Trauma... Quando Nos Sentimos Presos Dentro da Nossa Mente

Trauma... Quando Nos Sentimos Presos Dentro da Nossa Mente

01 de Julho de 202527 min 28 s

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O impacto dos traumas

Olá, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda a mais um episódio deste que é já o seu programa Mentes que Sentem. Estamos aqui, temos estado aqui ao longo destas semanas, na graça de Deus, tentando trazer para vós algumas informações que vos possam ajudar naqueles que são os desafios de todos nós, que são, por vezes, a falta de saúde a nível mental. Nós estamos aqui do coração aberto, com a ajuda de Deus, a tentar ajudar-vos a si ou, quem sabe, a um amigo em que possa também dizer-lhe deste programa, poder participar, poder ver também e poder também, inclusive, enviar as suas perguntas, as suas dúvidas para este que é o seu programa. Como sempre, nós temos a companhia da doutora Cristina Dias.

Olá, Cristina. Seja bem-vinda novamente mais uma semana. e que o senhor continue a inspirar-te neste ministério tão necessário, que realmente é cuidar da nossa mente. Obrigada, Melu. Tal como temos partilhado, é muito bom estarmos neste local, onde nós podemos, de alguma forma, termos um espaço para refletirmos, para podermos ponderar. É agradável e é bom podermos estar aqui. Muito bem. Nós no último programa, portanto no último episódio deste programa, nós começamos a abordar o tema dos traumas. Portanto, o trauma que tanto nos pode afetar a nível físico como a nível psicológico, com certeza emocional. E falamos, inclusive, das AS, ou seja, Adverse Childhood Experiences, que são as experiências adversas na nossa infância.

E será que poderias desenvolver um pouquinho mais, visto que não foi muito falado no último episódio, sobre esta questão dos traumas infantis e como isto nos pode realmente afetar na continuidade da nossa vida? Este é um tema complexo, é um tema vasto, mas a verdade é que esse estudo que nós falámos no episódio anterior veio acabar por demonstrar algumas perceções que ainda hoje são referência no âmbito da saúde. A primeira é que o trauma nos afeta a todos. Afeta-nos individualmente, afeta-nos como família, afeta-nos como sociedade, então nós temos que intervir. É algo, é uma área na qual nós devemos intervir. A segunda é que as experiências adversas na infância que potencialmente traumatizam a pessoa e condicionam o seu desenvolvimento normal, acabam por ser muito mais comuns do que aquilo que nós achamos e acabam por ser consideradas preditoras de níveis de saúde, de qualidade de saúde que tu vais ter.

Seja de forma positiva, seja uma saúde que possa estar mais debilitada. E, por outro lado, nós temos que compreender que nós reagimos de forma diferente. Sabes, quando pensamos nesta questão, gostava de introduzir um pequeno exemplo. Já partilhei contigo que gosto de exemplos. Imagina que nós as duas entramos neste espaço, nesta sala. e por uma questão de privacidade, tu fechas a porta. Fechas a porta do espaço naturalmente. Isto para ti pode ser um ato absolutamente comum, banal. Para mim, pode ser algo que represente uma ameaça. Imagina que no meu percurso de vida Eu tive alguma situação em que, por exemplo, eu presenciei um assalto à mão armada num local fechado.

Eu fiquei durante horas presa num elevador e com toda a sintomatologia ansiosa que aquilo causou. Eu fui de alguma forma vítima de abuso. seja verbal, seja físico, era perpetuado num espaço à porta fechada. Então, só o acto de tu fechares a porta, algo que para ti pode ser absolutamente corriqueiro, para mim pode despoltar uma série de reações que evocam o impacto do trauma no meu desenvolvimento. Então, a questão que coloca-se é O que é que acontece dentro de nós quando somos expostos exatamente a essa situação, a essas circunstâncias que potencialmente

O desenvolvimento humano saudável

nos traumatizaram no passado? O que é que no fundo acontece? Porque é que reagimos assim? Essa é uma pergunta pertinente e é lógica. Eu creio que para podermos responder essa pergunta, nós primeiro temos que fazer uma outra pergunta prévia, que é o que é que nós esperamos ver num desenvolvimento humano salvável? Não vamos abordar tudo, mas vamos dar aqui apenas alguns indicadores. Aquilo que se considera que faz parte de um desenvolvimento humano saudável são algumas condições. Uma delas é tu olhares para o mundo e perceberes de forma confiável o mundo. Claro, com um determinado nível de confiança. Vou dar exemplos. Eu não entro no autocarro todos os dias a questionar se o motorista sabe conduzir. Eu não estou aqui sentada à espera que o teto me caia em cima da cabeça.

Eu não vou ao supermercado comprar alimentos e perguntar se aqueles alimentos estão em condições para consumo. Ou seja, tu desenvolves um determinado nível de confiança face às pessoas e face às circunstâncias. Claro, com algumas reservas, naturalmente. Então, isto faz parte do desenvolvimento humano saudável. Outra característica que faz parte do desenvolvimento humano saudável, tem a ver com a forma de tu perceberes que tens a capacidade de resolução de problemas e que há flexibilidade nessa resolução de problemas. Vamos imaginar mais uma vez um exemplo. Imagina que entramos e tu me dizes, olha, estou com frio, esqueci-me do meu casaco. Então, nós podemos, imediatamente, equacionar várias hipóteses de resolução.

Olha, podemos fechar a janela, apostar a fazer corrente de ar. Eu posso tempestar um casaco que tenho ali. Em última instância, podemos ir ao local onde tu te esqueceste do casaco e ir buscar o casaco. O que é que nós estamos a fazer aqui? Nós estamos a equacionar soluções para um problema e estamos a flexibilizar o tipo de soluções que encontramos. Isto faz parte do desenvolvimento saudável. E, naturalmente, vai aumentando, à medida que nós vamos crescendo, vai aumentando a capacidade de resolver problemas cada vez mais complexos. Mas nós temos que ter esta autopercepção de que temos esta noção, esta capacidade de desenvolvimento, de resolução de problemas. Outra característica que é extremamente importante e faz parte deste desenvolvimento saudável, tem a ver com a gestão das nossas emoções.

Tu reconheceres, identificares os teus sentimentos, as tuas emoções, mas mais do que isso, aprenderes a lidar com elas o tempo suficiente para as administrares. Imagina, estou feliz. Ok, eu consigo gerir esta emoção da felicidade. Estou triste. Como é que eu lido com a tristeza? É algo que eu aceito e procuro integrar na minha vida ou estou constantemente a ter estratégias de evitamento face a isto? Fiquei frustrada. O exame na faculdade não correu bem. Como é que eu lido com a frustração? Portanto, faz parte deste nosso desenvolvimento humano a capacidade progressiva de irmos gerindo, administrando, reconhecendo e identificando as nossas emoções.

Também faz parte do desenvolvimento humano saudável. A questão de nós criarmos uma identidade estável e um senso de autocompetência. Aquilo que falávamos da resolução de problemas ajuda-nos a posicionarmos e a ficarmos com a perspectiva de que nós temos um senso de identidade, nós somos capazes, nós não estamos totalmente desprotegidos. Nós conseguimos agir sobre as circunstâncias e sobre as situações. E ainda, para poder responder a esta questão inicial, é também importante a capacidade de desenvolvermos relações de confiança com aqueles que estão à nossa volta e termos a percepção de que podemos confiar nelas quando necessitamos.

Tudo isto faz parte do desenvolvimento saudável agora. Todas estas áreas, existem muitas outras dimensões, mas todas estas áreas que estamos a referir neste momento... Podem ser ameaçadas. São áreas que dependem, em primeira instância, de um cérebro saudável. Por isso é que, e agora mais uma vez vamos voltar a insistir nisto, e provavelmente em todos os episódios iremos insistir, a importância de um estilo de vida saudável. Porquê? Porque de alguma forma capacita, cria condições para que o meu cérebro tenha outra capacidade de resposta. Agora, se nós formos pensar nesse estudo que falava nas experiências adversas na infância, todas elas, em primeira instância, afetam o quê? a tua capacidade de confiança em ti, no mundo e nos outros.

E, por outro lado, se nós pudéssemos utilizar uma expressão extremamente simplista, nós poderíamos dividir o nosso cérebro em duas secções. Nós diríamos que temos o cérebro pensante, racional, e temos o cérebro emocional. Aquilo que se verifica ao longo de um desenvolvimento saudável seja numa criança, numa adolescente, num adulto, é que progressivamente o teu cérebro, estes dois cérebros, sei que nós podemos utilizar esta expressão, eles trabalham a equipa. Portanto, sempre que nós somos confrontados com um desafio, com uma situação de stress, Eles trabalham de forma integrada para tentar repor esse equilíbrio. É o que nós chamamos, por exemplo, das estratégias de coping.

Ou seja, estratégias que visam lidar com um fator que nos causa o stress ou desafiante e que permitem, em última instância, repor o equilíbrio. Mas esta base, que é fundamental, tudo isto que eu referi que é fundamental, é das primeiras coisas a ser afetada quando nós passamos por experiências adversas. Então, nós poderemos, talvez, utilizar a expressão de um cérebro traumatizado, que não se aplica apenas a algo visível, como é, por exemplo, quando há um acidente e há um traumatismo craniano. Estas experiências vividas na infância se calhar até na adolescência, porque muitas das experiências também se podem aí viver, e até na idade adulta, creio que nos marcam também para sempre.

Mas, particularmente nesta questão da infância, pode deixar exatamente essas marcas, esses traumas, que nos impedem de ter essa natural abordagem à vida, com essa resiliência e essa preparação que nos dariam viver saudável, não é?

O cérebro traumatizado

A nível emocional. Sem dúvida. Vamos voltar a pegar no exemplo da porta. Imaginemos, entramos as duas, tu fechaste naturalmente a porta. Percebemos que, olha, por alguma circunstância ficamos as duas presas. Ficamos nervosas, muito previsivelmente. Mas tu que não tens no teu passado nenhuma bagagem que te... redireciona para momentos mais complicados, tu és capaz de procurar soluções. E dizeres, ok, eu estou nervosa, mas vamos tentar ver como é que nós podemos encontrar aqui uma alternativa. Quando nós estamos perante potencialmente uma pessoa que em algum momento da sua história de vida passou por uma situação que a traumatizou ou situações que a foram traumatizando, isto é importante também, a pessoa fica bloqueada.

Porque, e nós já vamos ver o que é que acontece num cérebro traumatizado, se é que podemos utilizar esta expressão, a pessoa deixa de ter a capacidade, naquele momento, de pôr a integração do nosso cérebro racional, pensante, com o nosso cérebro emocional. Ela entra numa estratégia absolutamente defensiva. A pessoa sente-se completamente desamparada. E o que nós vemos no cérebro traumatizado são três grandes impactos. Primeiro, um cérebro traumatizado fica literalmente em modo de sobrevivência. Deixa-me fazer um parênteses para poder explicar isto com mais cuidado. Quando falávamos nas experiências adversas na infância, foi o estudo que sensibilizou a comunidade científica para estas questões.

Mas não quer dizer que as experiências adversas ocorram apenas na infância. Muito, como tu estavas a dizer. O que se foi fazer foi a associação entre aquilo que ocorreu na minha história de vida e o impacto que isso tem na minha saúde atual e na maneira como eu me comporto e vejo e lido com a vida diária. Mas a verdade é que quando tu passas por alguma situação, seja ela continuada ou seja um episódio isolado, que de alguma forma te traumatiza, ficas em modo de sobrevivência. Porquê? Porque tu estás exposta a uma situação que basicamente te diz que tu não tens competências para agir sobre ela. Tu cresces numa situação perversa de medo. E esta situação de perversa de medo leva a que o teu cérebro esteja automatizado para as reações de luta ou fuga.

Ou seja, ele não consegue, de alguma forma, racionalizar naquele momento. Portanto, a porta ficou fechada, eu fiquei assustadíssima, sentia-me desprotegida e incapaz. Se tu me pedis soluções naquele momento, eu não estou capaz de o fazer. E este é um dos primeiros grandes impactos no cérebro traumatizado. Ficamos fãs das nossas emoções negativas. E antes de prosseguires na questão de como é a reação de um cérebro traumatizado, era bom nós recordarmos neste momento, lá em casa, para todos aqueles que estão a ver ou mesmo a ouvir através da rádio, que nós temos um manual de estudo que queremos oferecer com muito carinho a todos vós.

Basta ligar para o 933-939-291 e este manual Sentimentos, a Ciência do Existir, que fala sobre vários assuntos, vários aspectos, inclusive aquele que nós estamos a abordar nestes últimos episódios. Portanto, se é seu desejo tê-lo e poder, quem sabe, até partilhar com algum familiar ou algum amigo, Pode fazê-lo através do número que já indiquei e que está aí a passar no rodapé da nossa TV Novo Tempo Portugal, o 933 939 291 e teremos muito gosto em poder enviá-los para si ou para aqueles que realmente acham que precisam destas leituras. Mas como dizias, Cristina, esta demonstração daqueles que poderemos muitas das vezes contactar Pode passar por ser a nossa vida, mas pode passar por não ser, que demonstram exatamente este desafio do que é um cérebro traumatizado.

Sabes, Milu, eu creio que já terei utilizado este exemplo noutros episódios, mas como ele se adequa, eu vou puxá-lo novamente. Eu recordo-me de há uns tempos ter estado a ver um documentário sobre famílias de acolhimento e entrevistaram vários participantes, portanto, quer pessoas que faziam parte da família que acolhe, quer crianças ou jovens que, entretanto, tinham sido acolhidas pelas famílias. E houve uma experiência que ilustra muito bem esta Esta reação do cérebro traumatizado. Uma jovem, na sua adolescência, é acolhida por uma família de acolhimento que já tinha vasta experiência nesta área, portanto, não era a primeira pessoa que lá estava com eles. E trouxeram a jovem para casa, acabaram por lhe dar um espaço seu, o seu quarto, apenas lhe disseram, tens a responsabilidade de o manter organizado e arrumado.

Com a convivência, perceberam que esta jovem tinha talento para o desenho, era uma coisa que gostava. Então, a mãe desta família de acolhimento acaba, por determinada altura, a resolver fazer uma surpresa à jovem. Compra material de desenho, entra no quarto da jovem, quando ela está na escola, nas aulas, e vai colocar o material em cima da secretária. Mas apercebe-se que a secretária está desarrumada. Então, arruma a secretária e põe lá o material. A intenção daquela senhora foi fazer uma surpresa. Quando aquela jovem chega à casa, aquilo foi um motivo de discussão absurdo, de gritos, de desconforto profundo. Agora esta jovem, já uma jovem adulta, quando está a fazer este documentário, ela diz, no momento em que eu entrei no quarto, E vi o material, a minha mente só olhou para a secretária arrumada.

E a minha mente só disse, tu tinhas a secretária desarrumada. Tu estás a falhar em relação àquilo que te disseram que era para fazer. Tu deverias ter a secretária arrumada. Será que me vão mandar embora, como já fui embora de tantas outras casas?" Ou seja, ela não conseguiu racionalizar a oferta, ela só conseguiu estar em modo defensivo porque a sua experiência anterior levava a isto. E por isso aqui gostava de fazer um parênteses. Nós muitas vezes olhamos para as pessoas e dizemos Ação assim, é a maneira de ser, já não tem jeito. A verdade é que quando a pessoa está a lidar com um cérebro traumatizado, nós não podemos muitas vezes aceder confiadamente ao nosso cérebro pensante.

Foi aquilo que aconteceu com esta jovem. Outro impacto crítico num cérebro traumatizado Tem a ver também, e este exemplo faz aponte para isso, tem a ver com o teu sistema de alerta. Ou seja, é como se o teu sistema de alerta estivesse descontrolado. Tu passas a perfeccionar perigo em situações de perigo efetivo ou em situações que não o representam. Foi o caso deste exemplo. É como se tu estivesse constantemente a ter um sinal na tua mente que te diz alerta, alerta, perigo, alerta. Tu olhas para a vida, para as pessoas e para as circunstâncias sempre numa perspectiva de como é que eu me poderei defender disto. Qual é a próxima ameaça? E um dos grandes impactos perniciosos que isto tem é que não te permite viver o presente.

Ou seja, tu trazes algo do passado, tu estás a tentar proteger o teu futuro e tu não consegues aceder de forma confiada às relações e às circunstâncias no presente. Vamos mais uma vez pegar no exemplo. Imagina uma criança relativamente pequena que cresce num lar em que existe abuso verbal, abuso físico, seja por parte do pai, seja por parte da mãe, para com ela, para com esta criança. Portanto, isto é algo continuado no seu lar. Esta criança, entretanto, entra para a escola primária. E imaginemos que é a mãe que tem este comportamento com ela. Ela entra para a escola primária e ela tem uma professora. como professora da escola. E a primeira questão que vai ocorrer na mente daquela criança é este sistema de alerta ficar hipervigilante.

Será que ela vai ter o mesmo comportamento? Porque o meu ponto de referência é aquele que eu tenho em casa. O que é que eu posso fazer? Será que eu posso defender-me? Como é que eu vou agir? Até onde é que eu posso falar? De que maneira é que eu me posso sentar? E nós, muitas vezes, olhamos e dizemos, aquela criança tem problemas de aprendizagem. A pergunta que eu coloco é, se os recursos cognitivos do teu cérebro estão a ser direcionados para te autoprotegerem, Como é que tu consegues elencar o mesmo tipo de recursos para aprenderes? Muitas vezes não tem a ver com a capacidade de aprendizagem da criança, mas tem a ver com a disponibilidade para isso. Então, este é outro dos grandes impactos. Eu gostava de ler uma citação de uma mulher já adulta que falava algo sobre isto.

Ela dizia o seguinte. vivi a vida em modo hipervigilante tanto tempo, que mesmo quando a ameaça desapareceu, eu estava à beira do precipício. Esta frase, ela sistematiza à realidade uma pessoa que lidou ou que lida com traumas. Mesmo que a ameaça já não esteja presente, é como se estivesse a caminhar sempre no princípio e se a ver quando é que vais cair. E outro dos grandes impactos num cérebro traumatizado tem a ver exatamente com a forma como tu avalias o presente. Tu não consegues avaliar o presente de uma forma confiável. Tu não consegues olhar para aqueles que estão à tua volta de uma forma confiável. E embora tu possas ter experiências positivas no presente, elas poderão demorar a ter impacto para, de alguma forma, te ajudar a ultrapassar a consequência que o trauma tem tido na tua vida e na forma como tu olhas para o dia-a-dia.

Por outro lado, só para fechar um bocadinho esta questão do impacto. Sabes que muitas destas situações declinam depois, derivam depois, para o diagnóstico da perturbação de stress pós-traumático. E este foi um diagnóstico que só foi reconhecido como diagnóstico em si em 1980. O que significa que há uma série de situações que podem não ter sido devidamente diagnosticadas, portanto não estão a ter o tratamento adequado para isso. E nós, muitas vezes, rotulamos as pessoas. Dizemos que elas já não têm solução. O que não é de todo. Correto. O que não é de todo verdade. Um cérebro traumatizado condiciona a resposta da pessoa, acima de tudo condiciona a forma como a pessoa vê o mundo.

E condiciona a forma como a pessoa se percepciona a ela própria.

Caminhos de esperança e neuroplasticidade

E daí que, se tu estás a viver a vida à beira do abismo em modo hipervigilante, isto pode declinar num quadro clínico que precisa de um tratamento adequado e que não depende apenas de uma questão de força de vontade da própria pessoa. Eu creio que, e com certeza nós teremos essa oportunidade, não só de constatar esta realidade que são realmente pessoas que possam ter, às vezes até no seu subconsciente, e elas próprias não entendem e não percebem, que a sua resistência à vida, poderei dizer assim, a resistência à vida possa depender destas experiências que têm no passado. E, se nestes episódios nós estamos a abordar estas realidades, traremos com certeza, e a doutora Cristina Dias com certeza, a solução e a resolução exatamente para superar estes desafios.

se calhar constatá-los pela primeira vez na sua vida. Olha, será que a minha reação a isto ou a minha falta de reação àquilo possa se dever a este ou outro aspecto? Mas falar um pouquinho mais e dizer algo mais neste momento é que, e quando nós falamos da saúde mental, se há alguma coisa que nós possamos fazer com a ajuda daquilo que é a ciência e daquilo que Deus possa ter trazido como sabedoria a todos aqueles que estão preparados para ajudar aqueles que precisam, mas por outro lado também passar pela parte daquilo que é Deus. Porque se na nossa mente, que é aquilo que se passa, aquilo que é chamado o grande conflito, em que histórias bonitas realmente podem trazer à nossa mente a força, o alento e a coragem para seguirmos adiante, Há alguma coisa que não quer que nós sejamos felizes ou que nós não tenhamos esse prazer na vida de perceber que, independentemente do que nós possamos viver ou ter vivido, há alguém do nosso lado, com certeza que é Deus, que quer reescrever a nossa história.

E eu pergunto, Cristina, reescrever uma história de alguém que tenha vivido, sem dúvida, no seu passado ou no seu presente ou passado recente, uma experiência traumática, é possível ser superado. Nós vamos ter a oportunidade no próximo episódio de abordar isso com mais calma, mas eu gostava de deixar aqui um mote de esperança para aqueles que nos ouvem, que nos acompanham. Em termos científicos, nós podemos reconhecer uma característica maravilhosa do nosso cérebro. É a neuroplasticidade. O que é que isto significa? Imagina, por exemplo, que tu tens, de alguma forma, um acidente de viação e afeta-te uma parte específica do teu cérebro, tens uma lesão cerebral.

Em alguns casos, o teu cérebro reprograma-se, vamos utilizar esta expressão aligeirando um bocadinho o conceito, para poder fazer, exercer aquela função da área que foi afetada. Não em todas as situações, mas em alguns casos isso ocorre em termos fisiológicos. Em termos do nosso comportamento, ocorre exatamente a mesma coisa. Por exemplo, já reparaste que eu falo com as mãos. É um hábito que eu tenho. Na minha mente, no meu cérebro, existe uma série de circuitos neuronais que foram vincados e que fazem com que, quando eu falo, automaticamente utilize a mão. Se neste momento tu me dissesses, não podes utilizar a mão nas próximas conversas que nós vamos ter.

Era algo que, intencionalmente, eu teria que estar atenta, eu teria que focar-me nisso. O que é que iria acontecer no meu cérebro? Iria ser recondicionado, reprogramado um novo caminho de resposta, que envolveria uma nova ação. E, embora este exemplo seja muito poérial, se é que podemos utilizar esta expressão, demonstra esta capacidade maravilhosa que o cérebro tem. Não quer dizer que o trauma vá desaparecer da minha vida, mas a forma como nós o vamos integrar, a qualidade de vida que eu passarei a ter, depende, em última instância, não só deste cérebro fantástico que nós temos, com esta capacidade de auto-regeneração, fazendo os mecanismos corretos, mas também deste Deus maravilhoso que nos dotou destas condições.

É sempre muito bom nós podermos falar destas coisas que, embora sejam difíceis, podem ter uma abordagem completamente diferente e de superação. E é por isso que nós estamos aqui, com a ajuda de Deus. E eu queria deixar para vós, neste episódio, um dos versículos maravilhosos que o Senhor diz no Evangelho de Marcos, no capítulo 9 e no versículo 23, que diz que tudo é possível àquele que crê. E se é esse o seu caso, estarem em casa até que possa nem crer. Pedir ao Senhor que ajude a crer que essa sua experiência que viveu no passado, essa sua experiência que está de alguma forma a inutilizar a sua vida, possa realmente na graça e no poder de Deus ser transformada com a sua ajuda. E com certeza que não há impossíveis para Deus.

Que o Senhor o abençoe, abençoe e até ao próximo episódio, se Deus quiser.

Série
Mentes que Sentem · 50 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 13
Estreou
01 de Julho de 2025
Categoria
Saúde