A alma que saiu quando Raquel morreu

A alma que saiu quando Raquel morreu

05 de Junho de 202528 min 1 s

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Abertura e apresentação

Olá, bem-vindo uma vez mais ao Fórum Bíblico. É um gosto saber que está aí desse lado para nos acompanhar em mais um programa. Mas se por acaso é a primeira vez que se junta a nós, então quero dirigir-me a si de forma especial. Está a ver, ou quem sabe talvez a ouvir, um programa semanal no qual pode participar sempre que assim o desejar, imagine só. Este é um fórum dedicado exclusivamente ao vasto conhecimento sobre as Sagradas Escrituras e que pode receber as suas perguntas ou as suas dúvidas sobre os mais variados assuntos abordados na Bíblia, como, por exemplo, a compreensão de uma passagem bíblica que seja aparentemente difícil ou que lhe pareça confusa. Sempre que nos enviar a sua ou as suas questões, a nossa equipa vai recebê-las e encaminhá-las para a nossa produção e depois, sempre que possível, as respostas serão dadas aqui no programa, porque queremos que a sua pergunta sobre a Bíblia não fique sem uma resposta.

Mas para isso, precisamos que nos faça chegar as suas perguntas para o nosso e-mail, programas, arroba, novotempo.pt, eu volto a repetir, programas, arroba, novotempo.pt, ou para o nosso número de telemóvel, 933-939291, anote bem, 933-939291, através de uma mensagem que pode enviar por WhatsApp ou SMS. Para sabermos que nos está a enviar a sua pergunta para este programa, escreva sempre o nome do programa, fora umbílico. Lembro também que este é um programa que está disponível na televisão, no canal 186 da Mel, também está disponível no YouTube da Novo Tempo Portugal e também na programação da Rádio RCS, na frequência 91.2 FM, na região da Grande Lisboa ou então em qualquer lugar online em radiorcs.novotempo.pt.

Disse-lhe logo no início que as perguntas para este programa podem ser, por exemplo, textos bíblicos que não compreenda muito bem, E hoje trazemos para este fórum três perguntas em torno de uma passagem bíblica que nos foi proposta para ser aqui explicada no contexto do relato sobre o nascimento do segundo filho de Raquel, mulher de Jacó, a qual acabaria por falecer durante o parto. Para nos ajudar a responder às perguntas que chegaram até o nosso fórum, está connosco, como habitualmente, Arturo Machado, teólogo e, acima de tudo, alguém apaixonado pelo estudo da Bíblia e das verdades que estão contidas nela, e que hoje nos vai ajudar a compreender o texto bíblico que está em foco no nosso programa. Olá, Arthur. Bem-vindo. Obrigado por estar connosco uma vez mais.

E vamos, já sem demora, conhecer que passagem é essa, em que texto que está e qual a primeira pergunta que nos chegou para despoltar a explicação e a

A morte de Raquel

compreensão do mesmo. Então, a pergunta é a seguinte. Como podemos compreender o relato de Génesis, capítulo 35, versículo 18, que diz que a alma de Raquel saiu quando ela morreu? Muito bem, então esta passagem, Génesis 35, 18, diz literalmente o seguinte, e aconteceu que saindo-se-lhe a alma, porque morreu, chamou o seu nome Benoni, mas o seu pai o chamou Benjamim. Estamos, portanto, no segundo filho de Raquel, que será Benjamim, e como foi dito muito bem na introdução, durante o parto, Raquel vai falecer. E, antes de falecer, ela dá um nome ao seu filho, o filho da minha pena, filho da minha dor, portanto Ben Honi, mas o seu pai resolveu mudar este nome para que a criança não ficasse associada àquele infortúnio e chamou-lhe filho da minha direita.

Já vimos em programas anteriores que os nomes tinham Exatamente. É claro que há várias pessoas que acreditam que o ser humano tem uma alma que no momento da morte se despega. Ao lerem esta passagem podem realmente ser induzidos em erro e pensar que na morte há realmente uma entidade, alguns chamam-lhe alma, outros chamam-lhe espírito, que sobrevive portanto, à morte do corpo. O texto poderia levar a esse erro. Mas para compreendermos bem esta passagem, temos que ver aquilo que o Antigo Testamento afirma sobre o ser humano, sobre como é que o ser humano foi criado.

E nós iremos ver algumas coisas interessantes sobre o que a Bíblia afirma justamente na criação do ser humano. A existência do ser humano tem vários níveis, nós poderíamos dizer. Há um nível natural e há um nível sobrenatural. Há um nível interno e há um nível externo. Ora, o nível natural é simples. O homem é criado na Bíblia, no livro de Génesis, no relato da criação, para viver no mundo natural, neste mundo que nós conhecemos em contacto com a natureza, em contacto com os animais. Esse é o estilo de vivência do ser humano. Há uma dimensão sobrenatural, porque o ser humano é aquele que se relaciona também com Deus, que é o sobrenatural, com o transcendente. Há um nível de existência também interno, interior, de respeito às emoções, aos sentimentos, ao pensamento do ser humano, à maneira como ele vive interiormente, digamos, a sua ação, a sua relação, quer consigo próprio, quer com Deus, quer com o meio que o rodeia.

E há uma dimensão externa, aquela que o ser humano tem justamente com aquilo que está à sua volta, com os outros seres humanos, com os animais, com as coisas. E, portanto, temos que, quando analisamos a perspectiva bíblica da forma como o ser humano é criado e da forma como ele interage, aquilo que nós diríamos a antropologia bíblica, nós temos que ter sempre em mente estas dimensões. E... Erradamente, há quem, não compreendendo bem estas dimensões, perceba que o ser humano tem três partes. Aquilo que nós diríamos a alma, o corpo e o espírito. Mas, embora essas palavras existam na linguagem bíblica, elas não designam três partes do ser humano, porque, como nós iremos ver, o ser humano é um ser que é criado como um todo, há uma perspectiva holística da criação, mas o que elas designam é o modo de ser, o modo de agir do ser humano, ou o modo de agir físico, Há um modo de agir psíquico, que tem a ver com as emoções.

Há um modo de agir espiritual, sem dúvida. Até poderíamos dizer que há um modo de agir cognitivo, racional, daquilo que é a forma como o ser humano se compreende a si próprio.

A criação do homem

e todo o mundo que o rodeia. E o livro de Génesis apresenta-nos mais ou menos um resumo da criação do ser humano, em Génesis, no capítulo 2, dizendo-nos que formou o Senhor Deus, o homem do pó da terra, e superou nos seus narizes o fogo da vida, e o homem foi feito alma vivente. Nós vamos ver que este relato apresenta-nos quatro grandes pontos, quatro grandes aspectos da forma como o ser humano foi criado. E nós vamos ver esses quatro grandes aspectos. O primeiro aspecto é que o ser humano foi criado por Deus. Ele não evoluiu a partir de formas de vida inferiores. Ele foi criado pelo Criador, ele foi criado por Deus. O ser humano, nós poderíamos dizer, é um produto direto da intervenção de Deus.

Este é o ponto número 1. Ponto número 2 é que o ser humano foi formado da Terra. Daí o seu nome Adão, porque foi tirado da Terra. A Terra é o feminino de Adão. A palavra adamah, no hebraico, é o feminino da palavra adam, que não designa apenas o género masculino, mas designa a humanidade, aquilo que nós diríamos homem com H, não é? A humanidade. Há um terceiro aspecto que convém sublinhar no relato da criação. O ser humano tem vida porque esta lhe foi concedida por Deus. Ou seja, o relato bíblico diz que Deus soprou nas narinas do ser humano o folgo da vida, porque Deus tem vida em si próprio, e o homem tornou-se um ser vivente.

E há o quarto aspecto. E o quarto aspecto é a junção da terra e do sopro de vida tornou o ser humano um ser vivo ou, como dizem as diferentes traduções, um ser vivente ou uma alma vivente. Em lado nenhum do relato da criação do ser humano é dito que, no momento da sua criação, ele recebeu uma alma. Pelo contrário, é dito que ele se tornou uma alma. Deus criou uma forma a partir da Terra, Deus soprou nessa forma e essa forma ganhou vida. Essa forma tornou-se, portanto, um ser vivo. Logo, a palavra alma não pode ser vista como algo divino que o ser humano tenha, algo que venha de Deus, algo que seja eterno ou imortal e que habite no ser humano.

Também ela não é apresentada como algo imaterial que seja separada do corpo, porque nós iremos ver como é que justamente a Bíblia vai designar essa palavra alma, mas Nós vimos que no relato de Génesis, capítulo 2, versículo 7, o ser humano é o resultado, o ser humano vivo é o resultado, portanto, da obra criadora, da ação criadora de Deus. E Lucas, por exemplo, passando para o Novo Testamento, vai-nos dizer que a palavra alma muitas vezes pode designar o ser humano no seu todo, a pessoa. Por exemplo, no relato do Livro dos Atos dos Apóstolos, no capítulo 27 e no versículo 37, quando fala de um naufrágio pelo qual o apóstolo Paulo passou em determinado momento da sua vida, diz-nos, Lucas relata, éramos ao todo no navio 276 almas.

Ou seja, éramos ao todo no navio 276 pessoas. E temos que ter em consideração que, muitas vezes, no relato bíblico, a palavra nefesh, no hebraico, ou psuke, no grego, vão designar o ser humano por esta palavra, a palavra alma. E, por isso, os especialistas da antropologia bíblica estão de acordo em dizer que, na Bíblia, não se deve dizer que o ser humano tem uma alma, mas sim que ele é uma alma, isto é, ele é um ser vivo, um ser vivente. O ser humano, portanto, não é feito de peças isoladas. Ele é um ser completo que tem as suas manifestações de ser, e onde as palavras, corpo, alma e espírito não designam as diferentes partes que compõem esse ser humano, mas designam, sim, os diferentes modos de ser, a sua maneira de agir em relação com o meio, em relação consigo próprio e até mesmo em relação com Deus.

Muito bem. Está assim lançado o tema deste programa, um tema muito interessante. Nós já vamos continuar, mas eu agora gostaria de dizer que neste programa, hoje, temos uma oferta para si e que eu tenho a certeza que vai ser do seu agrado. É o Guia de Estudo da Bíblia, intitulado Evidências. E eu acredito que talvez conheça o seu autor. Este é um manual de estudo, com base na Bíblia, escrito pelo Dr. Rodrigo Silva, e que está estruturado todo ele em 14 lições. E cada lição dá resposta a uma pergunta de fundo, a uma questão, que lança o tema que irá ser estudado. vai deparar-se com perguntas que vão certamente chamar a sua atenção e talvez despertar o seu interesse. Eu dou um exemplo, por exemplo, podemos crer na Bíblia, que será um estudo que o irá levar a descobrir o que há de especial neste livro milenar, ou então perguntas como porquê sofremos, um outro estudo, por exemplo, que o irá ajudar a perceber como conciliar a justiça de Deus e o sofrimento humano.

E para receber gratuitamente este Guia de Estudo e Evidências, pode enviar-nos uma mensagem para o número de telemóvel 933-939291 e nós teremos todo o gosto em oferecê-lhe um exemplar. Chegou agora o momento para uma breve pausa também no nosso programa e eu peço-lhe que fique connosco para a segunda parte do Fórum Bíblico, que já será a seguir a um curto intervalo. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Estamos a começar a segunda parte do programa Fórum Bíblico. Obrigado por continuar na nossa companhia. E hoje estamos a responder a perguntas com o objetivo de compreender o significado do texto bíblico de Génesis, capítulo 35, versículo 18, onde está relatado o nascimento do segundo filho de Raquel e durante o parto do qual Raquel acabaria por falecer.

Como já sabe, ou como seguramente já percebeu, este é um fórum que responde a perguntas sobre os mais variados assuntos do Fórum Bíblico, E as perguntas aqui são colocadas por si. Para nos fazer chegar às suas questões ou dúvidas, é muito simples e muito rápido. Pode enviar agora mesmo, ou quando entender, uma mensagem para o nosso e-mail, programas-arroba-novotempo.pt, ou então enviar uma mensagem com as suas perguntas por WhatsApp ou SMS para o número 933-93-9291 com o nome do programa, já sabe, Fórum Bíblico. Isto para que a nossa equipa possa depois reencaminhar as suas perguntas para a produção e as possamos apresentar aqui no programa. Vamos avançar então, Artur, para a segunda pergunta. Na primeira parte e na resposta à primeira explicou e nós vimos que na Bíblia as

O significado da alma

palavras como corpo, alma e espírito não designam partes diferentes do ser humano. E a segunda pergunta vai ao encontro de perceber especificamente e abordar a palavra alma. No caso, qual é a noção que o Antigo Testamento tem da palavra alma? Muito bem. A palavra alma, em hebraico nefesh, vai aparecer 755 vezes no texto hebraico e quando a Bíblia depois é traduzida Para o grego, na tradução da Septuaginta, a Septuaginta vai traduzi-la pela palavra grega «psuchê» cerca de 600 vezes. E esta palavra, «nephes», tem muitos significados. Vai depender do contexto em que a palavra se encontra, aliás, como sempre acontece na Bíblia.

Um dos significados da palavra, por exemplo, é «goela» ou «boca». Ela vai significar assim, por exemplo, no Salmo 107, versículo 9, que diz que Deus fartou a alma sedenta. É claro que não se está aqui a falar da alma sedenta nem da alma faminta. Está-se a falar do órgão que é a boca e que tem sede ou que tem fome. Da mesma maneira, em Jeremias, no capítulo 31 e no versículo 25, diz que Deus saciou a alma entristecida. E há este paralelo porque, para o hebraico, a palavra nefesh vai muitas vezes fazer alusão, portanto, quer à garganta, quer à goela, quer à boca.

Uma passagem muito interessante neste aspecto é Provérbios, capítulo 25, versículo 25, que diz como a água fria para uma alma cansada, ou seja, como a água fria para uma pessoa. cansada. Assim são as boas novas da terra remota. Mas a palavra nefesh também pode designar o ser humano como um todo. É o que acontece em Provérbios, capítulo 16, versículo 24. Fave de mel são as palavras suaves, doces para a alma, E aqui a palavra boca também está presente, porque eu sinto o paladar doce ou amargo na minha língua, na boca, doces para a alma, ou seja, doces para a pessoa, e saúde para os ossos.

Logo, a palavra nefes vai designar um órgão que é por onde entra, digamos, a ingestão dos alimentos e por onde se respira. Nefesh tem também o sentido, não admira por isso que tenha o sentido, de refulgar, de respirar, de suprar. É também a palavra que pode designar por inferência o pescoço. Portanto, toda esta parte da nossa anatomia pode ser designada pela palavra nefesh. Pode ainda designar a vontade. É por isso que, por exemplo, em Deuteronómio capítulo 21, versículo 14, só se podia enviar a mulher aprisionada na guerra de acordo com a sua vontade.

Isto é, de acordo com a sua nefes, de acordo com a sua alma. E aqui já temos uma outra dimensão, porque a vontade já não está associada a uma capacidade física do ser humano, mas sim a uma capacidade volitiva. há uma capacidade do querer, não admira por isso que a palavra alma também seja usada como o órgão típico dos necessitados, aqueles que precisam de algum apoio. Ela muitas vezes vai designar também o ser humano no seu todo, por exemplo, em Levíticos, no capítulo 17 e no versículo 10, quando diz que é na intradição de comer sangue.

Quando alguém entre vós, ou aquele que peregrina na terra, comer sangue contra aquela alma, ou seja, contra aquela pessoa que comer sangue, eu purei a minha face, diz Deus. E, portanto, a palavra néfas vai designar o ser humano como um todo. Logo, se nós remontarmos nisto que nós estamos a dizer, ao texto que nos ocupa hoje, o da morte de Raquel, nós percebemos que quando o texto diz que Raquel morreu, não está a dizer que lhe saiu uma entidade que estivesse cá dentro, está a dizer que ela ficou sem respiração. É dessa maneira, por exemplo, que Hans Walter Wolff, um dos especialistas do Antigo Testamento, faz alusão a essa passagem.

E nós vamos ver justamente... Esse comentário de Hans Walter Wolff, ele diz assim, quando se diz a respeito de Raquel que a sua nefesh saiu quando ela morreu, só se pode pensar na respiração. E o mesmo autor, no seu livro que ele tem sobre a antropologia do Antigo Testamento, ele vai dizer que a nefesh é realmente uma palavra que serve muitas vezes para designar a vida, mas nunca no sentido de ser uma existência indestrutível, oposta à vida corporal, e que pudesse existir separado dela. Bem pelo contrário, quando se fala da saída do néfesh de um ser humano ou da sua volta, Annes Walter Wolff diz que está-se a falar nitidamente da sua respiração.

Isto é muito importante porque ajuda-nos a perceber o contexto onde esta palavra existe e aquilo que ela pode designar. Nunca ela designa uma entidade imortal que vivesse dentro do ser humano. Muito bem, eu penso que ficou muito claro. E a terceira e última pergunta vai exatamente procurar explorar qual é o motivo que está na base da compreensão errada, muitas vezes, destes textos que estamos

Influência da filosofia grega

a analisar a respeito da morte de Raquel. E a pergunta, que já está aqui no nosso ecrã, é por que razão algumas pessoas afirmam que a passagem de Génesis 35-18, que estamos a analisar, significa que a alma de Raquel saiu para algum lugar? Ora bem, nós vamos perceber que isso acontece devido à influência da filosofia grega sobre o cristianismo e essa influência vai determinar o significado que depois, mais tarde, o cristianismo vai dar à palavra alma, quer no hebraico, quer no grego. Convém sublinhar que a palavra psuke, que aparece no Novo Testamento também para designar a palavra alma, tem os mesmos significados que a palavra nefesh tem no Antigo Testamento.

A tradução não altera o significado. Não altera o significado. Nós vamos encontrar as mesmas conotações no Novo Testamento que encontramos no Antigo Testamento. Mas, como eu estava a dizer, é filosofia grega. Já Herótodo dizia, por exemplo, que os egípcios, no século V a.C., tinham essa ideia de uma alma imortal, de uma alma que sobrevivia ao corpo. e a Grécia vai desenvolver muito bem essa ideia. Ela vai aparecer na filosofia grega, ela vai aparecer com a religião do orfismo, que aparece no século VI a.C. e depois vai aparecer também em Pitágoras, o filósofo e um matemático que ensinava sobre reencarnações, portanto, que a alma sairia do corpo para reencarnar sucessivamente e depois Sócrates, Platão, Aristóteles vão dar cada vez mais corpo, digamos assim, vão dar cada vez mais ênfase a esta noção de uma alma imortal.

Por exemplo, o Platão vai ensinar que cada alma é criada imortal e é de origem divina, e pela morte, quando se liberta do corpo, a alma pode aspirar a contemplar o bem supremo de onde ela vem. E daí que toda a prática estética e filosófica podem ajudar a alma a libertar-se do corpo. Aliás, o corpo vai ser vivido na filosofia grega como se fosse a prisão, o lugar onde a alma se sente presa. Ela pode, quando se liberta pela morte, ascender a níveis superiores de existência, consoante aquilo que foi a sua vida, ou, evidentemente, decair.

E são estas teorias que vão influenciar os pensadores cristãos, Atenágoras, Tertuliano, vão começar a escrever sobre a imortalidade da alma e, portanto, acabam por fazer dela uma doutrina do pensamento cristão. Não que se desejasse que fosse assim, mas que acabou por ser assim, portanto, pela influência grande que a filosofia grega exerceu. Há um senhor chamado Oscar Kuhlmann, ele tem um livro muito interessante, onde ele diz que a antropologia do Novo Testamento não é a antropologia grega. mas apega-se à antropologia do Antigo Testamento. O livro de Oscar Coleman chama-se Imortalidade à alma ou ressurreição dos mortos.

E há um outro autor também muito interessante que é George Eldon Lead e nós vamos pôr a frase que ele tem na sua teologia do Novo Testamento Jorge Eldon Ledd diz que o uso paulino de psuquê, portanto da palavra alma, é mais próximo ao Antigo Testamento do que da literatura intertestamentária. Paulo nunca usa psuquê como uma entidade separada da humanidade, nem ao menos insinua que a psuquê possa sobreviver à morte do corpo. Pessoquê é vida entendida no contexto hebraico. Portanto, tudo aquilo que o Antigo Testamento ensina sobre o ser humano, que o ser humano é um todo, indissociável.

e que as palavras que ela utiliza para designar a relação que o ser humano tem consigo próprio, com Deus e com os outros, através da palavra corpo, através da palavra alma e através da palavra espírito, não servem para que nós possamos dizer que o ser humano é um composto de três entidades ou de três aspectos ou de três funções. Não. São manifestações deste ser unitário que foi criado por Deus e que se manifesta a nível físico, a nível psíquico, a nível espiritual, a nível cognitivo, que interage com os outros como um ser Um todo, sem que tenha diversos aspectos dentro deste ser e que na morte esse ser não se separam espécies nem se separam componentes.

Ele nasce como um todo, ele é criado como um todo e ele morre como um todo.

Conclusão e encerramento

Portanto, quando se diz que a alma da Raquel saiu, o que se está a dizer é que ela cessou de respirar. Muito bem. Muito obrigado, Artur. Penso que ficou muito claro e muito fundamentado a explicação a esta passagem que, muitas vezes, gera tantas dúvidas. Tenho a certeza que a si, que nos está a ver ou que nos está a ouvir, e se tinha esta dúvida, certamente ficou mais esclarecido. E se nos está a ver na televisão, no YouTube ou a ouvir na rádio, quero apresentar-lhe uma vez mais a oferta que temos para si neste programa. É o Guia de Estudo da Bíblia e Vidências. Ao ler as páginas deste extraordinário manual, irá embarcar numa jornada envolvente de reflexão, de questionamento e de procura por respostas, o que eu acredito que lhe poderá trazer algum esclarecimento, caso alguma das questões que ainda não encontrou resposta coincidam com as apresentadas neste Guia de Estudo.

Peça por isso agora mesmo um exemplar para si, totalmente gratuito, enviando uma mensagem para o número 933 939291 e nós enviaremos para a morada que nos facultar. Uma vez mais deixo-lhe o convite para participar no nosso fórum bíblico, através do envio das suas perguntas ou das suas dúvidas para o nosso e-mail, já sabe, programas arroba novotempo.pt ou então se preferir, por mensagem pelo WhatsApp ou através de uma SMS, para o número 933 9392. Se nos está a ver no canal 186 da Mel ou no YouTube da Novo Tempo, continue por aqui e assista à restante programação deste canal, mas se nos está a ouvir neste momento na rádio, fique sintonizado na frequência 91.2 FM ao som da emissão da RCS.

O programa de hoje termina assim aqui, mas voltamos a abrir o Fórum Bíblico na próxima semana, porque para cada pergunta que recebemos há uma resposta que pode ser dada aqui. O encontro fica assim marcado. Nós esperamos por si. Até lá.

Série
Fórum Bíblico · 71 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 10
Estreou
05 de Junho de 2025
Categoria
Espiritualidade