Deus que se Ira e que é Terrível

Deus que se Ira e que é Terrível

04 de Dezembro de 202526 min 39 s

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Abertura e apresentação

Começa agora mais um Fórum Bíblico. Seja bem-vindo. É sempre um gosto contar com a sua presença aí desse lado para nos acompanhar nas respostas que hoje serão dadas, como sempre, às perguntas que foram selecionadas pela nossa produção. Neste espaço nós procuramos responder com rigor e clareza a todas as questões que nos são colocadas, Por isso, se tem alguma dúvida ou se há um tema bíblico sobre o qual ainda não encontrou uma explicação satisfatória, não hesite em partilhar connosco. Pode ser que este fórum lhe traga ajuda e também os esclarecimentos que procura. Pode enviar já a sua pergunta ou dúvida para o nosso e-mail, que é programas arroba novotempo.pt. Se preferir, também pode enviar para o número 933 93 9291, tome nota, 933 939291.

E não se esqueça de indicar o nome deste programa, já sabe, Fórum Bíblico, para garantirmos que a sua questão ou as suas questões chegam até nós. Vamos então, desde já, conhecer a primeira pergunta de hoje e, para responder, contamos, uma vez mais, com a presença do Artur Machado, teólogo e o nosso convidado aqui no Fórum Bíblico. Olá, Artur.

A linguagem sobre Deus

Olá, Paulo. Bem-vindo. Vamos então conhecer a primeira pergunta hoje lançada aqui no nosso Fórum e que é a seguinte, é uma pergunta muito interessante e muito pertinente. Como se atribui a um ser perfeito como Deus palavras negativas como terrível e ira? Pois elas aparecem no texto bíblico várias vezes, não é? E nós devemos lembrarmos que o texto bíblico é a maneira pela qual Deus procurou, utilizando seres humanos que escreveram, portanto, a Bíblia e que logo utilizaram conceitos e o vocabulário de que disponham para nos deixar compreender quem seria Deus, o seu caráter, a sua personalidade, a sua maneira de agir.

Só que o nosso vocabulário e, portanto, os conceitos que ali estão são conceitos humanos falíveis, conceitos que vêm, portanto, de um ser humano já em estado de afastamento do próprio Deus pelo seu comportamento, pela sua maneira de agir e de ser. E eles usaram o vocabulário que tinham e que disponham e mesmo hoje nós utilizamos o vocabulário de que nós dispomos. Nem sempre esse vocabulário, e é bom que nós tenhamos essa consciência, traduz essa realidade. E um dos teólogos contemporâneos que se alienta, e isto é que ele diz-nos que a Escritura contém aquilo que nós chamamos de antropomorfismos, isto é, aspectos humanos que são aplicáveis, portanto, a Deus, quer através de palavras, quer através, por exemplo, de conceitos.

E, por isso, nós vamos à primeira fase de hoje, que nos pode ajudar a compreender esta questão, é que o uso de antropomorfismos refere-se ao uso de imagens e expressões tiradas da realidade humana para descrever sentimentos emoções, aspectos e descrições de Deus. Portanto, quando a Bíblia diz Deus tem boca, Deus tem pés, Deus tem coração, Deus entristece, Deus alegra-se, Deus ira-se, Deus é terrível, o que ela nos está a dizer é que há aqui elementos pelos quais nós podemos ter pontos de conexão, pontos de ligação, que nos permitam perceber alguma coisa das características de Deus, mas que não são completamente idênticos.

Comparáveis às humanas. Exatamente. Ou seja, não é a mesma coisa. Eu digo que Deus tem boca, mas realmente eu não sei como é que é a boca de Deus. A Bíblia diz que Deus tem mãos, mas eu não sei como é que é a mão de Deus. É uma maneira de Deus se tornar acessível. Nós fomos criados seres perfeitos, mas no caminho nós tornámos, portanto, seres imperfeitos. Logo, nós não podemos medir completamente a realidade de Deus através do recurso destes conceitos ou desta fraseologia, porque ela traduz aquela que é a nossa própria. aquela que é a nossa própria realidade. A Bíblia diz que Deus é amor, mas o amor de Deus é muito superior ao meu. Logo, a noção de amor humano não pode ser o padrão pelo qual se meça o amor de Deus.

Tem que ser exatamente o contrário. Mas é uma maneira de eu perceber como é que Deus ama. Este é um primeiro aspecto que nós devemos ter em consideração. O segundo aspecto que nós devemos ter em consideração é o significado, justamente, das palavras. Nós vamos analisar estas duas palavras hoje, os conceitos de terrível e de ira, que no nosso contexto têm um conteúdo absolutamente negativo. Algo que é terrível é algo que nos causa um impacto negativo. E, da mesma maneira, a ira é um sentimento que é negativo. E muitas vezes isso não acontece com Deus. Na Bíblia nós vamos ver que estes conceitos de terrível e de ira nem sempre têm associados a si um impacto negativo.

Um terceiro elemento que é bom e que é importante salientar, é a filosofia grega. E a filosofia grega influenciou bastante a própria teologia cristã. Isto porquê? Porque a filosofia grega foi deixando uma imagem de um Deus intemporal, completamente estranho à realidade humana. Já Xenófanos definia Deus como um ser que é todo ele intelecto. Ou seja, um ser que é todo ele intelecto é um ser que só pensa. Eu não sei se esse ser que é todo ele intelecto tem emoções. Se relaciona. Se ele se relaciona ou se ele pensa somente em si próprio. E na mesma...

Na mesma linha, o xenófono nos dizia todo ele vê, todo ele pensa, todo ele ouve. Ou seja, a essência de Deus era sobretudo o pensamento. Era um Deus que estava acima e além da alegria e da tristeza. Um Deus que estava acima e além das emoções. Daí que se tem avançado nessa filosofia grega até ao conceito de Aristóteles do motor imóvel. e o motor imóvel era um ser que só cuida de si próprio, só pensa em si próprio, está completamente afastado da realidade humana que ele próprio criou, mas com a qual ele não tem qualquer interação. Daí que William Rowe, um especialista do fenómeno religioso, vai escrever no seu livro Introdução à Filosofia da Religião, nas páginas 21 e 22, ele vai dizer isto.

A ideia de Deus que predomina na civilização ocidental é, portanto, a ideia de um ser perfeitamente bom, criador do mundo, mas distinto e independente dele. E, portanto, esta ideia filosófica vai permear depois a teologia cristã. durante muito tempo, mas ela não tem nada a ver com aquilo que é a ideia bíblica. Está justamente nos antípodos da ideia bíblica, que é um Deus que intervém, que se relaciona com o ser humano e que tem justamente emoções e sentimentos. Muito bem. A próxima pergunta vai dirigir o nosso foco para a palavra terrível, em específico, mas antes de avançarmos para essa pergunta, quero partilhar consigo Há uma oferta muito especial que nós temos sempre aqui preparada num programa e é uma oferta para si, isso mesmo.

Trata-se do Guia de Estudo da Bíblia intitulado Evidências da Autoria do Dr. Rodrigo Silva. Este guia responde a 14 questões fundamentais essencialmente para quem procura compreender melhor o plano de Deus e o propósito da existência humana. E o melhor, pode recebê-lo gratuitamente em sua casa, de forma muito simples. Se nunca pediu este guia de estudo, então este pode ser o momento ideal para nos enviar, agora mesmo, uma mensagem para o número 933-939291, pedindo o guia e evidências, e a nossa equipa enviará com todo gosto um exemplar para a sua casa. Faça-nos, então, chegar a sua mensagem.

O significado de terrível

Vamos, então, agora sim, à segunda pergunta. e que é a seguinte. O que quer a Bíblia dizer quando diz que Deus é terrível? Ora, entramos então no detalhe da pergunta que nos foi feita hoje. No livro de Deuteronómio, no capítulo 7 e no versículo 21, aparece a seguinte citação, falando acerca de Deus que quer encorajar, motivar o seu povo para entrar na Terra Prometida. Diz Moisés aí nessa passagem de Deuteronómio 7.21, não te espantes diante deles porque o Senhor teu Deus está no meio de ti, Deus grande e terrível. Ora, a primeira palavra que aparece na minha tradução, que é não te espantes, portanto o verbo espantar, é a tradução do verbo hebraico haratz, que significa aterrorizar, amedrontar, ter medo.

Ou seja, o que Deus está a dizer ao seu povo é não te aterrorizes diante dos teus inimigos, não tenhas medo diante deles, porque eles não são nada, uma vez que o teu Deus é que é terrível. Ou seja, Israel está na fronteira da terra prometida. Quarenta anos depois, justamente, deles terem tido medo. Quarenta anos antes, eles estiveram naquela fronteira, eles foram espiar a terra e eles verificaram que era uma terra fértil, que produzia, mas que tinha cidades extremamente fortificadas, uma tecnologia que eles ainda não possuíam, que era, por exemplo, o ferro. Ok? E, portanto, eles estavam em inferioridade tecnológica para poderem conquistar aquela terra.

E daí que eles tiveram medo. Desta vez, Moisés diz, não tenhas medo. E a razão para não terem medo é porque o teu Deus é terrível. E o verbo que aí está para designar que Deus é terrível é o verbo yarhé. E este verbo significa temer. mas também significa reverenciar e também significa honrar. É um verbo que vai aparecer de novo no livro de Josué, no capítulo 4, no versículo 14, após a passagem do rio Jordão, que permita ao povo de Israel pôr pé na terra de Canaã, portanto, já entrar na terra de Canaã, e eles agora têm diante de si a cidade de Jericó. É a primeira cidade que eles têm que enfrentar.

É uma cidade com dupla muralha e, portanto, com uma tecnologia mais... Desenvolvida. Desenvolvida. E, portanto, este verbo aparece ali para ilustrar o poder de Deus que os vai ajudar a tomar posse dessa mesma terra e desse mesmo local. E que acaba por bater essa conotação mais negativa que nós aprendemos da palavra terrível, não é? Exatamente. Walter Eikraut, que é um especialista do Antigo Estamento, ele dizia o seguinte, o caráter terrível de Deus não é vivido como a cólera incompreensível de um poder caótico, nem como um mistério inexplicável, mas como a auto-afirmação de uma vontade pessoal, prescindindo do homem e dos seus desejos, é a tradução de um valor absoluto que, ainda com todo o medo que lhe inspira, bem diz ao homem mortado.

Ou seja, aquilo que Deus parece que é terrível não tem a ver com aquele que é o seu povo, tem a ver justamente com o impacto que esse Deus traduz pelos milagres que faz, pelas coisas que desenvolve nos outros. E foi isso que Israel constatou. Porque em Jericó, quando os espias foram ter a Jericó, virou uma mulher raabe e essa mulher disse-lhe, nós estamos todos amedrontados, porque sabemos o que aconteceu ao faraó, ao exército egípcio e, portanto, nós sabemos quem é o vosso Deus, nós estamos com medo. Logo, esse medo era traduzido por uma realidade destes povos que desconheciam esse Deus, mas que sabiam que ele era alguém que provocava, por exemplo, maravilhas.

Uma outra passagem onde se assinala que Deus é terrível está em Deuteronómio 10, 17, que diz o Senhor vosso Deus é o Deus dos deuses, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz exceção de pessoas. Ou seja, não quer dizer que Deus exclua. A palavra terrível não quer dizer que Deus exclui, quer dizer que Deus aceita todos. Nem aceita recompensas. Este Deus não se pode comprar. E justamente no Antigo Testamento, no mundo ao redor de Israel, os Deuses podiam se comprar através de sacrifícios, através de coisas, podiam ser influenciados. E a expressão terrível diz justamente isto. Este Deus não se compra. Este Deus é um Deus que é acessível a toda a gente e é um Deus que não toma partidos. Portanto, é um Deus que é justo.

A palavra terrível fazia justamente alusão a essa realidade de agregação. Logo, nós podemos dizer que este conceito de terrível, e é esta citação que eu que eu gostaria de ver, é um conceito que transmite segurança, reverência, admiração. E para aqueles que se opõem a Deus, é um conceito que está conotado com o juízo divino. Não é algo, portanto, que nos seja dado para nos incutir pavor, medo, mas para nos dizer que Deus é o completamente outro. É o santo, é alguém que está à par. E aqueles que confiam nele não precisam de ter medo. Precisam de perceber que ele é o outro.

completamente outro, que eu nem sempre compreendo, mas que ele me inclui, que ele age por mim e a meu favor. Creio que ficou muito claro a explicação a respeito da palavra terrível. Na segunda parte temos uma nova pergunta agora para vermos a questão mais em concreto da ira de Deus. Mas antes temos de avançar para um curto intervalo. Continuo por aí para conhecer a resposta à última questão do programa de hoje. Nós voltamos já de seguida.

O conceito da ira

Estamos de volta à segunda parte do Fórum Bíblico. Obrigado por continuar desse lado. Se só agora se juntou a nós, saiba que vamos responder à última pergunta do programa de hoje. O Fórum Bíblico é um espaço onde as suas perguntas sobre a Bíblia podem ganhar voz e, por essa razão, todas as semanas preparamos o programa a partir das questões que nos são enviadas com o objetivo de oferecer respostas que tragam mais clareza à sua compreensão das escrituras. Para que isso aconteça, nós contamos, obviamente, com a sua participação. Envie-nos as suas dúvidas ou perguntas. Pode fazê-lo, já sabe, por e-mail, através do endereço programas.novotempo.pt ou, então, comodamente, na sua casa, através de uma mensagem para o número 933-939291.

Vamos então à terceira e última pergunta e ela é a respeito, como anunciámos na primeira parte, sobre a ira de Deus e é o que é que nós podemos afirmar das passagens bíblicas que falam então da ira de Deus. Talvez a expressão ira seja mais impactante e tenha uma conotação mais negativa até do que a palavra terrível. Porque se reapropõe uma ação, não é? Exatamente. E a ideia de que Deus não é capaz de se irar, engraçado essa ideia também existia, chegou ao cristianismo via também da mitologia grega. Porquê? Porque na filosofia grega nós percebemos que Deus estava ausente da realidade humana e, portanto, um Deus que está ausente da realidade humana não se importa connosco.

A filosofia grega, nesse aspecto, diria que não há qualquer interação entre Deus e os homens. Mas a cultura grega, muitas vezes, nem sempre seguia a filosofia. E a cultura grega também tinha a mitologia. E na mitologia, nós percebemos que os deuses tinham reações idênticas aos seres humanos. Alegravam-se, iravam-se, amavam, odiavam, exatamente idênticas. E, no mundo à volta de Israel, os deuses iravam-se e, por isso, eles tinham que ser apaziguados constantemente com ofertas, com sacrifícios, inclusive, vários rituais, inclusive até às vezes os sacrifícios mais importantes que eram a doação da vida.

Os pais sacrificavam os filhos aos deuses, por exemplo. Mas acontece que, justamente, Schleiermacher, que era influenciado pela filosofia grega, dizia que não há nenhuma causa ou diretriz para estabelecer a ideia da Ira de Deus como algo fundamentado no cristianismo, como algo essencial à fé ou até como uma doutrina apropriada. Mas o facto é que a Bíblia fala da Ira de Deus. No Salmo 2, Deus diz assim, então, falando de Deus, lhes falará na sua ira e no seu furor os confundirá. Há teólogos que procuram atenuar este tipo de passagens e dizer que Deus, na sua essência, é amor e que a ira e o amor são incompatíveis.

Há também quem pense que este conceito da ira de Deus é apenas um conceito do Antigo Testamento, que no Novo Testamento não é manifesto. não se manifesta, mas a verdade é que o apóstolo Paulo, por exemplo, na Epístola aos Romanos, vai dizer no capítulo 5, nos versículos 8 e 9, Deus prova o seu amor para connosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. A Bíblia vê a ira de Deus como algo que é essencial e indispensável. Quero dizer que a ontologia bíblica não separa, como fazia a filosofia grega, o ser do fazer. O ser manifesta-se em ações.

E, portanto, o Deus da Bíblia é um Deus que ama, é um Deus poderoso, é um Deus ativo, mas também é um Deus que se ira. Só que nós temos que ter aqui uma consideração. E é isso que eu gostaria aqui de fazer. Quando falamos da ira de Deus, na Bíblia, claro, não podemos usar a ira humana como modelo para interpretar e compreender a ira de Deus, tal como eu mencionei no início do programa, que não podemos mencionar os nossos sentimentos para serem o padrão dos sentimentos de Deus quando a Bíblia, ou as nossas emoções, quando a Bíblia diz que Deus se alegra, que Deus se entristece, mas que nos dão uma perspectiva de compreensão Isto também é verdade. A ira humana é uma ira que muitas vezes é danosa, que é irracional e que surge como um fogo devorador e, infelizmente, muitas vezes não é controlável.

E a ira torna difícil o relacionamento harmonioso entre os seres. Não é este tipo de ira a que a Bíblia se refere quando ela menciona que Deus se ira. A ira divina não é uma ira tocada pela degenerescência do pecado. É aquilo que a Bíblia designa uma ira santa. E vamos ver quais são as intenções que estão na Bíblia quando Deus se ira. A primeira intenção da ira de Deus, quando ela é mencionada na Bíblia, é a restauração da ordem no interior da criação. E nós encontramos isso na Epístola aos Hebreus, no livro de Apocalipse, que menciona que Deus fica irado, ou seja, no sentido de perceber que o ser humano desvirtuou toda a sua criação.

desvirtuou todo o seu propósito. A ira de Deus é a reação de Deus contra o mal, contra a proliferação do mal. Em seguindo lugar, nós podemos dizer que a ira de Deus não aparece como algo que caracterize constantemente a Deus. Ela é provocada pela visibilidade do mal no mundo. E se nós, reagimos contra o mal no mundo, sendo seres pecadores, nós podemos pensar que Deus, que é um ser santo, sente o mal no mundo de uma maneira muito mais intensa do que a nossa. O profeta Isaías já dizia no capítulo 54 e no versículo 8, em grande ira escondia face de ti por um momento, mas com benignidade eterna me compadecerei de ti, diz o Senhor, o teu Redentor." Portanto, Deus vê o mal e Deus tem horror a esse mal, mas não significa que a sua ira exclua a sua misericórdia.

Da mesma maneira, o profeta Ezequiel vai dizer que Deus não tem prazer na morte do ímpio, na morte daquele que pratica o mal. Deus não tem esse prazer e, portanto, a ira de Deus é, como nós dizíamos em segundo lugar, não é um atributo permanente que caracterize constantemente a Deus. Ela é algo que é provocada pelo mal. E podemos ver também que a ira de Deus apresenta um aspecto escatológico de julgamento contra o mal e quem o pratica. A ira de Deus é a maneira de Deus dizer, no mundo há injustiças, nem sempre aquele que faz o mal tem justa retribuição, mas um dia ele terá a sua retribuição. E nós podemos também dizer que a ira de Deus atua de duas formas. De uma forma passiva, ao permitir que as próprias pessoas façam as suas escolhas e escolham os seus resultados.

Quem se meia ventos, diz o ditado português. colhe tempestades, essa é uma característica da ira divina, ou de um modo ativo, quando Deus intervém para repor a situação como foi o caso do Dilúvio. A ira, portanto, revela-nos o lado afetivo de Deus. Ela mostra que Deus toma o mal a sério e também leva a sério as decisões que nós fazemos. Se Deus fosse ignorante, se Deus fosse insensível ao mal e ao sofrimento, Ele não seria o Deus de amor que a Bíblia menciona. E, portanto, se o mal o toca, é porque Ele realmente é alguém que se preocupa com aqueles que sofrem.

e por isso a sua ira manifesta também a sua vontade em salvar o ser humano. Não é, portanto, algo negativo no pensamento bíblico, a ira divina, é algo que mostra como Deus sente no íntimo do seu ser o mal e as consequências que ele provoca na vida do ser humano. O mal que é destruidor, que desfaz todo o seu projeto, Deus sente isso de uma maneira muito particular e Deus quer, justamente, tal como um socorrista, afastar a vítima do perigo e destruir e eliminar o perigo que justamente consome o ser humano. É aí que está o conceito da ira de Deus.

Portanto, ser terrível e ser irado não é algo negativo, mas é algo em que mostra que Deus concorre para nos ajudar a ter uma vida mais feliz e mais concreta, melhor sucedida na nossa terra.

Conclusão e oferta

Muito bem. Muito obrigado, Artur. Eu penso que ficou muito clara essa ideia. Quer as palavras ira, quer as palavras terrível, mostram essa justiça de Deus e o poder dele para combater o mal, mas ao mesmo tempo proteger cada um de nós que nele confia. O nosso tempo está a avançar. Nós estamos mesmo a terminar mais este Fórum Bíblico. Mas antes, uma vez mais, quero relembrar-lhe a oferta muito especial deste programa. É o Guia de Estudo da Bíblia e Evidências. Nós, no programa de hoje, se acompanhou, abordámos a temática da revelação do Deus através da Bíblia. E, curiosamente, neste manual vai encontrar duas lições a respeito de Deus, nomeadamente a lição número 3 e número 4, que têm por títulos duas perguntas. A primeira, afinal Deus existe?

E a segunda, qual é o tamanho de Deus? Tenho a certeza que a leitura e o estudo destas duas lições, em específico, ajuda a Luão seguramente a aprofundar ainda mais a sua compreensão de quem Deus é e do plano que Ele tem para a sua vida. Por isso, não perca a oportunidade de receber este Guia de Estudo da Bíblia, totalmente gratuito. Para isso, basta enviar-nos uma mensagem para o número 933-939291. E desta forma finalizamos mais um Fórum Bíblico, mas na próxima semana voltamos com novas perguntas sobre as verdades que nos são reveladas por Deus através da sua palavra, a Bíblia Sagrada. Como no Fórum Bíblico, já sabe, cada pergunta nós procuramos trazer sempre uma resposta.

Esperamos por si na próxima semana. Fique bem, leia a Bíblia, envie-nos as suas perguntas e até ao próximo programa.

Série
Fórum Bíblico · 70 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 33
Estreou
04 de Dezembro de 2025
Categoria
Espiritualidade
Apresentação
Artur Machado