Olá e bem-vindo a mais um episódio do Fórum Bíblico. É sempre muito bom contar novamente com a sua companhia neste programa semanal, onde procuramos, já sabe, mergulhar no conhecimento da Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Eu queria aproveitar estes momentos iniciais para fazer dois agradecimentos, também ele muito especiais. Em primeiro lugar, eu quero agradecer a todos aqueles e aquelas que nos têm enviado as suas perguntas sobre a Bíblia e que, dessa forma, têm dado vida e sentido a este programa todas as semanas. Em segundo lugar, também queria agradecer as muitas mensagens que temos recebido de apreciação, manifestando carinho, incentivo e apoio no trabalho que nós temos procurado desenvolver ao longo destes programas, mas, acima de tudo, mensagens que vão partilhando como o Fórum Bíblico tem sido uma ajuda importante na compreensão da Bíblia.
Em nome de toda a produção do Fórum Bíblico, eu quero deixar aqui o nosso sincero agradecimento e dizer-lhe que é, na verdade, a sua participação neste Fórum que nos vai motivando a continuarmos juntos nesta jornada de aprofundamento do conhecimento bíblico. E por aqui nós vamos continuar hoje com mais uma pergunta que nos foi enviada e que vai lançar o assunto que hoje estará em destaque. Para o analisar e desse modo, claro, dar resposta às questões que nos chegaram, está comigo o teólogo Arturo Machado. Olá Arturo, bem-vindo uma vez mais para uma semana e para respondermos a mais perguntas do nosso fórum. Acho que o Artur também fica muito feliz e contente de regressar e com as mensagens que temos recebido, não só com as perguntas, mas também dos nossos ouvintes e os nossos telespectadores que vão manifestando a ajuda que este programa e as explicações que dá e as respostas que nos traz são tão úteis para compreender de forma mais profunda a Bíblia Sagrada e responder às inquietações, às dúvidas que vão surgindo do seu estudo.
Muito bem, e hoje vamos continuar e vamos conhecer então a primeira pergunta do
nosso fórum. E a pergunta que nos chegou foi a seguinte. Salomão menciona um texto em Eclesiastes, no capítulo 9, versículo 7 a 9, que Gilgamesh já havia referido muitos anos antes. Textos seculares, como o Deatos 17-28, foram incorporados na Bíblia. Existem outros textos que também tenham sido incorporados? E há mais uma pergunta. As citações seculares tornam a Bíblia menos divina? Uma pergunta muito interessante. É uma pergunta interessante. Eu agradeço-a já pelo seu envio, porque vai-nos permitir perceber um pouco porque é que textos extra-bíblicos... Eu não diria tanto textos seculares, mas às vezes são textos extra-bíblicos que estão colocados dentro do texto bíblico.
e que nos permite perceber que há, muitas vezes, temáticas, mesmo ideias, que são comuns à humanidade e que são partilhadas, quer pelos autores da Bíblia, quer por outros autores mesmo. Às vezes nós temos uma ideia de que a inspiração da Bíblia resulta de uma espécie de ditado que Deus faz ao ser humano, e não é. A inspiração da Bíblia é, sobretudo, a orientação que Deus dá ao ser humano para que este, dentro da liberdade que Deus lhe confere, e essa liberdade significa a liberdade de pensamento, a liberdade também de escrita e do seu estilo, poder adicionar, portanto, ao texto bíblico o seu próprio cunho pessoal.
Ora, nós estamos aqui a falar de um texto que é o texto de Eclesiastes. Já agora poderemos até mencioná-lo rapidamente. O texto de Eclesiastes, capítulo 9, versículos 7 a 9, diz, vai, pois, come com alegria o teu pão, bebe com bom coração o teu vinho, pois há Deus sagrada das tuas obras. Em todo o tempo sejam alvas as tuas vestes, nunca falte o óleo sobre a tua cabeça, goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida, da tua vaidade. os quais Deus te deu debaixo do sol todos os dias da tua vaidade, porque esta é a tua porção nesta vida e do teu trabalho que tu fizeste debaixo do sol. Antes de vermos em concreto que semelhanças existem entre este texto de Eclesiastes e o texto de Gilgamesh, convém perceber que a reflexão de Salomão em Eclesiastes é a reflexão de alguém que é confrontado com as questões do sentido da vida.
Trata-se do rei Salomão, portanto, O livro de Eclesiastes é atribuído à sua autoria ao rei Salomão, que terá escrito este livro por volta do ano 931 a.C. e que apresenta questões perturbantes e também desafiadoras que captam a nossa atenção. Notamos neste livro um extraordinário conhecimento, sobretudo da cultura egípcia. Há expressões, há frases, há um conhecimento até mesmo da própria literatura egípcia que é veiculado dentro deste livro de Eclesiastes, o que não é de admirar, porque o Salomão foi casado com uma princesa egípcia. E, portanto, como nós iremos ver, há dentro do próprio texto, embora não mencionado muitas vezes textualmente, informações que nos dão essa ideia.
Vamos só mencionar uma que aparece muitas vezes no livro de Eclesiastes, a expressão debaixo do sol. É uma expressão que ocorre 20 vezes no livro de Eclesiastes. Nós poderemos ver que a mesma expressão era usada no Egito através da representação hieroglífica do sinal do Sol colocada acima da proposição sob ou da proposição de baixo. A expressão invoca a contínua repetição do ciclo do Sol e, portanto, se Salomão vai utilizar esta expressão 20 vezes neste livro de Eclesiastes, mas ele sabe a que é que ela faz alusão. E, portanto, é dentro deste conhecimento que Salomão vai utilizar essa expressão. A epopeia de Gilgamesh trata-se da história do rei Uruque.
Existiu por volta do ano 2600 a.C. Ela tem diversas versões. A mais completa destas versões foi encontrada na biblioteca do rei Assírio Assurbanipal, que reinou entre o ano 669 e o ano 627 a.C. E o tema central desta epopeia é o destino do homem que vai de vitória em vitória, mas que acaba por ofender os deuses por causa dos seus excessos. Este homem é confrontado com a morte de um amigo seu, chamado Enkidu, e aí Gilgamesh começa a procurar qual é o segredo da imortalidade. E é no decurso desta busca, desta pesquisa, que ele vai encontrar um certo Utanapistim, que é uma espécie de noé mesopotâmico, que lhe vai contar o relato do Dilúvio.
Ora, Precisamos perceber que esta obra de Gilgamesh... esta epopeia, não nos é conhecida na íntegra. O próprio texto tem, por vezes, lacunas que nós não conhecemos o seguimento, portanto, há interrupções no próprio texto. Há duas grandes versões desta epopeia. Há uma versão babilónica e há uma versão assíria, que é tida até como sendo o padrão desta epopeia. Há realmente algumas semelhanças quando nós comparamos o relato de Eclesiastes, capítulo 9, versículos 7 e 9, com esta epopeia. E vamos apresentar aqui uma possibilidade de tradução.
Há várias possibilidades de tradução. Elas variam, como todas as traduções, às vezes numa ou noutra palavra. E aquela que nós temos deste texto é a seguinte. Tu, Gilgamesh, que a tua barriga esteja cheia, Que o dia e a noite sejam alegres. Que as tuas roupas estejam limpas. Que a tua cabeça esteja lavada. Que te banhes em água. Olha para a criança que segura a tua mão. Que a tua esposa desfrute dos teus abraços repetidos. Ora, os especialistas assinalam que este texto que nós acabamos de ler, este texto de Gilgamesh, só aparece na versão babilónica. Não aparece na versão padrão. E, portanto, ela até foi editada, acabou depois por ser removida.
O que nós sabemos também de concreto, e isso talvez nos ajude, é que foi descoberta, a arqueologia descobriu, um fragmento da epopeia de Gilgamesh em Megiddo. Megiddo é uma zona estratégica em Israel, onde Salomão, aliás, construiu depois ali várias cavalariças, e ela é conhecida em Canaã desde pelo menos o século XIV a.C. E, portanto, não é de admirar que Salomão tivesse tido acesso a um fragmento ou ao total da epopeia de Gilgamesh no seu próprio tempo. O que é que nós podemos dizer, então, ao certo comparando estes dois relatos?
Nós podemos verificar que eles têm temáticas que se aproximam. Ambos os textos falam, por exemplo, do desfrutar e ambos os textos falam da alegria. Falam de comer, falam de beber, falam de vestir boas roupas. de passar um bom tempo com a sua esposa, e em ambos os textos, quando nós comparamos, é notória também a efemeridade da vida humana. Como nós vimos, Gilgamesh é confrontado com a perda de um amigo seu, portanto, a realidade da morte, e nessa epopeia de Gilgamesh até está dito que a morte é o destino da humanidade. Da mesma maneira, no capítulo 9 do Livro de Eclesiastos, dos versículos 2 a 6, é dito que a morte atinge tanto os justos como os injustos.
Portanto, há realmente temáticas que tocam os dois relatos, mas também nós podemos verificar que há aspectos muito diferentes Entre os dois, por exemplo, Eclesiastes diz que a alegria é uma dádiva de Deus, enquanto que na Epopeia de Gileames a alegria aparece como o conselho do taberneiro, porque os deuses negaram a imortalidade à humanidade. Uma segunda diferença que nós encontramos nestes dois relatos É o facto de que, na epopeia de Gilgamesh, o prazer da vida é a única compreensão para uma existência sem esperança. Enquanto que no livro de Eclesiastes, o prazer não surge como algo absoluto. O prazer é o resultado do temor de Deus.
E temos aí, portanto, outra diferença, ou seja, se o ser humano procura viver a vida em harmonia e com a vontade de Deus, nisso ele terá realmente prazer. E, portanto, tal como eu mencionei, não é de admirar que os textos tenham temáticas idênticas, e eu não tenho qualquer dúvida que Salomão possa ter tido contacto com a epopeia de Gilgamesh, porque o ser humano tem preocupações comuns. seja ele crente em Deus ou não. Todos nós partilhamos, ainda hoje, todos nós partilhamos preocupações, dúvidas existenciais que são comuns a todo o ser humano. Às vezes marcadas pelo contexto envolvido. E marcadas pelos nossos diferentes contextos.
E, portanto, não é de admirar que, hoje em dia, um texto de um filósofo ateu possa ter algumas parecenças com o texto bíblico. Não quer dizer que ele tenha lido o texto bíblico para chegar às conclusões que chegou, quer dizer apenas que partilhamos interesses comuns. E um ponto comum entre estes dois textos é que ambos os autores procuravam encontrar, digamos, o sentido da vida. Uma outra diferença que nós podemos encontrar entre a Epopeia de Gilgamesh e o Livro de Eclesiastes é que o Livro de Eclesiastes não é uma epopeia. Ele nem nos conta sequer uma história. O livro de Eclesiastes é uma reflexão de um homem que chega ao final da sua vida, que olha para trás, para a sua própria existência, e para aquilo que o rodeou, para aquilo que ele construiu, para aquilo que foi a sua sabedoria, e começa a refletir, quer sobre aquilo que ele fez, quer sobre aquilo que é, digamos, o comum da existência humana.
e todos os temas que são desenvolvidos são abordados nessa perspectiva. Como é que o ser humano vai encontrar, digamos, a realização, ou a não, ou a falta dela, se ele se descobriu naquilo que fez, que estava de acordo e de harmonia com o que Deus pretendia. Ou não. E, portanto, toda a reflexão de Salomão vai-se fazer neste sentido. Ainda falando muito rapidamente aqui da hipopeia de Guilherme, nós encontramos até semelhanças entre esta hipopeia e outros relatos da Bíblia. Encontramos, por exemplo, relatos de um dilúvio que não coincide concretamente com o relato do diluvio bíblico.
Tem pontos que se tocam e tem depois outros pontos que não estão de acordo. Significaria isto que o relato bíblico que é escrito depois teria visto a hipopeia de Gilgamesh e ter escrito alguma coisa um bocadinho semelhante? Não. O que nós podemos perceber é que o relato bíblico é escrito depois, mas, e nós não temos tempo para abordar aqui, porque teríamos que abordar os dois relatos, até mesmo há um relato da criação no Ministério de Atrahasis, muito parecido com o relato da criação da Bíblia, mas o que nós percebemos comparando os dois relatos é que depois o relato bíblico é antimítico. isto é, vai fornecer ao povo de Deus o conhecimento do que realmente se passou, ou seja, vai fugir realmente a estes mitos.
E nós veremos daqui a pouco, na segunda parte da pergunta, que os outros relatos extra-bíblicos também têm a sua função dentro do respectivo relato da Bíblia.
Muito bem. Portanto, para já ficamos a perceber que a semelhança com textos antigos mostra que a Bíblia dialoga com a cultura do seu tempo, mas isso não implica comprometer aquilo que é a sua mensagem própria e, como disse no início, a inspiração divina. Muito bem. No programa de hoje, nós estamos a ser desafiados a refletir e a confiar na inspiração divina da Bíblia e, pois bem, no guia de estudo da Bíblia que temos hoje para lhe oferecer, intitulado Evidências, da autoria do Dr. Rodrigo Silva, vai encontrar nas suas 14 lições uma que dá resposta precisamente à pergunta... Podemos crer na Bíblia? A resposta que pode encontrar na lição nº 7 deste manual vai certamente complementar, talvez, as respostas que hoje estão a ser dadas aqui pelo teólogo Artur Machado.
Para receber gratuitamente este guia de estudo, agora mesmo, apenas precisa nos enviar uma mensagem para o número 933-939291 e nós teremos todo o gosto em oferecê-lhe o exemplar igual àquele que tenho aqui comigo, para que então possa consolidar a sua confiança e a certeza na inspiração da Bíblia Sagrada. Antes agora de avançarmos para intervalo, eu quero lembrar como é que pode participar no nosso programa. Pode enviar as suas perguntas, já percebeu, sobre a Bíblia, por e-mail, e pode fazê-lo para programas arroba novetempo.pt ou então, se preferir, de forma muito fácil, pode enviar uma mensagem para o número que eu acredito que já conhece, mas que eu volto a repetir, que é o 933 93 92 91.
Também não sei qual é o canal por onde nos acompanha neste momento, mas também quero aproveitar para lembrar que pode seguir-nos, pode acompanhar este programa na televisão no canal 186 da MEU, pode fazê-lo também no YouTube da Novo Tempo e se gosta de ouvir rádio e está na região da Grande Lisboa, pode sintonizar a frequência 91.2, onde poderá também seguir o Fórum Bíblico. Chego agora, porque já estamos com o nosso tempo muito apertado, momento para uma breve pausa aqui no programa. Continuo connosco, fico por aí para assistir à segunda parte do programa Fórum Bíblico, já a seguir a curtíssimos instantes. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança.
Estamos de regresso para a segunda parte do programa Fórum Bíblico. Obrigado por continuar desse lado. Hoje estamos a responder a perguntas relacionadas com a existência de passagens na Bíblia que contém, muitas vezes, citações de autores extrabíblicos. Vamos recuperar e continuar a responder à pergunta que nos foi enviada, agora para ver o seguinte. E a pergunta é esta, que era a segunda parte da pergunta que nos foi colocada. Existem outros textos extra-bíblicos que estejam incorporados nas passagens de Bíblia, para além daqueles que já referimos? Sim. A própria pessoa que nos enviou a pergunta envia-nos um, que é o Atos 17, versículo 19. que nós iremos mencionar já de seguida, e, como eu vos disse, há o livro de Génesis, que tem os relatos da criação e os relatos do dilúvio, que nós não vamos incorporar no programa de hoje.
Poderá ficar depois para uma próxima oportunidade. No livro de Háttis, capítulo 17, versículo 28, há uma citação de Paulo, é o seu discurso no Európago de Atenas, em que ele diz, porque nele vivemos, nos movemos e existimos, como também alguns dos vossos poetas disseram, pois somos também sua geração. Portanto, tal como eu disse, o contexto desta passagem é o discurso de Paulo no Areópago de Atenas. Nós sabemos que a cidade de Atenas era uma cidade altamente intelectual, Lembremos que filósofos como Sócrates, Platão e até mesmo Aristóteles ensinaram ali.
E, portanto, era também uma cidade, como diz Paulo, altamente politaísta. E, portanto, Paulo começou ali a falar na sinagoga, depois ele passou para a Agora, que era a praça onde muita gente também discursava. Há duas escolas filosóficas, que são os estoicos e que são os epicureus, que vão tomar atenção naquilo que o Paulo vai dizer ali, e então convidam-no. para discursar no Areópago, que era o lugar onde estamos a falar, portanto, de um lugar que ficava denominado na colina de Marte ou na colina de Arés, situada, portanto, a nordeste da Acrópole de Atenas.
E é ali que Paulo vai mencionar, então, estas citações. Vamos notá-las. Porque nele vivemos, nos movemos e existimos. É uma citação atribuída ao poeta cretense Epiménides, por volta do ano 600 a.C. Depois temos uma segunda citação. Somos também sua geração. É uma citação que é atribuída a dois autores. Primeiro ao poeta estoico Arato, no seu poema Fenómena, e, portanto, estamos a falar de alguém que existiu entre o final do século IV e o início do século III a.C., e também ao poeta Cleante de Aços, no seu hino Azeus, portanto, entre o século IV e também o século III a.C.
Ora, esta forma de Paulo agir está em consonância com aquilo que era o seu princípio de evangelismo. O próprio apóstolo Paulo, na primeira epístola aos Coríntios, ele vai, por exemplo, dizer no capítulo 9, nos versículos 21 a 22, eu fiz-me tudo para com todos, para poder ganhar a alguns. Fiz-me judeu? para com os judeus, isto é, Paulo contextualizava a sua mensagem num contexto judaico, indo buscar citações à Bíblia. Fiz-me gentil para com os gentios, diz o apóstolo Paulo, porque em contextos onde a Bíblia não era tida como uma autoridade de referência, e neste momento em Atenas não o era de todo, Paulo estabelece toda a sua argumentação numa lógica e indo buscar afirmações de autores com os quais as pessoas estavam familiarizadas para perceberem que o apóstolo Paulo era alguém que também estava familiarizado com essas citações e dessa maneira trazer citações que iam ao encontro de todo o raciocínio de Paulo para trazer essas pessoas ao conhecimento daquilo que era a mensagem de Deus.
É quase uma estratégia de utilizar o conhecido para apresentar o desconhecido. Exatamente, era isso mesmo. E, portanto, o apóstolo Paulo, o que ele faz, basicamente, é isto. Não quer dizer que ele estivesse de acordo. com estas pessoas, quer dizer apenas que ele procurava trazer coisas com as quais as pessoas tivessem o seu próprio contexto. Uma outra citação, nós encontramos, por exemplo, em Tito, no capítulo 1 e no versículo 12, em 1 Coríntios ainda, É o capítulo 15, versículo 33, exatamente. É do poeta grego Menandro, esta citação, Não vos enganeis, as más conversações corrompem os bons costumes, em que Paulo a situa dentro do seu raciocínio sobre a ressurreição para dizer aos coríntios, se vocês se deixam perturbar ou corromper por aqueles que dizem que não há ressurreição, bem pode acontecer que vocês vão por outras vias que não sejam também aquelas mais aceitáveis.
Eu tinha falado e não apresentei, há uma outra citação de Tito, capítulo 1, versículo 12, em que Paulo diz, um deles, seu próprio profeta, disse que os crescentes são sempre mentirosos, bestas ruins, gentes preguiçosos, que também é uma citação de Epiménides. Portanto, Paulo citou duas vezes Epiménides. E aqui ele até fez assim um jogo de palavras, porque se na realidade os cretentes são sempre mentirosos, esta citação de Epiménides não podia ser verdadeira. Exato. E Paulo às vezes põe assim um bocadinho de humor. Temos depois uma outra citação muito rapidamente, Livre de Judas, No versículo 9 é mencionado, mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele, mas disse, o Senhor te repreenda.
Temos aqui uma citação que pertence ao Livro Apócrifo à Assunção de Moisés. Este Livro Apócrifo é nos conhecido sobretudo pelos pais da igreja e por uma tradução latina do século VI. Mas isto significa que Judas tira esta citação, que ele entende ser verdadeira, para exortar a sua igreja contra os hereges. E, portanto, ele faz aqui um exemplo retirado deste livro para mostrar que, tal como o arcanjo Miguel contendia com o diabo e, sobretudo, evocava o nome do Senhor para repreender o mal, os crentes do seu tempo deveriam fazer a mesma coisa. E a última citação, já agora, também do livro de Judas, e destes profetizou também Enoco, o sétimo, depois de Adão, dizendo, Eis que é vindo o Senhor com milhares dos seus santos anjos para fazer juízes contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios por todas as suas obras.
Podemos continuar. Todas as suas obras de impiedade que empiamento cometeram e por todas as duras palavras que os ímpios pecadores disseram contra ele. É uma citação que vem do livro apócrifo de Enoch, um livro judaico composto por Volta, portanto, do século III antes de Cristo. Judas utilizou estas citações, não porque ele acreditasse que estes livros eram inspirados, mas tal como Paulo, porque ele achou que estes exemplos podiam fazer referência naquilo que ele pretende de aprovar. Isto não coloca em causa aquilo que nós dizemos ser a inspiração da Bíblia,
porque a Bíblia significa que Deus pode usar a nossa inteligência e a nossa mente e buscar inclusivamente citações de outros autores que corroboram aquilo que é o pensamento bíblico. Muito bem. E acho que ficou muito claro, e acho que percebemos e ficou respondida a questão que nos foi colocada. O nosso tempo está mesmo mesmo a terminar e como percebeu ao longo deste programa, nós podemos efetivamente e sem receio, crer na Bíblia. Esta é precisamente a resposta que pode encontrar, como lhe disse na primeira parte, na lição número 7 do Guia de Estudo da Bíblia e Evidências, que hoje nós temos para lhe oferecer, e ao ler este manual vai certamente ser desafiado a iniciar uma viagem de estudo e de reflexão apoiada em várias evidências, quer históricas e quer bíblicas.
Já sabe como pode pedir este estudo da Bíblia? Ele é totalmente gratuito e apenas precisa de nos enviar uma mensagem para o número 933-939291. O programa de hoje termina por aqui, mas nós voltamos a reunirmos no Fórum Bíblico já na próxima semana, pois queremos, sem dúvida, continuar a dar resposta às perguntas que nos envia. Talvez a sua questão seja aquela que será respondida? Talvez. Fica assim o convite para estar connosco no próximo encontro. Esperamos por si. Até lá, deixo-lhe também o convite de fazer da sua Bíblia uma companhia diária na sua vida todos os dias. Fique bem.
A Bíblia pode citar autores ou textos fora das Escrituras? E isso torna a Palavra de Deus menos inspirada?
Neste episódio do Fórum Bíblico, exploramos uma questão fascinante: as semelhanças entre Eclesiastes 9:7-9 e a antiga Epopeia de Gilgamesh, bem como as citações de autores extra-bíblicos usadas pelo apóstolo Paulo e por Judas.
Descubra como a Bíblia dialoga com a cultura do seu tempo sem perder a sua mensagem, autoridade e inspiração divina. Vamos analisar exemplos como o discurso de Paulo no Areópago, em Atos 17, as referências a poetas gregos, o livro de Enoque, a Assunção de Moisés e outros textos antigos.
Será que uma citação fora da Bíblia compromete a sua origem divina? Ou pode ajudar-nos a compreender melhor a forma como Deus comunicou a Sua mensagem através de autores humanos?
Assista até ao fim e fortaleça a sua confiança na Bíblia Sagrada.
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