Olá, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda a mais um programa Mentes que Sentem. É sempre um privilégio e um prazer muito grande estar junto consigo para refletirmos sobre estes assuntos tão pertinentes e tão importantes à nossa vida, como é a saúde mental em todos nós ou na vida até de alguns queridos que nós possamos tomar conta. Se é a primeira vez que está connosco, fico por aí. Se não é a primeira vez, que bom, continue connosco, tanto na nossa televisão, a Novo Tempo, como também na rádio RCS. É sempre muito bom estar convosco lá nos lugares onde vocês estão e com certeza pedimos a Deus que contribuamos para essa felicidade que todos nós almejamos. É bom estar consigo mais uma vez.
É mais um episódio deste programa em que temos, com certeza, a companhia da doutora Cristina Dias. Bem-vinda, querida, mais uma vez. Que bom é estar contigo também e obrigada desde já pela tua experiência, pelos teus ensinamentos também, que com certeza têm sido muito bons. Cristina, no programa anterior nós falamos sobre a importância dos relacionamentos. E é verdade que nós refletíamos que é sem dúvida aqui que possivelmente vêm os nossos maiores desafios. Porque, a não ser por questões de saúde, normalmente nós tendemos a estar presentes com alguém, portanto na companhia de alguém. E estar na companhia de alguém traz os seus desafios, porque nem sempre todas as pessoas concordam connosco ou sentem o mesmo que nós sentimos.
Portanto, o relacionamento é algo muito importante. como algo com uma dimensão muito essencial, portanto, para a nossa saúde e inclusive para a nossa saúde mental. Mas a pergunta que eu te fazia para introduzir mais este episódio seria, será
que ser feliz, e que no fundo é a felicidade que estamos a abordar, será que ser feliz é dizer que é ter ausência de problemas? Antes de mais, obrigada e é bom estar aqui também. Eu acho que, provavelmente, todos nós responderíamos de uma forma muito rápida a essa questão e diríamos não. Mas será que nós vivenciamos as coisas dessa forma? Eu gosto muito de exemplos. Creio que as coisas são mais facilmente apreendidas se forem através de questões práticas. E há uns anos atrás eu li uma experiência real no âmbito da parte empresarial e industrial que me fez refletir nisto. Numa determinada fábrica, que produzia pastas dentífricas, estavam com um problema.
Porque a máquina enchia os tubos de pastas, mas às vezes falhava. Portanto, aquilo que havia é que eles estavam a ter desperdício porque chegavam ao fim da produção e tinham sem número de tubos que não estavam cheios. Então, puseram uma equipa a trabalhar sobre a resolução deste problema. E qual foi a solução a que chegaram? Então, montaram um sensor na linha de produção e sempre que percebia que aquele tubo não tinha o peso que à partida seria desejável, estando cheio, a linha parava. E aparentemente a situação ficou regularizada. Um mês depois disto estar a acontecer, o responsável da fábrica vai fazer uma visita às várias secções e vê naquela linha em particular, no fim da linha, tinha uma ventoinha.
Tinha uma ventoinha e tinha um molde. E perguntou para que que era aquilo. os funcionários, um bocadinho a contra gosto, lá acabaram por revelar. Quando implementaram a estratégia para fazer parar a linha quando o tubo da pasta não tivesse aquele peso que seria desejável, aquilo era uma chatice de todo tamanho. Porque eles diziam, a linha parava, nós tínhamos que estar a recomeçar, nós tínhamos que estar outra vez a produzir, era aborrecido para todos. Então, a equipa dos trabalhadores juntou-se e perguntou, como é que nós podemos resolver e encontraram uma solução muito simples. Puseram uma ventoinha à saída da linha e um balde. Aquilo que acontecia era que os tubos que estavam pesados caíam no balde e os outros acabavam por voar.
E a pergunta que eu coloco, apesar de eu achar muito engraçada esta história, é, eles tinham ou não tinham um problema? Como é que eles encontraram uma estratégia para o resolver? E até que ponto é que a existência deste problema fez com que eles deixassem de estar felizes? Porque é que nós associamos muitas vezes que o fato de termos um problema é antónimo de sermos felizes? Será que as duas coisas não podem coexistir? E como é que nós aprendemos a lidar com isto de forma saudável? Quando sobretudo estamos a lidar com situações graves, com situações extremamente desafiadoras, será que nós perdemos a percepção de que podemos efetivamente ter bem-estar e esse bem-estar contribuir para a nossa felicidade?
A ciência tem vindo a desenvolver no âmbito da saúde um conceito que tomou emprestado da física, o conceito da resiliência. É um conceito que deriva da física e que diz que quando um material é sujeito a uma determinada pressão ou tensão é a capacidade que esse material tem de depois voltar de forma adaptativa à sua função original, ao seu estado original. E aquilo que se tem percebido é que um dos fatores fundamentais para a felicidade é o desenvolvimento da capacidade de resiliência. Que é a possibilidade de tu passares por uma situação que pode ser extremamente desafiadora sem que isso te destrua.
Não quer dizer que não tenha consequências. Não quer dizer que não tenha momentos de dor ou momentos em que tu podes eventualmente até vir a adoecer. Mas como é que tu passas por isso de uma forma mais adaptativa e não de uma forma que te destrói por completo a nível emocional? E o que nós muitas vezes não percebemos é que para desenvolvermos resiliência, que tem uma interferência direta na dimensão da felicidade, há uma série de fatores que contribuem. É verdade, no exemplo que tu acabaste de falar, é algo que, poderíamos dizer, parece ser aparentemente mais simples, não é, de resolução, mas a pergunta que se coloca, e muitos dos que nos estão a escutar e a ver e a ouvir, quando são assuntos muito mais complexos, Claro que todos temos vontade de resolver e solucionar logo os desafios que se aparentam diante de nós.
Mas quando esses problemas são muito mais complexos, mais difíceis, como é que se resolve ou como é que conseguimos encontrar essa direção, pelo menos no
sentido de termos um pensamento correto que nos ajude depois ao caminho correto, e como é que isto se associa exatamente no conceito de felicidade e de bem-estar? Mais uma vez colocássemos questões muito difíceis, ou seja, questões que não são de resposta simplista. Então hoje, para responder a essa questão, eu gostaria de a abordar numa dimensão que tem a ver com aquele conceito que falamos em episódios anteriores, das cinco dimensões da felicidade, numa dimensão mais da componente física. Nelson Mandela, já o viste falar, sem dúvida. Achas que ele teve que ser resiliente? Sem dúvida. diante das circunstâncias, do tempo que passa, das injustiças.
De uma série de circunstâncias, de situações. É dele esta frase que eu gosto muito. Diz assim, a educação é a arma mais poderosa que tu podes usar para mudar o mundo. E nós perguntamos, o que é que educação tem a ver com resiliência? Deixa-me dar-te mais uma vez dois exemplos pessoais, simples. Há uns anos atrás eu fui fazer algumas compras e fui colocando as compras no carro. A determinada altura estou a arrancar e o carro começa a me dar a pitar, portanto um sensor de que algo não estava bem. Eu pensava, bom, mas eu estou com o cinto de segurança, os pneus estão bem, está tudo bem, por mais que eu olhasse eu não conseguia identificar qual era o problema. Até que eu olhei para o lugar ao meu lado.
E no lugar ao meu lado estava uma melancia que eu tinha comprado. Ela era pesada. Eu não tinha espaço para a pôr noutro local. E o carro estava-me a avisar que eu tinha ali algo pesado que estava sem proteção. Sem o cinto de segurança. Naturalmente eu não te vou dizer se pus ou não o cinto de segurança à melancia. Ou puseste-a no chão, alguma coisa. Mas a verdade é que muitas vezes nós não conseguimos lidar de forma resiliente com as situações, porque nós não sabemos identificar problemas. Nós identificamos emoções, mas às vezes não sabemos o que é que está na origem dessas emoções. Às vezes identificamos que eu tenho uma dificuldade relacional com alguém. Mas porquê é que aquilo tem um impacto em mim? O que é que dá origem a que eu reaja desta forma?
Segundo exemplo. Há um tempo atrás também, estava a andar na rua e ouvi um som, um som que me era familiar, era o som de um pica-pau. Mas eu fiquei surpreendida, porque eu estava numa zona urbana, eu estou habituada a ouvir pica-pau em zonas rurais. E quando olhei, acabei por localizar em cima de um candeeiro de rua e o pica-pau estava profundamente concentrado a bater na parte de plástico da luz. E eu pensava, bom, se ele efetivamente conseguir abrir ali um buraquinho pode não ter muito bom resultado, porque tem ali a parte da eletricidade. Mas isto levou-me a refletir. Às vezes... não é por falta de esforço da nossa parte. É um esforço mal direcionado. Quantas e quantas pessoas conversam comigo e que têm feito uma série de tentativas, têm feito um esforço, só que a resiliência, para desenvolvermos comportamentos resilientes, nós precisamos aprender a identificar o que é que são problemas.
A partir do momento em que aprendemos a identificar o que são problemas, ou seja, temos uma educação nesse sentido, isto torna-se uma arma poderosa, utilizando a expressão, a palavra que Nelson Mandela utilizava, torna-se algo que nos permite gerir de forma mais adequada o esforço que nós fazemos. E uma das coisas que eu gostava de te perguntar e devolver um bocadinho para ti esta pergunta é O que é que tu achas, olhando para a parte da resiliência, o que é que tu achas que ajuda a contribuir a resiliência, o desenvolvimento da resiliência, quando nós estamos perante um problema? Eu creio que, no fundo, a paciência que nós possamos adquirir ou o tempo para podermos direcionar ou mesmo gerir as nossas emoções e, se calhar, aquilo que tu até dizias no primeiro episódio, no fundo, percebermos que temos escolha.
de permitir que essas coisas ou nos parem, ou então, compreendendo-as, possamos contorná-las e seguir adiante. Deixa-me mais uma vez colocar uma situação prática. Imagina que nós as duas combinamos que vamos fazer uma corrida. E tu estás profundamente motivada para o fazer. Mas, entretanto, ficas com febre. O teu corpo consegue responder? Então, um dos problemas que nós não identificamos frequentemente. é para que a minha mente tenha condições de responder eficazmente, eu tenho que valorizar a forma como trato o meu corpo.
Quando nós temos, por exemplo, situações de pessoas, e teremos a oportunidade de abordar isso com mais cuidado, que estão a passar por situações de ansiedade ou depressão ou outro tipo de status clínicos, uma das primeiras coisas que se faz é tentar repor este equilíbrio que existe entre a mente e o corpo. Porque se o teu corpo está num estado que não é o ideal ou o adequado, a tua mente terá mais dificuldade em responder. Então quando eu te dizia que a resiliência vai buscar a capacidade de se desenvolver em questões do nosso dia-a-dia, ela começa em primeiro lugar por tomar noção de que nós precisamos de respeitar esta relação dual.
E nós sabemos, nós não vamos falar de nada que a maior parte de nós não sabemos. mas nós não damos o devido valor, não damos a devida importância àquele velho ditado que diz, quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga. Eu aqui inverteria um bocadinho. Quando efetivamente o nosso corpo não está a ser bem cuidado, nós não podemos esperar que a nossa mente responda da forma mais extraordinária possível. Já agora e antes de desenvolvermos esse tema importante, para si que está aí em casa ou que nos escuta através da rádio, nós temos estado a fazer como oferta este guia de estudo neste programa, Mentes que Sentem, deste guia de estudo Sentimentos, a Ciência do Existir, que pode ser seu gratuitamente. só tem que ligar para nós, o 933 939291, e nós teremos muito gosto e muito prazer de poder enviar para si isto que será, sem dúvida, uma mais-valia, porque trata de assuntos como este, Cristina, que estavas realmente a recordar-nos, a questão da resiliência, portanto, e também esta questão importante que trouxeste agora, que é uma dificuldade não está isolada apenas num único aspecto e sobretudo quando falamos de falta de saúde mental, ou seja, de problemas que têm a ver com a saúde mental.
Portanto, o nosso corpo como está interligado em todas as suas facetas, a importância para vários várias fases da nossa vida ou mesmo o dia-a-dia, como é que cuidamos de nós, como é que nos alimentamos, como é que nos recriamos, não é? E isso inevitavelmente tem a sua função na recuperação. Sabe-se que em 2004 começou a ser desenvolvida uma investigação que depois acabou por ter um retorno, uma projeção maior, através de uma reportagem que foi
feita para a National Geographic. É uma investigação associada às Blue Zones, as zonas azuis do planeta. E o que é que isto tem a ver? Os investigadores começaram a perceber que haviam zonas específicas do planeta em que as pessoas viviam mais e tinham uma melhor qualidade de vida. Ou seja, estas zonas azuis, como eles definiram, a esperança média de vida andava na ordem dos 90 anos. E era a zona onde havia uma maior concentração de centenários. E mais do que isso, eram pessoas que tinham autonomia e pessoas que tinham, sem dúvida, algumas limitações pela sua idade, mas cujas doenças típicas da idade não se manifestavam com tanta frequência.
Então foram investigar e foram tentar perceber o que é que havia. E essas zonas, só para ficarmos com uma curiosidade, Okinawa no Japão, Icária na Grécia, Sardanha na Itália, Nicóia na Costa Rica e Loma Linda nos Estados Unidos. Nós podemos pensar o que é que existe de comum em tantas zonas diferenciadas e em continentes até diferenciados. Entre vários aspectos, eles encontraram nove em particular que eles chamavam os Power Nine. O estilo de vida, a alimentação, as atividades físicas, os vínculos sociais ou familiares e os hábitos que contribuem para um envelhecimento saudável. E desses nove, eu hoje gostaria de me centrar em quatro. que são aqueles que têm um bocadinho mais a ver com esta componente física.
Já agora a aproveitar, nós no episódio anterior falávamos da questão daquele estudo, do maior estudo da felicidade feita à escala global e mesmo em termos temporais. e falava da questão do relacionamento, ou seja, que isso tinha um índice associado à esperança média de vida com qualidade. O que é que eles descobriram nestas comunidades? Descobriram que valorizar as boas companhias e priorizar a família fazem parte de desenvolver a resiliência e fazem parte de manter um estilo de vida saudável. Mas quais foram as outras coisas? E de certeza que eu não te vou dar nenhuma novidade, mas o ser humano às vezes despreza as pequenas coisas porque já as ouviu falar.
Primeira característica comum. Mover-te. Mover-te naturalmente. E uma das observações que eu encontro com mais regularidade é as pessoas dizerem, ah, eu não consigo, eu não tenho tempo. Eu não tenho tempo de praticar exercício, eu não tenho tempo de fazer desporto. E a pergunta que eu coloco é, depende de onde é que tu queiras investir o teu tempo. Queres investir o teu tempo a fazer algo que te ajuda a movimentar ou queres investir o teu tempo em tratamentos? numa lógica, aquilo que me leva a adoecer é onde eu depois vou investir o meu tempo. E este mover são coisas muito simples. Utiliza todas as oportunidades que tu tenhas ao teu alcance para te movimentar. Deixa o carro um bocadinho mais distante. Utiliza as escadas.
Faz exercício na tarefa doméstica. São coisas simples que integradas num conjunto vão ter uma repercussão. Aliás, Quando nós fazemos exercício físico, às vezes uma caminhada, há produção de endorfinas, que criam em nós uma sensação de bem-estar. Elas, por exemplo, em situações de alterações emocionais, vão substituir, em alguns casos, a própria medicação. Será que nós vamos olhar para o exercício físico com outros olhos a partir de agora? Segundo aspecto que eles referiam, a regra dos 80%. E esta regra dos 80% é dizer Será que nós temos noção quando comemos alguma coisa, a partir de quando é que estamos saciados?
É que nós hoje em dia comemos como vivemos. A correr, pois. Corremos, comemos aceleradamente, mas a verdade é que o teu organismo começa a despoltar o instinto de saciedade após 20 minutos. Quem é que hoje em dia está sentado à mesa 20 minutos? Quando está sentado? O que é que eles descobriram? Estas pessoas, nestas comunidades, Estavam... Tomam tempo. Tomam tempo para comer e não comem tudo o que têm vontade. Ou seja, quando eu já me começo a sentir faceada, eu não invisto em comer mais. É a regra dos 80%. Outra característica é que estas comunidades priorizavam ou priorizam uma dieta alimentar à base de plantas.
Ou seja, Davam importância aos legumes, às verduras, aos produtos hortícolas. Só para teres uma noção, na dieta alimentar, e não importa a zona do planeta de onde eles vêm, a carne era utilizada cinco vezes por mês. Vamos imaginar. Estou eu a dizer que não os devemos fazer? Não, não é isso. Estou a dizer que há coisas que contribuem para a manutenção da saúde do nosso organismo. Outro aspecto que eles referiam também. É o desacelerar. É uma palavra que nós ansiamos, mas que pouco praticamos. E às vezes nós dizemos, quando chegar o fim de semana eu vou parar. Mas depois envolvemos-nos numa série de atividades. Ah, durante a semana eu não consigo.
Eu tenho que levar os miúdos à escola, eu tenho que correr para isto, para as atividades, eu tenho a pressão do trabalho. Hoje estamos todos dependentes do telemóvel. Agora, quando o nosso telemóvel começa a ficar sem carga, o que é que nós fazemos? Nós ligamo-o à corrente, nem que seja 10 minutos e dizemos 10% de bateria já é suficiente. E mais tarde, eu ponho-o a carregar completamente. Uma das estratégias que promove a capacidade do nosso corpo de responder de forma adequada e que não é utilizada é por-nos a carregar pequenos períodos ao longo do tempo. Às vezes coisas tão simples como parar o que eu estou a fazer e respirar profundamente. Às vezes coisas tão simples como levantar-me, sair do local onde eu estou, ir à casa de banho e regressar.
Quebrar aquele momento. São aqueles minutos de carga. Às vezes coisas como, este era o momento adequado para fazer esta tarefa, mas eu preciso de parar cinco minutos. Nós muitas vezes estamos embrinhados na exigência do dia-a-dia. E se me permites, só para terminar, este aspecto em particular, embora eles não tenham referido neste estudo, a ciência também vem comprovar outras coisas que são fundamentais para a capacidade de resiliência do nosso organismo. sendo que estamos a falar no bem-estar físico, que vai ajudar à promoção, à capacidade de resposta para o desafio emocional. Num próximo episódio nós iremos centrar-nos mais na parte emocional, por assim dizer.
Mas uma coisa tão simples como, será que nós temos uma higiene correta do sono? Hoje em dia, as pessoas começam a tomar consciência de que o sono, padrões de sono adequados, são fundamentais para tu estares equilibrado. Não é por acaso que a privação de sono é utilizada como uma espécie de tortura. E não é por acaso que uma das coisas que nós mais verificamos quando temos alguém que está a passar por um desafio é se tem um sono equilibrado. Ar puro. Expor-me as zonas com perfeição da natureza e beber bastante água. São algumas das coisas que nós todos já ouvimos falar, mas que, regra geral, não prestamos atenção.
No fundo, nós tendemos a desvalorizar os pequenos gestos. E, no fundo, está aí, porque no nosso dia-a-dia, Realmente não termos tempo para investir, porque no fundo é isto que está a acontecer. Nós não estamos a ter tempo ou a dedicar o tempo para investir no que importa, para que a curto ou a longo prazo nós possamos usufruir. E realmente é como tu disseste, e isso é muito pertinente. que se nós não estivermos a investir o nosso tempo nisto, que seja o cuidar de nós, o nosso corpo, que passa pela alimentação, que passa pelo descanso, que passa pelas decisões e pelas escolhas certas, vamos depois ter que investir, em vez de ser na saúde, é na medicação, exatamente para obtermos exatamente essa
mesma saúde. Eu diria, Cristina, e escutante e seguramente quem nos ouve e nos vê a pensar a mesma coisa, quase que de forma teórica nós compreendemos isto tudo, não é? E, portanto, já sabemos o que há muito tempo compreendemos, até porque também já vivemos essa experiência entre praticar ou deixar de praticar, entre realmente ir ao encontro daquilo que nós sabemos que pode colaborar para uma saúde a nível global. a sociedade, ou o dia-a-dia, ou a nossa própria vida, acaba por nos trair nestes grandes objetivos? Milu, acaba sem dúvida, mas a pergunta que eu te coloco é, se tu tiveres uma situação de saúde grave, tu adaptas ou não adaptas?
Porque tu focas a tua prioridade de uma forma diferente. E de uma forma muito rápida deixa-me dar-te este exemplo. Imagina que tu tens uma pessoa que está apática, que está desmotivada, que não consegue fazer as suas tarefas, que tem períodos de choro prolongados durante o dia e que tem um cansaço profundo. Qual é a primeira ideia que te vem do que é que poderá estar a acontecer com esta pessoa? Estar a passar eventualmente por um quadro depressivo. Nós associamos isso. E eu não estou a dizer que sim ou que não, mas isto é uma resposta demasiado simplista. Nós teríamos que avaliar a periodicidade, a intensidade dos sintomas, a duração no tempo, uma série de questões. Mas agora imagina que esta pessoa vai fazer análises e se detecta que a pessoa tem um déficit de ferro. Está anémica.
Então a pergunta que eu te coloco é esta dificuldade que a pessoa demonstra é atribuída a um quadro clínico de depressão ou a um quadro clínico de anemia? Também não sabemos, é uma resposta demasiado simplista. Mas aquilo que eu te consigo dizer é, se nós suplementarmos esta necessidade, em primeiro lugar, se o sintoma for atribuído à anemia, ele vai ter tendência a regularizar. Se o sintoma não for atribuído à anemia, o teu corpo vai ter mais resiliência para lidar com a parte mental, com a parte emocional. Todos nós sabemos o que é correto, mas regra geral, nós só pomos em ação quando efetivamente o estamos a perder. Será que precisamos chegar a esse ponto? A nossa sociedade não se compadece, mas as escolhas, grande parte delas são feitas por nós.
Tu dizias isso e eu me recordava, muitas vezes, quando estamos a educar os nossos filhos, e os nossos pais já diziam a nós também, que não era necessário passarmos por lá, que era simplesmente necessário era ouvirmos os conselhos.
Mas, infelizmente, às vezes, na nossa juventude, nós tendemos a querer passar por lá para compreender depois o que não tínhamos que passar por isso e poderíamos ter evitado isso mesmo na nossa vida. O tempo passa a voar, já estamos no fim de mais um programa. Nós queríamos desejar para si, que nos escuta, tudo de bom, a maior felicidade. E eu sei que trabalha para ela, nós também, todos nós queremos-la. E se em algum momento ouviu ou percebeu algum dos assuntos que a doutora Cristina trouxe até nós neste episódio, que de alguma forma lhe tocasse mais perto. Se tiver alguma dúvida, se tiver alguma dificuldade, entre em contato connosco. Não se esqueça que temos um guia de estudo para o ajudar também.
Entre em contato connosco através do 933 939291 e continue connosco. Nós teremos outros episódios deste programa Mentes que Sentem. e queremos ajudá-lo a ter a saúde o melhor possível que puder ter para si e para os seus queridos também. Obrigada, Cristina, mais uma vez. Fique bem e até o próximo episódio.