Conhecer Deus

Conhecer Deus

04 de Abril de 202657 min 27 s

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Para si que nos vê através do canal 186 da Mel ou nos ouve através da Rádio RCS, nos 91.2 FM, para a Grande Lisboa, saiba que é muito bom podermos voltar a estar consigo e estarmos na sua companhia nos próximos minutos. Este é o programa semanal de podermos abrir a Bíblia e por isso o nome deste programa é precisamente Bíblia Aberta. Este é o seu programa onde em cada semana nós vamos descobrindo aquilo que a Bíblia tem para nos dizer. para o nosso tempo presente, mas também olhando para o nosso tempo futuro, para aquilo que poderá ser o nosso encontro com Jesus brevemente. Estamos no segundo episódio desta nova série de 13 episódios, onde nós iremos procurar descobrir e conhecer um bocadinho a forma de nós nos relacionarmos com Deus.

Na semana passada, nós estivemos a constatar alguns dos factos evidentes muitas vezes por metáforas, outras vezes por versículos que são completamente muito assertivos para a nossa vida, do nosso dia-a-dia. E hoje nós temos a oportunidade de abrir um pouco mais a Bíblia e de tentarmos descobrir, nos próximos minutos, a forma de nós podermos conhecer Deus. Poderá parecer bastante difícil, mas a Bíblia tem versículos que nos podem encaminhar a esta perspectiva e a este interesse e, como dizíamos na semana passada, a esta dependência. Para me ajudar nesta conversa, e porque eu nunca estou sozinho no programa da Bíblia Aberta, eu trago de novo a mesma equipa da semana passada.

Portanto, eu tenho a Inês. Olá, Inês. Obrigado por voltares a estar connosco. O Pedro, o Pedro Esteves. Olá, Pedro. Obrigado mais uma vez. E o Hernani, que vem um pouco mais a sul, digamos, mais a Lentejo, não é? E que estás connosco aqui. É um privilégio ter-te no programa. E eu espero, sinceramente, que esta conversa possa ser muito útil para nós, em primeiro lugar, mas também e sobretudo para si. porque isso permitirá que você se prenda a este programa e possa assim também descobrir conosco, mas sobretudo através do Espírito de Deus, as grandes verdades bíblicas. Vamos então tentar perceber o que é conhecer Deus segundo a parte de Deus que

Conhecer Deus através de Jesus

esteve connosco na Terra, que é Jesus. E para isso eu gostava que pudéssemos pegar na nossa Bíblia, sendo um programa que tem por título Bíblia Aberta, temos mesmo que abrir a Palavra de Deus para encontrar nela aquilo que nos faz falta para conversarmos. Então, eu gostava de convidá-lo a si a abrir a sua Bíblia em João, capítulo 17. Vamos abrir em João, capítulo 17, para podermos encontrar aqui esta passagem, logo no versículo 3. Nós podemos ler, João, 17, versículo 3, diz... Hernani, vou começar por ti e quero, de alguma forma, lançar-te este desafio.

Qual comentário poderás fazer neste aspecto da relação que este texto estabelece entre vida eterna e ao mesmo tempo o conhecimento de Deus por meio de Jesus? Podemos começar por assim dizer. Sem Deus não há vida. Sem Jesus Cristo não há vida eterna. Isso é uma realidade que a Bíblia nos revela, nos mostra, e que nós percebemos por causa do pecado. Lá em Romanos 6.23 diz que o salário do pecado é a morte, mas em Jesus Cristo nós temos a possibilidade, temos nos oferecido, nos foi oferecido a vida eterna. Por isso, querendo ou não, numa perspectiva de conhecer Deus, Jesus Cristo é aquele que nos permite conhecer Deus claramente. É por isso que quando a gente olha para o texto bíblico, ouvimos as histórias de Jesus, nós ficamos a perceber um bocadinho a dificuldade que ele passou, porque o povo de Deus, aquele povo que foi preparado, que vivia uma religião dada pelo próprio Deus no monte Sinai, na verdade teve dificuldade em reconhecer em Jesus Cristo como sendo aquele que era o prometido, como sendo o enviado.

Há uma passagem bíblica que me chama bastante a atenção, porque Jesus diz, nos ais que diz aos fariseus, aos líderes judaicos, na época, ele diz assim, está em Mateus 23, 15. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazerem um prosélito e, uma vez feito, o tornam filho do inferno duas vezes mais do que antes. Essas palavras de Jesus são muito fortes. Será que a religião judaica estava errada? Não, não estava, porque foi o próprio Deus que deu a religião judaica para eles. Será que essa perspectiva que Jesus apresenta é para dizer que tudo aquilo que eles viveram e aprenderam, será que estava mal?

Não. O problema estava em uma coisa, é que eles não queriam aceitar Jesus como sendo a primeira e maior revelação de Deus. E é por isso que lá em Atos, no capítulo 4, quando depois da morte, da ressurreição de Jesus, o Espírito Santo desce sobre os discípulos no Pentecostes, e eles vão pregar o evangelho, e os líderes apanham Pedro e dizem, olha, você tem que parar de pregar porque você está a causar ovoroço. Pedro vai dizer assim, em Atos capítulo 4, 11 e 12, este Jesus é pedra rejeitada por vós. os construtores, o qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro, porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome dado entre os homens, pela qual importa que sejamos salvos. Então, a vida eterna é acessível através da pessoa de Jesus Cristo.

Se nós quisermos conhecer, na busca de resposta da nossa existência, a solução para a morte, para a não existência humana, que é uma realidade que todos nós enfrentamos ou pensamos em algum momento da vida, é Jesus a revelação de Deus como a solução para isso. E é interessante porque o próprio Jesus diz, em João capítulo 5, eu tenho aqui anotado o texto, verso 39 e 40. Em confrontação com esses líderes, ele vai dizer assim, examinai as escrituras, porque julgastei nela a vida eterna. Interessante, eles pensavam e acreditavam que ao examinar as escrituras, eles encontrariam as respostas para poder aceder à vida eterna. E são elas mesmas que testificam de mim, Jesus diz. Contudo, ele diz no verso a seguir, não quereis vir a mim para teres vida.

E é interessante então que a prática religiosa, o conteúdo de tudo aquilo que eles viveram como judeus e como leis que Deus deu para eles no estabelecimento da religião judaica, tinha por objetivo principal e primeiro revelar Jesus, nos sacrifícios, em cada ordem que Deus dava, para revelar exatamente essa pessoa de Jesus Cristo que viria no futuro. Ora, esses homens então tinham uma perspectiva interessante de prática religiosa, de vida religiosa, em obedecer aquilo que Deus propunha para eles, mas não queriam aceitar aquele que era a personificação da revelação em Jesus Cristo. Há um livro que foi escrito pelo pastor Alejandro Bullion, que tem por título Conhecer Jesus é Tudo. Então, é interessante porque nesse pequeno título expressa a realidade da nossa existência.

Quando nós conhecemos Jesus, nós encontramos a resposta para todas as nossas inquietações, para todos os nossos desejos e, conforme o Jorge leu, para essa expressão real de que a vida eterna está nele. Porque a nossa perspectiva, eu lembro do momento em que eu aceitei Jesus na minha vida. Eu estava deprimido, estava sem ânimo, sem força, sem coragem. E no momento em que eu permiti fazer esse passo na direção de Jesus Cristo, a esperança começou a brotar no coração. E a partir disso, a vida começou a se renovar e a ter forças. E cá estou eu até hoje. Porque a vida realmente está na pessoa de Jesus Cristo. Então, essa perspectiva que o texto nos apresenta é uma realidade, através da pessoa de Jesus Cristo. Agora, se nós quisermos conhecer Deus, deixemos-nos aproximar de Jesus.

Qual é a dificuldade nossa? É que Jesus não está aqui hoje. Ele nos prometeu o Espírito Santo, que nos ensinaria todas as coisas que nos levam para a sua palavra. Por outro lado, eu também gosto de pensar que João nos apresenta Jesus como sendo o verbo. Não é verdade? Ora, João conviveu com Jesus e nos diz a nós que não convivemos com Jesus, que Jesus é o verbo. Por isso, se eu quiser conviver com ele, conhecer Deus, eu me aproximo da palavra e deixo essa palavra transformar a minha existência. E de certeza que no contato com essa palavra a vida vai começar a florescer. E a esperança da vida eterna. Mas a necessidade de que isto seja uma coisa experiencial na nossa vida é que é um dos grandes desafios da fé cristã. A ideia de conhecer, se nós pensarmos bem no nosso modelo mais ocidental, cartesiano, talvez que venha até socrático, um pouco vem dos gregos, a ideia de que aceder ao conhecimento é um ato teórico, filosófico até.

Normalmente o conhecimento, na nossa linguagem, o conhecimento está no campo da teoria, da escrita ou da reflexão. De ideias, não é? De ideias. no campo das ideias da abstração e da reflexão. E é interessante porque esse texto de João 5, 39, Tulia, já Jesus parecia estar a fazer um pouco essa diferença entre vocês lêem as Escrituras e acedem a um conhecimento. No caso dos judeus, especialmente ortodoxos e estas pessoas com quem Jesus falava, nós sabemos que eles sabiam a Torah de Cora. Alguns talvez até soubessem praticamente o novo testamento todo de Cora. O que significa que a ideia, talvez mais até do campo das ideias, era saber a palavra, era saber a letra.

E acho muito interessante por isso que Jesus tenta depois explicar que este conhecimento que ele está a falar não é esse conhecimento. Não é um conhecimento de letra. ou de reflexão, é um conhecimento experiencial. Para nós isso hoje é um desafio porque Jesus, como dizias, não está cá fisicamente. Para os discípulos talvez fosse mais fácil, ou para eles. O que ele queria dizer é que vocês têm que se relacionar comigo. Ele estava ali. É conversar comigo a saber quem eu sou. Nós hoje temos que trazer isto para o campo da nossa vida real. Por isso foi muito relevante, Hernani, que tu tenhas dito, ok, eu já estive num momento que estava totalmente depressiva, embaixo na minha vida, e o encontro com Jesus retirou-me desse lugar e levou-me para outro lugar. E o conhecimento de Deus que se está aqui a falar, que é um conhecimento que transforma, é um conhecimento na vida concreta.

É esse que nós temos que buscar. Mesmo que a gente leia a Bíblia, claro, e que vamos à procura de entender o que Deus tem. Mas se isso ficar no campo das ideias, isso não muda, isso não transforma. É o que Jesus disse aqui para eles. Vocês dão a volta ao mundo para fazer um novo convertido, mas depois se tornam dele duas vezes mais filhos do inferno. Por quê? Porque a pessoa fica presa dentro da perspectiva de conceitos, de ideias, ok? Eu tive acesso a essas informações, conheço isso, mas não conheço um autor. Sim, sim. Foram endotrinados. Por isso, nós ainda hoje, no mundo cristão, no mundo das igrejas, o mundo denominacional, que muitos dos que nos veem entendem perfeitamente esse conceito, nós muitas vezes conectamos a ideia de verdade, dizemos a verdade, quando eu conheci a verdade, com muita frequência essa expressão para nós está associada a conhecer doutrinas.

Eu não sabia que existia esta doutrina. Na Bíblia passei a conhecer. E há uma grande diferença. Isso é muito útil e necessário, mas há uma grande diferença entre isso e conhecer Cristo e isso mudar a minha vida. Por isso é que Jesus disse que eu sou a verdade, não é uma doutrina. Essa diferença entre o que é teórico e o que é prático é uma das coisas mais importantes para a vida do cristão. É apenas um promenor, mas o último versículo que leste, quando diz que examinais as escrituras para encontrar alguma coisa que vocês necessitam, que é a vida eterna, e elas testificam de mim, eu acho muito interessante porque Jesus está a mostrar que, e este é apenas um promenor, sabemos que muita gente cristã considera o Novo Testamento o espaço mais evidente para conhecermos Jesus.

Mas, afinal de contas, Jesus vai um bocadinho para trás e vai dizer tudo o que está escrito, testifica de mim.

A distorção do caráter divino

Ou seja, Jesus é o centro. Mas há aqui uma questão que é importante nós podermos ver, é que por mais que nós consideremos Deus a excelência de Deus, há também a outra parte, a parte do inimigo das almas, como a Bíblia fala, que começou a destroçar claramente o carácter de Deus. E quando nós vamos, por exemplo, a Génesis, e se formos ao livro de Génesis, logo no início, no capítulo 3, Nós vamos encontrar aqui uma descrição e vejam que a Bíblia tem apenas dois, três versículos onde nos fala da harmonia total de uma vida sem pecado e depois todo o resto da Bíblia é um esinalar com o pecado.

Mas no capítulo 3 começa aqui, digamos, o grande problema porque nos versículos 1 a 5 diz que ora a serpente era mais astuta de todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher, é assim que Deus disse? Não comereis de toda a árvore do jardim? E disse a mulher à serpente, não, do fruto das árvores do jardim comeremos. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus, não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Então o serpente disse à mulher, certamente não morrereis, porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal." Ora, aqui nós temos, eu diria, a primeira estratégia de deitar Deus abaixo e de confundir claramente quem é Deus, o Criador de todas as coisas, o Mantenedor, e tu sublinhaste bem que Jesus era também e é, por meio de Jesus, a salvação.

Inês, diz-me, que estratégia, no fundo, Satanás vai usar aqui para gerar, quer queiramos, quer não, a desconfiança, sobretudo em relação ao caráter de Deus? Porque nós encontramos isto aqui, não é? Que estratégia Satanás vai usar aqui? Para nós tentarmos perceber como é que ele também usa essa mesma estratégia connosco, não é? Porque ele usou com Adão e Eva, nós não somos diferentes. É verdade, aqui Satanás tem uma estratégia, vamos chamar de progressiva, não é? Para distorcer aqui o caráter de Deus. Temos, em primeiro lugar, um momento em que ele vai semear a dúvida sobre aquilo que Deus disse, sobre a palavra de Deus, não é?

É assim que Deus disse? Tens a certeza? Ouviste bem? A serpente aqui não vai negar frontalmente a ordem que Deus deu, mas vai reformular de modo exagerado, impreciso, sugerindo até que Deus é registrativo e injusto nos seus dizeres. Então a dúvida é lançada não apenas sobre o mandamento, mas também sobre a intenção de Deus ao dar o mandamento. É assim. Isto começa logo já a trabalhar aqui na cabeça de Eva. E Eva tem que ir pensar, porque a Eva, pronto, temos aqui a resposta de Eva, não é? Ela se surpreende, se quer queira mas queira não, não é?

Com aquela ideia... Surpreendida. Não estou à espera, não é? E vai buscar as suas respostas e até vai juntar um detalhe que nem sequer está na ordem de Deus. Porque ela diz, não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. Isto é a Eva a dizer à serpente. Mas quando nós lemos o texto, em que Deus dá o mandamento, não fala de tocar, fala só de comer. É como se ela já estivesse aqui a reforçar um pouco a ideia, já está meio perdida, mas já afetou um pouco. Ela faz aqui uma certa defesa do próprio Deus, não é? Uma defesa, não é? Mas Satanás avança, esta serpente vai avançar e vai apresentar a Deus como alguém que retém o bem. Ele diz que Deus sabe que no dia em que o comer, aqui já temos a distorção central.

Deus passa a ser visto não como bondoso e protetor, mas como um inseguro e controlador. Quer controlar o conhecimento do ser humano, alguém que impede os humanos de alcançar aqui uma plenitude de conhecimento. Então, já temos aqui esta estratégia a avançar e depois vai substituir a confiança por suspeita. Certamente não morrereis. Então aqui já é o contrário daquilo que Deus disse, mas foi aqui muito gradual, não foi nada frontal, mas de repente já afirmou o contrário total. Então Satanás contradiz diretamente Deus. insinuando que ele mente ou exagera e o efeito aqui é a quebra da confiança.

Mas ele é o verdadeiro mentiroso, não é? Porque no fundo ele vai dizer certamente não morrereis, mas Jesus já tinha dito que ia morrer, não é? que tinham dito. Agora a Eva decidiu confiar mais nestas palavras do que nas palavras de Deus. Isso foi o problema dela e o nosso hoje. Mas aqui temos esta estratégia que vai levar a Eva a reinterpretar a obediência como uma perda e a desobediência como um ganho. Então, temos aqui esta estratégia que não começa com o convite ao pecado, diretamente, mas com a desconstrução do caráter de Deus e quando Deus deixa de ser percebido como bom, A obediência também deixa de fazer sentido.

É que isto é um pouco aquilo que aconteceu com Eva aqui, e esta foi a estratégia usada, que continua também a ser a estratégia que é utilizada connosco, não é? De maneiras diferentes, segundo os nossos pensamentos e as nossas inclinações. Até hoje nós encontramos pessoas que dizem, se Deus fosse bom, Porque ele permitiu que acontecesse aquilo. Essa distorção de uma ideia sobre Deus persiste até hoje ainda. E apesar de o inimigo ter destruído a veracidade de Deus e a autenticidade de Deus, o amor e a bondade do nosso Deus, e embora Eva tenha pegado primeiramente nessa possibilidade alternativa e depois até ter contagiado, vamos dizer assim, Adão, há uma coisa que Deus não perde, há uma coisa que Deus não deixa de lado, não coloca, digamos, no armário, mas diz claramente.

para que o homem e a mulher voltem, eles têm que ter este mesmo princípio que eu tenho, que é a santidade, não é?

A santidade e a identidade

E por isso nós podemos ver que a santidade sempre foi uma identidade de Deus, quer queiramos, quer não. Se formos, por exemplo, a Levítico, capítulo 20, versículo 26. Levítico 20, versículo 26, nós podemos ler, e ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo. e separei-vos dos povos para seres meus." Quase que nós poderíamos dizer, separei-vos dos povos para seres santos também, não é? Pedro, como é que a santidade de Deus pode fundamentar a ideia bíblica de separação do povo de Deus para uma identidade distinta? Sim, é uma questão muito interessante, precisamente por conectar a ideia de que a identidade do povo de Deus Quer consideremos isso numa ideia coletiva, mais denominacional, como uma igreja, uma coisa mais visível.

Quer falemos daquela igreja invisível, que é simplesmente aqueles que querem ser fiéis a Deus. Esses também são o seu povo, aí não há nenhuma fronteira ligada às organizações, às igrejas, seja o que for. De uma maneira ou de outra, é muito significativo. que a Bíblia seja tão clara na ideia de que a nossa identidade está associada à identidade de Deus. Eu vou explorar isto aqui com algumas ideias, mas o primeiro ponto-chave logo é que isto não tem a ver com as nossas obras. A nossa identidade, a identidade de um povo de Deus, nunca está ligada às coisas que nós somos capazes de fazer. É se nós nos aproximamos mais do modelo divino. É por isso que Génesis 2 é tão significativo, dois, três, que nós estávamos a ler agora, como é que D.

Eva viviam debaixo desse padrão que Deus estabeleceu e como é que o inimigo vem dar uma alternativa, é um padrão diferente, para percebermos que é na medida em que nós estamos próximos do padrão, da referência que Deus é, que a nossa vida realmente é mais frutífera e é mais de acordo com o seu plano. Primeiro ponto aqui agora olhando um pouco para a ideia de santidade. Porque de facto a santidade é o que define aquilo que Deus é. Por isso Deus é tantas vezes chamado santo, porque a santidade é um atributo de Deus. E com muita frequência, quando nós falamos de santidade em relação aos seres humanos, definimos a santidade como uma espécie de ideia comportamental.

Aquela pessoa é muito santinha. Ou dizemos, aquele tem a mania que é santo, por exemplo, se for pela negativa. E quando dizemos aquele tem a mania que é santo, essa expressão, mesmo assim popular, ela indica que nós associamos a santidade a uma ideia de comportamentos. A pessoa a quem se faria a acusação tem mania que é santo é aquele que comporta-se muito bem porque não pode fazer as coisas que os outros pecadores fazem. Esta ideia de associar a santidade ao comportamento já é em si mesmo um desvirtuar desta ideia, porque a santidade é um atributo. É uma virtude intrínseca ao ser. Porquê que Deus é santo? Vamos a essa base. Provavelmente muitos já ouviram esta ideia de que a expressão hebraica para falar de santidade tem a ver com separação.

No sentido mais literal e básico do termo, a ideia de santidade é ser totalmente distinto ou de não haver outro que tenha aquelas características. Por isso é que Deus é o único ser totalmente santo, no sentido etimológico, porque não há outro ser igual. Nesse sentido, Ele é totalmente distinto na sua espécie, podíamos dizer assim, porque só há um. Nós porquê que não somos santos? Porque nós somos muitos automaticamente. Nós não somos distintos uns dos outros. Temos imensas coisas que nos unem. Não pode haver uma pessoa que diga eu sou distinto, sou o único ser humano assim. Não. Todos os seres humanos têm características físicas comuns, características psicológicas comuns.

Sou super-homem. O super-homem seria uma ideia, no mundo da ficção, de um ser que é homem, mas que é único. Nesse sentido, ele é santo porque ele é separado. Não há outro ser que tenha aquelas características. Por isso é que tem de ser inventado, porque entre nós não há nenhum super-homem. Somos todos homens e mulheres, ou seja, nós não somos distintos. Desse ponto de vista, que é o, tecnicamente, ou assim mais teoricamente, é aquele sentido ontológico, que é Deus é o único ser que é essencialmente Deus. Todos os outros não são Deus. Por isso é que Ele é santo. Daí não ser admirável que em muitas visões, nós vemos isso nos profetas, em que os profetas vêem visão, vêem Deus, ou no Apocalipse estão lá aqueles seres que vêem Deus e quando eles o vêem dizem Santo, Santo, Santo é o Senhor.

Que a ideia de uau, ele é o único, nós olhamos à nossa volta e não há ninguém assim. Mesmo no céu. Mesmo no céu. Ele é totalmente exclusivo. É por isso que a santidade em Deus é um atributo, é a sua natureza. Por isso é que todo o apelo a nós sermos santos, essencialmente não é um apelo ao comportamento, a ser santinho. Nesse sentido humano, o apelo a ser santo é um apelo a nós sermos o mais semelhantes a Deus possível. Porque se nós refletirmos essas características divinas, nós aproximamos da santidade, que é ser parecidos com Ele.

É por isso que agora, fazendo aqui uma conexão com a pergunta anterior que a Inês explorou, é por isso que é tão relevante que no ato da criação Deus nos tenha criado à sua imagem e semelhança. Quero dizer que Deus dotou-nos de características exclusivas que em certo sentido nos aproximam da sua santidade. Por isso que em todos os seres que existem na Terra, todos os seres criados, e são milhões, o ser humano é único. Agora vou fazer com um paralelismo que espero que seja útil para entendermos melhor isto, que é, do ponto de vista da observação da criação, o ser humano é santo.

Intrinsicamente santo. Porquê? Porque todo o resto da criação, podem ser os animais, as plantas, as coisas inanimadas, as rochas ou a água, que seja o que for, todas as outras coisas o que é que têm? Elas não têm nada que as diferencie umas das outras. São intrinsecamente comuns, ou seja, todas iguais. Mas há o ser humano, Deus do todo, e uma característica. Por isso nós vemos que no relato da criação é a única definição que diz, ok, este ser é totalmente diferente dos outros. Porquê? Porque há a imagem de Deus. O facto de sermos portadores dessa imagem é que nos doutou da capacidade de nos relacionarmos com Deus. É aí que reside o centro da nossa santidade.

Todos os outros seres não podem ter uma relação pessoal com Deus. Não podem. Eles não têm características que lhe permitam ter uma relação de intimidade com Deus. Jesus fala de que as aves que andam aí sem preocupações, a cada dia o pai toma conta delas, ou os lírios do campo e a sua beleza. Ou seja, eles refletem o cuidado de Deus, mas eles não mantêm uma relação com Deus. Não foram feitos nem à imagem nem à semelhança de Deus. Logo, não são santos. Ou seja, são comuns. Então, tal como Deus, em todo o universo, Deus é santo, ou seja, é o único ser, Na Terra, ou no Universo criado, nós somos o que nos aproximamos mais dessa característica, ou seja, temos uma característica que nos distingue de todos os outros seres.

O ponto onde eu quero chegar com esta análise, talvez um pouco teórica, é de que a santidade do ser humano só se revela e manifesta realmente na intimidade ou na relação com Deus. Porquê? Porque é na continuidade da sua imagem. À medida que nós nos relacionamos direta e pessoalmente ou intimamente com Deus, é que nós manifestamos o quanto somos santos, o quanto somos únicos, porque isto é a única coisa que todos os outros seres não podem ter. Daí que o que Satanás quer destruir é o quê? a imagem que nós temos dele, para que nós paremos de ter essa relação exclusiva, santa. E separarmos somos comuns. Somos comuns.

Exatamente isso. Sem essa relação com Deus, nós tornamos iguais aos outros. Como é que nós vemos isso no pecado? É por isso que o relato do Génesis é absolutamente extraordinário, porque ele ilustra isto. Depois do pecado, o que é que aconteceu? Quando Deus vem, o texto explica que Adão e Eva o que é que fizeram? Esconderam-se. Ou seja, esconder significa que fugiram da presença, que já não querem mais a relação. Nesse sentido, já percebeu perfeitamente a ligação, eles se tornaram iguais aos outros. Porque os outros animais também não vão à procura de Deus, os outros seres não vão para a relação com ele. E o ser humano foi refugiar-se, esconder-se, por vergonha, pelo que seja, porque agora não quer relacionar olhos nos olhos com ele.

Perdeu a santidade. Nós só resgatamos a nossa santidade se voltarmos para Deus, para a presença, para a relação. É aí que nós nos tornamos aquilo que fomos criados para ser. Únicos, exclusivos dele. É isso que Deus nos chama a ser. Porque, justamente quando Adão e Eva estavam perdidos, Deus diz onde estás. E este onde estás, no original, tem este sentido de onde estás na tua relação comigo. Volta à santidade. Exatamente isso. Das coisas mais extraordinárias que nós podemos aprender na Bíblia, se quisermos, É que se nós quisermos descobrir quem é Deus, nós conseguimos descobrir quem é Deus. E se quisermos conhecê-Lo, nós conseguimos conhecê-Lo.

E se quisermos amá-Lo, nós podemos amá-Lo grandemente.

O amor e a transcendência

A Bíblia tem esta característica de nos levar para este patamar de excelência, ou seja, de voltarmos a ser e permanecer como únicos, como estávamos aqui a falar. Não sei se você aí em casa já descobriu qual é a definição bíblica de amor. Não sei se você já pensou nisto, se já andou a pesquisar. Provavelmente, talvez já o fez. Não saia do seu lugar, nós vamos fazer um breve intervalo, porque na segunda parte, entre outras coisas, nós vamos tentar descobrir claramente a definição bíblica do amor. Não perca, é já a seguir. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança.

Voltamos para a segunda parte deste episódio onde nós estamos a tentar descobrir pela Bíblia a forma correta de conhecermos Deus. Já falámos aqui da santidade de Deus, já falámos aqui daquilo que aconteceu no Jardim do Éden e que nos levou a desobedecer claramente às ordens de Deus e a ganharmos o estatuto de pecadores, infelizmente. E na segunda parte, tal como ficou prometido, entre outras perguntas, entre outros comentários, nós iremos tentar descobrir a explicação bíblica do amor. Antes de voltarmos à conversa com os meus três convidados, eu quero dizer que, semanalmente, temos sempre algo para lhe oferecer e desta vez não é diferente. Temos um guia de estudo que, de alguma maneira, pode ajudá-lo na educação dos seus filhos.

O título tem pais preparados, filhos de caráter. Não sei se, por exemplo, já pensou se castigar faz bem? É uma pergunta que este guia de estudo tem para lhe fazer e depois dentro poderá encontrar vários conceitos daquilo que poderá ser a forma de nós educarmos corretamente os nossos filhos. Portanto, já sabe, se não tiver este guia de estudo e quiser descobrir este e outros temas, encontrará nesta revista, que temos o grato privilégio de lhe oferecer, se mandar uma mensagem para o 933 939291. 933-939291. Não ligue. Envie antes uma mensagem para este contacto telefónico e depois do outro lado estará alguém que irá fazer a recepção dessa mensagem e irá enviar gratuitamente para a sua casa aquilo que você pretende, aquele material que você tem necessidade.

Vamos voltar à conversa com os meus três convidados, com a Inês, com o Pedro e também com o Hernani. Hernani, vou começar agora por ti. para nós tentarmos falar aqui um bocadinho daquilo que poderá ser a união, a exclusividade no campo moral de Deus. Mas antes de fazer uma pergunta, eu gostava que nós pudéssemos ir à 1ª Samuel e podermos encontrar em 1ª Samuel, capítulo 2, versículo 2 também, nós podemos ler esta passagem. Não há santo como é o Senhor. porque não há outro além de ti, e rocha nenhuma há como o nosso Deus." Uau! Deus é único, mas vamos ver agora que afirmações sobre esta singularidade de Deus quisermos, seja no seu ser, seja no seu caráter, seja na sua autoridade.

Encontramos aqui um ser único, é verdade. O que é que isto importa na teologia bíblica? Muito bem, Jorge. Aproveitamos um bocadinho daquele que o Pedro já partilhou sobre a exclusividade de Deus, e o texto vai mostrar sobre isso, né? Ele vai dizer por três vezes que não há santo como Deus, não há outro como Deus, e não há rocha como Deus. Ele afirma claramente isso. E nessa busca do conhecimento de Deus, nessa perspectiva humana de conhecer Deus, nós precisamos o deixar levar na direção desse conhecimento. Eu, por exemplo, no contato com a palavra, lembro A carta que Paulo escreveu à igreja em Éfeso, aos Efésios, no capítulo 3. Permitam-me ler esses versos.

Estudámos, ou tivemos, toda uma série de episódios sobre o livro. Exatamente. E aqui no capítulo 3, então, no verso 14 ao 19, nós lemos assim, reparem bem. Por essa causa, Paulo está a dizer, ok? Me põe de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda a família, tanto no céu como sobre a terra. Então, Paulo estava a orar pela igreja de Efésios, ok? Para que, segundo a riqueza da sua glória, vos concedas que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu espírito no homem anterior. E ele continua dizendo, e assim, habite Cristo no vosso coração pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poder descompreender, e aqui que eu queria usar essa parte do texto, com todos os santos, qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que cede todo entendimento para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.

Ora, é exatamente nessa busca de conhecer Deus é que nós vamos compreendendo cada vez mais quem Ele é. Nessa perspectiva de conhecê-lo mais no seu caráter, no seu ser e compreendendo também a sua autoridade. É muito interessante ver que Jesus não nos limita no conhecimento que podemos ter dEle, porque, falando das dimensões que aí mostra, Nós podemos ir até o limite, se houver limite. Se houver limite, para Deus não há. Para Deus, conhecer Deus, e é interessante que a Bíblia também nos dá, falando sobre esse limite de conhecer Deus, o nosso limite, ela nos dá a entender que na nova vida, nessa nova terra que Deus preparou, nós vamos perceber Deus pela eternidade. Quer dizer que aqui nós compreendemos aquilo que Deus nos permite.

nos permite, melhor assim dizendo, aquilo que ele revelou. O restante nós vamos continuar a fazer. Quer dizer que há muita coisa para conhecer sobre Deus. Isso me faz pensar numa frase que eu, quando estudei teologia, eu guardei na minha mente, é colocar-se sempre em causa. na nossa perspectiva humana, a certeza de muita coisa, de saber todas as coisas, é um bocado perigoso, pode nos levar a muitas limitações. E deixar-se sempre nessa perspectiva que a gente pode crescer. Por exemplo, olhando aqui para o texto, nos diz que Deus é santo, não há santo como Ele, não há referência de santidade melhor do que Deus. Então, na comunhão com Ele, no relacionamento com Ele, na busca de refletir a imagem de Deus, como o Pedro partilhou também conosco, Deus é a melhor referência que há.

No nosso crescimento físico, mental, espiritual, nós buscamos referências. Eu olho para o meu pastor, eu olho para aquele amigo ou irmão, eu olho para aquela pessoa que eu percebo já sendo cristã há muito tempo, e nós vamos buscando essas referências, mas a melhor imagem de santidade é Deus. Depois o texto diz que não existe outro ser como Deus. E é interessante, porque nos faz lembrar daquilo que a serpente colocou no princípio da história desse mundo, que foi o pecado. E o texto de Isaías 14, 14 nos dá a informação de que esse ser que usou uma serpente para enganar Eva, na verdade, muito antes disso, ele queria tomar o lugar de Deus, ele queria ser Deus no lugar de Deus.

E quando a Bíblia nos diz que não há outro Deus, é porque não há. O que há são cópias, imitações baratas, ou tentativas de pessoas e de seres se apresentarem como Deus. E a Bíblia nos vai dizer que são seres extremamente poderosos, mas que não são Deus. Deus é muito maior que tudo isso. E, finalmente, o texto nos diz que Ele é a rocha. E aqui, eu talvez queria, com a vossa permissão, fazer menção àquele pedido que Moisés fez uma vez para Deus, em pedir para Deus, Senhor, mostra-me a tua glória. E Deus vai dizer pra ele, mas é isso, eu vou usar as minhas palavras, isso é um pedido complicado, porque se eu me revelar totalmente pra você, você não vai aguentar. Mas olha, vamos fazer o seguinte, você vai se colocar aqui na fenda dessa rocha e eu vou passar, eu vou tapar com a mão e eu vou passar.

Quando eu estiver lá adiante, assim você vai conseguir, eu vou tirar a mão e você vai me ver pelas costas. E o texto está em Êxodo 33 e 74, depois com calma a gente pode ler isso em casa. Mas o que é certo é que Deus faz isso e depois ele vai expressar toda a sua grandeza, a grandeza do seu caráter, a sua misericórdia, o seu poder. Mas é engraçado um detalhe, é que Moisés, pra ver Deus, ele precisou estar escondido aonde? Na rocha. E a rocha Nós lemos agora um bocadinho quem é. É Jesus. É um símbolo de Jesus Cristo. Por isso, então, querendo ou não, mais uma vez, Deus nos leva a perceber a grandeza do seu ser através da pessoa de Jesus Cristo. Ele é a rocha. Ele é o único que consegue nos proteger do mal que o pecado fez em nós e, ao mesmo tempo, nos impulsionar para a beleza do seu caráter e para a grandiosidade do seu ser.

A definição bíblica do amor

E perante esta grandiosidade de Deus, perante esta magnificência de Deus, há um promenor, há uma característica bastante particular, vamos dizer assim, e que nós até usamos muito. É um termo que nós vamos usando muito na relação uns com os outros, que é o amor. E por isso chegou a hora de nós podermos tentar encontrar na Bíblia a definição de amor e, no fundo, a sua base cristológica. Eu gostava, antes de passar a palavra para que a Inês comente, vamos dar a oportunidade às senhoras de poder comentar esta perspectiva do amor. Em 1ª de João, no capítulo 4, quando vamos quase no final da Bíblia, a 1ª de João, capítulo 4, para lermos do versículo 7 ao versículo 10, diz o seguinte, Amados, amem-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus.

E qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para connosco, que Deus enviou o seu Filho Unigénito ao mundo, para que por ele vivamos. Nisto está o amor. não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós e enviou o seu Filho para a propiciação pelos nossos pecados. Inês, como é que este texto pode definir este conceito de amor que nós tanto gostamos de falar e até de ter, de modo objectivo, e não apenas um sentimento? E, ao mesmo tempo, qual é o centro teológico que nós podemos encontrar nesta passagem que acabámos de ler em toda a Bíblia?

É verdade. O amor está por todo lado, não é? Bom, em português de Portugal nós não dizemos... Eu amo batatas fritas, habitualmente, não é? Mas se vamos para o inglês, é a palavra que é usada para tudo. Para as batatas, para a mulher, para o marido, para a namorada... Para o carro. Para o carro, para o chão novo da casa. E é uma palavra banal, não é? Que se torna banal e que ficamos sem perceber então o que é que isto significa realmente. E quando vemos este texto, bom, se formos ao grego, em grego há algumas palavras diferentes para exprimir o amor. Mas esta aqui é uma palavra especial porque é a palavra agape.

E nós vamos encontrar no texto esta palavra sempre, sempre, sempre. É uma palavra que fala exclusivamente deste amor de Deus, que é um amor especial, é um amor diferente, é um amor altruísta e que não é um sentimento, é uma escolha. O texto vai nos definir, não é? Ele diz que Deus é amor. Logo, aquele que não ama não conhece a Deus porque Deus é amor. Nós percebemos que o amor é a essência de Deus. Vamos usar só um outro texto para compreender melhor como é que este amor se poderia declinar. Em 1 Coríntios 13, E no versículo 4 diz que o amor é paciente, é benigno.

O amor não arda em ciúmes, não se chufana, não se ensobrebece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressenta do mal, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. E o amor jamais acaba. Aqui neste texto nós podemos ver estas declinações do amor e percebemos que não é um sentimento, porque um sentimento é algo que vem, que vai, que não é constante, não é estável, mas este amor vai muito mais além então do que um sentimento. Fala-nos de paciência, de pensar no outro antes de nós, de não suspeitarmos o mal do outro.

Mas tudo sofre, tudo crê, tudo espera, é uma perseverança. Isto é um amor que nós não conhecemos na nossa humanidade. Humanamente falando, nós não o temos, nunca o poderemos ter. Este amor que está aqui descrito é um dom supremo de Deus. Porque é o caráter dele, é quem ele é, é assim que ele se relaciona connosco, é assim que ele nos vê. Estes são os óculos. com os quais Deus nos vê. Ele suporta tudo, Ele sacrifica-se, Ele ama-nos ao infinito, Ele quer o nosso bem, Ele é paciente connosco. Este é quem Deus é. Então, quando o texto nos pede deste lado, porque é o convite de João, amemos uns aos outros, porque Deus, porque o amor é de Deus, ao já estarmos nesta relação com Deus, já vimos, já percebemos que não há ninguém como Ele.

E nesta Terra não há ninguém como Ele, obviamente. E que Deus não tem simplesmente um sentimento para connosco. de gostar muito, não é só um sentimento carinhoso, é algo visceral, é como este amor, é um amor paterno, sim, ou como uma mãe, também, que a Bíblia vai descrever o amor de Deus como o amor de uma mãe pelos seus filhos. É visceral. Nós amamos com toda a nossa alma e faz parte de nós. Os nossos filhos fazem parte de nós. Nós fazemos parte de Deus no seu coração. Então, isto é algo muito profundo. E este texto quer nos mostrar que não é só um sentimento.

E porquê? Porque Cristo, que é aqui o centro teológico, vamos dizer, deste texto, foi enviado, Deus enviou o seu filho unigénito ao mundo para que por ele vivamos. Nisto está o amor. pois diz não em que nós tínhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou a nós e enviou o seu Filho para propiciação pelos nossos pecados. É um amor que exigiu um sacrifício grande, porque Cristo, que é Deus, saiu do seu trono de graça, porque nos ama, porque tinha um projeto para nós, porque estava disposto a dar tudo. Por nós, seres humanos tão pequeninos, ele escolheu esta escolha, esta decisão que ele tomou de nos amar, de nos salvar.

É isto que também resume este amor. O amor de Deus foi revelado. de maneira concreta nesta encarnação e na missão redentora de Cristo. Não é um conceito abstrato, mas é um ato concreto e que tem consequências eternas para a nossa vida, não é? Se aceitarmos este amor, se decidirmos alinhar a nossa vida com a vida que Deus tem para nós. Então, Jesus não só iluminou a separação que o pecado nos trouxe, entre nós e Deus, não é? Podemos ver isso em Ezías 59, 1 e 2. Mas Jesus viveu para nos mostrar o caráter perfeito do amor de Deus.

E o objetivo de Deus é trair-nos para Ele, para nos salvar. Então, eu pessoalmente, quando eu olho para estas definições do amor, que percebo quem Deus é verdadeiramente, tudo aquilo que Ele fez por mim, e faz a cada dia. Eu falo de mim, Inês, pessoalmente. O meu coração enche-se somente de gratidão e de louvores, porque eu nunca vou compreender este amor restaurador que eu não mereço, que é tão cheio de graça e é tão diferente de qualquer outro amor que nós poderíamos cruzar nesta Terra. Então, cada vez que eu olho para Deus, eu fico em admiração pelo amor que Deus tem por nós.

E vai ser sempre o tema da Bíblia que vai mais tocar a minha alma, por isso vocês poderiam ver que eu poderia continuar a falar do amor de Deus até ao fim. Eu conheci uma pessoa, Inês, que é uma pessoa quem eu amo, tem um carinho muito especial, e numa vez, numa expressão dessa, em conversa com ela, disse assim, eu não consigo compreender o porquê que Deus me ama. E ela me disse uma frase muito sábia, ela me disse assim, nós não conseguimos compreender o porquê que Deus nos ama, mas nós podemos aceitar esse amor. E esse é o retorno da nossa ação em relação a esse amor. É aceitá-lo, é a nossa ação. Não compreendendo, talvez permita nós dizermos que há um termo que nós podemos

Criação e intimidade divina

usar para Deus, que é Deus é transcendente, ou seja, está muito acima de nós. Mas é curioso também que a Bíblia mostra-nos que Deus, apesar de estar muito acima de nós, Ele está próximo de nós. E eu gostava que nós... Sim, diz disto. Ele quer que, à medida que nós aprendemos a conhecê-Lo, vamos também viver este amor. E apesar de não o compreendermos completamente, porque ele nunca se esgota, este amor de Deus, vamos começar a ver os outros também através deste olhar do amor de Deus. Então, de alguma maneira, começamos a compreender pequenas coisas que Deus vai revelando. Nesta perspectiva do amor e da transcendência de Deus, eu gostava que nós pudéssemos voltar a Génesis, ao primeiro livro da Bíblia, e também ao primeiro capítulo e ao primeiro versículo.

Génesis capítulo 1, versículo 1, nós vamos encontrar aqui uma frase muito interessante, ela é pequenina. No princípio criou Deus os céus e a terra. Começa aqui todas as coisas no planeta Terra, no que diz respeito à vida. E depois, quando vamos ao capítulo 2, versículo 7, nós vamos encontrar aqui especificamente a forma como Deus nos criou e formou o Senhor Deus, o Homem do pó da Terra, soprou em seus narizes o fogo da vida e o homem foi feito alma vivente." Vemos aqui, numa primeira fase, a criação da vida na Terra na sua generalidade e depois, de forma específica, em relação ao homem. Pedro, Que contraste teológico nós podemos ver nestes dois textos entre aquilo que é a transcendência de Deus, a grande superioridade que Deus tem em relação a nós como Criador, mas ao mesmo tempo a sua proximidade a nós pecadores, como dizia a Inês há pouco, que não merecemos ao nos ter criados como seres humanos.

Este contraste, na verdade, é uma maravilha do relato bíblico que está muito bem descrito no Génesis, nestes primeiros capítulos. Primeiro, Génesis 1, quando diz que Deus, no princípio, criou os céus e a terra, é uma expressão muito profunda que nos revela um Deus que está não apenas fora, mas acima do tempo e do espaço. Estes dois grandes vetores, que nós sabemos que são fisicamente a essência de tudo o que existe, e que as grandes forças físicas convergem nessa dupla dimensão, tempo e espaço, Deus é transcendente porque Ele está fora desses elementos.

Por isso, o princípio aqui é o elemento de tempo. Nós dizemos no princípio, mas não conseguimos meter uma data nisto. porque é um princípio fora do tempo que nós, seres humanos, conseguimos contabilizar. Por isso, Ele, no princípio, seja o que isso for, criou os céus e a Terra, ou seja, fez aparecer as coisas que existem e que são visíveis, o espaço. O que quer dizer, portanto, o correlário lógico é que Deus já estava e já existia antes do princípio, E antes de haver céu e terra, haver espaço. Por isso é que esta declaração tão simples, tão bela e tão profunda já nos revela que Deus é o mistério de uma existência antes de qualquer existência por nós poder ser medida.

Onde é que entra, então, o tal contraste que falavas? É que o relato depois da criação mostra que é o ser humano, e voltamos ao tema que há pouco eu próprio já explorava, da distinção do ser humano na criação, é que se o resto da criação foi criado através da palavra, aquele poder criador, aquela ideia de que a palavra de Deus não volta para ele sem efeito, como diz o profeta, significa que no momento em que Deus diz a coisa que é dita já é, Mas, no caso do ser humano, o que é que o relato nos diz? Que Deus veio, que pegou no pó da terra, que formou o ser, aquele ser, e depois superou nele. o que obviamente é um relato que revela intimidade, proximidade, o uso do que nós diríamos à escala humana, o uso das mãos, não podemos dizer que ele usou mãos, ele não é um ser físico para ter mãos, mas na imagem que podemos ver é como se ele pegasse naquele pó e suprasse nele.

E nós vemos esse mistério do transcendente a tocar o que é eminente, o que é físico, o que é concreto, Então nós vemos aqui precisamente essa beleza. O relato da criação do ser humano, nós cremos profundamente que o relato é literal, porque não temos razão nenhuma para crer de outra maneira, o que significa que este relato não é metafórico, Aliás, eu digo isto porque existem muitos, até pessoas crentes, crentes em Deus, vá, mas que olham para a Bíblia e sobretudo o relato dos Génitos como uma metáfora da criação, um relato para ilustrar a criação, não sendo real. Por isso eu digo, o relato não é metafórico, mas é totalmente pedagógico.

O que é que eu quero dizer com isto? Que Deus não precisava de ter criado assim. Foi uma escolha. A pedagogia é o sentido de fazer alguma coisa, de maneira a que ela encerre uma lição. A pedagogia é esse ato de ensinar, normalmente a criança, porque etimologicamente pedagogia é para a criança, mas nós utilizamos o termo para o ser humano, o que é pedagógico é o que pretende ensinar alguma coisa. E Deus criou assim para ensinar, porque Deus não precisava ter pegado no pó da terra, não precisava do barro para nada, não precisava do ato de superar como se fosse necessário um ritual, porque como Deus é transcendente e misteriosamente todo-poderoso, Deus podia ter só dito agora que surja um ser com estas características. Ele até podia só pensá-lo.

Mas o facto de Deus veio e mexeu é como se for... Agora, para fazer aponto, é o amor de Deus agiu. Então Deus teve que quase fisicamente agir para demonstrar que ele quis que este ser fosse feito para a relação com ele, mais uma vez. É a pedagogia do amor de Deus. Nós somos o alvo prioritário, único e íntimo do cuidado de Deus. Ele quis criar-nos no seu colo, no seu regaço. E cada vez que nós respiramos, Nós, sem uma palavra, estamos a afirmar que Deus é o Senhor e o Criador de todas as da existência de Deus e da...

Ele existe no nosso sopro, claro. Por isso é que ela é o Deus Yahvé, que literalmente quer dizer o Deus que sopra, ou o Deus que respira.

Encerramento

Com bom seria se o relógio parasse. Tínhamos muito mais coisas para dizer sobre a forma como podemos conhecer Deus, mas o nosso tempo terminou. Quero-vos agradecer grandemente a oportunidade de estarem comigo aqui no Bíblia Aberta. Havemos de voltar, se Deus quiser, para si que está aí em casa. Eu acredito que também foi com pena que vê o programa terminar, mas tem mesmo que ser para a semana, estamos de volta. Mas antes de nos irmos embora, tenho mais uma vez a oportunidade de lhe lançar o desafio. Se ainda não tem esta revista ou este guia de estudo, que tem por título Pais Preparados, Filhos de Caráter, é este o tema principal desta revista, onde vai encontrar vários temas bastante interessantes para reflexão, então poderá solicitar esta mesma revista, este guia de estudo, para o nosso número de WhatsApp, que é o 933-939291.

933-939291. Não ligue, envie uma mensagem, para que depois essa mensagem seja tratada por alguém do outro lado e que enviará gratuitamente para a sua casa. Já sabe que da nossa parte é sempre muito bom podermos estar consigo. Terminamos por aqui esta semana, mas não se esqueça. Na próxima semana, neste mesmo horário, nesta mesma estação de TV ou de rádio, nós estaremos cá para lhe fazer companhia e para abrirmos a Bíblia consigo. Até lá. Boa semana.

Sobre este episódio

Neste episódio, somos desafiados a refletir sobre uma das questões mais profundas da vida cristã, o que significa realmente conhecer Deus. Através da Bíblia, descobrimos que este conhecimento vai muito além de ideias ou conceitos, é uma experiência viva, transformadora e pessoal.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 6 · Episódio 2
Estreou
04 de Abril de 2026
Categoria
Espiritualidade