Olá, seja muito bem-vindo a mais um episódio do programa A Bíblia Aberta aqui no canal da Esperança. E o canal da Esperança é precisamente a TV Novo Tempo Portugal, onde você poderá sintonizar-se através do canal 186 da MEU e poderá estar connosco e acompanhar toda a programação diária. Também poderá escutar-nos através da Rádio RCS, para a Grande Lisboa, e se não tiver nenhuma destas ferramentas à mão, poderá ir ao YouTube procurar pela TV Novo Tempo Portugal e encontrará todos estes episódios do Bíblia Aberta, bem como toda a programação. que este canal tem para lhe oferecer. Semanalmente nós passamos por aqui com o objetivo de abrirmos a Palavra de Deus, de abrirmos a Bíblia e podermos escrutinar, podermos retirar as grandes verdades que nos fazem muita falta para o nosso dia-a-dia, mas também para o nosso percurso até à eternidade.
Semanalmente eu tenho comigo sempre três, eu vou dizer, companheiros, três amigos, Três colegas, se quisermos, que me veem ajudar para nós podermos encontrar o que de mais importante nós temos no tema a estudar. E hoje, para não variar, vou ter o Pedro Esteves. Olá, Pedro. Sejas bem-vindo. Voltamos a repetir uma equipa. Não sei se foi uma equipa em outros tempos que estiveram os dois juntos, mas já passaram por aqui. A Raquel, que volta a estar connosco. Olá, Raquel. Obrigado. E por fim o Isaac. Olá Isaac. Saudação a todos. Obrigado por teres voltado a estar connosco e por aceitares este repto.
Muito bem, nós vamos aproveitar todo o tempo que temos para tentarmos encontrar o que de mais importante este tema que preparamos possa trazer para si e para nós. E o tema que nós temos hoje é um tema muito interessante, que é como estudar a Bíblia. Nada melhor do que num programa como este, que fala da Bíblia aberta. Eu acredito que este tema não seja muito difícil para si, que tem por hábito estudar a Bíblia, mas é sempre importante e necessário nós podermos encontrar, mais não seja no testemunho que nós podemos dar, encontrarmos as coisas que nos apelam e que nos levam para a Palavra de Deus. E nada melhor do que nós começarmos por ver a eficácia da Palavra de Deus na nossa vida, no momento em que nós estudamos este livro tão especial para todos nós.
E para isso, eu convido a si, que está aí em casa e também todos aqui dentro do estúdio, a podermos abrir a nossa Bíblia em Isaías, capítulo 55, Porque nesta passagem nós vamos encontrar aqui este princípio da eficácia da Palavra de Deus. Capítulo 55 diz a Ias, se lermos o versículo 11, nós podemos ler estas palavras. Assim será a palavra que sair da minha boca. Ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei.
Pedro, a Bíblia ela própria afirma que é a palavra de Deus, indiscutivelmente, e que atua de forma extremamente eficaz. A pergunta que eu te quero fazer é esta. Que implicações teológicas, e vamos por aqui, pode ter este facto, independentemente da resposta humana, que nós possamos dar? Sim, o facto de que Deus é soberano precisa de sempre ser analisado e considerado. Embora às vezes isso pareça ser um pouco Não digo duro, mas é um facto que está diante de nós como uma verdade inamovível. É, por um lado, isso que este texto diz. Por isso, aqui na minha resposta, gostaria de analisar, em certo sentido, o que este texto diz e o que ele não diz, que também é importante.
Porque pode dar aqui a ideia de que Deus faz a sua vontade como quer, quando lhe apetece, e que nós vamos ter que, como diz o povo, temos que comer e calar. Não nos respeita. Como se não nos respeitasse de todo. Portanto, o texto não diz isso, Mas diz outra coisa. Então as duas coisas, vamos começar por aí. A primeira ideia chave deste texto é de que a soberania de Deus manifesta-se em todas as coisas. Quando Deus fala, A sua capacidade de ter autoridade manifesta-se. É uma das primeiras, se é que não é mesmo, a primeira evidência bíblica, por isso aqui a tua pergunta ia neste sentido mais teológico, que é uma observação um pouco mais abrangente, nós sabemos que o relato da criação nos coloca diante desta magnífica verdade que quando Deus fala, as coisas acontecem.
Ou seja, a palavra de Deus é um agente de poder. É como se fosse equivalente Deus dizer a Deus fazer. Não são duas realidades separadas. E há aqui, portanto, uma dimensão teológica muito interessante, mesmo na nossa compreensão de Deus, que é isso que é a teologia, não é? É a busca por compreender a essência de Deus. Aliás, quando vamos a Génesis capítulo 1 e capítulo 2, vemos lá que pela palavra o Senhor criou praticamente todas as coisas. Ou seja, Ele disse e as coisas apareceram. Enquanto nós, seres humanos, vivemos uma realidade, na verdade, muitas vezes oposta a esta. Ou seja, há uma distinção enorme entre o que nós dizemos e o que nós fazemos. O que não deveria acontecer, mas com muita frequência é isto. E não digo só porque somos fracos e fazemos, por exemplo, promessas e depois não as cumprimos.
Não é só isso, é que as nossas palavras não têm poder. Eu posso dizer, por exemplo, desejo muito que isto aconteça, só que eu sei que o meu desejo não é equivalente à coisa, à ação. Embora as palavras tenham poder, também costumamos dizer, claro que sim, por isso é que as coisas que dizemos são muito relevantes. Isto não retira o facto de que a palavra é sempre algo de poderoso, por isso nós sabemos que as nossas palavras podem, por exemplo, ferir, destruir alguém, machucar, traumatizar, mas as nossas palavras também podem elevar, encorajar, certo? Mas, nessa perspectiva que estás a falar, não nos podemos esquecer de Tiago capítulo 3, não é? Isso. Que diz que a língua é... A língua é um fogo, não é?
Exatamente. Ou seja, ela pode destruir muito ou construir muito. Quer dizer que até à nossa escala humana, as nossas palavras, elas fazem coisas, agem. Mas nós sabemos também que muitas vezes, apesar das nossas palavras, as coisas não acontecem. Ao contrário de Deus. Porque a sua palavra é equivalente à sua ação. Porquê? Porque Deus não tem nenhuma barreira que impeça. Portanto, aquilo que Deus deseja, isto é aplicar uma expressão humana a Deus, mas vamos dizer assim, as intenções de Deus, quando Ele diz, elas acontecem. É nesse sentido, agora voltando ao texto, que um texto que diz que a palavra que sair da minha boca não voltará para mim vazia, mas fará aquilo que me apraz, mais uma vez uma expressão que pode parecer uma ideia de...
um controlo, exatamente, eu quero isto, vai acontecer. Não podemos nunca esquecer esta ideia, eu aqui tenho falado muitas vezes sobre o altruísmo radical de Deus, que é tudo que apraz a Deus é bom. Porque Deus é intrinsecamente bom, Deus só quer o bem. Quando falamos do universo, das criaturas, de tudo. Por isso, a ideia de que a Deus apraz-lhe uma coisa qualquer, uma intenção, um desejo. Nós já sabemos uma coisa, aquilo é bom. É essa, aliás, a ideia que está por trás do adjetivo benigno, que é um adjetivo que a Bíblia... Nós não utilizamos muito na nossa linguagem, no dia-a-dia. No dia-a-dia dizer, ah, és uma pessoa muito benigna. Não dizemos isso. Nós até utilizamos a expressão benigno um pouco mais no campo, por exemplo, da saúde, por antónimo ao que é maligno.
E nesse sentido, quando nós temos, por exemplo, uma doença e sabemos que ela é benigna, aquilo é um alívio enorme. Porque se for maligna, já a coisa vai ser muito complicada. O que mostra que há uma diferença enorme entre ser maligno e ser benigno. A ideia de que Deus é benigno é de que tudo o que Ele faz e o que Ele diz são para o bem. É bom. Vai produzir o bem. Nesse sentido, quando o texto diz que Deus faz o que lhe apraz, não é a expressão de um Deus maquiavélico que faz o que lhe apetece, é que as coisas que Deus quer e diz são boas e operam. O que está em causa, portanto, é o quê? A soberania divina. Há um salmo, o salmo 33, que é uma expressão muito interessante, que diz que os intentos do coração de Deus são de geração em geração e permanecem para sempre.
Quer dizer, as coisas que Deus deseja, elas vão acontecer. Curiosamente, na Bíblia, na relação entre Deus e o seu povo, com os patriarcas, em tantos momentos, normalmente esta expressão acontece através de promessas. Os intentos do coração são de geração em geração, é a mesma coisa que dizer, quando Deus promete uma coisa, ela vai acontecer, ela vai se cumprir. Um pouco, para ficar mais claro o que eu quero dizer, é como Deus dizer a Abrão, Tu vais ser o pai de uma grande nação, a tua geração, os teus filhos serão como as estrelas do céu e serão uma benção em toda a Terra, embora aquilo a certa altura parecia que nunca mais tinha de cumprir, mas veio a cumprir-se. Ou seja, as promessas de Deus, nesse sentido, é que a sua palavra acontece, não volta sem efeito.
Quando ele promete uma coisa, quando ele diz a alguém, vou cuidar de ti, Quando ele chamava um profeta ou até um líder entre o povo para libertar, para proteger o povo e dizia, vai em frente, não te preocupes, eu estarei contigo, não temas. O que Deus estava a dizer é, eu vou estar ao teu lado, vou-te proteger. Por isso, esta é a primeira linha do que quer dizer esta expressão. Portanto, não é uma expressão de apenas a autoridade arbitrária de Deus. É esta ideia de que quando Ele fala, as coisas que Ele promete, as coisas que Ele diz que vai fazer, Ele vai mesmo fazer. Agora, há aqui a segunda dimensão, para terminar. É evidente que estas palavras não são uma ameaça de que Deus vai fazer em nós, ou na nossa vida, o que Ele quer, independentemente da nossa vontade.
Como é que sabemos que não é uma ameaça? Porque nós, todos os versículos, todos os textos da Bíblia, nós lemos-los em coerência com o resto do conhecimento bíblico. Ora, o conhecimento bíblico todo o que nos diz precisamente é que Deus nos criou com absoluta liberdade e desde o início, podemos ir lá ao Génesis e já sabemos que lá, tantas vezes falamos aqui sobre isso, lá estavam as sementes da liberdade, do livre arbítrio. Deus criou, aliás, desde o início as condições materiais, concretas, para que o ser humano pudesse escolher. E nós, ao longo de toda a nossa vida, toda a história da humanidade, o que nós vemos é isto constantemente. Logo, o que é que significa Esta ideia de que Deus diz que a minha palavra não volta sem produzir o seu efeito quando pensamos na nossa vida. Em vez disto ser uma ameaça, o que Deus está a dizer é um desafio a que nós reconheçamos que a vontade de Deus é melhor do que a nossa.
Por isso, quando Deus fala, quando Deus pede, mesmo quando Deus exige, que é no sentido de quando Ele dá uma lei, quando Ele dá uma ordem, e Deus também dá, claro, mal seria que Deus te inibisse de dizer vai por aqui, é este o caminho. O que Deus está a expressar é o seu amor e o seu cuidado na forma de uma ordem, porque as ordens protegem. As ordens, quando vêm de alguém que é bom e que tem interesse genuíno no outro, são protetoras. Tal como se eu der uma ordem aos meus filhos, essa ordem é protetora. E se for, por exemplo, uma situação de emergência, que vai acontecer um acidente, normalmente a nossa voz eleva. Sai! Corre! Essa ordem muito diretiva é quando nós sabemos que a única forma de os proteger rapidamente é ser mais incisivo.
É muito interessante a ideia que estás a dar, por exemplo, na perspectiva de Deus. As dez ordens que ele dá, em Êxodo capítulo 20, são para proteção nossa. Claro, aquelas ordens são proteção. Quem não fizer aquilo não é só diante de Deus. Quem não fizer aquilo a sua vida vai ter problemas. Por isso Deus também fala com ordem. Mas isto nunca retira o quê? Que Deus nos respeita absolutamente. O apóstolo Paulo, em 2 Coríntios 2, dizia que nós somos, para com Deus, diferentes. E ele diz que uns cheiro de morte para morte e outros cheiro de vida para vida. quer dizer que Deus vai respeitar as nossas escolhas e decisões, mesmo quando são contrárias ao que Ele pede. E agora dizemos, então a palavra dEle não se manifestou. Como é que este versículo se cumpre?
Manifestou. Porque nós fazemos a nossa escolha, mas o resultado e a consequência, mesmo que não sejam naquele momento, vão se manifestar. O que quer dizer que a palavra de Deus vai sempre cumprir-se. quer seja num momento, quer seja mais tarde. E é muito interessante ver que neste versículo mesmo Deus diz a minha palavra que sair da minha boca ela depois tem um efeito muito positivo, prosperará
naquele a quem eu a enviar. E ainda há pouco tu falavas da soberania de Deus e nós estamos aqui a estudar a Bíblia ou vamos ver aspectos muito interessantes para o estudo eficaz e diário da Bíblia, há um pedido, talvez este mais prático, se quisermos, de uma vontade que Deus tem para connosco, que é de nós permanecermos em Cristo, neste ser que veio habitar entre nós, que nós conhecemos bem a história e que sabemos o que Ele fez por nós. Se formos a São João, capítulo 15, eu gostava de vos lançar o desafio de podermos agora abrir em São João, capítulo 15, para lermos aqui dois versículos, o versículo 4 e o versículo 5. E quando lemos esta passagem diz claramente isto, permanecei em mim e eu permanecerei em vós, como o ramo não pode dar fruto de si mesmo se não permanecer na videira, assim também vós, se não permaneceres em mim, Eu sou a videira, vós sois as varas, quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer.
E eu gosto muito do princípio que é colocado aqui por João, no fundo do próprio Jesus, permanecei em mim, ou seja, a perspectiva de que nós temos que dar este passo para que o Senhor Deus possa fazer o resto. Raquel, de que forma é que nós podemos ver este ensino de Jesus? De que forma é que este ensino pode redefinir o nosso estudo da Bíblia? porque estamos a falar do estudo da Bíblia, não como uma mera aquisição de conhecimento que possamos tentar ter para podermos saber o que é que está escrito na Bíblia, mas, acima de tudo, como uma expressão de comunhão vital e indispensável para com Cristo. Bom, eu acho que a primeira coisa que podemos analisar neste versículo é a repetição da palavra permanecer, nas suas variadas formas.
Permanecei, permanecerei, não é? São cinco vezes, pode variar nas traduções, mas basicamente aqui são cinco vezes que Jesus salienta esta palavra, permanecer. Então isto implica que esta Esta leitura da Bíblia tem que resultar numa relação viva entre mim e Deus, entre aquele que lê e o autor da Bíblia. Não pode ser apenas uma crença intelectual. Implica continuidade, implica compromisso da nossa parte, implica escolha, e esta não pode ser uma escolha pontual, que eu faço de vez em quando, ou quando me apraxo, ou quando a vida me corre bem, ou então quando me corre mal. Tem que ser um estilo de vida. uma escolha diária, acontece o que acontecer, sinta-me eu como sentir.
Implica também que eu forme com o autor da Bíblia, com Deus, uma relação de confiança, de intimidade, não é? Que é isto que acontece quando nós nos conhecemos uns aos outros, não é? E aprendemos a depender de Deus, porque quanto mais o conhecemos, mais desejamos fazer a sua vontade. Portanto, não é só acreditar que Deus existe, mas é eu construir esta ligação, este relacionamento genuíno com ele. E depois o versículo também diz uma coisa muito interessante, que é o ramo, que somos nós, se não estiver ligado à videira, não vai produzir fruto. Esta é a ideia que Jesus diz aqui. Então nós também só devemos dar fruto, e Gálatas 5.22 fala do fruto do Espírito, Fala daqueles atributos todos que o cristão, em comunhão com Cristo, pode exibir e evidenciar na sua vida.
O amor, a paciência, a paz, a longanimidade, etc. Então, este fruto não vai aparecer na base da minha força, na base do meu esforço. Vai aparecer sim, porque à medida que eu vou contemplando a Cristo, à medida que eu vou contemplando Deus, na leitura da Bíblia, Ele vai tendo esta ação em mim, Ele vai tendo este poder de transformação no meu caráter. E depois vamos à parte difícil, que é eu, enquanto ramo, aceitar ser podado. A parábola de Jesus diz que o pai é o agricultor. E o agricultor, muitas das vezes, para fazer com que a árvore dê mais fruto, para que os ramos produzam mais broto, os mais rebentos, ele vai ter que podar, ele vai ter que cortar, ele vai ter que cuidar. E isto implica, em termos práticos na nossa vida, que muitas das vezes vamos ser corrigidos.
Quando lemos a Bíblia, vamos sentir a correção de Deus. Vamos passar por este processo de renúncia a coisas que nós se calhar gostamos de fazer ou que somos, mas que não agrada a Deus. E então há este crescimento. Ler a Bíblia implica crescimento da nossa parte. Para finalizar, apesar das várias fases que nós possamos ter na nossa vida, e já disse um bocadinho isto no início, permanecer em Cristo é alimentar esta conexão diariamente, não é? É estarmos abertos à transformação quando lemos a Bíblia e não estarmos simplesmente a ler um texto para adquirirmos conhecimento. Eu até sei que tu és uma pessoa que gostas muito de ler, não é? Exatamente. Passas, digamos que, parte do teu tempo nas leituras.
Deixa-me fazer só esta pergunta. Como é que tu vês a leitura de um livro que pode ser uma história fantástica e, por exemplo, a leitura da própria Bíblia? Há uma diferença? Apesar de qualquer leitura produzir um efeito em nós, daí que nós devemos ter cuidado em relação àquilo que contemplamos e que lemos, há sempre uma influência. A Bíblia é diferente, porque o autor procura esta conexão. Ler a Bíblia é conhecer a Deus. Talvez lendo um livro possamos conhecer um pouco sobre o seu autor, mas a Bíblia fala-nos de coisas reais, de pessoas reais, e aponta para Cristo. Mais nenhum livro faz isso. Portanto, é completamente diferente. A Bíblia aponta-nos para Cristo e nós temos uma ferramenta, digamos assim, da qual nós podemos usar permanentemente ao lado da nossa Bíblia, ao lado da leitura da Bíblia, que é precisamente a oração.
Que é uma condição, eu diria, fundamental, se quisermos, para nós podermos compreender as Escrituras. Porque, lá está, Deus dá-nos um livro fantástico, mas nós precisamos de o compreender. E para o compreender, nada melhor do que usarmos esta condição fundamental.
Antes de eu fazer uma pergunta direta ao Isaac, eu gostava de vos convidar a vocês, e mesmo assim que está aí em casa, podermos abrir agora a nossa Bíblia em primeira de Crónicas. É um livro do Velho Estamento, é um livro relativamente fácil de lá chegar, está quase no início da Bíblia. Primeiro de Crónicas, no capítulo 16, vamos encontrar o versículo 11, que é um versículo pequenino, mas que tem uma mensagem extraordinária. Veja. Primeiro de Crónicas, capítulo 16, versículo 11, diz... Buscai a sua face continuamente. E aqui a grande pergunta é como é que eu posso buscar a força e a face de Jesus continuamente. Por isso é que, Isaac, porquê que a Bíblia de alguma forma apresenta, eu vou dizer, a oração como uma condição indispensável para todo aquele que quer conhecer Deus, para todo aquele que quer fazer um estudo bíblico?
para todo aquele que quer ter um contato, digamos, relacional com a Bíblia. O que é que a oração pode acrescentar à Bíblia? Alguém disse que falar é uma necessidade. Ouvir é uma arte. Pense nos relacionamentos. Imagina que você só estivesse a falar. Isso seria um tanto enfadonho, nessa interlocução. Por outro lado, imagine que você estivesse só ao ouvir. Depressivo. A verdade é que quando nós visualizamos esse relacionamento com Deus, Deus quer nos falar. E nós precisamos ouvi-lo.
É a arte da audição. Mas nós temos necessidade de falar. E Deus está disposto a ouvir. Quando Deus nos fala, Ele está a falar através do seu livro, das santas escrituras. E essa é a parte interessante. Há pouco, quando eu perguntava à Raquel qual era a diferença entre uma leitura de um livro e da Bíblia, é que o autor ouve-nos, não é? O autor da Bíblia está a ouvir-nos. Sim. Nós falamos a Deus através da oração. Então, ouvimos a Deus através da Bíblia, falamos a Deus através da oração, e aqui nós temos esse binômio em que nós precisamos que ande lado a lado na interlocução com o Pai Celestial. A verdade é que o nosso grande desafio hoje, ser humano, é aprender a depender de Deus.
E, na verdade, nós precisamos fazer desta dependência um hábito. E neste hábito estaremos a ouvi-lo através da Bíblia, estaremos a falar com ele através da oração. Eu fico a pensar que nós, seres humanos, precisamos reconhecer, buscar e fortalecer nossa dependência de Deus, porque pertencemos a Ele em duas dimensões. Falassem-se há pouco de Gênesis 1 e 2, Jorge. Deus nos criou. Interessante que quando criou o homem, criou de matéria já existente, que ele mesmo, pelo poder da sua palavra, havia criado, mas ele colocou a mão na massa. Ele moldou o homem.
Então, pertencemos a Deus porque ele nos criou. Mas, noutra dimensão, pertencemos a Deus também porque ele nos remiu. O homem distanciou-se de Deus, afastou-se, se perdeu, mas a iniciativa da salvação é divina e Deus em Cristo resgata o homem das garras do mal. Então, a nossa dependência de Deus precisa ser real e precisa aperfeiçoar-se. E essa dependência se mostra através da proximidade do relacionamento, através da Bíblia e através da oração. Nós, seres humanos, precisamos exercer uma fé inteligente, um relacionamento inteligente com o Senhor.
E o que seria isso? Porventura estamos a subestimar alguém? Não, estou a falar de mim mesmo e de cada um de nós que cá estamos e daqueles que estão a nos assistir. O que é uma fé, um relacionamento inteligente? É aquela fé, aquele relacionamento que envolve a emoção, mas que parte da razão. Nós ouvimos a voz de Deus através das páginas da Bíblia e sabemos o propósito de Deus para nós. O livro de Eremias, o capítulo 29, versos 11, 12 e 13, não vou ler, apenas vou mencionar, nos diz que Deus é quem conhece os planos que tem para cada um de nós e são pensamentos que ele tem de paz, de amor para nos dar um futuro melhor.
Deus tem algo melhor a cada um de nós. A Bíblia nos diz isto. E também fala no verso 13 que nós devemos buscá-lo e nós vamos encontrá-lo quando fizermos de todo o coração. Então, a Bíblia deve ser nosso guia. A Bíblia deve ser estudada, obedecida e vai nos guiar por caminhos de sucesso, de alegria, de vitória, de salvação. É o que um homem quer, uma pessoa. O homem, no sentido humano, é o que o homem quer. Nós precisamos crescer e Deus nos apresenta uma proposta de crescimento em todas as áreas. É verdade, Jorge, que a Bíblia apresenta a triste condição humana.
mas também apresenta a solução divina. Isso é fantástico! A Bíblia apresenta um homem a separar-se de Deus, a fugir de Deus, mas a Bíblia apresenta Cristo Jesus, a buscar este homem em fujão e a dizer, filho, eu tenho algo melhor para você. A Bíblia apresenta Jesus Cristo em todas as suas páginas. Cada livro da Bíblia apresenta um aspecto de Jesus Cristo, E por fim nos mostra Jesus na cruz a ocupar nosso lugar e isto é amor. Então eu digo e reforço, há necessidade de dependermos de Deus e isto se faz com Bíblia e com oração.
E há uma história no Novo Testamento, leste as crônicas no Antigo Testamento, mas a Bíblia é uma só, toda ela é inspirada, e há uma história no Novo Testamento de uma família, Lázaro, Marta e Maria, e eram muito amigos de Jesus Cristo. Jesus tinha muito prazer em, sempre que ia a Betânia, passar ali algumas horas ou até pernoitar naquela residência de amigos seus. Nós precisamos ser amigos de Jesus também e tê-lo em nossa residência e em nosso coração. Mas a história... E Jesus tinha um gosto enorme em entrar na casa destes três amigos, ou seja, sentia-se bem lá. Estava em casa. Estava em casa. Estava em casa. Exatamente. E veja que ali, num desses momentos em que Jesus foi àquela casa, Maria estava a correr, a preparar coisas.
Marta, Marta. Desculpem-me. Marta. Tá certo? Marta. Na minha idade é normal, né? Tá certo? É, Marta estava a correr, a preparar coisas, tá? E agora, ela reclama porque a sua irmã não está a fazer nada. Ela está aos pés de Cristo, sentada com Cristo, a ouvir as histórias de Cristo, a conversar com Cristo, e ela reclama e Jesus diz, Marta, está tudo bem, estás a trabalhar, isto é digno, né? É maravilhoso. Mas a tua irmã escolheu a melhor parte em estar aqui aos meus pés e a ouvir a minha voz e a falar comigo. Nós precisamos desta dependência, deste relacionamento. E eu gostaria de lembrar algo.
Que a escola, vou começar antes, a natureza nos forma. A escola nos informa, mas a Bíblia nos transforma. E quando nós vamos à Bíblia com oração, nós sentimos este poder transformador a operar em nós. Lá no Brasil, quando eu estive à frente da rádio Novo Tempo, nós tínhamos uma vinheta, né? Muitas vezes durante o dia, e ela dizia assim, você já leu a sua Bíblia hoje? Eu, nós, você já leu a sua Bíblia hoje? A Bíblia é lida e estudada com oração. Existe uma música de um grupo chamado Novo Tom. Ela diz assim que o melhor lugar do mundo é aos pés do Salvador.
É ali onde a esperança traz alívio ao sofredor. Um alento. É ali onde eu me encontro com a fonte do amor. Sabe, Jorge, e cada um de nós? A Bíblia e a oração devem fazer parte da experiência de todos aqueles que amam a Deus e sonham em uma vitória em todas as esferas da vida. Já percebeu que a conversa aqui está mesmo muito boa, porque quando nós falamos de Deus, falamos da Palavra de Deus, falamos da oração como ferramenta de apoio ao estudo da Bíblia, há muita coisa que nós podemos dizer. Mas agora temos mesmo que fazer um curto intervalo. Vamos para o intervalo, mas voltamos a seguir porque há muito mais para dizer
sobre este tema. Não perca, é já a seguir. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Voltamos para a segunda parte do programa A Bíblia Aberta. Estamos a encontrar-se, digamos, razões mais do que suficientes para podermos estudar diariamente a Palavra de Deus. Já vimos a soberania de Deus, a importância de permanecermos em Deus e também a ferramenta que podemos usar para podermos chegar mais perto de Deus, que é a comunicação com o Céu, ao qual nós chamamos oração, a forma de nós podermos falar com o nosso Deus. Vamos ter mais motivos e mais considerações para podermos, de alguma maneira, ter bem presente esta necessidade e esta importância do estudo da Bíblia na nossa vida.
Antes de continuarmos a conversa, nós no programa A Bíblia Aberta temos sempre uma pequena oferta para fazer. Semanalmente trazemos um guia de estudo e eu tenho aqui um guia de estudo muito interessante com o tema Mente Feliz. Este é o tema geral desta revista, deste guia de estudo da Bíblia. É um guia de estudo onde você poderá encontrar, de alguma maneira, ideias para a cura se há alguma ansiedade no seu coração. Talvez uma vida diferente, uma vida mais leve. Ou então, até mesmo quando falamos de depressão, não é algo que nos traga benefícios, pelo contrário, Este guia de estudo, que lhe mostro agora, tem o tema Mente Feliz, poderá ser um bom indicador, poderá ter algumas ideias muito interessantes, todas elas extraídas da Palavra de Deus.
É bom se alentar isto. Este guia é um guia de estudo da Bíblia, onde você poderá encontrar dicas para lutar ou até encontrar resposta para algum familiar seu, algum amigo seu que esteja a passar por uma dificuldade maior. Se desejares este guia de estudo, é fácil, é gratuito, Basta enviar uma mensagem para o 933 939291. 933 939291. E, simpaticamente, alguém que estará do outro lado a receber as mensagens irá dar resposta e irá enviar gratuitamente para a sua casa. Vamos voltar ainda à conversa por mais alguns minutos. Eu estava, de alguma forma, aqui a fazer um briefing daquilo que foi falado, daquilo que nós já dissemos aqui.
Já dissemos bastante, mas ainda há muito mais para dizermos, porque a conversa sobre a Bíblia não se esgota. E eu gostava de lançar um novo versículo bíblico, que está em Marcos, capítulo 1, para lermos agora o versículo 35.
Marcos, no capítulo 1, no primeiro capítulo de Marcos, no versículo 35, diz que levantando-se de manhã muito cedo, estando ainda escuro, saiu e foi para um lugar deserto e ali orava." Nós podemos ver aqui que os princípios sobre disciplina espiritual ou até mesmo da prioridade do estudo da Palavra de Deus podem ser muito bem percebidos no exemplo que Jesus nos deixa e a Bíblia tem esse exemplo muito destacado. Pedro, no fundo, Como é que nós podemos perceber este devocional de Jesus, que levantando-se de manhã muito cedo, ainda escuro, ele ia para um lugar deserto, para um lugar mais isolado, mais íntimo, se quisermos, e ali falava com o Pai?
Como é que nós podemos encontrar princípios sobre esta disciplina? Sim, de facto aqui encontramos princípios. O tema geral que estamos a debater hoje é um pouco mais a importância da Bíblia e do estudo regular da Bíblia. Não estamos tão fixados aqui em metodologias propriamente ditas, mas mais em trazer consideração e relevância para o quão importante é estudar a Palavra de Deus, alimentar a nossa relação com Ele, permanecer nele, tudo isto que temos visto. O exemplo de Jesus para nós é muito inspirador porque mesmo se a maior parte das vezes que os Evangelhos fazem referência a essa vida devocional de Jesus, normalmente a ênfase está mais na oração. Sejam textos como estes, que são quase textos de passagem.
Ele ia para um sítio e diz-nos que aquela noite passou a noite em oração, ou que se levantou muito cedo. Temos vários momentos em que percebemos que até na passagem das histórias de umas para as outras, É quase como se os evangelistas não conseguiram esconder esse facto de que estão a acompanhar um bocado a rotina de Jesus. É impossível escapar do facto de que ele parava, de que ele ia à parte, de que às vezes o iam chamar. E às vezes passava noites inteiras. Noites inteiras. Obviamente que nesses momentos a ênfase está um pouco mais na oração, mas nós podemos deduzir daqui, sem sequer estar a forçar propriamente, que estamos a falar desta lógica de uma vida devocional, que é uma vida de relação com Deus. E nós sabemos perfeitamente, aí temos também evidências bíblicas, de que Jesus conhecia a palavra.
Basta dizer que Jesus era um mestre, um rabi. Jesus entrou em sinagogas e os rolos eram-lhe dados para ele ler. Nós sabemos a forma como Jesus não é só citava as escrituras, no caso do Antigo Testamento, temos dezenas de citações de Jesus em que ele, nos seus discursos, usa, no fundo, aquilo que nós hoje chamamos de um sermão. Ele pega na palavra, lê, no caso, dilagora, porque não é como nós temos aqui um tabletzinho à nossa frente, ou a Bíblia mesmo, ou até anda no bolso. E, portanto, naquele tempo, sabemos, aliás, essa era a tradição educativa de Israel era, essencialmente, decorar as escrituras. Qualquer miúdo que tivesse tido a formação básica em Israel sabia, à tora, decorar.
Essa que era a base do ensino. Aliás, Jesus, com 12 anos, dá um exemplo extraordinário de alguém que conhecia profundamente a palavra. Conhece a palavra ao ponto de não apenas a conseguir dizer decorar, que esse é o ponto de factidez, mas conseguir debatê-la. E depois por isso nós vemos muitos dos grandes discursos de Cristo são essencialmente ele a comentar, por isso é que é um equivalente ao que nós hoje diríamos um sermão, uma mensagem espiritual, ele baseia-se na palavra, cita a palavra, às vezes diz mesmo os textos e depois comenta-os, atualiza-os, que é uma das coisas que Jesus mais fez com a palavra, é atualizá-la. E aqui se alguém fica a pensar o que é que isto quer dizer, atualizá-la no sentido que aplica à realidade. As parábolas são um bom exemplo disso, não é? São uma atualização permanente, porque ele vai buscar imagens e metáforas da vida concreta.
Muitas vezes ele faz um exercício de hermenêutica, que é um exercício de interpretação das escrituras que destruía completamente a hermenêutica, por exemplo, dos fariseus e dos escribas. Um dos exemplos, para mim, mais extraordinários disso é quando Jesus vai comentar a lei, estou a falar dos 10 mandamentos, e ressignifica totalmente a aplicação dos 10 mandamentos. que à partida diríamos, bom, isto é uma parte da Bíblia tão clara, que não há nada para reinterpretar, nem para ressignificar, e depois vem Jesus e diz, vocês sabem o que é que diz a Escritura, não é? Não o matarás. Mas eu te digo, quando tu chamas ignorante ou estúpido ao teu irmão, estás a matá-lo. Uau! Ou, o que é que diz a lei?
Não adulterarás. Eu porém te digo, em verdade te digo, quando no teu coração intentas e desejas a mulher do outro, já estás a cometer adulterio. É uma reinterpretação de uma ética que ultrapassa o que pareceriam ser os limites do que está escrito. É porque é a tal grande verdade de que onde Deus quer a lei escrita é no coração. Portanto, quando a lei está no coração, a ética em que tu te baseias para aplicar a lei não diminuiu a fasquia, aumentou a fasquia. Por isso é que se há alguma coisa que podemos dizer sobre a maneira como Jesus... Eu já estou aqui a fazer um parênteses no outro caminho, mas eu vou lá chegar. O ponto é que a maneira como Jesus lia e interpretava a Bíblia era sempre no sentido de lhe aumentar o escopo, a dimensão e a aplicação.
não de lhe retirar poder ou influência na vida. Ora, eu fiz este pequeno percurso aqui para dizer o quê? É impensável, mesmo se a Bíblia não nos diz tantas vezes que os discípulos viram Jesus à parta a ler os rolos ou a estudar a Bíblia, não é assim que isso aparece escrito, mas é totalmente impossível Jesus ser este mestre que interpreta, que cita, que conhece as Escrituras sem ser um profundo estudioso das Escrituras. Portanto, nós o que é que fazemos aqui? Pegamos em textos como este, que dizem Jesus levantava-se de manhã muito cedo, ainda escuro, e foi para um lugar deserto orar, e percebemos que o princípio que está aqui por trás da vida devocional de Jesus, qual era? Uma disciplina espiritual.
E a disciplina espiritual exige ser intencional, quer dizer, agora eu vou orar porque preciso de orar, agora eu vou estudar, ler as escrituras porque preciso dessa inspiração. E não é só intenção, é prioridade. percebemos que Jesus reconhecia na sua própria vida aquele princípio que ele próprio ensinou em Mateus 6. Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça. Aliás, Jesus, apesar de ser Deus, e nós não lhe retiramos, não podemos retirar esta condição de Deus, Jesus dependia do Pai, ou seja, ele dependia também de receber de Deus aquilo que nós precisamos, não é? Completamente. A resposta. Resposta, inspiração. Aquele diálogo que há pouco o Isaac aqui falava, de que tu falas e ouves, isso acontece na relação.
Na magia de desejar que isso aconteça. Ora, nós temos muitas evidências, eu posso dar aqui um ou dois exemplos, nas Escrituras, são muito conhecidas coisas como o Salmo 63, que diz, Senhor, tu és uma Deus, de madrugada te buscarei. Obviamente que isto, para mim, nem é tanto a questão de dizer qual é a hora que isto deve acontecer. A ideia da madrugada, essencialmente, é uma ideia de prioridade, que é bem antes das outras coisas. Está no início. Está no início. Ou Isaías 50, que diz, desperta-me todas as manhãs, ó Senhor, desperta-me o ouvido. É interessante que é. Desperta o ouvido é dar-me capacidade de te ouvir, de conseguir escutar-te. E termino com esta nota que o texto aqui ainda situa o lugar.
Além do momento, no dia diz que foi para um lugar deserto. Nós sabemos bem que o lugar deserto aponta aqui para a ideia de que Jesus sentia a necessidade de ir para um lugar que é solitário, que tem uma grande dose de isolamento. Portanto, está longe do ruído ou das distrações. E nós sabemos que a Bíblia aponta-nos muito naquele sentido dessa relação que acontece no silêncio. No fundo, é a ideia de intimidade, a quietar-vos e saber que eu sou Deus. Uma promessa que aparece muitas vezes na Bíblia é esta ideia de que, para reconhecer quem Deus é, precisa estar quieto. Aliás, quando vamos à ideia do Pai Nosso, entra num lugar que seja secreto, digamos assim, e o teu Pai em secreto também te ouve, não é?
Exatamente. No Pai Nosso que estão essas palavras, está ali qual é essa ideia do secreto. Então, nós percebemos que Jesus vai à procura dessa dependência de Deus e da relação com ele. E nós sabemos que a oração e a palavra, se insistimos nessa ideia de todos aqui, são esses grandes instrumentos que Jesus usou. Ora, se Jesus usou isso, imaginem eu. Se eu não usar isso, estou completamente perdido. Raquel, nós vemos aqui que Jesus é um exemplo por excelência, mas acabámos agora só de relembrar que ele não deixava de ter a palavra revelada como uma luz que
era para ele orientadora do seu próprio exercício diário, mas também para todos aqueles que viviam à sua volta. Se formos a Salmos 119, nós vamos encontrar aqui uma passagem subejamente conhecida dos cristãos, daqueles que normalmente leem a Bíblia. No versículo 105 é algo que nós sabemos de cor. Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para o meu caminho. Nós vemos por esta passagem que uma das funções da palavra de Deus é precisamente iluminar todo aquele que procura e que esquadrinha as escrituras. E agora eu pergunto, Raquel, em termos bíblicos, o que é que significa afirmar que a escritura Não apenas nos informa, porque encontramos muita informação na Palavra de Deus, mas ela, sobretudo, orienta as nossas decisões e, obviamente, o nosso viver aqui nesta Terra.
Bom, se partimos do princípio que a Bíblia é inspirada por Deus e aqueles que aqui estamos acreditamos que é, então sabemos que ela nos revela a sua vontade. E a Bíblia, para ser esta Palavra viva, tem que aliar duas coisas. Tem que aliar o conhecimento teórico à prática. E daí este versículo. Tiago, no capítulo 1, também nos diz que nós devemos ser praticantes da palavra e não somente ouvintes. Senão estamos a enganar-nos a nós mesmos. Isto é muito interessante. Ou seja, para ela ser luz no nosso caminho, nós temos que a usar na nossa vida para a orientação em todas as coisas. Paulo dizia isso também a Timóteo, não é? Exatamente, que a palavra serve para nos orientar em todas as coisas na nossa vida.
Se nós não sabemos firmar a nossa fé, explicar a nossa fé, então a Bíblia não faz sentido. Porque ela, nós não podemos explicá-la só para nós, temos que saber explicá-la aos outros também. Ela tem que ser real no nosso dia-a-dia, na forma como nós tomamos as nossas decisões quando nos encontramos encruzilhadas da vida. quer a nível ético, quer no nosso trabalho, quer nos nossos relacionamentos. Há momentos em que nós temos dúvidas e a Bíblia é este livro que tem conselhos para todas as coisas. Em Provérbios diz-nos que nós devemos confiar no Senhor e não nos estribarmos no nosso próprio entendimento. Quando nós queremos controlar todas as situações e ir por aquilo que nós achamos e não consultamos a Deus, sabemos que a partir daí poderão vir consequências erradas na nossa vida.
Então a Bíblia é esta bússola. que nos dá discernimento espiritual, discernimento moral também. Em Hebreus 4, Paulo diz que a palavra de Deus é viva, é eficaz e é capaz de discernir as intenções do coração. Ou seja, ela não nos diz só o que é que nós devemos fazer, mas também nos explica o porquê que devemos fazer. Há um versículo em Timóteo, estavas a falar em Timóteo, em que diz que toda a escritura, isto aqui, diz exatamente aquilo para que ela serve. Toda a escritura é inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, às vezes não gostamos desta parte, para corrigir, para instruir em justiça, a fim do quê?
Que o homem de Deus, e eu aqui acrescento a mulher de Deus, não é? Tenha capacidade e pleno preparo para realizar toda a boa obra. Então a Bíblia molda o tipo de pessoa que nós somos, o tipo de pessoa que Deus deseja que cada um de nós seja. É um guia orientador para a nossa vida. E para isso precisamos de tempo. O Pedro falava aqui do silêncio, de termos um lugar quieto onde possamos estar em comunhão com Deus, sem distrações. E isto é essencial, é eu ter tempo para ler, para meditar, para dar tempo à ação do Espírito Santo, para eu ouvir aquilo que Deus me quer dizer, esta disponibilidade para ouvir a voz de Deus. Acima de tudo, ela aponta para Cristo.
Seja no Velho Testamento, seja no Novo Testamento, ela aponta sempre para a pessoa de Cristo, que é o exemplo máximo, o modelo máximo da nossa vida. Aliás, Jesus a dado momento dizia, vocês procuram nas Escrituras saber a vida eterna, mas elas testificam de menos. Exatamente, é isso mesmo. Então, para concluir, A Bíblia pode, de facto, ser um livro como outro qualquer. Depende da premissa de que eu parto quando a vou ler. Se eu abrir o meu coração à ação do Espírito Santo, eu estou a fazer com que a Bíblia me transforme e me leve a ser mais semelhante a Cristo. E aí ela não vai ser mais um livro. como tantos que nós lemos, mas vai ser o livro, não é, que pode e vai fazer a diferença na nossa vida.
E aí se calhar só vamos extrair aquilo que nos interessa, não é? Quando ela é mais um livro... Exato. Vamos tentar moldá-la à nossa visão e àquilo que nós somos, ao que nos agrada, e não vai surtir em nós este processo de desconstrução do meu eu. E de transformação, como dizia o Isaac há pouco, não é? Muito bem. Ora bem, para além de tudo o que já dissemos, e podíamos passar aqui muito mais tempo, só que o tempo corre e nós temos que olhar sempre ao relógio e controlarmos aqui as nossas emoções ao falarmos da Bíblia, creio que nós podemos ainda associar à Palavra de Deus aquela ideia que toda a Escritura É um instrumento de ensino e tu referiste um pouquinho para o que é que serve a Bíblia, não é, a partir da Timóteo.
E ao mesmo tempo serve de ensino e também de missão, daquilo que nós temos de fazer. Porque a Bíblia não nos deixa só sentados no nosso cadeirão, digamos assim, a perceber quem é Deus e ficamos ali tranquilos e agora sabemos o que é Deus e ficamos por aqui.
Não, a Bíblia tem um aspecto de missão também muito interessante na nossa vida. Vejam se concordam comigo aquilo que está escrito e escolhemos aqui o versículo de Isaías, capítulo 50, versículo 4, para testemunhar um bocadinho que a palavra de Deus é como um instrumento de ensino e de missão. Isaías, capítulo 50, versículo 4, diz que o Senhor me deu a língua dos sábios para que saiba dizer a seu tempo a boa palavra ao que está cansado. E desperta-me todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que ouça como os sábios. E voltamos aqui ao princípio daquele tempo que nós precisamos ter com Deus para que Deus possa despertar o nosso ouvido a ouvirmos aquilo que nós podemos dizer aos sábios. Isaac, como é que este texto, e escolhemos este, podíamos ter escolhido qualquer outro texto, não é?
Como é que este texto articula a relação entre escutarmos a palavra de Deus, isto diariamente, no fundo esta relação que devemos ter diariamente, e ao mesmo tempo a capacidade de nós percebermos ou de recebermos, como é que nós podemos comunicar a verdade aos outros, a capacidade de missão? Quando a palavra de Deus, o Evangelho, as boas novas alcançam uma vida, aquela vida nunca mais permanece a mesma. Ela é de fato transformada. Se não foi transformada, ou o Evangelho não a alcançou, a pessoa, ok, ou a pessoa não permitiu que o evangelho trabalhasse em si.
Mas vamos partir do princípio, o evangelho alcançou e a pessoa foi transformada. Veja, as experiências maravilhosas que nós temos, nós gostamos muito de partilhar. Muitas vezes se faz necessário partilhar alguma tragédia da vida, mas quando nós Como dizia meu falecido pai, quebramos a cara, nós não gostamos de partilhar nossas derrotas com os outros. Nós queremos guardar as sete chaves para nós. Mas as coisas boas, as vitórias, nós queremos contar para quem quiser ouvir. Quando conhecemos lá a namorada ou o namorado, aquele momento inicial, vamos contar para todo mundo.
E depois convidamos muitos para participarem do momento do casamento, quando nasceu o primeiro filho. a aquisição da casa própria. Enfim, existe uma viagem dos sonhos, existem muitas experiências que nós queremos partilhar. Por quê? Porque aquilo mexeu conosco, faz bem a nós. E nós queremos trazer alegria, partilhar alegria e trazer alegria aos outros. Eu lembro-me de uma história que eu ouvi há bastante tempo. em que um médico, eu vou resumir lá, obviamente, um médico encontrou na rua um cão ferido, magro, sujo, abandonado, e se ele ficasse, iria morrer.
Era um médico, mas ele uniu ali o seu intuito de ajudar um cão e ter o cão para si. Ele levou para casa, levou ao veterinário, levou ao PET. Ele cuidou. Ele deu tratamento, que aquele cão precisava, e ele se recuperou, e ele se fortaleceu, e era agora o pet da família. Mas, por alguma razão, porta aberta, em algum dia aquele cão sumiu, tá? E ele, quando chegou em casa, soube disto, e ele dizia assim, poxa vida, que cão ingrato, né? Fiz tudo por ele, e ele simplesmente abandonou o carinho das minhas filhas e foi-se embora. Alguns dias depois, ele ainda está em casa antes de sair para o trabalho e ele começa a ouvir um arranhar à porta.
Ele falou, será? Bom, vamos lá ver. E quando foi à porta, lá estava o seu cão. Mas para sua surpresa, lá estavam dois cães. Aquele, bem tratado, e um outro cão em má situação. que aquele primeiro cão foi buscar porque entendeu no seu instinto que ali existia alguém que podia fazer bem ao outro como fez a ele.
Nós não somos irracionais. Nós temos razão. A fé é inteligente, o relacionamento é inteligente. E o fato é que o nosso relacionamento com Deus afeta nosso relacionamento com as outras pessoas. Pensem no casamento. você e sua esposa, você e seu esposo, pense nos seus pais, pense nos seus filhos, seus adolescentes, seus jovens, pense nos seus netos, pense nos seus vizinhos, amigos, nos conhecidos e até mesmo nos desconhecidos. O seu e o meu relacionamento com Deus afeta o relacionamento com as outras pessoas. Todas as vezes que estamos aos pés de da cruz de Cristo em relacionamento com Deus, ao ouvi-Lo e a falar com Ele em oração.
Nós estamos a receber. E quanto mais recebemos, mais temos para distribuir, mais temos para dar. Eu penso na experiência de João VI, naquela multiplicação que Jesus fez de cinco pãezinhos de cevada. Você, quem sabe, nem gosta de pão de cevada, né? Mas pensa no outro pão que você gosta, né? Cinco pãezinhos e dois peixinhos. Também não sei qual era o peixe. Mas o fato é, Jesus Cristo multiplicou e o final da história diz que sobraram 12 cestos cheios de pães e peixes. Jesus tinha e tem todo o poder. Ele poderia já colocar o alimento, o bocado de cada um, diante de cada um. Aí está o seu fast food. Pode comer agora antes de ir para casa. Mas Jesus fez o quê?
Multiplicou pães e peixes, chamou os discípulos, deu aos discípulos para que eles distribuíssem aquela multidão. E fico a imaginar se um dos discípulos, Bartolomeu, Mateus, sei lá, Otomé, qualquer um, não distribuísse pão à multidão, ficasse ali a segurar os pães. Aquele pão ia secar, endurecer, ia embolorar, ia se perder sem utilidade pra ninguém. Nem pra ele mesmo. Mas eles distribuíram. Toda vez que distribuíam, voltavam. a Jesus buscar mais. Distribuíam, voltavam a Jesus buscar mais. Sabe, Deus tem muito mais a dar a nós e quer dar aos outros através de nós que já temos este relacionamento com Ele. E é interessante ver que neste versículo diz que termos condições para dar uma boa palavra ao que está cansado, não é? E ao mesmo tempo termos ouvidos como os sábios.
Então, partilhar com os outros o que se descobriu, explicar o que se aprendeu, consolida em nós os pensamentos e podemos reter o conhecimento. É uma vantagem. Segunda, uma conversa espiritual com alguém traz desafios, mas fortalece a ambos, ou aos envolvidos. Então, aqui o fortalecimento. Encoraja outras pessoas, muitas estão mesmo à língua, mas encoraja as pessoas. possibilita as pessoas conhecerem Jesus, entrarem no relacionamento, terem paz e alcançarem a salvação. Sabe, a Bíblia nos diz que nós precisamos estudá-la, precisamos orar, mas precisamos compartilhar.
Quando nós conhecemos Bíblia, e até oramos, mas não compartilhamos Logo logo, esse estudo da Bíblia e essa oração vão perder o sabor, o significado e deixarão de ser importantes também para nós. Mas quando compartilhamos, voltamos a Jesus para buscar mais e teremos mais para compartilhar. Que nós possamos ser estudantes da Bíblia, homens e mulheres de oração e possamos compartilhar esta benção, esta maravilha com outras pessoas, porque
Deus tem algo mais para dar a cada um de nós. Sem dúvida. Bom, só me resta agradecer a vocês os três por estarem connosco e lanço-vos desde já o desafio da próxima semana de podermos estar juntos. Não sei se aceitam ou não, mas vão ter mesmo que aceitar porque é convosco que nós estaremos aqui na próxima semana para podermos estudar um pouco mais a palavra do Senhor. Para a semana nós iremos ter um tema Muito interessante. Guerreiros da Oração. E veja que há aqui um termo bastante interessante. Guerreiros da Oração. Quanto a si, já sabe que pode ficar semanalmente sempre ao lado da sua Bíblia. Poderá ter a Bíblia aberta através também da nossa ajuda e colaboração. Antes de nos irmos embora, vou voltar a repetir a oferta que temos para si.
É uma oferta simples, mas é um guia de estudo bastante interessante e bastante atual. Mente Feliz é um tema que fala sobre várias áreas da nossa saúde mental e, por isso, se estiver interessado neste guia de estudo, poderá fazer o seu pedido para o 933 93 92 91. 933 93 92 91. Façam, é gratuito, basta enviar uma mensagem e solicitar este guia de estudo, Mente Feliz, e alguém do outro lado irá responder à sua pergunta. Agora sim está na hora de fecharmos este programa. Foi um gosto ter estado consigo. Já sabe, voltaremos para a semana, se Deus quiser.
Neste episódio do programa Bíblia Aberta, somos convidados a descobrir como estudar a Palavra de Deus de forma eficaz, profunda e transformadora. Mais do que adquirir conhecimento, este estudo revela como desenvolver uma relação viva com Deus através da Bíblia e da oração.