Legendas Olá viva, seja muito bem-vindo a mais um episódio do Bíblia Aberta. Na semana passada terminámos uma temporada, se quisermos, de vários episódios sobre um tema muito interessante e hoje abrimos uma nova temporada para termos mais 12, 13 episódios, digamos, sobre uma nova temática. É sempre muito bom podermos estar na sua pela comunidade companhia. Amara.org Semanalmente o programa Bíblia Aberta passa no canal Novo Tempo Portugal, na Mel, no canal 186 da Mel, mas também pode escutar-nos ao longo da semana na Rádio RCS, nos 91.2 FM.
Saiba que para nós é muito importante a sua companhia, saiba que para nós é muito importante abrirmos a Palavra de Deus e podermos ver o que Deus tem para nos dizer sobre as várias temáticas e as várias conversas que vamos tendo aqui neste programa. Ao longo desta temporada iremos perceber melhor como é que é podermos crescer numa relação pessoal com Deus. Isto é muito importante. Se um dia quisermos estar no céu, temos que ter uma relação pessoal com o nosso Deus, uma relação estreita. Isto porque Deus quer ter uma relação connosco. Deus é um Deus que se apaixonou por nós, que ofereceu o seu próprio Filho para morrer por nós na cruz e hoje está disponível para manter essa relação de amor e de carinho com cada um.
Por isso hoje nós vamos procurar constatar, de alguma maneira, a realidade dos factos, de tudo aquilo que pode ser esta relação com Deus. E comigo eu tenho três convidados. Três convidados, três amigos, três teólogos, digamos assim, que me vão acompanhar numa conversa que esperamos nós. que seja uma conversa de edificar a nossa fé. A Inês Chazú, olá Inês, mais uma vez obrigado por estares connosco. O Pedro, é um residente, diretor da estação também, obrigado por estares. E também o Hernani Moura, que mais uma vez voltamos a estar juntos neste programa. Vamos ter uma conversa, para isso nada melhor do que abrirmos a Palavra de Deus
e podermos escutar aquilo que o Senhor Deus tem para nos dizer. Vamos constatar a realidade. Este é o tema, vai lá, a base da nossa conversa de hoje. E para isso, eu convido a si que está aí desse lado, se tiver a sua Bíblia à mão, se não poderá usar o seu telemóvel, o seu tablet, enfim, o seu computador, poderá acompanhar-nos na leitura e vamos abrir a nossa Bíblia em Apocalipse, capítulo 3. Desta vez vamos ao último livro da Bíblia, porque é aí que nós vamos encontrar uma passagem muito interessante, o capítulo 3 de Apocalipse, para lermos os versículos 15 e 16, que diz, conheça as tuas obras, nem és frio, nem és quente, ou se lá fores frio ou quente, assim porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca."
Pedro. Vemos aqui palavras fortes, que no fundo são palavras de Jesus dirigidas primeiramente a João para que ele anunciasse a toda a sua igreja naquela altura. Que critérios Deus vai usar para avaliar de alguma forma esta condição espiritual da sua igreja, sobretudo em Apocalipse capítulo 3, porque quer queiramos quer não, a mornidão aqui apresentada é algo que podemos dizer grave, não é? É sem dúvida. É interessante essa tua pergunta, que pergunta se há critérios para percebermos que Deus avalia espiritualmente a sua igreja, que é como quem diz o seu povo, cada um de nós. E embora possa, quem sabe, a alguns parecer um pouco estranho ou difícil de compreender, está absolutamente claro que Deus avalia a nossa condição espiritual.
É uma avaliação que tem a ver com o facto de que Deus interessa-se pela nossa condição espiritual. É nesse sentido que existe uma avaliação da parte de Deus. Eu cito já, porque é um dos meus personagens favoritos da Bíblia, que eu gosto imenso de estudar, que é Davi, por muitas razões, na última oração de Davi, ele tem uma expressão, uma oração longa, onde ele ora por vários temas e faz uma espécie de reflexão dentro da própria oração e ele diz a Deus, eu sei que Tu sondas os corações. E é interessante esta ideia de que Davi, no final da sua vida, com toda a sua biografia, que é riquíssima em termos da construção de uma relação com Deus, que é o tema, no fundo, que estamos a estudar aqui ao longo...
Vamos estudar nesta temporada como é que se amadurece, como é que se cresce numa relação com Deus. Davi, nesse aspecto, havíamos de o comentar aqui algumas vezes... Bem, eu, para dizer a verdade, nem sei se ainda vamos abordar de forma mais direta, porque ainda não sei os temas todos que vamos abordar, mas Davi, para mim, é um exemplo magnífico desta questão de que a nossa vida com Deus, a nossa relação com Deus, de facto, ela evolui, ela vai amadurecendo, às vezes passa por crises, e se há uma coisa que estava clara para Davi é que Deus sonda os corações. Ou seja, Deus observa. Essa avaliação, colocaste aqui na tua pergunta, significa que Deus está interessado em perceber até que ponto nós somos verdadeiros e genuinos na nossa relação com Deus.
naquilo que estamos a buscar. É por isso que a Carta à Laodiceia é uma carta extremamente importante. Até eu diria mais, as sete cartas às igrejas, que são obviamente cartas proféticas, mesmo que elas tivessem uma aplicação para aquelas igrejas ali naquele naquele contexto, obviamente que elas apontavam para uma dimensão profética para determinadas épocas da história, só que elas têm lições universais, que se aplicam a todo o tempo. E se há uma coisa que nós vemos nas sete cartas, precisamente é o quê? É que Deus avalia. Por isso é que uma das maneiras clássicas de interpretar e estudar as cartas às sete igrejas é realmente perceber qual é a crítica que Deus faz, qual é a avaliação positiva que Ele faz e qual é a receita que Ele dá, basicamente.
Nessa ideia da avaliação de Deus, talvez também pudéssemos aqui falar, por exemplo, daquilo que está escrito em Euseias capítulo 4, em que, no fundo, há uma avaliação geral e depois há uma avaliação específica do povo e há conclusões que o Senhor Deus tira A ideia de que o vosso problema é que não conhecem a Deus. A falta de conhecimento é que é o vosso problema. Deus está, de facto, a observar. Só que Deus não observa como um juiz que está afastado, que não tem relação pessoal. Deus observa e conhece porque tem interesse. E se há uma coisa que fica muito clara em toda esta descrição de Apocalipse 3, é que Deus está interessado.
Nem vou entrar ainda em versículos, nós já vamos avaliar ou analisar um pouco a seguir. Mas aqui, só neste versículo por onde nós começámos aqui, Apocalipse 3.15, a primeira expressão é conheço as tuas obras. Que é uma expressão que significa que Deus viu, que Deus está atento. Logo, Deus está interessado, porque as obras representam as nossas escolhas, a nossa conduta. Deus conhece as nossas obras. E revelam também quem nós somos, não é? Porque as nossas obras falam do que está cá dentro, das nossas motivações, dos nossos valores. E por mais que nós queiremos argumentar contra Deus, Deus conhece, não é? Este é um ponto muito importante. É a ideia de que não é porque alguém lhe contou, é porque ele conhece.
Por isso é que as expressões que ele vai usar a seguir são muito importantes. Esta primeira expressão de que nem és frio nem és quente, antes fosses frio ou quente. Mas é porque és morno. Isto é de uma riqueza, a metáfora que aqui é usada é muito grande, mas eu acho que podemos ainda assim dar aqui algumas notas sobre isso. Nós percebemos que Laodiceia, que é a igreja que está a ser aqui retratada, tem uma estrutura religiosa, uma identidade religiosa, mas falta-lhe uma vida espiritual genuína. Essa diferença entre ter uma estrutura, ter forma, mas não ter conteúdo, é uma das coisas que na Bíblia nós vemos com mais frequência.
Deus alerta, Deus chama. Isto vem desde o Antigo Testamento e ao povo de Israel. Deus tem afirmações, algumas quase violentas, sobre isso. Quando Deus chega a dizer ao povo coisas como, este povo honra-me com os lábios, mas o coração está longe de mim. Há texos aos profetas em que Deus diz coisas como as vossas orações causam-me náuseas. Os vossos ajuntamentos são... Vocês vêm para aí celebrar e cantar e eu viro os olhos quando vocês fazem isso. E o que é que esses ajuntamentos, as orações, o jejum... Em Isaías, por exemplo, Deus fala muito contra o jejum, não quer saber nada dos vossos jejum. Porque ele diz vocês atormentam a vossa vida, ficam sem comer e depois vão atormentar a vida dos outros também.
Então Deus diz causa-me náuseas, que é uma expressão que nós já vemos que também está aqui, já lemos, que é vomitar-te-ei. Essa ideia de que Deus fica nauseado com o quê? Com a estrutura sem conteúdo, a forma sem que a forma corresponda a alguma realidade. Porque ele vê os corações e ele quer mais para estas pessoas, ele quer salvá-las, quer vê-las a viver algo genuíno e algo que as transforme e que tenha um impacto verdadeiro na vida delas. Ele diz que isto não serve de nada, estas estruturas têm um sentido, mas se não há sentido naquilo que estão a fazer... não têm fundo, não servem para a vossa salvação, nem para a vossa edificação pessoal.
E podem levá-las, então, para muito longe do propósito de Deus. E por isso é que Deus fica tão triste e estas náuseas. O projeto de Deus é salvar, é ajudar e as pessoas muitas vezes fazem aquilo que nós vemos desde o Antigo Testamento, tantas vezes que Deus vai lembrando e tentando chamar a atenção para este problema espiritual que às vezes se foi tornando recorrente. Eu acho que o momento áureo Desta forma de avaliação da parte de Deus é o que acontece com Jesus e com, globalmente podíamos dizer, o farisaísmo. Aí talvez chegamos ao clímax do que é esta atitude de Deus de ele ficar nauseado com as pessoas que estão totalmente centradas nas formas e que chegam ao ponto de ser completamente insensíveis à essência do Evangelho.
E aí Jesus vai ter tantas expressões, algumas muito duras. Para mim é mais importante do que aquele grupo de pessoas, é aquela forma de estar na religião que é dizer que vocês são sepulcos caiados de branco. Vocês têm uma forma, uma aparência bonita, bem conseguida, vão à igreja, comprem certas coisas, mas a essência que vos anima É totalmente contrária àquilo que parece. Ora, é nesse sentido, para terminar, Jorge, é nesse sentido que a metáfora da murnidão aqui aparece para tipificar essa ideia, esse conceito que no Antigo Testamento, através dos profetas, em muitos momentos da vida de Israel, Jesus aos fariseus, e agora, Através da profecia à igreja, particularmente a igreja que vive antes da volta de Jesus, o conceito é o mesmo.
É aparentar ser uma coisa, mas não a viver na realidade. É nesse sentido que ser frio é melhor do que ser morno. Porque ser frio é uma rejeição intencional, não uma tentativa de enganar ninguém. Por isso é que a pessoa que é fria está mais próxima do arrependimento do que a pessoa que é morna. Porque a pessoa que é morna não está próxima do arrependimento. Porque ela está convencida de que pertencer à Igreja X já é suficiente. E se quisermos temos um bom exemplo, o exemplo de Sálu e de Paulo, não é? Ele estava claramente no oposto e Deus conseguiu transformar o seu coração. Isso, porque no fundo ele não era morno. E por isso quando veio para a verdade o Evangelho continuou sem ser morno, continuou a ser uma pessoa quente.
Enquanto se calhar na igreja de Cristo Estariam muitos que ali estavam apenas para a manutenção dessas formas, dessa estrutura, dessa aparência religiosa.
Por isso eu acho que a primeira grande lição que nós tiramos aqui é que a aparência religiosa é um grande inimigo do nosso crescimento espiritual. Inês, tu há bocadinho falavas aqui um bocadinho da tristeza de Deus, da forma como Deus muitas vezes olha para nós e vê como é que nós estamos, a nossa estrutura, como falávamos há pouquinho. Talvez agora pudéssemos falar aqui um bocadinho da falsa autossuficiência espiritual. E antes de te pedir um comentário à pergunta que eu te vou fazer, eu gostava de ler com todos vocês e mesmo com quem nos segue lá em casa ou quem nos está a ouvir em algum outro lugar. Pudéssemos ler agora capítulo 3, mas o versículo 17. Capítulo 3 da Apocalipse, versículo 17 diz, como dizes, rico sou, estou enriquecido e de nada tenho falta e não sabes que és um desgraçado, miserável, pobre, cego e nu.
Inês, como é que este texto de alguma forma pode revelar o contraste entre aquilo que é a percepção humana da espiritualidade, a forma como nós vemos a nossa espiritualidade, e ao mesmo tempo o diagnóstico espiritual que o próprio Deus ou o próprio Cristo faz de nós? Esta munidão, como o Pedro estava a falar, faz com que nós tenhamos uma perceção errada daquilo que está a acontecer. Porque nós achamos que está tudo bem, e se falamos de um cristão, porque isto também é dirigido já a cristãos, Vamos à igreja, achamos que estamos a cumprir as coisas que temos de cumprir e, de repente, achamos que estamos a ser bons cristãos, que fizemos a nossa parte, que está tudo bem e não matámos ninguém.
Então, as coisas estão bem e, de repente, Deus está a dizer, olha, atenção, não é bem assim. E então está a apontar, não é? Porque Deus tem que apontar o dedo com amor, é o que Ele faz. Mas Ele tem que falar a linguagem que nós vamos ser capazes de ouvir. E neste momento Deus achou que esta linguagem seria apropriada para chamar a atenção destas pessoas adormecidas. Porque às vezes se nos falam só muito mansamente, nós não ligamos nenhuma e dizemos, óbvio, o que é que está aqui a dizer. E Deus esteve a dizer, não, atenção, não sabes que és um desgraçado, um miserável pobre, não estás a ver a tua real condição. Deus aqui coloca o dedo na ferida, não é?
Coloca, tem que colocar. Porque às vezes é isto que nos desperta, não é? Um balde de água fria que cai na nossa cabeça. Eu digo, ui, atenção, isso não é bem assim. A minha perceção era outra, não é? E temos de confessar que estarmos embalados nesta canção do mundo, vamos dizer assim, nesta canção em que achamos que estamos a fazer bem as coisas, mas ainda assim o que é que acontece? É que estamos virados para nós mesmos. Se nós não estamos inteiramente com Cristo, é porque estamos a viver com esta percepção errada, estamos a viver orgulhosamente em autossuficiência. E Deus quer salvar-nos. Ele quer ajudar-nos a ter uma vida diferente.
Ele sabe que esta vida diferente, esta vida com sentido, não pode ser uma vida de aparências, os objetivos não podem ser enriquecermos e aparentarmos e querermos ter as coisas que as outras pessoas que não são cristãs também querem. Precisamos ter alvos diferentes na nossa vida. É claro que tendo casas, comida, carros, sentimos-nos confortáveis e se calhar não nos sentimos tão desesperados numa primeira instância para procurar Deus, mas a verdade é que é esta a armadilha, de acharmos que temos o suficiente e que se calhar já não precisamos assim tanto de Deus.
Se calhar não é consciente, mas ali no fundo não os temos procurado, não temos entregado o nosso orgulho nas suas mãos e não temos se calhar visto Deus agir também de uma maneira mais profunda na nossa vida. Porque quando damos conta do nosso pecado, do nosso orgulho e vamos até ao Pai, reconhecendo aquilo que Ele nos está a apontar, porque nós temos de reconhecer. Se eu disser, não senhor, isto está errado, eu não sou miserável, eu não sou pobre, eu até sou uma boa pessoa, já estou a negar aquilo que Deus me está a dizer e não quero reconhecer o meu pecado. Mas se eu realmente vir e olhar para o meu coração E se eu não tiver essa consciência, pode acontecer, eu achar que realmente não tenho feito nada de mal.
Mas a minha oração tem que ser, Senhor ajuda-me a ver, porque eu tenho algum pecado em mim e não o estou a ver, mas Tu podes mostrar. E quando nós fazemos esta oração, Deus mostra. E temos de ter capacidade, humildade, de ir até Deus e dizer, ok, agora que me mostraste isto, ajuda-me, porque eu preciso de ti. E é isto que Deus quer, porque Deus quer ajudar-nos. Então, quando eu reconheço e peço ajuda e esta misericórdia e estou em harmonia com Ele, é aqui que as coisas acontecem. É o lugar do milagre. É este início de alinhamento entre mim e Deus. E é aqui que Deus vai poder agir.
E nós vemos as coisas acontecer. Mas Deus vem até nós, e já vamos falar um bocadinho disso, mas nós precisamos de reconhecer a nossa condição e confiar no diagnóstico de Deus. Mas em muitas vezes, em muitos momentos da nossa vida, se calhar nós preferimos não ver. Assim, é confortável não ver. Quando temos algum... Dá-nos jeito. ...um pecado apreciado, mudar dá trabalho. Exige esforço da nossa parte. Exige... Exige perder muitas coisas. Perder, não é? Sacrifícios que nós temos de fazer. Porque Deus, ao dizer isto aqui não está bem, é porque eu vou ter de deixar esta coisa.
Mas nós não nos podemos esquecer que isto é uma mensagem para cada um de nós. É que quando Deus nos pede, Deus nos indica, Deus não nos abandona nestas escolhas que nós temos de fazer, mas Deus dá-nos força. E às vezes nós podemos pensar que estamos sozinhos. Ok, Deus disse-me isto agora, tenho que deixar isto e agora como é que eu vou fazer? Não, ou seja, eu não tenho força em mim, mas Deus vai-me dar força, Deus vai-me capacitar, Deus vai-me encorajar, vai-me dar a força do Espírito e de repente vamos ver que fomos capazes de dar este passo e Deus deu-nos força, libertou-nos daquilo que nos estava a manter cativos. E isto é espetacular de viver.
Enquanto estás a desenvolver o teu pensamento, eu estava aqui a pensar numa passagem do apóstolo Paulo, em 1 Coríntios, capítulo 15, versículo 19, quando ele diz que se nós esperamos Cristo apenas nesta vida, para as coisas terrenas que nós temos, para aquilo que vamos conquistando, Ele depois os mata dizendo que somos os mais miseráveis de todos os homens. Ele não nos dá aquele estatuto de alguém que passou por este mundo e que realmente nos deixou aqui alguma coisa, ou deixámos aqui um legado. Ele diz que és o mais miserável. Pelo facto de teres uma estrutura e não teres vivido corretamente dentro dessa estrutura, não é por isso.
que te tornas alguém. E por isso é que talvez aqui nós possamos agora ver que apesar de todos estes pontos, esta avaliação, como o Pedro dizia há pouco, a forma como Deus toca na ferida de cada um de nós, talvez fosse bom também podermos ver que convite gracioso, podíamos assim dizer, que o Senhor Deus faz a cada um de nós, enquanto o seu povo, enquanto candidatos à eternidade, para nos arrependermos. E eu gostava, Hernani, e vou te pedir um comentário também, há um versículo que nós vamos ler, que é Apocalipse capítulo 3, versículo 18 agora, e como estamos a ver, estamos a seguir versículos muito próximos uns dos outros, não é? Há aqui todo um encadeamento nesta mensagem, mas no capítulo 3, versículo 18, diz, aconselho-te E cá está o convite gracioso, podíamos dizer assim.
Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo para que te enriqueças. Vestes brancas para que te vistas. E colire para ungires os teus olhos para que possas ver ou para que vejas. Hernani, que significado, tu que és um teólogo, que significado teológico tem, por exemplo, o ouro, as vestes brancas ou até mesmo o colírio nesta solução que Cristo nos apresenta aqui como a condição para esta igreja que era a igreja de Laodicea? Sabe, Jorge, se me permite, eu acho que é por causa da idade, não tenho certeza, mas ultimamente tenho acordado com alguma dificuldade em focar as letras. De manhãzinha é difícil de eu fazer a minha leitura bíblica, porque tem alguma dificuldade. Vou cada vez mais constatando isso, que talvez não demore muito, eu vou precisar usar os óculos aqui, e nesse que usa também, talvez eu vou precisar fazer uso desse instrumento.
Para dizer o quê? Que essa constatação da realidade, de poder ver bem ou não, e é interessante aqui a figura do colírio. Eu gostaria de usar um instrumento que aprendi, que nos pode facilitar na compreensão desses elementos, uma vez que o livro do Apocalipse é um livro profético, há alguns elementos aqui que nós podemos imaginar o que quer que seja, mas eu vou buscar na Bíblia alguns textos que talvez nos ajudem a perceber o que é que significam esses elementos que aqui são mencionados. Por exemplo, Se nós lermos em 1 Pedro 1, verso 7, nós podemos ler o seguinte, para que uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo.
Aqui Pedro claramente compara a fé ao ouro purificado no fogo. Então, se nós guardarmos essa informação dessa parte da Bíblia, podemos perceber que em Apocalipse, talvez, o que Jesus esteja a nos dizer, ao nos convidar a comprar o ouro da parte dele, é renovar a nossa fé, buscar fé, buscar confiar nele, para que esse processo possa ser continuado, não parar na tranquilidade de onde estou, mas que possa ser continuado. Porque o objetivo de Deus é esse mesmo, é ganhar a nossa confiança. Eu quando lembro de Abraão, por exemplo, Abraão, Deus fez uma promessa, ele foi para aquela terra, mas Abraão mudava constantemente de casa. Quando ele começava a se sentir confortável, Deus falava, agora você vai para ali. E lá ia Abraão, e depois, olha, agora você vai pra ali.
Em cada lugar, Abraão fazia um altar. Mas o que é interessante é perceber isso, é que Deus mexia com ele pra tirar aquilo que era segurança natural, pra que ele pudesse confiar em Deus. E aqui nessa perspectiva, nós vemos assim, se continuarmos, é quase cômico de percebermos que Deus convida uma igreja que se considera rica a comprar ouro. Quer dizer que talvez ela confiasse em outro elemento de riqueza que não aquilo que era realmente de valor. Depois, em Apocalipse 19, no verso 8, nós lemos assim. Pois lhes foi dado, falando do povo de Deus, lhes foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro, porque o linho finíssimo são os atos de justiças dos santos. Depois, na Apocalipse 7, se me permite, eu vou ler aqui dois, três versos para nos esclarear a mente, para buscar respostas.
E lá em Isaías 61.10 diz, muito no Senhor. Então, nós percebemos aqui que essas vestes brancas são as vestiduras que Jesus nos dá. Faz pensar um bocadinho aquela parábola que Jesus conta de um rei que fez uma festa, deu as vestes para as pessoas poderem estar, só que um decidiu não ir. E esse um não pôde participar da festa, por não ter aceitado vestir as vestes que o rei deu. E, finalmente, se me permitem, em Efésios capítulo 1, verso 18, 19, diz assim, para que o Deus, o nosso Senhor Jesus Cristo, Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dEle, iluminados os olhos do vosso coração, para saberes qual é a esperança do seu chamamento, com a riqueza da glória da sua herança.
Por isso, provavelmente, nós podemos compreender aqui o colírio como sendo o Espírito Santo, aquele que vai abrir os nossos olhos, nós daqui um bocadinho vamos falar mais sobre ele, aquele que vai abrir os nossos olhos e nos ajudar a perceber mais claramente a nossa situação. Por isso, esses elementos servem de ajuda para que essa condição possa ser ultrapassada. É extraordinário ver um Deus que, vendo o nosso problema, Ele traz soluções totalmente eficazes, quer para o nosso dia-a-dia, enquanto vivermos neste mundo, quer também para a eternidade, porque esse é o sonho maior de qualquer um de nós. Nós estamos numa nova temporada aqui no Bíblia Aberta. Iniciámos um novo tema que será um tema que vamos levar ao longo de várias semanas e isto será muito importante.
Você estar sempre sintonizado connosco. Já sabe, pode estar sintonizado connosco a partir do canal 186 da MEU ou então através da Rádio RCS ou se não tiver nenhuma destas ferramentas, digamos assim, de comunicação à mão, poderá ir ao YouTube, encontra o canal do YouTube, ou melhor, o canal da Novo Tempo no YouTube, assim é que é, e poderá seguir-nos, porque é sempre bom termos a sua companhia. Nós vamos parar aqui. Um breve intervalo, muito curtinho, voltamos já a seguir para a segunda parte, porque a segunda parte tem muito e você não pode perder. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança.
Voltamos para a segunda parte do nosso Bíblia Aberta de hoje. Estamos com uma nova temporada onde, de alguma maneira, vamos querer, ao longo de vários episódios, conhecer o que é ou saber o que é crescer numa relação com Deus. É este o tema base desta conversa semanal. Mas antes de voltarmos à segunda parte e de podermos encontrar mais versículos bíblicos que nos podem levar à reflexão deste tema, Eu quero lançar-lhe o desafio. Se ainda não tem em sua posse, mas deseja ter este guia de estudo que tem em mãos e que tem por título o céu ou o inferno, e eu vou mostrar-lhe para que possa ver se realmente já tem. Se não tiver, já sabe, poderá fazer o seu pedido, poderá enviar uma mensagem para o nosso número de telemóvel, 933-939291.
933 939291, manda uma mensagem dizendo que quer o guia de estudo o céu ou o inferno para que possa assim estudar conosco, porque eu diria que durante estes próximos episódios talvez nesta revista ou neste guia de estudo vai encontrar algumas das mensagens, das conversas que vamos tendo aqui. Por isso, se ainda não tem, poderá fazê-lo gratuitamente enviando uma mensagem para o nosso número de telemóvel que aparece no seu visor de televisão e nós, com simpatia, enviaremos totalmente grátis para a sua casa.
Vamos voltar à nossa conversa e vamos entrar aqui numa outra perspectiva. A perspectiva que Deus tem. Terminámos há pouco dizendo que realmente Deus preocupa-se connosco, dá-nos soluções e nós precisamos de ver aqui uma certa comunhão de resposta com a graça de Deus. E para isso eu gostava que nós pudéssemos abrir novamente a nossa Bíblia em Apocalipse capítulo 3. Agora para lermos um versículo muito conhecido Porque o versículo 20 que diz claramente, eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele se arei, e ele comigo. Esta é uma passagem fantástica do próprio Deus. Inês, como é que este versículo de alguma forma pode redefinir a relação entre a iniciativa divina e talvez a resposta humana que nós podemos dar na nossa experiência de salvação?
Este versículo apresenta um equilíbrio muito profundo da teologia da salvação, porque temos uma iniciativa que é totalmente divina, mas a resposta é humana. Eu gosto muito deste texto, porque nós vemos um Deus que está à porta. E isto mostra muito sobre quem ele é também. Ele não arromba a porta. Ele não diz, eu vou entrar e depois... Não, ele diz, eixo que estou à porta. Ele fica ali. Ele bate, ele espera. Por isso, esta é a relação que Deus tem connosco. Mas é um Deus presente. É um Deus presente. Ele está ali. Claro. Mas há uma parte da relação que depende de mim, não é?
Deus não nos obriga a nada. E isto é muito importante também, porque apesar de Ele querer tanto nos salvar e estar connosco, e é o maior sonho da vida dEle é este de nos salvar, ainda assim Ele respeita a nossa escolha. Sabes que quando eu falo deste tema, às vezes eu digo, mesmo quando eu não quero que Jesus vá comigo no mesmo lado do passeio, Deus vai no outro lado da rua, porque Ele não consegue separar-se de nós, Ele não consegue estar fora de nós, não é? Então é um Deus presente, não é? É um Deus presente. E Ele diz, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, porque às vezes pode ser que a pessoa ouça a voz e diga, não, agora não é o momento de abrir, não me apetece abrir a porta e não abre.
Mas, ele vai continuando a estar ali, a bater, e se alguém ouvir e abrir a porta, me deixar entrar, então ele diz o que é que quer fazer. E se calhar para nós ocidentais isto não é muito relevante, não é? Ah, tenho aqui um grande projeto da parte de Jesus, aquela presença, é um grande projeto, entrarei em sua casa e conhecerei ele comigo. E podíamos dizer, ok, o que é que isto tem assim tão especial? Jesus é só isto? Vai comer connosco? Normalmente convidamos Jesus uma vez por ano, digamos assim, que é no Natal. É aí a ceia. Temos a ceia de Natal, ele entrou e... Mas isto é muito interessante porque numa perspectiva oriental tem um significado muito maior.
Eu tenho uma amiga que é de Marrocos, que se converteu, era muçulmana e se tornou cristã. E ela diz que nós percebemos bem este texto, é muito fácil. Então, explicam-me lá como é que vocês compreendem este texto. Ela diz que comer com alguém é ter uma relação profunda com esta pessoa. Ela dizia-me que o meu pai, a um dado momento da minha vida, quando eu me converti, Ele deixou de comer comigo. Isto é uma coisa muito grave. Significa que ele não queria mais nada comigo. Não havia relação. Já não era meu pai. E então, quando Jesus diz que vai almoçar, vai estar conosco na nossa casa, significa que temos uma relação profunda um com o outro, este comer juntos.
E na nossa realidade ocidental, se calhar não nos distante, nós comemos com qualquer pessoa, na cantina, ou podemos receber pessoas em casa, mas se calhar não são assim tão próximas, mas neste contexto oriental é uma relação profunda. Então Jesus está a dizer, eu vou entrar e se me deixares entrar significa que também estás a aceitar esta relação, que queres entrar em profundidade comigo. Então temos de um lado esta proposta de Deus que se aproxima, que vem até nós e a verdade é que nós temos alguma vez a ideia na nossa cabeça que nós tivemos vontade de ir ter com Cristo. Temos de nos lembrar que foi o Espírito Santo que já tinha tocado o nosso coração primeiro. Nunca vem de nós esta vontade de ir ter com ele, em primeiro lugar.
É porque Deus já veio, é porque Deus já fez alguma coisa em mim que esta vontade de ir ter com ele também nasceu. E temos esta graça, abertura voluntária. da porta, não é? Mas é a responsabilidade humana. Deus responsabiliza-nos na nossa relação. Ele faz tudo o que Ele pode da parte d'Ele. Mas eu tenho que abrir a porta, não é? E temos o resultado, que é esta salvação, não é? Este jantar que se vai prolongar por toda a vida. Um relacionamento contínuo, uma intimidade. Então, este é o objetivo de Cristo, não é? Para a nossa vida. Há uma coisa aqui que me impressiona neste texto, que é o movimento, que é de fora para dentro, que vem desde estar fora de casa, passar a porta, entrar em casa e depois ser convidado para a ceia, portanto para a mesa.
Mas se nós olharmos para o contexto todo da carta à Laodiceia, que nós já estivemos aqui a analisar, nós sabemos que a mensagem está a ser transmitida a pessoas que são do domínio da fé. Ao ponto, não é só que são da fé, é ao ponto de elas acharem que estão ricas. Em termos espirituais, quer dizer que essas pessoas têm alguma coisa na sua experiência que as faz ter a percepção de que estão muito bem. No entanto... Ou seja, talvez aquela ideia de que eu estou na igreja da verdade, ou a verdadeira igreja. Estou na igreja verdadeira, estou na verdade. Mas depois quando chegamos à imagem que este versículo 20 nos transmite, na verdade a pessoa está fora. Melhor, disse ao contrário, Jesus está fora.
Ou seja, quando nós lemos em conjunto significa que tu podes ter uma vida religiosa, achares que estás espiritualmente rico e Jesus nem sequer ainda entrou. O que é um alerta tremendo para a realidade que é ter uma vida religiosa ativa e no entanto Jesus não fazer parte dela. Como é que isto é possível? Mas é o elemento que esta imagem aqui nos deixa, é que Jesus está fora. É possível alguém dizer que está na verdade, que conhece a salvação, conhece a Bíblia, conhece a doutrina e Jesus estar fora é um alerta muito significativo. Agora há pouco o Pedro falou sobre a falta de conteúdo e sabe que eu tenho sido confrontado na minha vida nesse momento com essa realidade. Cada vez mais eu sou confrontado e lido com pessoas que parece que não têm conteúdo.
um vazio, e trazendo isso para a nossa vida espiritual é exatamente isso. A falta de conteúdo, de inclusão de Cristo na nossa existência. E eu diria que o livro de Apocalipse é um livro profético, onde nós conhecemos muito daquilo que é a realidade presente e passada e futura, mas se calhar esta ideia que o Pedro acaba aqui de mencionar é talvez o ponto-chave deste livro,
que é, se Jesus está fora, cuidado, estás em perigo. Esta, para mim, é talvez uma lição muito importante do livro de Apocalipse, para além de tudo aquilo que nós podemos aprender do tempo presente. E por isso é que talvez o convite ou o desafio que nós encontramos já a seguir depois desta passagem, é que quer queiramos, quer não, Se nós conseguirmos que Cristo entre no nosso coração, agora o sentido é que Ele permaneça em nós. E este, sem dúvida, tem de ser um princípio vital da nossa vida, do nosso cristianismo. Gostava de saltar um bocadinho do livro de Apocalipse para irmos ao livro de João, porque o livro de João também tem uma passagem muito interessante. É o mesmo autor, mas agora, digamos, no evangelho de João.
Quando vamos ao capítulo 15, versículo 4, nós vamos encontrar aqui uma passagem também muito interessante desta questão do permanecermos em Cristo. Ele diz, permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Palavras de Jesus. Como a vara não pode dar fruto de si mesma se não permanecer na videira, assim também vós se não permanecerdes em mim. Ou seja, Pedro, nós podemos ver aqui que segundo a metáfora da videira, Nós podemos ver que Deus está aqui a alertar-nos para uma relação de permanência em Cristo, não é? Qual é a relação entre permanência em Cristo, se quisermos, e também aquilo que nós podemos dizer, frutificação, ou dar frutos, vida espiritual autêntica? É, mais uma metáfora, mais uma imagem aqui da parte de Jesus, muito rica.
que nós conhecemos bem é curioso porque é por isso que a Bíblia é um livro de grande beleza poética, não podemos esquecer isso. É por isso que a Bíblia é bela de ser lida e muito rica em termos de interpretação. Isto é um pequeno parêntese, mas parece-me interessante dizer isto porque uma das características da poesia enquanto forma de expressão é esta capacidade de falar através de imagens e metáforas que não só buscam referências no ambiente, no mundo, na vida, mas que depois deixam a interpretação como um campo vasto de nós refletirmos. Enquanto se eu disser uma coisa diretamente, sem nenhum meio, nenhum campo de interpretação, ok, a mensagem é aquela.
Faz isto ou faz aquilo. Ou estás a fazer mal. Nós estivemos a usar imagens como seja a temperatura. Não és frio, não és quente, és morno. Mesmo a ideia de estou à porta e bato, vou entrar e comer, é completamente uma imagem, é a imagem da casa. E para mim o ponto que é interessante analisar esta sequência de metáforas para chegar a esta é que estamos sempre a falar da relação com Deus. Daí que há uma dimensão poética. Normalmente a poesia humana é usada muito para o ambiente do romance, do amor entre um homem e mulher. que fica mais belo quando é expressa através de diferentes imagens. E nós vemos que na Bíblia, com muita frequência, a relação entre Deus e os homens, os seres humanos, é metaforicamente descrita através de imagens que servem para facilitar, por um lado, a nossa compreensão, mas também para torná-la mais rica em sentido.
Portanto, aqui vamos para a terceira imagem. E eu fiz esta menção porque nós estamos na primeira lição, na primeira reflexão que nós estamos a fazer sobre este tema, de como é que crescemos em Cristo, como é que nos relacionamos com Ele. E agora a imagem da agricultura, que é uma imagem da natureza, vai ser usada aqui. Aliás, Jesus, como sabemos, usou muitas imagens que vêm do mundo natural, precisamente para descrever como é que se constrói uma relação com Ele. Neste caso, Cristo é a videira. Nós aqui estamos a ler o versículo 4. O versículo 1 diz que o meu pai é o agricultor. Existe alguém que é o senhor desta relação, mas depois Cristo é a videira e nós somos os ramos.
É o que diz toda a estrutura. E aqui o versículo 4 vai dizer como é que é possível manter esta relação. É permanecer em mim. Por isso é óbvio que o verbo-chave deste texto para responder à tua pergunta é sem dúvida o verbo permanecer. O que é que permanecer implica? Permanecer implica tempo. Permanecer significa que não é uma relação construída através de momentos, de ocasiões. É o tempo, é a continuidade, é a permanência. A nossa vida espiritual é alimentada na medida em que nós formos mantendo uma relação com Cristo que se alimenta ao longo do tempo.
Pedro, se me permite, eu acho que o nosso problema, enquanto vocês estão a falar, eu estava aqui a pensar, eu acredito que o nosso problema, enquanto seres humanos, é que, pelo menos eu, trabalho por objetivos. Então, eu alcancei esse objetivo, pronto, esse já está alcançado, já está garantido, agora vou para outro, por metas. E eu acredito que no nosso relacionamento com Deus e na nossa busca espiritual, nós também, às vezes, falhamos ao aplicar esse mesmo sistema. Ok, já aceitei Jesus na minha vida, já abandonei tudo aquilo que me afastava dEle, agora isso está garantido, agora vou concentrar-me e talvez em usufruir mais das bênçãos e acabamos afrouxando ou largando mão dessa continuidade que é necessária. Me faz pensar um bocado como o povo diz, ah, Deus pediu para eles, olha, vocês vão entrar na Terra, vocês não se esqueçam, quando entrarem, de continuar comigo.
É isso. Esta ideia de permanecer com Cristo remete-nos para a ideia de dependência. Não para o esforço humano, mas a continuidade. Na vida espiritual depende muito da nossa capacidade de permanecer. E todas as relações elas vivem, às vezes, dramas existenciais. Todas as relações, especialmente quanto mais íntimas são as relações, mais potencial elas têm de sofrer crises. É por isso que as relações que temos com colegas de trabalho ou pessoas que vemos apenas a um nível superficial não se comparam com as crises que nós temos, por exemplo, com a nossa esposa ou com o nosso marido ou com os nossos filhos. Essas são, por definição, as relações mais conflituais que existem.
Parece uma contradição, não é? Mas, na verdade, não é uma contradição nos termos. É porque as pessoas com quem nós temos uma relação mais profunda ou mais íntima são aquelas com quem nós exploramos mais o íntimo da nossa vida. Portanto, as nossas fraquezas, as nossas debilidades, os nossos traumas, tudo isso é trazido para junto das pessoas com quem nós temos relações muito profundas. Por isso é que eu não posso ter nenhuma crise relacional com a senhora do supermercado, onde eu vou quase todos os dias. Eu vou a um Pingo Doce, normalmente ali perto da minha casa, e a verdade é que eu conheço as senhoras e os seguranças, por exemplo, que estão por ali. Eu vou lá tantas vezes que conheço aquelas pessoas. Já sou capaz de dizer olá, como está. Mas qual é a possibilidade de eu ter um conflito com aquelas pessoas? É praticamente nulo, porque nós não partilhamos nada que seja de intimidade.
Portanto, que seja sobre quem eu sou realmente e sobre quem eles são realmente. Por isso, nós só nos cruzamos Mas em casa, com a minha mulher ou com os meus filhos, nós não nos cruzamos em casa, nós permanecemos em casa. Portanto, por um lado temos relações muito mais profundas, muito mais significativas, de onde podemos fruir felicidade e também podemos fruir, por vezes, problemas e lutas, porque partilhamos a intimidade. Mas também são estes problemas e lutas que nos ajudam a crescer. Se eles forem bem resolvidos, se nós tivermos toda esta humildade e pusermos o nosso orgulho de parte, somos capazes de refletir cada um do seu lado e conseguimos avançar juntos e crescer.
Porque nós precisamos de ter estes espelhos, não é? Nós sozinhos não somos ninguém. Precisamos de Deus em primeiro lugar, mas depois o nosso marido ou esposa Vão ser já para nós o primeiro espelho, mas os nossos filhos também, porque somos remetidos a nós mesmos, às nossas fraquezas e ninguém gosta disso na realidade. Mas é quando estamos face a nós mesmos e às nossas dificuldades, que nós vamos também indo até Deus, vamos poder dizer, olha, eu preciso de ajuda nisto. Se eu for humilde, se eu não quiser reconhecer, se eu achar que é errado aquilo que eles me estão a dizer e que eu é que sei tudo, eu nunca vou crescer, nunca vou melhorar e nunca vou ter também uma relação profunda com Deus, porque não vai funcionar.
Deus vai-me estar também a querer mostrar coisas e eu vou estar a dizer, não, isto já está bom, não é? Então a base de tudo é este reconhecer, mas precisamos uns dos outros. E é engraçado porque eu sou uma pessoa relacional, eu gosto muito de me relacionar com as pessoas, mas eu percebo que algumas pessoas a conversa nunca passa do está tudo bem, está tudo em ordem, mesmo que você tente um bocadinho mais, não consegue. Você percebe ali um bloqueio da parte do outro de permitir alguma proximidade, talvez, enfim. E por isso é que estas relações, que são apenas de cruzar, São relações que, é verdade que elas não vão ter nunca problemas ou conflitos, mas sobretudo essas relações não fortificam. Essa pessoa com quem eu não consigo mais do que a conversa do elevador, quer dizer, olá, como é que está, hoje está em um tal dia bonito, essa relação não tem por onde fortificar.
Porque os frutos nascem precisamente da convivência. Essa convivência nas coisas boas, nas coisas menos boas, mas naquilo que permanece. Isto, portanto, diz-nos que a nossa relação com Deus é uma relação que precisa de permanecer. É a única forma de nós produzirmos bom fruto. É um apelo, aliás, que Jesus está constantemente a fazer. É de que a forma de nós percebermos a qualidade e a profundidade da nossa relação com Ele é o quanto nós damos fruto. Por isso é que nós precisamos de fazer constantemente uma avaliação sobre a nossa própria realidade e a nossa condição, porque se a nossa relação com Deus for real e for profunda e estiver a ser alimentada, isso vai gerar bom fruto na nossa vida.
Se nós não estamos a criar bom fruto, é porque alguma coisa se passa na nossa relação com Deus. Então nós precisamos de fazer o quê? Cuidar melhor da nossa relação com Deus. É normalmente a solução. Não é que isso resolva os problemas todos da nossa vida, mas cuidar da nossa
relação com Deus cria condições para haver melhor fruto em tudo na nossa vida. É interessante ver que quando nós falamos do fruto, podemos pensar claramente aquilo que a Bíblia nos dá como o fruto do Espírito. Todas aquelas qualidades que o Espírito pode colocar em nós e por isso é que Talvez no tempo que nos falta para terminarmos este programa, ainda temos aqui alguns minutos, mas nestes próximos minutos nós podemos ver um bocadinho o papel do Espírito Santo, que é parte de Deus na vida cristã, na vida de cada um de nós. Embora nós, ao longo deste episódio, temos trazido muitos versículos de Apocalipse, nós não ficamos apenas no último livro da Bíblia, Existem outros livros que nos ajudam claramente a compreender como é que nós podemos crescer numa relação pessoal com Deus e para isso eu gostava de o convidar a si e a todos aqui em estúdio, podermos abrir agora a nossa Bíblia em Romanos, porque em Romanos nós encontramos Paulo aqui a falar do papel que o Espírito Santo pode ter na nossa vida.
Romanos capítulo 8, Vamos ler o versículo 11. Romanos 8, versículo 11 diz, portanto, aqui Paulo mostra claramente a necessidade de termos algo superior a nós a habitar dentro de nós. Como é que este texto, e eu vou deixar-te, Hernani, terminares no fundo quase como que as respostas às perguntas que trazemos, como é que este texto esclarece esta função indispensável, e eu coloco este termo, sublinho bem, indispensável, da presença do Espírito Santo na vida, quer na nossa vida presente e podemos talvez também dizer na nossa vida futura, não é, daqueles que pertencem a Cristo?
O texto começa e fala-nos sobre a vida que o Espírito Santo traz. Esse conteúdo que o Espírito Santo traz para nossa existência através da sua pessoa quando pedimos que ele esteja conosco. Interessante pensar que nós mencionamos aqui as igrejas do Apocalipse, falamos particularmente da última, mas ele termina cada uma delas dizendo, quem tem ouvidos, ouça. o que o Espírito diz às igrejas. Quer dizer que é um apelo, na verdade, do Espírito. O Espírito Santo incomodando cada um de nós, né? Ora, eu sempre quando penso no Espírito, lembro da promessa que Jesus fez. Permite-me ler, Jorge. Eu vou ler João 16, do verso 7... Perdão. João 16, verso 7 e 8, que diz assim, mas eu vos digo a verdade. Convém que eu vá...
Jesus estava a ir e disse isso para os discípulos. Porque se eu não for o consolador não virá para vós outros. Se, porém, eu for, eu vou e o enviarei. E quando ele vier, Jesus diz assim, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Ora, é interessante perceber então que a obra do Espírito Santo, a primeira obra do Espírito Santo é fazer exatamente isso, nos convencer do pecado. Eu costumo, como pastor, e às vezes na partilha da palavra dizer para as comunidades onde passo, Vocês, cada um de nós, não precisa do Espírito Santo para convencernos do pecado dos outros. Se vocês me derem dois minutos aqui, eu começo a apontar os defeitos de toda a gente. A natureza humana me permite fazer com que eu reconheça o que está errado aqui, ali e acolá.
Mas faz isso só quando o programa corta. Não vou fazer agora. Mas para que essa ação aconteça comigo, confrontar-me com o meu pecado, Eu preciso do milagre do Espírito Santo. Eu não digo nem da obra, é do milagre do Espírito Santo a me confrontar com essa realidade, com os espelhos que ele vai colocando diante de mim, com a palavra que ele vai colocando diante de mim. Por isso, permitir que isso aconteça, eu não sei vocês, mas é algo extremamente difícil, dorido, quando o Espírito Santo começa a nos convencer daquilo que está mal. Porque nós temos a plena convicção de que tudo que a gente faz Está bem, pelo menos eu, eu sou bastante convencido daquilo que eu faço, entende? Não, assim também, se eu escolhi por essa faixa da direita, não, não vou por aqui, não vou ultrapassar agora, vou por ali. E se alguém faz na minha frente, olha, fez mal, devia ter feito aquilo que eu pensei que era o correto, né?
E essa constância em ser convencido, nós fugimos dela e eu acredito que eu descobri o porquê. Porque o diabo também faz isso. a seu nível, sabe? Eu tenho estudado um bocadinho este tema e tenho percebido que o diabo ele usa aquilo que Deus faz, mas só que ele faz a sua maneira e com os seus objetivos. Eu lembro, por exemplo, de uma passagem, eu até anotei aqui para nós não esquecermos, eu não vou ler ela toda, mas em Zacarias, no capítulo 3, do verso 1 ao 7, é interessante porque nos diz que estava Josué, diante do Senhor, e o sumo sacerdote estava ali. Eu vou ler, se me permite. Deus mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do Senhor, e Satanás estava à sua mão direita para se lhe opor.
Quer dizer, Satanás estava a opor-se constantemente à ação e à vida de Josué nesse caso. E é interessante porque Josué, nesse momento, era um retornado. Não o Josué lá do Antigo Testamento, depois de Moisés, mas Josué era um dos sumo-sacerdotes que voltava de Babilônia, é quem Deus convidou a reconstruir Jerusalém, e que se sentia indigno. E Deus vai olhar e vai dizer assim, não, eu preciso de você, Josué, eu vou te usar. Mas Satanás disse, não, você não é capaz, você faz parte desse povo pecador, desobediente. E o que Deus faz aqui? Deus vai encontrar a solução, vai purificar Josué, vai repreender Satanás. E é interessante que nós, a maioria das vezes, fugimos da ação do Espírito porque confundimos um cado, creio eu, com essa ação acusadora de Satanás.
Ora, se nós permitirmos que o Espírito Santo trabalhe no nosso coração, nós vamos cobrir que a intenção dele é nos revelar o que está mal para depois propor a cura e a solução, que na verdade é ele mesmo. Então, esse trabalho todo de permitir a ação do Espírito e o convite que ele
termina, e eu repito mais uma vez, quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas, é para nos ajudar a caminhar na direção do reino de Deus. Muito bem. Temos 30 segundos para cada um. Qual é a conclusão que nós podemos tirar deste tema, Pedro? Talvez dizer que a constatação da nossa realidade é o ponto, não sei se essencial, mas é o ponto de partida para Deus poder fazer a obra em nós que ainda não conseguiu fazer porque nós não deixámos. Se nós considerarmos que estamos bem, que somos os melhores, Deus não pode fazer nada em nós. Muito bem. Inês? Para mim é estarmos, ao estarmos conscientes daquilo que se está a passar na nossa vida, sermos capazes então de abrir as portas, termos coragem de reconhecer e abrir as portas a Cristo.
E deixar a influência do Espírito Santo, trabalhar e moldar-nos à preparação pelo Reino de Deus. Muito bem, só tenho tempo para lhe dizer que se estiver interessado em receber este guia de estudo, céu ou inferno, basta enviar uma mensagem, é muito simples, eu quero. E nós teremos muito gosto em enviar-lhe para a sua casa. 933 939291 é o número do telefone para onde deve enviar a sua mensagem. Pode fazê-lo pelo WhatsApp e de certeza absoluta que muito em breve receberá em sua casa gratuitamente. Abrimos uma nova temporada para conhecermos esta realidade e para termos uma relação de proximidade com Deus. Esta semana vimos os factos. Para a semana vamos conhecer Deus.
Fico por aí. Gostamos muito da sua presença. Volto para a semana.
Neste episódio do Bíblia Aberta, inicia-se uma nova temporada dedicada a um dos temas mais importantes da vida cristã, o crescimento numa relação pessoal com Deus. A partir de Apocalipse 3, somos convidados a refletir sobre a nossa verdadeira condição espiritual e a forma como Deus nos vê.