O Senhor do Sábado

O Senhor do Sábado

31 de Janeiro de 202258 min 25 s

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Olá, seja bem-vindo mais uma vez ao programa Em Busca da Verdade. Reunimos esta hora, como de costume, para mais alguns minutos de estudo da Palavra de Deus. Venha daí então para a descoberta do tema de hoje. Vamos continuar a olhar para Jesus, para momentos incríveis da sua vida e o que podemos aprender com esses encontros, com as coisas que Ele disse, que ensinou. Hoje vamos descobrir que Jesus é o Senhor do Sábado. E por isso este será um tema que com certeza vai ser muito importante também para ajudá-la a compreender bem este tema. Não só na vida de Jesus, mas ao longo de toda a Bíblia. Antes disso, vamos orar e pedir a Deus a sua bênção para este momento. Peço-lhe então que se junte a mim, por favor.

Oração inicial

Vamos falar com o nosso Deus. Pai do Céu, te damos muitas graças nesta hora pelo privilégio de abrirmos junto a tua palavra mais uma vez. e termos este privilégio de receber inspiração, temos a certeza que virá do teu santo e bom espírito. O mesmo que inspirou os profetas e os apóstolos a escrever, sabemos que ele está connosco aqui neste momento. E por isso que este estudo seja proveitoso e frutífero na vida de todos os que nos veem e escutam nesta hora. Em nome de Jesus te pedimos. Amém. Vamos então à descoberta de mais uma história da Bíblia, o que há para descobrir sobre este tema. Vamos então ler o que ficou registado no Evangelho de Marcos, no capítulo 2, e nós vamos ler a partir do versículo 23.

Então, dizem os Evangelhos. Aconteceu que, passando ele num sábado pelas Searas, os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas. E os fariseus lhe disseram, vês, porque fazem no sábado o que não é lícito. Mas ele disse-lhes, nunca lestes o que fez Davi, quando estava em necessidade e teve fome, ele e os que com ele estavam? Como entrou na casa de Deus no tempo de Abiatar, sumo sacerdote, e comeu os pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão aos sacerdotes, dando também aos que com ele estavam? E disse-lhes, o sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado. Assim, o filho do homem, até do sábado, é Senhor.

Mais uma vez a sabedoria de Jesus a revelar-se extraordinária. Vamos agora dissecar aqui um bocadinho esta história e depois a seguir, como sabem, vamos então abrir para novos horizontes. Já sabem que nós estaremos sempre disponíveis para nos contactar, para

O zelo dos fariseus

esclarecer alguma dúvida e claro, se quiser receber esta apresentação, pode ver neste momento, podemos mostrar-lhe o nosso site onde tem todas as condições e as possibilidades então de nos fazer esse pedido. O que é que nós encontramos a abrir nesta história? Os fariseus. Os fariseus e o seu zelo, que era um zelo sem dúvida excessivo. A verdade é que, usualmente, os fariseus são muito criticados na Bíblia e há mesmo, por causa disso, características que nós associamos facilmente aos fariseus. Mas é interessante que, por outro lado, se pensarmos que o apóstolo Paulo foi um fariseu e que foi um homem de grande zelo, ele próprio afirma que foi um homem como fariseu do máximo zelo, podemos compreender que, na verdade, estamos a falar de uma classe de pessoas que tinham características muito especiais.

Os fariseus eram pessoas, líderes religiosos, de fortes convicções e com o desejo, podemos crer, de uma forma global, de agirem. De agirem em perfeita conformidade, em fazer as coisas certas. Uma das máximas de vida dos fariseus dizia assim, Deus reserva a recompensa das boas ações para o mundo futuro, para que os homens ajam neste mundo por convicção e não por interesse. Conceito muito interessante. E este nível de comprometimento e de zelo que os fariseus tinham, eles também o aplicavam à lei de Deus e à maneira como a guardar. O propósito de guardar a lei de Deus de forma irrepreensível, e agora aqui vem o problema, tornou-se a prioridade de toda a prática dos fariseus.

E foi assim que, com o passar do tempo, num zelo absolutamente radical e excessivo, associado a uma tradição oral muito forte, os fariseus foram responsáveis por aplicar e criar mesmo regras muito apertadas com o intuito de, se possível fosse, impedir que a lei fosse transgredida. Vou-lhe dar alguns exemplos. Só em relação ao 4º mandamento da lei de Deus, o mandamento do sábado, os rabis Ioannan e Simeon ben Lakish fizeram uma análise e contabilizaram o número de regulamentos impostos que chegaram a um total de 1521. Portanto, estamos a falar de 1521 leis humanas escritas e pensadas para conseguir obedecer perfeitamente ao mandamento, mas que com o tempo passaram a ser vistas e apresentadas cometendo uma autoridade semelhante à própria Torah, à lei de Moisés, à Escritura.

Qual foi o resultado disto? Com esta prática, os fariseus sufocaram e invalidaram mesmo a verdadeira e a santa lei de Deus. Portanto, não é surpresa que Jesus tenha acusado tantas vezes os fariseus e os escribas, por exemplo, e acusou os mesmos de eles invalidarem a palavra de Deus. Jesus chegou a dizer-lhes que por causa da vossa tradição eles invalidaram a palavra de Deus. Então, em vez de benção, estas leis tornaram-se um peso tremendo, um farde, mesmo uma maldição na vida daqueles que procuravam viver de acordo com a vontade de Deus. E esta é uma das mais claras e fortes razões pelas quais os fariseus, neste legalismo absolutamente radical, eles foram alvo de muitas, às vezes tremendas, palavras de repreensão do próprio Jesus Cristo, tal como a Bíblia nos ensina.

Jesus e os fariseus

Ora, nesta história podemos então, claro, compreender o papel dos fariseus e o porquê deles trazerem estas dúvidas. Porquê é que fazem no sábado o que não é lícito, diziam eles. Podemos ver então que colher espigas e debulhá-las, quando se tinha fome, era um exemplo de uma prática permitida por Deus, isso encontramos até no livro de Deuteronómio, mas que, claro, estas práticas entravam em choque com as leis que eles próprios tinham desenvolvido. O que podemos entender é isto, Jesus nunca ensinou ou viveu uma vida contrária a nenhum dos mandamentos de Deus. mandamentos que estejam claramente escritos na sua palavra e isto inclui obviamente o sábado. Já vamos analisar isto melhor, mas em muitas ocasiões ficou evidente o choque de Jesus entre o modo como os dirigentes religiosos com as suas tradições humanas, o modo, dizia eu, como eles queriam que a lei fosse vivida e o modo como Cristo a ensinava.

E aí é que estava o choque, porque Cristo ensinava a lei tal como pensada e escrita na Bíblia e livre desse fardo de preceitos humanos. Portanto, Jesus procurou mostrar que Deus, neste caso concreto, não criou o sábado como um fim em si mesmo ou como um teste mesquinho que Deus criou só para ver quem é que é obediente. Deus tentou mostrar por isso que o sábado foi criado para benefício do homem, mas infelizmente não era assim que esta liderança judaica e especialmente os fariseus, não era assim que eles entendiam a palavra de Deus e o plano, o projeto divino para a nossa vida. Por isso, no caso do sábado, eles viam-no como uma realidade mais importante do que o próprio ser humano. Logo, o que é que eles fizeram?

Reduziram o mandamento a um conjunto de regras, a maior parte delas, claro, absolutamente negativas, e tornaram o Sábado, portanto, um fardo muito difícil de viver. E, por isso, vamos encontrar a propósito do Sábado este confronto. Porquê? Porque Jesus tem uma visão completamente distinta do Sábado. Aliás, Jesus está na origem do próprio Sábado, como o dia de descanso. E, por isso, Jesus afirmou-se como sendo o Senhor do Sábado. Note o seguinte, expressões como esta, o sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado. Ou esta expressão, porque o filho do homem é senhor do sábado. Estas expressões não significam que nós podemos quebrar ou ignorar o mandamento de Deus.

Querem um exemplo? A Bíblia também foi feita por causa do homem e não o homem por causa da Bíblia. E isto não anula a Bíblia. Entenda a lógica. Do mesmo modo que a salvação, quero ver este exemplo talvez ainda mais forte, a salvação, o plano da salvação de Deus, foi feito para quem? Por causa de quem? Por causa do homem. não foi o homem que foi criado por causa do plano da salvação, mas isto não anula que Deus criou e estabeleceu o plano da salvação. Portanto, dizer que o sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado, como disse Jesus, é na verdade um testemunho tremendo da importância do sábado e sobretudo do sábado estar ao serviço das mais profundas necessidades que nós como seres humanos temos e que Jesus conhece como ninguém.

Jesus veio a esta terra fazer o quê? Salvar o homem. Temos falado, aliás, muito aqui nesta nossa temporada do Em Busca da Verdade, falado muito da salvação e do plano da salvação. Jesus veio salvar o homem. Jesus não veio à terra salvar o sábado. Deus não criou a excelência do sábado e depois então pensou assim, bem, agora eu preciso de alguém para guardar o sábado. Foi o contrário. Deus criou o ser humano. e depois concedeu-lhe a benção, que é o Sábado. Por isso é que dizer que Jesus até do Sábado é o Senhor não põe em causa a natureza, a essência e o sentido do Sábado. A Bíblia também diz que Deus é Senhor dos Senhores. Diz que Ele é o Senhor dos Exércitos.

A Bíblia diz que Cristo é o Senhor dos Reis. A Bíblia diz que Deus é o Senhor do Céu, é o Senhor da Glória, é o Senhor da Paz. Veja, todas estas expressões não anulam nenhum destes predicados. Ele é o Senhor destas coisas e estas coisas são a sua essência. O Senhor Jesus é então também o Senhor do Sábado. e como criador do próprio sábado, ele sabia o que é que era mais adequado para realizar neste dia. Por isso é que nós podemos afirmar, a partir desta história e desta análise que estamos a fazer, que Jesus é o melhor exemplo a seguir em relação ao sábado. Se porventura tem dúvidas sobre a questão do sábado, então procure Jesus. Procure o que ele disse sobre o sábado, o que ele fez no sábado, o que ele não fez, e encontramos aí o exemplo perfeito.

E agora, depois da análise desta história, a partir dela vamos mergulhar, como temos feito aqui, um pouco mais profundamente na Bíblia e neste tema.

O verdadeiro dia do Senhor

A verdade é que, na história das espigas colhidas pelos discípulos, o tema do debate com os fariseus foi, no fundo, a prática adequada para a solenidade daquele dia. Ora, hoje, no tempo em que vivemos, tantos anos depois dos discípulos e do tempo de Jesus e com tudo o que aconteceu, sobretudo na história da igreja cristã, há algo que nós temos que acrescentar a este debate. Além de refletir sobre como viver a santidade do dia do Senhor, que é uma questão muito relevante e era a questão essencialmente do Tempo de Jesus, hoje a questão também tem que ser outra quando falamos do Sábado. É qual é o Dia do Senhor e se o Sábado deve ser olhado como o Dia do Senhor. E porquê eu digo hoje? Porque no Tempo de Jesus isto não era um tema de debate.

O Sábado era, num conceito e num contexto de Israel e Judaico, obviamente o Dia do Senhor. Mas hoje não se passa o mesmo porque há muitas alternativas. O contexto não é que toda a gente adora o Senhor no dia de sábado. A começar no mundo cristão, nós temos uma maioria que não guarda o dia de sábado, nem faz dele o dia de adoração e de descanso. Agora, no último dos nossos programas, nós percebemos precisamente que Jesus não aboliu a lei de Deus. Antes, em vez disso, ele viveu-a e defendeu-a como uma regra de vida, por amor. Apesar disso, são muitos os cristãos que acreditam e preferem a ideia, exploram ou defendem a ideia, que Deus e os seus mandamentos foram abolidos, especialmente que o dia do Senhor deixou de ser o sábado, o sétimo dia da semana.

Sabemos também que muitos cristãos atribuem esse valor, de sábado enquanto descanso, ao primeiro dia da semana, o domingo. Por isso, no contexto em que vivemos com esta história no cristianismo, Precisamos, obviamente, de ir à Bíblia e analisar com detalhe esta questão para ver se não estamos, como cristianismo global, a passar ao lado de uma mensagem tão importante. Vamos, então, seguir o nosso modelo, fazer algumas perguntas e encontrar na Bíblia as respostas. É isso que eu desafio a fazer neste momento. Então eu pergunto, será que é importante sabermos qual é o dia do Senhor e como é que devemos vivê-lo? Será que não podíamos dizer que isto é um debate secundário, que não tem relevância? Vamos ler o que encontramos no Evangelho de Marcos e vamos ler do versículo 1 ao 6 do capítulo 3.

Diz assim o Evangelho. E outra vez entrou na sinagoga e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada. E estavam observando se curaria no sábado para o acusarem. E disse ao homem que tinha a mão mirrada, levanta-te e vem para o meio. E perguntou-lhes, é lícito no sábado fazer bem ou fazer mal? salvar a vida ou matar, e eles calaram-se. E olhando para eles em redor, com indignação, conduendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem, estenda-te a mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra. E tendo saído, os fariseus tomaram logo conselho com os erudianos contra ele, procurando ver como o matariam.

Repare que a importância deste assunto mesmo no tempo de Jesus, ela fica provada pelo esforço que Jesus fez para limpar o dia de sábado de todo este peso e esta hipocrisia farisaica que lhe retirou o quê? A essência deste dia especial que vinha da criação. Jesus, ao tentar fazer este esforço, isto não foi aceito de maneira nenhuma pela liderança. religiosa, sobretudo entre os judeus. Repare que o choque foi tão grande que até dois grupos que eram inimigos entre si, que acabámos de ler, os fariseus e os irudianos, que não tinham nada boas relações, uniram-se, neste caso, nesta conspiração para matar Jesus. Mas...

Penso comigo agora nalgumas outras implicações deste facto que estamos aqui a estudar. Se como tantos cristãos até professam, se pela sua morte Jesus iria pouco tempo depois abolir a lei de Deus e isto iria incluir o sábado, porquê que Jesus, penso comigo nisto, porquê que Jesus ia envolver-se nesta luta direta contra as tradições humanas que elas envenenavam a correta obediência à lei de Deus, sabemos que acabou por custar-lhe a própria vida. Repare, esta luta na qual Jesus se investiu seria um investimento totalmente infrutífero e, aliás, seria incompreensível que Jesus se colocasse num debate sobre a forma de guardar o Sábado. Por isso, nós podemos perguntar E se de forma sincera nós guardarmos o dia errado como dia do Senhor, um outro qualquer dia que não o que está na Bíblia, será que Deus aceita essa adoração simplesmente baseado, vamos dizer, na sinceridade ou na vontade de adorar a Deus?

Vamos ler talvez alguma coisa que nos pode ajudar a compreender isto. Um princípio que vem do contexto, precisamente destas discussões de Jesus e da sua avaliação do que faziam os líderes religiosos deste tempo. Marcos capítulo 7 e o versículo 7 diz o seguinte. Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Nós devemos ser muito cuidadosos ao dizer que o Senhor aceita ou não aceita esta ou aquela forma de adoração. Nem eu venho aqui a dizer, porque qualquer pessoa pode estar a ouvir-me nesta hora, então eu não venho falar aqui sobre qual é a adoração que Deus aceita ou que está no coração de uma pessoa. Isso é algo solemne, sagrado.

Agora, o que é que nós podemos então fazer? Nós podemos olhar para a Bíblia. E na Bíblia, se nós queremos na Bíblia como palavra de Deus, nós podemos aferir aquilo que ela afirma. E a verdade é que a Bíblia afirma que Deus não tem em conta o tempo da ignorância de uma pessoa que está registada em Atos no capítulo 17. Agora, o que é que não pode acontecer? Isto não pode ser usado como uma desculpa para eu manter na minha vida uma conduta contrária à revelação de Deus quando eu tomo conhecimento dessa revelação. Porque a ignorância, ela só existe quando eu realmente e sinceramente não estou consciente de alguma coisa que faz parte do plano de Deus. Mas quando temos a possibilidade de saber qual é a vontade de Deus e nós aí decidimos, seja ativa ou passivamente, decidimos não querer saber da sua vontade e do que está revelado, então é evidente, nós tornamos-nos responsáveis pelas nossas próprias escolhas.

Por isso é que, uma coisa podemos dizer, Deus deixou-nos revelação suficiente na Bíblia para nós sabermos, sem qualquer dúvida, a resposta a esta pergunta. Se nós buscarmos ativamente, com zelo e verdade no nosso coração, se buscarmos estar afirmados, na verdade, do que está escrito, porque nós sabemos que ao longo da história o povo de Deus foi muitas vezes destruído. Diz, por exemplo, o profeta Oseias que o meu povo é destruído por falta de conhecimento. Então, não é por falta de conhecimento que nós vamos ficar na ignorância se quisermos achegarmos a palavra de Deus. E é isto que eu gostava de fazer exatamente consigo nesta hora. Repara, vamos então agora analisar um pouco melhor a questão do sábado na

A criação e o sábado

Bíblia. Quando Adão e Eva foram criados, os nossos primeiros pais, Eles viram o Senhor fazer alguma coisa logo no primeiro dia após a criação. Será que nós podemos ter a certeza de que esse dia e o que Deus fez nesse dia foi literal, tal como os dias da criação foram literais? Vamos ler primeiro e depois fazer análise deste texto. Génesis 2, versículos 1 ao 3. Diz assim a palavra. Assim, os céus e a terra e todo o seu exército foram acabados. E havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou, porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera.

Agora pense comigo, na sequência dos seis dias de criação em que Deus esteve ativo, o sétimo dia deixou de ser mais um dia para ser um dia único, exclusivo. Porquê? Porque ele foi tornado exclusivo no momento em que Deus o declarou abençoado, santificado e em que o próprio Deus deu o exemplo e descansou da sua obra criadora. É evidente para qualquer pessoa que Deus não se cansa do ponto de vista humano. Ele é o Deus todo poderoso. Portanto, como é que podemos entender então a afirmação da Bíblia que Deus descansou? Ela aplica-se ao facto de que Deus parou ou cessou a sua obra criadora.

Nesse sentido, Ele descansou porque Ele estava a fazer uma obra consecutiva em seis dias e parou, pausou de fazer essa obra quando? No dia de sábado, dia sétimo, na sequência da criação. E nesse dia Ele foi dedicado a contemplar, por um lado, e a desfrutar da obra que ele fez durante os primeiros seis dias. É claro que não é possível pensar que Adão e Eva, que foram criados perfeitos à imagem do Criador, não acompanharam o próprio Deus, Criador, nesta santificação e neste descanso do dia sétimo. O exemplo de Deus é tão ou mais normativo quanto o mandamento que o próprio Deus nos tenha dado.

É claro que aqui no livro do Génesis nós não lemos uma ordem, este texto que acabámos de ler não tem aqui uma ordem, se quiser, na forma de um mandamento. Isto aliás é muito simples de entender, porque na perfeita harmonia que havia neste momento, lembre-se que Adão e Eva tinham acabado de ser criados à imagem de Deus. Nesta perfeita harmonia entre Criador e criaturas era absolutamente desnecessário dar uma ordem ou um mandamento tal, quero ver um exemplo, tal como seria desnecessário dizer a Adão que ele não podia matar Eva, a sua mulher, também não está registado, não matarás a tua mulher. Era desnecessário porque a perfeita vontade de Deus estava escrita nos corações deste homem e desta mulher. Eles eram a imagem perfeita de Deus.

Era-lhes agradável e era-lhes natural seguir o exemplo de ordem e de perfeição que Deus lhes tinha dado. Por isso, para este primeiro casal era suficiente saber que Deus tinha abençoado e separado o sétimo dia para que eles tenham, neste primeiro dia da sua vida, tenham desfrutado com Deus de um sábado. Ou seja, de um descanso profundo, de um encontro restaurador com o seu Deus. e com eles mesmos e com o contexto natural que os envolvia. Sempre que Deus abençoa e santifica, seja o que for, Deus faz isso para benefício das suas criaturas. os sete dias da criação, nós podemos entender claramente que são dias literais.

Isto para responder ainda à pergunta que fizemos aqui. São dias literais de 24 horas. Por isso, não há absolutamente nada que nos possa dar indicação de que o relato aqui do Gênesis está a falar de eras ou períodos longos de tempo. Repare que, na descrição dos seis dias da criação, bem como na descrição do sétimo dia, consagrado então ao descanso, o texto hebraico no Génesis ele vai usar uma palavra, dia, que está traduzido por dia, mas que no original é a expressão yom, que de facto quer dizer literalmente dia. O texto não usa o termo aion, que é outra alternativa no hebraico, que nesse caso poderia indicar eras ou tempos, mas além disso depois temos a expressão tarde e manhã, que é usada aqui no relato bíblico de Génesis, quando fala de criação, este tarde e manhã do primeiro dia, tarde e manhã do segundo dia, reforça este sentido literal da ordem numérica dos dias da criação.

Então, o que é que retiramos daqui? Que a literalidade dos sete dias da criação Ela é muito importante para compreender, de facto, a literalidade do próprio ato de criar, mas também é reforçada, sabe onde? Nas palavras que o próprio Deus deixou registadas no 4º mandamento. Daqui a pouco já vamos ler com mais detalhe. Mas o que aí ficou registado não deixa, de nenhuma forma, dúvidas sobre se poderíamos estar a falar no Génesis de dias que eram eras ou períodos de tempo. Repare o seguinte, o que é que o mandamento diz? O 4º mandamento em Êxodo 20 diz, seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o 7º dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhuma obra, nenhum trabalho, porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra.

Então pense comigo, se Deus ordena ao seu povo que trabalhe seis dias e depois descanse no 7º dia, Porque ele fez o mesmo na criação, foi isto que Deus disse, então fica totalmente excluída a possibilidade dos 7 dias da criação não serem dias literais de 24 horas. Porque nesse caso então o mandamento queria dizer o quê? Que nós trabalhávamos durante uma era e depois parávamos na sétima era? É evidente que o próprio fundamento do mandamento aponta para dias literais.

O sábado para todos

E agora vamos procurar aprofundar mais este tema. A maneira como estou a fazê-lo é levantar algumas das perguntas que globalmente são feitas e podem criar, poderiam criar problemas à compreensão do sábado. Então eu pergunto, O sábado e toda a lei, poderíamos perguntar, ela não foi dada, a lei e o sábado, não foram dados somente para o povo judeu? E no contexto do que aconteceu, como Deus chamou a partir de Abrão o seu povo e lhes deu leis depois a partir de Moisés? Vamos ver o que a própria Bíblia e o Antigo Testamento revelam sobre isto através dos seus profetas. Vamos ler aqui dois textos já seguidos. Deuteronómio 5.3, palavras de Moisés, na revelação a Moisés, e depois ao profeta Isaías no capítulo 56. O texto diz assim.

Primeiro texto. Não com nossos pais fez o Senhor esta aliança, mas conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos. E depois Isaías diz. E aos filhos dos estrangeiros que se unirem ao Senhor para o servirem e para amarem o nome do Senhor. e para serem seus servos, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem a minha aliança." Sabermos com quem Deus fez uma aliança, mas isso nós sabemos. A questão é quem é que Deus queria alcançar com esta aliança e com este pacto com o seu povo. Lembre-se, por exemplo, Deus chamou Abrão, Mas o que é que ele desejou fazer com Abrão?

Abençoar todas as famílias da terra. Foi isto que está registado em Génesis no capítulo 12. Da mesma forma, apesar do povo hebraico, povo de judeu, ter recebido a revelação da palavra de Deus, ela deveria ser partilhada e proclamada aos que não eram judeus. Podemos pensar no plano da salvação. O plano da salvação foi apresentado e foi manifestado a Israel. Mas ele não era para Israel. O plano da salvação é para toda a humanidade. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigénito. Mas esse plano foi sendo revelado aos profetas de muitas maneiras. Assim, repara, quando nós recebemos a palavra de Deus como uma herança do povo judeu, uma herança de Israel, o que é que nós recebemos com essa herança?

Todas as verdades que essa herança abrange. E isso inclui, obviamente, a lei de Deus. pelo profeta Isaías, o Senhor chamou, já lemos aqui de forma muito clara, os estrangeiros, ou seja, aqueles que não pertenciam realmente às fronteiras, até se quiser, ao sangue de Israel, Deus chamou essas pessoas à experiência da sua aliança e como foi a experiência da aliança, Ele deu um particular destaque aqui, é o sábado, porque era uma parte importantíssima da aliança que Deus estabeleceu com o seu povo. Uma coisa que é muito importante compreendermos, eu posso formular assim, a associação de verdades cristãs a verdades que já tinham sido reveladas a Israel pelos profetas, de forma até surpreendente, muitas vezes é vista de uma maneira crítica entre os cristãos ou o mundo cristão.

Mas nós temos que nos lembrar que nós, pela própria Bíblia, os cristãos, somos chamados a ser o quê? Israel espiritual. Nós não somos chamados a ser pagãos espirituais. As verdades bíblicas, tal como reveladas por Deus aos profetas, elas não deixaram de ser verdades porque o povo de judeu recebeu essas verdades da parte do Senhor, muito menos porque eles as praticaram e as viveram. os perfeitos desígnios de Deus para o seu povo, ou seja, o que Deus deseja para aqueles que o amam e que escolhem viver em aliança com Ele. Esses planos não deixaram de ser perfeitos para a igreja cristã ou porque nos designamos como cristãos. Repara, é uma questão de lógica mas também de coerência na leitura da Bíblia.

Nós somos chamados a manter estas verdades e mais do que isso, nós somos chamados a aprender a não tropeçar onde Israel falhou. Porque se Israel deixou de ser o povo de Deus, isso está muito claro na Bíblia. Porque falharam no cumprimento dessa aliança. Não porque Deus se tenha enganado nos preceitos dessa aliança. E o Sábado foi claramente feito para o homem, não para os judeus. Não se deixe, se foi o seu caso até algum momento da sua vida, não se deixe enganar, eu vou usar esta expressão, por esta ideia. porque Jesus deu o próprio testemunho de ele ser o Senhor do Sábado. E o relato da criação, que nós já lemos, esclarece-nos sobre o facto do Sábado ter sido feito para o homem, o ser humano, a raça humana.

O Sábado, tal como os 10 mandamentos e todos os valores que nós encontramos na Escritura, mesmo se eles foram formulados e apresentados de uma maneira específica em cada momento, eles formam a base da responsabilidade humana. E por isso é que eles podem, por exemplo, ser identificados no livro de Génesis. É um exercício interessante, talvez não o vamos fazer aqui por uma questão de tempo, mas nós se formos ler ao Génesis, no período que chamamos o período patriarcal, que vai no fundo entre o primeiro homem, Adão, e até Moisés, E apanha ali, claro, homens, grandes homens como Abraão e os seus filhos, Abraão, Isaac, Jacó e mesmo antes, Noé. O que nós vamos encontrar, tal como no Novo Testamento, que, por exemplo, os preceitos da lei de Deus dos 10 mandamentos já estavam presentes ao longo desse tempo.

E nós conseguimos encontrar isso em diversas histórias e momentos. Porquê? Porque os valores deste princípio de pacto entre Deus e os homens, esses valores não se alteraram com o tempo. Agora podemos perguntar, que contexto é que foi dado pelo próprio Deus, escrito pelo seu dedo, quando foi concedido ao homem o quarto mandamento? Este princípio, este contexto, ele é revelador da universalidade do sábado. É interessante que algumas pessoas olham para os mandamentos, e em particular para o sábado, e procuram fazer uma associação com um contexto, mais uma vez, judaico, mas se nós lermos o mandamento, sabe que às vezes há uma diferença grande entre ouvir o que as pessoas dizem sobre qualquer coisa que está na Bíblia e depois ler o que está escrito.

E às vezes é tão simples e tão claro Eu vou mostrar-lhe isto. Leia comigo o Êxodo no capítulo 20, estamos no coração da lei de Deus, a partir do versículo 8 e até ao versículo 11. Diz assim. Lembra-te do dia do sábado para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia, o sábado, o Senhor, teu Deus, não farás nenhuma obra. Nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há. E ao sétimo dia descansou. Portanto, abençoou o Senhor o dia do sábado e o santificou. O que é que nós percebemos sobre contexto quando lemos o mandamento?

O seguinte, que nos 10 mandamentos, a lei moral, a lei eterna estabelecida por Deus, o sábado foi instituído como base na sua ligação à obra da criação. É esse o contexto do sábado? mesmo na lei de Deus. O Senhor, então, fundamentou a ordem para descansar e santificar o sábado numa dimensão universal, precisamente para que ninguém pudesse dizer, a partir do mandamento, que ele tinha um contexto particular. Se o próprio Deus determinou o sábado como um mandamento que deve ser guardado porque ele é o memorial da obra divina de criação, o que é que isto quer dizer? Que ele inclui todos os homens em todos os tempos.

Por uma razão muito simples. Porque todos os homens em todos os tempos foram criados por Deus. Logo, a criação não é uma referência ou um contexto que diga respeito a um povo

O sábado como sinal

ou a algum homem em particular. E agora vamos completar esta ideia com a seguinte pergunta, para além de Mural da Criação, que acabámos de ler aqui, que outro propósito especial é que Deus teve ao conceder o Sábado ao seu povo? E isto vamos descobrir em Ezequiel. Profeta Ezequiel no capítulo 20. Vamos ler o versículo 12 e depois o versículo 20. Acompanhe-me então aqui nesta leitura do profeta. E também lhes dei os meus sábados, para que servissem de sinal entre mim e eles, para que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica. E santificai os meus sábados, e servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais que eu sou o Senhor vosso Deus.

Então Israel, como uma nação eleita ou escolhida, Israel recebeu da parte de Deus vários sinais e vários atributos especiais, mas note que nenhuma destas instituições, que eram várias, identificava tão claramente ou distinguia tão claramente Israel de outras nações pagãs, como foi o caso do Sábado. que era uma coisa que não tinha paralelo em qualquer povo, cultura ou expressão mesmo religiosa. A observância do sábado proclamava este povo como os adoradores do Deus verdadeiro, o Deus vivo. E por isso era um sinal de quê? De separação. Separação em relação a quê? Isto é muito importante agora que reparo. Separação em relação à idolatria.

Ou seja, a adoração a falsos deuses. Por isso o sábado era um sinal porque ele manifestava uma ligação exclusiva ao Deus Criador. Não aos deuses que eram criaturas humanas, na verdade. Agora, infelizmente, parte dos propósitos e das bênçãos idealizadas por Deus para o Sábado, o que é que aconteceu? Foram perdidas, sim. Foram perdidas com o tempo e como nós já analisámos hoje aqui, aliás na história de Jesus com os fariseus, foram perdidas naquelas exigências de leis que eram puramente humanas. Quais foram as consequências disto? É que como a maneira de observar o Sábado foi pervertida, A observância do sábado passou a refletir o caráter de homens que eram egoístas e arbitrários na sua maneira de pensar e de agir.

E então o sábado, na prática do próprio Israel, passou a representar estes homens em vez de representar o quê? Ou refletir o caráter altruísta do Deus, um Deus de amor que quer o bem das suas criaturas. Agora podemos entender melhor que Jesus assumiu esta obra e até esta luta de esclarecer e dissipar estas falsas concepções sobre o Sábado. Porque agora penso comigo, na verdade são falsas concepções sobre o próprio Deus. Ora, foi o que aconteceu na história que nós lemos aqui, a tal história das espigas que nós hoje estudamos. Embora os líderes judeus tratassem Jesus com esta hostilidade que nós sabemos, Jesus nunca se conformou com estas práticas e estes enganos.

E por isso é que ele deu um exemplo sobre como é que se deve guardar o Sábado de acordo com a vontade e os valores estabelecidos por Deus. Então, Jesus veio fazer o quê com a sua visão e a sua prática do Sábado? Contribuir para restaurar a beleza original do dia do Senhor. E ao fazer esta restauração, Jesus estava também, portanto, a restaurar uma imagem do próprio Deus, porque é isso que está refletido no mandamento do sábado. Agora, será que nós temos alguma evidência de que o sábado continuou a ser guardado depois da morte de Jesus, mesmo depois de Jesus ter partido desta

A morte de Jesus

terra? Mas foquemos agora na sua morte. Porque alguém que possa estar a ouvir neste momento talvez já tenha bem compreendido toda esta dimensão dos valores do sábado que são universais. Mas agora, o que aconteceu quando Jesus morreu? E depois da sua morte? Leia comigo Lucas, Evangelho de Lucas no capítulo 23. Vamos ler o versículo 52 ou a partir daí até ao início do capítulo 24. Então está registado o seguinte. Este, chegando a Pilatos, pediu o corpo de Jesus. E, havendo-o tirado, envolveu-o num lençol e pô-lo num sepulcro, escavado numa penha, onde ninguém ainda havia sido posto. E era o dia da preparação e amanhecia o sábado.

E as mulheres que tinham vindo com ele da Galileia seguiram também e viram o sepulcro e como foi posto o seu corpo. E voltando elas, prepararam especiarias e engoentos. E no sábado, descansaram conforme o mandamento. E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado. Agora, penso comigo no seguinte. Jesus morreu numa sexta-feira. E essa sexta-feira era designada como o dia da preparação. Aliás, isso está aqui registado no versículo 54. Ainda na sexta-feira, o que é que estas mulheres fizeram? Saíram para preparar estas tais especiarias huendos que serviam para perfumar o corpo dos defuntos.

Se fosse suposto a morte de Jesus, abolir os mandamentos, especialmente o mandamento do sábado, porque muitos acham que aboliu o sábado, não os outros, Se isso fosse suposto, penso comigo por um instante. Então Jesus não teria pregado, antecipado e ensinado sobre esse facto tão importante para que os seus seguidores, aqueles que andaram com ele durante o seu ministério, soubessem. Quando morrer, podem esquecer os mandamentos e o sábado. Mas o que é que aconteceu agora? Diante da sua morte, os discípulos, em vez disto que aconteceu, os discípulos não deviam ter dúvida sobre o que fazer. Isto se Jesus lhes tivesse indicado que o sábado depois da sua morte estaria abolido.

A única coisa importante era a preparação do corpo. Era a única coisa que importava, era o corpo de Cristo, o Mestre. Só que está escrito que no sábado eles repousaram e não foram tratar do corpo. Ora, não foi por ignorância. E eu quero que reflita comigo no seguinte. O Evangelho de Lucas é escrito por Lucas, o médico, o evangelista. E ele vai escrever este livro, este Evangelho, quando? Anos mais tarde. E esses anos mais tarde estamos a falar já completamente na era cristã. Com a igreja cristã já a desenvolver-se ainda no seu início. E quando Lucas escreve o Evangelho, ele escolheu escrever que descansaram no sábado conforme o mandamento da lei de Deus.

Ora, nós sabemos, como diz o apóstolo Paulo, toda a Escritura é divinamente inspirada e é proveitosa para nós, para nos ensinar. Por isso nós podemos ficar seguros de que os mandamentos de Deus não foram cravados na cruz. Porque se os seguidores de Cristo tivessem sido ensinados a pararem de guardar o Sábado ou mesmo a parar de guardar a lei de Deus, muitas disputas haveria sobre esse assunto na Bíblia. Basta pensar no que é que isso seria debatido, por exemplo, no contexto da igreja cristã, à medida que ela se ia desenvolvendo. No entanto, a Bíblia tem um silêncio total sobre esse debate. Veja exemplos. Nós lemos na Bíblia, nas Cartas dos Apóstolos, por exemplo, no Livro de Atos, nós lemos disputas sobre se os seguidores de Cristo deviam ou não praticarem a circuncisão.

ou se deviam manter festas cerimoniais. Temos também disputas e informação na Bíblia sobre a questão do uso de carnes sacrificadas aos ídolos, isto no caso dos pagãos. Ora, tanto estes e outros temas nós conseguimos identificar que fazia parte realmente dos problemas práticos da Igreja Cristã. Mas já reparou que não há discussões na Bíblia sobre se os seguidores de Cristo deveriam deixar de obedecer aos 10 mandamentos, à lei moral de Deus? Mas mais, com frequência, a Bíblia diz que os apóstolos iam às sinagogas judaicas e iam no dia de sábado. Mas, se Jesus tivesse abolido essa prática de usar o dia de sábado para a adoração, porquê é que eles haviam de dar um mau testemunho e influenciar mal os irmãos cristãos indo à sinagoga nos sábados?

Mais valia não o fazerem. E quando não havia sinagogas, o que é que a Bíblia diz? Que havia o costume de cumprir a palavra de Deus. Essa palavra impunha-se. Por exemplo, a Escritura diz, no dia de sábado, saímos fora de portas para a beira do rio, onde costumava fazer-se oração. E o livro de Atos, no capítulo 16, diz que nessa ocasião, que eu estou agora a citar, eles assentaram-se e começaram a falar às mulheres que ali se juntavam. Portanto, veja como é importante perceber que este debate do sábado não existia. Não existia porque Deus não deu. Jesus não deu nenhuma indicação para que ele deixasse de ser o dia do Senhor. Mas nós podemos ir mais longe e vamos mais longe com esta pergunta. Será que Jesus fez alguma afirmação profética, ou seja, acerca do futuro, que traga luz sobre a questão do Sábado?

Com certeza que fez. Vamos ler Mateus no capítulo 24 e no versículo 20. Um pequeno texto dentro do grande discurso profético de Jesus quando os discípulos lhe perguntaram que sinais haveria daquelas coisas do templo ser destruído, que Jesus profetizou que o templo de Jerusalém seria destruído e também profetizou acerca dos sinais da sua vinda. Nesse grande discurso Jesus disse o seguinte Mateus 24.20, orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado. Então penso comigo nisto. Se o mandamento do sábado tivesse sido abolido na morte de Jesus, porque é que esta exurtação profética então faria sentido? Uma exurtação que advertiu os cristãos e preparou-os para um acontecimento que viria a ter lugar no ano 70 d.C.

Nós hoje sabemos isso pela história. Repare, estamos a falar quase 40 anos depois da morte de Jesus. Porquê que Jesus tinha que referir-se ao sábado num acontecimento que seriam décadas depois? Isto mostra uma coisa evidente, que para Jesus havia uma coisa que era muito clara. É que os seus seguidores, 40 anos depois, guardariam o dia de sábado. E por isso ele falava do sábado como um desejo que não acontecesse nesse dia.

O domingo e a ressurreição

Agora, podemos ainda perguntar. Mas será que os cristãos não podem atualizar, vamos dizer assim? Já percebemos que não há propriamente uma razão para anular o dia de sábado, mas será que os cristãos não podem afirmar que o domingo se tornou o dia do Senhor? Se calhar até podíamos pensar que a ressurreição, que é realmente algo extraordinário e tão importante para a fé cristã, podíamos dizer talvez que o domingo se tornou o dia do Senhor em memória da ressurreição. E nesse caso, Não há problema nenhum, poderíamos dizer não haveria mal, substituímos o sábado, podemos manter o mesmo princípio de descansar um dia, mas fazemos o domingo e substituímos o sétimo dia, que é uma coisa mais do passado.

Mas eu proponho então, nesse caso, entender pela Bíblia, se nós podemos atribuir à ressurreição, digamos, um valor simbólico que nós achemos que fica interessante. Não o podemos, nem precisamos de o fazer. Porque o apóstolo Paulo escreveu aos Romanos, capítulo 6, e disse o seguinte, a partir do versículo 3, vamos ler agora. Ou não sabeis que todos quando fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte, para que como Cristo foi ressuscitado diante dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida, porque se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição.

O que é que podemos entender então destas palavras? Que de acordo com o texto bíblico e o ensino claro do apóstolo Paulo, o memorial da ressurreição de Jesus não é o domingo, é o batismo. Na bíblia, o dia de domingo é designado como o primeiro dia da semana, até porque o termo domingo não tem uma origem bíblica. Historicamente tem uma origem que nós podemos identificar de onde vem o termo domingo. Logo, não há qualquer apoio bíblico, isto é que é importante, por isso é que estamos em busca da verdade na Bíblia, não há apoio bíblico para a santificação do domingo. Existem algumas passagens na Bíblia, por exemplo, que relatam encontros no primeiro dia da semana.

Encontramos isto em Marcos, em Mateus, em João, em Lucas. Estes textos relatam a ressurreição e a ida ao sepulcro. Portanto, referem-se não a reuniões ao domingo, mas neste caso, textos sobre a ressurreição e a ida dos discípulos ao sepulcro. Depois, em João, no capítulo 20, o que é que nós temos? Os discípulos reunidos e ainda incrédulos sobre tudo o que tinha acontecido. e sobretudo o que tinha acontecido com a ressurreição. Mais à frente no livro de atos nós vamos encontrar textos que nos falam de, por exemplo, atos capítulo 20 fala-nos de uma reunião que aconteceu para partir o pão. Mas algumas pessoas podem esquecer que a prática de partir o pão era diária.

Foi isso que a atos no capítulo 2, por exemplo, registra. Que todos os dias esse partir do pão era feito, logo também aconteceu no primeiro dia da semana. Por isso a Bíblia registra que no primeiro dia da semana o pão foi partido com irmãos e isso podia acontecer na verdade em qualquer dia. Noutra passagem ainda, o apóstolo Paulo referiu-se que ele iria partir no dia seguinte e então estendeu uma reunião até à meia-noite e depois reunidos depois do pôr do sol de sábado e portanto isto marcava o fim de um dia e o começo do outro E por isso é que, em algumas bíblias, nós vamos encontrar, em vez de dizer o primeiro dia da semana, eles dizem até sábado à noite ou sábado ao pôr do sol. Isto para, se alguém pudesse dizer, aqui está um encontro em que o apóstolo Paulo está a pregar ao domingo.

O que é que nós concluímos desta análise global? Concluímos que não há nenhum fundamento bíblico que apoie a ideia de que o sábado mudou como dia do Senhor, desde a criação, para qualquer outro dia da semana. E isso inclui, obviamente, o domingo, o primeiro dia da semana. Em contrapartida, já desde o Antigo Testamento, e desde a voz profética de Daniel, o grande profeta Daniel, que o povo de Deus tinha sido alertado de que chegaríamos a um tempo neste mundo, um tempo próximo do tempo do fim, em que haveria um esforço intencional de poderes religiosos nesta terra, no sentido de fazer o quê? Mudar os tempos e a lei.

Foi exatamente isto que historicamente aconteceu. O velhinho profeta Daniel dizia que um grande poder iria proferir palavras contra o Altíssimo, iria destruir os santos do Altíssimo e iria cuidar em mudar tempos e lei. Por isso, não é nenhuma admiração para quem conhece a palavra profética que de facto, historicamente, o mundo cristão tenha exercido este esforço de mudança dos tempos estabelecidos especialmente na lei de Deus. Mas quem está afirmado na sua palavra não pode deixar-se levar por esses enganos. Ainda que a salvação, e eu vou repetir uma ideia já que eu próprio neste programa já a disse várias vezes, a salvação nós sabemos e ela é inteiramente pela graça de Cristo.

A gratidão por este amor, este amor profundo de Deus, ele leva-nos a uma escolha, inevitavelmente, a obediência a Deus e aos seus mandamentos. O Senhor, por isso mesmo assim, pediu a todos os seus filhos e pediu em todo o tempo, obediência. Tal como acontece com a doutrina ou com a obediência à lei, o sábado é a mesma coisa. O sábado em si mesmo, sem Cristo, não tem valor. É totalmente destituído. É vazio. Ele foi instituído por Deus como um meio, não como um fim. O que nós podemos é estar seguros da verdade bíblica do sábado. E a verdade é que o Sábado é o dia do Senhor, o sétimo dia da semana. E se podemos estar seguros? Tanto quanto podemos estar seguros que se a obediência não nos conduzir ao Senhor do Sábado e à harmonia com Deus e com a Sua Palavra, então em vez do Sábado ser uma benção, Ele pode é tornar-se uma maldição.

Isso foi o que aconteceu historicamente e no tempo de Jesus isso era uma evidência como nós vimos hoje. Logo, é através de uma relação de amor e de submissão com o nosso Deus e o nosso Criador que nós podemos então descobrir o verdadeiro significado do Sábado. Quando a lei de Deus e, portanto, o seu amor está escrita no coração, o que acontece é isto. Nós temos prazer em observar todas as leis de Deus, todos os seus preceitos. Nós podemos, no entanto, ao contrário disto, podemos observar todas as leis, tentar ser muito obedientes em todas as particularidades e, no entanto, não vivermos a lei de Deus, que é o seu amor. Pior, nós podemos até observar o dia correto, o dia que o Senhor estabeleceu, o dia de sábado, e ainda assim estarmos debaixo da influência do inimigo.

Aliás, isto foi o que se viu na experiência dos fariseus no tempo de Jesus. Logo, é pela vivência da bênção do Sábado, mas numa lógica de relação com o Senhor do Sábado, que nós podemos saber tudo quanto é que Ele nos pode conceder e o quão deleitoso este dia pode ser na nossa vida. Porque quem já experimentou a bênção do Sábado, sabe que o sábado nos dá ou nos abre a porta e os horizontes para bênçãos extraordinárias.

As bênçãos do sábado

Eu registrei aqui algumas daquelas que podemos considerar como as bênçãos que o sábado nos dá. Vamos citá-las apenas. O sábado dá-nos a bênção de uma restauração do nosso ser. Reparem, hoje então no mundo em que vivemos, um mundo que não para, um mundo que vive obcecado pelo desempenho, por fazer mais, por conquistar coisas, Deus convida-nos a um encontro exclusivo com Ele. Mais do que um dia para fazer coisas, em Deus este é um dia para ser. O sábado convida-nos a quê? À confiança em Deus. Nós não temos que controlar tudo. Neste dia é Deus que controla, é Deus que tem a permanência. O sábado é um convite à santidade, porque só na presença constante com o Senhor, inclusive durante a semana, nos outros seis dias, é que nós poderemos viver a santidade do sábado.

O sábado dá-nos a benção do encontro com Deus, porque Deus preocupa-se, Deus deseja relacionar-se connosco. Mesmo no Eda, naquele lugar perfeito, o encontro com Deus era o pontual da semana. O sábado dá-nos a benção de sermos parceiros de Deus no cuidado pela criação. Porquê? Porque ele é o memorial da criação. Então o sábado inspira-nos ao cuidado ativo. E mesmo o sábado inspira-nos a uma relação equilibrada com o mundo, o mundo natural, que é a criação de Deus. O sábado traz-nos a bênção de equilíbrio emocional, porque ele cria um contexto ideal e muito difícil de ter no mundo tão apressado como o mundo que vivemos hoje. Porquê? Porque é um dia para reflexão, para descanso profundo, para diálogo.

um diálogo às vezes até interno, mas também um diálogo com os outros, tempo de família. Tudo isto sabemos que são fatores cruciais para o nosso equilíbrio emocional, mesmo físico, e para a saúde das nossas emoções. O sábado também nos traz a bênção de uma oportunidade de serviço, serviço altruísta. Por isso é que Cristo é o melhor exemplo para nós de como é que se devem viver estas horas sagradas e vivê-las numa lógica de serviço, de disponibilidade aos outros. Não apenas para receber bênçãos, como se fosse um dia para nos sentarmos e recebermos. É um dia de ser uma benção, tal como Jesus foi para tantas pessoas. E claro, o sábado é também um sinal, um sinal entre Deus e o seu povo. Ou seja, o sábado é uma marca de identidade, uma marca de pertença.

Nos últimos dias da história deste mundo, que profeticamente estamos a viver, nós sabemos que Deus enfatiza a importância e a necessidade de nós observarmos o sábado. Por isso é que com grande voz há uma mensagem que tem que ser proclamada ao mundo. Essa mensagem que está registrada em Apocalipse, ela diz que nós temos que proclamar ao mundo que o Senhor Jesus vai voltar, que o seu juízo já começou. E o que é que nos é dito? Que temos que advertir sobre aquele que fez o céu e a terra e o mar e as fontes das águas. Estas palavras são uma autêntica referência, direta mesmo, ao 4º Mandamento, esse que tantas vezes é esquecido, o dia do Senhor o Sábado. Ele é um monumento de adoração ao Criador, por isso todo o convite à adoração está relacionado com o Sábado.

Mais do que em qualquer outro dia, é na santidade do Sábado que nós podemos ter um vislumbre da perfeição do Éden. Esse Éden que nós perdemos.

O sábado na eternidade

E da glória, a glória do paraíso futuro. Por isso, para encerrar este estudo, eu deixo-lhe este último texto. E uma última pergunta. Será que o Sábado também fará parte, então, do plano de Deus para a eternidade? Quando o seu povo estiver reunido para sempre, sem pecado, leia comigo Isaías, capítulo 66, versículos 22 e 23. Porque como os novos céus e a nova terra que hei de fazer estarão diante da minha face, diz o Senhor, assim também há de estar a vossa posteridade e o vosso nome. E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor." O sábado vem da eternidade do Éden.

Infelizmente, essa eternidade foi fatidicamente interrompida. Mas ele projeta-se para a eternidade da Nova Terra, porque aí ela não terá mais fim. E ali, sábado após sábado, o Senhor estará entre o seu povo. Mas enquanto esse dia não chega, hoje, nesta terra e neste mundo do pecado, nós ainda temos esta dádiva de Deus, uma bênção semanal que pode ser nossa. E hoje eu pergunto-lhe, aceita este convite? Quer desfrutar da bênção que o sábado pode ser na sua vida? Ore a Deus. Peça entendimento e força para aceitar este convite. Se quiser ler outra vez estes textos, compreendê-los melhor, já sabe, entre em contato connosco.

Pode ir até já seguir novotempo.pt barra em busca da verdade para poder descobrir um pouco mais a fundo e se quiser receber esta apresentação. Que o Senhor o abençoe e o ajude a desfrutar das bênçãos neste dia maravilhoso. Até ao nosso próximo programa, se Deus quiser.

Série
Em Busca da Verdade · 15 episódios
Temporada e episódio
Temporada 2
Estreou
31 de Janeiro de 2022
Categoria
Espiritualidade