É com profunda gratidão e imensa alegria que me encontro aqui consigo para que juntos possamos abrir o coração à palavra de Deus e, guiados por ela, nos detenhamos agora nos dias que precederam o início do ministério de Jesus na Terra. Antes de começar o seu ministério, Cristo enfrentou uma prova intensa e determinante. Uma experiência que, sendo tão conhecida a todos nós, continua a ressoar de forma profunda no nosso coração. O evangelista Lucas descreve assim, no capítulo 4 e verso 1, esse momento dramático. E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao
deserto. E quarenta dias foi tentado pelo diabo E naqueles dias não comeu coisa alguma e terminados eles, teve fome." O primeiro ser humano a ser confrontado pela tentação foi Eva. E na provável primeira investida do inimigo sobre a humanidade, obteve sucesso e consumou-se a queda, introduzindo o pecado no mundo e criando a ruptura da comunhão com Deus. Pelo contrário, Jesus enfrentou a tentação em diferentes momentos da sua vida, mas nunca cedeu. A prova mais dura, porém, veio logo após o seu batismo, quando foi conduzido ao deserto para enfrentar diretamente o inimigo durante dias seguidos.
Na nossa vida pessoal, a tentação pode sobreviver de forma ocasional, ou acontecer insistentemente. Há momentos em que pela graça de Deus nos é concedida alguma trégua, o que por vezes pode até revelar-se mais perigoso. Contudo, Jesus foi sujeito à tentação durante 40 dias. Caminhar com Deus é, sem dúvida, sentir a plenitude e paz que Ele nos concede e viver sob o Seu cuidado, mas isso não significa que estejamos isentos de atravessar momentos sombrios e perigosos na jornada. Foi isso que Jesus enfrentou quando foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto, o verdadeiro val da sombra da morte de que fala o Salmo 23.
Tendo em consideração o que o evangelista Lucas diz, que Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, alguns autores chegam a insinuar que ele foi constrangido pelo Espírito Santo para ser tentado. Nada poderia estar mais longe da verdade. Deus nunca conduz ninguém à tentação, nem sequer como uma prova, ou como um teste de fidelidade e de resistência. O livro de Jó é claro nesse ponto. Não foi Deus quem submeteu o patriarca a tamanha aprovação, mas sim Satanás, o verdadeiro autor daquela aflição.
Adão e Eva também não foram levados à tentação. nem submetidos a qualquer tipo de prova imposta por Deus. Pelo contrário, foram até advertidos para não se aproximar dessa tentação. A tentação estava presente, era real, mas ninguém os convidou a fazer o teste. Ao conceder o livre arbítrio no Universo, Deus permitiu, em consequência, a presença de Satanás no Éden para tentar o ser humano, tal como lhe permitiu pôr à prova a vida de Jó. Deus poderia ter colocado crumbins a guardar o jardim para que o inimigo não se aproximasse, ou até ter erguido uma espécie de redoma de vidro.
Mas o acesso à árvore do conhecimento do bem e do mal não lhe foi vedado. Pelo contrário, aquele tornou-se o lugar predileto do tentador. A permissão da tentação pode ser compreendida como a forma de Deus conceder ao ser humano a possibilidade de fazer escolhas. Sem essa liberdade, o homem serviria a Deus como um simples autómato programado, desprovido de vontade própria. Pelo contrário, é precisamente por poder escolher que o homem se torna seu servo por opção livre e consciente. No entanto, isso não significa que Deus esteja constantemente a forçar-nos a tomar decisões.
Infelizmente, Adão e Eva fizeram a escolha errada e pecaram, enquanto Jó tomou a opção certa e permaneceu fiel, como ele proclama no capítulo 19 do livro de Jó, no verso 25, Capítulo 19 e verso 25 diz-o, porque eu sei que o meu Redentor vive e que por fim se levantará sobre a terra. Deus também pode permitir tanta ação por outros dois motivos, para que possamos conhecer-nos melhor a nós mesmos, através das nossas escolhas e decisões erradas, e para que ao mesmo tempo compreendamos as táticas do inimigo e reconheçamos as consequências de lhe dar ouvidos.
Nós já caímos tantas vezes nas filadas satanás que aprendemos a identificar os seus engodos e, sobretudo, a perceber o elevado preço de ceder ao pecado. É assim que vamos conhecendo a nossa verdadeira força ou a nossa fraqueza. quando somos confrontados pela tentação. Ao contrário de nós, Jesus possuía pleno autoconhecimento, mas ainda assim precisava demonstrar na prática o seu compromisso com o Pai, manifestando obediência concreta. Mas atenção! Nas tentações, o diabo também passa a conhecer-nos melhor.
Se vacilarmos, ele sabrá por onde nos atingir repetidamente e como manter-nos cativos, por vezes durante toda a vida. Se formos fortes e vencermos a tentação, o inimigo pode tentar vias alternativas ou até mesmo afastar-se. Quando vencemos a tentação, Satanás é derrotado e envergonhado. Mas se cedermos, Ele ganha legitimidade para agir livremente sobre nós e os maus sobrevêm e por vezes encatadupa. Não porque Deus quis ou permitiu, mas porque declarámos publicamente, de forma consciente, a nossa preferência pela oferta de Satanás, renunciando ao domínio de Deus sobre a nossa vida.
Da mesma forma, Jesus não foi impedido ou protegido de ser submetido a essa prova. Antes, pelo contrário, Deus o permitiu para que ele pudesse rejeitar o pecado perante todo o universo, demonstrando a sua opção pessoal pela santidade de forma prática e eficaz. De facto, ele foi colocado em situação semelhante à do Éden. Por isso Paulo o denominou na sua carta aos Coríntios como o último Adão.
Então, se Deus não nos coloca em situações de sermos tentados, também nós não devemos colocar-nos nessas situações. Afinal, é muito provável que as oportunidades surjam por si mesmas sem que precisemos das criar. É importante frisar que nesta tentação do deserto, Cristo foi confrontado diretamente por Satanás. Nos restantes casos bíblicos e na nossa própria vida, o inimigo não dá a cara, não se mostra. Por exemplo, com Eva disfarçou-se de serpente. Com Jó, agiu pela voz dos seus amigos e até da própria mulher.
O que já sabemos é que na vida cristã, os processos de tentação do inimigo seguem praticamente os mesmos padrões utilizados no Éden e no deserto. Embora reconheçamos que as tentações enfrentadas por Eva não foram idênticas às de Jesus e as de Jesus não foram iguais às nossas, a estratégia e os métodos adotados revelam uma surpreendente semelhança. As tentações do deserto podem ser resumidas em três categorias, em torno das quais giram geralmente todas as tentações do ser humano. Em primeiro lugar, temos as tentações do corpo, que integram todo o conjunto de desafios e ataques às nossas necessidades físicas individuais.
Em segundo lugar, surgem as tentações da alma, que correspondem às investidas contra as nossas necessidades sociais e emocionais. E, por fim, as tentações do Espírito incluem todos os atentados às nossas necessidades transcendentais ou espirituais. A tentação da primeira categoria relativa às necessidades físicas pessoais foi usada por Satanás em Jesus quando lhe disse em Lucas 4 e já no verso 3 E disse-lhe o diabo, se tu és o filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pão. Nós percebemos que esta tentação surge em resultado do facto de que Jesus ficou no deserto sem comer.
E diga-me lá, jejuar é algo que fazemos com esforço? Há pessoas que conseguem fazer jejumes muito longos, mas outras têm muitas dificuldades e até problemas de saúde. Jesus passou 40 dias sem comer nada, num local completamente despojado de tudo. Estava só na presença de Deus, alimentando apenas o Espírito. O deserto não é verdadeiramente um lugar fácil para sobreviver. O povo de Israel também passou por um deserto. Por coincidência, quem levou o povo de Israel para o deserto também foi Deus. E por coincidência, também passaram ali 40, não 40 dias, mas 40 anos.
Mas quem provia o alimento para os israelitas era apenas Deus. Assim, lhes ensinou a depender exclusivamente de Deus. E Jesus, da mesma forma, foi para o deserto na total dependência do Pai. Jesus estava com fome e através dessa necessidade, num momento de fraqueza física, a tentação chegou. O diabo sempre ataca as nossas fraquezas, nos momentos de fragilidade, naquilo em que somos vulneráveis e onde estamos mais frágeis. Jesus poderia alimentar-se através deste método milagroso, pouco ortodoxo, de converter pedras em pão?
Sim, mas ele não era nenhum mágico. Ele não tinha autorização do Pai para fazer aquilo. Ele estava na dependência de Deus e quem providenciaria o alimento seria Deus, não ele próprio. No verso 4 vemos como Jesus respondeu ao diabo. Está escrito. Não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus. Isso significa que quem sustenta não é a comida física, mas a direção de Deus. Mais do que comer, Jesus queria fazer a vontade de Deus. E é fazendo a vontade de Deus que melhor vencemos as tentações do corpo.
Adão e Eva também foram convidados a ceder à tentação através das necessidades e desejos corporais, e igualmente através da comida. Só que havia uma diferença enorme entre a tentação humana no Éden e a de Jesus Cristo no deserto. É que no jardim, eles estavam saciados de bons alimentos, enquanto no deserto, Cristo Jesus estava a passar verdadeira fome. Mas a vitória de Jesus sobre a tentação, ignorando o apetite, revelou o poder da palavra de Deus acima das nossas necessidades egocêntricas do corpo e da satisfação dos nossos desejos momentâneos. Depois de tentar a vertente física e material, o inimigo mudou de estratégia e optou pela segunda categoria de tentações com um ataque ao lado emocional humano.
A fraqueza física afeta sempre os nossos estados emocionais. E Satanás pressionou as emoções de Jesus. O inimigo o levou para o pináculo do templo e sugeriu que ele se atirasse lá de cima para se matar. Sabemos hoje que a depressão e o desejo de suicídio surgem frequentemente quando estamos fisicamente desfalecidos e emocionalmente débeis. Jesus foi tentado no suicídio. Algo que ocorre muitas vezes por perturbação mental, mas também pela opressão maligna. Muitos suicidas falhados referem ter ouvido vozes.
O desejo de suicídio é um ponto forte do diabo porque é perda irreversível de uma vida para Deus. A mente e as emoções são o nosso maior campo de batalha. onde o inimigo infiltra pensamentos de derrota que, se os alimentarmos, acabamos fazendo o que ele quer. Satanás não precisa de nos aparecer em forma de serpente, porque ele infiltra-se como uma víbora pelos meandros do nosso cérebro. Por isso, temos de encher a mente e o coração da palavra de Deus. Jesus venceu as tentações usando a palavra de Deus. E o que o inimigo faz, querendo ser mais esperto que Jesus, é usar as próprias palavras de Deus e neste caso ele citou o Salmo 91, versículo 11 e 12.
Foi aí que ele foi buscar a Palavra de Deus para citar e patentar a Jesus. Vamos ler o versículo 11 e 12. Satanás usou a Palavra de Deus, mas usou-a fora de contexto. num contexto que fala do homem que teme e confia no Senhor e com esta deturpação do sentido original, intentou colocar dúvidas na mente de Jesus. O inimigo conhece a palavra Deus, mas só a usa para confundir as pessoas.
E esta temática da confiança e da desconfiança é sempre algo que interfere com as emoções humanas. De um lado, a confiança nas pessoas e no próprio Deus gera sempre paz e bem-estar. Mas se nos incutem desconfiança, desencadeia a insegurança, faz vacilar a mente e coloca-nos em posição vulnerável ao inimigo. Por isso, ontem e hoje, Satanás continua a colocar desconfiança no nosso coração. E vejam como ele fez isso com Eva e fez isso com Cristo. Precisamos conhecer bem a palavra de Deus. E Jesus respondeu ao inimigo, também está escrito, não tentarás ao Senhor teu Deus.
E com esta afirmação lembramos que a confiança em Deus deve ser acompanhada de obediência, prudência e humildade. Confiamos plenamente na sua proteção, mas não o colocamos à prova com exigências ou com manipulações.
Falhadas as tentações físicas e emocionais, a terceira tentativa contra Jesus, o objetivo foi o campo espiritual, onde, como sabem, o âmago se centra na adoração. Eu coloquei esta terceira categoria de tentação no final e não pela ordem do relato bíblico, porque este é sempre o mais importante ataque do inimigo à humanidade. Satanás colocou diante de Jesus algo agradável, ao contrário daquilo que o Pai lhe tinha proposto. Deus ofereceu a Jesus uma cruz e o Diabo ofereceu-lhe todos os reinos deste mundo e a sua glória.
Mas o que é que Jesus teria de fazer para ter esses reinos e a glória do mundo? Teria que se prostrar e adorar o Diabo. Com isso, ele negava o Pai, negava o seu Deus, negava a sua missão. E se Jesus aceitasse a proposta do inimigo, tornava-se impuro e acabava com a possibilidade de salvação para a humanidade. Mas a proposta do inimigo não o seduziu e ele não lhe deu ouvidos. As propostas do inimigo são sempre aparentemente grandiosas, lindas, eslumbrantes, mas não passam de aparência. O que ele quer é mudar o foco da nossa adoração e tirar-nos da comunhão com Deus.
Fez o mesmo com Eva. ofereceu-lhe a possibilidade e se abrirão os vossos olhos e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. Oferece sempre o grande, oferece sempre o impossível e hoje pode estar a oferecer a muitos uma carreira de sucesso, muito dinheiro, estatuto social, sucesso, fama e facilmente os devia de Deus e dá adoração a Ele. Mas precisamos repreender o inimigo como fez Jesus, no verso 8, que lhe disse assim, e Jesus respondendo disse-lhe, vai de Satanás, porque está escrito, adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
A nossa adoração deve ser inegociável. Só prestaremos adoração a Deus. No episódio da tentação de Eva e Adão, compreendemos o que não devemos fazer. No episódio de Jó, compreendemos aquilo porque podemos passar mesmo sendo fiéis.
Mas no episódio da tentação de Jesus no deserto aprendemos a lidar com estes ataques. Que lições podemos então extrair da vitória de Cristo sobre Satanás no deserto para que possamos nós próprios vencer as suas artimanhas? Bem, em primeiro lugar, é necessária preparação para vencer as provações. Note que as provações vieram a Jesus, mas não apanharam desprevenido. Cristo estava preparado para a prova que viria a ter. Durante 40 dias que passou no deserto, Ele desenvolveu uma comunhão com o Pai e, ao final deste período, Ele estava cheio do Espírito. Jó, de certo modo, também se encontrava preparado para as suas provas.
Adão e Eva talvez não tiveram essa preparação, pois viviam num mundo perfeito e nunca haviam sido postos à prova em circunstâncias desafiadoras. E nós, como nos preparamos para as provações que inevitavelmente surgem nas nossas vidas? Em segundo lugar, aquilo que aprendemos destas tentações é que é necessário desenvolver afinidade com a Palavra de Deus. Jesus respondeu aos ataques apenas com a Palavra de Deus. Ele não utilizou pensamentos filosóficos, raciocínios lógicos, senso comum ou adagios populares.
Apenas a Bíblia oferece respostas às tentações. Se calhar deveríamos saber mais versículos de Cor, especialmente aqueles que afastam o inimigo. Em terceiro lugar, é necessário desenvolver o domínio próprio. Quando nos sobrevém uma aprovação, nem sempre acontecem milagres nos livram da tentação e nos impedem de cair. Geralmente, tudo resume a fazer escolhas. Jesus fez as suas. Nós precisamos fazer as nossas. Em quarto lugar, as tentações surgem na medida dos nossos próprios desejos. E para isso, precisamos aprender a santificar os nossos desejos.
Se os nossos desejos forem puros, haverá menor apetência para fazer coisas impuras. Em quinto lugar, devemos evitar perigos desnecessários e comportamentos de risco que nos coloquem em situações difíceis, pois a dimensão do inimigo é muito superior às nossas capacidades humanas. A melhor defesa contra as suas ciladas é manter uma atitude vigilante e ativa, sempre preparados e atentos. Em sexto lugar, toda a verdadeira aprendizagem envolve algum grau de desafio e desconforto. Antes de aprender, precisamos reconhecer os nossos limites e a nossa completa dependência de Deus.
é necessário abandonar a ilusão da autossuficiência, tão característica do ser humano. Na maior parte das vezes, acreditamos que sabemos o que estamos a fazer e que temos pleno controle sobre as circunstâncias. No entanto, é precisamente nessas situações que nos confrontamos com a nossa incapacidade e fraqueza. Na carta de Paulo aos Hebreus, no capítulo 4 e verso 15, Temos uma indicação do apóstolo, muito importante. Capítulo 4 e verso 15. Jesus passou momentos difíceis no deserto, mas jamais tirou os olhos de Deus.
No deserto somos tentados a desanimar. a murmurar e até a desistir de viver. Todavia, o deserto não é um lugar de permanência, mas de passagem. É ali que temos a oportunidade de desenvolver a nossa maturidade física, emocional e espiritual, fortalecendo-nos para a missão que nos espera. O tempo que vai durar o deserto das nossas vidas só depende de nós. e de onde estão fixos os nossos olhos. Se nos focarmos nos problemas, no solo abrasador, na solidão, na escassez de água, na escassez de alimento, jamais venceremos as tentações que nos surgem.
Mas se focarmos os nossos olhos em Jesus, que venceu todas as tentações no deserto, nós também poderemos triunfar. Deus promete-nos grandes bênçãos e vitórias se aprendermos a atravessar os nossos próprios desertos com fé e preservança. Que possamos reforçar-nos diariamente com a Palavra de Deus para lutar contra as ciladas que nos são colocadas. E que Deus o acompanhe e que o guarde.
Neste episódio da série "A Mensagem", exploramos o momento em que Jesus enfrentou a tentação no deserto. 🌵 Descubra como Cristo superou os desafios físicos, emocionais e espirituais, servindo de exemplo para as nossas próprias batalhas diárias. Uma reflexão profunda sobre a importância da Palavra de Deus e da dependência total do Pai no meio das maiores provações. Prepare o seu coração para esta poderosa lição de fé e resistência! ✨