Bem-vindo mais uma vez ao Ser Família. Especialmente para si que me escuta na rádio, hoje tenho uma novidade muito grande para si. A par de outros programas, agora também o Ser Família é possível, para além de me escutar na rádio, também nos ver através da sua televisão lá em casa. Como? Através do canal 186 da Mel, na TV Novo Tempo. Comigo tenho, como sempre, o pastor Daniel Bastos. Daniel, mais uma vez, bem-vindo. Muito obrigado. Pastor, vamos aproveitar até a estreia nesta nova plataforma na televisão para falar da noção de ser família.
E aproveito desde já para te perguntar como é que é ser família nos dias de hoje, olhando para trás no tempo e comparando com o que era ser família há 100 ou mais anos. É, certamente que não era a mesma coisa há 100 ou mais anos. A família, nesse tempo, via de regra, vivia sempre no mesmo lugar. Os filhos, quando eles casavam, ficavam a morar mesmo ali ao lado. Se não na mesma casa, não é? É, muito perto, de certeza. E então, o que é que acontecia? Eles... Estava ali a família toda. As crianças conheciam os tios, conviviam com os primos, os sobrinhos.
Estava tudo ali muito perto. A mãe, quando ela... A mãe estava em casa e os filhos e o pai, quando voltavam para casa, podiam contar com uma comidinha muito quentinha, não é? Era assim que funcionava. As mulheres, por seu lado, não tinham sequer o direito de votar. tinham pouca oportunidade para estudar, sobretudo, vamos dizer, o ensino universitário. Isso era para muito poucas, se é que havia mesmo algumas. E havia muitos trabalhos que lhes eram vedados por ser mulher, simplesmente. Não eram próprios para as mulheres, como assim se dizia ou pensava.
Os homens, bem, eles raramente se atreviam a fazer algum trabalho em casa e muito menos andar com o bebê ao colo, um filho, em público. Isso também não cabia. Os jovens, eles não escolhiam sozinhos com quem é que iam casar e os pais normalmente tinham uma grande influência neste processo. Mas as coisas foram mudando. Foram mudando à medida que as gerações foram sendo substituídas por outras que vinham. E em termos sociológicos, nós podemos até mais ou menos identificar essas gerações por coisas que aconteceram, eventos marcantes.
Como guerras, entre outras. Por exemplo, o meu avô, isto é um ponto de partida, terá pertencido, que ainda nasceu no século XIX, ele pertencia àquilo que chamávamos de geração perdida. Foram aqueles que lutaram na Primeira Grande Guerra, por exemplo. Depois veio a Grande Geração, que foram os nascidos até 1924. Esses tiveram que lutar na Segunda Grande Guerra, viveram ali momentos gloriosos, mas também bastante sofridos. A Geração Silenciosa, que foi a seguinte, é a geração dos meus pais. Eles nasceram até 1945.
Depois da Segunda Grande Guerra, temos os baby boomers. Depois, a minha geração, não sei se é a tua, talvez não, acho que tu és um bocadinho mais novo que eu. A geração X, não é? Que foram os que nasceram entre os anos 60 e os anos 80. Depois os milénicos, ou os millennials, que nasceram entre os anos de 80 e o fim do século, a geração da internet. E depois vem a geração da minha filha, que agora tem 24 anos, que é a geração Z, os nascidos entre 1990 e 2010. e depois então a geração alfa, aqueles que nasceram depois de 2010, e a geração C, que já são os que nasceram depois do Covid.
Ainda estão muito novinhos, não é? Ora bem, o que acontece é que com estas gerações as atitudes e os comportamentos na família foram mudando ao longo do tempo. Por exemplo, os baby boomers Pensa-se que foi a última geração em que os valores familiares ainda eram bastante fortes, os filhos tinham muito respeito em relação aos pais, aos mais idosos. A geração X, a minha geração, há uma redefinição dos valores familiares, há um aumento do divórcio, é a primeira geração em que os filhos voltam para casa e têm a casa vazia, por exemplo.
E depois vem a geração Y, em que há aqui uma manifesta perda de tradições, o divórcio fica vulgar, torna-se comum, e é época em que começam a ser prevalecentes as famílias monoparentais. Temos ainda a geração Z, em que temos pela primeira vez, de uma forma assumida, os casamentos do mesmo sexo. famílias monoparentais com pouco apego aos valores tradicionais da família. E quando chegamos à geração alfa, Então temos aqui um contexto em que há um futuro muito incerto, problemas com saúde mental, jovens à procura de ajuda de pais, de líderes, à procura de referências, pais que precisam de transmitir confiança porque estes filhos agora já são bastante inseguros.
Bem, se nós formos ver em termos estatísticos o que é que isto tudo representa Para a sociedade de hoje, para o casamento ou para a família do nosso tempo, por exemplo, em 2020, o ano da Covid, nós tivemos um recorde absoluto. Nós tivemos 92 divórcios em cada 100 casamentos. Há vários fatores para explicar isto, mas de alguma forma não deixa de ser emblemática este número, porque são valores nunca vistos antes para o divórcio. A família nuclear, aquela composta pelo pai, pela mãe, pelos filhos, ela vai se tornando cada vez Menos prevalecente.
Nos anos, no início do milénio, 40% dos agregados familiares eram, tipicamente, famílias nucleares. Hoje, já estamos abaixo dos 30%, seguramente. Sendo que muitas dessas famílias, que já não são as famílias tradicionais, uma grande porcentagem também são famílias de pessoas únicas, não é? Ora bem, então temos aqui, não tendo esta figura da família nuclear, nós temos, por exemplo, a família monoparental, que representa, calcula-se pelas estatísticas que eu estive a tentar confirmar, 18,5%, e estamos a falar do nosso país, da nossa realidade, Portugal.
18,5%, ou seja, é aquela família em que está apenas um dos pais. Depois temos as chamadas famílias reconstituídas ou recompostas. Com cerca de 8,8%, quase uma em cada dez famílias, que são famílias em que quando há filhos, pelo menos um dos filhos é apenas filho de um dos cônjuges. E então é aquela situação típica que é os meus filhos, os teus filhos e os nossos filhos, não é? Os problemas que isso traz para o seu filho.
Exatamente. E neste programa vamos abordar alguns momentos para tratar especificamente estas problemáticas. Depois temos os agregados domésticos unipessoais, ou seja, é uma pessoa viver sozinha, podem ser idosos, mas podem ser adultos solteiros, viúvos, divorciados. Portanto, isto representa um quarto dos agregados familiares do nosso país. Se tu juntares esse número, quase 20% dos tais 18% de famílias monoparentais, temos aqui um paradigma completamente diferente do que era sempre. Muito, muito diferente. Depois há um outro pormenor interessante, é que 10% das pessoas, dos agregados, são pessoas que vivem em união de facto.
Isto é a nossa realidade. A característica e a tendência são famílias cada vez mais pequenas, mais agregados familiares, mas famílias mais pequenas, com menos filhos também. Os jovens cada vez até mais tarde em casa. E um dado que é, em Portugal, isto é um dado tremendo, a média de idade dos jovens, a idade que abandonam a sua família de origem, 34 anos. É muito tarde. Com tendência a piorar, não é? É muita coisa. E pelas dificuldades que existem associadas e todas as problemáticas, porque estamos a falar de adultos que estão em casa e, portanto, os atritos, as vontades e todas estas dificuldades.
A família moderna, a família dos nossos dias, é uma família que tem desafios enormes. E quando ouvimos notícias sobre a família, normalmente ouvimos falar de problemas. Ouvimos falar de violência doméstica, por exemplo. Ouvimos falar de abuso, de dificuldades financeiras, que é uma constante, não é? Parece que está para ficar. Bem, Eduardo Sá, psicólogo muito conhecido no nosso país, diz que muitas das nossas dores mais agrestes são geradas na família, na querida família.
e muito do que não queremos ser tem a ver com algumas das pessoas que fazem parte da família. Portanto, esta é uma... Em resumo, é a realidade. Quer também, oh Daniel, sejamos honestos, aonde cada um de nós se revela na sua pior faceta também, não é? É onde nós estamos à vontade, os filtros estão desarmados, somos nós próprios. E então, neste contexto de instabilidade, nesta situação de stress, de pressão, na naturalidade que cada um tem, porque está em casa, porque está com os seus, não há disfarces.
Pronto, temos aqui um campo bastante grande para dificuldades, para atritos, para problemas e é por isto que hoje muitas pessoas questionam a família, estudam a família e, sobretudo, muitas pessoas também estão à procura de ajuda, de soluções para os seus problemas familiares. E porque aqui neste programa queremos ser família, vamos abordar estes assuntos ao longo dos programas e também, certamente, os desafios mais importantes. Para já, vamos fazer um pequenino intervalo, mas garanto que é apenas alguns segundos.
Daqui a nada estamos de volta e tenho uma surpresa para si. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança.
Estou de volta e agora chegou a altura de lhe oferecer o Guia de Estudo Entre Famílias. Este Guia de Estudo aborda vários temas e nestes temas que são tratados na revista são questões bem atuais com dicas para melhorar a convivência familiar e a lidar com os principais e mais comuns desafios que enfrentam as famílias nos dias de hoje. Bem, como os ensinamentos bíblicos relacionados com a família, claro que todas estas lições que compõem esta revista, ela tem também partes práticas com dicas para poder fazer em casa, com sugestões de atividades e também com alguns testes para que possa ir fazendo e percebendo também e medindo o estado da sua família.
Como é que pode fazer para receber totalmente gratuito este guia de estudo Entre Família? É tão simples quanto enviar-nos uma mensagem com as palavras Entre Família, para sabermos que é este o guia de estudo a que se refere, para o 933 939291. Tome nota, 933 939291. Ficamos a aguardar então o seu contacto para que depois lhe seja enviada a revista gratuitamente pelo correio para a sua casa. Daniel, Para falarmos de família, já percebemos que o contexto de família hoje em dia é completamente diferente e aquilo que tu disseste antes é surpreendente e provavelmente a maior parte das pessoas que nos estão a ver e a ouvir não têm noção que este é o conceito de família que vivemos hoje.
Se calhar é muito importante nós falarmos sobre o que é ser família, esta noção de ser família. Esta é a razão do nosso programa, não é? Mas vamos começar com algumas definições. Como é que... aqueles que escrevem os dicionários, por exemplo, as instituições definem ser família. Para bem, por exemplo, o governo americano diz que família é um grupo de duas ou mais pessoas relacionadas entre si por nascimento, casamento ou adoção e que vivem juntas. Se nós formos a um grande dicionário, muito importante da língua inglesa, que é o Webster, diz que, e eu gosto muito desta definição, a família é a unidade básica da sociedade.
A sociedade depende das famílias. É a unidade básica da sociedade. completa o autor, composta por dois pais que cuidam dos seus filhos. Nós já vemos como este tradicional está bastante alterado. Isto é hoje a minoria das famílias. Poderíamos também ir a um dicionário nosso, da Porto Editora, por exemplo, que diz que família é um conjunto de pessoas com relação de parentesco que vivem juntas. Agregado familiar seria um outro sinónimo. Bem, feitas as definições, todos já temos uma ideia e sempre tivemos, no fundo, do que é ser família, a pergunta que se põe é, depois de tantas transformações, de tantos desafios, continua a ser a família, esta unidade básica da sociedade, algo indispensável?
Podemos viver sem família?
Será que a família se terá tornado irrelevante? Eu penso que muitas pessoas dirão que não, que ela não é irrelevante. Agora, como viver a família? É a pergunta que se põe. Como ser família hoje? Eu vou voltar a mencionar Eduardo Sá, este psicólogo bem conhecido. Ele diz isto, a família cria laços e histórias. E tem pessoas que nos dão colo e exemplos, que nos fazem sentir o melhor do mundo para alguém. Ora, nós não podemos, emocionalmente falando, afetivamente, e por aquilo que é o ser humano, nós não podemos simplesmente descartar a família.
A família tem um papel muito importante na formação da pessoa. Eu gostava de sugerir que a família nem sequer é uma ideia humana, é uma ideia que está linkada à origem do ser humano. Para aqueles que cremos na Bíblia, vemos como as duas coisas surgem quase que na mesma altura e em paralelo também, o poderíamos dizer. Então, em face disso, a família tem um papel fundamental no desenvolvimento da pessoa, do ser humano. tem tudo a ver com a identidade, a formação da identidade.
Quem sou eu? Onde é que eu vou buscar a minha identidade? Bem, não apenas geneticamente, mas aquilo que eu aprendo, aquilo que eu vi como modelos. Portanto, temos aqui um elemento importante que é a identidade. Depois, é suposto que a família seja um espaço por excelência para desfrutar de momentos felizes. É onde nós desfrutamos os nossos momentos mais felizes. É também suposto ser o abrigo, ou seja, numa sociedade conturbada, com muita agressividade, com muita violência, com muitos desapontamentos.
Precisamos de ter um lugar onde podemos recarregar baterias, onde podemos receber apoio também, dar apoio. Então, a família é esse abrigo, essa figura. A família também é o lugar onde nós amamos e somos amados. onde se criam os laços mais ternos, mais profundos. E a questão é... É tudo muito bonito, não é? Mas como é que nós podemos ter sucesso nesta experiência?
Deixe-me sugerir que, Daniel, nós precisamos de olhar para a família, não apenas como um fator, não pela parte económica, não pela parte apenas emocional. Nós precisamos de olhar para a família em vários ângulos e precisamos ter uma abordagem multidisciplinar, assim como o ser humano também tem várias dimensões. Portanto, a família. E é por isso que existe este programa, é isso que nós pretendemos fazer com este programa. Abordar assuntos como, por exemplo, a relação conjugal, a educação dos filhos, a comunicação, os conflitos, questões ligadas à separação e ao divórcio.
Então, é basicamente isto que se pretende, que nós pretendemos e desejamos fazer com este programa. Alguém disse, e é verdade, eu gostava até que a gente parasse aqui um bocadinho para pensar nisto. A família é como uma árvore com galhos, que crescem em diferentes direções, mas que têm a mesma raiz. É tão verdade que o nosso cenário é precisamente essa árvore, com esses galhos e com essas raízes. Mas também não é menos verdade, Daniel, que muitas pessoas hoje em dia já cresceram em lares e em famílias destruturadas, descredibilizando aquilo que é ser família.
Ou seja, quer queiramos quer não, aquilo que é o nosso contexto familiar, o nosso testemunho, vai influenciar grandemente aquilo que serão as famílias de amanhã. É necessário inverter o ciclo, não é Daniel? É, eu acredito que há muitas pessoas que até nem gostam muito de falar sobre isto, porque a família é a sua dor, é o seu trauma, é a sua dificuldade. Muitas pessoas estão desiludidas, porque passaram por grandes desapontamentos. Talvez há uma geração de jovens, estas gerações mais recentes, que tornaram-se céticos. porque não viram aqui uma história de sucesso nas suas próprias famílias de origem.
E a mensagem que neste programa nós vamos tentar transmitir sempre é que a família é um projeto indispensável na vida do ser humano, por isso vale a pena fazer todo o investimento. Vale a pena dedicar tempo, aprender. É difícil, mas não é, sim, tão difícil. Ou seja, não é impossível, mas exige empenho, exige esforço, exige desprendimento, dedicação. Exige, sobretudo, que a família seja uma prioridade.
Ela deixou de ser. Há tantas coisas que nos distraem. A família deixou de ser uma prioridade e por isso as experiências negativas e por isso o desacreditar na família. Mas quando eu compreendo quão importante isto é para a minha felicidade e para a felicidade daqueles que vem depois de mim. Então, eu só posso ter a opção de investir e fazer das coisas mais importantes, as mais importantes. Daniel, e muito rapidamente, nunca é tarde mais, não é? Não, nunca é tarde. Nunca é tarde. O que eu preciso é de ter abertura, não perder a esperança também e, sobretudo, ter o espírito aberto para aprender.
Aprender aquilo que eu tenho que fazer também para dar o meu contributo. Porque a família... O verão não é feito por uma andorinha e a família não é feita por uma pessoa, como nós acabamos de definir. Obrigado, Daniel. E é precisamente porque queremos capacitá-lo aí em casa, para que tenha as ferramentas certas, para que possa também ser um exemplo na sua família, que temos para lhe oferecer este Guia de Estudo Entre Família. E fica a conhecer, por um lado, um conjunto de dicas práticas para uma boa comunicação e um ambiente familiar saudável, e por outro, os conselhos de Deus para que possa fazer da sua família, eu diria, um bocadinho do céu.
É muito fácil, o que tem que fazer é mandar-nos apenas uma mensagem com as duas palavras, ENTREFAMÍLIA, para sabermos que é este o guia de estudo que se refere, e depois entraremos em contacto consigo para lhe enviar gratuitamente a revista para a sua casa. Faça-me chegar estas mensagens para o nosso número de telefone, é o 933-939291. Vou repetir, 933, 939291. Como disse, este guia tem também partes práticas para si, com algumas sugestões, e eu lanço desde já um desafio. Por que não fazer-nos chegar às suas histórias? Conte-nos as suas experiências. Como é que foi a reação da sua família ao realizar algumas das tarefas que estão propostas aqui na revista?
Faça-nos chegar essa informação, pode ser através do nosso número de telefone, pode ser também através das nossas redes sociais. Por fim, despedir-me e dizer-lhe que este programa estará disponível em podcast em rado.rcs.novotempo.pt e também pode assinar o podcast nas diferentes plataformas de podcast à sua disposição e depois o programa vai automaticamente para os seus dispositivos. Despeço-me, marco encontro consigo para o próximo Ser Família. Até lá, se Deus quiser.
Como era ser família há 100 anos e como é hoje? Daniel Bastos analisa a incrível transformação da família através das gerações e os desafios atuais em Portugal (divórcio, novas estruturas). Um olhar realista mas esperançoso sobre a importância vital da família. E temos uma oferta especial para si!