Obedecer aos Maridos como a Deus

Obedecer aos Maridos como a Deus

03 de Setembro de 202626 min 53 s

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Olá, seja bem-vindo. Muito obrigado por se juntar a nós para mais uma edição do Programa Fórum Bíblico. Não sei se hoje está connosco a aguardar talvez a resposta a alguma pergunta que nos tenha enviado ou se está simplesmente a aproveitar este tempo para aprofundar connosco o seu conhecimento da Palavra de Deus ou então se está, talvez, a ouvir a assistir pela primeira vez. O mais importante é mesmo a sua companhia, a sua atenção desse lado, porque, como sempre, vamos procurar trazer resposta às questões que nos são enviadas, com as suas dúvidas sobre os mais variados assuntos bíblicos. É exatamente o que vamos fazer já de seguida, aqui no programa, a partir de uma pergunta que nos chegou a propósito de uma passagem que está presente numa das cartas do apóstolo Paulo, muitas vezes debatida e que gera algumas dúvidas sobre a relação entre o marido e a mulher.

Já vamos conhecer que passagem bíblica é essa e também qual a resposta à pergunta enviada, com a ajuda do nosso convidado residente, o teólogo Artur Machado. Olá, Artur. Olá, Marco. Bem-vindo uma vez mais. Vamos então já conhecer a pergunta que foi enviada.

Significado da palavra obediente

para depois o Artur poder dar a devida resposta. E a pergunta que nos chegou foi esta. Quando Paulo escreve que a mulher deve ser obediente ao seu marido, como é Deus, qual é o significado da palavra obediente nesse contexto? Agradeço o envio desta pergunta, que nos vai permitir, uma vez mais, nós podermos verificar qual é, no entender de Paulo, o papel da mulher dentro do lar. E isto é bom sublinhar, porque, por vezes, olham-se para certas afirmações do apóstolo Paulo nas epístolas, que têm um enquadramento concreto, e neste caso é um enquadramento familiar, e, muitas vezes, as pessoas extrapolam isso. como se fosse idêntico ao comportamento na igreja ou na sociedade, e não é o caso.

Mas eu procurei justamente esta palavra obediente nas diferentes traduções e devo dizer que tive que procurar bastante, porque não é fácil encontrar, uma vez que, como nós iremos ver, não é bem o verbo grego que nós podemos traduzir por obediência que Paulo utiliza nessa passagem. A única passagem que eu penso que pode enquadrar com a pergunta que nos é realizada é a passagem de Efésios capítulo 5 versículos 22 e 23. E não é em todas as traduções. Houve apenas uma tradução em que realmente o verbo é traduzido pelo nosso verbo obedecer, que é em Efésios 5, 22, onde diz as mulheres obedeçam em tudo aos seus maridos como ao Senhor.

E eu encontrei esta tradução na Bíblia para Todos, que por acaso até é uma tradução que eu utilizo com alguma frequência. Eu procurei as mesmas passagens noutras traduções, a Bíblia de Jerusalém, a nova tradução, a New International Version, a tradução King James, a João Ferreira da Almeida, revista e atualizada, a João Ferreira da Almeida atualizada, a nova Almeida atualizada, e nenhuma tem esta passagem traduzida por obedecer, mas sim por sujeitar. Portanto, só numa das traduções bíblicas é que eu encontrei o verbo obedecer.

Dito isto, não quer dizer que nós tenhamos aqui uma tradução que está errada. As traduções não estão erradas, digamos assim. Às vezes o que acontece é que determinados verbos ou palavras gregas podem ter no português várias palavras que se podem aplicar, que se pode escolher, ou o tradutor compete escolher aquela que é a melhor. E nos programas anteriores já vimos vários exemplos. Já vimos vários exemplos, e aqui realmente é um desses exemplos, portanto não se trata de dizer que a Corrigida é a melhor, que a Bíblia é para todos, ou que o Livro é melhor, não, cada tradução tem a sua especificidade.

Há traduções que são mais dinâmicas, há traduções que são mais fiéis ao texto grego ou ao texto hebraico, mas isto por vezes acontece. Também pode acontecer que as traduções possam, por vezes, espelhar algum aspecto teológico defendido pela própria crença do tradutor ou algum aspecto cultural que esteja mais vincado e que não seja aquilo que o próprio apóstolo Paulo está a salientar. Mas, concretamente, neste Epístolo aos Efésios, e a partir do capítulo 5, O apóstolo Paulo vai tratar da aplicabilidade da sua teologia e começa por aplicá-la concretamente num ambiente doméstico.

Ele vai falar aos maridos, ele vai falar às mulheres, ele vai falar aos filhos e depois ele vai falar aos escravos. E é bom nós termos isto na nossa mente, porque às vezes perguntamos, mas porquê tanta gente? Porque eram estas as pessoas que compunham uma casa romana? E, portanto, a classe média romana era composta numa casa pela esposa, o marido, os filhos, às vezes também os pais e, sobretudo, os servos e os escravos. E, dependendo das posses de cada família, isto poderia ser muita gente. Poderia ir desde 10, 15 pessoas a 50.

e não nos esqueçamos que a igreja funcionava nas casas. A igreja do primeiro século, do segundo século, inclusive do terceiro século, funcionou muitas vezes num ambiente doméstico e, portanto, o apóstolo Paulo fala neste ambiente. E ele coloca Cristo no centro da sua reflexão e, portanto a atitude da mulher para com o marido e do marido para com a mulher deve ter como exemplo Cristo. E, portanto, o verbo que vai estar ali relacionado vai fazer referência justamente a essa relação que deve existir entre marido e mulher. Mas começamos justamente pelo principal. Há dois verbos no grego que podem ser traduzidos pelo verbo obtecer, mas só um deles verdadeiramente significa obtecer, e nós vamos ver isso.

Há o verbo upotasso, que significa sujeitar, E há o verbo upakuo, que realmente é o que mais significa obedecer. Upakuo é mesmo obedecer. Não é este verbo que Paulo utiliza. É o primeiro. É o primeiro, portanto, Paulo utiliza o primeiro verbo. O verbo upotasso, quando ele escreve às mulheres, vos mulheres sedes. Agora, a questão é, sedes o quê? Como eu disse, há aquela versão que diz sedes obedientes. mas as outras traduções dizem ser submissas. E nós podemos comparar isto com outras passagens que o próprio Paulo e o próprio Pedro escreveram também sobre as mulheres.

Algumas delas são paralelas. Há uma grande proximidade, por exemplo, entre a Epístola aos Efésios e a Epístola aos Colossenses. E na Epístola aos Colossenses, no capítulo 3 e no versículo 18, Paulo diz praticamente quase a mesma coisa que diz em Efésios 5, 22. Ele diz, vós mulheres, estáis sujeitas ao vosso próprio marido, como convém no Senhor. Na Epístola Pastoral a Tito, Paulo... E este é o verbo que emprego. E este é o verbo, o verbo, portanto, o potasso. Paulo, na Epístola a Tito, diz... Acerca das mulheres, a série moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas ao seu marido. Cá está, uma vez mais, o mesmo verbo, afim de que a palavra de Deus não seja blasfemada. Também o apóstolo Pedro, na sua primeira epístola, no capítulo 3, no versículo 1, vai dizer, semelhantemente, vós mulheres sejam sujeitas ao vosso próprio marido, para que também, se algum não obedece à palavra pelo procedimento da sua mulher, seja ganho sem palavra.

Em todos estes exemplos que eu acabei de salientar, como puderam ver, é o verbo sujeitar que aparece na tradução portuguesa e que traduzi muito bem o verbo o potasso. Não é o verbo É o verbo upotaço. Portanto, podemos dizer que nem o apóstolo Paulo nem o apóstolo Pedro pediram às mulheres para obedecer aos maridos. No sentido mais autoritário. Não era esse o verbo que lá estava. O verbo que lá estava era outro. E é curioso, na Epístola aos Efésios, Paulo pede às mulheres submissão, mas aos homens ele pede o amor. Não deixa de ser interessante. Paulo não considera que o marido seja o cabeça da mulher se não em relação com a atitude do próprio Cristo para com a igreja.

É porque Cristo é o cabeça da igreja e é no exemplo de Cristo como cabeça da igreja que Paulo fundamenta a ação que o marido deve ter para com a esposa. da mesma forma, é na resposta que a igreja deve ter para com a ação de Cristo para com ela que Paulo fundamenta a relação que a mulher deve ter justamente para com o marido. Mas não deixa de ser interessante que o versículo anterior, portanto nós estamos a falar do versículo 22, Efésios capítulo 5, versículo 22, o versículo anterior o versículo 21 diz o seguinte acerca de todos os membros de igreja que se reúnem numa casa. Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Deus.

Ou seja, todos os membros da Igreja deviam ser sujeitos uns aos outros no temor de Deus. Mas já o versículo 18 dessa mesma epístola, os Efésios capítulo 5, tinha dito aos crentes para eles se encherem do Espírito. Quer isto dizer que, quando há uma relação com Cristo, e se percebe qual a ação de Cristo para com a Igreja, é o exemplo de Cristo que homens e mulheres, casados ou não, deve imitar na sua relação de membros de igreja uns para com os outros. Portanto, é a referência em todos os intervenientes de uma relação. O modelo é Cristo. O modelo é Cristo. E esse modelo é tanto mais forte quanto mais forte for a relação que cada um deles tem com Cristo e o espaço que eles dão à atuação do Espírito Santo, nas suas próprias vidas.

E é isso que o apóstolo Paulo justamente pretende. O ambiente que Paulo quer que reine na igreja não é um ambiente de supremacia, é sim um ambiente de submissão, de serviço. Poderíamos nós dizer, além do mais, eu gostaria que nós passássemos aqui a citação do versículo 22. Literalmente, o versículo 22 diz, as esposas aos próprios maridos como ao Senhor. Na nossa tradução aparece o verbo sujeitar, no texto grego não aparece. O que aparece é isto. As esposas aos próprios maridos, como ao Senhor. O versículo 21 diz, sujeitando-vos uns aos outros no temor do Senhor. E o versículo 22 diz, as esposas aos próprios maridos, como ao Senhor.

Porquê que o apóstolo Paulo não repete aqui o verbo sujeitar e o tradutor repete? porque o verbo já está no versículo anterior e, portanto, a intenção é essa. Logo, o tradutor, para vincar essa mesma intenção, repete o verbo, mas no texto grego ele não aparece, o verbo não aparece. Essa elipse do verbo deixa justamente rever este aspecto que Paulo quer salientar. É na relação com Cristo, é na intimidade que o crente tem com Cristo que realmente isto pode acontecer. E é por isso que há uma autora, eu gostaria de mencioná-la, Chantal Renier, num comentário que ela tem em Epístolos e Efésios, ela diz assim, A submissão da esposa para com o marido é análoga à da igreja para com Cristo.

Quer dizer que ela é da ordem de um amor dado, porque foi primeiro recebido. Essa é a submissão. E a autora diz que trata-se de uma obediência em tudo no amor. Atenção, não é uma obediência servil. É uma atitude de serviço, de dedicação, diríamos mesmo. A obediência que é uma forma de responder ao amor que se ouviu e do qual se sentiu justamente a profundidade. Nós iremos... refletir um pouco mais. Sim, já na segunda parte. Já na segunda parte e, portanto, podemos aqui ficar com estas dicas para já. E que já nos elucidam bastante. Muito bem, já lá vamos, já lá vamos à segunda parte.

É mesmo tempo agora para nós termos que avançar para uma breve pausa no nosso programa. Eu deixo o convite para continuar desse lado, porque vamos voltar já já, dentro

Pausa e oferta

de instantes, para continuar a aprofundar este assunto tão determinante. Estamos a falar de relacionamentos, por isso fique connosco, nós voltamos já já. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Regressamos para a segunda parte do programa Fórum Bíblico e regressamos também com uma oferta que temos preparada para si. Trata-se do Guia de Estudo da Bíblia Entre Família. Este manual, composto por 15 edições, aborda os principais desafios da vida familiar e hoje estamos a falar de relacionamentos, aborda esses princípios à luz dos princípios que nós encontramos na Bíblia, e ajuda a conhecer e a fornecer orientações práticas para fortalecer e, muitas vezes, restaurar os relacionamentos no lar.

Em especial, a lição número 2 deste manual tem por título Homens de Barro e Mulheres de Ossos. e aborda precisamente os papéis que cada conjo possui no relacionamento, com base, imagino só, no texto de Efésios, capítulo 5, versículos 22 e 25, sobre o qual também incide a pergunta que hoje nós estamos a responder aqui no Fórum Bíblico. Se nunca pediu este guia, Aqui deixo então um bom motivo para o fazer, não tem nenhum custo associado e para o pedir basta apenas enviar-nos uma mensagem para o número 933-939291 a pedir o guia Entre Família. Depois a nossa equipa vai entrar em contato consigo para que depois o possa enviar para a morada que nos facultar.

Muito bem, se começou a assistir apenas agora ao programa de hoje, eu volto a recordar a pergunta que nos foi enviada e que estamos a responder com a ajuda do Tio Álvaro Turmachado. E a pergunta que estamos a responder neste programa foi a seguinte, é a seguinte, quando Paulo escreve que a mulher deve ser obediente ao seu marido como é a Deus, qual é o significado da palavra obediente nesse contexto? E nós, com base naquilo que o Arthur já nos explicou na primeira parte, portanto, o que Paulo está a dizer não significa que a mulher deve obedecer a um marido como a Deus, correto? Exatamente. Não no sentido autoritário como eventualmente poderia parecer. Exatamente. E, portanto, porquê? Porque Paulo utiliza um verbo específico, que é o verbo upotasso. E é isso que nós precisamos perceber. Este verbo é um verbo composto e ele pode-se decompor.

Por exemplo, a palavra tasso significa colocar alguém ou algo num determinado lugar ou arrumar. Se o prefixo que está antes, upo, estiver na voz ativa, então isso significa submeter-se ou subordinar, colocar abaixo. Se ele estiver na voz passiva, significa tornar-se sujeito de... e se ele estiver na voz média, significa submeter-se voluntariamente. Ora é aqui que está toda a questão desta passagem. É que o verbo está na voz média, o potassomai. E, portanto, Paulo não está a dizer às esposas, submetam-se aos vossos maridos porque eles são superiores, ontologicamente isto seria errado, mesmo para a Bíblia.

A Bíblia nunca diz que a mulher é inferior ao homem do ponto de vista ontológico. Mesmo no relato da criação em Génesis 1, a Bíblia é muito clara, diz que Deus criou o homem, homem e mulher os criou. No capítulo 2 é que ela vai dizer que a mulher é criada depois, o género feminino. Mas o depois, por incrível que pareça, não significa inferior, não dá ao homem a primazia, mas vem acompanhada de uma palavra que até qualifica o próprio Deus, quando diz que a mulher deve ser um face-a-face. Para o homem, a palavra que lá está, é dizer que negdô, é uma palavra que se aplica muitas vezes a Deus na sua relação com o próprio povo, ou seja, Deus é um apoio, é aquele que permite ao próprio povo de se afirmar.

E ele é vulnerável pela mulher, inclusive. da mesma maneira, justamente, com a mulher. E, portanto, obedecer ao marido como ao Senhor poderia, inclusivamente, ser visto do ponto de vista de uma idolatria, porque, na Bíblia, o Senhor é aquele que é mais digno de adoração e obediência. Se alguém na minha família, o meu pai, a minha mãe, o meu filho, desobedecem ao Senhor, eu não posso seguir esse exemplo. O Senhor é o topo do meu modelo e, portanto, é aquele pelo qual eu oriento a minha vida. Mais ninguém pode ocupar esse papel. E, portanto, nunca a Bíblia poderia estar a dizer que a mulher deveria obedecer ao marido como ao Senhor.

Isso não faria qualquer sentido. Pelo contrário, o que nós estamos a dizer é que, neste contexto, Paulo vai utilizar palavras cujo modelo central é Cristo. E para o homem, Paulo vai dizer, amem as vossas mulheres tal como Cristo amou a igreja. Se vocês querem ser o cabeça. O cabeça não é o chefe. O cabeça não é o mandão. O cabeça é aquele que se entrega, aquele que protege, é aquele que se dedica. àquele que é o objeto da sua ação. E, portanto, tal como acontece com a igreja, e nós poderemos ver isto nesta mesma afirmação, a igreja só submete a Cristo porque ele a amou primeiro.

Da mesma forma, a relação entre a esposa e o esposo está condicionada pela atitude do marido para com a esposa. Tal como a igreja não é escrava de Cristo, a mulher não está submetida a um mestre que tem autoridade sobre ela. A mulher entrega-se a alguém que a ama. É diferente. O tipo de relacionamento que o próprio apóstolo Paulo prevê é completamente diferente. É alguém que a ama, não que a domina. Aliás, a própria noção de amor exclui, do ponto de vista do domínio. O domínio não se pode exercer numa relação de amor. Deus ama-me. Nós podemos dizer, ele domina sobre mim porque eu lhe dou essa autoridade.

Eu deixo que ele me oriente. Ele não impõe o seu domínio. Ele diz-me, olha, se tu me deixares que eu te oriente, eu posso fazer isto por ti. Toda a perspectiva da Bíblia é uma proposta. E o ser humano é livre de aceitar ou de recusar essa proposta. Deus nunca impõe o que quer que seja. Aliás, nós podemos ver mesmo o sentido da palavra kephalen. É isso que nós podemos ver neste momento. A palavra kephalen, que designa o marido como cabeça da mulher, não significa que ele seja a força dominante, mas sim o protetor, capaz de dar a vida por ela, como Cristo fez pela Igreja. A mesma coisa com o verbo upotasomai. O verbo potassomai era um verbo que era utilizado no exército, era um verbo militar.

Era utilizado pela ação de um soldado cujo capitão chamava para ajudar o esforço de uma tropa. E, portanto, a mulher é dita que ela é o potassomai. Ela é chamada para ajudar no esforço, para dar o seu contributo, para dar o seu apoio. A quem? A quem fala. do marido, que é aquele que dá a sua vida por ela, é aquele que a protege, é aquele que cuida dela, é aquele que vai à frente. Tal como eu tinha dito num programa anterior, o Kefale, no exército, era o capitão que estava diante da falange. Quando o general lá atrás, o Harker, dava a ordem de avançar, o Kefale ia à frente.

Tal como Cristo vai à frente da Igreja. Cristo não é o Senhor da Igreja porque a domina. Cristo é o Senhor da Igreja porque deu a sua vida por ela. E além de dar a sua vida por ela, diz o apóstolo Paulo na Epístola aos Efésios, tem o cuidado de a querer apresentar Igreja. sem mácula, sem ruga, sem nada semelhante. Ou seja, é aquele que vai cuidar justamente da própria igreja. E isto é o tipo de relacionamento, e estamos a falar do lar. Estamos a falar do lar, às vezes há muitos homens na igreja que veem estas expressões e pensam que as mulheres não têm qualquer autoridade na igreja.

Estamos a ver que é o lar, e o lar, a mulher tem, tem um papel fundamental. O marido não a domina, o marido não é o chefe do lar. Isso é qualquer coisa que passou por efeito de uma cultura de muitos séculos, de uma leitura enviasada do texto bíblico, mas que não é o que lá está. Aliás, esta autora, Chantal Renier, ela vai nos dizer exatamente assim. O homem como a mulher são convidados a ir mais além. Os maridos devem abandonar o seu poder absoluto para amar a sua mulher. As mulheres não devem tratar o marido como um mestre, mas aprender verdadeiramente a ter em consideração o amor que eles têm por elas. No fundo, isto é tudo uma atitude de correspondência.

Ao marido, Deus diz-lhe, ama como eu amei a igreja. À mulher, Deus diz, uma vez que ele demonstra o seu amor por ti dessa forma, tu também podes corresponder da mesma maneira, indo ao encontro das suas necessidades. No fundo, é este tipo de relacionamento que o apóstolo Paulo propõe à igreja no lar e à igreja como um todo, porque na metáfora isto às vezes confunde uma com a outra, mas nunca esteve na mente do apóstolo Paulo que houvesse alguém que, neste caso um homem ou um marido, que devesse dominar a sua mulher e a mulher que lhe devesse obedecer sem qualquer reserva.

Não é isso que estava na mente do apóstolo Paulo. Muito bem, e ficou claro. E fica também aqui este apelo para todos aqueles casais que estão a assistir.

Encerramento

Portanto, somos desafiados, exatamente pelas próprias palavras do apóstolo Paulo, a viver relações de amor, de respeito mútuo, de serviço, seguindo, lá está, o exemplo de Cristo, e nunca, sob qualquer forma, de domínio. Muito obrigado, Artur, por esta resposta tão esclarecedora. Tenho certeza que quem nos enviou esta pergunta ficou esclarecida. O nosso tempo está a avançar e como já certamente percebeu, se assiste a este programa, a sua participação é sempre uma parte fundamental deste fórum, como foi exatamente a pergunta que nos foi enviada por quem assiste regularmente a este programa. E falo para si, que me ouve, que me vê, se durante a sua leitura ou seu estudo da Bíblia encontrar um texto que não consegue compreender totalmente ou se por acaso se depara com algum tema das escrituras que levanta questões difíceis, Então, não deixe de partilhar connosco.

Nós teremos todo o gosto em ajudar, mas precisamos, obviamente, de receber as suas perguntas, através dos nossos contatos, que mais uma vez eu relembro, poderá fazê-lo por e-mail, enviar as suas perguntas por e-mail para programas arroba novetempo.pt ou então, através do telemóvel, de uma forma muito simples, para o número que eu acredito que já faz parte da sua memória e que é o 933-939291. Fica desde já o convite para nos acompanhar no próximo episódio do Fórum Bíblico, que será transmitido já na próxima semana. Nós iremos continuar a viajar pelas páginas da Bíblia Sagrada, descobrindo os seus ensinamentos, compreendendo melhor as suas passagens, as mensagens que elas transmitem e, claro, procurando dar as respostas para as suas questões, porque cada pergunta que nos colocar é sempre uma oportunidade para todos juntos aprendermos mais.

Até lá, fico ao desafio habitual, dedico tempo ao estudo da Bíblia e aproveito ao máximo tudo aquilo que ela tem para nos ensinar. Fico bem.

A nossa oferta

A nossa oferta

Entre Família

Sobre este episódio

Será que a Bíblia exige uma obediência cega das mulheres aos maridos? Descubra o verdadeiro significado de Efésios neste episódio esclarecedor.

No programa Fórum Bíblico, o apresentador Marco e o teólogo Artur Machado analisam uma das passagens mais debatidas e incompreendidas das cartas do apóstolo Paulo. A partir de uma pergunta enviada por um espetador sobre Efésios capítulo 5, o episódio desconstrói mitos culturais acumulados ao longo de séculos e revela o contexto histórico e linguístico original por trás da ideia de submissão no casamento. Ao examinar o texto grego, percebemos que o autor bíblico não utiliza o verbo que significa obediência autoritária, mas sim um termo que aponta para uma cooperação voluntária e mútua dentro do lar.

Este estudo bíblico aprofundado mostra que a relação entre marido e mulher deve ter como modelo o amor sacrificial de Cristo pela igreja. Longe de promover o domínio ou a supremacia masculina, a Palavra de Deus desafia os casais a viverem em respeito mútuo e serviço. Como explica Artur Machado, o papel do marido como cabeça não é o de um chefe autoritário, mas o de um protetor disposto a dar a vida pela sua família. O episódio oferece uma perspetiva libertadora e prática sobre a vida familiar, resgatando a beleza do plano original de Deus para o casamento, onde o amor exclui qualquer forma de controlo ou opressão.

Para além de clarificar a tradução de termos importantes, esta reflexão convida cada cristão a olhar para o seu próprio relacionamento à luz do Espírito Santo. Compreender estas verdades espirituais ajuda a restaurar lares e a fortalecer os laços familiares, promovendo um ambiente de paz e harmonia. É uma oportunidade única de crescimento espiritual e de aprendizagem prática sobre como aplicar a teologia bíblica no quotidiano da vida em família.

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Série
Fórum Bíblico · 68 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 65
Estreou
03 de Setembro de 2026
Categoria
Espiritualidade
Apresentação
Marco Figueiredo
Convidados
Artur Machado