Volvida mais uma semana, aqui estamos para trazer mais um médico de família. É um prazer enorme estar na sua companhia. Hoje, o assunto toca a todos. De uma forma muito ligeira, dizer que é um problema que todos nós, em algum momento, temos na vida. Vamos falar de dor, mais concretamente, de dor crónica. Para falar sobre isto, tenho mais uma vez a Cláudia connosco. Cláudia Neves, mais uma vez, bem-vinda. Mais uma vez, muito obrigada. É um prazer estar aqui. Vamos falar de dor crónica noutros programas, em vários programas já abordámos dor em vários contextos. Esta dor é uma dor muito específica. Antes de irmos à dor crónica, tentar definir algo que é muito difícil de definir porque imagino que varia até de pessoa para pessoa, o próprio conceito de dor, não é?
Há uns anos dor era considerada um sinal, hoje em dia é considerada uma doença. Há um sintoma para lá, não é? Sim. A dor realmente Pela minha experiência, e realmente pelo que diz a estatística, é dos principais motivos de consultas urgentes nos médicos em geral ou no hospital. Então ainda bem que temos. Porque se só é aí que nós vamos ao médico, é um sinal que ela faz falta. É verdade, e como tu disseste, todos nós já tivemos ou teremos na vida qualquer tipo de dor, não é? Mas existe uma definição, um bocadinho até complexa, depois vamos tentar aqui explicar, da Associação Internacional para o Estudo da Dor, que diz que é uma experiência sensitiva, nós sentimos fisicamente, mas também emocional, é desagradável, portanto a dor é uma experiência sensitiva fisicamente e emocionalmente desagradável, associada ou semelhante àquela associada a uma lesão de um tecido real ou potencial.
Ou seja, quando existe lesão de um tecido que foi real ou que achamos que estamos a ter essa lesão, nós temos essa sensação desagradável, que é a dor, que pode ou não estar associada à sensação emocional desagradável. Ou seja, Como tu disseste, a dor é complexa e abrange não só a parte física, mas a parte emocional também é importante. Passou a ser em 2019 considerada realmente uma doença e inserida na classificação internacional de doenças, que é realmente a lista que existe internacional de consideradas doenças com códigos. Depois nós temos a dor crónica. E porquê que isto é importante dizer?
Porque a dor crónica é uma doença e que pode realmente evoluir negativamente ou agravar-se ao longo do tempo. Pode ter uma causa óbvia ou não ter nenhuma causa óbvia, sejam alterações físicas, psicológicas ou ambientais que vai estar associado ou consequência dessa dor, ou seja, só o facto de ter uma dor crónica já me vai afetar fisicamente a outros níveis, pode me afetar psicologicamente e pode afetar o meu comportamento, a minha sociabilização, a minha produtividade no trabalho ou ausência ao trabalho. Muitas vezes criamos até posturas menos corretas porque o nosso corpo se está a defender de determinada dor e nós vamos nos defendendo e criamos posturas incorretas. Também, também.
Como realmente existe uma lesão real ou potencial de um tecido, a dor pode vir de qualquer tecido, desde a pele, músculos, ligamentos, qualquer órgão interno, as articulações, os nervos também. Ou a combinação destes. As pessoas podem ter dor que afeta várias destas estruturas. E, no fundo, a dor é um sinal de alerta de que alguma coisa não está bem e devemos realmente valorizar a dor. Por isso é que ela é tão importante para nós como seres humanos. Ou seja, o nosso Deus quando nos criou, criou a dor porque ela é importante precisamente com esse sinal de alerta. Aliás, há uma doença que eu não me lembro agora o nome, de pessoas que não sentem dor e isso é um problema para eles.
É muito raro, afinal, mas é um problema porque têm lesões graves dos síntomas e não sentem. Queimaduras. E não sentem, exatamente. Tem a ver com as terminações nervosas. Depois, estamos a falar de dor crónica como doença, então há que aqui
diferenciar entre o que é dor aguda e dor crónica. Ou dor persistente, porque também pode haver uma dor persistente que não seja propriamente uma dor crónica, não é? A dor crónica define-se com o período de tempo. A dor é quando realmente surgiu há pouco tempo, prevê-se que vai ter uma duração limitada pela sua origem, E normalmente, realmente, nós temos a noção da causa e que vai ser autolimitada no tempo. Dor aguda. A dor crónica é uma dor contínua ou recorrente, ou seja, eu posso nem estar sempre com dor, mas estou realmente vários dias com dor ao longo de pelo menos 3 meses ou mais é uma dor crónica. Pode nem ser todos os dias ou não ser o dia inteiro, mas se ela é recorrente nos últimos 3 meses ou mais já é considerada dor crónica.
Ou quando persiste, também para além do curso natural da doença, imaginemos que uma pessoa tem uma dor de garganta, muito comum, por exemplo, na época do inverno. Vamos fazer o diagnóstico e tem uma amigdalite. Tratamos a amiga da Lide, supostamente, a pessoa olhando para a sua orofaris, até ficou bem. Mas a dor persiste ao longo do tempo. É uma dor que persiste, apesar daquilo que nós achávamos que era a causa, já não está lá. Já não existe essa lesão. Há que investigar, não é? Agora, normalmente, quando nós falamos de doenças, falamos dos números, não é? o número de casos, quantas pessoas vivem com dor crónica. A dor é muito complexa porque é assim, depende dos critérios para considerar dor crónica, depende da origem da dor dos tipos decidos atingidos.
Então existe mais ou menos uma noção da prevalência, o número total de casos de dor crónica no mundo. Pensa-se que 20% da população mundial sofre de dor crónica. Adultos. Não existem estudos feitos nas crianças. 20%? 20%. Uma dor há mais de três meses, é verdade. É inacreditável. Um quinto da população no mundo... Adultos. ...de adultos sofre de dor crónica. O que dizem as estatísticas. Parece-me ser um número incrédulo. Pronto, eu já te vou mostrar um estudo em Portugal. Em Portugal, a dor mais frequente, pensa-se que é a dor lombar, a chamada lombalgia, que é a dor aqui na parte inferior das nossas costas, que as pessoas dizem, olha-me o rins, não é o rins, é mesmo a parte lombar, tem a ver que pode ser músculos, pode ser coluna, pode ser várias coisas.
A mais frequente é essa dor. Mas também surge muito em Portugal a dor cervical, portanto da coluna cervical, mais superior, ou a dor dos membros inferiores em geral. Pode ser do joelho, da anca, da perna ou da coxa. São as mais frequentes no nosso país. A média de intensidade da dor, isto foi um estudo que foi feito realmente, publicado em setembro de 2023, sobre o impacto da dor em Portugal, nós avaliamos a intensidade da dor numa escala diferente, ou seja, avaliamos nas crianças com caras. E tipo hemógis, se está muito sofredor, até ficar alegre, qual é a tua dor neste momento?
E a criança escolhe. Mas é definida pelo próprio. É a próprio que define a intensidade da dor, sempre. Portanto, é processionada. Sim. Eu não posso avaliar a dor de outra pessoa, porque não estou a senti-la. Claro que não. Em termos numéricos, é avaliada de 1 a 10. 10, o máximo de dor que existe. 1, ausência de dor ou mínimo de dor. E a média da dor em Portugal, mais comum, é 7. E que normalmente tem um impacto negativo sobre a qualidade de vida das pessoas. Porquê? Porque esta dor prolongada no tempo vai interferir com a sua higiene pessoal, com a sua alimentação, com a sua atividade profissional, com o seu descanso, com as atividades da vida diária.
Este estudo diz que 37% da população adulta, se estavas admirado com os 20% no mundo, este estudo do impacto da dor em Portugal, dor crónica, 37% da população adulta portuguesa sofre de dor crónica. 70% dos doentes submetidos à cirurgia têm dor aguda. Expectável. Claro. Não é? Portanto, dor aguda após a cirurgia. O que não quer que seja forçosamente dor crónica, não é? Não, dor aguda. 70% dor aguda após uma cirurgia. E claro que isto vai ter um custo económico. Este custo foi avaliado em cerca de 4 mil, ou seja, 4 milhões e 610 mil a custa anual da dor crónica na população portuguesa.
Estamos a falar de consulta, farmácia, analgésia, consulta, tratamentos, tudo. A ausência ao trabalho, tudo que tem a ver com o custo da dor crónica em Portugal. Ou seja, se calhar como tu estás admirado, quem nos está a ver e a ouvir também vai estar admirado, porque realmente tem um grande impacto, não só na vida da pessoa, mas na sociedade em geral. Mas talvez na população mais envelhecida possa ser mais recorrente, o que também depois acaba por equilibrar os números tão grandes que tu mencionaste. Sim, isto é nos adultos, realmente. E estes são os números realmente da dor que é assustador. É mesmo assustador. Enfim, ainda temos muitas perguntas para falar, porque temos de saber o que fazer então com ela. Sendo algo muito percepcionada fica difícil, mas também é a pessoa que sente a dor a que tem de ser tratada.
Portanto, tem de se aliviar a sua vida e o impacto dessa dor na vida da pessoa. Por isso é que, imagino eu, que seja assim. Porque há algo que na minha cabeça é natural, que é, se eu tenho uma dor que eu até vou qualificar de dois ou três. Se ela se mantém durante muito tempo... O impacto é outro. O impacto é outro. E a forma como eu vou processionar, mesmo que essa dor não aumente, já é diferente. Mas também, medicamente, tem que ser atuado de forma diferente. Uma coisa está ligada à outra, imagino eu. Enfim, vamos tentar falar sobre isto, mas já há daqui uns bocadinhos, até porque temos que fazer uma pequena pausa para o intervalo, mas já voltamos porque queremos tratar este assunto até ao último pormenor.
Então, até já. Estamos de volta para a nossa segunda parte do Médico Família de hoje. Estamos a falar de dor crónica. Ainda há muito para falar. Praticamente na primeira parte só fomos definindo o que era a dor e como ela se qualificava. Antes de falarmos sobre este assunto mais uma vez, quero-lhe fazer a oferta do nosso guia de estudo, provavelmente já ouviu falar, a Máquina Humana. É um guia de estudo preparado por especialistas, precisamente por nos dar aquelas dicas essenciais para um estilo de vida mais saudável.
Pequenos alertas que todos nós precisamos. mas também com coisas muito práticas, como refeições saudáveis, como preparar melhor os alimentos, como descansar, por exemplo, como pode fazer exercício físico de forma simples e gratuita no nosso dia a dia. água, descanso, enfim, são muitos os assuntos, mas também fala precisamente sobre a esperança e a fé. E como disse, é totalmente gratuita. Basta enviar uma mensagem e dizer Máquina Humana, para sabermos que é este guia de estudo a que se refere, e depois enviamos para si através do correio. Então, envie para o 933-939291.
Cláudio, estamos a falar de dor, caracterizar a dor, definir dor, eu diria que se calhar, se me permites, até porque ela vai diferenciar de todos nós, Como é que eu vou... Pronto, o médico, estou na tua consulta, sou doutora, estou com muitas dores. Mas defina-me lá a sua dor. Eu, ora bolas, como é que eu faço isso? Dói muito, dói pouco, como é que fazemos isso? Normalmente não perguntamos assim, defina a sua dor. Nós temos perguntas específicas. Primeiro, quando? Quando surgiu a dor? Há horas, há minutos, há dias, há semanas, há meses? Muito bem.
Primeiro, como? Ou seja, está associado a algum traumatismo? Caiu, bateu? Lembra-se de algum evento traumático? Teve algum acidente? Segundo, características da dor. É tipo moinha, tipo facada, tipo pontada, tipo queimadura, e normalmente as pessoas sabem definir isso. Pois, já há estratégias na pergunta, exatamente para obter a resposta que é preciso. É tipo cólica. Por exemplo, tipo cólica. É uma dor que intensifica, depois alivia. Todos nós já tivemos cólicas abdominais. Tipo cólica. Tipo queimadura. Acontece, por exemplo, na chamada dor neuropática, quando os nervos dos membros inferiores estão atingidos, é tipo queimadura, tipo dormência. Ou parece ali alguma coisa a queimar, mas eu olho para lá e não tem lá nada. Caracterizar a dor é importante. Outro aspecto importante. Posições de alívio.
Alguma posição em que esteja aliviado. A pessoa diz, já realmente tenho aqui uma dor de barriga, mas quando eu me dobro sobre mim mesma, alivia. Importante. Interfere com o seu sono. A dor acordou de noite. Tomou algum medicamento para aliviar essa dor? O que é que tomou? Quantos dias tomou? Que doses tomou? Nota realmente algo que agrava a dor quando come, por exemplo? Dói-me aqui na zona do estômago. A refeição agrava, alivia? Tem alguma relação? A dor é fixa num sítio ou irradia para outro sítio? Por exemplo, a lombologia. Muitas vezes dizem, vai aqui pela perna abaixo. Irradiação. Ou doem-me o peito, mas vai aqui para o ombro.
Ou vai para o pescoço. Se vai para outro sítio, realmente. Mais. Efeitos secundários. Tomou algum medicamento? Notou algum efeito secundário desse medicamento? Ou é alérgico a algum medicamento que já tenha tomado no passado? Isso perguntamos geralmente em todas as consultas urgentes, não é? Relacionado com esta dor, já foi algo médico? Já realizou algum exame no passado ou recentemente sobre esta dor? Portanto, todas estas perguntas servem como dicas para nós sabermos identificar ou precisar mais essa dor. Mas eu diria que é uma ajuda fantástica. Porque, realmente, quando colocaste o assunto em cima da mesa, a minha mente ficou. É muito difícil caracterizar. Mas todas essas perguntas, até se já levar as respostas mais ou menos preparadas, fica bem mais fácil e, na realidade, vai conduzindo o profissional
de saúde para aquilo que possa ser o problema. Mas eu estou com dor. Ela já cá está. E o que fazer com ela? Porque imagino que toda a gente chegue a esta pergunta, não é? Existem várias estratégias a nível mental da atitude, a nível de tratamentos locais que podemos fazer, a nível de tratamento farmacológico, ou até a nível de psicoterapia. E eu achei interessante que encontrei estas dicas num folheto da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar e podem pesquisar online. E realmente, direto ou indiretamente, é isto que nós tentamos fazer. Importante ver quais são os fatores que influenciam positivamente a forma de termos dores.
Há dores que nós não conseguimos tirar toda. Não estamos a falar de dor oncológica, ok? Esqueci-me de dizer isto no início do programa. Estamos a falar de dor crónica, não oncológica, porque existe a dor crónica oncológica. Ou seja, a minha atitude perante o facto de eu estar com uma dor crónica pode influenciar a minha perceção ou aquilo que eu vou deixar que essa dor interfere na minha vida, no meu dia-a-dia. Primeiro, estar ocupado é importante, para não me focar tanto na dor e focar-me noutra coisa. estar ocupado a fazer alguma coisa, seja no trabalho, seja nos tempos livres, não estar desocupado. Oh, Cláudia, desculpa lá interromper-te, porque eu acho que, enfim, pode ser pertinente para quem nos ouve. Isso é depois dela estar diagnosticada de saber que ela existe e que eu lido com ela.
Sim. Não é numa primeira fase em que eu não sei o que é que é e vou negligenciar essa dor, vou fingir que ela não existe e continuo o meu dia-a-dia, não é? Doura é para ir ao médico, fazer aquela história clínica com aquelas perguntas que eu já referi e depois temos estas estratégias. Muito bem. É só para que... Há muitos que depois não ouvimos. Oh, sou doutora, ele está ali cheio de douros, mas não vem ao médico, nunca vem, nunca quer cá vir, está sempre bem, está sempre bem. Há muita gente que depois adia um problema que pode vir a agravar a situação sem necessidade nenhuma. Tem douro, não precisa viver com douro, ela não faz parte de nós. Vamos ao médico. Sabemos que ela existe, então agora vamos lidar com ela, não é? É nesse sentido. Muito bem. A atitude. Estar ocupado, é importante. E esclarecer as condições que levam a essa dor.
As pessoas normalmente tendem a tolerar um pouquinho mais quando já percebem qual é a origem da dor. O fator desencadeante, não é? Exatamente. Quando as pessoas vão ao médico. Então aquela dor há vários meses e não sabem pelo que é, a própria ansiedade intensifica essa dor. Ao esclarecer de onde é que vem a dor, realmente ajuda a tolerar melhor a dor. Não alivia, ajuda a tolerar melhor a dor. O que é que realmente influencia negativamente a sensibilização, a sensibilidade a esta dor? O facto de ter tido problemas anteriores não resolvidos, sejam eles físicos ou emocionais? O facto de a pessoa estar mais ansiosa com algo do seu passado? Ter um outro problema de saúde que não está ainda tratado influencia negativamente realmente a forma como vai lidar com esta dor?
Acontece muito. nos idosos, porquê? O facto de aceitar as limitações do envelhecimento é uma forma de lidar com a dor. Porquê? Porque o envelhecimento leva inevitavelmente à deterioração do nosso organismo, do nosso corpo, a vários níveis. E a dor osteoarticular, que é das mais frequentes, é muito frequente na terceira idade por causa das destruições das articulações. Assumir que isso faz parte da idade é uma estratégia. Também é uma forma de ver. Mas também pode ser um erro. Desculpa, eu vou estar à mesma ideia. Porque há muita gente que tem e diz, ah, isto é da velhice. Não, depois de saber o diagnóstico. É o que eu ia dizer. E vive sem recorrer ao médico porque, olha, isto já é da idade, não é? Mesmo com osteoporose. Então, isto é normal.
Então, pela minha idade, é normal ela estar cá. Percebe o que eu estou a dizer? Ou seja, Eu percebi o que estás a querer dizer. Faz todo sentido. Eu só estou a olhar para o outro lado, porque é o que acontece muitas vezes. Muitas vezes as pessoas toleram a dor sem necessidade nenhuma, porque acham que faz parte da idade. Enfim, já estou na idade do condor, na idade da dor de costas. Infelizmente, pela minha experiência, a maioria tolera pouco a dor. São poucos, felizmente ainda existem alguns, mas são poucos esses que realmente vivem com a dor e não vivem ansiosos pelo facto da dor e que assumem que realmente, depois de saber que é a idade, assumem que realmente têm artrose, têm um problema ali e pronto, vai ter dor de forma intermitente ao longo da vida.
Mas realmente, claro que pode haver também outros problemas associados, como o luto, a perda de alguém, a solidão, tudo isso são fatores negativos para lidar com a dor também, não é? Dentro da atitude, importante aceitar a limitação da própria doença, fazer as adaptações necessárias mediante essa limitação, tentar adaptar na minha casa realmente situações para que não volte a acontecer algo de grave, por exemplo as quedas, lembrem-me agora das quedas, que é muito frequente a partir de uma certa idade. Conviver com a dor crónica. É importante reduzir mentalmente a sua importância, tolerar e aceitar.
E isso não fui eu que inventei, está escrito. É uma forma de gerir realmente a dor com a atitude que nós temos. Claro que nós somos seres físicos, mentais, espirituais e sociais. O apoio social é muito importante. Se uma pessoa está sozinha, é mais difícil lidar com a doença, mais difícil lidar também com a dor, que é uma doença. Se a pessoa realmente tiver uma boa rede de apoio, seja familiar, seja de amigos, é mais fácil de lidar realmente com esta doença. Não está só a lidar com a dor, mas está a lidar com os efeitos da dor que tem no seu contexto de vida. Exatamente. Outras técnicas importantes é o relaxamento. É assim, pode achar, isto não funciona, mas funciona. Imaginemos, tentemos sentir o nosso corpo. Nós muitas vezes estamos ocupados e nem sentimos o nosso corpo.
Será que, por exemplo, eu estou nesta posição sentada, será que estou relaxada? Como é que eu sei? Imaginemos, isto é muito bom de fazer deitado numa cama ou sentado numa cadeira, numa posição confortável. Começa a sentir os teus pés. Tens mesmo os pés apoiados no chão? Não. Então vá. Agora tenho. Então vá. E isto façam lá em casa, quem estiver a ver ou a ouvir-nos. Pés apoiados no chão, sentir mesmo os pés cair. A seguir foquem-se nas pernas. As pernas estão relaxadas? Vamos subindo as coxas. Os glúteos, tudo relaxado. Estou numa postura em que estou relaxada em termos de tronco. Os meus membros superiores, os braços estão relaxados. A cabeça, claro que estamos sentados, não dá para estar relaxados como se fossem deitados.
É tentar sentir todo o corpo em como estar completamente relaxado. Se tu reparares, nestes segundos já acabámos de desligar de montes de coisas. Eu estou a sentir que se continua assim não acaba o programa. é relaxamento e respirar fundo e devagar, várias vezes. Se mantivermos assim alguns minutos, é uma forma de relaxamento. Isto ajuda a controlar não só a dor, mas é uma técnica também para controlar, por exemplo, a ansiedade. E quando terminamos este período de relaxamento, isto resulta que eu já experimentei muitas vezes quando estamos na cama, sobretudo para adormecer, é uma técnica excelente, ajuda realmente depois voltar à atividade com outro tipo de atitude.
Quando voltamos à atividade, fazer lentamente, manterem-no um bocadinho de relaxamento e realmente perceber que é importante nós regularmente processionarmos o nosso corpo a todos os órgãos, a todas as estruturas. Isto é uma técnica de relaxamento que funciona. Claro que para ele lidar melhor com a dor é importantíssimo o descanso, o sono. E realmente, se eu não dormir, como adulto, às sete a nove horas, eu não vou ter um relaxamento muscular adequado e isso vai-me gerar também mais dor. Portanto, o sono é importante para lidar com a dor, para ter uma boa higiene do sono. As posturas, já aqui falámos também, ter uma postura correta, quando estamos sentados, quando estamos deitados, terem atenção à forma como temos as costas, quando vamos a apanhar um objeto, será que dobramos as pernas ou dobruçamos sobre a nossa lombar e forçamos a nossa lombar.
Tudo isto são pequeninas coisas que nos ajudam a não ter tanta dor ou tolerar melhor a dor crónica. Se eu tenho uma dor crónica lombar, existem dispositivos, por aconselhamento médico, chamados lombostatos, na cervical, os colares cervicais, que ajudam também a gerir melhor essa dor. E, importantíssimo, exercício físico regular, para manter os músculos tonificados, menor probabilidade de dores, pois, nos tendões, nos ligamentos. Claro que o tipo de exercício deve ser aquele que goste e que mexa o maior número possível de músculos. Caminhada, natação, bicicleta, ter mediante conselho médico também exercícios de...
Faltava uma palavra. De aumentar o tónus muscular, de musculação, pelo menos duas vezes por semana no adulto. De carga. De carga, exatamente. Faltava uma palavra. E em determinadas situações são necessários medicamentos. Importante ser prescrito por um médico, nunca passar as dosagens nem o número de dias prescritos, porque há medicamentos que não devem ser tomados mais do que 6 dias, não tomar o medicamento do familiar, do vizinho que também foi para a dor e que talvez me faça bem, porque há pessoas que têm outro tipo de doenças e que não podem tomar alguns medicamentos. Portanto, ver a validade dos medicamentos que têm em casa, consultar sempre o seu médico antes de tomar um medicamento para ter a certeza que realmente é adequado para si. E temos as técnicas pelo calor ou pelo frio, mediante o tipo de dor, que também ajudam.
Com tractura muscular o calor é excelente. Uma dor inflamatória, o frio é excelente. E nós vemos aqui, portanto, algumas técnicas. Sempre, em alguns casos, é precisa a ajuda do psicólogo ou da psicóloga para
psicoterapia, também para ajudar a gerir melhor a dor crónica. Em todos os casos, é necessário pedir ajuda. Obrigado, Cláudia, mais uma vez. Para ser que está desse lado, porque não agora também pedir ajuda? Entre em contato connosco e envie-nos uma mensagem para o 933 939291 a dizer MÁQUINA HUMANA e nós vamos responder a sua solicitação, ao seu pedido de ajuda, enviando-lhe gratuitamente o Guia de Estudo, a Máquina Humana, cheio de dicas fantásticas para um estilo de vida saudável, com várias lições, que fala desde a área da alimentação, fala sobre o descanso, fala também sobre a área mental, algo bastante importante no nosso estilo de vida, e é tudo, o melhor que tudo, é que é mesmo gratuito.
Já sabe, para o 933-939291 basta dizer MÁQUINA HUMANA. O nosso programa chega ao fim. Dizê-lhe que estará disponível em podcast em Radio RCS.pt, mas também no YouTube da Novo Tempo Portugal. Hoje fechamos aqui o seu consultório de família. Para a semana abrimos mais uma vez, porque aqui, na Novo Tempo e na Radio RCS, todos têm médico-família. Até lá, se Deus quiser.
Hoje no Médico de Família falamos sobre um tema que toca a todos: a dor crónica.
A Dra. Cláudia Neves ajuda-nos a compreender o que é a dor, quando deixa de ser apenas um sintoma e passa a ser considerada uma doença, e porque é tão importante procurar ajuda médica quando a dor persiste.
Ao longo da conversa, ficamos a perceber a diferença entre dor aguda e dor crónica, o impacto que a dor pode ter na qualidade de vida, no descanso, no trabalho, na saúde emocional e nas atividades do dia a dia.
Também são partilhadas estratégias práticas para lidar melhor com a dor crónica, desde a importância do diagnóstico, do sono, da postura, do exercício físico, do apoio social, das técnicas de relaxamento e do acompanhamento médico adequado.
Porque viver com dor não deve ser ignorado. A dor é um sinal de alerta, e procurar ajuda pode fazer toda a diferença.
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