Olá, viva, seja bem-vindo a mais um episódio do Programa Bíblia Aberta. Estamos novamente consigo, depois de uma semana em que não estivemos diariamente, porque este é um programa semanal, mas todas as semanas, neste dia e neste horário, você pode encontrar cada um de nós e, sobretudo, o Programa Bíblia Aberta, onde nós procuramos encontrar uma mensagem que vem da parte de Deus. Nós estamos sempre muito bem acompanhados. Esta é uma conversa que nós fazemos aqui em estúdio. E já sabe que o programa Bíblia Aberta poderá ser visto e ouvido, se quisermos dizer assim, na TV Novo Tempo Portugal, no canal 186 da Mel. Se não tiver a Mel, poderá escutar-nos através da rádio RCS, nos 91.2 FM, para a Grande Lisboa.
Ou então, se não puderes sintonizar esta rádio, poderá então ir ao YouTube e encontrará o canal de YouTube da TV Novo Tempo ou mesmo da Rádio RCS e aqui livremente poderá veres não só este episódio como todos os outros. que já registámos e que deixámos para, enfim, podermos recordar e voltar a relembrar os grandes ensinamentos que a Bíblia nos dá. Como eu dizia, para este programa nós temos sempre uma equipa de três, quatro pessoas que normalmente estão juntas. Esta semana não é exceção e, por isso, os meus convidados de hoje é o Pedro Esteves. Olá, Pedro. Olá, Jorge. A Inês, que volta a estar connosco, e o Rui. Olá, Rui. É sempre muito bom ter-te aqui.
O Rui vem de mais longe, é verdade, mas por isso é que talvez não esteja tantas vezes connosco, mas é sempre um privilégio poder-te encontrar e podermos partilhar este momento juntos. Vamos ter uma conversa muito interessante. Hoje nós iremos ter um tema, ou melhor, vamos partir de um tema para a nossa conversa.
dentro desta ideia base que é crescer numa relação com Deus. E hoje nós vamos passar a olhar mais atentamente para a questão do orgulho versus humildade. Provavelmente existe muita coisa para dizer e a nossa conversa vai ser ótima. Tenho a certeza disso. Nada melhor do que começarmos e vamos começar por ler 1º de João, capítulo 2, versículo 15 a 17. Se tiver a sua bíblia à mão, já sabe, poderá abrir nesta passagem. Se não usar a bíblia em papel, poderá fazê-la através do telemóvel, do tablet, do computador, enfim. O que é importante é que a sua Bíblia esteja por perto, porque se estamos a abrir a Bíblia, precisamos que ela se mantenha perto de nós. 1ª de João, capítulo 2, versículos 15 a 17, nós podemos ler, Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele, porque tudo o que há no mundo, a concubiscência da carne, a concubiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.
E o mundo passa, e a sua concubiscência, mas aquele que faz a vontade de Deus, esse permanece para sempre. Inês, vamos começar por ti, vamos ouvir-te e eu gostava de perguntar quais são as ideias principais que nós podemos encontrar nesta passagem no que toca ao orgulho e ao amor ao mundo? É assim, esta passagem ensina e tem várias ideias sobre o orgulho e o amor ao mundo, não é? Mas, em primeiro lugar, se calhar acho que era interessante nós compreendermos um bocadinho o que é que esta palavra concupiscência significa. Desejo impuro, cobiça, está virado realmente para o ego da pessoa.
E a soberba da vida também pode ser traduzida por ostentação dos bens. Então aqui nós encontramos três expressões do amor ao mundo. A concupiscência da carne, que são os desejos desordenados ligados aos prazeres da vida, de físicos. com compreensão dos olhos, a cobiça, desejos pelo aquilo que se vê e querer possuir, e a soberba da vida, o orgulho, a vanglória, a busca de reconhecimento. E então todas estas coisas vão refletir valores centrados no eu e não em Deus. Então é aqui que nós temos um contraste, porque o texto vai dizer isto, não é do pai, mas do mundo. E o texto vai dizer que o mundo passa, tudo isto passa, mas aqueles que fazem vontade de Deus ficam para sempre.
Vamos tentar compreender um pouco isto, não é? Porque este texto mostra-nos que há uma incompatibilidade entre amar o mundo e amar a Deus. O orgulho faz parte da lógica deste mundo. Já vem dentro de nós, vamos dizer assim, com o pecado. Nós já nascemos com esta tendência a ser orgulhosos de alguma maneira. E há várias maneiras diferentes de sermos orgulhosos até. mas esta exaltação pessoal, esta vontade de ter poder, o querer de ter sempre mais e nunca estarmos satisfeitos com aquilo que temos, está ligado a um sistema mundano, vamos dizer assim, Mas o que o texto nos quer dizer é que tomem atenção.
É passageiro. Isto não dura para sempre. É como se estivéssemos a correr atrás do vento. E Deus quer sempre dar-nos alertas para aquilo que não nos vai fazer bem, aquilo que não nos vai edificar. Porque Ele quer tomar conta de nós. Este é o objetivo de Deus. Então o texto diz-nos que isto é passageiro. É tudo temporário. O orgulho e as paixões que estão a alimentar não têm um valor eterno. não nos levam a lado nenhum. Até podemos sentir uma satisfação momentânea, e podemos certamente, senão ninguém anda a correr atrás destas coisas, não é? Em algum momento traz uma satisfação, mas rapidamente esta satisfação diminui e encontramos um vazio dentro de nós.
Estava a pensar que tu dizias que o orgulho é uma coisa mais ou menos natural em nós e é interessante nós virmos que isso é desde mais tenridade. Porque há uma espécie de instinto de sobrevivência, natural em qualquer ser, que nos faz ter como prioridade desfazer as nossas necessidades, porque é a maneira de sobrevivermos. Por isso, quando nós temos fome e se incomoda-nos, a criança vai barrar e chorar porque não tem outra forma de expressar e nós adultos começamos a criar mecanismos para solucionar o problema. O que é interessante é que aquilo que é natural, que é eu tenho que sobreviver, então eu corro de satisfazer as minhas necessidades, vai elaborando-se para ir para lá da sobrevivência.
E a certa altura já é uma questão de nós querermos que a nossa satisfação seja primária em relação a todas as outras. E quando temos fome, temos muita dificuldade em partilhar com o outro. É, fica mais difícil. É isso, fica mais difícil. Quando o Evangelho, o apóstolo diz que cada um atende também para o que os outros precisam. É como se nós temos que contrariar esse instinto de satisfazer primeiro as nossas necessidades. Não, e isso... Bom, vai passar por várias coisas, pode ser aquelas pessoas... Eu conheci uma senhora, para quem eu trabalhei durante alguns anos, que era muito rica. Assim, mesmo, muito, muito rica. Tinha muitos carros de coleção. E ela era cristã e ela disse-me, eu não levarei nada disto comigo quando eu me morrer.
Ela estava consciente disso. Era como se ela tinha todo este dinheiro, todas estas coisas, mas ela tinha noção que quando Jesus voltasse, isto ia ficar nesta terra. E então era a vida dela, ela estava a fazer a caminhada dela. E isto é o que nós precisamos ter em mente. Isto é passageiro. Isto não é nada que nos possa salvar. E às vezes fazemos destas coisas também os nossos deuses. E os nossos deuses, por estarmos nós mesmos. Somos nós, estamos nós no centro. Tudo isto. E agora este texto quer-nos convidar a pensar de outra maneira.
É o que a Bíblia toda nos quer fazer, não é? Ajudar a pensar de outra maneira, a compreender que quando nós mudamos a nossa maneira de pensar, e deixamos Deus transformar esta maneira de pensar, porque não é só a nossa decisão, dizer que agora vou pensar de outra maneira, vou sentir de outra maneira, mas é ao sermos interpelados por esta palavra dizer, ok, Se calhar eu ainda estou aqui, ainda vivo estas concupiscências, mas este verso está-me a dizer que as coisas podem ser diferentes, que há um sentido diferente e agora eu posso ir pedir ajuda a Deus para viver a vida de maneira diferente. experimentar algo diferente que Deus tem para mim. E Deus, quando nós fazemos esta experiência com Ele, vamos ver que Ele não nos vai desiludir e vamos ver que a nossa vida vai realmente mudar.
Agora, a humildade e a obediência vão substituir o orgulho e o apego às coisas do mundo. E vamos compreender que o nosso valor, a nossa identidade, vem de Deus. Então, somos também convidados a entregar-nos, a obedecer e a confiar humildemente em Deus. Isto é uma caminhada, não é assim do dia para o outro também, não é? É interessante perceber também uma ideia que me ocorre, que é, por mais que queiramos que as duas partes se entendam e se aproximem, elas não se aproximam. Ou seja, o mundo nunca se vai aproximar do pai, nem o pai se vai aproximar do mundo.
Há quase como que uma ruptura entre os dois, porque essa ruptura só foi possível depois ser revista em questões de eternidade com a morte de Jesus. Vamos entrar aqui num outro motivo que ainda não foi explorado pela Inês, que é a questão do orgulho religioso e até a própria justiça própria. Vamos entrar aqui agora num conceito mais comunitários, se quisermos, não é?
Entre aqueles que professam ter uma religião e uma justiça própria. Para isso eu gostava de convidar vocês aqui em estúdio e também lá em casa a podermos abrir em Lucas capítulo 18. Agora vamos a Lucas, no capítulo 18, versículos 13 e 14, para lermos estes dois versículos que diz e conta a história do publicano. Diz que o publicano, porém, estando em pé, de longe nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo, ó Deus, tem misericórdia de mim, pecadores. Digo-vos que este desceu justificado para a sua casa e não aquele. porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado. Pedro, Deus, ou melhor, Jesus contou-nos esta experiência.
Que princípio é que Jesus estabelece aqui do reino de Deus ao contrastar, de alguma forma, a humildade e a justiça própria nesta experiência religiosa? Sim, Jesus claramente estabelece com esta história, que é uma parábola total. Portanto, ele quis lhe dar aqui detalhes que são muito ricos, é isso que as parábolas são. Portanto, são muito ricas em significado para nós podermos interpretar. Esta parábola é muitíssimo importante para compreendermos um conceito, aliás, sobre o qual Jesus elaborou muito. foi com esta parábola, mas em muitas outras ocasiões Jesus elaborou sobre isto, já não contando histórias, mas falando diretamente para aqueles que agiam desta forma. Por isso, a ideia de que é possível a alguém pensar que tem um conjunto de características, ou que pertence a uma determinada identidade coletiva, por exemplo, se for religiosa, ou de sangue, por ser hereditária, e que isso lhe é atribuído como um valor, um mérito, é algo que Jesus claramente assumiu como um dos maiores riscos da experiência religiosa, da fé.
Eu creio que vale a pena ir aqui um bocadinho à parábola, porque alguém pode estar a ouvir-nos que não conheça tão bem a história e que falta a outra parte. Tu leste aqui qual foi a oração do publicano, porque Jesus basicamente diz que dois homens subiram ao templo, foram ao lugar do encontro com Deus, foram orar. e que então há um fariseu, que obviamente representa o líder religioso, a pessoa que tem formação religiosa, que está orgulhoso da sua religião, que à partida faz as coisas mesmo perfeitinhas com os preceitos da religião, e o publicano, que obviamente é um paralelo entre dois opostos, porque o publicano representa aquele que era desprezado, que a imoralidade dele era conhecida, que o publicano metia a mão ao bolso dos seus irmãos e portanto era reconhecidamente alguém que não tinha E então a história o que diz é que o fariseu orou assim, ó Deus graças te dou porque não sou como os demais homens.
Portanto ele dá graças a Deus por ser diferente, melhor dos outros e depois diz como é que são os outros, são roubadores, são injustos, são adultos, nem ainda sou como este publicano. E depois dá exemplos na oração, jejú duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo. Portanto, ele tenta elaborar aqui, nesta oração, não apenas o mérito próprio do que faz, mas também a comparação com o outro. Porque se o outro, à partida, mete a mão ao bolso de panturruba, ele, ao contrário, dá. Dá ao povo, dá à igreja, se quisermos usar o termo, não é? contemporâneo. E depois já vemos a oração do publicano, que já leste, que basicamente faz o contrário e que diz, tem misericórdia de mim, que eu sou um pecador. E é esta a sua oração.
E, por isso, alguns significados que eu acho que são muito importantes para nós hoje aqui. O primeiro deles é que a ideia de que é possível ter justiça própria, de alguma forma, é uma blasfémia, digamos, contra os fundamentos do Evangelho. Porque o fundamento do Evangelho é de que a justiça é, na realidade, uma virtude que não existe no ser humano. É por isso que o que a Bíblia fala constantemente é de justificação. Que a justificação é a alternativa possível ao ser humano, porque justiça nós não temos. Por isso Jesus termina a história dizendo, e ele até faz na forma de uma pergunta, creio que tu até lês disso, não é?
Não, não chegámos aí, que é o final da história em que Jesus diz, digo-vos que este desceu justificado para a sua casa. Ah sim, lembro-me sim. É Jesus que diz, este desceu justificado. Agora é interessante, Jesus não diz este desceu justo. Como é que nós sabemos isso? Porque justo não há um sequer. Essa é uma das grandes verdades que a Bíblia afirma. Por isso é que a justificação é o único caminho, é a única realidade à qual um ser humano pode ascender. É ser justificado. Por isso é que a pergunta não é quem é que é justo. Essa pergunta só há uma resposta. Ninguém. A pergunta que se pode colocar no caminho cristão é qual é o caminho ou o processo para alguém ser justificado.
E é aí que a resposta de Jesus, através desta parábola, é realmente uma elaboração muito útil para nós compreendermos isso. Alguns exemplos bíblicos para ainda fundamentar mais isto. O apóstolo João escreveu, 1ª de João 1.8. Se dissermos que não temos pecado, enganamos a nós mesmos e não há verdade em nós. É definitiva esta afirmação. Porque se alguém pudesse dizer eu não tenho pecado, então esse seria justo. Porquê que seria justo? Porque se Deus salvasse uma pessoa que não tivesse pecado, essa salvação o que era? Meritória. Era justo Jesus salvar uma pessoa que diga assim, aqui estou eu Senhor impecável, sem pecado. Então Deus dizia, faça-se justiça porque tu és perfeito.
Então aí a pessoa era a sua justiça, que seria o mecanismo da salvação. Como o Evangelho o que explica é que se alguém disser que não tem pecado é mentiroso, então essa alternativa não existe. Uma das frases teologicamente mais conhecidas para expressar esta ideia é a do apóstolo Paulo aos Romanos, capítulo 3, versículo 23. Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Por isso, a transformação no Reino de Deus, estou a perguntar-vos sobre os princípios do Reino de Deus, no Reino de Deus a transformação só é possível quando o ser humano abandona a ilusão de que ele pode ter alguma coisa justa em si ou até algum merecimento, algum mérito por aquilo que é, por aquilo que tem ou por aquilo que faz.
Agora, eu queria introduzir aqui um segundo elemento que eu acho que é muitíssimo importante, que é, e a tua pergunta já também o induzia, que é muitos consideram Que ok, assumindo que eu sou pecador, porque já nasci pecador, é a nossa natureza, que falhamos, vamos assumir isso, para muitas pessoas a religião, o fenómeno religioso, atua como, vamos dizer, o intermediário. como se a justificação acontecesse por eu pertencer a uma determinada religião. Ou por fazer certas coisas também. Ora, as coisas que essa religião me diz para fazer, elas vão ser o instrumento da justificação. Então nós vamos ter religiões, vamos dizer assim, que são...
que prescrevem um conjunto de práticas, por exemplo, obrigatórias. Então, se eu orar não sei quantas vezes por dia, se eu for a determinado lugar ou se eu tiver uma determinada prática. Outras podem dizer, ok, tu pecaste agora, se disseres estas rezas, estas orações e as disseres desta forma. Prescreve-se o instrumento da justificação. Então vejam a lógica que é muito... temos que estar atentos. O fenómeno teológico que algumas religiões, e não são só cristãs... Estamos a falar a nível... No fundo, a religião é sempre a maneira como o ser humano entende que pode estar numa relação com Deus e merecer, de alguma maneira, um dia estar na sua presença. Então, nós temos estes fenómenos religiosos que substituem e, no fundo, aceitam que nós não conseguimos o mérito próprio. Então, substituí-no por um conjunto de práticas que, de alguma maneira, vão dizer assim, ok, Deus fica satisfeito e aceita isso.
É aqui que nós temos que trazer o puro Evangelho. Porque o puro evangelho o que é que diz? Nem a tua condição natural, a tua impecabilidade sequer funciona, porque já vimos, não há ninguém que não peque, mas também não são as tuas práticas. realizadas de uma maneira certinha, que te vão salvar. Por isso não é casual que Jesus tenha dito, colocado nas palavras, lembrem-nos que isto não é uma oração real, Jesus é que criou as palavras, e Jesus coloca na oração ele a dizer Jú duas vezes e dou os dízimos de tudo quanto possuo. Porque o que o publicano está a dizer é que cá estão as práticas que eu faço e essas práticas vão-me habilitar. Por isso, senhor, aceita a minha oração. E é isto que nos leva ao orgulho, não é? De dizermos já, realmente, sou uma boa pessoa, fui capaz de fazer estas coisas todas.
E os outros, coitadinhos... não conseguem, não fazem. E se havia prática, digamos, para os fariseus, que eles gostavam, eram exatamente estas que Jesus mencionou, não é? Exatamente. Estas e outras que eles faziam, cá está. O que é que é o farisaísmo, que usa-se hoje ainda como um adjetivo? É precisamente a tentativa de ter uma lista de coisas que tu podes fazer nas várias áreas, pode ser em relação a guardar o sábado, pode ser nos dízimos, pode ser nas relações, pode ser na liturgia, que é o que tu fazes dentro ou nos serviços religiosos, se tu tiveres aquela prescrição toda e fizeres aquelas coisas, então nem precisa que Deus me ache bom, Deus acha bom o que eu faço. E entramos portanto nesse mecanismo que é a religião torna-se o motivo do orgulho.
Por isso é que já não se trata de orgulho próprio no sentido de dizer assim sou eu que sou bom, substitui-se o dizer eu sou bom é a minha igreja é boa, a minha religião é boa. E aqui isto é uma armadilha terrível, qualquer um de nós que aqui estamos a esta mesa, que pertencemos a uma confissão religiosa, Na verdade, nós, os quatro que estamos aqui, somos até líderes religiosos dessa confissão, porque somos pastores da Igreja Adventista do 7º dia. Toda a gente que nos está a ver sabe isso, no fundo. Há muita gente que nos está a ver que não são pessoas adventistas. muitos são, outros pertencem, por exemplo, a outras dominações cristãs. É muito importante dizermos que esta mesa não estão pessoas que digam assim, esta religião, com as suas características e com as suas leis e com as suas liturgias, é que é o motivo ou o instrumento da salvação.
Se alguém disser isto está fora do evangelho, seja adventista, seja evangélico, seja católico ou seja árabe ou musulmano. As nossas práticas religiosas, as nossas crenças religiosas, por mais extraordinárias até que possam ser, elas não são um mecanismo da salvação. Por isso é que talvez possamos incluir aqui uma frase que foi escrita por Ellen White no livro Parábolas de Jesus que diz que Cristo só pode salvar quem reconhece ser pecador. Ser pecador e quem reconhece que mesmo as coisas que faz na sua relação com Deus não são mérito. Eu termino, que já deve ter passado o meu tempo, dizendo o seguinte. Por isso é que a humildade cristã não é uma virtude moral.
E eu gostaria de ter tempo para elaborar isto, mas acho isto uma questão muito importante de ser afirmada. Quando nós falamos que a humildade, por oposição ao orgulho, não estamos a falar de uma virtude moral, como se nós pudéssemos ter esta virtude moral. A humildade é como uma condição. Exatamente. Não é uma virtude, se tem ou não se tem, como aquela brincadeira que diz uma pessoa um dia que chegou a um sítio e disse... Eu queria dizer a todos que sou a pessoa mais humilde que estou neste lugar, não é? Que é uma brincadeira porque a pessoa que diz que é a mais humilde, automaticamente é a menos humilde de todas. Porque quando nós jogamos ao jogo da humildade, nós tentamos até parecer humildes, como se a humildade fosse uma coisa que nós pudéssemos jogar para cima da mesa. Não, não é. Por isso é que o apóstolo Tiago, e eu termino com isto, diz assim, humilhai-vos perante o Senhor.
E ele vos exaltará. Este é que é o princípio. Vais poder falar um bocadinho de humildade, provavelmente, porque aquilo que eu quero que o Rui desenvolva nos próximos minutos é exatamente a humildade em resposta à graça que Jesus nos dá. Mas antes de poder passar-te a palavra, eu gostava que nós pudéssemos abrir
agora em 1ª de João, capítulo 1, versículo 9. Esta é uma passagem subejamente conhecida de muitos cristãos. Mas ela é muito importante para aqui, para a nossa conversa. A primeira de João, capítulo 1, versículo 9, diz que se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça. Rui, por que razão a confissão bíblica do pecado pressupõe a humildade e, ao mesmo tempo, exclui qualquer forma de autossuficiência espiritual de que nós possamos pensar e tentar implementar na nossa vida? Vamos elaborar um pouquinho e talvez começar da última ideia que apresentaste para a primeira. Reparem numa coisa, o orgulho, ele como já foi aqui apresentado pelos vários colegas, ele de fato indispõe-nos para a condição que Deus nos propõe em termos de mudança de estilo de vida, de paradigma de existência.
Nós percebemos também o seguinte, que o orgulho na realidade, inclusive, esta é uma frase bem conhecida de muitos cristãos que leem Ellen White, ela diz a certa altura que Aliás, o orgulho é o pecado que menos esperança oferece ao coração daquele que o tem. Mais ou menos esta é a ideia. Portanto, realmente o pecado coloca, aliás, o orgulho coloca-nos numa condição de estarmos com o nosso coração blindado à ação do Espírito Santo, ao efeito, diríamos assim, de internecimento e de conversão que o Espírito Santo exerce na nossa vida e no nosso coração. Por outro lado, nós não podemos esquecer também que é, na verdade, o pecado que nos separa de Deus.
Em Isaías, no capítulo 59, no verso 2, o profeta Isaías, falando em nome de Deus, diz porque os vossos pecados fazem separação entre mim e vós. Ou seja, na realidade, o pecado, ele separa-nos de Deus e depois, na condição pecaminosa em que nós nos encontramos, nesta condição sem mérito, sem justiça própria, como o pouquinho O Pedro dizia, o que na realidade acontece é que nós... precisamos, de alguma maneira, reverter esta condição. E como é que isto acontece? Exatamente como João diz na sua epístola, ou seja, se nós confessarmos o nosso pecado. E a confissão já pressupõe, de alguma forma, a reversão desta atitude orgulhosa, desta atitude presunçosa que nós temos.
Esta autossuficiência. Esta autossuficiência. Em certo sentido, até fazendo um aponte com aquilo que o Pedro dizia há pouquinho, Esta é a razão pela qual muitas pessoas que não se revendam, por exemplo, nas religiões ou nas igrejas, têm uma grande dificuldade de aceitar esta pompa, este sentimento de ufanismo que às vezes os religiosos têm, não é? Esse sentimento de justiça própria, não é? Porque eu sou cristão há tanto tempo, porque eu já fiz isto, temos um currículo a apresentar, eu já passei por estas experiências e às vezes até de uma forma velada, de uma forma encapotada por uma aparência de piedade, nós podemos estar a falar da nossa própria experiência com um sentimento de superioridade em relação aos outros, fazendo às vezes com que aqueles que, enfim, poderiam ser os publicanos da nossa sociedade moderna, se sintam inferiorizados pelos pelo nosso currículo, quando na verdade Jesus subverteu esta ordem, mostrando que na realidade era o publicano que saiu justificado, porque a única condição de nós podermos realmente alcançar a justificação que Deus nos quer oferecer é a confissão dos nossos pecados.
E agora uma coisa elementar aqui. Todos nós conhecemos a ideia de que uma pessoa para poder abandonar um vício, por exemplo, seja o alcoolismo, o uso de qualquer dependência de qualquer droga, tabaco, o que quer que seja, a pessoa precisa primeiramente reconhecer que ela não consegue vencer aquela dependência, que ela tem um problema com aquela compulsão. E no momento em que a pessoa reconhece isto, e é exatamente isso que acontece na confissão, eu reconheço que não tenho condições de vencer sozinho a compulsão para picar, a compulsão para satisfazer as minhas próprias necessidades, a necessidade, diríamos assim, de viver egoisticamente para mim mesmo. E agora, reparem, aquilo que este texto também nos promete é que Jesus é fiel e justo para nos oferecer o seu perdão.
E há pouquinho a Inês falava desta satisfação que nós podemos ter na vida por sermos orgulhosos, por termos uma certa atitude presunçosa diante da vida. Estes sentimentos são puiris, são lamentavelmente insuficientes para nos trazer, para preencher a nossa necessidade de felicidade. E quando somos perdoados por Deus e purificados por Jesus Cristo, então esta paz, esta doce paz vem ao nosso coração. E é exatamente isto que Deus tem para nos oferecer. Deus quer nos livrar da frustração que temos vivido de não conseguirmos ser aquilo que Deus pediu, que Deus colocou como objetivo para a nossa própria vida, de vermos uma vida de paz, de bondade, de amor, de serviço ao próximo.
E podemos dar graças a Deus que este versículo está aqui, porque ele nos recorda que é apenas o reconhecimento dos nossos pecados que nos pode levar à experiência tão desejada de termos paz no coração. É verdade que nós, em muitos momentos da nossa vida, ainda não conseguimos chegar a este patamar. Mas quando olhamos para Jesus, tudo o resto se torna insignificante à nossa volta. E queira Deus que nós consigamos chegar lá e nos mantermos, claramente, neste patamar. A conversa está muito boa, mas já sabe, agora é tempo de nós irmos para o intervalo. É um curto intervalo, nós voltamos já a seguir para a segunda parte, para continuarmos esta ótima conversa com estes quatro.
TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Cá estamos nós para a segunda parte do programa A Bíblia Aberta. Já sabe, este é um programa da TV Novo Tempo Portugal, no canal 186 da Mel. Ou então, se não tiveres Mel por alguma razão, poderás escutar-nos através da rádio RCS, nos 91.2 FM. Se não está em Lisboa, porque esta é uma rádio da Grande Lisboa, poderás escutar-nos, poderás ver-nos através dos canais do YouTube, quer da TV Novo Tempo, quer também da Rádio RCS. Antes de retomarmos a nossa conversa, há sempre tempo para nós podermos oferecer alguma coisa que lhe possa ser útil para a sua construção da sua fé, enfim, de retirar algumas dúvidas.
E hoje nós queremos relembrar novamente que temos um guia de estudo muito interessante que é na mira da verdade. Ou seja, este é um guia de estudo que lhe dá a oportunidade de encontrar vários temas, não apenas só um tema e depois explorar esse tema de várias maneiras, mas em que encontra vários temas, como, por exemplo, textos difíceis sobre o dia de descanso, que a Bíblia indica que é o sábado, textos difíceis sobre a lei de Deus, Enfim, temos vários temas como, por exemplo, o dom de línguas, se ele vem ou não vem de Deus, se podemos falar com os mortos ou não. Este é um guia de estudo muito interessante que você não pode perder. Deverá tê-lo em sua casa porque ele traz cheio de passagens bíblicas onde você encontrará a vontade de Deus para a sua vida.
Portanto, se quiser receber um destes exemplares, basta enviar uma mensagem para o 933 939291. 933 939291. E alguém que está do outro lado irá ouvir a sua mensagem, irá lê-la e irá enviar para a sua casa totalmente gratuito. Bom amigos, vamos voltar à conversa, porque ela estava ótima, eu gostei imenso de vos ouvir, praticamente nem vos interrompi, porque vocês estavam muito animados e muito firmes naquilo que estavam a dizer, isso é muito bom. Vamos voltar, e eu gostava de voltar a ouvir a Inês, sobre a humildade e também
aquilo que é a visão da eternidade, se quisermos. Antes de te dar a palavra, eu gostava de introduzir este tema, ou esta passagem, com a leitura da Bíblia em Hebreus, capítulo 11, versículos 24 a 26. Vamos ler estes dois ou três versículos do capítulo 11 de Hebreus, para lermos os versículos 24 a 26, que diz, Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que, por um pouco de tempo, ter o gozo do pecado. tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito, porque tinha em vista a recompensa." Será que podemos dizer que Moisés apresenta a humildade como fraqueza, mas ao mesmo tempo como algo muito preciso, que ele gostava muito, que ele queria muito, ou uma decisão que foi orientada sobretudo para a visão da eternidade, para a realidade da eternidade?
Inês? Sim, Moisés, e este texto é muito interessante porque mostra aqui as escolhas também que Moisés fez, mas estas escolhas foram feitas pela fé. Havia algo já dentro de Moisés que o dirigiu nestas decisões que ele tomou para a sua vida. Mas a sua maior força foi realmente a humildade e a brandura, quando vemos a vida de Moisés, não é? E vamos estudando a sua vida no relato bíblico. Agora, esta escolha... de ser humilde e de traçar este caminho e não se ficar... ou dizer aqui, recusou ser chamado filho da filha do faraó, ser maltratado, etc.
Esta escolha de lugar de campo foi... algumas pessoas poderiam dizer, mas ele foi doido, ele tinha tudo, ele estava ali no meio de... tinha tudo para ser o maior, não é? do Egito. Quem é que iria deitar isto tudo fora para ser maltratado? E será que valeu a pena? Se calhar alguém ainda se poderia questionar, não é? Mas a verdade é que este aspecto, não é? Porque a humildade de Moisés pode ter um aspecto de fraqueza, não é? Mas isto não vale a pena, este sofrimento, isto tudo que ele atravessou.
Mas o outro lado que tem aspecto de vitória é o lado que o ia levar, e que o levaria a cada um de nós, à verdadeira fraqueza. E são estas as contradições entre Deus, vamos dizer, o mundo divino e o mundo simplesmente. Estes dois pensamentos contraditórios. se ele soubesse o final antes de lá chegar e saber que depois iria inclusive a ter um lugar antecipadamente no céu, muito provavelmente ele não se importaria de viver tudo aquilo que ele viveu. O problema é que ele não sabia, não é? Foi uma escolha que ele fez. Ele não sabia, ele foi pela fé, ele confiou em Deus. Ele sabia quem era este Deus e é por isso que é tão importante termos uma vida espiritual e decidirmos aprender a conhecer este Deus, porque ao conhecermos este Deus, ao vermos quem ele é, Nós vamos poder, certamente também, e eu espero, tomar decisões deste calibre, porque temos a firme convicção de onde queremos ir, porque sabemos quem é que nos vai levar, não é?
Agora, se eu não sei quem me vai levar, se eu não sei, se eu não conheço, vai ser mais difícil enfiar-nos nesta aventura. Mas, muitas vezes, a dificuldade que nós temos no nosso mundo é que vemos a humildade como uma fraqueza. Ah, esta pessoa não tem estofo, não tem caráter. Não tem postura, não é? Não tem postura. É associado a isto, ainda hoje, não é? Mas Moisés vai-nos mostrar, através do seu exemplo, e Jesus mais tarde ainda, que a humildade é uma força, é maior força. Esta humildade, o autocontrolo, porque no nosso mundo vemos as pessoas que pegam as rédeas e perdem ali o tempo, como dizer, não é o temperamento, mas a paciência rapidamente e vão, reagem.
Estes é que têm força e que são bons, não é? Mas a Bíblia vai-nos ensinar e mostrar que é o contrário. Então, aqui nós estamos num contraste de culturas entre a cultura bíblica e a cultura, vamos dizer, pecaminosa do mundo. Se me permite, Denise, até talvez colocar a coisa desta forma, não é? A escolha de Moisés levou a, neste momento, como há pouquinho Jorge dizia, a estar vivo no céu, porque a Bíblia dá-nos a entender isso. Se ele tivesse escolhido algo diferente, ele seria hoje apenas mais uma múmia em algum museu pelo mundo fora, não é? E embora fosse uma múmia que possivelmente até tivesse sido encontrada a sua tumba cheia de riquezas, como foi o caso de Tutankhamen, mas seria tão simplesmente uma pessoa que, enquanto que pela sua escolha de viver uma vida de mansidão e de humildade, ele acabou por se tornar um dos indivíduos que moldou a civilização em que nós vivemos hoje.
Porque nós não podemos descartar o papel histórico que Moisés teve para o judaísmo, mas também para o cristianismo e para o próprio islamismo. Eu até dizia algo que, no tempo de Moisés, não era como no nosso tempo, que nós temos uma série de exemplos para trás que nos permitem, entre aspas, reconhecer que o Deus é poderoso e que pode fazer coisas extraordinárias. Ele foi um pioneiro. Ele foi um pioneiro. Basicamente, ele não tinha ninguém. Nenhuma referência. Nenhuma referência, se quisermos. Eventualmente, Abraão, mas mesmo assim era... Era uma entre... Sim, sim. O que é certo é que todas estas escolhas que ele tomou foram com algo em vista, a recompensa.
Nós vemos que a humildade é uma força moral e espiritual. Mas ele aqui tinha uma visão da eternidade à sua frente. As escolhas que ele fazia hoje tinham em vista este amanhã da vida eterna. Isso também nos pode hoje dizer respeito, porque Como é que eu escolho hoje a minha vida? Que decisões eu tomo? Qual é a luz que eu tenho? E o que é que eu tenho em vista? A vida nesta terra, que é assim bem pequenina, ou a vida eterna, que é tudo aquilo que vem e que nós, apesar de não conhecermos, ao conhecermos a Deus da Bíblia sabemos que vai ser algo maravilhoso e que temos vontade de viver.
Então a humildade vai se alinhar com quem Deus é, porque nós temos um Deus que é humilde, apesar de ser um Deus forte, apesar de ser um Deus grande e maravilhoso. E esta história de Moisés ensina-nos que humildade não é perder a dignidade, nem ser fraco. mas é uma escolha espiritual, madura, fundamentada na fé e na visão da eternidade, e ele decidiu abrir mão de algo temporário para abraçar o que é interno. E nós também podemos pôr-nos a refletir neste assunto, para pensarmos, será que queremos também seguir, nós hoje temos a referência, podemos seguir as pisadas do Moisés também.
Isso, isso. E é muito interessante ver que realmente o mundo pode nos dar muitas coisas, não é? O mundo é fabuloso, tem muitas coisas. Nós criamos muitas... fazemos o nosso património, digamos assim, não é? Como ainda há pouco tu falavas daquela pessoa onde tu trabalhaste que tinha imensos carros, tinha muita coisa. Mas Deus pede-nos para sermos humildes neste mundo. para nós podermos olhar para a grandeza que Cristo tem. É que Cristo tem uma grandeza que Ele também não excluiu ou não nos impediu de percebermos que Ele tem. E eu gostava de ler agora uma passagem que está em Lucas capítulo 22, e lendo os
versículos 26 e 27, que diz, Mas não será assim entre vós, antes o maior entre vós seja como o menor, e quem governa como quem serve. Pois qual é maior, quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós, sou aquele que serve." Isto foram palavras, digamos, de Jesus. Oh Rui, de que maneira é que Jesus, no fundo, faz aqui o desafio, a visão humana de liderança, se quisermos, e autoridade, ao revelar que, de facto, Ele é a verdadeira grandeza, colocando-se num papel de servo. Jesus tinha uma forma muito interessante de, por vezes, subverter, dar queimbramental aos seus ouvintes.
É interessante que, diferentemente um pouquinho de nós hoje, e às vezes faço esta reflexão para mim mesmo, Jesus trabalhava mais com ideias que ele lançava em forma de sementes para frutificarem na mente dos seus ouvintes do que propriamente exaurir os pensamentos e as ideias até, diríamos assim, não haver mais nada a retirar dali. Jesus, de alguma forma, superestimava a inteligência dos seus ouvintes. E também fazia uma outra coisa interessante, que era dar oportunidade ao Espírito Santo que depois pudesse trabalhar estas ideias, fazendo-as mais adiante se transformarem em ações. Fechando então este parênteses aqui, aquilo que Jesus aqui está a dizer, na verdade, é usando o senso comum, ou seja, vocês estão familiarizados com a ideia de que quem é mais importante deve ser servido, mas agora eu quero vos apresentar um valor exatamente oposto, um conceito, um padrão de vida completamente oposto.
E aqui Jesus, de alguma forma, ele vai ajudar-nos a perceber que é na lógica do serviço que nós estaremos não só a assimilharmos-nos a Ele mesmo, porque quando Jesus convida os seus ouvintes, os seus seguidores, conforme diz em Mateus no capítulo 11, diz, vinde a mim todos os que estáis cansados e sobrecarregados, não é? Na verdade, muitos de nós talvez até estejamos um pouco frustrados com aquilo que a nossa experiência religiosa nos tem oferecido. E Jesus, então, convida-nos a aprendermos do seu exemplo, que é um exemplo de mansidão e de humildade. Se nós pensarmos, por exemplo, naquilo que Tiago, algum tempo mais tarde, deveria descrever, quando ele disse, fazendo referência a um texto do Antigo Testamento, ele disse que o Senhor Deus resiste ao soberbo, ao orgulhoso, àquele que é vaidoso.
E aqui, com todo este conjunto de ideias, o que Jesus está a dizer basicamente é, nós não estamos em condições de determinar qual é a lógica e o padrão do Reino de Deus. porque o padrão do Reino de Deus não é o padrão, vamos usar a ideia daquilo que era o contexto das pessoas que estavam a ouvir Jesus. Elas viviam num mundo romano, onde a força do Império Romano se tinha estabelecido a ponto de oprimir uma série de povos, os próprios israelitas, os próprios judeus naquele momento eram oprimidos pelos pelos romanos, e inclusive eles vão chegar a um requinte de maldade, fazendo com que os impostos fossem cobrados pelos seus próprios compatriotas, como há pouquinho o Pedro mencionava, que eram os publicanos, não é?
E isto fazia com que, de fato, o povo se voltasse contra ele mesmo, rejeitando os publicanos. Mas aquilo que Jesus vai mostrar é exatamente isto. É que a lógica dos romanos, que eram um povo que inclusive tinham um deus, que eles veneravam como sendo o deus da guerra, o deus do orgulho, da prepotência, da força, O Deus do Céu, que é a verdadeira fonte de toda a força, de toda a energia, o Criador do Universo, este Deus não se manifesta nem se dirige desta maneira. Ele torna-se homem assumindo a forma de homem morrer, a morte na cruz. para que nós possamos efetivamente ser salvos.
E agora aqui, esta inversão completa do padrão humano fica bem claro para nos ajudar a perceber que, das duas uma, ou nós abdicamos desta tendência natural, como dizia no início a Inês, de querermos a nossa auto-satisfação, o nosso reconhecimento, ou então nós não estamos em condições de entrar nesta nova realidade eterna que Moisés viu por antecipação e escolheu, ou então nós ficamos presos efetivamente a esta realidade e ficamos por aqui mesmo. É a diferença entre viver 80, 90 ou 100 anos e deixar de viver a eternidade. E agora, fazendo aqui só um ponto em relação àquilo que há pouquinho o Pedro dizia, quando falávamos a respeito desta tendência natural quase como um instinto de sobrevivência.
Biologicamente, no mundo em que vivemos, a realidade é exatamente esta. Quem não luta pela sua própria sobrevivência, por obter o alimento, satisfazer as suas próprias necessidades, não vai ter condições de sobreviver e nem de deixar uma prole. É esta a ideia que em termos de biologia evolutiva está subjacente à legitimação, inclusive, do orgulho, da violência para a própria sobrevivência. Ou seja, o meu objetivo maior é sobreviver. Só que se nós olharmos para o resto do universo, vamos perceber uma coisa muito interessante. é que no universo nós percebemos que há uma disponibilidade de recursos para que todos possam viver numa relação de equilíbrio.
E nós percebemos que inclusive até nesta própria terra, e perdoe-me aqui fazer este aponte já em certo sentido com a biologia e com a ecologia, é que quando o ser humano Ele, diríamos assim, pode oferecer aos animais, aos seres vivos que estão ao seu redor recursos abundantes que lhes permitam viver sem haver competição entre animais, entre seres vivos. O que acontece é que estes seres conseguem viver de forma pacífica. E nós vemos, por exemplo, nós pensamos normalmente em cão e gato como exemplos de quê? De competição. Cão e gato não se dão. Mas quantos de nós temos em casa pets, que são um canino e outro felino. E ambos se dão muito bem. Por quê?
Já pensaram nisto? É porque talvez a lógica que pode existir, por exemplo, no nosso lar, onde temos um cãozinho e um gatinho que se dão imensamente bem, é porque não há competição. E não havendo esta competição por recursos, debaixo, diríamos assim, da alçada de um ser humano que é generoso, que trata bem, que ama cada um destes animaizinhos, não é exatamente ou não é numa escala divina aquilo que Deus faz connosco também. Através da sua bondade nos dá tudo aquilo que nós precisamos. E por isso nós não precisamos lutar pela sobrevivência. Nós precisamos simplesmente estar dispostos a servir. Porque o nosso Criador veio a este mundo para servir. E o que é que nós precisamos fazer? Andar aqui às cabeçadas uns aos outros?
Enfim. Não faz sentido. Não faz nenhum sentido. É a criação de um ecossistema de serviço, de bondade, de generosidade. Exatamente. Criar as condições para tudo florescer. Exatamente. Sem que uns tenham que matar os outros, ou ser superiores aos outros. Exatamente. Por isso faz todo o sentido pensarmos que a criação original tinha como base, justamente, as relações de simbiose, as relações de cooperação, porque Deus oferecia todo o recurso para que todos vivessem em paz de forma abundante, de forma pacífica. E quando essa harmonia se desfez, porque nós sabemos, no Jardim do Éden ela quebrou-se, o nosso Deus encontrou uma alternativa, ou já tinha um plano B, digamos assim, pré-estabelecido, caso isso acontecesse, que era Jesus abdicar do céu, vir morrer pela raça humana, para que nós possamos compreender verdadeiramente este ato de amor e ao mesmo tempo podermos servir, como estávamos a falar.
Nós estamos a caminho do fim, mas eu acho que agora precisamos de introduzir ainda aqui um outro conceito, que é a humildade, que vem de Cristo, a humildade
cristocêntrica. E para isso eu gostava de vos levar a lermos Filipenses capítulo 2. Encontrarmos aqui nas palavras de Paulo em Filipenses capítulo 2 versículos 5 a 8 uma ideia muito interessante. Paulo diz, de sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens, e achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz. Pedro, Paulo aqui apresenta-nos a humildade de Cristo.
como o modelo para a nossa vida e também para a nossa ética cristã. Será que existem razões para Paulo sublinhar desta maneira toda a postura e toda a decisão de Jesus? Sim, sem dúvida. Porque Jesus veio revelar as condições deste ecossistema que ainda à hora falávamos, como é possível encarnar essas condições. É por isso que o exemplo de Cristo é sempre um exemplo encarnacional. não se tornou um exemplo para nós através, por exemplo, do que ele disse ou da proliferação de discursos ou da escrita, por exemplo, de uma filosofia ou de uma estrutura de pensamento ordenada e sistematizada.
E não é que haja mal nenhum em fazer isso. Alguns grandes homens, ao longo da história, têm desenvolvido ideias e conceitos que são assim. Muito menos em redes sociais. Muito menos. Nesse caso é muito menos através de coisas superficiais e imediatas. absolutamente profundo em todo o seu pensamento e na sua estrutura, mas essa profundidade não se traduziu na criação de conceitos, na elaboração de princípios filosóficos. E de complexidade. A complexidade de uma estrutura de pensamento. Que tantos homens ao longo da história, por exemplo, alguns grandes líderes religiosos, mesmo, também, outros simplesmente grandes pensadores, conseguiram essa capacidade de estruturar ideias que tiveram muita influência na história da humanidade.
E nós hoje ainda usufruímos, claro, a nossa cultura e civilização vêm dessa estrutura. É impressionante que Jesus é, provavelmente, se calhar até podemos dizer seguramente, o homem que mais influenciou os conceitos que nós hoje, pelo menos do nosso lado do planeta, conhecemos como uma estrutura de base e, no entanto, ele não escreveu sobre eles, não elaborou sobre eles. O que é que ele fez? Ele encarnou-os. Por isso é que esse sentido encarnacional é, de alguma forma, a própria definição do que é Jesus. Ou seja, todos os valores Todas as experiências, todos os conceitos, toda a verdade que é útil e necessária e boa para nós, o que aconteceu foi que Jesus viveu-a, encarnou-a.
E é aí que nós encontramos em Jesus esta espécie de uma radicalidade da fé, porque Ele experimentou isso. Por isso é que a humildade, obviamente, mostra a grandeza de se fazer servo. A grandeza dos pequenos gestos. Jesus tem muito esses pequenos gestos de tocar nas pessoas, de dizer, deixem as crianças virem a mim. Até do olhar. Muitas vezes os evangelhos dizem que ele olhou com compaixão. Tive compaixão. Os escritores e evangelistas testemunharam isso. Junto ao Poço de Jacó é um dos exemplos bem evidentes.
A maneira como ele tratava as pessoas. Há tantos exemplos. Como Jesus se baixa com a humildade de uma mulher pecadora. Queriam mandar-lhe pedras para cima. Ele abaixa-se, aproxima-se dela. A gente percebe. Nós não vemos o tom da voz, porque não o ouvimos, mas aquelas palavras indiciam tanto carinho das questões que te acusam. Só de pensar que Ele estava no trono do céu e que decidiu vir a esta terra, nas condições, e subter-se a tudo aquilo que Ele submeteu, já nos pode dirigir. É um exemplo perfeito disso, não é? Então nós vemos o Deus Eterno, o Criador dos Céus e da Terra, aquele que pôs em marcha as leis da física e a biologia, o Senhor de tudo, tornou-se um homem simples.
Desde a sua meninice foi uma pessoa simples e depois conseguiu dar esse exemplo vivo. Por isso quando Jesus disse o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida por muitos, não é uma retórica. Foi a sua vida. É por isso que o apelo de Cristo para a nossa existência é a nós não sermos pessoas de teoria. Que é o que nós estamos a fazer à volta desta mesa. Eu não estou a criticar o que estamos a fazer, porque também é necessário fazê-lo, mas é o nosso dia-a-dia que isto se torna real. Infelizmente, temos que terminar desta maneira. Enquanto houver pecado, existirá orgulho, mas também existirá humildade, pela graça de Deus. Ou seja, a humildade vai manter-se porque o próprio Deus vai nos dar essa oportunidade de vivermos a humildade.
Gostei muito de estar convosco, gostei muito de conversar com vocês. Eu vou marcar encontro com vocês os três para a próxima semana, para podermos estar juntos, porque para a próxima semana vamos também falar aqui um pouquinho do papel relevante que a própria Bíblia o facto de abrirmos a Bíblia e terem nós um papel determinante para a nossa fé enquanto vivemos neste mundo, mas também para a nossa eternidade. Estamos mesmo a terminar, mas tenho que relembrar-lhe muito rapidamente que temos o Guia de Estudo na Mira da Verdade para lhe oferecer. Se quiser saber mais temas sobre a Bíblia, Este é um guia de estudo que lhe dará uma panóplia de temas muito interessantes e com bastante fundamento através das passagens bíblicas, por isso basta ligar para o 933-939291.
Eu disse ligar, mas é preferível enviar uma mensagem. Envie uma mensagem para o 933-939291 e nós teremos o gosto de lhe enviar gratuitamente para a sua casa. Já sabe, o Programa Bíblia Aberta é um programa semanal, estaremos de volta na próxima semana. Já informei que será com esta equipa e, portanto, nós os quatro iremos voltar a estar consigo para continuarmos a abrir a Bíblia e falarmos exatamente do poder da Palavra de Deus. Até lá, que o Senhor o possa abençoar.
Neste episódio do programa Bíblia Aberta, somos convidados a refletir sobre um dos maiores desafios da vida cristã, o confronto entre o orgulho e a humildade. A partir de passagens como 1 João 2:15-17, a conversa leva-nos a compreender como o amor ao mundo pode afastar-nos de Deus e como a humildade nos aproxima do Seu propósito eterno.