O papel da Bíblia

O papel da Bíblia

18 de Abril de 202657 min 30 s

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Vamos iniciar mais um programa A Bíblia Aberta, mais um episódio. Ficou marcado na semana passada que voltaríamos e estaríamos com a mesma equipa. Já vou apresentar, já vou dizer quem são os meus convidados, mas dizer-lhe que hoje é um dia muito especial porque voltamos a estar consigo. Voltamos a encontrar-nos para podermos abrir a palavra de Deus. E hoje iremos falar sobre a Bíblia, o poder da Bíblia. No fundo, o papel que a Bíblia pode ter na nossa vida enquanto cidadãos deste mundo, mas também como potenciais candidatos à eternidade. Já sabe que o programa A Bíblia Aberta é um programa da TV Novo Tempo Portugal. Nós estamos no canal da MEU, no canal 186 da MEU.

e lá encontra este e muitos outros programas que lhe transmitem fé e esperança em Jesus. Portanto, se é ou se tem a Operadora Mel em sua casa, já sabe, o canal 186 é o canal mais importante que você deverá ter na sua lista para poder ver e estar um pouco connosco. Se não tiver o canal da Mel, poderá, enfim, se estiver em Lisboa, poderá sintonizar-se a Rádio RCS nos 91.2 FM e se porventura não está nesta localidade, na capital, então tem ainda outra alternativa. Poderá ir pelo YouTube e encontrará o canal da Novo Tempo Portugal ou mesmo da Rádio RCS.

Em qualquer um destes canais encontra o programa A Bíblia Aberta, encontra este episódio do qual nós vamos iniciar agora, mas também todos os outros que já deixámos e que já conversámos, conversas extremamente agradáveis e importantes para a nossa vida, para a nossa reflexão espiritual. Como eu disse na semana passada, voltaria a estar com a mesma equipa e, por isso, volto a apresentar-vos os meus convidados. O Pedro Esteves. Olá, Pedro. Olá, Jorge. A Inês, que volta a estar connosco. E o Rui. Olá, Rui. Ora, viva. Obrigado por teres aceitado o nosso convite.

O papel da Bíblia

Eu vou começar por ti, para nós começarmos a falar sobre o papel da Bíblia. Este é o tema principal da nossa conversa e depois todos os outros vão nos acompanhar. Mas, para iniciarmos, eu gostava de podermos ler uma passagem de Lamentações, capítulo 3. E só recordando um pouquinho aquilo que foi o tema da semana passada, que falámos do orgulho e falámos ao mesmo tempo da humildade, vamos ter em nota este versículo que é muito interessante, porque Lamentações, capítulo 3, versículos 22 e 23, tem uma mensagem sublime. Veja o que diz. As misericórdias dos senhores são a causa de não sermos consumidos. porque as suas misericórdias não têm fim. Novas são cada manhã e grande é a tua fidelidade." Rui, vamos começar por aqui, por esta grande verdade, digamos assim.

De que forma é que este texto pode fundamentar a nossa confiança na Palavra de Deus como fonte constante da nossa esperança e, ao mesmo tempo, da nossa renovação espiritual? a Bíblia enquanto obra literária e vamos analisá-la apenas agora só sobre essa perspectiva. É verdade, todos nós que estamos aqui somos homens e mulheres de fé, não é? Mas gostaria de analisá-la apenas numa perspectiva literária. Oh, a Bíblia é um livro surpreendente. Tem características, poderíamos dizer, ou únicas ou quase únicas. Por exemplo, a Bíblia levou cerca de 1600 anos a ser escrita. Isto quer dizer que 16 séculos é quase duas vezes a história de Portugal.

Imaginem, um texto que começou a ser escrito por volta do ano 1560 antes de Cristo. Acreditamos nós que o primeiro texto a ser escrito terá sido o livro de Jó. Autoria de Moisés e o último terá sido escrito mais ou menos ali em torno do ano 100 d.C. por João, o livro de Apocalipse. Ou seja, a Bíblia não é propriamente um livro, mas um conjunto de livros. Exatamente. É uma compilação de textos de valor religioso, de valor moral, surpreendentes. Depois a Bíblia é escrita por cerca de 40 autores diferentes, não é? humanos que foram, acreditamos nós, inspirados pelo Espírito Santo, que foi o grande editor da Bíblia, em três línguas diferentes, hebraico, aramaico, depois o Novo Testamento em grego, que é um grego, diríamos assim, mais popular, chamado de koine.

E agora então, o que acontece? Este texto, ele tem um conjunto de características. Desde o primeiro livro que foi escrito, teria sido provavelmente o livro de Jó, mas que não é o primeiro que nos aparece na compilação que nós temos, primeiro é o livro de Gênesis até Apocalipse, nós percebemos que existe uma coerência muito grande entre o texto, o primeiro e o último texto da Bíblia. Inclusive isto aqui até nos leva a uma consideração interessante. Muitas vezes pessoas nos nossos tempos têm uma grande curiosidade por estudar livros como Apocalipse, só que Quem não tem uma experiência com a Bíblia muitas vezes acaba por ter uma relação frustrante com o livro de Apocalipse porque nós não podemos esquecer que cerca de 60% do livro de Apocalipse são referências ao Antigo Testamento.

Referências em forma de histórias, expressões, ideias construídas ao longo da Bíblia e que vão de alguma forma ser compactadas no Apocalipse, para que depois todas estas ideias possam, de alguma forma, construir a revelação do livro, mas que são trazidas, são links que nos reportam, portanto, ao Antigo Testamento, às suas histórias, às suas frases famosas. Isto tudo para dizer o quê? A Bíblia, de fato, é surpreendente. E, por mais que alguém não acredite na sua autenticidade enquanto documento revelador de quem Deus é, É um livro absolutamente incrível, porque, por exemplo, nós vemos a coerência literária que existe desde o Gênesis até o Apocalipse.

Depois vemos que, arqueologicamente, a Bíblia também está, diríamos assim, muito bem demonstrada, que todas as críticas ou todas as considerações que foram feitas em relação à Bíblia, de que ela poderia não ser autêntica ou que poderia ser uma fraude, Tudo isso a arqueologia tem demonstrado ao longo dos últimos dois séculos, pelo menos, que todas as suas afirmações são historicamente verdadeiras. O exemplo talvez mais interessante seria a descoberta dos manuscritos do Mar Morto, que vem mostrar que o texto bíblico que se conhecia até então, as fontes mais antigas, eram na realidade muito semelhantes àquelas que são descobertas na biblioteca de Qumran, nestes achados do Mar Morto, que vão nos mostrar textos cerca de 500 a 300 anos mais antigos do que os melhores manuscritos que nós tínhamos então.

Mostrando, portanto, que esta coerência e que esta autenticidade do texto bíblico continuou sendo muito bem preservada. Depois, ainda um outro aspecto que é surpreendente na Bíblia é a preciosidade e a precisão das suas profecias. que se cumpriram todas de forma clara, de maneira correta, dentro dos padrões históricos conforme foram apresentadas na Bíblia. E isto, diríamos assim, só faz sentido também para quem tem uma abordagem à profecia do método historicista, onde nós estudamos as profecias dentro do seu cumprimento histórico ao longo dos tempos, ao longo dos séculos. E, por fim, talvez o argumento mais espiritual a favor da autenticidade da Bíblia é a capacidade que este livro tem de transformar vidas.

seres humanos na superfície deste planeta, hoje, fazem da Bíblia a sua bússola moral. E estas pessoas têm efeitos e benefícios reais da leitura da Bíblia. Por isso, quando olhamos para esta afirmação que Jeremias faz a respeito do Senhor, de que a misericórdia do Senhor é a causa de não sermos consumidos, não é? E elas se renovam, as misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã. É exatamente isto. É um ser transcendente, o Criador do Universo, que sentindo a necessidade de se comunicar com as criaturas humanas que existem nesta Terra, encontrou o meio de o fazer por meio justamente da Revelação, que nós conhecemos como Bíblia, como Escritura.

E esta é talvez uma das mais surpreendentes manifestações da Misericórdia de Deus. Um Deus que quer se comunicar conosco. E é muito interessante que podemos até pensar que a Bíblia pode estar desatualizada, ou não é para o nosso tempo, ou foi para um tempo de outras pessoas, mas aqueles que experimentam a Bíblia são renovados cada manhã. Esta é a passagem que nós conseguimos ter. E por isso é que nós precisamos agora, talvez, de olhar um bocadinho para este

A autoridade das Escrituras

livro, ou para este conjunto de livros, vendo, no fundo, a autoridade e a finalidade com que ele foi-nos oferecido e porquê que Deus nos deixou as Sagradas Escrituras. Para isso, eu gostava de lançar-vos o desafio de nós podermos ler 2 Timóteo 3, versículos 15 a 17. Diz que desde a tua meninice sabes as sagradas letras que podem fazer-te sábio para a salvação pela fé que há em Cristo Jesus. Ora, toda a Escritura é divinamente inspirada, proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído em toda a boa obra.

Inês, que funções essenciais da Bíblia Paulo está aqui a apresentar e a falar para o seu discípulo Timóteo que podem, de alguma forma, apresentar a formação doutrinária e espiritual de cada um de nós como crentes? Posso-te a dizer que... A Bíblia tem tudo aquilo que nós precisamos. É um livro completo. É um livro completo. Porque poderíamos querer ir procurar noutro lugar, ou achar que precisaríamos de outras informações. Paulo está a dizer, Timóteo, tudo aquilo que tu precisas para a tua vida pessoal, para a tua vida como missionário de Deus, está aqui. E é aqui que tu vais poder encontrar. Ele vai nomear aqui alguns pontos.

Ele diz que a Bíblia vai conduzir, nos conduz à salvação, porque vai nos conduzir a Jesus e a Bíblia vai revelar este caminho de como é que nós podemos caminhar até Cristo e sendo Cristo o centro da nossa fé. Ensina-nos a verdade, então aqui estamos a falar também da parte de doutrinas, mas dizendo aqui que a Bíblia é proveitosa para ensinar. Então temos o conteúdo correto, vamos dizer assim, da fé e que vai moldar a nossa visão de Deus, a nossa compreensão sobre Deus, sobre o homem, sobre o pecado, sobre a redenção, todos estes temas que são fundamentais, a Bíblia revela-nos e explica, não é?

Mas também a Bíblia está aqui para, e é também o papel do Espírito Santo, para nos convencer do pecado, do erro, para nos repreender. Então vai-nos confrontar às nossas próprias falsas crenças, aos nossos desvios, ao nosso coração, que podemos até pensar que temos os pensamentos corretos ou que estamos a ir na boa direção. E quando lemos a Bíblia estamos confrontados a uma questão que nos vai mostrar que se calhar não era bem assim, que se calhar estes valores que nós adotamos não são os corretos. E é aqui que entramos com um espelho. A Bíblia que nos revela quem nós somos e então a ideia de Deus ao nos convencer do mal e do nosso erro é também nos corrigir.

E esta correção passa sobretudo pela restauração. Às vezes para esta palavra corrigir pode ter uma conotação negativa, mas Deus quer nos orientar através da sua palavra para voltarmos ao caminho certo, mas este caminho que nos leva ao arrependimento, à compreensão do nosso interior, mas ao conhecimento de Deus também. Porque quando compreendemos quem Deus é, É aí que nós também vamos poder receber todo este arrependimento e transformação. Depois diz também instruir a injustiça. E este é um texto muito rico, não é? Mas a Bíblia também tem este papel de nos educar, de nos mostrar quais são o que é justo, ajudar-nos a desenvolver uma vida que é alinhada com a vontade de Deus.

Este formar de caráter, este instruir na justiça. Falamos aqui de aperfeiçoar o homem de Deus, para que o crente seja perfeito. Podíamos refletir no que é que significa esta perfeição. Às vezes, ao compreendermos mal esta palavra perfeição, que muitas vezes é utilizada na Bíblia, podemos estar nós a tentar ir atrás de uma perfeição, ainda na semana passada falávamos disso, em que as nossas próprias obras nos salvam, porque queremos atingir um certo patamar de sermos capazes, exatamente, de termos uma justiça própria para dizermos, ok, agora já sou o perfeito. Numa maneira grega de ver as coisas, um pouco quadrada.

Mas este pensamento não é o pensamento grego que está aqui, é o pensamento hebraico. E como nós hoje temos um pensamento, ainda na nossa sociedade, muito grego, Tendemos a pensar desta maneira, mas o hebraico, esta cultura oriental, leva-nos a compreender esta perfeição. Não como não haver mais pecado, nem sair à direita, nem à esquerda e sermos impecáveis, literalmente. mas esta plenitude espiritual onde houve uma entrega, onde eu compreendi esta ideia de estarmos completos e maduros em Cristo. Porque João, por exemplo, na sua epístola vai dizer, eu escrevo-vos para que não pequeis, mas se alguém pecar, há um advogado, não é?

Jesus Cristo. O objetivo é sempre que nós não pequemos, porque o pecado afasta-nos de Deus e corta esta relação. Mas... Ainda assim, se acontecer, nós temos misericórdia. Estas misericórdias estão sempre... E a Bíblia dirige-nos para isto. Agora sim, Deus quer aperfeiçoar o nosso caráter, quer transformar-nos à sua imagem e esta transformação é do nosso interior. Então, não é um almejar de termos uma perfeição exterior e sermos vistos e sermos capazes de fazer coisas, mas ao sermos transformados vamos receber, vamos dizer, esta maturidade espiritual pouco a pouco e vamos ter nestes óculos de Cristo para ver o mundo também.

E então é aqui que Deus vai nos capacitar para toda a boa obra também, não é verdade? Dando-nos a direção, o discernimento e pondo, diz-se que prepara, com antecedência, os frutos, as obras, boas obras que nós vamos praticar. Isto também é o fruto do Espírito Santo, aquilo que nós vamos viver. Toda esta transformação a seguir tem consequências e as consequências é o meu viver natural com os outros e fazendo, obviamente, a vontade de Deus. Então, é claro que isto não é tudo linear e numa linha reta para cima, altos e baixos na vida do cristão, mas Deus quer sempre acompanhar-nos e restaurar-nos. Por isso, É sempre uma boa nova esta palavra, não é?

Que quer ter um impacto positivo na nossa vida. Não sendo uma linha reta, contínua, significa que não é fácil, mas é possível. Nós podemos não conseguir ser perfeitos todos os dias, mas Deus diz, luta porque isso é um objetivo maior que tu podes ter na tua vida e eu vou-te ajudar a alcançares esse objetivo. E por isso é que, Pedro, talvez fosse bom nós podermos ler agora uma passagem que se encontra em São João, capítulo 17, também no versículo 17, porque aqui vamos encontrar que a palavra de Deus é, de alguma forma, uma verdade que

A verdade que santifica

santifica, que nos coloca num patamar de excelência. Diz claramente em São João, versículo 17, santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade. O que significa afirmar que a palavra de Deus é verdade e, de alguma forma, que ela santifica o povo de Deus? É uma afirmação muito profunda, cheia de significado, com muita ousadia. O contexto aqui é de que Jesus está nesta oração, muitas vezes chamada de sacerdotal, porque Jesus está a interceder a favor dos seus discípulos. E aqui a expressão discípulos é muito alargada, porque a própria oração já permite a interpretação de que ele não estava a orar apenas pelos doze discípulos, se quisermos.

Aqueles doze que estavam com ele, uma vez que ele diz, oram não só por estes, mas por todos aqueles que hão de crer pela sua palavra. Ou seja, aqui há uma referência também implícita, embora bastante clara, à própria escritura. porque os discípulos que hão de crer pela sua palavra, ou seja, a palavra dos discípulos, esses sim, aqueles que estão ali, somos nós. Porquê? Porque aqueles discípulos é que viriam a tornar, obviamente, os escritores, basicamente, claro que há mais alguns, como Paulo, claro, mas ele está a falar dos seus discípulos, aqueles vão transmitir a palavra, claro que não foi só na forma escrita, porque eles também... Quer dizer, os discípulos transmitiram mais sem ser por escrito do que por escrito. Felizmente ficaram algumas cartas, não é?

Mas eles pregaram, ensinaram, era nas casas numa primeira etapa, nas sinagogas, depois já em algumas igrejas, um pouco mais à frente. Portanto, os discípulos de Cristo iriam usar da palavra para ensinar a respeito daquilo que Jesus lhes tinha transmitido. Seja pelo seu próprio ensino, seja pelo seu exemplo, Os discípulos absorveram esse conjunto de conhecimento muito cristocêntrico, muito centrado no exemplo, no ensino, na prática de Jesus. Depois também, obviamente, com aquilo que o Espírito Santo lhes veio revelar, em alguns casos até profeticamente. João será o exemplo mais claro, que vem a escrever um extraordinário livro profético, mas mesmo outros discípulos, como Pedro ou Paulo, ou Tiago, mas talvez até mais Pedro, Paulo, têm nas suas cartas dimensão profética, revelam coisas sobre o futuro, sobre o que vai acontecer, tiveram visões.

Ou seja, estes homens viriam a ser usados pelo Espírito para transmitirem, solidificarem um ensino que seria extremamente importante para o amadurecimento e o crescimento de quem? De todos os discípulos em todo o tempo. Ora, eu estou aqui a dar este contexto porque ele nos ajuda a perceber um pouco como é que foi esta passagem de Cristo e do seu ensino para depois isto se fixar num conhecimento que em grande parte se fixou na forma escrita no que nós conhecemos como o Novo Testamento, no caso deles. Mas, obviamente, que outra das fontes desse conhecimento que eles escreveram, eu já falei de dois, que foi Jesus, todo o seu ensino e a revelação do Espírito, mas muito do seu conhecimento foi de tudo o que eles conheciam das Escrituras, como eles normalmente se referiam, e aí é uma referência direta ao que nós chamamos o Antigo Testamento.

Portanto, desta múltipla fonte de inspiração, os discípulos vieram a forjar um conhecimento teológico, prático, que é o conhecimento cristão, é a base do evangelho e da teologia cristã. Jesus ora ao Pai acerca de todo este processo e é nesta oração, portanto a palavra e a revelação têm um papel muito importante nesta oração, de intercessão, e é aí que Jesus declara, faz esta afirmação interessantíssima, santifica-os na verdade, a tua palavra é verdade. Algumas implicações desta afirmação. Talvez a primeira, e provavelmente aquela que me parece mais forte, pelo menos, é que quando se afirma que existe a verdade, implicitamente está a dizer-se que existe uma alternativa, se quisermos, uma mentira.

Existe o erro. Existe o erro. Existe o engano. Por isso, quando Jesus ora, Pai, por favor, santifica-os na verdade que é a Tua Palavra, Como se Jesus estivesse a dizer, por favor, ajuda-os a não se deixarem corromper por aquilo que não é verdade, pelo erro. Automaticamente, isso significa que se a verdade santifica, o que é que faz o erro? O que é que nós poderíamos considerar como alternativa à santificação? Corrompe. Mortifica. Mortifica? Destruiça. Destruição? Porque se o tornar santo é tornar mais próximo de Deus, Porque ele é que é santo. Portanto, se a verdade santifica, significa que a verdade aproxima de Deus.

Eu estou tão mais perto de Deus, quanto mais seguro estou naquilo que está revelado sobre ele. Porque nós, lembremos sempre, nós não conhecemos Deus. Nós não temos acesso, se quisermos, a Deus, à pessoa de Deus. Nós temos acesso ao que está revelado sobre Deus, que são duas coisas diferentes. Porque Deus revela-se, não é? Na carta aos hebreus, uma carta extraordinária que começa precisamente com isso. Tendo Deus falado aos profetas, por exemplo, aos pais, de muitas maneiras, a nós falou-nos nestes últimos dias através do seu Filho. Ou seja, na verdade, nós não conseguimos estar na presença de Deus e vê-lo face a face. A Bíblia também diz isso. Portanto, nós temos acesso a quê? A Deus. nós temos acesso ao que está revelado de Deus. Por isso, em certo sentido, podemos dizer que a nossa relação com Deus é uma relação mediada.

Porque existe um fosso, estou mais ou menos a citar textos bíblicos que ajudam a fundamentar esta estrutura. Como existe um fosso entre nós e Deus, os profetas, o profeta Isaías diz bem isto, que é o pecado, basicamente, é essa separação, nós precisamos de instrumentos de mediação entre nós e Deus. Uma vez que nós não podemos, naquele sentido mais físico, por um lado, mas também personalizado, não conseguimos ainda estar a olhos nos olhos com ele, conhecê-lo tal como ele é conhecido, agora é um pouco em espelho, também diz o apóstolo Paulo, enquanto não chega um tempo em que nós estaremos glorificados, O nosso corpo será glorificado e então nós estaremos numa relação, essa sim, podemos dizer, quase pessoal com o próprio Deus. Nós temos instrumentos de mediação e esses instrumentos, o papel deles é aproximar-nos da santidade de Deus.

Porque essa santidade é a que nós não temos. Nós não somos santos. Nós não possuímos santidade. Estamos destituídos dela. Mas o apelo é sempre ser de santos. O apelo a nós sermos santos, que é um apelo permanente nas escrituras, obviamente é um apelo a nós usarmos esses instrumentos que nos permitem aproximar-nos dele. São instrumentos de mediação. A palavra escrita é, para nós como seres humanos, talvez o grande instrumento de mediação. Nós temos a oração e a palavra escrita. Nós ainda vamos, ao longo desta temporada, falar de algum destes temas, nomeadamente a oração, como um desses outros grandes instrumentos de mediação.

Isto até para trazer, de vez em quando é útil lembrar que nós estamos nesta temporada a estudar precisamente o processo de crescermos e amadurecermos na fé, nos aproximarmos de Deus. É verdade que temos a oração porque nos permite aquele sentido de diálogo, de uma impressão profunda de relação direta. Mas nós sabemos que essa fórmula de mediação, como a oração, ou outras, como seja a impressão, seja Deus dar-nos impressões profundas, convicções, com certeza que nós os quatro aqui a esta mesa e pessoas lá em casa, muitas vezes nos sentimos aquela convicção. Deus está a chamar-me, por exemplo, para uma missão. Sinto que Deus quer que eu vá para ali. Às vezes até fisicamente, ir para um país ou para outro. Muitos de nós aqui já vivemos em países diferentes. Aqui o Rui tem mais essa experiência e a Inês.

Ou seja, já viveram e tiveram a vida organizada. Eu e o Jorge já estivemos num outro país, mas foi um bocadinho mais de... Estudantes. Como estudantes, era um bocadinho mais de passagem, não é? Mas sabemos que muitas vezes, se calhar é o vosso testemunho, mas eu já testemunhei de muitas pessoas que estavam num país e mudaram-se, por exemplo, para Portugal porque tiveram uma sensação... Deus chamou-me. Deus quis que eu fosse para lá. Era lá que Deus me estava a chamar. Isto é uma forma de relação com Deus. Nós queremos que Ele nos está a inspirar. Mas é interessante que nós todos sabemos que estas fórmulas de ligação e mediação têm limites. Porque depois vem a nossa interpretação. Será que Deus quer mesmo ou sou eu que quero e estou a forçar, não é? Na oração com Deus, é Deus que me está a inspirar certos pensamentos ou sou eu que estou a gerar esses pensamentos?

É aqui que a palavra, sendo verdade, ela vem até ajudar-nos nas questões, por exemplo, da nossa relação com Deus, das nossas impressões profundas, até isso a palavra vai fazer. Dei legitimar e calibrar as coisas. Calibra? Porque se eu sinto que Deus quer que eu faça isto na minha vida, mas espera lá, mas Deus está a chamar-me para eu abandonar a minha mulher? Se eu sentir que Deus quer que eu ama outra pessoa, eu vou à palavra de Deus e isso vai ser calibrado, porque o plano de Deus não é que tu largues a tua mulher porque estás-te a apaixonar por outra. se não se lembras pelos teus sentimentos. Então nós percebemos que a Bíblia ser a verdade é muito importante neste processo de santificação porque ela tem uma revelação que não depende das minhas impressões, das minhas intuições, nem das minhas interpretações.

Mesmo se ela, em alguns aspectos, tem que ser interpretada, claro, mas é uma interpretação que tem uma base. É aqui que eu acredito que esta oração é tão relevante para os discípulos como é para nós, que é Jesus saber que a exposição à palavra, eu termino citando o Salmo 119, que aliás é um salmo muito importante sobre este processo, ele diz que a exposição das tuas palavras dá luz e entendimento aos símbolos. Nós precisamos de luz, de entendimento, que eu estou aqui sem saber muito bem, deixa eu ver em que é que a palavra orienta. Quando eu me deixo guiar por essa orientação, o que é que acontece? Eu estou-me a santificar porque aproximo-me daquilo que é verdade. Ora, nós já vimos como é que a Palavra de Deus pode ser uma fonte de vida para nós. Já também demos aqui uma ideia da autoridade e da finalidade das Escrituras.

Acabámos de ver que a verdade santificadora de Deus, ela está na Palavra de Deus. E o próximo tema, ou a próxima pergunta que eu vou lançar, será sobre a palavra

A palavra e o Espírito

e a obra do Espírito. Mas isso fica para a segunda parte. Não saia daí, fique connosco, vamos fazer um curto intervalo, para que depois fique a saber qual é a relação da palavra e a obra do Espírito. Até já! TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Retomamos o programa A Bíblia Aberta para a segunda parte deste episódio, desta emissão, e queremos muito continuar a falar sobre a palavra, o poder da palavra, a necessidade de nós podermos usar a Bíblia como fonte de inspiração para a nossa vida, para tudo aquilo que pode ser os pontos-chave de sucesso para cada um de nós.

Antes de voltarmos à conversa, eu tenho mais um guia de estudos. Este é bastante interessante porque fala sobre o nosso corpo. Não sei se já sabe qual é o segredo, por exemplo, da nossa saúde ou para termos saúde. Mas esse segredo está precisamente nos oito remédios da natureza. Não sei se já sabe quais são. Eu também não lhe vou dizer. Vou pedir antes que você faça, digamos, um contacto para a TV Novo Tempo ou para a Rádio RCS. e possa de alguma forma solicitar este guia de estudo que tem por título A Máquina Humana. Aqui vai encontrar os oito remédios para termos uma boa saúde. Faça-o para o 933-939291 933-939291 Envie uma mensagem solicitando a Máquina Humana e nós teremos muito gosto em enviar-lhe gratuitamente para a sua casa para que descubra, entre muitas outras coisas, quais são os oito remédios principais para termos uma boa saúde.

Um deles, sem dúvida, é falarmos de Jesus e é vivermos ao lado de Jesus. E por isso vamos retomar aqui a nossa conversa, porque ficámos aqui na questão de verificarmos a relação de palavra e obra do Espírito. Eu gostava, antes de lançar a pergunta, de ler convosco e com todos lá em casa, Efésios capítulo 1, versículo 13. Efésios capítulo 1 versículo 13 diz, Rui, de que forma Paulo está aqui a relacionar a palavra com a fé e até mesmo com a salvação?

Um pequeno preângulo. Hoje nós temos uma faixa muito significativa na nossa sociedade que tem alergia ao conceito de verdade absoluta. Muitas vezes nós temos a necessidade de apresentar os nossos pontos de vista consubstanciados com a nossa visão, com a nossa experiência de vida, e por isso costumamos dizer, bom, cada pessoa tem a sua própria verdade. E esta começou a ser, diríamos assim, uma frase, diríamos assim, quase que absoluta, que é uma contradição em si mesmo, não é? Se cada pessoa tem a sua própria verdade, e sendo isto uma verdade, então ela carece, diríamos assim, da lógica que ela mesma quer contrariar. E até mesmo sabermos o que é verdade, se cada um tem a sua.

Mas não estamos aqui, diríamos assim, para fazer nenhum contorcionismo mental. É apenas para percebermos como, por exemplo, no bloco anterior o Pedro, por exemplo, dizia, e muito bem, que se nós queremos encontrar um lugar onde a verdade ela aparece na sua forma mais pura e autêntica, é efetivamente na Bíblia, não é? Mas também percebemos aqui um outro aspecto interessante, recorrendo também aos escritos do apóstolo Pedro. que a experiência que Deus quer ter connosco, e ele dilo em Romanos capítulo 12 no verso 1, Deus nos pede que lhe apresentemos um culto racional, um sacrifício vivo mas um culto racional. O que quer dizer basicamente isto é que Deus nos fez inteligentes e nos dotou de uma mente, de um cérebro funcional, altamente capaz, talvez a máquina mais surpreendente que existe no universo, mas Ele o fez para que nós pudéssemos usar justamente estas capacidades cognitivas que Deus nos deu para nos podermos relacionar com ele de uma maneira racional, de uma forma inteligível, usando padrões lógicos, porque Deus é lógico.

Não fosse assim, ele teria criado um universo caótico, não é? Mas o que é que isto nos leva? Então, se a palavra de Deus é a verdade, ou seja, se ela se baseia em dados concretos, em informações factuais, então a Bíblia também nos diz aqui, nas palavras do apóstolo Paulo em Efésios, que esta palavra da verdade está em conexão com o Evangelho da salvação. Então a verdade é que o que importa é que existe um Deus que nos quer salvar. E se este Deus nos quer salvar, vivendo nós numa realidade que é uma realidade de sofrimento, de pecado, de egoísmo, uma realidade onde as pessoas ficam doentes e morrem, onde existem guerras, onde existe sofrimento, onde existem pessoas que fazem mal umas às outras e que causam com isso sofrimento, tristeza, e angústia, e estando o nosso mundo tão cheio de infelicidade, a pergunta é então como podemos nos salvar de toda esta realidade que de alguma forma nós criamos por termos desobedecido ao plano que Deus tinha originalmente para nós.

Aí entra a questão da fé, a questão do aceitar, do acreditar, porque a realidade em que nós vivemos E como já foi dito aqui e também no episódio anterior, a realidade é que o mundo, as pessoas hoje são egoístas, são mesquinhas umas com as outras, cada um preocupa-se demasiado consigo mesmo, mas a verdade é que aquilo que Deus nos apresenta é algo diferente. E se o modelo no qual o ser humano tem vivido por milénios não deu certo, não nos levou a uma felicidade e a uma condição superior, então nós precisamos experimentar algo diferente. E é isto que a Bíblia nos mostra. É esta realidade, é esta verdade que a Bíblia nos apresenta. Mas porque nós não temos um padrão, uma referência anterior que nos mostre como é viver de acordo com o modelo que Deus tem para nós, nós precisamos aceitá-lo pela fé.

Até porque como também há pouquinho o Pedro estava a dizer, nós não temos justiça ou santidade próprias. Precisamos adquirir esta proximidade com Deus para podermos entender de fato como o modelo que Deus tem para nós é sem dúvida o melhor. E é nesse sentido que a Palavra da Verdade e o Evangelho da Salvação são a mesma ideia, representam portanto a mesma realidade, mas que ela só pode ser aceita pela fé, pela confiança neste Deus. Não querendo com isso dizer que a fé seja um exercício de superstição ou de irracionalidade. que a fé também é racional. Claro. Tu ainda há pouco usavas um termo que eu acho interessante, nem sempre é usado para exprimir a função do Espírito Santo, mas ainda há pouco tu dizias que o Espírito Santo foi o editor, digamos assim, de toda a Bíblia, não é?

E aqui Paulo diz uma frase muito interessante, que somos selados com o Espírito Santo da promessa. Ou seja, somos selados pelo editor da própria Bíblia. Exatamente. E esta é uma das razões pelas quais muitos cristãos têm este excelente hábito, que é de ao abrirem a Palavra de Deus, previamente fazerem uma oração pedindo a orientação do Espírito Santo, porque não faz muito sentido nós estudarmos a Palavra sem buscarmos a orientação do seu autor intelectual, que é o Espírito Santo. Há uma passagem na Bíblia que é das passagens que eu mais gosto. Não quer dizer que seja a única, enfim, não há uma ordem, digamos assim, uma prioridade, mas esta eu encanto-me com ela, que está no Salmo 119, versículo 11.

Esconder a palavra

Não sei se vocês sabem de cor ou não. Não vou fazer esse exercício convosco. Mas agora uma curiosidade. O Pedro, há uns anos atrás, fez uma música que os nossos jovens ainda hoje cantam, inspirada diretamente neste verso. Com este verso, exatamente. Portanto, se os nossos telespectadores e mesmo os ouvintes da rádio quiserem saber qual é essa música, é fácil. Ela tem por título? Tua Palavra. Tua Palavra, exatamente. Porquê? No Salmo 119, versículo 11 diz, escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti." E, basicamente, todo este versículo, se quisermos, está na letra da música. Inês, não é para o Pedro que eu vou fazer a pergunta, é para ti, Inês. Qual a ligação que nós podemos ver neste salmo entre a interiorização da palavra de Deus e, ao mesmo tempo, a luta que muitas vezes temos contra o pecado?

O Salmo 119, este versículo 11, estabelece uma ligação direta e preventiva entre a interiorização da palavra de Deus e a luta contra o pecado. Quando o salmista diz escondi a tua palavra no meu coração, ele não está a falar só de conhecimento que ele está a adquirir, agora ele sabe mais coisas de maneira intelectual. mas é algo mais profundo. Esta palavra está a moldar os seus pensamentos, os seus valores, os seus desejos e decisões. Eu gosto muito desta palavra esconder porque nós escondemos o que é precioso e quando escondemos no nosso coração é porque não queremos que nos seja retirado.

Então ele diz isto, eu o escondi, ele não quer que lhe seja tirada esta palavra porque é demasiado preciosa, ele quer que esta palavra o habite, que o transforme e ter aqui a mente conectada ao alto. Então, nós vemos que a vitória contra o pecado não começa num comportamento exterior, mas neste coração transformado pela palavra de Deus. E esta palavra torna-se um guia para a vida diária. É um guia constante. E Deus vai agir através desta palavra em nós. Então, quando a palavra habita o coração, nós passamos a ter uma consciência orientada pela vontade de Deus.

Temos discernimento que nos é dado de Deus. O nosso coração está guardado. Nós sabemos que o nosso coração é enganoso, mais do que todas as coisas, mas quando está entregue nas mãos de Deus, Deus toma conta também de uma maneira especial. E acabamos, então, também por seguir um caminho de obediência, porque isto é a chave também do cristão. Nós não podemos simplesmente dizer sim, eu quero receber esta palavra. É verdade, como falávamos há pouco, mas só aquilo que me apetece. Esta parte não me está a apetecer muito porque não me corresponde. Isto não pode existir. Quando eu me entrego a Deus e confio na palavra de Deus, Eu confio em tudo o que está escrito, porque tudo foi inspirado, como nós também já vimos, não é?

Então, quando nós decidimos obedecer e alinharmos com esta palavra, a nossa resistência ao pecado também se fortalece. Não porque eu tenha recebido de mim mesma uma força especial, mas porque Deus me fortalece e me dá toda esta força que eu preciso para reagir à tentação. Nós vemos que o autor deste Salmo tem uma intenção, que é de não pecar. Ele não quer fazer o mal, ele quer ficar perto de Deus. E eu acho que de maneira concreta, se calhar poderia ser uma questão que nos podíamos estar a colocar, como é que podíamos esconder então a palavra de Deus no nosso coração?

Eu acho que há várias maneiras, óbvio. Poderíamos até falar da memorização de textos bíblicos, também do estudo da Bíblia. Estudar a Bíblia não é ler a Bíblia como quem lê um romance, não é? Porque precisamos tirar também o sumo daquilo que Deus nos quer transmitir. E isto passa por meditar. Ao lermos uma passagem bíblica, questionarmos-nos o que é que Deus me quer dizer através deste texto. qual é a sua mensagem, o que é que eu tenho que mudar na minha vida, orarmos sobre este assunto. Isto são maneiras também de interiorizarmos a Palavra de Deus, ou estudarmos, meditarmos, obedecermos e seguirmos então, pôr em prática o que esta Palavra também nos diz.

Aí vamos sim receber a força do alto e vamos então estar mais protegidos de pecar contra o nosso Pai. A Bíblia talvez seja um livro que em muitos momentos possa ser talvez não o mais escolhido por nós porque perante as evidências da nossa vida se calhar não nos convém muito encontrar na Bíblia o que é verdadeiramente necessário. Porque todos nós temos uma consciência dos possíveis erros que cometemos ou dos caminhos que decidimos fazer. Mas a Bíblia fala-nos claramente dos limites da nossa razão, sobretudo quando nós não temos uma relação de proximidade com a Palavra de Deus.

Eu queria só ler aqui um versículo em hebreu, que nos fala também da Palavra de Deus. Em Hebreus 4.12, que diz que a Palavra de Deus é viva e eficaz e mais afiada que qualquer espada de dois gumes. Ela penetra até o ponto de dividir a alma e o espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e as intenções do coração." E só para estar ligado a esta palavra, nós devemos dizer que esta palavra é mais afiada que uma espada de dois gumes, que é afiada dos dois lados, não é? E esta divisão da alma e do espírito, temos de perceber que tem a ver com quem nós somos.

Dar-nos discernimento para compreendermos quem nós somos, este julgo aos pensamentos e às intenções do coração, é uma maneira de nos revelar já a nós mesmos quem nós somos. Porque nós precisamos desta revelação da parte de Deus para podermos depois ver aquilo que está errado e irmos até Deus também para pedir ajuda, para vermos o nosso pecado. Porque se não formos até Deus, às vezes nem vemos o nosso pecado. Há pessoas que dizem que não fiz nada, estou bem, não matei ninguém. Então é aqui que a palavra de Deus pode vir até nós e se nós permitirmos que a palavra de Deus penetre aqui no nosso coração, Deus vai-nos revelar tudo o que não está bem e acho que vamos deixar de dizer, ah, mas eu não fiz nada de mal, não preciso...

Por isso é que a metáfora do espelho aplica-se muito bem à Bíblia, à palavra como um todo. Muitas vezes usamos-la mais para a lei, aquela ideia de que a lei funciona como um espelho, não é? Essa metáfora é muito necessária. Mas, na verdade, a palavra de Deus tem essa ação de espelho, que eu olho-me e digo, eu pensava que não tinha nada na cara e estou cheio de ciscos e estou todo sujo. E essa confrontação com a verdade sobre mim é muito importante e a Bíblia é extraordinária para fazer isso. Ela faz isso não é só através de leis e mandamentos. Eu olho para a vida de um homem como Davi e vejo tantas falhas que ele comete e eu se calhar digo, sou exatamente como este tipo. mas vejo como é que Deus o abençoou e lhe deu soluções, então eu digo que Deus também vai conseguir salvar a mim se salvou este desgraçado.

Então esse espelho serve não é só de acusação, dá-me ali soluções, porque eu vejo que eu tenho este mal, como é que eu me posso limpar? Sim, porque o objetivo não é nos atirar para baixo. Claro. É dizer, ok, precisas mesmo de ajuda e agora a ajuda também vem, não é? E há uma solução, não é? Há uma solução. Embora haja também em nós, como seres humanos, aquela descrença e aquela não vontade de procurar as coisas que são de Deus, não é? E a Bíblia aí também tem uma palavra a dizer sobre aqueles que porventura usam os limites da sua razão sem a palavra. E eu gostava de introduzir aqui um versículo que está em 1 Coríntios, capítulo 2, Versículo 14, que diz precisamente isto.

Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus porque lhe

O discernimento espiritual

parecem loucura. E não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente. Ou seja, há uma via clara para nós lá chegarmos. Nós estamos na reta final, mas eu gostava que o Pedro ainda pudesse nos mostrar as implicações que este texto pode apresentar, sobretudo para a interpretação das Escrituras, que procuramos e precisamos ter. Sem dúvida. Nós queremos interpretar bem as escrituras, porque se ela faz todas estas coisas, tem este potencial que nós temos estado aqui a analisar juntos, é evidente que nós queremos saber ler, saber interpretar. E há alguns critérios, alguns princípios para isso ser feito. Podemos dizer que estas palavras do Apóstolo Paulo apresentam um desses critérios.

Podemos aqui explorar com um pouco mais de detalhe esta ideia de que as coisas espirituais discernem-se espiritualmente. Este é um princípio que obviamente se aplica muito ao estudo e à compreensão da Palavra de Deus. Porque uma vez que a Bíblia é uma revelação dada na forma escrita, Significa que a sua compreensão obviamente segue um conjunto de regras que são aquelas que nós precisamos de aplicar para conseguir interpretar um texto escrito. Nós aprendemos isso na escola desde miúdos, quando estudamos a literatura portuguesa, na nossa casa, ou qualquer outra literatura, as regras gramaticais, os diversos recursos estilísticos.

Ou seja, há regras que obviamente são naturais. derivam do tipo da metodologia que está a ser usada. É por isso que nós sabemos, é tão válido para a Bíblia, curiosamente, como para qualquer outro escrito. Estou só a fazer esta primeira parte para depois ir ao que me importa mais, obviamente, que é o que está o foco do texto. Mas é evidente que quando eu estudo um texto que é poético, que assumida reconhecidamente tem uma natureza poética, como há muitos nas escrituras, nós já sabemos que o poeta usa, por exemplo, recursos estilísticos que o narrador histórico não utiliza, porque, ao contrário, o narrador histórico era fugir de tudo o que são metáforas, analogias, isto é como aquilo, senão vai-me confundir, não é?

Embora às vezes no relato histórico há algumas analogias que geram logo um pouco de confusão. Estava-me a lembrar agora, aqui na hora, O texto, quando nos conta sobre a ida dos espias à terra de Canaã, e que depois os primeiros, quando vão os 12, onde está Josué e Caleb, quando eles vêm, os outros 10 dizem que os homens são tão grandes que nós parecemos gafanhotos. Aos seus próprios olhos. Aos nossos olhos, diante deles, parecemos gafanhotos. Ele está a usar aqui uma espécie de metáfora que é um pouco perigosa, porque se a gente for fazer os cálculos, já uma vez, agora já não consigo dizer porque já foi há muitos anos, mas eu uma vez fui fazer os cálculos para dizer, ok, se uma pessoa se sente como gafanhoto, nós fazemos a medida entre a diferença entre um gafanhoto e um homem médio, Isto significaria que eles tinham, já não sei agora de cor, mas seria como terem 30 ou 40 metros.

Ou seja, é evidente que eles não tenham aquela... Há uma hipérbole. É uma hipérbole que está a ser usada. Um exagero, não é? É um total exagero. Quando o discurso é histórico, está a contar uma história, nós percebemos logo, mas será que eles eram mesmo assim tão grandes? Se for num poema e disseram o meu amor por ti é como daqui ao sol, é irrelevante qual é a distância daqui ao sol. Porque como eu sei que a natureza daquela frase é hiperbolizar o sentimento, eu até digo que é gigantesco. Então nós percebemos que as regras humanas, neste caso as regras para se utilizar na leitura de um texto, elas são obviamente muito importantes e nós também as utilizamos. E são indispensáveis para a leitura do texto.

O centro do texto bíblico não está na sua dimensão literária. Não é o centro do texto. E é isso que no fundo o apóstolo Paulo aqui nos introduz quando diz que há coisas que vão parecer loucura, lá está o leitor natural, porque elas só se podem entender de forma espiritual. Neste sentido, a compreensão plena da Escritura, ela requer uma capacidade espiritual que só se consegue obter através de quê? Para responder a isso, eu acho que seria útil lermos dois textos bíblicos. Segunda de Pedro 1, 21, que diz, a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram, inspirados pelo Espírito Santo.

Ora, se a profecia não foi produzida por vontade de homens, não foram eles que quiseram, nem foi um mero exercício, lá está, intelectual, ou académico, ou até de entretenimento, de escrever, foi uma coisa que foi imposta pelo espírito de Deus, significa o quê? Que a interpretação daquele texto, o leitor precisa do mesmo espírito, porque ele está acessível. Talvez por isso, Jesus, quando deixou, aliás, várias promessas aos discípulos sobre o Espírito Santo, portanto há uma conexão aqui entre estes dois textos, claro, Jesus disse, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará a toda a verdade. O que quer dizer que Jesus está, no fundo, a dizer que há um conjunto de verdades, até podíamos dizer, de profundidade, por exemplo, sobre o que Jesus ensinou, Jesus está, no fundo, a dizer que eu estou aqui a dizer-vos coisas, mas vocês não vão conseguir entendê-las de forma completa agora.

Mas quando o Espírito Santo vos iluminar, vos trouxer aquilo que Ele traz, maturidade, por exemplo, discernimento, vos mostrar também as vossas falhas, porque o Espírito Santo também tem essa obra de espelho que falávamos que a Bíblia tem, claro, porque se o Espírito inspirou a Palavra, a Palavra vai conter essas características do Espírito. Nós sabemos que o Espírito é que convence. da verdade, da justiça, do juízo, convence-nos. Então, todas essas coisas se obtêm através do Espírito Santo. Por isso é que a interpretação da Bíblia, mesmo sendo uma obra escrita, literária, ela não é um exercício essencialmente intelectual. Mesmo se tem essas dimensões. Mas ela tem, sobretudo, uma dependência espiritual. Porque a razão humana, é claro que a razão humana é valiosa, claro que sim, mas ela é limitada.

Por isso, por melhor que usássemos instrumentos de interpretação, chaves hermenêuticas ou tínhamos acesso a fontes de importantes de conhecimento, como seja, por exemplo, conhecer as línguas originais. A linguística, a filologia dos termos. Conhecer a filologia para perceber, ok, o que está implicado aqui neste termo, é isto tudo. E reparem, todas essas coisas são fascinantes. Nós usamos-las, lemos muitas obras de homens peritos que aplicaram esses conceitos. Eles são extraordinários e ajudam-nos, na verdade, a entender. a ascender até a coisas que podem mesmo estar no texto, até na intenção do autor, e nós, sem essa dimensão do conhecimento, podemos não conseguir chegar lá. Só que a razão humana ou essas ferramentas, mesmo muito valiosas que sejam, elas são limitadas para ascender, digamos, a toda a dimensão do conhecimento.

Algum, mais uma vez, algum texto bíblico pode ajudar a fundamentar isto que estou a dizer. Isaías 55, que é um capítulo maravilhoso, muito conhecido em várias das suas frases, mas o versículo 8 e 9, Deus diz assim, os meus pensamentos não são os vossos pensamentos. Assim também os meus caminhos são mais altos que os vossos caminhos. Por isso é que a interpretação da palavra de Deus precisa de reconhecer os limites da lógica humana, os limites das ferramentas humanas que nós podemos usar, mesmo, se vou repetir, nós não devemos desconsiderá-las. Porque a interpretação bíblica, ela também precisa de quê? De estudo, eu até vou dizer, de estudo diligente. Vou trazer mais um texto bíblico aqui.

Muitas vezes citado neste contexto, quando o apóstolo Paulo escreve a Timóteo, na segunda carta, versículo 2, 15, o texto, em que o apóstolo Paulo dá uma exurtação ao jovem Timóteo. Procura apresentar-te a Deus aprovado como um homem que faz o quê? Que maneja bem a palavra da verdade. Ora, quando ele diz maneja bem a palavra da verdade, é uma evidência, claro, do texto, que ele não está a falar só de ora muito antes do texto, ou que o Espírito Santo guie as tuas palavras. Porque isso, com certeza, mas diz que tens de manejar. Manejar é conhecer. conhecer em profundidade, conseguir relacionar, utilizar todas estas ferramentas. Portanto, tudo isto revela que nós precisamos desta conjugação boa e sadia entre usar a capacidade humana para manejar bem, mas sempre considerando que é a ação do espírito que interpreta realmente.

Encerramento

Infelizmente já não temos mais tempo para podermos continuar a boa conversa que estávamos a ter até aqui. E já percebemos que falar da palavra de Deus é sempre uma conversa que não tem fim, não é? Nós é que temos mesmo que pôr um ponto final hoje na nossa conversa, no nosso tema. Eu quero vos agradecer bastante por terem estado comigo aqui no Programa Bíblia Aberta. Vamos marcar encontro por uma próxima ocasião. Vamos nos cruzar por aí. Que Deus vos faça abençoar também no vosso ministério e em tudo aquilo que vocês têm para fazer. Quanto assim, já sabe, o Programa Vídeo Aberta é um programa semanal, vamos estar cá na próxima semana, mas antes de nos irmos embora eu ainda quero mostrar-lhe novamente qual é o guia de estudo que temos para si. O tema geral é a máquina humana e neste guia de estudo você vai encontrar algumas dicas para melhorar nas questões da obesidade, da diabetes, de um coração em risco, enfim.

Há aqui tantos temas tão importantes e tão atuais para os nossos dias que eu lanço-lhe o desafio de ligar para o 933 93 92 91 e solicitar-lhe um exemplar deste Guia de Estudo, a Máquina Humana. Está tudo dito. Agora voltamos para a semana. Já sabe, continue com a sua Bíblia aberta porque Deus tem inspiração para lhe dar e Deus quer tocar no seu coração. Até lá, que o Senhor a possa abençoar.

Sobre este episódio

Neste episódio do programa Bíblia Aberta, refletimos sobre o poder transformador da Palavra de Deus e o papel essencial que a Bíblia desempenha na vida de cada pessoa.

Ao longo da conversa, percebemos que a Bíblia não é apenas um livro antigo, mas uma fonte viva de esperança, orientação e transformação. Escrita ao longo de cerca de 1600 anos por diferentes autores, revela uma coerência impressionante e uma mensagem intemporal que continua a impactar vidas até hoje.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 6 · Episódio 4
Estreou
18 de Abril de 2026
Categoria
Espiritualidade