dá de podermos ter-se, que vai ficar tudo bem, porque Jesus vai repor tudo dentro daquela harmonia e daquela perfeição inicial que já houve nesta Terra.
Isto traz a nós uma certa paz e, acima de tudo, uma certa tranquilidade. Nós já vimos aqui dois, três exemplos onde houve verdadeiros contratempos. mas onde Jesus atuou e quando Jesus atua, Ele faz a diferença.
A conversa está muito boa, mas nós temos que ir para o intervalo. Voltamos já a seguir para a segunda parte. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Aqui estamos de volta para a segunda parte do programa Bíblia Aberta. Hoje estamos a falar sobre contratempos e comigo tenho o Pedro Esteves, a Inês Azul e também a Rita Mano, que têm-me dado a oportunidade de poder ouvir uma boa explicação dos vários episódios que já tivemos aqui em mãos. Vamos continuar a nossa conversa, mas antes eu tenho sempre algo para lhe oferecer. Se estiver interessado num guia de estudo que tem por título Na Mira da Verdade, então este é o guia de estudo que você deverá pedir, solicitar, através de uma mensagem para o 933 93 92 91.
933 93 92 91. Neste guia de estudo Na Mira da Verdade, você poderá encontrar temas como o que é o dom de línguas e se ele vem de Deus, Como podemos falar nós com aqueles que já partiram? Será que realmente podemos falar com os mortos? E por fim, se vai haver ou não, ou se já existe ou não, um arrebatamento secreto. Três temas bastante interessantes que você não pode perder de os estudar através da Bíblia e por isso eu recomendo que subicite gratuitamente este Guia de Estudos na Mira da Verdade. Basta enviar uma mensagem para o número de telefone que aparece no seu televisor, 933 939 291, e nós teremos muito gosto em oferecer-lhe este material.
Vamos voltar à nossa conversa? Eu vou voltar a pedir que nós possamos abrir a nossa Bíblia agora no Evangelho de Lucas. Vamos ao capítulo 24 de Lucas, para lermos os versículos 25, E aqui diz-nos isto, e disse-lhes... Rita,
de que forma esta leitura que nós fizemos cristológica, não é? Transforma a nossa compreensão daquilo que são os contratempos e ao mesmo tempo do sofrimento. Este é um texto muito bonito. Acontece num momento especial. Jesus morreu. Os discípulos estão todos muito atordoados. A expectativa deles era que aquele fosse o salvador. Significava que ele era aquele que ia tirá-los debaixo do poder dos romanos, ia restituir o povo de Israel como o grande povo e agora ele morre, ainda por cima crucificado e não faz nada. A perspectiva deles é como é que é possível que este fosse aquele que nos ia libertar se ele acaba por morrer da pior maneira possível.
E então eles estão a regressar à casa, estão a ir pelo meio de uma montanha devagarinho e vão completamente perdidos no pensamento deles. E enquanto eles estão perdidos no pensamento deles, Jesus, já ressuscitado, aproxima-se dele e faz uma coisa incrível. Jesus vai começar a explicar-lhes o porquê de todas as coisas. Diz-nos a Bíblia que Jesus vai agarrar e vai começar desde o princípio daquilo que tinha sido dito aos primeiros homens, aos primeiros profetas, até aquilo que o próprio Jesus tinha dito, e vai-lhes explicar o porquê de todas as coisas. Vai-lhes mostrar que aquilo que eles já sabiam tinha uma perspectiva muito diferente daquela que eles estavam a ter na altura. E então diz que os olhos deles se abriram no final e eles finalmente perceberam o sentido de tudo aquilo que estava a acontecer.
Isto é muito importante para nós, porque nós temos muitas dificuldades em compreender as coisas, muitas vezes porque a nossa perspectiva está fechada no nosso ponto de vista. Quando um problema vem sobre mim, eu fico fechada nas soluções que eu, como humana, consigo dar àquela coisa. Eu consigo ver o problema e as soluções que eu tenho, aquelas que eu não tenho. E muitas vezes as minhas perspectivas fecham-me os olhos a qualquer outra coisa. inclusive na vida cristã. Quantas vezes mães vêm ter comigo e dizem porque o meu filho se afastou, eu fiz tudo e agora não há mais solução para ele. Ou pessoas doentes que dizem, os médicos já dizem que não há mais solução.
E nós ficamos fechados naquela perspectiva humana, fechada da coisa aqui e agora, E isso tira-nos completamente da visão que aquela que falava o pastor Pedro Esteves antes do intervalo, escatológica, do objectivo final de todas as coisas. Jesus não veio para tirar o povo de Israel debaixo do poder dos romanos. Porque agora ele tirava e depois vinha outro e voltava a ir mais forte. Como aconteceu várias vezes na história do povo de Israel. Mas não, Jesus não veio para salvá-lo do poder de Roma. Ele veio para tirar sobre o poder do mal. E isso é uma coisa muito maior que antes do mundo ser criado já estava planeado. Se houvesse necessidade, havia um plano de salvação.
E esse plano de salvação estava traçado. E então, Jesus vai explicar este plano de salvação. E isto deve nos levar a compreender que o nosso Deus é um Deus que, perante todas as circunstâncias, ele conhece a verdade, conhece as razões e conhece o porquê. E devemos, de nós como cristãos, ir para a perspectiva. Eu gostava de ler três textos. Rapidamente, o primeiro é de Coríntios 10 a 13. Então vamos ler 1ª de Coríntios 10, versículo 13. Vamos só preparar aqui as nossas bíblias. Entretanto, aí em casa, se tiver a sua bíblia à mão, já sabe, abra a sua bíblia, siga esta leitura. Diz-nos assim, não vos sobreveio tentação que não fosse humana, mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças.
Pelo contrário, juntamente com a tentação, vos preverá livramento de sorte, para que a possais suportar. Enquanto abrimos Romano 8, o pastor Pedro Esteves também falou nela, mas agora vou para outro versículo, que é o 28, temos outro texto, mas até lá chegarmos, este texto é muito claro, ele diz que não há nada que nos vá acontecer que seja superior à nossa capacidade. E tu dizes-me assim, ahá, então e aqueles que morreram queimados no fogueira, não foi superior à capacidade deles? Porquê? Perspetiva humana fechada aqui no planeta. Romanos 8.28 diz-nos o seguinte, sabendo que todas as coisas operam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
Ok. não vão ser tentados acima daquilo que possam suportar. Não está a falar aqui desta terra. É muito interessante porque quando nós vamos ao original, e não vou estar aqui com grandes conversas, mas tem a ver com o pecado, vocês não vão ser tentados acima da vossa capacidade de dizer que não há pecado. Porquê que isto é tão importante? Porque é o pecado que nos tira à vida, mas não é a vida daqui. Porque como o pastor Pedro Esteves disse, até quando Jesus ressuscitou aqui na Terra, voltámos a morrer. Qual é a perspectiva de Jesus em Amaux? Qual é a perspectiva que o cristão tem que ter em todo momento? A vida eterna. E quando nós abrimos o nosso horizonte, não ao problema daqui, mas ao problema da eternidade, as coisas ganham uma perspectiva completamente novas.
E é aqui que estas promessas são incríveis. Porque estas promessas, e se juntarmos a isto um texto que eu não vi, mas que eu vou só falar, mas quiserem reverificarem, Isaías 46, 10, Deus vai nos dizer que Ele sabe as coisas todas, desde o princípio e aquilo que vai acontecer no fim. Então, quando um problema vem sobre mim, eu sei que Deus fez o incrível e o maravilhoso, que foi morrer por mim na cruz. Isso foi um sacrifício imenso. Fez-se humano para poder salvar-me. Então, esse Deus que me ama desta forma, Também me diz que em todos os momentos ele sabe até onde é que eu posso ir, até onde é que a minha fé chega. E que ele não vai permitir que nenhuma das coisas que me aconteçam nesta vida sejam superiores à minha capacidade de fé de superar.
E também me vai dizer com este texto que, entretanto, todas as coisas que me acontecerem até lá vão ser coisas importantes para a minha salvação, para o meu bem. Quando a vida ganha esta perspectiva, Não quer dizer que não me vá doer quando eu... Jesus próprio chorou. Doeu-lhe quando um amigo dele morreu. Mas ele sabia que tinha a capacidade de o salvar. Ele sabia que tinha a capacidade da salvação não só para esta terra, como para a eternidade. Então, eu vou sofrer, mas eu não vou ter aquela dor absurda que o pastor Pedro Esteves falava. Porquê? Porque eu sei que acontece o que acontecer aqui, nem que seja ir parar à fogueira. O Senhor me prometeu que a minha fé nele e naquilo que Jesus já fez por mim, me vão permitir viver uma vida muito melhor do que aquela que eu tenho aqui.
Me vão permitir desfrutar de algo muito melhor. É como uma pequena dor aqui, durante 10, 20 anos, parece-nos muito, mas 10, 20 anos por a eternidade não é nada. E os olhos de Jesus estão postos nessa eternidade. E é esta a perspetiva que ele traz para Emmaüs, e é esta que deve ser a nossa perspetiva perante os problemas. Eu estou a passar isto. Eu não estou sozinha, tenho Jesus comigo. Ele sabe que isto, apesar de tudo, ele que sabe desde o princípio e do fim, ele sabe que isto é o melhor dentro do pior que me pode acontecer aqui. Ele não me abandona, ele está ao meu lado e, acima de tudo, ele diz-me que não vai permitir que, aconteça o que acontecer, a minha fé possa ser testada acima da minha capacidade de suportar. Esta é a beleza deste texto. A história de Imaguse e a maneira como Jesus interpreta a Bíblia, que o texto diz que ele começou nos profetas e foi-lhe mostrando tudo o que dizia, no fundo fez um estudo bíblico sobre as profecias que apontavam para Jesus, incluindo o seu sofrimento, nós estamos a falar neste tema hoje, essencialmente sobre a forma como o sofrimento, as tribulações, elas têm um papel, desempenham um papel na nossa fé.
Acho que um detalhe aqui interessante também é que essa leitura da Bíblia mostra que Deus tem um plano. Por isso, enquanto eles ainda estavam meios atordidos pela morte de Jesus, ainda não sabiam que ele tinha ressuscitado, revela que eles não compreenderam sequer que havia um plano traçado, pensado. Eu acho que isto, numa aplicação já muito direta, pode ser muito importante nós termos fé e consciência de que Deus tem planos. Deus não é apanhado de surpresa. Isso pode ajudar-nos muito a orientar a nossa vida, às vezes quando estamos até no meio de problemas ou momentos mais difíceis. Crer que há um propósito, que Deus está a agir com um plano, mesmo se eu ainda não compreendo qual.
É como se alguém olhasse para Jesus a ser crucificado ou a ser julgado. ou ser maltratado e olhe para aquilo e Jesus é um fracassado, não é? E no entanto ele não era um fracassado porque o que estava a acontecer, como era parte do plano, ele continuava no controle das circunstâncias. Então às vezes nós precisamos de crer muito nisto. Há um plano. Fez-me pensar num versículo que eu gosto muito, em Eclesiastes 3.11. Eu decorei-o em francês, mas não sei se é exatamente em português assim. Mas diz que Deus faz todas as coisas belas em seu tempo. E isto tem a ver com o plano. Deus tem um plano Agora, cada um de nós tem de confiar se vai ser nesta terra, se vai ser em seu tempo, desta vida eterna que está à nossa espera, mas as coisas não se terminam aqui.
E isto é importante para cada um de nós nos momentos difíceis, porque quando estamos a atravessar um momento difícil, nós às vezes temos a sensação que nunca vai acabar, que vamos ficar ali presos, que não há luz, e ler estes versículos todos, e a Bíblia está cheia deles, de promessas, e uma delas que vem mais, mais, mais é, não temas. Porque nós somos pequenos, nós temos medo, nós ficamos sem saber muito bem como fazer, sobretudo naquilo que nós não controlamos. E Deus diz, não temas, eu estou aqui, e confia. Eu tenho um plano. Inês, eu creio que nós temos agora a porta aberta.
Chegámos até aqui e digamos que abre-se agora uma porta bastante interessante que é para nós falarmos, nestes últimos minutos que temos ainda, sobre a graça. Porque, quer queiramos, quer não, nós abrimos a porta à graça. E podemos dizer que a graça é suficiente na nossa fraqueza. Mas, para isso, eu gostava que nós pudéssemos basear esta questão da graça num versículo que nós encontramos em 2 Coríntios, capítulo 12, É o próprio Paulo que o vai relatar, não é? Em que ele diz, e disse-me, capítulo 12, versículo 9, e disse-me, a minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
Então, a pergunta que eu gostava de lançar é esta. Como deve, de alguma forma, esta teologia da graça, vamos chamar-lhe teologia da graça, como é que ela pode moldar a forma como nós interpretamos a nossa fraqueza, o nosso contratempo, e ao mesmo tempo o fracasso na nossa caminhada cristã? Porque às vezes fracassamos na nossa caminhada cristã. Como é que nós podemos Olhar para esta teologia da graça como algo que pode moldar a nossa forma de viver. Sim, a graça... Eu ouço falar da primeira vez que eu vi a graça na minha vida, de maneira concreta. Foi quando eu estava... Aliás, foi no momento antes da minha conversão.
Eu tinha os meus 13 anos e tinha andado a roubar e tinha andado a fazer-me uma data de coisas erradas e o problema é que a minha mãe descobriu. Se ela não tivesse descoberto estava tudo bem, não é? Quando olhamos para a cara da Inês, jamais conseguimos imaginar a Inês a reportar, seja o que for. Mas pronto, o que é certo é que no meio de todas estas coisas, e que a minha mãe descobriu, nessa altura para mim era o mais grave, porque eu não queria dizer ludila, eu não queria ser castigada, é uma data de coisas, não é? Mas quando ela descobriu, e ela fez-me compreender que era muito errado tudo o que eu tinha feito, que eu tinha agora de restaurar, tinha de ir pagar à loja. Eu disse-lhe que não, nunca iria na minha vida pagar e ver aquelas pessoas.
E ela disse-me, então eu posso ir no teu lugar, porque Cristo morreu no nosso lugar. E eu, com os meus 13 anos, nunca fiquei à espera de ouvir tais palavras. E a primeira coisa que me passou pela cabeça foi... Quem é este Cristo? Eu disse logo... Não, eu vou. Foi a minha responsabilidade, eu vou. Mas esta questão continuou. Quem é este Cristo? Que me ama apesar de tudo aquilo que eu tenho feito. E que me perdoa. E que não me deixa para trás. E que fez a minha mãe dizer isto e agir desta maneira. E eu pedi para ir à igreja. E foi aí o início. Nunca mais deixei a igreja. Mas foi o início desta amizade com Deus.
Começou aqui. Começou com a graça. Então, a graça de Deus vem ter connosco nas nossas fraquezas, nos nossos fracassos. E nós precisamos é de compreender e aceitar que estamos, não é? Num momento também de fracasso. Este caso foi culminado na minha conversão. mas na caminhada cristã vamos tendo também momentos de fraqueza, momentos de fracasso. Agora, a primeira coisa é reconheço que estou a viver um momento de fracasso ou não reconheço. Se eu não reconhecer, o orgulho vai reinar e eu vou achar que sou impecável, no senso literal do termo, sem nenhuma falta e aí Deus já não vai poder agir e transformar. Porque a primeira coisa que a graça faz é recebermos também o perdão de Deus, mas porque nos arrependemos, porque compreendemos o nosso estado.
Eu vi que eu estava a fazer algo muito errado, eu compreendi, eu arrependi-me. Isto é um passo, não é? E nós recebemos a graça. E a graça o que é que faz? A graça perdoa, Deus limpa, nos purifica, nos transforma. e leva-nos para a frente. Deus nunca nos manda a olhar para trás e dizer, lembra-se de que foste assim. Então, mesmo se pensarmos na história do filho pródigo que voltou, o pai, quando o recebeu, não lhe disse, então o que andaste a fazer, gastaste este dinheiro todo. O pai recebe, dá-lhe um abraço. E o passado ficou no passado. O próprio Paulo diz que é sempre das coisas que para trás ficam, não é?
O que fica para trás, fica para trás. E este é o Deus que nós temos, não é um Deus que acusa, é um Deus que quer salvar. Então sim, em primeiro lugar, para recebermos e desfrutarmos plenamente desta graça, nós precisamos reconhecer e não estarmos cheios de nós mesmos, porque o nosso orgulho vai ser um bloqueio para desfrutarmos da graça de Deus, não é? Ao mesmo tempo, ao fracassar e ao reconhecer as nossas fraquezas, vamos dar-nos conta que precisamos de Deus. E é aqui que este texto quer chegar. É porque nós, nossa força humana, muitas vezes achamos que podemos tudo, que somos capazes, que temos dons.
E temos, e muitas vezes temos força. Mas Deus não quer que nós vivamos pelas nossas forças, por aquilo que nós conseguimos fazer. mas por aquilo que ele pode fazer em nós e através de nós. Isto vai muito mais além do que aquilo que nós podemos fazer com as nossas forças pessoais. Às vezes vamos dar-nos conta com a vida, com as tempestades que atravessamos. Até pode ser que perdamos alguma força, que já não tínhamos a mesma capacidade que tínhamos antes para gerir certas situações. E é aí que vamos dizer, ok, eu necessito completamente a graça de Cristo, senão não vou ser capaz.
E é aí que nós vemos Deus agir de maneira grandiosa. É quando reconhecemos as nossas fraquezas. Nós vemos Deus agir grandemente em nós e através de nós. A graça é a oportunidade de começar de novo sem merecimento. Nós não merecemos. Eu não merecia. Mas Deus agiu assim na minha vida. Hebreus 4,16, e gostava de convidar-vos a ler este texto, que diz assim, Aproximemos-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade. Este versículo mostra-nos que não precisamos de ficar nos nossos fracassos. Muitas vezes alguém pode fracassar e dizer, ok, eu já não sirvo para nada, Deus já não me vai perdoar, já fui longe demais.
Às vezes há pessoas que já me disseram isto. Eu achei que eu tinha ido longe demais e que já não havia solução para mim. Mas este versículo está a dizer, não, não há o longe demais. O longe demais é eu não vir a Deus. Deus aqui diz, aproximemos-nos do trono da graça com toda a confiança. Podemos ir a Cristo com toda a confiança, como nós somos. Como estamos, o mais importante é ver esta ligação. Porque Deus quer libertar-nos, simplesmente. Libertar-nos dos nossos fracassos, das nossas misérias, do nosso pecado. E aí sim vamos receber misericórdia e graça. E quando recebemos o perdão de Deus e vivemos a sua graça, Nós vamos compreender o que é o verdadeiro perdão, a verdadeira misericórdia e Deus vai poder ajudar-nos também a exercer com os outros esta mesma graça.
Conosco também, porque às vezes somos duros, temos diálogos interiores duros, isto quer dizer, ok, tem calma. Calma com os outros, calma com a nossa pessoa e agir com a ajuda de Deus, não é? Então, pouco importa aquilo que possa acontecer, Deus não quer que a gente perca a esperança. e nós não a vamos perder se já tivermos feita a esperança de Deus.
Sabemos que podemos contar com a ajuda dEle e com a graça. E sobre a esperança, eu creio que quando estamos no meio da tribulação aquilo que mais precisamos é de desenvolver a esperança em nós, porque a esperança trará sempre paz e trará alegria mesmo no meio da tribulação. Se formos a Romanos capítulo 5, Nós podemos ver que Romanos capítulo 5 versículos 3 e 4 vai nos dizer estas palavras, e não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações. Parece um contrasenso, não é? Gloriamos-nos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz o quê? Produz medo. Ah não, não produz medo, produz paciência, e a paciência, a experiência, e a experiência, o quê? A esperança.
Pedro, temos não mais do que dois, três minutos, mas vamos conseguir de certeza absoluta concluir da melhor maneira. Como é que... pode a tribulação, à luz daquilo que é o Evangelho, à luz daquilo que são as Escrituras, tornar-se de alguma forma um instrumento de maturidade espiritual, em vez de causar em nós o afastamento de Deus? Como é que a nossa tribulação pode nos aproximar de Deus e não nos afastar? É um tema sempre difícil porque ninguém quer, ninguém deseja tribulação. Nós oramos para não termos tribulações. Embora, talvez, é uma espécie até de um ditado, um bocadinho, não é popular, não é do povo, mas conhecido pelo menos assim no mundo cristão, de que com frequência nós nem percebemos o alcance das nossas orações, porque se nós pedimos a Deus que nos dê paciência, se pedimos a Deus que melhore o nosso caráter, nós às vezes esquecemos que estamos a pedir a Deus que nos dê lutas e problemas.
Porque uma fé que não é testada E este é um dos grandes problemas reais das experiências, por exemplo, de pessoas que nasceram, foram educadas no caminho da fé. Que é um grande privilégio. Eu tive esse privilégio. Eu nasci numa casa onde a fé, a Bíblia, os valores cristãos me foram ensinados desde pequenino, desde menino. Às vezes isso é um desafio. Porquê? Porque a ideia da fé torna-se uma questão cultural. Um tema sobre o qual pessoalmente eu tenho refletido muito e partilhado muito também em muitos ambientes é o quanto nós não nos apercebemos como a nossa religiosidade.
A maior parte das vezes é cultura. Portanto, eu se cresci como um jovem cristão adventista do sétimo dia, por exemplo, que foi a educação que eu recebi, essa é a minha cultura. Quer dizer que eu só sei funcionar nesse ambiente. Qual é o problema disso? Eu não estou a dizer isto como se fosse uma tragédia. Isto é, de muitas formas, uma benção e um privilégio só que carrete riscos enormes. Porquê? Porque essa parte da vida, a fé, a religiosidade, quando ela é apenas a cultura, ou seja, o conjunto de estruturas, de hábitos nos quais eu fui formatado para reagir, significa que a minha fé pode ser absolutamente teórica.
Eu não sei de facto o que é viver a fé. Vives dentro de um quadrado, digamos assim. É esse quadrado, essa bolha, digamos assim, da qual eu só consigo imaginar a vida daquela forma. É por isso que muitas pessoas que viveram, por exemplo, vidas de pecado, de vidas terríveis, de devassa, de falta de valores, quando encontram esses valores e contrastam a experiência que tiveram, passam por essa experiência arrebatadora e transformadora. Por isso alguns dos que nos estão a ver vão se identificar ou com uma coisa ou com outra. E eu diria que Paulo até viveu isso, não é? Foi um contraste muito grande na vida de Paulo, por isso é que ele vai falar aqui na tripulação como algo que produziu nele. Ora, exatamente.
Teve que ser pela força de dores. Há bocadinho aquele contexto do texto sobre a graça, foi precisamente quando Deus lhe disse a minha graça, tu basta, foi porque ele tinha um tal espinho na carne. Queria livrar-se daquilo, é evidente. Lá está. As nossas orações são para fazer o quê? São para pedir a Deus que nos livre das coisas más. Quase sempre é assim. Porque ninguém vai, de forma natural, dizer, por favor, senhor, dá-me horror e sofrimento. Isto seria uma espécie de masoquismo espiritual, ninguém quer fazer isso. Só que, muitas vezes, o processo de amadurecimento e crescimento espiritual não acontecerá na nossa vida se nós não formos testados. Esse teste, até podem não ser coisas só, sofrimentos, como doenças ou coisas, mas são testes na vida.
Mas esses testes não ultrapassam, como dizia a Rita há pouco, aquilo que é a nossa capacidade. Claro, aquilo que Deus sabe que vai ser útil para nós. Por isso aquela velha máxima de que Deus sabe sempre melhor o que é melhor para mim. E se o que for melhor para mim para a minha fé, para o meu crescimento e o meu amadurecimento, for através de lutas e tribulações ou tempestades, então não é só que Deus vai permitir. Deus traz à minha vida essas experiências porque Ele sabe que eu serei enriquecido com elas. E eu tenho de confiar. E eu, diante delas, até a minha fé deixará de ser apenas aquela coisa intelectual e teórica. E de repente eu digo, Senhor, aqui estou preciso de Ti.
E aprendo a amadurecer, a confiar em Deus, a tornar-me mais forte. E no fim, Deus sorri, no fundo, Cresceste. dizendo... Quem dera nós podermos ter mais tempo para continuarmos a conversa, porque ela não termina aqui. De certeza absoluta há muito mais para dizer, mas o nosso tempo terminou. Foi um gosto muito grande ter-vos aqui. Fica um encontro marcado para a semana, pode ser? Posso contar convosco para uma nova conversa? Se quiser. Vamos marcar encontros para a próxima semana com esta equipa. Mas antes de nos irmos embora, nós queremos ainda reforçar a ideia Se você desejar ter em sua casa, para, digamos, com o seu tempo, poder encontrar algumas verdades bíblicas, o guia de estudo desta semana é bastante interessante, na mira da verdade.
Você aqui encontra vários temas, às vezes alguns deles problemáticos, no sentido em que parece que não há uma resposta conclusiva ou então não conseguimos chegar, digamos que, a um conhecimento pleno. Na mira da verdade vai encontrar algumas das respostas que você precisa para a sua vida espiritual e de certeza absoluta que irá ficar grato por isso. 933 939 291 é o telefone ou é o contacto para onde deve enviar a sua mensagem de modo a receber gratuitamente este exemplar. Nada mais por hoje, sentimos muito a sua presença e gostamos muito da sua presença e queremos muito voltar para a Semana Estelar, consigo e com todos os seus. Até lá, que o Senhor abençoe.
Neste episódio do programa Bíblia Aberta, somos convidados a refletir sobre os contratempos da vida e o impacto que têm na nossa fé. Através de exemplos bíblicos marcantes, percebemos que as dificuldades não são um sinal da ausência de Deus, mas uma oportunidade para confiar mais profundamente n’Ele.