Bem-vindos ao Solo de Escritura, aqui na Novo Tempo Portugal. Hoje, recuámos ao século XVII para conhecer uma figura marcante da história da fé, Roger Williams, o homem que fundou a colónia de Rhode Island, nos Estados Unidos, e se destacou como defensor da liberdade religiosa. Neste episódio, vamos explorar como ele abriu o caminho para a separação entre a Igreja e o Estado, e porque aquela liberdade religiosa continua a ser um princípio fundamental da verdadeira fé. Fique connosco! Vamos conhecer a sua história e, no fim, abrir a Bíblia para confirmar cada princípio. Está no Sola Escritura!
Neste episódio vamos conhecer a história de um homem que desafiou os poderes religiosos da sua época e lançou as bases para uma fé livre e consciente. Ele defendia que ninguém devia ser forçado a acreditar contra a sua vontade e viveu essas convicções até às últimas consequências. O seu nome é Roger Williams e a sua vida é um testemunho poderoso de coragem espiritual. Sabemos que a vida de Roger Williams foi marcada por lutas pela liberdade. Mas como é que tudo começou e o que é que sabemos sobre a infância e a juventude dele na Inglaterra? Bom, então a infância de Roger Williams está envolta em algum mistério, não sabemos assim muito. Sabemos que ele nasceu em Londres, por volta de 1603, num lar cristão e com boas condições económicas. O seu pai era comerciante de tecidos e a mãe, Alice, ficou viúva ainda jovem, mas garantiu mesmo assim a educação aos filhos.
O que mudou o rumo da sua vida foi um encontro com uma figura importante, Sir Edward Coke, um jurista respeitado, defensor das liberdades civis. Impressionado com a inteligência de Roger, acolheu-o e ajudou-o a entrar numa escola prestigiada, o Charter House. Mais tarde, Williams estudou teologia em Cambridge e começou a desenvolver ideias que o afastavam da Igreja Oficial. Ele via já nessa altura que a fé imposta não era verdadeira fé. Numa carta escrita muitos anos depois, ele recordou o impacto que Koch teve na sua vida e disse literalmente Para além da minha inclinação natural para o estudo e a atividade, o exemplo, o ensino e o encorajamento de Sir Edward Koch impulsionaram-me a seguir um caminho maior do que um trabalhador normal e paciente.
Foi nessa juventude marcada pelo estudo, pelo questionamento e pela influência de grandes pensadores que nasceu o espírito de liberdade que o acompanharia toda a vida. Então ele cresceu num ambiente de estudo e consciência, mas o que é que o levou a sair da Inglaterra e atravessar o Atlântico para a América? E como foi essa decisão de partir para lá? A decisão de Roger Williams de deixar a Inglaterra foi o resultado de um amadurecimento espiritual e teológico que o levou a romper com as estruturas religiosas do seu tempo. Ele começou por integrar-se nos circuitos puritanos que queriam reformar a Igreja da Inglaterra por dentro, mas de pressa ele percebeu que a reforma parcial não era suficiente. passou a identificar-se com os separatistas, que defendiam uma ruptura completa entre a Igreja e o Estado.
E este posicionamento, que na altura era radical, tornou-o um alvo para as autoridades eclesiásticas, que viam nas suas ideias como ameaças. E o nome dele chegou aos ouvidos do acervispo William Lodd, conhecido por perseguir dissidentes com mão bastante pesada. Então William sentiu-se em risco real. A repressão era tal que até alguns dos seus amigos foram presos por defender ideias semelhantes às dele. Por isso, em finais de 1630, já casado com Mary Barnard, Roger decide partir. Embarcaram no navio Leon e chegaram à colónia de Massachusetts em fevereiro de 1631, com o sonho de viver num local onde a fé pudesse ser vivida com liberdade.
Anos mais tarde, ao recordar este momento, ele escreveu com emoção. Ou seja, Roger Williams não partiu à procura de prosperidade ou de uma aventura, mas porque estava convencido de que nenhuma autoridade humana podia obrigar alguém a querer contra a sua consciência. Esta fidelidade ao princípio da liberdade espiritual marcou toda a sua vida e seria posta à prova logo após a sua chegada à América. Vimos então que ele chegou à América firme nas suas grandes convicções, mas o
que é que ele encontrou ali quando chegou, como é que foi recebido nas primeiras igrejas e porquê é que ele começou logo a gerar polémica? À chegada, Roger Williams parecia ter tudo para ser bem recebido. Era culto, era respeitado e era profundamente religioso. Logo foi convidado a integrar a igreja de Boston como pastor assistente, mas ele recusou. Por quê? Porque para ele aquela igreja ainda estava muito ligada à igreja da Inglaterra, da qual ele se tinha separado por convicção. Pouco depois aceitou um convite para pregar em Salém, onde encontrou o ambiente mais simpático às suas ideias, e mais tarde também em Plymouth, junto de antigos separatistas. Mas a sua forma de pregar e os temas que ele abordava geravam cada vez mais resistência, como me refere uma das suas biografias.
Ele afirmava que o governo civil não tinha autoridade em assuntos espirituais. Isto era uma ideia tão revolucionária. tão extraordinária para o contexto puritano, onde a Igreja e o Estado caminhavam juntos. E ele foi ainda mais longe. Afirmou que os colonos não tinham direito legítimo às terras indígenas, sem uma compra justa, que era um ataque direto aos alicerces da economia da colónia. O impacto destas ideias foi imediato, as autoridades começaram a vigiá-lo, os colegas pastores começaram a se afastar e ele, porém, manteve-se firme. Estas posições trouxeram o primeiro processo de expulsão, logo em 1635. Para as autoridades de Massachusetts, Roger Williams era um perigo público, alguém que punha em causa a unidade religiosa da colónia e o domínio colonial sobre a terra.
Mas ele não recuou. Para ele, a verdadeira fé não podia nascer da coerção, nem da tradição, mas da liberdade da alma perante Deus. E foi essa fidelidade à palavra que o conduziu para o isolamento e depois para
uma obra mais marcante. Essa firmeza que tu descrevias ainda agora teve um preço. O que é que aconteceu depois e como é que foi o exílio de Roger Williams? É verdade. A firmeza de Roger Williams em não ceder às pressões das autoridades civis e religiosas levou-o à sua expulsão. Em outubro de 1635, o Tribunal Geral de Massachusetts condenou-o ao exílio por promover ideias novas e perigosas. A ordem era clara. Devia de abandonar a colónia num prazo de seis semanas. Mas como ainda havia neve no solo, deixaram-no ficar mais algum tempo. Mas quando as autoridades descobriram que ele continuava a reunir-se com os simpatizantes, decidiram prendê-lo e enviá-lo de volta para a Inglaterra. Só que, quando eles repararam, ele já tinha partido em segredo, no meio do inverno, com a neve a cobrir os caminhos e sem saber por onde ir.
Mais tarde, ele descreveria. Quando fui cruel e cristalmente banido, vagueei durante 14 semanas no inverno, sem saber o que era pão ou cama. Durante todo esse tempo, ele vagueou na floresta, suportando o frio, a fome, a solidão. Ele foi acolhido pelos índios na Raghasset, com quem já tinha criado laços de respeito. E isto foi um momento decisivo. Foi neste contexto, com a ajuda dos indígenas, que ele encontrou um terreno junto à Baía de Narragacete, comprou legalmente aos nativos e ali fundou, em 1636, uma nova comunidade que chamou Providence, ou seja, Providência. Providence foi criada com um princípio inédito no mundo ocidental.
Nenhuma pessoa seria perseguida por causa da sua consciência religiosa. No Acordo da Fundação escreveu, só Deus é o juiz das consciências. Ali, judeus, católicos, protestantes, até pessoas sem fé, podiam viver lado a lado sem serem forçados a querer ou a adorar. E este pequeno refúgio, nascido do sofrimento, tornasse-se o primeiro território do mundo moderno, com plena liberdade religiosa, quase dois séculos antes da primeira emenda da Constituição Americana. Providence realmente foi um começo marcante, mas ele continua a lutar por esses princípios. E então, o que é que o levou a voltar à Inglaterra? Roger Williams sabia que a sua colónia era frágil, não tinha reconhecimento oficial e corria o risco de ser absorvida pelas colónias vizinhas.
Por isso, em 1643, partiu de volta para a Inglaterra com o objetivo claro, obter uma carta régia que garantisse a autonomia legal a Rhode Island. Foi nessa altura que, enquanto aguardava a decisão do Parlamento, escreveu a sua obra mais conhecida, o terrível princípio da perseguição por causa de consciência. O livro é um ataque direto às ideias de que o Estado pode impor religião, escrito em forma de diálogo entre duas personagens, a verdade e a paz. Williams defende que a coerção religiosa é contrária ao Evangelho e que cada ser humano responde a Deus com plena liberdade. O impacto foi imediato. A obra foi banida e ordenada a ser queimada pelo Parlamento.
Mas o seu conteúdo espalhou-se rapidamente entre os defensores da liberdade. Numa das passagens mais citadas, ele escreveu, Forçar homens a crer contra a sua consciência é um crime contra a alma. Williams argumentava que a religião imposta gera hipocrisia e que só a fé voluntária é fé verdadeira. Esta ideia que hoje tornámos como tão óbvia, na altura era revolucionária. Além disso, durante essa viagem conseguiu o que queria. Em 1644 recebeu a carta de incorporação de Providence Plantations, legalizando oficialmente a nova colónia e garantido que ela poderia viver segundo os princípios da liberdade de consciência. Foi uma vitória histórica. Pela primeira vez, uma autoridade civil reconhecia que os assuntos de fé deviam ser deixados à consciência de cada um e não à espada do Estado.
Então ele conseguiu aquilo, portanto lutou. Uma colónia verdadeiramente livre.
Mas o que é que aconteceu nos anos seguintes e como foram os últimos anos da vida de Roger Williams? Depois de regressar da sua missão lá na Inglaterra, Roger Williams continuou a servir como líder em Providence. Foi eleito presidente da colónia de Rhode Island em 1654, numa altura em que havia divisões internas entre os colonos. Muitos deles com crenças diferentes ou até sem qualquer religião. O que tornou Williams único foi a sua capacidade de governar sem impor. Ele acreditava que a unidade civil não dependia da uniformidade religiosa e, apesar dos conflitos, ele manteve-se fiel ao princípio. Cada pessoa devia ser livre de querer segundo a sua consciência. Mas estes últimos anos não foram muito fáceis. Muitos dos que inicialmente o apoiaram afastaram-se.
Surgiram novas tensões, especialmente com grupos como os Quakers, que também defendiam liberdade, mas tinham práticas bastante provocatórias. O Williams escreveu contra alguns exageros, mas defendeu o direito dele de estarem na colónia. Com o tempo foi sendo postulado, mas já não era o centro das decisões e foi mesmo ignorado em algumas assembleias. Ainda assim, manteve-se ativo, escrevendo, ensinando e defendendo sempre o respeito mútuo. Uma das suas biografias descreve bem este contraste. Na sua morte, não teve monumento, nem pedra que marcasse o túmulo, mas deixou um legado espiritual duradouro. Roger Williams morreu em 1683, com cerca de 80 anos.
Foi enterrado num lugar simples em Providence. Décadas mais tarde, ao fazerem obras na zona, já ninguém sabia onde é que estava o seu corpo. Mas a sua memória sobreviveu, não como fundador de uma igreja ou de um império, mas como fundador de um princípio, o da liberdade de consciência para todos. Dizias há pouco que Roger Williams deixou um legado espiritual duradouro. Hoje, tantos séculos depois, por que razão é que ainda falamos de Roger Williams e qual foi, no fundo, este seu legado? Ele não fundou uma igreja para dominar os outros, não procurou poder político, fundou uma colónia onde a fé podia ser vivida com liberdade, sem impor e sem perseguição. Isso fez dele um pioneiro. Num mundo onde a religião era usada para controlar, ele escolheu libertar.
A sua visão influenciou profundamente a história. Muitos dos princípios que defendeu, como a separação entre a Igreja e o Estado e a liberdade de consciência, viriam a inspirar a Constituição dos Estados Unidos e, mais tarde, até a Declaração dos Direitos Humanos em todo o mundo. Mas o seu legado não é apenas político, é também espiritual. Ele ensinou que a verdadeira fé nasce no coração e não pode ser forçada nem imposta por decreto. Isto está em perfeita sintonia com o ensino de Jesus que dizia, se alguém quiser vir após mim. Ou seja, Jesus ensinou que devem o seguir com liberdade. O diplomata e autor Oscar Strauss disse sobre ele, E ele não foi o primeiro a descobrir os princípios da liberdade religiosa, mas foi o primeiro a aplicá-lo por inteiro ao fundar uma comunidade.
E é por isso que hoje estamos a falar, Tiago, de Roger Williams, porque ele foi um reformador sem espada, um homem da palavra e da consciência, que acreditava que Deus deseja adoradores livres e não obedientes por medo. Se gostou da história do Roger Williams e quer aprofundar este tema à luz da Bíblia, nós temos um presente para si. Estamos a oferecer à revista O Grande Conflito, um curso bíblico gratuito com 24 temas inspiradores. E o episódio de hoje corresponde precisamente ao estudo 14, que fala sobre a liberdade religiosa, o princípio essencial para viver uma fé autêntica. Neste estudo vai descobrir o que Deus respeita às escolhas de cada pessoa, que a fé verdadeira nunca pode ser forçada e que Cristo convida, mas nunca impõe. Para receber a sua revista, basta enviar uma mensagem por SMS ou WhatsApp para o 933 939 291.
A oferta é gratuita e sem compromisso. Não perca esta oportunidade de estudar a Bíblia e compreender por que razão a liberdade de consciência é tão valorizada nas Escrituras. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Na Igreja do Novo Testamento, a fé era uma resposta livre ao convite de Deus. Jesus nunca obrigou ninguém a segui-Lo. Quando os discípulos começaram a abandoná-Lo, Ele perguntou, Ou seja, respeitando a decisão de cada um.
E em Apocalipse 22, 17, diz o Espírito e a esposa dizem, vem, mas acrescentam, e quem quiser tome de graça da água da vida. A adoração, ensinava Jesus, deve ser feita em espírito e em verdade, e só é
verdadeira quando nasce de um coração que escolhe amar. Desde o princípio, Deus apresentou a verdade com clareza, mas sempre deixou o ser humano livre para escolher. Mas com o tempo essa liberdade foi sendo perdida. A partir do século IV, com a conversão do imperador Constantino, o cristianismo passou a ter apoio estatal. Aquilo que era fé tornou-se política. Começou uma união entre a Igreja Cristã e o Estado. A religião deixou de ser uma escolha e passou a ser uma obrigação civil. O descanso ao domingo foi imposto por decreto, o batismo foi ligado ao registro civil e os líderes da igreja passaram a controlar também a justiça e a vida pública. Começava assim um período sombrio de coerção religiosa.
Por exemplo, as cruzadas que começaram no final do século XI foram um exemplo do uso da força para fins religiosos. Milhares de soldados marchavam sobre a bandeira da cruz para conquistar Jerusalém. Não para pregar, mas para fazer guerra. Cidades inteiras foram massacradas. Homens, mulheres e crianças foram mortos sem distinção. E tudo era apresentado como uma obra sagrada. Ao longo dos séculos, houve outras cruzadas internas contra grupos considerados hereges, como os cátaros, os valdenses e os usitas, todos alvos de perseguição brutal por quererem seguir a Bíblia acima das tradições. Outro exemplo é um dos capítulos mais sombrios da história cristã, a Inquisição.
Foi criada oficialmente no século XIII. Foi uma máquina institucional de repressão. Qualquer pessoa que questionasse os dogmas oficiais era julgada, torturada e, em muitos casos, executada. Mulheres de homens e mulheres, e entre eles crentes sinceros, estudiosos da Bíblia e até crianças, foram mortos em nome da Ortodoxia. A fé deixou de ser uma questão de consciência e passou a ser imposta pelo medo. O nome de Deus foi usado para justificar prisões, fogueiras e torturas. Neste cenário, a religião passou a ser um instrumento de poder. O cristianismo institucionalizado tornou-se um sistema político com reis e papas a exercerem autoridade absoluta sobre o corpo e a alma.
O Evangelho foi distorcido e a liberdade tornou-se heresia. Foi só com a Reforma que esta doutrina começou a ser redescoberta. Muitos reformadores ainda mantinham ligações com o poder político. Lutero, por exemplo, rompeu com Roma, mas aceitou que os príncipes tivessem controle sobre as igrejas. Calvino estabeleceu regras rígidas em Genebra, com sanções civis para assuntos religiosos. Mas Deus levantou outras vozes, como Roger Williams. Ele defendeu a liberdade religiosa e fundou uma comunidade onde ninguém seria forçado a acreditar, onde cada consciência seria respeitada. Era uma ideia nova, ousada, mas profundamente bíblica. Hoje, em muitas partes do mundo, este princípio é reconhecido, mas nem sempre é respeitado.
Ainda há países onde crer é crime, onde mudar de religião é proibido, onde partilhar a Bíblia também é proibido. E mesmo em sociedades livres, há cristãos que confundem liberdade com indiferença ou que querem impor a fé por meios políticos ou culturais. Mas a Palavra de Deus continua a ensinar que o amor não se impõe. A obediência verdadeira nasce da liberdade. Por isso, defender a liberdade religiosa não é apenas um direito, mas é uma expressão do caráter de Deus. Vamos agora abrir a Bíblia e aprofundar o tema da liberdade religiosa. Vamos abrir a revista O Grande Conflito, no estudo número 14.
A primeira pergunta é, Ruben, Deus obriga alguém a segui-lo? A Bíblia é muito clara em relação a este assunto. Vamos ler logo em Deuteronómio, capítulo 30, do versículo 19 e 20, que diz, Os céus e a Terra tomam hoje por testemunhas contra vós, que vos propus a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolho, pois, a vida, para que vivas tu e a tua semente. Amando o Senhor teu Deus, dando ouvidos à sua voz, e te axigando a ele, pois ele é a tua vida e a longura dos teus dias. Em Jesué diz-nos também, porque se vos parece mal, aos vossos olhos servei ao Senhor, e escolhei hoje a quem sirvais. Em Apocalipse 23, 17 diz-nos e o Espírito e a esposa dizem vem e quem ouve diga vem e quem tem sede venha e quem quiser tome de graça da água da vida.
Ou seja, qual é o tema comum ao longo destas três passagens bíblicas? É Deus a apelar a uma escolha, a uma escolha consciente. Repara, a Bíblia é muito clara, Deus não obriga ninguém. Deus não força ninguém. Ele faz um convite. Um convite com amor. E nós temos a liberdade. E essa liberdade é uma liberdade de escolha. E é um princípio da criação e da salvação. A palavra de Deus diz-nos logo em João capítulo 4, Deus é espírito e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.
Em Mateus 22, 37 diz-nos, E Jesus disse-lhes, Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. E em Salmos 95, 6, Ouvindo, adoremos e prostremos-nos, ajoelhemos-nos diante do Senhor que nos criou. A palavra de Deus está-nos a dizer que Jesus ensinou claramente que a adoração é algo voluntário, é algo íntimo e sincero que parte do nosso coração. O próprio Deus nos mostra em várias passagens que ele não aceita a adoração forçada. Não aceita algo que não seja sincero do coração. Algo que não seja voluntário. Porque o amor é verdadeiro. O amor é o verdadeiro motivo da adoração. E o amor implica a liberdade.
Temos agora uma pergunta que eu acho que é muito importante no que diz respeito ao estudo desta doutrina, aliás. Que é como tratou Jesus aqueles que o rejeitaram. Isso é um ponto muito interessante, vamos ler. Mateus 23, 37 diz. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apadrejas os que te são enviados. Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas e tu não quiseste. João 6 diz-nos, desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás e já não mais andavam com ele. Então disse Jesus aos doze, queréis vós também retirar-vos? Em Marcos 10 diz-nos, e Jesus, olhando para ele, o amou e disse-lhe, falta-te uma coisa, mas ele, pesaroso, desta palavra, retirou-se triste.
É verdade, a Bíblia nos mostra, nestes vários exemplos, que Jesus lamenta, fica triste, mas respeita plenamente a decisão de quem o rejeita. Ele nunca forçou ninguém a segui-lo, porque o amor de Cristo não é coercivo, não é pela obrigação. E ele fica, claro, triste se nós o rejeitamos, mas ele respeita a nossa decisão. Qual deve ser então a relação entre a religião e a coerção que falavas ainda há pouco? Claramente, o apóstolo Paulo nos diz, em Romanos 14, de maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Em Mateus 7, 21, a Palavra do Senhor diz-nos, Também Paulo escreveu a 2ª de Coríntios, Ou seja, a religião, a adoração, o nosso relacionamento com Deus é um ato tanto pessoal como voluntário.
Cada um é responsável pelas suas próprias decisões e um dia cada um será julgado pelas suas próprias decisões. Deus rejeita a obediência forçada. Ele procura uma entrega sincera e uma entrega baseada na liberdade de escolha. E o que é que diz a Bíblia acerca da liberdade de escolha espiritual? Então nós vemos, pelas palavras de João, no capítulo 12, no versículo 47, Temos também em Apocalipse 3, no versículo 20, E ainda Isaías 55, versículo 1, Há aí todos vós, os que tendes sede, vindo às águas, e os que não tendes dinheiro, vindo de comprar e comer.
Estas passagens da Bíblia nos mostram claramente que a salvação é oferecida e não é imposta. O versículo do Apocalipse nos mostra esta imagem de Jesus a bater à porta. Reparem, Ele não arromba a porta. Ele espera pacientemente que nós abramos a porta para Ele poder entrar. Deus respeita a nossa decisão espiritual. Respeita a decisão espiritual de cada pessoa. Hoje fomos desafiados a olhar para a fé com outros olhos. Aprendemos que Deus não nos quer controlar, mas sim conquistar. Que a obediência só tem valor quando nasce a liberdade. Roger Williams arriscou tudo por esta verdade e deixou-nos um legado que continua a desafiar o mundo inteiro. Que cada ser humano tem o direito de adorar a Deus ou não adorar, sem coerção, sem medo, sem imposição.
Ruben, que ideia final nós tiramos deste estudo? A palavra de Deus é clara. Quem quiser tome de graça da água da vida. Não há fé verdadeira sem liberdade. Não há salvação forçada. Cristo bata à porta e espera que sejamos nós a abrir. Talvez já tenhas ouvido a sua voz antes. Talvez até o tenhas seguido com reservas. Por tradição ou por pressão. Mas agora é diferente. Agora sabes que ele quer ter um relacionamento contigo baseado na confiança e baseado no amor. Hoje convido-te a responder com liberdade. Não o dias. Não o ignores. Não adores a Deus só com os lábios. Adora com o coração. Decide viver a tua fé com convicção. Decide hoje colocar a tua consciência nas mãos de Deus.
Se sentiste que esta mensagem foi para ti, então dá o próximo passo. Solicita já a revista O Grande Conflito, um curso bíblico que te vai ajudar a aprofundar os princípios que explorámos hoje. O episódio de hoje corresponde ao estudo 14 sobre a liberdade religiosa. Para pedir, basta enviar uma mensagem por SMS ou WhatsApp para 933 939291. Na próxima semana vamos conhecer outro reformador, outra doutrina redescoberta nas páginas das Escrituras e outra oportunidade para te aproximares da verdade. Até lá, lembremos-nos que há um só fundamento seguro para a fé, só na Escritura.
Neste episódio do Sola Scriptura, viajamos até ao século XVII para conhecer a história de Roger Williams, um dos grandes defensores da liberdade religiosa. A sua vida foi marcada por coragem, convicção bíblica e uma profunda defesa do direito de cada pessoa escolher a sua fé sem coerção.