Abrimos aqui mais um episódio do Bíblia Aberta, um programa semanal que tem por objetivo podermos conhecer as grandes verdades que a Bíblia tem escritas, que Deus deixou reveladas, que foram escritas com o propósito de nós também podermos usufruir delas. É sempre um privilégio muito grande podermos estar consigo. de semana após semana temos sempre uma equipa, temos sempre um grupo de convidados que vêm fazer-me companhia, mas não só, vêm debitar o seu conhecimento, a sua preparação sobre os temas que vamos abordando em cada semana. Neste episódio não é diferente. Ficou já registado na semana passada que a mesma equipa iria repetir e iria estar novamente comigo porque a conversa não ficou totalmente terminada e por isso é necessário que continuemos.
Daí que a Ana volta a estar connosco. Olá Ana. Obrigada mais uma vez. O Isaac. Isaac, é bom termos-te aqui novamente. E o Pedro. Olá Pedro. Muito bem, nós temos aqui a oportunidade de continuar a conversa que supostamente não conseguimos terminar sobre a questão da Bíblia e do dom de profecia que normalmente nós temos em cima da mesa como tema principal. Hoje nós iremos tocar um bocadinho nos escritos proféticos, porque, de alguma forma, a Bíblia tem muito de profecia, é um livro muito inspirador, que nos leva a conhecer aquilo que aconteceu no passado, aquilo que está acontecendo no presente, mas também a visão daquilo que nós poderemos conhecer e saber quanto ao nosso futuro.
Já sabe que o programa Bíblia Aberta é um programa que passa na TV Novo Tempo Portugal, e a TV Novo Tempo Portugal pode ser vista no canal 186 da Mel. É aqui que você poderá encontrar toda uma programação de 24 sobre 24 horas que tem por objetivo levá-lo ao caminho da fé, ao caminho da esperança, ao caminho do amor, eu diria, aos pés da cruz que é Jesus. Se não tiver o canal da Mel, então poderá acompanhar em direto também no canal do YouTube da TV Novo Tempo Portugal Lá encontra todos os episódios do Bíblia Aberta e de todos os outros programas. Poderá passar tempo também a ver aquilo que porventura ainda não viu. Mas se vai na estrada, se está em Lisboa ou em outra parte do mundo e poderá ligar a rádio RCS, então sintoniza os 91.2 FM porque o programa Bíblia Aberta é um dos programas importantes, necessários, de todo o público que nós temos também na rádio, através da Rádio RCS.
Ficam aqui, então, os meios por onde poderá nos acompanhar e certeza que não vai perder nada da nossa conversa porque ela é extremamente importante. Como falámos, hoje vamos entrar nos escritos e vamos avançar e eu gostava de ler Jeremias capítulo 36, versículo 2. E aqui há como que, novamente, já vimos isto na semana passada, vemos aqui Deus a pedir aos profetas que preservassem, de alguma maneira, as suas mensagens por escrito. Então diz no capítulo 36 de Jeremias, versículo 2, toma o rolo de um livro e escreve nele todas as palavras que te tenho falado. Uma ordem de Deus, não é? Uma vontade de Deus porque Deus queria que as coisas se perpetuassem no tempo. Isaac, Posso lhe dar resposta, mas acho que vais fundamentá-la.
Por que razão é que Deus foi tão claro nesta ordem, num tempo em que, de alguma maneira, muitos nem tinham acesso àquilo que era a leitura, se calhar nem conseguiam ler, porque não sabiam ler. Mas por que Deus foi tão claro assim? Atenção a isto. É difícil determinar o momento exato da criação da escrita. Mas a posição mais aceita afirma que a escrita tenha se originado na Mesopotâmia. a região do atual Iraque e adjacências geográficas. Se nós lembrarmos, Abraão era da mesma potâmia, mas ele não escreveu nada a respeito de si na Bíblia. Quem escreveu a respeito dele foi Moisés. E muito tempo depois da reforma, não foi na sua altura.
E Abraão certamente tinha, pela sua posição, pela sua cultura, o conhecimento da escrita e sabia ler e escrever. Sem a escrita, os antigos, eles possuíam uma forte tradição, um processo de tradição oral. Do avô para o neto, do pai para o filho, do mais velho para o mais novo. Eu já não lembro mais, na semana passada, o Pedro ou a Ana ou ambos comentaram alguma coisa nesse contexto da tradição oral. Mas esse processo da tradição oral também possui as suas falhas. Pensa que foi você, Ana, que mencionou semana passada, ao falar do conto, o aumento do ponto, alguma coisa assim, acho que foi isso. Mas vejam, quais as falhas? Detalhar os relatos.
Quem sabe os relatos, bem mais adiante, já não tinham tantos detalhes, se perdiam um pouco da essência. Ampliar o fato. Isso foi bem comentado na semana passada. As pessoas gostam de... A Ana falou de pôr florzinhos, os espinhos, tá certo? Ainda, as imprecisões no repassar a mensagem transmitida oralmente. Logo, nós percebemos que a própria mensagem de Deus revelada também corria o risco de ser alterada no perpassar dos anos. Então, a escrita foi mesmo uma salvaguarda para o processo, ou para a preservação, melhor, do conteúdo.
E, inquestionavelmente, a escrita foi mais segura, ou um processo mais seguro do que a tradição oral. Isso é indiscutível. Vamos pensar na Bíblia. A princípio, como Deus se comunicava com o homem? Era oralmente. Seja através do diálogo. Às vezes, não tinha essa interlocução, mas a voz era ouvida pelo seu profeta, pelo seu escritor. Na verdade, escritor não, pelo seu transmissor da mensagem. Às vezes a presença de um anjo celeste. Enfim, era oral. Mas nos dias de Moisés, tu citou, na semana passada, João.
Deus pediu a ele escrever. Hoje citou Jeremias. Mas eu gostaria de ler um texto de Êxodo, capítulo 17. Penso que dá tempo de lermos aqui Êxodo 17, verso 14. Nós lemos assim. Então disse o Senhor a Moisés, escreve isto para memória num livro e repete-o a Josué. E aí Deus termina aqui o contexto. Mas Deus diz a Moisés, escreve-o. Deus queria que Moisés registasse aquilo que ele estava a falar, para a memória, para que não se perca no perpassar dos anos. Aliás, deixa-me só interromper-te. Moisés escreve, mas o mundo não começou aí. A vida não começou aí.
Há toda uma história para trás. que se ninguém tivesse escrito, nós teríamos aqui um tempo que era muito difícil de nós podermos... Um vazio. Um vazio completo, não é? Não saberíamos nada. Exatamente. Ok. É isso. Agora vejam. O Antigo Testamento, ele apresenta múltiplos exemplos de Deus a dar instruções aos seus servos, aos profetas, aos seus mensageiros, para preservarem suas mensagens para o povo. No contexto do texto de Jeremias, capítulo 36, nos mostra ali que ao Deus falar para Jeremias escrever, ele deveria escrever desde... o rei Josias, ou seja, já cerca de 40 anos atrás, tá certo?
O histórico, vou mudar isso, a história de 40 anos do reinado ali de Josias. E qual a razão pela qual deveria ser escrita a mensagem? Você leu o verso 2, eu vou ler aqui o verso 3, Jeremias 36, o verso 3, só pra contextualizar um pouco melhor. Ou virão, talvez, os da casa de Judá todo o mal que eu intento fazer-lhes, para que cada qual se converta do seu mau caminho, e eu perdoe a sua maldade e o seu pecado." Então, Deus tinha um objetivo. Escreve para que eles conheçam e se convertam, e eu os perdoe e os salve. Eu faça mais por eles, porque vão ter a mensagem diante de si.
Os relatos bíblicos concernentes ao futuro, eles não foram dados para satisfazer a curiosidade, para que o conheça, para que o leitor conheça o futuro. Não. Mas para conduzir o povo à salvação. Esse é o objetivo da escrita.
Ok? Conhecer, refletir, aceitar, tomar sua decisão e ser salvo. Eu penso que é interessante mencionar aqui que os escritores bíblicos escreveram em circunstâncias um tanto diversas e algumas até um tanto adversas. Vejam, Moisés mesmo, que Deus disse a ele lá em Êxodo 17, escreve para a memória, Moisés escreveu o Pentateuco, que são os primeiros cinco livros da Bíblia, no deserto. Não estava numa sala climatizada, quem sabe a teclar... Em uma biblioteca cheia de livros que ele pesquisava, não é? Ele tinha a inspiração, que já mencionamos bem a semana passada. Mas ele estava no deserto.
Davi. Davi compôs alguns dos Salmos, como 52, 57, 59, 54. Ele compôs estes Salmos quando estava a fugir de Saul, o perseguidor. Então, cavernas escuras, embaixo de uma árvore, em meio a um povo inimigo do seu povo, mas que o aceitou porque ele estava a fugir. O inimigo do meu inimigo é meu amigo. Uma coisa assim. Então, ele estava ali no meio de um povo inimigo, mas bem aceito. Ali ele escreveu os Salmos. Uma situação adversa. Quem sabe, dos exemplos que estou a dar, Daniel teve uma situação um pouco melhor, porque era um estadista nas cortes de Babilônia e depois da Medo-Pérsia. Mas como estadista também não tinha muito tempo, mas ele escreveu nesse contexto. Lembro-me de Paulo, que escreveu as cartas de Efésios, Filipenses, Colossenses e a carta a Filemon, quando estava preso numa prisão domiciliar em Roma.
Depois ele volta para outra prisão, onde é morto, mas ali ele estava na prisão domiciliar. Estava em casa, mas num contexto de cerceamento da sua liberdade. E João, quando escreveu o Apocalipse, ele estava exilado numa prisão de segurança máxima que era a ilha de Pátimos, no Mar Egeu. Olha as circunstâncias. Mas quando eles eram inspirados pelo Espírito Santo, não importava a circunstância adversa, difícil. Eles escreviam a mensagem de Deus, a revelação de Deus, independentemente das circunstâncias. O fato é, a responder a pergunta objetivamente, Todos os ensinos de Jesus Cristo chegam até nós. E toda a revelação de Deus necessária para nossa salvação chega até nós de forma escrita através dos fiéis oráculos de Deus.
Homens que se deixaram guiar pelo Espírito Santo para revelarem em uma linguagem humana a vontade do Senhor. E eu quero terminar esta consideração a dizer que Deus usou seres humanos, iguais a nós, igual a você que está a ouvir, a você que está ver, mas o apóstolo Pedro nos diz que as escrituras não podem ser creditadas aos escritores, mas sim ela é creditada a Deus, a causa primária da verdade. O autor. Exatamente. A considerar que tudo na Bíblia se origina em Deus, ela é digna de confiança e credibilidade, porque escrita por homens, inspirada por Deus, em última análise, ela é a palavra.
E é muito interessante ver que Deus, sendo o autor, ele vai dar a oportunidade aos homens de usarem o seu próprio género, o seu próprio estilo literário. E por isso é que nós vamos encontrar na Bíblia uma linguagem, por exemplo, poética, outra de parábolas, muitas vezes as cartas, a história, a profecia,
enfim, temos aqui tantos géneros. Gostava de vos lançar o desafio de podermos abrir num versículo de Paulo, de Romanos, capítulo 15, versículo 4, porque diz que tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das escrituras tenhamos paz, ou tenhamos esperança, neste caso. Ana, como é que Como é que é reconhecer o género literário de um texto? Ou como é que esse reconhecimento do género literário desse texto pode mudar a forma como deve ser lido ou até mesmo aplicado à nossa vida? Eu acho impressionante a forma como Deus respeita as ferramentas que ele foi usando ao longo dos tempos, os gostos e a criatividade de cada um de nós.
Eu estou sentada aqui num painel com três amigos, em que dois deles, não sei se o Isaac também faz parte ou não, se fizer vou descobrir agora, mas dois deles têm a veia artística da criatividade musical. Se Deus vos revelasse algo, possivelmente vocês iriam usar os vossos dons, os vossos talentos, e sendo a música, a composição... Até faríamos uma composição musical. Possivelmente poderiam usar o vosso dom para compor uma música, um poema, uma canção, etc. É interessante a forma como Deus vai respeitar os gostos pessoais também de cada um deles, e é interessante também a forma como Deus se revela e inspira, e temos vindo a falar sobre esta questão ao longo dos últimos episódios, no sentido de dar autenticidade a cada um também, de ser genuíno na forma de expressar a sua linguagem e a mensagem recebida.
E nós, quando olhamos para a Bíblia, nós encontramos histórias, narrativas, narrações. Encontramos poesia, encontramos provérbios, que também parece poesia, mas é diferente. Encontramos as parábolas, encontramos cartas, os evangelhos, que apesar de entrar numa narrativa histórica, também tem algumas componentes diferentes. Encontramos as profecias, que é o que estamos a ver nesta temporada. Encontramos também literatura apocalíptica, que envolve profecia, mas é um género literário diferente, onde vamos encontrar muitos símbolos e imagens. E é interessante porque nós víamos um dos versículos do programa da semana passada, que falava exatamente que toda a palavra é inspirada.
Então, se toda a palavra é inspirada, estes géneros, por muito dispares que sejam uns dos outros, também estarão inspirados por Deus de todas as formas. E é interessante porque se Deus inspira, se o autor tem a liberdade de expressar-se como quer, nós devemos respeitar também essa forma de se expressar desse autor e devemos ler nas entrelinhas do autor. Eu não posso ler um livro poético da mesma forma que leio um livro apocalíptico. Eu não posso ler uma história, uma narração, uma narrativa da mesma forma que vou ler uma parábola. Apesar da inspiração ser a mesma, apesar da mensagem, o centro da mensagem, e já lá vou chegar, normalmente é o mesmo porque o centro anda à volta de uma pessoa.
nós temos formas de interpretar diferentes. Então é interessante que, por exemplo, ao invés de chegarmos ao texto e dizer o que é que este texto significa para mim, nós somos bastante egoístas na forma interpretativa da Bíblia, se calhar devíamos olhar com outros olhos e pensar como é que Deus quer-se comunicar através deste texto específico? Mais do que significa para mim, porque é subjetivo, o que vai significar para mim pode significar diferente para ti, Jorge, mas aquilo que Deus quer comunicar é transversal para mim e para ti, e esta é uma primeira abordagem que nós devíamos ter. Por exemplo, num caso de linguagem poética, quando David diz num salmo, os montes saltaram como carneiros, Eu tenho que interpretar isto não como uma linguagem científica.
Ou seja, eu vou ter que me aproximar ao género literário que está escrito e eu tenho que me adaptar a esse género literário se eu quero compreender a mensagem que está por trás. A mesma coisa com as parábolas. Quando Jesus está a falar a parábola da moeda perdida, do dracma perdida, eu vou ter que ir e entender o contexto do valor daquela moeda e depois vou tirar a interpretação correta. profecias, igual, etc. Agora, indo diretamente à questão, porque é que isto faz a diferença na nossa vida e como é que eu posso aplicar isso à nossa vida? A essência está, e a resposta está, na interpretação, na forma como nós vamos interpretar.
Quando nós compreendemos como Deus inspirou o texto, nós vamos evitar dois erros extremos e opostos. O primeiro é tirar conclusões precipitadas que o texto não quer dizer, nomeadamente num texto profético que é o que estamos a falar. tirar conclusões erradas, porque não estamos a analisar a profecia corretamente, ou então, por fazermos uma leitura tão superficial, perdermos a riqueza profunda da mensagem que está à nossa frente. Interpretar é uma forma de nós honrarmos a Deus a escrita da sua palavra. E é necessário nós percebermos que, apesar da diversidade de estilos que encontramos no Antigo e no Novo Testamento, há uma unidade extraordinária na Bíblia.
E o Pedro falava no episódio da semana passada, ele dizia que Deus revela-se de multiformes. Deus é multiforme e vai se revelar de várias formas distintas. e a própria existência de vários géneros literários dentro de uma compilação de livros mostra-nos essa forma rica de Deus se revelar. Deus não está estanque, Deus quer chegar a diversos públicos de diversas formas. Talvez a vocês músicos. Aquilo que vocês mais poderão gostar é da parte poética. Talvez para mim, que a música não é a área da minha vida, goste mais da parte histórica.
Talvez o Isaac goste mais da parte profética. E todos nós conseguimos chegar Ao centro da mensagem, que é João capítulo 5, versículo 39, palavras de Jesus, as escrituras, elas testificam de mim. Ou seja, vários géneros, várias formas de Deus se revelar, mas todas elas, na sua essência, na sua mensagem nuclear, vão testificar acerca da pessoa de Jesus. acerca do papel da salvação, acerca da importância que a Bíblia tem para os nossos dias, que ele tem para os nossos dias. Então, se isso foi escrito, como vai dizer Romanos capítulo 15, que lemos há pouco, foi escrito para nosso ensino. E nós temos muito a tirar se interpretarmos bem e acercarmos-nos bem ao texto bíblico.
Essa ideia que estás a dar, digamos que Deus reveça em todos os estilos, em todos os géneros literários que existem na Bíblia, é muito interessante porque realmente a Bíblia tem tudo aquilo que nós somos. Cada um de nós é diferente, mas todos nós nos conseguimos rever em algum estilo que possa a Bíblia ter. E talvez até leiamos ou estudemos mais esse estilo ou essa fórmula, porque, sei lá, alguns de nós somos mais poéticos, outros, ao falar, contamos sempre muitas histórias. Criamos todo um filme, vamos dizer assim, em torno de uma coisa simples que queiramos dizer. E isso nós encontramos também na Bíblia. E gostei da ideia de que, no fundo, sendo a Bíblia a revelação de Jesus Cristo, ele também se revê em todos os estilos e em todos os géneros bíblicos.
Agora, há uma coisa muito interessante.
É que a Bíblia mostra que, para além dos escritores ou daqueles que foram usados por Deus para escrever as verdades que Deus entendeu, esses também tiveram, em alguns momentos, assistentes. Ou seja, vamos dizer, assistentes literários. Paulo, por exemplo, usava os secretários para redigir as suas cartas. Mas o que é certo é que as suas cartas mantinham sempre a autoridade apostólica. Essa é uma questão. Mas antes de fazer uma pergunta, Pedro, eu gostava de ler convosco Romanos capítulo 16, versículo 22. E aqui vamos encontrar claramente alguém que é assistente de Paulo. Capítulo 16, versículo 22 diz, eu, Tércio, que esta carta escrevi vos saúde no Senhor. Nós vemos aqui um assistente literário de Paulo.
Pedro, o que nos diz isto sobre onde reside verdadeiramente a inspiração de Deus ou, se quisermos, a inspiração bíblica? Eu acho que esta é uma oportunidade até muito interessante de compreender essencialmente o que é inspiração bíblica. Exemplos como estes, que no fundo é esse ponto onde nós queremos chegar. Compreender melhor os processos através dos quais Deus se revela e porque é que na Bíblia nós temos uma fonte de confiança e de inspiração para a nossa vida. E porque é que este pequeno detalhe, que poderia não estar aqui, Porque parece não, é um parênteses na carta, porque quando ele diz sou eu que vos escrevi esta carta e diz eu vos saúdo, é como se ele estivesse a fazer um parêntese, portanto ele está a assumir que o resto Mesmo que tivesse sido escrito pela mão dele, ele claramente está implicitamente a dizer que não é da minha autoria.
Por isso é que ele agora diz, eu também vos saúdo. Ou seja, eu estou aqui, mas o resto ele não poderia assinar. Mas de qualquer maneira, o ponto para mim aqui que é muito interessante é esta ideia de que Deus não anula a participação humana. E isso, na verdade, traz-nos um equilíbrio para a forma como nós lemos a Bíblia e até serve um pouco como uma chave hermenêutica, que é um dos instrumentos para nós interpretarmos a Bíblia. Que Deus usa os instrumentos humanos, não os anula. Seriam duas alternativas. Porque uma alternativa era, de facto, dizer que Deus não cria a participação humana neste processo.
Portanto, Deus queria anular a individualidade. Se fosse o caso, a Bíblia podia ter sido, nesse caso, revelada de outra forma. Por exemplo, podia ter sido um livro que aparecia a algures, escrito, e que a algum homem apenas lhe era indicado numa caverna, um buraco qualquer onde estava, um livro inspirado, talvez escrito em metal, em letras de ouro, e então era ali o papel humano, era simplesmente agarrar naquilo e divulgar, olha, Deus deu-me isto. Isso seria uma forma de anular a participação humana. Talvez houvesse outras formas, que seriam sempre uma tentativa de Deus dizer que não precisa dos seres humanos para nada. Portanto, o que eu acho interessante aqui nesta análise que podemos fazer é a ideia de que Deus utiliza as pessoas, Deus utiliza as suas capacidades, E mesmo no campo da comunicação, porque nós aqui estamos a falar no campo da comunicação, e nós hoje vivemos em tempos tão avançados em termos de comunicação, existem tantas formas, plataformas, instrumentos, ciência, a comunicação tornou-se uma profunda ciência, e quase que podíamos dizer, numa linguagem mais contemporânea, que Deus utiliza essas ciências, novas formas e capacidades que os seres humanos têm.
Aqui, num contexto antigo, Isto está tudo revelado apenas neste facto, que há um homem, que nós no final da carta é que ficamos a descobrir, ou seja, se alguém tivesse a ler literalmente pela primeira vez a Bíblia, chegaria aqui e ficaria surpreendido, dizia, espera aí, afinal não é bem Paulo que estava a escrever, porque temos um homem, até temos o nome dele, Tércio, E o que nos dá essa ideia de que a Itáquia é um personagem, é uma pessoa real. Agora, isto obviamente nos permite tirar alguns ensinamentos, talvez seja mais isso que seja útil para nós. Dois ou três que eu acho que são especialmente relevantes. De que a inspiração da parte de Deus está na origem, não no processo. Os processos podem ser diversos, podem ser humanos e podem, obviamente, também ser limitados.
No caso, até nem é tanto uma limitação. Porque dizer, ou termos nós acesso à informação, de que há um homem que escreveu como secretário, eu creio que, ao contrário de ser uma limitação, é uma ampliação. Talvez a carta aos romanos, que é uma das mais importantes e carismáticas cartas de Paulo, quem sabe nós possamos dizer que ela tem essa força por causa da intervenção de Tércio. Mesmo se isto é uma especulação, embora não muito fantasiosa, mas apenas dizer o quê? Que Paulo teria limitações, por exemplo, na sua capacidade de ver, eventualmente? Ou simplesmente Paulo? Há pessoas, por exemplo, que quando falam, são brilhantes e até a retórica quando falam é uma coisa que é fenomenal e quando escrevem já não conseguem formular as palavras da mesma maneira.
Eu, por exemplo, nas minhas funções de pregador e comunicador, com muita frequência acontece-me eu dizer coisas quando estou no ato de falar que construo as frases de uma certa maneira, mas às vezes mesmo conteúdo que eu estou a dizer aquilo e para mim mesmo estou a pensar, epá, nunca tinha pensado nisto. E eu tenho lá umas notas escritas, umas vezes só apontamentos, outras vezes um texto escrito por completo. Mas quando estás no ato de dizer, há alguma coisa, seja por inspiração, seja só porque é muito diferente escrever do que falar, são duas formas de lidar com o conteúdo e com a comunicação muito diferentes, que com frequência acontece-me isto. Hoje em dia quase tudo fica gravado, quase todos os estígios onde estamos a falar, especialmente em igrejas, por exemplo, ou mesmo que seja aqui na Novo Tempo.
Como tudo está a ser gravado, normalmente já não se perde muito. Porque já me tem acontecido algumas vezes eu dizer coisas quando estou a falar, que eu depois já dizia, não posso esquecer disto. Porque como eu nunca tinha escrito aquilo, agora tenho de ter o cuidado a seguir, e já me aconteceu várias vezes, de ir a um papel e escrever aquela ideia, não vai eu perder. Aquela ideia. O que significa que nós podemos, perfeitamente, ter aqui um exemplo de que Paulo talvez estivesse a ditar a carta, mas o ditar não é no sentido que ele já tivesse aquilo tudo pensado. Vamos imaginar Paulo põe-se a falar sobre aquele tema, porque talvez ele, quando estivesse a falar, isso lhe desse uma liberdade na expressão, e Tercio talvez fosse mais rápido a escrever, e diz, espera-me, pá, é um bocadinho que eu tenho que registrar isso. Mas podíamos pensar de outra forma, que é, Paulo está a falar, e quem sabe Tércio fosse, por exemplo, o melhor redator, e então ele corrige, não é corrige o pensamento de Paulo, mas corrige alguma expressão, vai buscar um vocabulário mais interessante para ficar na forma escrita.
Hoje nós temos, por exemplo, alguns jornalistas que escrevem biografias, que não são as suas próprias biografias, de outros, e que respeitam claramente a autoridade daquilo que lhes é dito. Nós sabemos que não foi a pessoa que viveu aquele episódio que escreveu, mas o que está lá escrito diz respeito claramente àquela pessoa. Então estes diferentes processos O ponto onde eu quero chegar aqui é que precisamos de olhar para isto como uma forma de enriquecimento. Como Deus está sobretudo a dirigir as circunstâncias, quem sabe isto permitiu que a carta aos romanos fosse uma melhor carta. por causa da intervenção deste homem, não uma pior carta, porque afinal nem foi Paulo que a escreveu com a sua mão. Portanto, para resumir a ideia, obviamente Deus trabalha através das circunstâncias, com as pessoas.
Por isso nós na Bíblia encontramos Isaías que escreve de uma forma, talvez eu diria, mais majestosa, mas Jeremias escreve de uma forma mais sensível. Lucas, por exemplo, sabemos bem que escreveu com a cuidado histórica. Juntou a informação, compilou a informação. Descritivo, não é? É mais descritivo, por isso os seus evangelhos ou os atos têm um rigor cronológico muito melhor. Mas João escreve numa linguagem mais simples, mas com muita profundidade espiritual. Já Paulo, ele escreve de uma forma mais lógica. o que significa que os seus argumentos são bem construídos, são retoricamente bem construídos.
Portanto, o uso de um secretário, como é o caso de Tércio, é apenas mais uma
evidência de que Deus utiliza os recursos da comunicação e do tempo em que as pessoas vivem para criar, na verdade, mais qualidade e profundidade, o que significa que hoje, se um profeta moderno Claro, existem profetas modernos, no sentido em que pessoas falam inspiradas por Deus. Isso é diferente de ter uma voz e uma autoridade profética. Eu creio profundamente que também existem profetas modernos e profetas modernos usam instrumentos de comunicação próprios do seu tempo e isso nunca lhes retirará. Hoje, se um profeta, se Deus chamar hoje um profeta e que venha ainda a ser usado por Deus para trazer uma voz de advertência ao mundo, por exemplo, no século XXI, com certeza esse profeta vai usar o corretor do Word.
que é uma coisa tão básica quanto, se nós não acordamos o singular corporal, ele mete a azul, sublinha, para dizer que é uma coisa que não está em acordo. Eu, quando estou a escrever, posso distrair-me. E aquele corretor diz, epá, espera aí que eu enganei-me. Então, hoje, se um profeta estivesse a escrever, será que ele utilizaria a inteligência artificial? para ele redigir o texto de outra forma ou utilizaria um redator ou um corretor de texto e nós olhamos para esta realidade e dizemos sim, claro que sim, porque Deus vai utilizar as circunstâncias para melhorar a qualidade da comunicação. E há um ponto muito curioso na Bíblia.
Deus usou todos os seus recursos, digamos, que ele tem e ofereceu recursos a muitos, de forma direta ou indireta, para que nós chegássemos aos nossos dias e tivéssemos realmente um livro extraordinário. Vamos olhar para as fontes literárias. É o nosso próximo ponto nesta conversa, mas isso fica para depois. Agora vamos fazer um curto intervalo. Voltamos já a seguir.