Começa agora mais um programa do Bíblia Aberta. Este é um programa que está inserido dentro da grelha da programação da TV Novo Tempo Portugal e também da Rádio RCS para a Grande Lisboa nos 91.2 FM. É sempre muito bom podermos voltar à sua companhia, estarmos consigo. Terminámos na semana passada uma temporada, abrimos uma nova esta semana, e por isso a Bíblia tem sempre temas tão importantes e fundamentais que nós temos sempre forma e objetivo de estar consigo semanalmente. Desta forma, iremos avançar para um novo tema e o novo tema desta nova temporada será sobre dons, sobretudo sobre o dom do espírito de profecia, um dom que inspirou os grandes escritores da Bíblia, movidos pelo Espírito de Deus, a poderem deixar tudo aquilo que nós encontramos e que é tão bom e que nos faz tão bem à nossa alma, sempre que lemos e estudamos a Palavra de Deus.
Comigo eu tenho uma nova equipa, uma equipa que me vai acompanhar neste episódio e também no próximo. Já marcámos esse compromisso uns com os outros. Tenho o Ruben e a Ana, que são marido e mulher e são pastores da Igreja Adventista. Eu fico muito contente de vos ter aqui comigo. E tenho a Raquel, que não sendo, digamos, formada em Teologia, sei que é uma
amante da leitura e sobretudo do estudo da Bíblia. A todos, muito obrigado por fazerem parte desta equipa. Obrigada. E de certeza que a nossa conversa vai ser muito animada em torno do tema que está diante de nós. Não sei se já pensou eventualmente naquilo que lhe vou dizer, mas Este pensamento que vai abrir a nossa conversa de hoje é um pensamento bastante interessante. O plano supremo de Deus tem coisas muito interessantes e uma delas é restaurar a imagem do próprio Deus na nossa vida. A imagem que o mal e o pecado, de alguma maneira, destruíram e que nos afastaram e corromperam, claramente, essa relação com Deus. E nada melhor do que nós irmos ao Jardim do Éden para vermos como é que tudo aconteceu Como é que Deus, afinal de contas, como Criador, falou?
Porque é importante nós vermos que o Criador fala, e ainda hoje fala, falou nos tempos antigos e fala nos nossos dias. Para isso, eu convido todo o nosso auditório, e nós aqui também entre nós, a abrirmos a nossa Bíblia em Génesis, no capítulo 1, para lermos o versículo 27. Nesta passagem nós vemos que a Bíblia de alguma maneira descreve os seres humanos como a única criatura feita à imagem de Deus. Todos os outros seres vivos que existem, Deus vê-los pela sua palavra. Deus mandava e as coisas iam aparecendo. E esta criatura que somos nós, feita à imagem de Deus, é destinada claramente a uma comunhão face a face com o Criador.
Ruben, vou começar por ti. O que isto nos diz sobre a necessidade mais profunda que nós temos, no fundo, deste relacionamento com Deus? Este tema que acabaste de introduzir é realmente muito interessante e importante porque às vezes nós desligamos um pouco aquilo que é a essência do ser humano da sua relação com o próprio Criador. E nós vamos perceber que todo o ser humano, independentemente da sua crença, acaba por ter necessidades e capacidades que estão relacionadas com o facto de Deus ter criado todas as coisas, inclusive o ser humano. Tu disseste, e muito bem, que existe uma diferença entre algumas criações de Deus e o facto de Deus criar a humanidade.
É verdade que muitas das criações de Deus foram feitas através da Palavra. Mas Deus cria o ser humano, segundo o texto bíblico, à sua imagem e semelhança. E para entendermos um pouco aquilo que é esta necessidade relacional que tem o ser humano de comunicar com Deus e vice-versa, precisamos entender o que é que é, afinal, ser criado à imagem e semelhança. E é curioso porque na língua hebraica nós podemos perceber que quando, em Génesis 1 a 26, Deus fala consigo mesmo, e isto também demonstra a pluralidade de Deus e a sua necessidade de se autorrelacionar, vemos que a palavra imagem vem da palavra hebraica tzelem, que quer dizer quase uma projeção visual daquilo que o próprio Deus é.
O que podemos entender que até do ponto de vista visual, e obviamente nós não temos esta certeza, mas a partir do Hebraico nós podemos deduzir isto, é possível que mesmo do ponto de vista físico haja semelhanças com o próprio Deus. Porque esta palavrinha quer dizer cópia, quer dizer imagem, daí a palavra mais utilizada é ser a mesma palavra imagem, e também quer dizer estátua, ou quer dizer que Do ponto de vista físico, podemos nós deduzir que existe uma semelhança bastante próxima daquilo que o próprio Deus pode ser, apesar de nós sermos carne e osso e Deus ser o Espírito, como o Jesus nos diz. Depois, a palavrinha semelhança, porque Deus fala consigo e diz, façamos o homem a nossa imagem conforme a nossa semelhança.
Que é a palavra de Mut, que basicamente tem a ver com forma e modelo. O que quer dizer que nós somos uma espécie de projeção de Deus, somos uma espécie de fotocópia, se assim podemos dizer, mas além da parte física são também os nossos atributos e as características que nós temos como seres humanos. que aí sim diferem do resto da criação e também os animais. É interessante que no hebraico nós podemos perceber que Deus poderá ter criado os animais também de forma moldada, isso vê-se através de algumas expressões hebraicas, mas é verdade que a maioria das coisas foi através da sua própria palavra.
Mas, em relação à imagem de Deus, o que é que ela pode significar do ponto de vista humano? Basicamente, a imagem de Deus inclui a racionalidade, a moralidade, inclui a criatividade, o domínio da natureza, porque se vimos o versículo 26, fomos criados para governar, homem e mulher, e é também esta capacidade relacional. E o facto de Deus nos dar a capacidade relacional, nós podemos incluir aqui a espiritualidade. Porque não existe relação do ser humano para com Deus se não houver esta comunhão mais específica de Deus na humanidade que é através da impressão do Espírito Santo nas nossas vidas.
O que quer dizer que fomos feitos para uma relação e essa relação implica também uma noção da existência de Deus como Criador e nós como criaturas e isto implica a espiritualidade. Podendo falar um pouco mais aqui do que implica esta questão, nós vemos que em Génesis, Deus vai dizendo repetidamente, e disse Deus, haja luz e houve luz. E é interessante que só houve alguém com capacidade de comunicar a partir do sexto dia, que foi Adão e Eva. Portanto, vemos aqui mais uma dependência entre criador e criatura, em que Adão e Eva também têm esta capacidade de comunicar com o próprio Deus.
Como também já disse há instantes, a própria realidade de Deus que nós nunca podemos compreender, porque nós somos seres individuais, e Deus, de alguma forma, é um, mas é composto por três elementos que coexistem desde sempre. Isto faz-nos impressão, porque nós não conseguimos compreender isto, nós conhecemos aquilo que nós conhecemos, e Deus conhece-se a si mesmo. Mas, do ponto de vista de percebermos e entendermos a pluralidade de Deus, vemos que existe já uma relação entre o próprio Deus e podemos ver, então, esta necessidade também de Deus criar seres relacionais. Digamos que, nessa perspectiva também, o facto de Deus nos ter criado à sua imagem e à sua semelhança, estas duas características que tu já afirmaste bem, Nós também éramos, no conceito de Deus, os representantes ou os responsáveis por tudo aquilo que Deus tinha criado.
Ficaríamos um bocadinho aqui não no lugar de Deus, mas na representação de Deus. Somos representantes, temos o domínio, foi-nos dado o domínio. domínio esse que foi perdido quando nós quisemos não continuar com esta parceria, com esta relação. É interessante também que quando, em Génesis 2.18, há algo que Deus considera algo não positivo naquilo que tinha criado. que era a mesma condição solitária do ser humano naquela altura. Nós, geralmente, associamos a este homem o próprio Adão, homem masculino, mas é interessante que, olhando com olhos mais profundos com este texto, e se eu quiser, para que todos possamos também perceber qual é o texto, em Génesis 2, 18, que diz disso mais o Senhor Deus, não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma auxiliadora, que lhe seja idónea.
Aqui ainda não existe pecado e, no entanto, Deus considera que algo não está completo na sua criação. E uma tradução bastante interessante que nós podíamos fazer é precisamente que não é bom que o ser humano seja um só. E isto é interessante porque o ser humano foi feito também para se relacionar e a dado momento ainda não havia os dois géneros, homem e mulher, para que se pudesse também experimentar um pouco aquilo que o próprio Deus experimenta em si mesmo. E desculpa interromper, mas eu acho que é mesmo a necessidade mais profunda de cada um de nós vem ao encontro desta necessidade de relação.
todo o ser humano, crente ou não crente, tem uma busca interior por relacionar-se com o transcendente, seja ele que tipo for. Seja Deus, seja outras divindades que possam existir, seja mesmo alguém que diz que não acredita em nada, mas ele vai depositar a sua necessidade de relacionamento em algo, E é interessante ver que, desde o início, isso era uma condição do ser humano que Deus passou, a necessidade de relação, seja entre homem e Deus, humanidade e Deus, ou, num caso ainda mais específico e profundo,
entre ser humano com ser humano, homem e ser humano. Ou seja, a parte espiritual mantém-se, não é? A espiritualidade que Deus colocou em nós, porque Ele é um ser espiritual, ela mantém-se mesmo após o pecado, não é? Porque está intrinsecamente ligado com a necessidade relacional. E é interessante que há três esferas de relacionamentos quando Deus cria o nosso planeta, que é Deus e Homem. E Homem e Deus. Homem e Homem. daí ser necessário que o ser humano não seja somente um, que seja homem e mulher, e também o próprio homem com a criação, no sentido de liderança e comunicação com tudo aquilo que existe e são seres viventes também no nosso planeta.
Agora, como dizia a Ana e muito bem, Apesar de termos esta necessidade relacional e espiritual, nem sempre nós vamos àquilo que nos pode preencher completamente no sentido espiritual e relacional e tentamos preencher a nossa capacidade espiritual com algumas coisas que se opõem àquele que deveria ter-se relacionado connosco desde sempre. Vamos entrar exatamente nessa questão, porque passamos de um quadro extraordinário e extremamente belo para um que aconteceu também no mesmo local, neste jardim que Deus criou, e de um momento para o outro tudo aconteceu. Sabemos que Deus deu a Adão e Eva, que foram o primeiro par que Deus criou, tinham a liberdade de obedecer, tinham a liberdade de desobedecer, portanto tinham essa característica, e o relato diz-nos claramente que a escolha que este par fez cortou a relação com este Criador.
E para isso eu gostava que nós pudéssemos introduzir antes da pergunta e da resposta Génesis capítulo 3, e vamos saltar já para este quadro bem difícil de nós olharmos para ele, Génesis capítulo 3 versículos 9 e 10 diz que o Senhor chamou a Adão e disse-lhe, onde estás? E ele disse, ouvi a tua voz no jardim e temi, estava nu e escondi-me. Ou seja, tudo isto aconteceu após o pecado. Houve aqui uma introdução, introduziu-se algo que não foi o próprio Deus a introduzir, mas algo que se introduziu, vamos dizer assim, não é? Ana, como é que uma pessoa reconhece na sua própria vida quem, em alguns momentos, ou num determinado momento, está a fugir de Deus.
Para nós respondermos a esta pergunta, convém nós vermos o que aconteceu no Éden com Adão e Eva, para percebermos o padrão que, a partir dali, é criado em todo o ser humano ao longo da história. É interessante porque nós saltamos para o capítulo 3, mas se nós olhássemos para o capítulo 2, para o capítulo 1, nós percebemos, continuando aqui um pouco... Havia muito para dizer ainda, não é? Eu é que tenho que cortar a palavra. Nós percebemos a relação que Deus cria com a sua criação. E é interessante porque antes do capítulo 3 nós percebemos este relacionamento a fluir. Deus vai criar o homem, Deus vai criar a mulher, Deus vai instituí-los como senhores do planeta, responsáveis, representantes seus deste planeta, mas depois há uma quebra.
E é interessante porque, voltando à primeira questão, a quebra dá-se no próprio relacionamento. Porque Deus não muda, Deus continua a sua forma de ser e de estar igual, mas o homem e a mulher mudam por decisão própria. E isto é interessante porque O pecado, aquilo que o pecado fez na humanidade, foi trazer uma nova perceção à humanidade sobre Deus. Mas não significa, de forma nenhuma, que essa perceção fosse correta. O pecado mudou completamente o nosso foco, a nossa noção de quem era o próprio Deus.
E fez-nos com que de um Deus amoroso, um Deus criador, um Pai que se aproximava, que estava, parece que de repente Deus passa a ser uma ameaça. Porque a atitude de Adão e Eva foi esconder-se. o que não faz sentido completamente nenhum, dado o relacionamento que eles tinham construído com Deus. Nós não sabemos o tempo que passou desde que eles foram criados, mas também não podemos achar que eles foram criados ontem, passou o sábado, porque Moisés vai nos dizer que passaram o sábado a desfrutar e descansaram e no domingo, no primeiro dia da semana, Não, houve. Teve que passar tempo para que eles se habituassem também à governação do jardim, do planeta, etc.
Mas é interessante porque Deus, no versículo 9, vai fazer uma pergunta que, aos nossos olhos, pode causar confusão. Deus é omnisciente. Por que é que Ele vai perguntar onde é que Adão está? E a resposta é simples. Deus pergunta onde está Adão porque ele sabe onde ele está. Mas Adão e Eva não estão a perceber bem onde é que eles estão. E agora já começando a introduzir a resposta à pergunta em si, é interessante porque na nossa vida prática e diária, nós muitas vezes, ou quase sempre, ou sempre, na realidade, não sabemos onde estamos. Porque, a partir da queda, o ser humano afasta-se por vontade própria do Deus Criador.
A pergunta que Deus faz a Adão não é uma pergunta geográfica. É uma pergunta espiritual. Adão, o que é que aconteceu? Porquê é que estás a ter esta atitude? Porquê é que não vieste logo ter comigo? Há aqui muitos seus e porquês que... É uma pergunta, no fundo, retórica. Sem dúvida. Não é uma dúvida do próprio Deus, mas é para provocar em Adão e Eva, não é? Neste caso, uma reflexão. Exatamente. Exatamente. E nós hoje somos confrontados exatamente com esta pergunta. Diariamente. Onde é que nós estamos? Porque quando nós começamos a evitar, e indo diretamente a alguns pontos de resposta, quando nós começamos evitar a presença de Deus, é meio caminho andado para percebermos que a nossa relação está a ir pelo mesmo caminho de Adão e Eva.
Nós estamos a fugir, porque estamos a evitar. começamos a orar menos, a nossa vida espiritual deixa de ser aquilo que era, deixamos de ter contacto com a Bíblia, a nossa adoração a Deus deixa de ser um prazer e é quase um dever ou um sacrifício, procuramos distrações no nosso dia-a-dia para não estarmos em contacto com Deus, tentamos encher a nossa rotina para que depois a justificação diante de Deus seja Depois, eu não estou a fugir, eu apenas estou ocupada. E sempre que Deus vem ter connosco e nos pergunta onde estás, não é tanto o local, geograficamente, mas é o que é que estás a fazer. Onde é que nós estamos a perder tempo?
Qual é o ponto de situação da tua vida? E é interessante porque quando Adão e Eva escolhem esconder-se, Nós fazemos a mesma coisa, mas se calhar não nos tapamos com folhinhas, obviamente, nem vamos para trás de um arbusto, mas arranjamos justificações, arranjamos desculpas, comparamos-nos uns aos outros. E é interessante também, porque Adão e Eva fizeram exatamente isto. Adão vai dizer, eu não tenho culpa, ela tem. Ou seja, acusamos-nos um dos outros. Aqui acusamos-nos. Eva vai dizer, Deus, desculpa, mas eu também não tenho culpa, a serpente tem. E depois a serpente diz, Pois, se calhar tu é que és o culpado, que és o criador. Então, nós fazemos exatamente a mesma coisa.
O responsável final é sempre Deus. E nós, também, minimizamos muito aquilo que Deus quer tratar nas nossas vidas. O facto de fugirmos e de não permitirmos que Deus trabalhe, que Deus se
relacione, nós vamos estar a substituir a confiança que em tempo tivemos, o relacionamento, pelo medo e pela vergonha. Porque Adão vai dizer exatamente isto, eu tive medo e escondi-me. E é interessante porque às vezes, e estamos aqui quatro pessoas completamente diferentes, com histórias de vida completamente diferentes, estão-nos a ouvir e a ver pessoas que têm as suas lutas, as suas histórias, mas às vezes nós achamos, como Adão achou e Eva, já não vale a pena tentar, não vale a pena ir a Deus, caí no fundo, estou longe, Deus não me quer ouvir, Deus não quer saber, quando é exatamente o oposto.
E a história do Éden, do capítulo 3, mostra-nos que vale sempre a pena, Deus quer-nos ouvir, Deus quer-se relacionar E é ele que vem ao nosso encontro. Não somos nós. É ele. E isto é espetacular. É muito interessante ver, porque quando nós lemos o quadro da criação, vemos um Deus fantástico. De uma criação extraordinária, não é? Sem limites. Mas acho que o quadro mais bonito do Jardim do Éden Para além deste, ou se quisermos acima deste, é Jesus vir sabendo o que tinha acontecido e sabendo que a única solução era colocar em prática exatamente aquilo que lhes tinha dito, que é, vocês vão morrer.
Se comerem, vão morrer. E então vemos aqui um Deus à procura da humanidade, que é extraordinário. Aliás, se formos a uma outra passagem que não tem a ver com o livro de Génesis, é verdade que estamos aqui muito centralizados nos primeiros capítulos de Génesis. Mas se formos a Lucas capítulo 15, vamos ver aqui nesta passagem um Deus à procura da humanidade. Capítulo 15 de Lucas, lendo o versículo 20, diz que quando ainda estava longe, e aqui está a referir-se claramente à história do filho pródigo, quando ainda estava longe viu o seu pai e moveu-se de íntimas compaixões e, correndo, lançou-se sobre o seu pescoço e o beijou. Demos um salto muito grande em relação ao tempo, mas vem ao encontro daquilo que estamos a falar, a parábola do filho pródigo.
E vemos um pai à espera. Ele corre ao encontro do filho. Embora o filho já venha a caminho, mas é o pai que toma a decisão de correr um pouco. Aquilo que aconteceu no Jardim do Éden. Raquel, como é que este retrato de Deus, de alguma forma, diz a uma pessoa que sente que o seu passado, ou mesmo os seus erros, a tornar-a um completamente indigna e, de alguma forma, ela está a ser procurada por Deus. É interessante esta transição do Génesis para os Evangelhos, não é? Mas aquilo que podemos retirar daqui é essencialmente que este Deus, que muitas das vezes as pessoas pintam tão austero e tão exigente e tão duro do Antigo Testamento, é exatamente o mesmo.
Vemos que de Génesis até Lucas, Deus não mudou, Deus mantém-se, Deus tem exatamente a mesma postura em relação ao ser humano. E não há um Deus para o Velho Testamento e um Deus para o Novo Testamento. É o mesmo. O ser humano é que vai mudando, não é? E Deus vai mudando connosco na forma como se aproxima. Mas esta, para mim, é talvez, em toda a Bíblia, a história em que Deus é representado de uma forma muito comovente. Culturalmente, se nós formos a analisar, uma pessoa que fosse chefe de família, que já tivesse uma certa idade ou um certo estatuto. Não era normal um homem desta idade e deste estatuto ir a correr, dar uma corrida para ir ao encontro, se fosse de quem fosse.
Portanto, isto não era socialmente considerado digno para um homem destes. E, no entanto, nós vemos aqui este pai, que certamente já estava à espera deste filho há tanto tempo, assim que vê no horizonte o filho a chegar, é ele que toma esta iniciativa de correr até ele, ele não espera que o filho chegue. E quando chega ao pé do filho, o que é que ele faz? Lança-se ao seu pescoço e beija. O filho ainda não disse uma palavra, não é? Isto o que é que nos mostra? Que Deus não fica à espera, que a pessoa prove que merece ser amada. Aqui o filho ainda não confessou nada, não disse porque é que voltou, não disse se está arrependido, se não está arrependido, o que é que fez, o que é que não fez, para o pai nada disso importa. E muito menos a questão exterior, não importa nada ao pai.
Nada, nada, nada. Ele não vinha nas mesmas condições com que saiu. Deus quando olha para nós não vê os nossos erros. E isto é uma coisa que quando nós temos esta sensação de indignidade para nos aproximarmos, eu fiz isto, fiz aquilo, Deus já não olha para mim da mesma maneira, eu já não sou o mesmo para Deus. Mas esta história ensina-nos que Deus vê para além do nosso pecado. Deus vê para além do meu erro. E essa é a parte talvez mais difícil para nós, porque nós vemos muito o erro do outro, não é? Exatamente. Os nossos olhos estão apontados para aquilo que tu fizeste mal. E achamos que Deus vai olhar assim também para nós. Também nos ensina esta história que a compaixão de Deus para com o ser humano é muito maior do que a nossa vergonha. Deus perdoa-nos.
Às vezes o que é mais difícil é eu perdoar-me a mim próprio. Nós sabemos que este filho volta a pensar, bom, eu vou, mesmo que ele não me aceite como filho, eu não me importo de ficar como criado. Eu posso ficar a servir o meu pai. Se ele não me quiser reconhecer como filho, está tudo bem. Eu sei que fiz mal. Eu tenho uma consciência tão grande do meu erro que eu estou disposto a voltar mesmo noutras condições inferiores. E é interessante porque ainda assim mostra que o filho não conhecia o pai tão bem. Ou seja, ele passou anos a viver com o pai e a relacionar-se com o pai, mas quando chega o momento dele ter a noção de que eu sei que se voltar o meu pai vai me abraçar, vai me beijar, Ou seja, o pecado, a indignidade, como estavas a dizer, cria tantas barreiras e limitações a nós mesmos que nos fecha para a realidade do relacionamento que tivemos, temos e poderemos ter com Deus, neste caso, se nós quisermos.
Era o que estavas a falar ainda há bocado também nos Génesis, não é? Porquê que o homem teve medo de Deus? O que é que tinha acontecido até ali para de repente, quando algo corre mal, ele pensa, vou-me esconder, não é? E aqui é a mesma coisa, mas o que é certo é que ele volta. Mesmo no seu sentimento de indignidade, no seu sentimento de eu não mereço, de imercimento, ele volta. O que é que isto quer dizer? Que de alguma maneira ele sentiu que este regresso era possível. E que mesmo que não fosse nas condições que ele achava que ia ser, ele ia ser acolhido de alguma maneira. Portanto, isto mostra-nos realmente que... No Jardim do Éden já não foi tanto assim, não é? Porque eles esconderam-se e pensaram, já não temos possibilidade de voltar. Exatamente.
E aí é o próprio Deus que vem e dizer, não, há possibilidade de voltar! Exatamente. Então, em relação a este episódio do Filho Pródigo, uma das grandes mensagens, não só da história do Filho Pródigo, mas eu acho que do Ministério de Jesus no geral, é ensinar-nos que a graça de Deus acontece e é-nos garantida e é-nos dada mesmo antes de nós fazermos alguma coisa para a merecer. Este filho, do ponto de vista humano, não merecia. Se fôssemos nós a analisar na nossa humanidade, ele não merecia esta recepção. Ele não merecia ter sido recebido com beijos e abraços. O que ele fez foi péssimo. Pedir a herança ao pai, agarrar no dinheiro, ainda que o pai vivo, e ir desperdiçar o dinheiro em tudo e mais alguma coisa.
Humanamente, nós achamos que ele não merece, mas este é o Deus que nós temos. É que ele nos concede esta graça porque nos ama. Porque nos ama, independentemente daquilo que nós fazemos. Isto também não implica que o pai tenha esquecido o erro que o filho cometeu. Ele não passou uma borracha em cima do erro. Isso não o vai impedir de continuar a amar este filho, de aceitar este filho e de querer restaurar o relacionamento dele com este filho.
E Paulo em Romanos 5.8 diz uma coisa muito bonita que tem tudo a ver com esta história que é Deus prova o seu amor para connosco em que quando ainda éramos pecadores Cristo morreu por nós.
Portanto, ele não nos teve à espera que nós chegássemos a um estado de perfeição para fazer este sacrifício por nós, para nos amar, para nos conceder esta graça. Foi exatamente ao contrário. Nós temos mesmo que ir para o intervalo. O intervalo será muito curtinho, portanto, não saia do seu lugar. Nós já vamos continuar esta boa conversa. Até já. TV Novo Tempo. O canal da Bíblia. O canal da esperança. Cá estamos nós para a segunda parte do Bíblia Aberta de hoje. É muito bom podermos voltar à sua companhia. Esperamos que não saia do seu lugar porque tudo o que ainda temos para dizer é de extrema importância e vai fazer bem à nossa alma.
Antes de continuarmos a conversa, eu queria dizer-lhe que tenho mais um guia de estudo para lhe oferecer. Todas as semanas temos algo para lhe dar e se não tem este guia de estudo consigo e deseja recebê-lo gratuitamente, já sabe que poderá entrar em contacto connosco. O guia de estudo que eu tenho é este que tem por título Eu no Universo. E tem exatamente muito a ver com aquilo que nós estamos aqui a falar, porque traz-nos vários temas desde o início até ao final da vida humana neste mundo até Jesus voltar. Portanto, se quiser receber este guia de estudo Eu no Universo, onde podemos encontrar a identidade de cada um de nós, poderá solicitar esta guia para o 933 939291.
933 939291. E nós, simpaticamente, iremos enviar gratuitamente para a sua casa. Vamos voltar à conversa nesta segunda parte do programa de hoje. Estamos a abrir uma nova temporada. Vamos estar aqui várias semanas a falar destes temas. Como eu disse no início, nós iremos falar sobre o dom, ou os dons, indo até ao dom principal, que é o dom de profecia. Mas, quando nós estudamos a Bíblia, nós vemos que uma das consequências que mais desvastou, digamos assim, Adão e Eva foi o pecado, foi o facto de eles terem separado, cortado aquela relação inicial que Deus planeou, que Deus estruturou, que Deus ofereceu à humanidade.
E a Bíblia é muito clara dizendo que eles não tiveram outra alternativa senão serem expulsos daquele lugar. Deus não permitiu que eles continuassem tranquilamente naquele jardim preparado e deixaram então de poder falar com Deus face a face. Se formos a uma passagem de Isaías, capítulo 59, nós vamos encontrar aqui o grau de prejuízo que o pecado tem na vida humana. Isaías, capítulo 59, versículo 2, diz, mas as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós. Ou seja, o pecado não destruiu apenas o amor de Deus ou a tentativa do amor de Deus para connosco, mas criou uma separação real entre nós e o Criador. Ana, volto a ti para te perguntar como é que uma pessoa pode viver concretamente com a tensão entre saber que é amada por Deus, porque já vimos isso até na primeira parte deste episódio, mas ao mesmo tempo sentir-se distanciada ou separada porque o pecado separou e produziu essa separação com Deus.
Esta pergunta é pertinente para o tema que nós estamos a desenvolver neste episódio porque Isaías é muito claro. Isaías quando diz as vossas iniquidades, os vossos pecados, ele está a tornar o personagem principal ou a questão do problema não está em Deus. O personagem principal do afastamento da relação são vocês, seres humanos. Os vossos pecados, as vossas iniquidades. O texto em nenhum momento, e estamos no texto de Isaías 59, mas se nós começarmos em Génesis e acabarmos em Apocalipse 22, nós vamos perceber que em nenhum momento nós vemos Deus a dizer, deixe-vos de amar. porque pecam, deixei de amar, deixei de querer, deixei de querer relacionar-me com vocês, em nenhum momento nós vemos isso.
Nós vemos sim que existe uma separação, mas é uma separação criada pela consequência e a ação do ser humano. O pecado quebrou a comunhão, quebrou a relação, mas não quebrou de forma nenhuma o amor de Deus. E é importante nós percebermos esta diferença, porque o amor de Deus não é somente uma característica do próprio Deus, é a sua própria essência, como João vai dizer, Deus é amor. E então seria estranho Deus, que a sua essência é o amor, de repente deixar de amar. Não faz sentido, é contraditório para o caráter, a identidade do próprio Deus. Agora, a comunhão, a relação depende inteiramente de nós.
Vimos no Éden, vimos no filho pródigo na parábola, o pai está lá. Deus vai até lá. O pai corre. Agora, o filho podia ter dito, ou não, ele vem a correr, o que é que ele vai dizer? Vou virar as costas. Ou podia ter dito como fez Adão, estou escondido, só se ele chatear muito é que eu saio daqui para dizer. E foi o que aconteceu. Onde estás? E aquilo ecoa, ecoa, ecoa, e ele, temos que sair, temos que ir. Mas é interessante porque quando nós vemos a expulsão do jardim, voltando aqui a Génesis 3, foi um acto de graça. Foi um acto de misericórdia de Deus para com aquele casal. Às vezes nós não entendemos isto a 100%.
Como é que é possível? Num mundo perfeito, num jardim perfeito, tudo perfeito e Deus agora vai expulsá-los e vai dizer estão à deriva. Que não foi isto que aconteceu, obviamente. mas Deus coloca um limite no ser humano. Não havia necessidade deles conhecerem os cardos, não é? Porque no Jardim do Éden não havia, mas lá fora existia, não é? Lá fora ia passar a existir, certamente. Exatamente. Fosse algo instantâneo ou fosse a curto, médio e longo prazo. Eles iam viver as consequências da sua atitude. Mas quando nós olhamos para este ato de misericórdia de Deus e vemos as entrelinhas para... Deus faz isso para impedi-los de serem pecadores eternos, para impedi-los de não continuar com o pecado para sempre, para que pudesse haver uma resposta de Deus, o plano da redenção pudesse ser cumprido e houvesse esperança e solução, então nós percebemos que Deus continua constantemente e repetidamente a dizer Há uma esperança.
Há uma solução. Volta. O amor permanece. O convite permanece. A questão é que muitas vezes nós acabamos por sentir esta distância do próprio Deus porque o pecado tem uma... O pecado faz-nos algo a nós, seres humanos, que é que cria-nos insensibilidade. E muitas vezes, quando nós estamos nesta fase de afastamento de Deus, nós criamos insensibilidade ao pecado e não vamos achar que é o pecado. Vamos justificarmos, como falávamos há pouco, quando na realidade quem se afasta somos nós, quem está em pecado somos nós, as nossas iniquidades, como diz Isaías, mas Deus permanece lá.
E, obviamente, como Deus está presente, o Espírito Santo vai trabalhando na nossa vida. E esta insensibilidade ao pecado, vai haver aqui um a banar. Porque se Deus está presente, eu vou ser confrontada com as minhas ações e atitudes. Que foi o que aconteceu com Adão e Eva. Eles pecam e Deus manifesta-se a sua presença e eles são confrontados com as suas atitudes. E não sei se, obviamente, que já repararam, mas é interessantíssimo. Isto é algo que me faz explodir a mente quando analiso a história de Génesis 3. Há arrependimento? Não, eles só se desculpam. Em nenhum momento, de toda a passagem, nós vemos aquele casal feito à imagem e semelhança de Deus, feito pelas próprias mãos do Criador a dizer, Senhor, lamento.
Desculpa. Não devia ter acontecido. E isto, às vezes, claro, extrapolando e imaginando aqui a ficção teológica que nós vamos inventando na nossa mente, Que resultado poderia ter havido se este casal tivesse pedido perdão? Como é que poderia se ter desenvolvido? Tinha que existir, obviamente, remissão, tinha que existir tudo, mas até que ponto não poderia ter sido diferente? Porque o pecado traz culpa, o pecado traz vergonha, traz medo, endurece o nosso coração, cria este afastamento, mas se nós estivermos disponíveis, apesar de tudo isto, para, apesar das falhas, criarmos um relacionamento de volta para com Deus, nós vamos perceber que Deus faz milagres acontecerem e que Deus vai trabalhando nesta relação.
Muitas vezes nós achamos que temos que fazer tudo, quando é completamente o contrário. Deus só diz, toma o primeiro passo e depois deixa-me encarregue do resto. E obviamente que devemos entender que, e pegando no exemplo de Davi, que conhecemos, o grande rei Davi, Davi, quando ignorava o pecado, tornava-se insensível ao pecado, mas Deus ia trabalhando. E Deus trabalha a nível pessoal, mas também trabalha com quem está à nossa volta. E por isso é que quando nós encontramos o Davi confrontado com o pecado, deixa o Espírito Santo trabalhar e a resposta dele à situação é, crie em mim, ó Deus, um coração puro. E esta é uma atitude que cada um de nós, o cria em mim, ó Deus, um coração puro, é a atitude que cada um de nós deveria ter no seu dia-a-dia, que deveria construir com Deus.
Porque é um relacionamento... A única forma da tensão deixar de existir é quando nós tomamos a consciência de... Senhor, cria em mim um coração puro. Ajuda-me. Nas minhas iniquidades, nos meus pecados, ajuda-me.
Eu ia pegar ainda um bocadinho no Génesis, dizendo que às vezes nós não nos queremos sentar com a nossa nudez. Sem dúvida. não queremos esse desconforto, mas é Deus que nos vai tapar com essas tais folhinhas de figueira, é Deus que nos vai colocar a sua justiça em nós, mas primeiro nós temos que dar esse passo de assumir esse desconforto e irmos até Deus na nossa nudez e dizer Senhor, ajuda-me, transforma-me, dá-me uma forma de eu poder realmente enfrentar o meu pecado e superar isto. Sem dúvida. E usando uma expressão que tu deste, muito importante, que foi, no fundo, foi um ato de graça Deus ter expulsado o casal do Jardim do Ede.
Não foi uma condenação, foi um atos de graça. Nós podemos ver que Deus não os abandonou, tu também disseste isso, e Deus continuou a falar com eles. E, de alguma maneira, se nós formos quase ao fim da Bíblia agora, em Hebreus capítulo 1, versículos 1 e 2, nós podemos ver que a própria Bíblia diz, Havendo Deus antigamente falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho. O que significa que Deus nunca se calou, mesmo depois do Éden. Pode ficar essa ideia de que o par ficou completamente abandonado e desamparado fora do jardim, mas isso não aconteceu. Ele falou de muitas formas ao longo da história. Raquel, o que é que isso nos diz sobre um Deus que, mesmo nós sendo pecadores, mesmo nós nos...
enfim, separando de Deus, ele insiste em comunicar com as criaturas que repetidamente o ignoram? Este texto para já diz logo esta frase, não é? Falou de muitas maneiras e falou muitas vezes. Como a Ana ainda há bocado dizia, Deus podia ter deixado a D. Eva à sua mercê. Então agora erraram, desobedeceram. Eu avisei-os do que é que ia acontecer. Foi esta a escolha que fizeram. Então agora desenrasquem-se, não é como se costuma dizer? Morram sozinhos, perdoem mais pessoas. Exatamente, mas aquilo que a Bíblia nos mostra é que Deus continuou sempre a tentar encurtar esta distância entre Ele e o ser humano. Continuou sempre a querer amparar, continuou sempre a querer aconselhar, a querer orientar o ser humano da melhor forma.
Isto mostra que Deus tem uma persistência admirável em relação aos seres que ele criou. Falou, e podemos ver isso no Antigo Testamento, através de profetas, deu-lhes sonhos, deu-lhes visões. Também falou através de acontecimentos históricos, através da história do povo de Israel. Ele foi ensinando quer coisas ao povo naquele momento, que eram importantes para aquela altura, mas que também continuam a ser importantes para a humanidade hoje e a Bíblia mostra-nos todas essas coisas como ensinamentos e orientação ainda hoje. É impensável para Deus perder-nos, não é? Com certeza. E nós podemos pensar nós, que somos tão falhos, não é? Enquanto pais. Em relação aos nossos filhos, nós queremos o melhor para eles, somos defeituosos, mas aquilo que nós queremos é o melhor para os nossos filhos, mesmo...
Aliás, se nós fomos a ver, às vezes, na altura da adolescência, que dizem que é um período difícil, em que o jovem se está a afirmar e muitas das vezes é mais revoltado e a relação entre pais e filhos sofre ali umas certas tensões, nós vemos o que é que nos diz a psicologia. É nos momentos em que eles nos empurram e nos afastam que eles precisam mais de nós. E Deus tem esta atitude para com o ser humano ao longo da história. Então, Ele deseja ser conhecido. Ele deseja que o ser humano o conheça continuamente. E mostra-nos aqui que a iniciativa parte sempre dele. Deus vai buscar Noé e diz, eu preciso que tu me faças uma arca. Eu preciso que tu fales às pessoas que vai acontecer um grande dilúvio. Deus vai buscar Abraão. Deus vai buscar Moisés.
A iniciativa parte sempre dele. Sempre. Tem sido sempre assim. E se o Deus não o foi buscar e aconteceu o que aconteceu? Foi uma iniciativa humana e que depois saiu fracassada. E também nos mostra que realmente Deus é muito, muito paciente. A paciência de Deus está escrita na Bíblia do princípio ao fim. Mesmo quando o povo deixa de acreditar, mesmo quando o povo decide adorar outros deuses, mesmo quando o povo decide desobedecer. Continuamente nós vemos Deus enviar um profeta, vai falar com eles, diz-lhes isto, diz-lhes aquilo, chama-os a atenção, mostra-lhes o que é que eles têm que negar para conseguirem sair desta situação. Claro que houve alturas em que o povo sofreu as consequências e o pecado é isso que acontece.
Quando nós pomos o pecado acima da vontade divina, sofremos as consequências das nossas ações. E Deus não nos consegue livrar dessas consequências, mas Ele está sempre disposto a nos resgatar, a nos restaurar e a nos mostrar o que fazer a seguir. E é muito como Davi. Depende essencialmente da nossa reação. Quando somos confrontados com o nosso erro, o que é que vamos fazer com isso? Davi mostrou-nos como é que é possível realmente termos um coração novo, um coração puro, se deixarmos que Deus trabalhe em nós. Outra coisa que Deus nos ensina ao longo da história é que Ele se vai adaptando este de diversas maneiras que está aqui mencionado no versículo de Hebreus, é que ele vai adaptando a forma como ele se comunica connosco.
No Velho Testamento foi de uma maneira, que nós às vezes consideramos um
bocadinho mais abrupta, mas o povo muitas vezes só via assim, tinha que ser. Agora poderá ser de outras maneiras, mas ele sempre encontrou uma estratégia para se fazer conhecer e para se fazer ouvir. Apesar da nossa rejeição, e isto é que é uma coisa extraordinária, É porque não há nada que nós façamos que o possa afastar de nós. Nós é que nos afastamos dele, sempre. E nós podemos falar aqui de uma coisa muito interessante e eu gosto imenso de história. Se nós formos a reparar entre Malaquias, que é o último livro do Velho Testamento, e entre Mateus, que é o primeiro do Novo Testamento, ou seja, entre Malaquias e Jesus, há aqui quatro séculos, cerca de 400 anos mais ou menos, em que não há um profeta.
Deus não envia ninguém para falar. Não há aqui um intermediário que fale ao povo. E podemos dizer que Deus ficou em silêncio. Deus abandonou aqui a humanidade. E aquilo que podemos ver é que durante estes 400 anos, Deus pode não ter enviado um profeta, mas esteve sempre a atuar, sempre a agir. Esteve a preparar o caminho para exatamente vir Jesus à Terra, fazer o que ele fez. E é interessante que nesta altura, por exemplo, os romanos construíram estradas, que na altura não havia. e que aumentou a comunicação entre os vários países naquela altura. Também foi na altura de Alexandre o Grande que se espalhou a língua grega, a cultura grega, e daqui depois vão nascer os escritos em grego, do Velho Testamento, aquilo que nós conhecemos.
que é a Septuaginta. Estes escritos em grego vão ser uma ferramenta muito poderosa para os apóstolos depois nas suas atividades missionárias. Portanto, Deus pode às vezes parecer que está silencioso, mas Ele nunca está. Ele está sempre a agir em nosso favor. Muito bem, estamos a caminhar para a fase final, digamos, deste episódio. Já percebemos aqui que Deus, desde o Jardim do Éden até aos nossos dias, tem sido sempre um bom comunicador connosco e, por isso, talvez possamos verificar uma passagem que encontramos em João capítulo 14, Versículo 9, porque aqui, embora seja um versículo pequenino, nós encontramos aqui o próprio João a dar uma grande revelação.
Capítulo 14, versículo 9, diz que quem me vê a mim vê o Pai. Ou seja, é o próprio Jesus que afirma esta revelação, ser ele a revelação definitiva de Deus, o Pai. Ruben, o que é que muda na vida de uma pessoa quando ela deixa de ter apenas uma ideia abstrata, digamos, de Deus e passa, de alguma maneira, a conhecê-lo através da sua relação com Deus e, sobretudo, com o caráter de Jesus, com o conhecimento do caráter de Jesus? Sabes que todos nós temos uma ideia abstrata de Deus. Não é possível. Só Deus conhece-se a si mesmo e nós não conseguimos. Nem na eternidade o vamos poder fazer. Vamos chegar mais perto, poder perceber um bocadinho mais sobre as coisas. Mas só Deus conhece- se a si mesmo.
E, portanto, nós nunca chegaremos a essa esfera... Pois é que Ele Deus. Pois é que Ele é Deus. Nunca vamos chegar a essa esfera de conhecimento. Por essa razão mesmo, nós temos algumas ideias falaciosas a respeito do mesmo, a respeito de Deus. E isso vê-se desde a queda da humanidade, com as sucessivas acusações que fazem uns aos outros. Acusam o próprio Deus de ser o responsável de todas estas coisas, fores tu que criaste, então tu és o culpado de uma forma indireta de tudo aquilo que está a acontecer. Depois, não percebendo até o carácter de Deus, o amor de Deus pela humanidade, por tudo aquilo que foi criado, como estava a dizer a Raquel, eles tentam compensar alguma coisa para tapar aquilo que era o sinal da sua pecaminosidade.
que eles não tinham. Sentem uma diferença e percebem que aquela luz que reluzia já não existe, embora estivessem sempre nus, mas agora era diferente. E então sentem a necessidade de se cobrir com aquilo que depois Jesus chama e amaldiçoa no Novo Testamento, que são as Folhas de Figueira, que são associadas aos méritos próprios. E foi isso que a humanidade fez. esqueceu-se daquilo que foi, a relação que foi criada ao longo das sucessivas virações do dia em que Deus vinha em pessoa para estar com a humanidade e esqueceram-se do caráter de Deus e tentaram compensar a sua falha com as suas próprias obras, as suas próprias ações. É aqui que depois Deus tenta cobrir a nudez da forma correta que era E se percebe-se também em Génesis 3, versículo 21, em que do nada aparecem vestes para cobrir a nudez de Adão e Eva, e nós podemos deduzir que seria já um primeiro sacrifício que apontava para o Messias que haveria de vir, que é Jesus.
E é precisamente este Jesus, Jesus Cristo, que ao falar com Filipe, Depois de Jesus estar já aqui a iniciar os seus discursos de despedida, porque haveria de morrer e estava já a dar as últimas palavras aos discípulos, o foco dos discípulos era mostra-nos o Pai que é aquilo que nos interessa. E Jesus diz, então eu estou convosco há tanto tempo e vocês não percebem que eu sou o próprio Deus. Quem me vê a mim vê o Pai. E então Jesus começa a explicar-lhes, e isso vê-se um pouco em todos os discursos de Cristo e no seu ministério, Jesus diz que o Deus do Antigo Testamento, o Deus que os hebreus, os judeus, os israelitas pensavam adorar, estava ali, era o próprio Cristo pré-encarnado.
Depois ficou conhecido como Jesus Cristo, é verdade, mas era ele. E isto vê-se então que Deus ama tanto a humanidade, Deus preocupa-se tanto com os seus filhos que decide vir cá abaixo tentar resolver a situação e tentar mostrar quem Deus é. e nós temos uma ideia totalmente distante daquilo que Deus é. Seja por alguma condição ao nível da nossa educação, da nossa cultura, seja por algum dissabor relacionado com a religião que tivemos, seja porque nunca nos explicaram, de acordo com a Bíblia, sobre o amor de Deus, E pensamos que Deus é algo que não é.
Tu falaste do ato da expulsão. Podemos pensar que Deus é tirano por expulsar a humanidade daquele lugar tão bonito, mas esse ato de expulsão já é um ato de graça porque não impediu que a humanidade estivesse fora do plano da redenção. Porque se comecem da árvore que simbolizava ou que dava a imortalidade, o plano da salvação cairia por água abaixo. Mas é interessante então percebermos que Deus é aquilo que Jesus mostra, porque é o próprio Deus que vem à Terra. E para entendermos Deus e aquilo que Ele é e quer ser nas nossas vidas, temos que ver como é que Jesus tratava os pecadores, como é que Jesus tratava os pobres, como é que Jesus tratava aqueles que choravam, aqueles que estavam de luto e ao vermos Deus na pessoa de Cristo percebemos que Deus vale a pena e que Deus é a única e a menor solução que o ser humano caído, imprefeito, limitado, com dificuldades tem porque não há forma de resolver.
As nossas folhas de figueira não nos vão tapar nada que nos dê acesso à eternidade. É só a mesma justiça de Cristo. É interessante ver que esta questão das folhas da figueira e o não arrependimento, o homem e a mulher tiveram mais preocupação em criar folhas de figueira ou pegarem folhas de figeira. Justificações. Justificações para não pedir perdão sobre o seu próprio ato. E é muito interessante e fica para a reflexão o que é que poderia ter acontecido
se porventura eles tivessem tido ali um perdão verdadeiro, se tivessem se dirigido a Deus de uma forma correta. O que é que Deus poderia ter feito naquele instante, não é? Olhem, a conversa está muito boa, mas nós vamos terminar, mas para terminar eu vou pedir que vocês façam aqui um... Ficamos com um resumo. Uma frase, uma palavra, o que nós estivemos a falar hoje de Deus comunicar connosco. Como é que vocês podem resumir esta conversa de hoje? Ana? Eu vou pegar naquilo que o Rubens estava a partilhar agora de Deus encarnado. Jesus veio cá para cumprir o propósito final mostrado já no Génesis do sacrifício. De reestruturar e voltar a conectar o céu e a terra.
E é nessa cruz que nós hoje não conversamos muito sobre a cruz, mas é na cruz que há duas verdades. Uma é a gravidade do pecado, mas a outra é o grande amor de Deus. E eu acho que, apesar da gravidade do pecado, que é gravíssimo, isso não mudou o foco de Deus de resgate, de salvar-nos. Então, independentemente de onde eu estou hoje, possamos ouvir onde estás e olhar para o grande amor de Deus, o grande resgate que Ele nos quer dar. Raquel, como é que resumes esta conversa? Olha, eu estava aqui a pensar nos relacionamentos, essencialmente, e na comunicação. Normalmente costuma-se dizer, quando nós desistimos de comunicar, como estou a falar, por exemplo, num casal, quando o casal desiste de comunicar um com o outro, e numa discussão há um que já não se dá ao trabalho de...
quer dizer que houve ali qualquer coisa que efetivamente morreu. E o que Deus nos diz continuamente é que Ele está sempre disponível para comunicar connosco. Portanto, parte de nós. Dez segundos. Deus quer relacionar-se, desde sempre quis e Jesus é prova disso.
Tentativa de reconciliação para podermos ter aquela relação que Deus buscou desde o início. Muito obrigado aos três por estarem comigo. Para a semana voltamos, não se esqueçam. Vamos continuar este tema que é tão importante e fundamental para a nossa vida espiritual. Vou terminar apenas relembrando muito rapidamente que temos este guia de estudo para lhe oferecer, se ainda não tem este guia de estudo poderá pedi-lo. Eu no Universo é um guia de estudo que nos permite compreender melhor a nossa identidade e por isso Se pretender receber gratuitamente em sua casa, basta que envie uma mensagem para o 933-939291 e nós, deste lado, iremos dar conta do seu pedido e iremos fazer com que este guia de estudos chegue a sua casa.
Pois bem, fica em contramarcado para a semana, porque agora que abrimos a Bíblia num novo tema, numa nova temática, nós iremos explorá-la durante várias semanas, por isso convido a si a ter-se e a manter a sua Bíblia aberta para que tudo aquilo que Deus tem para nos mostrar possa ser muito útil e possa, de alguma forma, vincar a nossa relação com Ele. Até para a semana, se Deus quiser.
Já alguma vez parou para pensar em como o Criador do universo comunica connosco hoje? Descubra como ouvir a voz de Deus e transformar a sua vida.