A partir de agora, e nos próximos minutos, você está na boa companhia da TV Novo Tempo Portugal e estamos com a Bíblia Aberta. É o programa Bíblia Aberta, semanalmente, passa aqui nesta estação de TV, mas também na Rádio RCS, nos 91.2 FM, para toda a Grande Lisboa, pela internet, para todo mundo, e também através do nosso canal no YouTube, Novo Tempo Portugal. É muito importante para nós e, acima de tudo, é um gosto muito grande podermos estar na sua companhia, voltarmos a estar consigo, para juntos podermos abrir a Palavra de Deus e encontrarmos nela aquilo que nos faz falta para a nossa vida hoje e também para o nosso futuro enquanto aqui estivermos. Ora, eu sou o Jorge Duarte e comigo eu tenho sempre três amigos que semanalmente vêm ter comigo para conversarmos sobre alguns aspectos da Bíblia.
Esta temporada estamos a falar sobre o espírito de profecia, o dom de profecia. Como é que a Bíblia foi inspirada e tudo aquilo que Deus entendeu deixar por bem para o nosso ensinamento. Ora, a minha nova equipa, tenho uma nova equipa, que é uma equipa nova, no sentido de ser a primeira vez que estão comigo, pelo menos dois destes três. Começo por João. Olá, João. Seja bem-vindo. Vens da Igreja da Amadora, não é? Empresário. Bom rapaz! Muitas atividades, mas é um grande prazer estar aqui com vocês. Obrigado pela tua presença. O Emanuel é um finalista, digamos assim, do curso de Teologia. Vai iniciar o seu projeto aqui em Portugal. Sejas bem-vindo, Emanuel.
Muito obrigado, Jorge. E vamos, de certeza, ter-te muitas vezes aqui connosco para nos ajudares neste programa. O Pedro, bom, o Pedro é um habitual, não é? Já está connosco. é um repetente, digamos assim, é aquele que não passa e que é importante que se mantenha entre nós.
Por isso, a todos, muito obrigado por estarem connosco. Já sabem que podem acompanhar este programa na TV Novo Tempo, na Rádio RCS ou então no canal do Youtube. É agora hora de começarmos a nossa conversa e vamos olhar para um aspecto que acontecia com alguma frequência Ou seja, a ira que recaía sobre os mensageiros de Deus. É o ponto de partida para a nossa conversa neste episódio e por isso eu lanço-vos o desafio de abrirmos em números capítulo 14 para lermos os versículos 8 e 9. Se está em casa e se tem a sua Bíblia por perto poderá abrir em números 14, 8 e 9. Se não tiver a sua Bíblia, oiça com atenção a leitura que diz, se o Senhor se agradar de nós, então nos porá nesta terra e no ladará.
Tão somente não sejais rebeldes contra o Senhor e não temais o povo desta terra. Vemos aqui que os ergelitas... deixaram o medo transformar-se numa rebelião aberta, digamos assim, contra Deus. Pedro, como é que o medo pode levar uma pessoa a rejeitar precisamente a orientação de que ele mais precisa, eu diria, a orientação divina? É, o medo, e se calhar podíamos acrescentar aqui outros sentimentos que têm uma natureza, uma origem profundamente humana. O ser humano é um conjunto de sentimentos e de emoções. Nós somos corpo e células e tecidos, mas provavelmente a nossa identidade e de facto o que nós somos como pessoas está muito mais ligado às coisas que se passam dentro de nós ou que nós sentimos.
Portanto, se nós somos pessoas que estamos confiantes, por exemplo, vamos ser muito mais bem sucedidos do que se estivermos receosos ou aflitos. Por isso, aqui o medo, no exemplo específico de números que tu leste aí, é um bom exemplo de uma espécie de um sentimento que se apoderou de um grupo enorme de pessoas, o povo de Israel. Mas, para a nossa revelação, eu diria que nós poderíamos juntar a essa lista outras emoções que se podem apoderar de nós e que, na verdade, contrariam, são impedimento para que o que Deus quer fazer connosco aconteça. Vamos centrar aqui nesta história durante um pouco para tentar tirar aqui algumas lições importantes. Porque a verdade é que este é um momento muito interessante da história de Israel porque é muito revelador.
Deus tinha libertado, como sabemos, o povo do Egito, daqueles anos, séculos de escravatura. Deus deu uma manifestação soberba, poderosa, da sua intervenção, abrindo o Mar Vermelho, a dar-lhes comida no deserto, enfim, coisas que hoje nós olhamos e nos parecem quase surreais de imaginar essa lógica de um Deus que sustenta visivelmente. Era fogo durante a noite, era uma nuvem durante o dia. Uma presença muito forte. No entanto, quando o povo chega, semanas depois de todos esses episódios, a uma terra que Deus tinha prometido que eles iriam conquistar, como nós sabemos, são enviados 12 espias. 10 desses espias trazem notícias um pouco aterradoras.
E o resumo dessas notícias é que o povo que lá vive é um povo tremendo, gigantes, muito capazes, e, portanto, essa perceção de que estes mensageiros traziam, silenciou, no caso, o relatório de outros dois, que ficaram, na verdade, muito famosos. Os outros dez, a gente nem sabe o nome. José e Caleb, todos decorámos o nome, porque eles trouxeram, da parte de Deus e da sua observação, um relatório completamente diferente. O que é certo é que esta história mostra-nos como estes sentimentos humanos são muitas vezes capazes de nos turvar a capacidade de entender o plano de Deus e de confiar em Deus.
Ora, números 13, o versículo 31 diz que eles disseram não poderemos subir contra aquele povo porque é mais forte do que nós. Esta frase, se nós a metermos neste contexto de um povo que, ao longo das semanas anteriores, viu Deus agir desta forma, é uma frase, digamos, absurda, irracional, mas que revela uma coisa. Quando eles dizem é mais forte do que nós, eles aí disseram a verdade. A questão é que ninguém esperaria que fossem eles a vencer, tal como não foram eles que abriram o Mar Vermelho, ou que venceram o exército de Faroó, ou que se alimentaram no deserto sem que lá houvesse comida. É esta incapacidade de perceber a ação de Deus, de reconhecer Deus, as suas bênçãos, de confiar nas suas promessas, que caracteriza as pessoas que estão demasiado focadas nos sentimentos que se apoderam de si.
Há um texto conhecido que eu gostava de citar ainda, Provérbios 3, 5 e 6, que diz, confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes ou não te percas no teu próprio entendimento. E é interessante. Nas tuas próprias conclusões, digamos assim. É isso que é. As tuas conclusões, as tuas impressões e, podemos dizer, os teus sentimentos. Não te percas no teu medo, na tua angústia, mas também pode ser ao contrário, que é na tua autoconfiança, convencido que tu estás a controlar tudo e tens um plano para tudo. Seja qual for o teu entendimento, não é nisso que tu podes confiar. Confia é no Senhor. E depois o versículo 6 diz reconhece-o em todos os teus caminhos e é ele quem endireitará as tuas veredas. Então realmente este texto resume tão bem esta ideia de que nós precisamos de aprender a viver numa dinâmica de confiança em Deus.
Quando assim não é, o resultado vai ser que as dificuldades vão parecer-nos maiores do que realmente são. As promessas de Deus vão parecer-nos mais distantes, são para os outros. E muitas vezes a fé, que no fundo é o alimento, é o combustível do crente, A fé é uma coisa às vezes muito efémera. Ela rapidamente é substituída por ansiedade, por receios. Por isso, este primeiro ponto é que nós realmente precisamos de aprender a olhar para Deus e centrar nele as nossas convicções sobre o que quer que vá acontecer no futuro. E se formos a ver bem, esta ideia que foi transmitida por estes espias, que no fundo foram estes homens mensageiros, vai produzir no povo uma perturbação tão grande que depois é muito mais difícil de nós conseguirmos ultrapassar a barreira, não é?
porque os outros dois lutaram, mostraram a verdade, mas estes parece que foram mais ouvidos do que os outros dois. Claro, porque as multidões também funcionam muito nesta lógica de se infectarem muito rápido. É uma pressão. Em grupo é muito fácil. Se houver uma pessoa com uma voz forte, carismática, que comece a dizer alguma coisa, é muito fácil influenciar um grupo. E nós percebemos essa dinâmica que acontece. Há um fator também muito importante, que aliás na Bíblia, no Antigo Testamento, dá uma centralidade muito grande à ideia da memória. A memória é, na nossa vida, uma coisa absolutamente essencial. Filosoficamente quase que poderíamos dizer que a nossa identidade é basicamente o conjunto das memórias que nós acumulamos.
Se porventura a esta mesa algum de nós, neste exato momento, apagasse todas as memórias, tudo o que aconteceu, nós não saberíamos sequer porque é que estamos aqui sentados. Nós só estamos aqui porque somos o acumular de histórias e acontecimentos e porque nós guardamos memória disso. Já não seríamos nós. Senão não éramos nós, porque nós somos de facto a memória das coisas que acontecem. É por isso que no Antigo Testamento esta dinâmica de Deus querer conduzir o seu povo, que o povo se mantenha fiel, que o povo se mantenha dentro dos parâmetros da aliança que Deus estabeleceu. Para isso, ou mesmo se quisermos recuar num tempo em que basicamente o tempo dos patriarcas, em que a fé era transmitida de geração em geração através de uma tradição oral, Neste contexto, a memória é uma coisa extremamente importante.
Ou seja, tu não podes esquecer-te das coisas que já aconteceram, quer dos erros e fracassos, quer das vitórias. Mas isto, Pedro, isto demonstra como o medo faz com que tudo seja mais macro. Ou seja, parece-se uma lupa que amplia todos os nossos gigantes, que na verdade não são gigantes. Porque no mesmo texto, ou seja, quando os espias regressam, eles dizem que somos como gafanhotos. Não é? José e Caleb experimentaram as mesmas coisas que os dez outros espias, mas a confiança neles fez com que esta realidade diminuísse, porque eles sabiam que o seu Deus era muito maior do que qualquer inimigo que eles tivessem que enfrentar. Sem dúvida. Eu, para terminar, trago aqui dois textos que são dois exemplos de como, no Antigo Testamento, nós temos este papel da memória como um papel central.
Dois salmos. O salmo 78 diz esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes fizeste ver. Diz o salmista falando adeus e queixando-se desta ideia de que esqueceram- se das maravilhas que fizeste. Pela positivo, podemos ir ao salmo 103, que é uma prece, e diz bem diz ó minha alma ó senhor e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios. que é como uma oração, que é uma tentativa de autoconvencer-nos. Por favor, não te esqueças. Lembra-te sempre do que Deus já fez. Por isso, para contrariar o medo e outras formas, outros sentimentos que são paralisadores, nós precisamos de fazer o uso da memória. Por isso, tantas vezes, Deus dizia-te, lembra-te.
Lembra-te. Por isso, Essa é uma grande necessidade que nós temos. As mensagens dos profetas muitas vezes, que esse é o tema geral que nós estamos aqui a trabalhar, muitas vezes os profetas foram esquecidos. Tu dizias na tua pergunta que às vezes a ira ia contra o mensageiro, precisamente porque quantas vezes Nós próprios, aqui na Bíblia é o povo de Deus, mas mais vale falarmos para nós quantas vezes nós somos incapazes de guardar e ter presente o quanto Deus já fez por nós. E que se alguém nos adverte, se há uma voz profética que nos adverte ela não é contra nós, é para nos recordar as coisas essenciais. Há um outro episódio na Bíblia que eu gostava de referir neste programa e João,
eu vou te pedir que tu o comentes. É do rei Joaquim, que a dado momento queimou a palavra de Deus pensando que iria conseguir destruir a mensagem. Isto está escrito em Jeremias capítulo 36, versículo 24. Jeremias 36, 24 diz, não te envergonhaste de cortar e queimar este rolo? É a pergunta que é feita. E a pergunta que eu te quero fazer, João, é o que é que isto revela sobre o coração humano e ao mesmo tempo a tendência que temos ou a vontade que temos de silenciar aquelas verdades que nos incomodam? Excelente pergunta. E dando aqui seguimento ao que o Pastor Pedro Chedeiros estava a referir, só contextualizar um bocadinho este rei, se calhar para quem nos está a ouvir e a ver, pode não ser um nome tão sonante.
Infelizmente os relatos que temos dele não são os melhores, mas é interessante recordarmos sempre o pai dele. E o pai dele, de nome Josias, ao encontrar a lei, diz-nos em Segunda de Reis 22.11 que rasgou as suas vestes e conduziu-os lá a um grande arrebebamento. E é engraçado este contraste entre pai e filho, que o filho infelizmente também rasgou alguma coisa, que vamos agora ver, e teve uma atitude completamente diferente. Percebermos que este rei se chamava Eliakim, E o seu nome é alterado pelo faró, pelo faró do Egito, do nome Necau, que acaba por tirar o irmão do poder, colocar Eliakim e alterar-lhe o nome para o que nós estamos agora a falar de Geoakim.
Talvez o nosso nome português mais parecido de Joaquim. Mas Geoakim acaba por ser... não é escolhido pelo povo, não é escolhido por Deus e acaba por ser quase como um instrumento do Egito. E quando se passa este relato, ao mesmo tempo, se virmos, pronto, não vamos aqui detalhar muito esse contexto, mas se virmos logo no verso 1, posicionando-nos aqui no quarto ano em que ele está no poder, mas entre o momento em que Jeremias recebe as palavras de Deus. E entre o momento que passa um ano em que este rolê é entregue ao rei, mais ou menos nessa época, Nabucodonosor e Babilónia estão a conquistar o Egito. E portanto, quando este homem recebe esta mensagem, o cenário não era animador.
E ao ver aquelas notícias e o que estava descrito naquele rolo que diz-nos aqui a Sagrada Escritura, desde o verso 2 do capítulo 36, onde Deus diz a Jeremias que escreve nele todas as palavras que te falei contra Israel. Aqui é importante percebermos também o que Jeremias diz sobre este rei. E eu vou só recorrer-me aqui a alguns versos, sem detalhar muito tempo, mas 2ª de Reis 23.37 diz-nos que ele fez o que era mau aos olhos do Senhor. Jeremias, no capítulo 22, acusa-o de construir um palácio luxuoso, à custa de trabalho, não pago e de praticar injustiça e opressão. Portanto, aqui um explorador. Alguém que não é muito diferente dos líderes dos dias de hoje, não é? Sem dúvida. E também de derramar sangue inocente.
Portanto, este é o homem que nós encontramos por detrás desta atitude. O que estava no rolo, já o dissemos. E aquele rolo, para que também fique claro, não era uma declaração de morte. Ou não era uma sentença. Não era uma sentença que Deus estava a dar a este rei. mas era um acto de misericórdia, de uma última hipótese de ele mudar. E às vezes a forma como nós encaramos a verdade, pegando também no tema do medo e dos nossos sentimentos, às vezes a forma como nós a entendemos e a aceitamos pode ser de tal forma dramática que nós fechamos-lhe e não queremos ouvir mais. É aquela célebre visão de que o que não vês não existe.
Eu às vezes costumo dizer que quanto mais ignorante sou, melhor. Porque às vezes quando vem de sabermos melhor, não é? Não digo biblicamente, mas às vezes na vida é uma benção. Às vezes a nossa ignorância pode ser uma benção. Voltando aqui a este... Voltando a este rei, há aqui uns detalhes, e antes de concluir de forma muito prática a tua pergunta, Jorge... Prestou Jorge, desculpa. Há aqui alguns detalhes que eu acho interessante. Reparem que ele recebe o rolo e diz-nos aqui que ele corta É como que um ato... Não é um ato natural, imagina. Não é algo que tu recebes, pegas e deitas no fogo. Não quer saber nada disto. Há aqui um ato continuado de rebeldia, de reflexão, porque ele corta o rolo, e custar um rolo não é como custar uma folha de papel, presumo eu.
Portanto, é um ato demorado, é um atos consciente, porque podíamos dizer... Como todos nós temos momentos de dizermos algo que não devemos, perante alguma situação reagimos mal, nós não somos santos, Eu não sou. E este homem teve tempo para refletir. E não só o ato dele é demorado por cortar o rolo e o deitar no fogo, como diz-nos o relato que há três homens, conselheiros dele, que o insistem para ele não fazer isto. Portanto, não estamos perante a entrega de uma verdade. Não foi automático. Não foi automático. Foi pensado. Foi pensado, foi refletido. Foi intencional. Foi intencional. E isto mostra muito a atitude deste deste homem. Pegando aqui um bocadinho nesta componente prática que podemos tirar deste episódio.
Primeiro, a ilusão do controlo, diria eu. Jo aqui, ao agir desta forma, pensa que ao queimar aquele rolo afasta o perigo. Eu controlo. Eu sou o rei e eu controlo. Isto aqui, esta mensagem não interessa, está fora de questão. Segundo aspecto que nós vemos, e que é uma imagem que nós também temos na vida quando ouvimos a verdade, seja ela que for. Quando nos dizem uma verdade que vai afrontar aquilo que nós acreditamos, nós preferimos o conforto ao confronto com a verdade. É verdade, não é? Nós preferimos muito o conforto do que nos dizerem a verdade. E depois aqui vemos um endurecimento progressivo. Este homem, quando chega a este ato, tem todo um tutorial em que o seu coração vai endurecendo.
Assim como a nossa caminhada cristã, não é? Infelizmente, às vezes, as nossas reações e quantos rolos nós queimamos na nossa vida, as nossas reações muitas vezes são um reflexo de um conjunto de memórias, que falavas há pouco, que formaram e vão formando o nosso caráter. Termino talvez aqui com uma ideia e uma ilustração prática do ato deste rei. Imagina-nos nesta sala, neste estúdio, e começa a tocar o alarme de incêndio. Não é? Mal agarrasar. Temos de ter duas coisas. Ou pegamos, tomamos em atenção este aviso e saímos, ou vamos ao dispositivo, arrancamos as pilhas, se tiverem pilhas, e voltamos ao nosso lado.
Não há barulho. Continuamos a nossa vida e o fogo mantém-se lá. Ou então, se ninguém vir, agarramos num objeto e atiramos-lhe para cima, na tentativa de o acertar e dele cair. De o silenciarmos de vez. E termino dizendo isso. Nós podemos fechar a Bíblia, Podemos mudar o canal, para quem está agora a ouvir um podcast ou a ver no YouTube este, podemos mudar. Podemos silenciar quem nos está a avisar, mas a verdade que recusamos ouvir, ela não desaparece, ela fica à nossa espera. E a pergunta não é tanto se a mensagem sobrevive, porque sabemos pelo relato que ela sobreviveu e até foi complementada. A mensagem sobrevive sempre. A pergunta é se eu vou sobreviver quando a ignoro. E esse é um grande desafio. Gostei muito de uma questão.
O profeta Jeremias, quando Deus lhe avisa que o rei cortou e destruiu a mensagem, Deus diz-lhe que volta a escrever novamente e dá-lhe mais um aviso. O que significa, com a tua ilustração, que os avisos de Deus são tão sonantes, são tão alarmantes, e não é um Deus castigador, é um Deus que quer que busca de todas as maneiras para nos resgatar. Ele diz, não avista a primeira, eu vou-te mandar um segundo aviso. E o profeta Jeremias faz esse aviso novamente e acrescenta mais coisas ainda. É como o alarme... Não atentes que o alarme é um aviso de perigo, vou-te mandar mais e mais alarmes. Osvaldo falou aqui, a certa altura, do conforto das coisas que nós já sabemos, que nos impedem, às vezes, de querer ouvir, de mais lá fechar os ouvidos, Eu queria colocar aqui uma palavra moderna, contemporânea, que nós podemos entender.
Isso é o que nós chamamos de tradição. Por definição, tradição é o conforto de fazer as coisas da maneira que sempre foram feitas. Ora, por natureza, a palavra ou o conceito de tradição não é mau em si mesmo, não é pejorativo. Só que todas as tradições precisam de ser, com regularidade, analisadas e questionadas. E eu posso chegar à conclusão. Tradições nós temos todas. Nós tradições temos em casa. Tradição é a maneira como nós comemos o pequeno almoço em casa. E há pessoas que fazem sempre o pequeno almoço de uma certa forma e pessoas que fazem de outra. E isso torna-se, na nossa casa, uma tradição. Ora, o que nós precisamos de fazer com todas as tradições é analisá-las e questioná-las.
Caso contrário, nós podemos ter um mau pequeno almoço e vamos tê-lo toda a vida porque nunca nos perguntamos, esta é a melhor maneira de eu comer o pequeno almoço? Sim. Então, às vezes é preciso ir analisar, investigar e perceber, espera aí, se calhar eu podia estar a comer o melhor pequeno almoço, só que já de casa dos meus pais habituei-me a comer este. Agora, no mundo religioso, nas convicções espirituais, nas mensagens bíblicas e dos profetas, muitas vezes elas atacam as tradições. Aliás, Jesus foi o maior confrontacionista da tradição. Porque a tradição tinha destruído a religiosidade de Israel. E Jesus teve que vir como um progressista, nesse sentido, fazer o quê? Combater a lógica de que fazes coisas porque sempre as fizeste assim e não entendes que estás a fazer o mal. Nós precisamos muito de...
fazer o mesmo. Seguindo esta ideia da destruição da mensagem, porque a Bíblia não fica apenas por este episódio, há outros, e eu gostava de vos levar neste momento a 2ª de
Crónicas, capítulo 36, versículo 16. 2ª de Crónicas 36, 16 vai falar aqui de Judá, e diz que eles zombaram dos mensageiros de Deus, desprezaram as suas palavras e escarneceram dos seus profetas. Portanto, vemos aqui claramente Judá a rejeitar os profetas e não de uma vez só, repetidamente, até não haver mais remédio. É a conclusão que nós podemos tirar, mas eu não quero ser eu a tirar esta conclusão, eu quero que o Emanuel me possa responder aqui a uma pergunta que é esta. Será que existem alguns sinais dos quais nós possamos reconhecer que, afinal de contas, podemos estar a endurecer o coração, sobretudo às mensagens de Deus? A resposta curta é sim. Existem.
Vamos desenvolver um pouco mais esta pergunta. E o ponto central deste versículo é, mas eles resombaram dos mensageiros de Deus, desprezaram, este é o ponto central da mensagem, desprezaram as suas palavras e volta a dizer a mesma coisa por outras palavras, escarneceram dos seus profetas. Este versículo mostra um ponto de viragem na história de Israel que justifica o porquê do cativeiro de Babilónia. Ou seja, é o porquê de tantos avisos e o capítulo 36 de 2 de Crónicas começa com uma lista de reis. Onde diz o rei Jehoacás, o rei Joaquim, Zedekias e resume a história da vida deles de uma só maneira. Eles fizeram o que era errado aos olhos do Senhor.
E a primeira pergunta que faço aos nossos ouvintes ou telespectadores é se Deus tivesse que fazer um resumo da nossa vida. Que tipo de resumo faria? Fez o que era de agrado aos olhos do Senhor ou fez aquilo que desagradou aos olhos do Senhor? Mas o que mais me chama a atenção no meio disto tudo é que a sua religiosidade leva-vos a pensar que nada me vai acontecer. Podem chegar os avisos que vierem porque nós temos o Templo. O Templo era a morada de Deus. Deus está aqui, o que é que nos vai tocar? E Deus, muitas vezes, nos mostra isso mesmo. Não é porque nascemos em uma determinada família cristã, seja ela que dominação for, não é porque eu fui batizado, não é porque eu conheço muito da Bíblia que eu posso viver da maneira como eu quero e bem me apetece. A Bíblia tem vários avisos, até mesmo para os jovens, se há algum jovem que não está a ouvir, que é viva a vida como tu quiseres, mas lembra-te que vais ter de dar contas de tudo isso a Deus.
Mas, para responder esta pergunta, Jorge, o versículo 15 diz, no mesmo capítulo de 36 de 2 Crónicas, o Senhor advertiu-os vez após vez por meio dos seus mensageiros. E aqui, outra vez, o ponto central. Pois tinha compaixão. Tinha compaixão do seu povo e do lugar da sua morada. Por isso queria que nós desfocássemos um pouco de o que está a passar aqui para o macro. O grande conflito. Vivemos num grande conflito e muitas vezes pensamos que este grande conflito é uma medição de forças entre Cristo e Satanás. E na verdade não é. Isto é uma medição de caráter, porque Satanás faz uma acusação a Deus de que tu não és um Deus de amor. E esta cosmovisão que nós muitas vezes temos de um Deus tirano, um Deus castigador, que está à espera do primeiro deslize que nós cometemos para nos castigar, não é essa a visão bíblica.
A visão bíblico é de um Deus que diz, filhinho, enquanto permaneceres na minha proteção, Estás tranquilo. Não quer dizer que desastres não te venham a acontecer, mas estás sobre a minha proteção, sobre a minha guarda. No momento em que tu não fizeres caso à minha voz, há um inimigo. E ele tem o direito e a legitimidade para te atacar. E não há muito o que eu possa fazer. É verdade que temos na Bíblia momentos em que é Deus que castiga, como o caso do Domingo Morra, mas são outros pontos. Mas há outros momentos em que é Satanás que diz, afastaram-se de ti, deixa-me atacá-los. E temos isso, por exemplo, em Mateus 23, quando Jesus está a falar contra os fariseus, contra os doutores da lei. Os doutores da lei eram gente religiosa, gente que tinha muito conhecimento bíblico, que conheciam de memória, se calhar muito mais do que qualquer um de nós, toda a Torah, toda a Bíblia, não é?
Daquele tempo. E eles diziam algo que era, se fôssemos nós, não os teríamos matado. E Jesus repreende-os, e se fossem vocês, Em Jesus, no capítulo 23 de Mateus, no versículo 37, diz algo que demonstra uma vez mais este amor de Deus para connosco. Estes avisos que falávamos há pouco são avisos de amor. Diz, ó Jerusalém, Jerusalém, e podemos pôr aqui o nosso nome, Emmanuel, Emmanuel, quantas vezes eu quis reunir os teus filhinhos, mas tu não o quiseste. Eu enviei-te profetas, eu enviei-te Sacerdotes, enviei-te líderes espirituais. O que é que tu fizeste com eles? Mataste-os. E tu vais continuar a fazê-lo.
Por isso, agora respondendo diretamente à tua pergunta, Jorge, poderíamos identificar aqui alguns indícios de que estamos a endurecer o coração. Uma primeira identificação seria a autodefesa e a racionalização. significa que quando eu ouço o aviso, mesmo que seja eu estando a ler a palavra de Deus ou a ouvir uma pregação, aquilo que seja, no Youtube, um podcast, agora mesmo como estão os nossos estimados ouvintes a fazê-lo, E quando a mensagem me confronta, porque ela confronta, quando entramos em contacto com a mensagem de Deus, ela confronta, diretamente porque somos pecadores, todos nós temos algo que mudar na nossa vida, é o que é que eu faço com ela? Racionalize tudo, não é bem assim. O segundo ponto é a transferência de foco, foi o que eles fizeram, atacar o mensageiro.
Ou seja, já que eu não posso com Deus, ataco a quem Deus enviou. Atacar o mensageiro. Às vezes até tentando encontrar falhas na vida dessa pessoa. Os profetas tinham as suas falhas, de certeza, eram homens pecadores, como qualquer um de nós. E terceiro lugar, a seletividade, e aposto que o Paulo fala em 2 Timóteo, a comissão de ouvidos. chegaria ao tempo em que teríamos comissão de ouvir e que buscaríamos os nossos próprios pregadores preferidos, os nossos... Não, esta mensagem incomoda-me, não quero ouvi-lo. Ignore. Mude. As nossas próprias tradições. As nossas próprias tradições, o que falávamos, exatamente. Eu tenho uma expressão que eu gosto muito, é... Às vezes gostamos do evangelho light, o evangelho desnatado. É, não me digas algo que me ataca, diz-me algo que me... Que me levante o ego, que me conforte.
E Deus não vem para fazer isso. Deus vem para dizer, filhinho, tens que mudar. O teu caráter está em jogo. Tens que redirecionar. E em quarto lugar, e último, é indiferença espiritual. Isto leva-nos a uma indiferença espiritual. O que a Bíblia também fala no pecado contra o Espírito Santo, que é quando o Espírito Santo, incessantemente, através de pessoas, através da Bíblia, Ele nos fala e nos diz, não é por aí, e nós vamos ignorando e silenciamos a voz do Espírito Santo. Se nós formos a ver bem estes quadros que foram aqui apresentados, podemos dizer que o povo perdeu muito tempo em não estar na presença de Deus e não ser guiado por Deus como Deus assim queria. Nós temos que fazer aqui um curto intervalo, mas a conversa está agradável e por isso não pode perder a segunda parte, porque temos muito mais para dizer sobre este tema.
Fico por aí, nós voltamos já a seguir. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia,
o canal da esperança. Voltamos para a segunda parte do nosso programa de hoje. Nós estamos a falar sobre um tema muito interessante para vermos, sobretudo, a forma como Deus advertiu o povo, a forma como Deus cuidou do seu povo, mesmo quando o povo estava quase de... mesmo de costas voltadas, podemos assim dizer, para a realidade presente, para a forma como estavam a viver, para as tradições que estavam impregnando o povo. Enfim, tudo isto já vimos na primeira parte. Temos aqui uma segunda parte também muito interessante Para continuarmos este tema, mas antes de voltarmos à conversa, eu quero lançar o desafio mais uma vez de poder receber gratuitamente em sua casa um guia de estudo. É a oferta que temos para si e este guia de estudo é um guia que fala de sentimentos.
sobretudo a ciência do existir. Eu creio que ainda não tem este guia de estudo nos muitos que já aqui foram mencionados e apresentados para que possa pedir gratuitamente. Este vai falar claramente de alguns fatores que precisamos de entender para podermos lidar corretamente com o nosso transtorno emocional, com a nossa vida mental, enfim. Há muita coisa neste guia de estudo que você precisa de rever, mesmo conhecendo. Outras que talvez sejam ainda uma verdade por conhecer. Então ligue para o 933 93 92 91. 933 93 92 91.
Solicite gratuitamente este guia de estudo e nós trataremos de o enviar para si de forma gratuita para que possa ter e possa desfrutar claramente desta ideia de como lidar com a ciência do existir. Vamos voltar à conversa e nesta segunda parte nós temos que ver aqui um quadro que a Bíblia nos apresenta, eu diria um quadro da demonstração. Já o falámos um pouquinho na primeira parte, mas havia muita hipocrisia dentro do povo de Israel e Deus tentou, através da ação dos seus profetas, criar aqui vários pontos da demonstração. Um deles Nós podemos ver, e falamos de toda a Bíblia, não falamos só do Velho Testamento, e agora vamos ler uma passagem que diz respeito a Jesus, em Mateus capítulo 23, versículo 27, nós podemos ler, Mateus 23, 27, diz, Sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora se mostram belos, mas por dentro estão cheios de ossos mortos, ou de mortos, ossos de mortos.
Nós podemos ver aqui Jesus a confrontar claramente. Há pouco dizíamos que Jesus veio e tornou-se uma pedra de tropeço para muita gente, porque ele veio mexer com muita coisa e vemos aqui Jesus a confronta os fariseus, porque honravam esta questão, confrontavam-se e rejeitavam os profetas, enquanto rejeitavam também a mensagem. Como é que uma pessoa, e eu vou dirigir esta pergunta ao João, Como é que uma pessoa garante que a sua religiosidade a exteriores corresponde, efetivamente, a uma transformação interior genuína na sua própria vida? Sim. Sinamente, acho que não existe ainda aparelhos para nós fazermos esse raio-x.
E talvez ainda bem por isso. Ainda bem. Algumas surpresas decepcionantes, porque humanamente nós somos muitas vezes excelentes atores na nossa vida, não é? Profissionais. Começamos a receber um Oscar de melhor ator. Dentro da nossa religiosidade. E todos nós Quer dizer, eu aqui falo para mim, não é? Mas todos nós acabamos por encaixar neste Oscar que, sem dúvida de Deus, já nos podiam ter entregue muitas vezes. Pegar aqui neste exemplo... Este versículo é um murro no estômago. É de uma dureza. A forma como Jesus dirige estes homens, religiosos...
Extremamente frontal, não é? É muito frontal. E é muito duro. Imaginem o que é nós ouvirmos isto. Vocês, grandes religiosos, que sabem, dizia há pouco o Emanuel, que sabem torá, decóra, de uma ponta para a outra... Vêm para a igreja com os vossos fatos e gravados... Bíblia na mão... E depois, por dentro... por dentro, são esse vazio, não é? E é muito duro entendermos isto. Contextualizar também aqui um pouco, e foi um pouco o trabalho de casa que fiz ao pegar neste tema, porque é que se caiavam os túmulos, por exemplo? E uma das razões tinha a ver com contradições. com o facto de, se tocássemos no tumo, estaríamos impuros.
Exatamente. Porque estávamos a tocar nos mortos. E estaríamos a tocar nos morto que ele não permitia. Portanto, havia este trabalho de pôr a cal. Sinalizar. E é engraçado que, no fundo, estamos a sinalizar a morte. Por outro lado, se continuarmos a ler o relato, e quem está a ouvir e em casa pode o fazer com mais cuidado, percebemos que há aqui ainda uma segunda dimensão que tem a ver com o coadornar destes túmulos, de lhe darmos essa de darmos esse destaque a estes profetas que tinham morrido. E com Jesus ali ao lado, é extremamente interessante estes homens dizerem, bem, se fôssemos nós, nunca teríamos atacado os profetas? E, portanto, vamos dar esta roupagem bonita.
E estes homens que dizem isto estavam ao mesmo tempo a atacar o profeta que estava ao seu lado. E isto é de uma incoerência e de uma hipocrisia, como falavas, muito grande. E às vezes é muito fácil falar da hipocrisia dos fariseus e esquecemos a nossa, não é? Mas, pronto, felizmente estamos a falar deles e não de nós. Pegando e olhando-nos um bocadinho para o que é a hipocrisia e também para esclarecer... Trago aqui um exemplo um bocadinho prático. Nós estamos no mês de novembro. Aproxima-se o novo ano e é muito comum, pelo menos aqui no nosso meio mais religioso, mais cristão, dizermos para o ano é que eu começo o estudo bíblico. Estudo bíblica, não. O ano bíblico! Ler a bíblia o ano todo. E por isso Genes é dos livros mais lidos no mundo inteiro. Porque nós nas resoluções da NOVA arrancamos o ano com isso.
E chegamos ali ao final de janeiro e fevereiro e não demos seguimento a esta nossa... Isto não é hipocrisia. Isto é humano. Nós falhamos, caímos e Deus tem uma paciência incrível connosco. E está disponível para o ano seguinte nos apoiar neste projeto. Eu diria que Crónicas é a barreira. É o muro que não dá para passar. Tira-nos o tapete. Talvez lermos com outra ordem a Bíblia e quem sabe seja uma solução. O que é que é hipocrisia? Hipocrisia é não pegar neste livro e proclamá-lo como eu ser uma pessoa que o use. E esta é um bocadinho, é um pouco essa diferença e eu acho que era importante percebermos o que é a sinceridade do cristão e muitas vezes a nossa sinceridade leva-nos a desafios e a coisas que não cumprimos.
e depois há o lado mais hipócrita, que é, diria, que é a distância, se pudéssemos ter aqui uma regra, é a distância entre o João Marçal público e o João Marçalo privado. E este gap é o meu nível, se tivéssemos o tal diagnóstico que perguntavas à altura, deve ser o meu índice de hipocrisia. Que todos nós, na nossa vida, quer queremos, quer não, se calhar tivemos momentos em que o eu público e o privado até estavam bem juntos, e temos momentos em que o eu público e o privado está... Está distante. Está muito distante. Felizmente criticamos sempre mais o público que o privado. E, portanto, vamos apostar aqui um bocadinho mais no privado. Um diagnóstico um bocadinho... Coloquei aqui quatro perguntas honestas de diagnóstico de sepulcro caiado.
Os sinais do sepulcro caiado quando olhamos para este relato. Primeira pergunta. Onde é que está a minha religião mais viva? Aqui, neste podcast, na parte pública, na igreja onde me dirijo, quando tenho plateia? Onde é que está a minha religião mais viva? Na plateia ou no silêncio? ou na minha casa, ou ao lado da minha família, no meu dia-a-dia. E nós somos seres de plateia. Nós transformamos um bocadinho quando estamos mais expostos. E isto é um desafio para a nossa vida. É o tal diagnóstico, se pudéssemos pôr aqui uma escala de 1 a 10 e responder estas 4 perguntas, cada um pode pôr um bocadinho onde é que está a nossa religião mais viva.
E eu confesso que, por exemplo, só vir aqui preparar este programa me ajuda a, no privado, a fazer algo que não teria feito, de certeza. E isso é um desafio incrível, o nosso privado. Nós aproveitarmos os momentos que temos em privado, são uma grande oportunidade, recordando-me do Rei que falei há pouco, para não queimar rolos. Pedro, já agora, podemos pensar em convidar o João muitas vezes. Desta forma... É por isso que eu convido-o a ficar aqui sempre. Isso vai ajudá-lo. Aí, falando do meio privado, é uma questão de números, não é? E devemos ter consciência, João, a que quando dizemos que somos cristãos, tornamos imediatamente uma Bíblia aberta. E as pessoas vão olhar para nós, ok, se tu dizes ser cristão, eu não leio a minha Bíblia em casa.
mas vou ver como é que é o teu Deus, por meio do teu estilo de vida. Pois, mas sabes uma coisa interessante, Manuel, que é, o facto, isso é a absoluta verdade, o facto de nós sabermos isso, é que muitas vezes nos joga para o cristianismo performativo que o João falava. que é aquele cristianismo de que como eu sei que tenho uma plateia, e a plateia pode ser os meus colegas de trabalho, que como sabem que eu sou um cristão, que pertenço àquela igreja, eu digo assim, bom, eu vou ter de me comportar de certa maneira, portanto há uma dimensão muitas vezes performativa. Já na escola quando vamos para a igreja, quando temos uma vida pública numa igreja ou na fé, e nós muitas vezes estamos de facto a performar. Porque temos aquele cargo, temos aquela função.
Ok, agora vou ter que fazer isto, mesmo se a minha vida está complicada. E às vezes, ok, é um esforço necessário. Nem sempre isso quer dizer hipocrisia, claro. Certo, não. Ou seja, eu posso estar a ter uma luta terrível em casa, com os meus filhos, com a minha mulher, as coisas não estão bem, mas de repente eu tenho responsabilidades que eu assumi como parte do meu estilo de vida cristão. E não levas esse peso. E eu digo assim, Eu vou ter que fazer isto... Não vamos aqui colocar que toda a nossa ação pública é hipócrita. A questão é mais o contrário. Não é se eu tenho lutas, é se eu tenho aqui toda uma linguagem, toda uma forma que as pessoas vão dizer, olha este cristão, olha como ele explica a Bíblia. Depois vou para casa e sou um pai terrível, que não quero saber dos meus filhos, ou que sou mal educado para a minha mulher, ou que eu passo a minha vida sentado no sofá a ver televisão e a Bíblia que fico lá num canto.
Quer dizer, esta é que é a realidade. Nós precisamos estar alerta. Sem dúvida. Os outros três. Os outros três do nosso diagnóstico, não é? Onde está a minha religião mais viva, segundo diagnóstico, como é que eu reajo quando sou corrigido. Quando dizia a verdade. E quando eu estava aqui a preparar, ontem estava aqui a rever algumas questões para apresentar aqui, e entretanto estava a dar um jogo de futebol com uma equipa que eu particularmente gosto. Fiz o intervalo do meu estudo e fui ver o resultado. Nesse momento, no escritório, entrou a minha esposa e perguntou-me se eu não estava a preparar as coisas para amanhã. Como é que nós reagimos quando somos confrontados com estas pequenas coisas? Nem estou a falar do confronto que Jesus fez aos fariseus.
Destas pequenas coisas, como é que nós reagimos? E aquilo foi um clique para mim, não é? Como é que eu reajo quando digo a alguém, se calhar o tempo que estás a perder nas redes sociais, nos jogos, etc, é demasiado. Como é que eu reajo a isto? Queimo os rolos? Ou como é que eu reajo? É um diagnóstico de sepulcro. Terceiro, um bocadinho junto do primeiro, e que o Pedro aqui disse muito bem, quem é que eu sou em casa e fora de casa? E aqui acho que não é preciso dizer mais nada, não é? E o outro é se eu honro a fé do passado, como estes homens honravam os grandes profetas, mas sou resistente à convicção do presente. E isto é um grande desafio.
Nós temos, para cada um de nós, e refletindo, fazendo esta reflexão de memórias e de histórias que a nossa vida vai acumulando, este é um grande desafio que nós
temos. Nós podemos passar uma vida inteira a decorar a religião por fora, mas a morrer por dentro. E termino aqui a minha observação. É muito interessante ver que Paulo também vai assinalar algo muito interessante, que vai dizer que os erros que o Israel cometeu ao longo do tempo foram registados e ficaram para nos advertir a nós. não ficaram para o outro fim, senão para que nós tenhamos atenção de não os cometer. Aliás, se formos a 1ª de Coríntios, capítulo 10, versículo 11, nós vamos encontrar estas palavras de Paulo. Todas estas coisas que lhes aconteceram são para nós lições e foram postas por escrito por nosso aviso. Nós que vivemos nestes tempos em que todas as coisas convergem para o fim que se aproxima.
Emanuel, a que padrões de rebelião, se quisermos, ou mesmo até de incredulidade do passado bíblico, nós devemos estar atentos hoje? É muito interessante que a Bíblia não conta simplesmente finais felizes ou histórias muito contestadas da Disney. Até é mais ao contrário. E Deus tem um propósito para isso. Não é que Deus tenha orgulho nisso. Deus não tem orgulho. Mas como o apóstolo Paulo fez e muito bem, é traçar uma linha direta entre o passado e o presente. E Paulo diz algo para a igreja de Corinto, que é para nós também hoje, que é para os fins dos tempos. Para os tempos que nós estamos a viver, século XXI. Gosto muito de uma frase do filósofo George Santayana, na sua obra The Life of Reason, que ele escreveu o seguinte, E Deus faz este lembrete constantemente.
Recorda. Porque não quero, e já falámos sobre isto neste programa, não quero que vocês cometam os mesmos erros. Porque é como uma marca. Esta marca já foi repetida e se vocês cometerem os mesmos erros vão sofrer as mesmas consequências. E então o capítulo 10 começa com Paulo a dizer que no passado todos passaram pelo mar. Todos. Todos passaram, ou seja, todos estiveram sob a nuvem. Todos foram batizados em Moisés. Todos comeram o mesmo alimento espiritual. Todos beberam da mesma bebida espiritual. E Paulo resume no versículo 5 a dizer, mas nem todos, ou melhor, a grande maioria morreu no deserto. simplesmente porque eles ignoraram as mensagens de Deus.
E porquê que Paulo leva o exemplo do antigo Israel para a igreja presente? Paulo está a escrever para uma igreja de Corinto. A igreja de Corinto era uma metrópolis. Uma metrópolis que tinha pessoas de várias crenças pagãs, o que nós diríamos hoje, pessoas que adoravam outro tipo de Deus, tinham outras culturas e os cristãos de Corinto estavam a misturar-se o que chamamos de sincretismo, pensar que mal é que tem. Portanto que Paulo no capítulo 8 vai ter uma mensagem sobre os alimentos, se poderia ou não se poderia comer alimentos que tinham sido adorados, sacrificados aos ídolos e Paulo tem esta discussão e no capítulo 9 Paulo fala sobre ele, até sobre o seu ministério e no capítulo 10 Paulo conclui com isto, dizendo o seguinte, Israel tinha recebido privilégios espirituais, vocês também.
Israel caiu na idolatria, imoralidade e murmuração. Vocês estão a traçar o mesmo caminho. E se vocês continuam no mesmo caminho, vocês vão ser condenados por Deus. E é isso que eu não quero que chegue a esse ponto, não é? Porque eles estavam a brincar com isto. Será que nós, na nossa vida espiritual, na nossa vida religiosa, podemos não estar-nos a ajoelhar perante ídolos? Poderemos não estar a ascender com todo o respeito, mas a ser devotos a determinado santo ou ídolo. Por assim dizer, mas será que eu não tenho no meu tablet, no meu telemóvel, ídolos que eu estou a colocar, quando me levanto pela manhã, a colocar em primeiro lugar que não a Deus? Será que eu não tenho outras prioridades? E o apóstolo Paulo alerta mesmo para isto.
Cuidado. Cuidado, porque o nosso Deus é um Deus celoso, é um Deus ciumente, não no sentido como nós hoje temos, mas é um Deus que nos quer tanto. Se nós nos desviamos deste caminho, por muito que nos ame, não nos pode proteger. Este perigo do sincretismo, eu resumi aqui em gratidão ou murmuração com o povo de fez, ele murmurou, apesar de ter visto tudo, este sincretismo cultural e espiritual e a presunção religiosa. Que é, eu por ter nascido, eu por ser cristão, eu por ter todas estas tradições e costumes, sou intocável, não tenho que melhorar. Temos a eleger uma palavra que é quebrantamento.
E o que Deus nos quer fazer connosco é levar-nos a quebrar, a romper-nos, para que ele nos possa moldar novamente. É interessante ver que a Bíblia repete muitas vezes para o nosso ensinamento. E Paulo vem dizer, olhem que no passado isto acontecia e está a acontecer agora. E se nós hoje fôssemos avaliar a Bíblia ou avaliar o nosso comportamento, vamos dizer cuidado porque nós estamos em muitos momentos a repetir a mesma coisa. E por isso é que a Bíblia não só repete os quadros ou os episódios que foram aqui assinalados, mas também, nas advertências, o Senhor Deus fala e tem uma que é muito amorosa. No fundo, quando o escritor de Hebreus escreve estas palavras ou repete estas palavras, porque elas não estão escritas pela primeira vez em Hebreus, mas no
capítulo 4, versículo 7, Vem um apelo, se quisermos. É um apelo de advertência, mas é um apelo. Hoje, se ouvires a voz de Deus, ou a sua voz, não endureçais os vossos corações. É extraordinário ver como Deus fala e o ser humano pode escolher, pode ouvir ou até mesmo pode rejeitar. Pedro, o que é que nós podemos fazer para ajudar as pessoas a manter um coração aberto, sobretudo à palavra de Deus? É verdade. Não sei se nós podemos fazer alguma coisa. Aqui, no quadro que nos cabe neste contexto, podemos deixar ideias, claro, sugestões e palavras que inspirem e exortem. Porque é evidente que é indispensável, é tão necessário que nós continuemos todos com o coração aberto à palavra de Deus.
É esse sentido da voz profética. A voz profética sempre foi uma voz de alerta. Sempre. Esse é o ministério profético. Porque, por definição, eu quero fazer aqui antes, responder diretamente, fazer esta ponta aqui com o tema geral deste estudo que estamos a fazer aqui nesta temporada. A voz profética é, por definição uma voz que me vem alertar. Portanto, quer tirar-me do conforto. Por isso é que em geral os profetas não são ouvidos e não são atendidos. E não são muito bem recebidos. Não são bem recebidos, quase que isso faz parte da natureza da palavra profética. Na Bíblia até temos a curiosidade de ter um profeta com quem isto não aconteceu, e depois ele é que ficou chateado, que foi Jonas. Trouxe-se a palavra do desconforto, só que toda a gente ouviu.
E no caso ele ficou chateado porque, lá está, quase que de uma forma meio masoquista, a ideia era o profeta diz coisas duras e agora as pessoas vão ter que sofrer a dureza. Ele ficaria muito mais feliz se tivesse apenas oito, como teve no Ena. Pois, exatamente. Agora, a verdade é esta. Ainda hoje nós temos razões para crer que a voz profética mantém-se ativa. Esse é um aspecto muito importante. A voz profética mantém-se porque, por um lado, Deus designou profetas também para os tempos que nós estamos a viver. Nós vivemos profeticamente, passo da redundância, aquilo que designamos como o tempo do fim, Daniel foi o primeiro profeta a utilizar a expressão tempo do fim e a dar-lhe um contexto e um conjunto de regras que nos permitem interpretar quando é que esse tempo chega e Apocalipse, obviamente, veio trazer a luz.
Confirmou com uma revelação mais detalhada sobre quando é que nós entendemos que vivemos esse tempo que podemos designar como tempo do fim. Temos razões, não dá para apresentá-las aqui hoje, mas temos razões para crer precisamente que nós vivemos esse tempo. Logo, nós vivemos especialmente um tempo onde a voz profética precisa de ser ouvida. Temos razões para acreditar que também no tempo moderno Deus levantou profetas entre a Igreja e entre o povo de Deus. E cabe-nos a nós e aos nossos espectadores e ouvintes procurar Onde é que, de que formas, em que tempos e que mensagens profeticamente Deus deixou para o tempo do fim. Para que todos nós fiquemos no mesmo papel e verifiquemos se nós não vamos ser afinal iguais às pessoas que hoje estivemos aqui a criticar durante uma hora.
Nós estivemos aqui a criticar. Criticar no sentido de ir à palavra e ver. Estão a ver? Um rei que não quis ouvir, um povo que não deu ouvido, Jesus que atacou os fariseus que eram os polos criados de branco. Há um certo conforto no facto de que isto está escrito e não é sobre nós. Não é sobre nós porque nós não estávamos lá. Aquela velha máxima de que nós, quando vemos o povo a dizer barrabás, quando Pilatos deu a possibilidade de libertarem Jesus e eles escolhem barrabás, nós lemos este exemplo. Isto é absurdo! Nós temos que admitir que... Eu também diria barra baixo. Isto é o que custa. Diríamos. Nós também diríamos barra baixo. Embora eu tenha a impressão que não. Eu jamais diria. Eu liam-me levantar-se sozinho e dizer-lhes, não, não, libertem Jesus.
Mas Pedro também o fez. Só que o Pedro, Judas e os outros apostam que foi um para cada lado. Ou seja, nós percebemos como esta realidade nos afeta a nós hoje. Nós também temos dificuldade em ouvir a voz profética, em discernir que isto é sobre nós. E agora, no último minuto para responder à pergunta que tu me fizeste, eu diria o seguinte. Nós precisamos todos de entender que a Bíblia não pode ser lida como um livro de moral. Isso é que muitas vezes se torna... aparentemente difícil, como se a Bíblia fosse um conjunto de regras que alguém escreveu e nós agora aqui só temos é que tentar cumprir as regras. A Bíblia e a mensagem que a Bíblia encerra é essencialmente um convite permanente a um relacionamento. Todos os relacionamentos têm regras, todos.
Eu sou casado. Há regras para eu poder ter um bom casamento. Eu tenho filhos e a minha relação com eles exige certas regras e os amigos também têm que ter regras. Mas, essencialmente, a Bíblia é este livro. O livro que diz assim... Ou Jesus que dizia... Então, este é o livro do Deus que diz eu chamo-te pelo nome e quero que tu conheças a minha voz. Por isso, para nós estarmos abertos à voz de Deus e dos seus profetas, não é tanto ver quais são as regras que nós temos de cumprir, é conhecer a voz de Deus. Temos de ter tempo suficiente com Deus para que a sua voz nos seja agradável.
Pena é que o tempo terminou, porque esta conversa estava muito boa e por isso, olhem, eu vou lançar-vos o desafio de na próxima semana voltarmos a estar juntos para continuarmos esta boa conversa e de certeza que temos muito mais para dizer ao nosso público. Mas há uma certeza que o nosso público tem de ter, que é Tudo aquilo que foi dito aqui não é apenas para o nosso público. É para nós, os quatro, que estivemos aqui a falar em primeiro lugar, e depois, eventualmente, estendo-se a Si, que está desse lado, e a todos aqueles que, porventura, acreditam no nosso Deus. Ficam as nossas despedidas, mas antes de nos irmos embora, volto a repetir que temos um guia de estudo para lhe oferecer. com o título Sentimentos, a Ciência do Existir. É, sem dúvida, um ótimo guia de estudo para que você possa compreender algumas das doenças que podem ter cura, outras que eventualmente precisam ser equilibradas no âmbito emocional.
Basta que ligue para o 933 939291 e fazer o seu pedido através de uma mensagem. Nós faremos o resto. Ficam as despedidas da nossa parte. Já sabe que para a semana voltaremos com este tema, porque este é o tema geral. Resta-nos agradecer a sua companhia por ter estado desse lado, por nos fazer a nós também companhia. E Deus ficou muito agradado com a sua presença, por isso mantenha a sua Bíblia aberta. Volte para a semana. Nós teremos cá de certeza. Que Deus o abençoe.