Vamos trazer-lhe mais um Ser Família. É um prazer enorme estar na sua companhia e este que é o sexto programa onde vamos estar a abordar estas barreiras a dois, estas dificuldades que acontecem nos relacionamentos. Como sempre, temos connosco o Daniel Bastos. Daniel, bem-vindo. Obrigado. Hoje vamos falar desta sexta barreira, deste problema, deste atrito que se
coloca entre os casais. Que assunto escolheste para o programa de hoje? Vamos falar sobre o abuso. O abuso, particularmente, em situações sofridas no passado. da pessoa. Como abusos no passado afetam o relacionamento nos dias de hoje. Claro que se hoje a relação tem abuso, é abusiva, claro que isto inviabiliza qualquer proximidade, qualquer alegria maior e felicidade. Mas isto tem de ser tratado rapidamente, pode ser necessário que seja preciso recorrer à ajuda externa.
O que nós, não é o nosso tema de hoje, o que nós queremos nos concentrar naquilo que vamos conversar são as experiências traumáticas ocorridas em algum momento no passado que produziram marcas e feridas que estão a condicionar a vida da pessoa hoje. que são elas também uma barreira hoje. Exatamente. E isto se torna em si uma barreira. Eu vou ilustrar isto com a história de dois cãezinhos. Eu vivo em Penela e também colaboro no meu trabalho com a Associação Portuguesa de Medicina Preventiva, que tem um centro, que é o Centro Vita Salos.
É uma propriedade grande, na serra, um lugar bonito, E muitas vezes eu vou até esse lugar, uma propriedade grande, são 10 hectares, e há lá dois cãezinhos sempre que me vêm dar as boas-vindas. É o Sherlock, que é de um amigo meu, que também alguma vez já esteve aqui na Novo Tempo, o Dr. Viriado Ferreira. E este é um amor de cãozinho, vem todo contente e todo feliz. E atrás dele vem um outro cãozinho, que é o Fox. O Fox é castanho, ele não se aproxima muito, ele acompanha sempre o Sherlock. Mas já agora dizer que o Fox é um cão que, pelo menos nos seus últimos tempos, era um cão vadio, portanto apareceu e depois foi adotado.
Mas o interessante, ele anda sempre por ali, sempre atrás do Sherlock, também vem ter connosco, mas nunca se aproxima muito e nunca permite que quem quer que seja lhe ponha a mão para lhe fazer uma festinha. Obviamente que nós não sabemos, porque ele não tem uma caixa negra, não é? Com todas as experiências... Nem desabafa... Nem conta, não é? Mas nós só podemos imaginar que há algum momento, na vida daquele cão, ele sofreu violência e tem agora os seus traumas. Então, o que é que acontece? como uma proteção, uma medida de defesa, ele não se aproxima muito. Ele quer, mas ele tem medo.
Então, para se proteger, ele fica sempre à distância. Ninguém lhe consegue fazer uma festinha. E eu imagino que isto pode ser aquilo que também se passa com muitas pessoas, não é? Acontecem, infelizmente, questões não resolvidas, sobretudo em novos relacionamentos. Ou seja, pessoas que já tiveram casadas, por exemplo, e que tiveram uma má experiência, tendem a transportar essas dificuldades para um novo relacionamento, ou pelo menos fazer como o Fox, ter atitudes muito mais defensivas para não passar pela mesma experiência negativa outra vez. Eu até iria me atrever a dizer, Daniel, que às vezes nem é preciso ser um segundo casamento.
Pode ser mesmo um primeiro. Experiências da infância, relacionamento traumático, até com os próprios pais ou com irmãos, na escola, tudo isto pode... significar uma bagagem que vai impedir a pessoa de ter uma relação normal, de confiança, de tranquilidade com a outra pessoa. Eu li uma história, que é uma história muito dura, que vou partilhar. Vamos chamá-la de Maria, o nome não é Maria, não é? Mas pronto, não é uma história portuguesa, é uma história de outro país e para termos um nome que seja comum e que... Vamos chamá-la de Maria.
Era a filha mais velha de uma família que tinha oito filhos. A mãe muito devota, muito crente, todos os... semanas na igreja, o pai, muito pontualmente. Era uma pessoa bastante indiferente nestas questões espirituais. O problema é que, com 13 anos, ela era a filha mais velha, o pai molestou-a sexualmente. Na sua angústia e sentimentos de culpa, ela procurou a igreja. A igreja que a sua mãe frequentava, não é? E foi mesmo se confessar, porque havia ali muita vergonha, muita culpa, por causa das experiências que já tinham acontecido.
Na altura, o sacerdote com quem ela estava a conversar, e isto é preciso que se compreenda, já foi há uns anos, disse-lhe isto, olha, o que é que tu queres? Queres que o teu pai vá preso? E ela disse, não, não, nem pensar, não quero que o meu pai vá preso. Então, cala-te e não estejas a falar dessas coisas e obedece ao teu pai. O que aconteceu é que, a partir daquele momento, a Maria nunca mais quis sequer colocar os pés na igreja, não quis orar, ela estava-se a sentir completamente sozinha, não é?
A dada altura, na sua adolescência, ela tem episódios de ataques de pânico, sofre de depressão, ansiedade, pensamentos suicidas, desordens alimentares, enfim, uma carga enorme de vergonha e de culpa, não é? Até a memória falha, a sua aprendizagem na escola é muito comprometida com isso. As suas irmãs, portanto, também foram vítimas de abuso sexual, da parte daquele pai, Mas mal alcançaram a idade. fogem, desaparecem de casa, arranjam umas por trabalho, outras, enfim, e vão todas embora.
Mas quando ela tenta fazer o mesmo, ela que era mais velha, o pai proíbe-a de sair de casa e ela é obrigada a permanecer em casa, não é? Com 20 anos, ela conhece um rapaz, apaixona-se por este rapaz, engravida deste rapaz, E quando o pai se apercebe o que está a acontecer, o pai vai ser muito rude com ela, vai proibi-la de ver esse rapaz, espanca, fazendo com que ela tenha um aborto, não é? Portanto, a situação cada vez vai se tornando pior, não é? Entretanto, a mãe apercebe-se de algumas situações, portanto não se pode dizer que ela está inocente na questão, mas ela teme o espírito muito autoritário e violento do pai e não faz absolutamente nada.
É com 32 anos que a Maria finalmente consegue sair de casa e nem sequer imagina que alguma vez seria capaz de casar ou de ter uma família. e de organizar nessa parte social a sua vida. Mas um dia uma amiga aconselha a procurar ajuda, procurar orientação, aconselhamento, e ela vai ter exatamente com este senhor que eu tenho mencionado, que é João Reguier, que faz terapia familiar e usa a Bíblia como modelo para o seu tratamento.
E com ele, ela vai aprender a ter uma compreensão do perdão divino, no sentido de curá-la daquela imensa dor emocional. Só então ela se apercebe da sua imensa amargura, amargura que ela tem em relação ao pai, como é óbvio, mas também em relação à família toda. À mãe porque não fez nada, às irmãs porque também a abandonaram, não é? Elas próprias, infelizmente, também vítima. E em relação a Deus, por não ter impedido que ela tivesse vivido aquele inferno por tanto tempo. Mas ela vai aprendendo e à medida que ela coloca em prática estes princípios, o princípio do perdão em relação à dor emocional, A sua ira começa a dissolver-se, ela começa a experimentar paz na sua vivência e 25 anos depois dela ter começado o seu calvário, vamos dizer assim, ela é capaz de manter um relacionamento, ela começa a namorar um senhor, um jovem, não é?
Da idade dela, neste caso, que depois termina no seu casamento, não é? E ela passa a ter, ela alcança aquilo que ela nunca imaginou que seria capaz e, por tudo que li deste episódio, alcança uma relação até bastante estável e aceitável, tendo em conta o background terrível de onde ela veio. E todos nós certamente acreditamos que mesmo esse relacionamento e esse casamento lhe foi trazendo desafios acrescidos e que certamente com a ajuda de Deus e um do outro tiveram que os ultrapassar, mas eles também estavam lá. Também não se ultrapassa totalmente todos esses abusos. Vamos fazer um pequenino intervalo.
É mesmo muito breve. Voltamos já a seguir, porque sabemos que não é só a parte sexual onde há abusos. Vamos conhecer outros abusos. É mesmo já a seguir. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança.
Estamos de volta para a segunda parte e comprometido com uma oferta muito especial para si, o Guia de Estudo Lar, Doce Lar. Aqui vai encontrar várias barreiras, várias dificuldades que muitas vezes lidamos num relacionamento, como lidar com traumas familiares. Precisamente o assunto que estamos a falar hoje é um dos capítulos que vai encontrar aqui nesta revista. Não só o que fazer para salvar um lar em crise ou ainda a importância do perdão para recomeçar. São apenas alguns dos exemplos dos diferentes tópicos que vai encontrar aqui neste guia de estudo bastante completo e que é totalmente gratuito. Para si, basta enviar uma mensagem para 1-933-939291 a dizer LAR12LAR e depois entraremos em contato consigo para lhe fazermos chegar a sua casa pelo correio.
Estávamos, precisamente, a falar do impacto que o abuso sexual na infância trazia para o novo relacionamento, mas é importante olharmos, porque sabemos que não é só esse abuso, há muitos tipos de abuso que podem trazer muitos tipos de barreiras num relacionamento. E que se constitui nessa tal barreira que o amor depois possa fluir com a sua normalidade e com a sua alegria. Sim, há várias experiências traumáticas de abuso que podem acontecer na vida de alguém. Para começar, o abuso físico, não é? Por exemplo, atos inapropriados que causam dor e sofrimento. O uso de violência física.
Mesmo, por exemplo, crianças que são espancadas pelos próprios pais, muitas vezes. de uma forma completamente desadequada, inapropriada, são experiências que, de alguma forma, deixam as suas marcas. Falamos sobre... o exemplo que demos foi de abuso sexual, que é definido como o ato em que alguém é usado para proporcionar prazer sexual a outra pessoa contra a sua própria vontade. qualquer forma de imposição, seja a força ou a ação, para forçar a vítima a participar ou presenciar atos sexuais indesejados.
Mas também existe o abuso emocional ou psicológico, que basicamente pode acontecer com agressões verbais, comportamentos que causam danos emocionais, que reduzem a autoestima e que buscam, de alguma forma, controlar a vítima por meio de ameaças, humilhações, perseguição ou isolamento social. Também se fala sobre o abuso moral, quando a reputação, quando se tenta denegrir ou prejudicar a reputação ou a imagem, neste caso, da vítima. incluindo a calúnia, difamação, injúria, críticas que desqualificam a pessoa publicamente.
E hoje em dia, com a realidade das redes sociais, isso está mais presente do que nunca, não é? É, exatamente. Não deixa de ser um abuso. Fala-se menos, mas também temos que aqui dizer que também existe um abuso espiritual, não é? E isso acontece quando nós tentamos, ou quando alguém tenta impor com um espírito que não é um espírito de amor, porque lembremos que a lei de Deus é a lei do amor. Amor a Deus, amor ao próximo, não é? Então, quando num espírito que não é de amor, nós tentamos, ou alguém tenta impor, forçar noutra pessoa as suas ideias, os seus princípios, ou verdades religiosas.
E, portanto, é muitas vezes... difícil de aceitar ou compreender o porquê do abuso. Mas, neste contexto em que vivemos, é preciso também lembrar que o próprio Jesus, o próprio Deus, foi vítima de muito abuso quando esteve entre nós, quer físico, quer espiritual, de toda a forma, não é? E como é que nós podemos, olhando para Para esses problemas, para essas feridas todas, como é que se pode resolver essas feridas do passado e permitir que hoje possamos viver e desfrutar a vida e o relacionamento de forma saudável no presente?
É isso que todos nós queremos. Agora, no mundo em que vivemos, é preciso ter em mente que todos nós Em algum momento da nossa vida, fomos vítimas de algum tipo de abuso. Todos nós já sofremos feridas. Isto é quase que obrigatório. Ninguém está tão protegido que não sofre algum tipo de agressão ao longo da sua experiência, não é? Podem estar mais ou menos vincadas, mas estão lá. Claro, é verdade que nem todos os casos, felizmente, têm a gravidade daquele caso que contamos antes do intervalo, não é?
Aquele foi um caso extremo, um caso bastante agudo, bastante complexo, mas infelizmente não é o único, porque certamente que existem casos ainda piores e semelhantes por aí. Mas vamos dizer e vamos acreditar que não é a regra, não é? A maior parte das pessoas não passa por isso, queremos nós acreditar que sim, ou pelo menos não sofre daquela forma, aquela agressão, por tanto tempo. Mas, nas nossas circunstâncias, todos nós, de alguma forma, já fomos vítimas.
E pensamos, bem, isto é normal, é mesmo assim, todos passam por isto, não é? E a vida continua. Mas apercebemos-nos que temos qualquer coisa que não está bem ou que nos está a condicionar ou que se constitui como uma barreira quando, por exemplo, alguém nos faz algo Vamos falar aqui de um casamento, não é? A esposa diz qualquer coisa ao marido e ele reage de uma forma desmedida, desproporcionada. Dá uma importância àquele pequenino problema, como se aquilo fosse uma coisa enorme, não é? Poderíamos usar como analogia, por exemplo, alguém me dar um toque, à partida um toque suave, só que em cima de uma ferida.
E eu reajo. Foi um toque muito suave, não é? Até pode ter sido carinhoso. Mas como foi em cima da ferida, eu vou reagir. Claro, acende aquele gatilho, não é? Exatamente. E emocionalmente é isso que se passa. E aí é que eu me apercebo se de facto eu tenho ou não cá feridas dentro, resultante de experiências traumáticas, mais ou menos traumáticas, de abuso que fui sofrendo ao longo da vida. Pode ter sido que eu ultrapassei todas aquelas coisas, não guardei de facto nenhum ressentimento ou amargura, ou não. E quando eu faço uma experiência de reflexão, uma tomada de consciência, eu vou me aperceber.
Eu diria que a grande maioria de nós temos alguma coisa. E como é que eu posso resolver ou tratar, se for o caso? Bem, é um exercício muito fácil, Daniel. Eu posso pegar uma folha, escrevo o nome das pessoas mais próximas, com quem eu lidei, amigos, professores, pais, não é? Procuro lembrar-me de experiências destas um bocadinho traumáticas, não é? Salvo aguardar aqui que se eu tenho a plena consciência de experiências profundas, de trauma profundo, talvez eu precise de ajuda psicológica, não é?
Mas se são coisas, vamos dizer assim, sobre as quais eu nem tenho consciência, eu posso fazê-lo. Escrevo, então, o que essas pessoas me fizeram, debaixo de cada nome, e depois eu vou adjetivar isso. No fundo, eu vou trabalhar a parte emocional. É uma terapia que tem a ver com as emoções. Como é que eu me senti quando aquela pessoa... Pode ter sido a minha mãe, a minha querida mãe. Como é que eu me senti quando aquela pessoa me fez isto? Há uma longa lista de palavras que descrevem sentimentos. Eu poderia mencionar apenas algumas. Eu senti-me humilhado, senti-me acusado, abandonado, controlado, destruído, enganado, degradado.
E depois eu posso orar. O próximo passo, antes de orar, peço desculpa, seria decidir perdoar aquilo que estas pessoas me terão feito. Eu posso ter vivido estas experiências sem nunca decidir perdoar. E por isso o ressentimento e por isso a amargura. É verdade que o perdão deve ser compreendido. Nós já aqui no Ser Família temos falado sobre o perdão. O perdão não implica necessariamente no restabelecimento de um relacionamento, de abuso, por exemplo. Deve ser comunicado da forma que for a mais adequada.
Mas o perdão, sobretudo, liberta-nos, liberta a vítima de um peso Ele liberta a própria pessoa. A própria pessoa, a vítima, aquela pessoa que foi alvo da agressão. Então, o segundo passo seria pedir exatamente, decidir perdoar. Depois, o terceiro passo, falar com Deus. E aí é que vem, então, a parte da oração. Entregar aquela dor emocional a Deus e pedir que Deus nos possa curar dela. Eu gosto muito do Salmo 103, 3, que diz que Deus é aquele que perdoa todas as nossas faltas, mas cura todas as nossas enfermidades, as nossas feridas.
e algumas feridas são difíceis de serem curadas. Não é algo que nós possamos fazer por nós próprios. Deus é o grande médico. Se eu tenho mágoas, traumas... Eu preciso primeiro identificar, depois decidir perdoar e depois eu tenho que levar isto a Deus e pedir a cura divina para estas feridas, estas dores. Quando este processo é bem feito, eu posso finalmente desfrutar da liberdade. Um coração livre era como se o Fox tivesse esta capacidade e agora o que é que ele iria fazer?
Em vez de se manter à distância, ele junto com o Sherlock vinha a abanar o seu rabinho, ele iria receber festinhas, iria dar as suas lambidelas, ou seja, ele iria estar numa posição em que, sem medo, Ele iria receber e dar amor. A vida só tem sentido quando eu sou livre para, sem medo, amar e receber amor. Fantástico.
Enfim, pode não ser um processo simples, pode não ser até rápido, mas com a ajuda de Deus é importante que façamos essa caminhada juntos. Às vezes, como disseste no início, podemos precisar de ajuda externa. Exatamente. Se as feridas são grandes, podemos precisar da ajuda de um conselheiro, de um terapeuta familiar. Chegámos ao fim do nosso episódio de hoje e também temos uma ajuda para si. Se por acaso há alguém que viveu uma situação de algum tipo de abuso e tem até dificuldade em lidar com o perdão, precisamente entre vários assuntos, não é só sobre isto, o guia de estudo que temos para oferecer hoje fala precisamente também sobre o perdão, tem um capítulo específico sobre o perdão entre muitos outros, como, por exemplo, ajuda a resolver algumas das questões que todos nós, num contexto familiar, acabamos, mais para a frente, mais para trás, de lidar com elas.
E é totalmente gratuito, basta enviar-nos uma mensagem a dizer Lar, Doce Lar, que é o título deste Guia de Estudo, depois nós mesmos entraremos em contacto consigo para lhe fazer chegar a este Guia de Estudos gratuitamente a casa pelo correio. O número de que o deve fazer está em rodapé 933-93-9291. Dizer-lhe também que este programa, como toda a série, está disponível em podcast em radioaccess.pt e no YouTube da Novo Tempo Portugal. Mais uma vez, um grande abraço. Obrigado por estar desse lado. No próximo programa vamos trazer-lhe mais uma barreira Ainda temos este assunto pela frente, pelo menos mais um episódio, e certamente estaremos aqui de peito aberto e com muito prazer para o receber.
Então até lá, se Deus quiser.
Feridas do passado podem tornar-se barreiras no presente. Como reconhecer o impacto do abuso e voltar a abrir espaço para o amor?