Bem-vindo mais uma vez ao programa Ser Família. É um prazer enorme estar na sua companhia. E relembro mais uma vez a todos aqueles que habitualmente nos escutam através da rádio, que agora também nos podem acompanhar através da televisão, mais concretamente através do canal 186 na MEU TV Novo Tempo. Tenho comigo, como sempre, Daniel Bastos. Daniel, mais uma vez, bem-vindo. Muito obrigado. Daniel, abordámos ser família e ser família é saber ser cada elemento que constitui esse agregado familiar. Por isso, ao longo dos próximos programas, vamos abordar cada um desses
elementos e vamos começar pelo homem, não por nenhum critério especial. Daniel, o que é que é ser homem? Eu diria que é uma pergunta que daria para muitos programas e não só para 28 minutos, não é? É, e vamos falar sobre a definição que poderia nos levar para muitas áreas, mas vamos falar sobre o homem, sobretudo aqui no contexto da família, não é? E como já estamos a falar da família hoje, não daquilo que o homem era há 100 anos atrás. Sem querer ser demasiado duro, eu atreveria-me a dizer que o mínimo que se pode dizer é que o homem tem andado um bocado desaparecido lá de casa.
Nós, recentemente, trouxemos aqui algumas estatísticas e vimos que uma em cinco famílias, hoje, são famílias monoparentais. Ou seja, só tem um pai, um dos progenitores. E, normalmente, é a mãe. É muito raro ser o pai. Também há. Mas, normalmente, é apenas a mãe. Assim sendo, já ficamos aqui com um vácuo, não é? Um desaparecimento. Um desaparecimento. Mas posso ir até mais longe, Daniel? Porque muitas vezes, hoje em dia, corrijam-me se eu estiver errado, temos a sensação que o homem pode ter desaparecido de casa mesmo continuando dentro de casa, não é?
Ora bem. Ainda temos os outros 80%, as outras 4 famílias, onde existe, supostamente, um pai presente, mas ele não é presente porque, o que é que acontece? Ele está envolvido com o trabalho. Ele sai cedo, volta tarde e, no final de semana, ele tem que descansar de toda a trabalheira. Então, ele sai, vai ver a bola ou vai fazer outra coisa com os amigos. Gasta uma boa parte do seu tempo também com os seus interesses pessoais.
Internet, televisão, desporto, outros hobbies. O telemóvel que hoje em dia ocupa imenso tempo. Exatamente. E o tempo... A família, concretamente, é muito pouco. Para ser o homem da família. Para ser o homem. Em relação, por exemplo, à interação pai-filhos, uma estatística americana diz que a média do contacto entre pai e filho naquele país, há algum tempo atrás, era de 37 segundos por dia. Em 24 horas, 37 segundos. A média que um pai está a falar com o filho são 37 segundos.
Ora, isto comparado com o tempo que o filho, por exemplo, passa em frente aos ecrãs, este é um tema que temos que trabalhar necessariamente num programa como este, Uma a três horas por dia, no caso de crianças, cinco horas no caso de jovens. Bem, nós só podemos imaginar que esta presença, esta influência é muito diminuta em face de outras que têm muito mais tempo de antena na mente dos filhos. acaba por ficar por conta das mães, das professoras e a figura do homem como que desaparece.
Temos uma geração de crianças a crescer sem terem uma referência masculina, sem saberem o que é ser homem. por conta deste contexto social. É verdade que, enfim, nós podemos dizer que está tudo em crise, mas esta crise inclui Este fator, a presença do homem, o papel do homem lá na família. Nós poderíamos começar aqui a crucificar o homem. Não é isso que pretendemos? Até porque somos homens. Até porque somos homens. Há que entender, há que entender o que é que aconteceu. Porquê que as coisas são assim, não é?
Até para reverter a situação. Tu já apresentaste aqui uma ou duas justificações, mas de uma forma concreta,
Daniel, o que é que nos podes dizer sobre os motivos, o que é que levou, eu diria estruturalmente, porque é um problema estrutural, a este desaparecimento da figura do homem no seio da família? É um bom tema de conversa, porque nós não podemos simplesmente dizer que ele é um malandro e está-se a baldar. Há aqui várias coisas, coisas que poderiam ser levadas em conta. Vamos imaginar, ou vamos voltar um bocadinho atrás. O homem, há uns anos atrás, esperava-se que o homem fosse forte, fosse bem sucedido, fosse responsável e fosse romântico.
Assim, esperava-se e espera-se. E espera-se. Bem, as expectativas passavam um bocadinho por aí. Do homem, esperava-se que ele fosse o principal provedor, se não o único, mas o principal provedor da família. O chefe indiscutível do lar. Esta era a figura na família tradicional há 100 anos atrás, se nós quisermos. Ele tinha muita responsabilidade, mas ele também tinha autoridade. Então, as coisas andavam ali um bocadinho... Ele sentia o peso desta responsabilidade. Ele sabia que o bem-estar econômico, a felicidade dos filhos, da mãe, dependiam dele. E isso também lhe trazia a realização, não era?
Exatamente. Portanto, havia aqui, psicologicamente, algo que fazia com que o homem se sentisse bem. Na medida em que estivesse a cumprir esse papel. Porque ele cumpria. O papel estava bem definido. E na medida em que ele cumpria esse papel, ele se sentia-se bem. As mães treinavam os seus filhos, rapazes, já com este papel. Olha, que tu és homem e tu vais ter este papel para desenvolver. Ora, hoje as coisas mudaram em muitos aspectos. Houve mudanças socioeconómicas importantes e culturais.
E quando alguém tenta fazer ou ser exatamente isto que eu tive a descrever, inevitavelmente vão dizer que ele é antiquado, ele não está adequado à nova sociedade. Não basta hoje ele ser o provedor, até porque ele não é o único provedor, requer-se do esposo, as exigências, as expectativas são, a fasquia aumentou muito. Requer-se que ele seja carinhoso, que ele ajude-nos a fazer os domésticos, uma coisa impensável há uns anos atrás, que ele se envolva na educação dos filhos, que ele seja detalhista, compreensivo, gentil, que ele comunique os seus sentimentos, que ele goste de estar em casa, que seja forte, responsável, Muito homem, mas não macho.
E um aspecto bastante interessante e também contrastante é a questão da liderança partilhada, não é? Exato. Ora bem, ele... Em face desta revolução social que afetou e de que maneira a família, ele é acusado de não ser carinhoso, nem um bom pai, de não ser um bom provedor, nem de ser bem sucedido. Enfim, ele acaba por agora ser o bode expiatório de muitas das dificuldades presentes na família. Ele é apontado, inclusivamente, como o responsável por uma opressão sobre as mulheres e sobre os filhos, já agora, que se perpetuou durante anos.
Portanto, neste momento, o homem está debaixo de fogo. Fogo cruzado a todos os lados. Neste contexto, ele também se vê ameaçado de ser substituído pela mulher. Havia muitas atividades que eram exclusivamente masculinas no passado. Só para mencionar, por exemplo, na política, no campo eclesiástico, se quisermos, até no exército, em todos esses lugares, hoje nós vemos mulheres. é, vamos dizer, não apenas concorre com os seus pares, mas também com todas as mulheres nas suas funções.
Depois, apesar de ele ter cumprido o papel para o qual ele foi preparado, Ele sente-se culpado por ser homem. Ele foi treinado, e há aqui uma geração particular que é crítica, não é? Porque onde é a transição de mentalidades. Ele foi treinado para ser homem, para ser competitivo. Tu tens que ser o melhor. Tu tens que... Não podes perder. É melhor mentir que perder. Eu não estou a dizer que assim é, mas para muitas, na educação de muitos, foi assim. Nem estás a defender este tipo de modelo de homem, é claro.
Estás apenas a ser concreto naquilo que eram as expectativas do que era ser homem. É uma descrição psicológica, sociológica, desta transição dramática e difícil para o homem. Os pais queriam que os filhos fossem, os rapazes, vencedores. Portanto, ele tinha que ser. Depois, ele foi treinado também para ser agressivo. Defende-te, tu és homem. Ele era suposto proteger, por exemplo, a irmã mais nova. Mas agora, se ele tem este papel, ele é acusado de ser violento. Ele é acusado de ser independente.
Se ele exerce este papel que ele tem. Foi-lhe dito que o homem não chora. E que ele teria que ser forte, mas agora ele é acusado de ser insensível, inexpressivo. Assim que um homem, ele vive num dilema, quem ele é? Ele não deve sentir dor? Nem medo, nem vergonha. Mas agora, espera-se que ele o faça. Mas, afinal, a quantas andamos, não é? É caso para dizer. Se ele se expressa, pode ser mal entendido.
Se ele não se expressa, também pode ser mal entendido, não é? Quase que hoje a fasquia é mesmo alta. É quase dizer-se que hoje é preciso ser-se super-homem. Então, estas circunstâncias sociais, além disso, a exigência económica. Temos que ter em conta que há muitos homens que têm mais que um trabalho. Para poder fazer face às necessidades e às exigências lá em casa, Portanto, se o homem está desaparecido e é o vilão, é preciso dizer que o homem também é a vítima, no meio de tudo isto. Eu diria até acrescentando que no passado havia, mesmo correto ou incorreto, porque também esse modelo teria certamente as suas questões negativas, havia um modelo a seguir.
Agora, em definição, é também ela em si mesmo um problema, não é Daniel? É isso. Muito bem, estamos a chegar ao fim desta primeira parte. Vamos fazer um pequeniníssimo intervalo. São apenas alguns segundos. Já a seguir estou de volta com mais uma oferta para si. Até já. TV Novo Tempo. O canal da família. O canal da esperança. Estou de volta e chegou a altura de lhe oferecer o Guia de Estudo Entre Família. Os temas tratados nesta revista abortam questões bastante atuais com dicas para melhorar a convivência familiar e lidar com os principais e talvez, por que não dizer, os desafios mais comuns que as famílias dos dias de hoje enfrentam.
bem também como a vontade de Deus para si e para a sua família. Esta revista é composta por um conjunto de 15 lições bastante práticas e no fim de cada lição tem também algumas sugestões para si com atividades que pode fazer em família, bem como alguns questionários que pode realizar e perceber também o que pode ou não melhorar no seu contexto familiar. E o mais interessante é que esta revista é mesmo totalmente gratuita e apenas o que tenho que fazer para a receber é enviar-nos uma mensagem para o nosso número de telefone que é o 933-939291. Vou repetir, 933-939291.
Nessa mensagem não se esqueça de incluir as palavras ENTREFAMILIA para sabermos que é este o guia de estudo a que se refere e depois entraremos em contato consigo e enviaremos gratuitamente para casa pelo correio. Daniel, estamos a falar de homens, homens que hoje em dia precisam de saber ser
homens no seu contexto familiar, mas tudo aquilo que tu nos falaste, todas essas circunstâncias, trazem consequências para os dias de hoje, não só para o homem, mas inevitavelmente no contexto da família. É verdade, aquilo que estive a descrever traz consequências muito sérias. Sobre o homem, por exemplo, sabe-se que os homens morrem mais cedo, eles têm uma longevidade menor, suicidam-se mais, sofrem mais doenças fatais, consomem mais substâncias nocivas, sofrem mais violência, roubos, assaltos e coisas assim, crimes em geral, são aqueles que se apegam mais aos valores tradicionais, que têm mais problemas emocionais.
Sabe-se também que eles sofrem também mais desemprego e recebem penas mais pesadas quando julgados. Ora, isto afeta não apenas o homem, mas depois, afetando o homem, porque há aqui um sistema, não é? Vai afetar também os filhos. que sofrem a ausência dos pais. Os estudos demonstram que os filhos, em face da ausência paterna, têm mais problemas de saúde emocional, 100% a 200%, têm mais dificuldade a aprender, 50%, mais ou menos.
Tem mais falta de confiança no pai, pela sua ausência, não é? Como um amigo, como um confidente. Não se cria aquele elo. São menos assertivos, mais dependentes. São mais submissos. Têm problemas com o sono. Quando estamos a falar sobre a falta, a ausência do modelo, nota-se, quando é esta distorção, este fosso de relacionamento, nota-se que há uma prevalência de características, por exemplo, efeminadas em rapazes ou exageradamente masculinas, com problemas futuros para a relação com as mulheres.
Estes filhos com a ausência paterna mais sentida faltam mais às aulas, dizem-nos os estudos, são mais propensos a serem arrastados para gangues e para grupos radicais, são mais propensos à delinquência, proporcionam proporciona-se, presta-se mais esta situação à figura de uma mãe superprotetora, porque ela sente que isto, de alguma forma, é responsabilidade só dela, não é? Entendamos. E sabemos que Há vários especialistas que o dizem que esta ausência paterna, também falta de um relacionamento, está inclusivamente mais associado à prevalência da homossexualidade masculina.
Transtornos psicossomáticos nas meninas, por exemplo, a neuroxia, dificuldades acrescidas no trato com o sexo oposto, maior promiscuidade sexual, insegurança no matrimónio dos filhos. Portanto, este cenário não é fácil para o homem, mas também é muito penalizante
para os filhos. E não é um quadro de todo animador. Daniel, a pergunta é quase inevitável e óbvia. No contexto do nosso programa, mais do que salientar as questões negativas, é tentar salientar o que é positivo, o que podemos fazer. Queremos ser família. Como é que os homens hoje podem ser e podem saber qual é o modelo de homem ideal no meio disso tudo. Como é que podemos ser os homens que as famílias precisam que nós sejamos. Ok. Este é o grande ponto. É sobre isso que nós queremos e nos propomos a trabalhar aqui. Um ponto importante é, de facto, termos aqui um aspecto positivo também.
O homem moderno precisa da nossa simpatia, mas é preciso também que os meninos hoje sejam educados em função daquilo que deles se espera hoje, na sociedade atual. É preciso termos isto em mente. O homem precisa de uma nova identidade, uma nova identidade onde prevalecem as qualidades positivas, ativas, mas também passivas, como a gentileza, a bondade, além da força, a virtude, a coragem. Eu diria que Jesus é um modelo por excelência.
Corajoso, forte, sensível, compassivo, meigo. Na dificuldade de encontrarmos referências, quem sabe Jesus poderia ser o modelo, por excelência, para o homem. E não apenas para o homem, mas também para o homem moderno. Em João capítulo 19, 5, nós lemos aquele versículo quando Pilatos diz, eis aqui o homem, aqui está o homem, vamos aprender com este homem. Nós precisamos, como dizia António Estrada, autor de Família, Crises e Oportunidade, um professor que tive a oportunidade de ter na faculdade, ele dizia, hoje precisamos do pai pródigo, o pai que volta a casa.
Um outro autor, David Hocken, ele diz, a atual crise familiar poderia ter sido erradicada se a liderança e a lealdade do homem tivesse sido restaurada em cada casal, em cada família. James Dobson, um conhecido conselheiro cristão, diz, isto é ser homem. Nesse livro ele diz assim, o mundo ocidental está numa encruzilhada da sua história. Nossa sobrevivência dependerá da presença ou ausência da liderança masculina em milhões de lares. Se a nossa nação há de sobreviver, ele diz, às incríveis pressões e tensões é porque os esposos e maridos e pais colocaram outra vez as suas famílias ao nível mais elevado do seu sistema de prioridades.
Portanto, é isto que nós precisamos. Eu gostava de deixar aqui uma ilustração. É conhecido a história de Claude Monet, um grande pintor. Ele foi muito bem-sucedido e a sua inspiração era a sua esposa. E ele dedicou tudo ao seu trabalho e negligenciou a sua esposa Camille, que amava muito. Ele, para quem não conhece, é um célebre pintor do impressionismo do século XIX. Acontece que, pela dedicação extrema ao trabalho, a sua esposa acabou por vir a falecer por todas as dificuldades que, como família, eles tinham.
Claude Monet sentiu profundamente a perda da sua esposa e dizem os historiadores da arte que depois da morte dela ele nunca conseguiu voltar a pintar como tinha pintado até ali. Aquela parte insubstituível, na sua inspiração, era a sua esposa. E aquilo que Claude Monet não fez naquela altura é o que nós hoje, maridos, homens, precisamos de ser. Ninguém nos pode substituir em casa. Por isso, precisamos de voltar às nossas casas. Obrigado, Daniel. Hoje falámos de ser homem, mas, claro, não vamos esquecer como é também ser mulher e os desafios que as mulheres hoje também enfrentam, como também o que é ser criança, o que é ser avô e por aí fora.
Mas, como chegámos ao final do programa, quero, mais uma vez, lembrar a oferta que temos para si. O Daniel Bastos, no programa de hoje, mencionou que precisamos de ter um exemplo. Pois bem, neste guia de estudo, para além das dicas práticas que vai encontrar aqui, também vai encontrar aquilo que são os exemplos bíblicos e a vontade de Deus para as nossas famílias, para o nosso contexto familiar. E é totalmente gratuito. Basta entrar em contacto connosco, mandar uma mensagem a dizer Entre Família para o 933 Vou repetir. Ficamos também a aguardar a sua sugestão, as suas dicas.
Se gostaria que abordássemos algum tema em específico aqui no programa, entre também em contacto connosco para o mesmo número de telefone. Por fim, dizer-lhe... que se não teve a oportunidade de ouvir este programa na íntegra, ele estará disponível em podcast em radiorcs.novotempo.pt, bem também nas diferentes plataformas. Basta ir até ao nosso site, subscrever e depois receberá o programa automaticamente nos seus dispositivos. Resta-me desejar-lhe a continuação de um excelente dia e voltamos a enmarcar encontros consigo no próximo Ser Família. Até lá, se Deus quiser.
Neste episódio abordamos o papel do homem no contexto familiar, discutindo os desafios e transformações que redefiniram a sua presença no lar. Com estatísticas que revelam o crescimento de famílias monoparentais (geralmente chefiadas por mulheres) e a reduzida interação entre pais e filhos (em alguns casos, apenas 37 segundos por dia), o debate destaca um fenómeno preocupante: o "desaparecimento" simbólico ou físico do homem no núcleo familiar.