Como evitar procurar guloseimas no meio do lixo
A MensagemT1 · E38

Como evitar procurar guloseimas no meio do lixo

07 de Janeiro de 202624 min 5 s

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Abertura e reflexao

É para mim um privilégio estar na sua companhia para refletirmos um pouco sobre a palavra de Deus. E começo por lhe colocar duas questões. Se chegasse a casa de férias e deparasse com a fruteira cheia de maçãs com bulor, exceto uma, comeria na mesma essa maçã? Ou se fosse a caminhar pela rua e visse na verma do passeio, no meio de folhas e de pontas de cigarro, um reboçado devidamente embrulhado, apanhava-o e comia-o? Estas perguntas vêm a propósito da personagem bíblica que lhe vou falar hoje, que comeu algo que estava metido numa coisa estragada e podre.

Esta personagem, tendo em conta o que está escrito sobre a sua vida, é alguém pela qual não sentimos grande admiração. Contudo, no capítulo 11 do livro de Hebreus, da epístola escrita por Paulo aos Hebreus, no verso 32 é dito o seguinte, Paulo diz o seguinte, e que mais direi? Faltar-me-ia o tempo para contar de Gedeão de Barac, e de Sansão, e de Jefté, e de David, e de Samuel, e dos profetas, os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões.

Penso que já percebeu que vou falar-lhe de Sansão. Embora Sansão não seja exatamente um exemplo a ser seguido pelos jovens, poucos são os pais a dar o nome de Sansão aos seus filhos, a sua história ainda carrega um ensinamento profundo. Mesmo que em muitos aspectos não nos identifiquemos com ele, creio que todos deveríamos parar para refletir sobre a sua trajetória. Afinal, por trás das suas falhas e vitórias, Há lições espirituais que, se bem compreendidas, podem nos ajudar a crescer. A história de sanção está registada na Bíblia justamente para nos lembrar dos desafios que muitos enfrentam na juventude e das consequências que essas escolhas podem ter ao longo de toda a vida, resultantes de decisões erradas que se tomam.

A narrativa do livro de juízos, Redim-me no Fim, quando ele recupera as suas forças. Mas convenhamos, se não fosse a citação da carta aos hebreus que lemos, ainda hoje teríamos pouco convictos da sua redenção final. Sem a referência da epístola de Paulo, poderíamos considerar que o seu derradeiro ato de derrubar as colunas do templo, levando consigo alguns milhares de filisteus, seria uma espécie de vingança contra os seus inimigos, o que muitos prisioneiros gostariam de lograr. É certo que o regresso da sua força subnatural no remate da sua vida já refletia a aprovação divina e constituía um sinal inequívoco de que Deus o havia acolhido de volta após um processo de contrição.

Ainda assim, poderíamos achar que o restabelecimento da extraordinária capacidade física não fosse mais do que um último ato de misericórdia divina em resposta ao seu arrependimento Tal como sucedeu com o ladrão na cruz. Embora o relato da vida de sanção nos alerte para os erros que devemos evitar, mostra-nos igualmente que mesmo cometendo falhas enormes e ofensas a Deus, nada está perdido, pois a redenção continua a ser possível. Esta verdade é de grande importância para cada um de nós, Tantas vezes desconhecemos o que vai no íntimo das pessoas e com demasiada facilidade declaramos como casos perdidos aqueles que nos rodeiam.

O nascimento e os votos

Mas recuemos aos inícios da vida de sanção e permita-me que levante agora uma questão. É mais fácil surgir um profeta ou um líder da igreja no seio de uma família piedosa e devota ou no contexto de uma família disfuncional? À primeira vista, a resposta parece óbvia. Um grande líder da fé teria, naturalmente, maiores probabilidades de nascer e crescer numa família estável, consagrada e temente a Deus. E, de facto, Era esse o caso de sanção. Contudo, apesar de possuir todas as condições para se tornar o grande líder que Deus desejava, não correspondeu plenamente a esse chamado.

Juízes 13 e verso 2. E havia um homem de Zorá, da tribo de Dã, cujo nome era Manué, e sua mulher era estéril e não tinha filhos. E o Anjo do Senhor apareceu a esta mulher e disse-lhe, eis que agora és estéril e nunca tens concebido, porém conceberás e terás um filho. Estamos mais uma vez perante um casal que enfrentava problemas de infertilidade, uma realidade recorrente no relato bíblico. Não sabemos se a causa estava no marido ou na mulher, mas naqueles tempos a esterilidade era sempre atribuída à esposa.

Foi então, após uma intervenção especial de Deus em resposta à súplica deste casal, que nasceu a criança. E tal como Ana, mãe de Samuel, ou Isabel, mãe de João Batista, a mãe de Sansão recebeu indicações de que a sua criança era especial. Vamos ver isto em Juízes, no capítulo 13, versículo 4 e 5. Juízes 13, capítulo 13, verso 4 e 5. Agora, pois, guarda-te de que bebas vinho, ou bebida forte, ou comas coisa imunda. Porqueis que tu conceberás e terás um filho, sobre cuja cabeça não passará navalha.

porquanto o menino será Nazireu de Deus desde o ventre e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus. Parece que, em resposta à oração destas três distintas mães inférteis, Deus lhes concede o dom de um filho. Contudo, em sinal de gratidão e como resposta a tão grande milagre, é despedido que o dediquei inteiramente à missão divina. A forma mais clara e prática de expressar essa entrega era através de um voto muito comum em Israel, segundo os registros judaicos, o voto de Nazireu, pelo qual os filhos eram consagrados a Deus desde a infância.

Convém não confundir a expressão Nazireu com Nazareno. O primeiro deriva do hebraico nazir, significando consagrado, separado. Já o segundo é um gentílico aplicado a Jesus por ter crescido na cidade de Nazaré. O voto de Nazireu recua ao tempo do Êxodo e está descrito no livro de números, capítulo 6, Versos 2 a 6. São alguns versículos que eu vou ler para que o estimado telespatador possa entender o que era isto do voto de Nazireu. No verso 2 a 6 do capítulo 6 diz, fala aos filhos de Israel e diz-lhes, quando um homem ou mulher se tiver separado, fazendo voto de Nazireu, para se separar para o Senhor, de vinho e de bebida forte se apartará.

Vinagre de vinho ou vinagre de bebida forte não beberá, nem beberá alguma bebragem de uvas, nem uvas frescas, nem secas comerá. Todos os dias do seu naziriado não comerá de coisa alguma que se faz da vinha, desde os caroços até às cascas. Todos os dias do voto do seu naziriado sobre a sua cabeça não passará navalha até que se cumprem os dias que se separou para o Senhor Santo, será, deixando crescer as gredelhas do cabelo da sua cabeça. Todos os dias que se separar para o Senhor não se chegará a corpo de um morto ou a nenhum cadáver. Em virtude deste voto, tanto a mãe, durante a gravidez, como o futuro nazireu, estavam sujeitos a três exigências fundamentais.

Primeiro, manter-se sóbrios e mentalmente aptos, abstendo-se de vinho, de bebida fermentada e não comendo nada proveniente da videira. Segundo, guardar a pureza cerimonial, evitando o contacto com cadáveres, o que levou alguns autores a supor que eles se abstivessem eventualmente também de comer carne. E em terceiro lugar, viver em submissão a Deus, simbolizado pelo gesto de não cortar o cabelo. A parte mais conhecida e lembrada do voto de sanção é precisamente a proibição de cortar o cabelo. Mas essa era apenas uma das três componentes do voto sendo tão importante como as outras duas.

Um voto é algo sagrado e é uma questão de honra. Uma coisa é alguém desejar mudar certas atitudes ou abandonar antigos hábitos para se tornar um crente mais ativo e fervoroso. Outra coisa muito diferente é assumir um voto, sobretudo naquela época. e dentro daquela cultura em que os votos eram entendidos como compromissos de máxima seriedade, revestidos de caráter profundamente sagrado. Mas atenção a este pormenor. Não foi sanção quem formulou este voto para si mesmo. Não se tratou de uma decisão decorrente da sua experiência pessoal com Deus.

mas foi um voto estabelecido diretamente pelo Anjo de Deus e transmitido aos seus pais. E quando assim é, sem uma vivência pessoal com Deus, corre-se o risco de não assumir plenamente os princípios que nos são transmitidos, tratando-os apenas como regras impostas de fora e não como compromissos próprios. Nós não somos salvos pelos nossos pais. E da mesma forma, os votos que desejarmos para os nossos filhos podem também não se concretizar, caso eles próprios os rejeitem.

O percurso de Sansao

Agora, se olharmos para a história de Sansão, narrada na Bíblia, percebemos que ela é curta e muito intensa. No capítulo 13, ele nasce destinado a ser um grande juiz em Israel. E no capítulo 14, já começa a sua queda. Sansão foi chamado por Deus num período em que Israel se encontrava subjugado pela nação vizinha dos filisteus, que se tornaram o grande inimigo do povo de Deus. Durante esse tempo, os filisteus dominavam regiões estratégicas, controlando cidades importantes e impondo pesados tributos aos israelitas, o que causava sofrimento e humilhação ao povo de Israel. A história de Sansão, portanto, não foi apenas o nascimento de uma criança invulgar e especial, mas foi a resposta divina a um povo em crise.

Ele seria chamado a cumprir uma missão que iria desafiar os opressores e reafirmar a soberania de Deus sobre Israel. O seu nascimento já fora um milagre e desde o ventre que ele estava consagrado a Deus. Era um jovem prodígio que, em virtude do seu voto e de uma vida piedosa e íntegra, recebera de Deus uma força física extraordinária, capacitando-o para proteger a nação de Israel e tornar-se um verdadeiro herói imbatível contra os ataques dos inimigos. Mas o seu único problema é que não conseguia dominar os impulsos emocionais interiores.

Era forte por fora, mas fraco por dentro. As suas emoções fervilhavam descontroladamente. Um dia avistou uma jovem muito formosa numa povoação da nação inimiga que lhe despertou interesse e comunicou ao seu pai que queria casar com ela. Apesar do seu pai tentar demovê-lo, ele não lhe prestou qualquer atenção. Podemos ler isso nos primeiros versos do capítulo 14 de Juízes, onde vem narrado este episódio. Juízes, no capítulo 14, versos 1 e 2, diz.

Agora, pois, tomai-me por mulher." E a seguir, nos versículos 5 a 6, dá-se agora um acontecimento extraordinário que eu quero focar aqui. No percurso a pé entre sua casa, em Israel, e a casa da noiva Filisteia, acompanhado pelos pais, depara com um jovem leão ameaçador que os ataca no caminho. E como ele é forte, Defende-se, mata o animal, com a ajuda divina, como diz a Bíblia. Algum tempo depois, ao voltar a passar pelo mesmo local, vejam o que aconteceu e vem narrado no verso 8 e 9.

E depois de alguns dias, voltou ele para tomar. E apartando-se do caminho, a ver o corpo do leão morto, eis que no corpo do leão havia um enxame de abelhas com mel e tomou-o nas suas mãos e foi-se andando e comendo dele e foi-se a seu pai e a sua mãe e deu-lhes dele e comeram, porém não lhes deu a saber que tomaram o mel do corpo do leão." Ora, há aqui um pronome interessante. Porque razão é que ele não contou aos pais sobre o episódio do mel encontrado

A primeira transgressao

dentro da carcaça do leão morto, alguns dias antes. Então, qual das restrições do seu voto na Azireu, Sansão transgrediu primeiro? Sabemos que o cabelo é que lhe dava a força física e nós focamos sempre nesse pormenor. Achamos que Deus o abandonou e a sua força desapareceu quando ele confessou a Dalila o segredo do cabelo grande. Mas essa não foi a primeira transgressão do seu voto. A primeira transgressão do seu voto relatada no Livro dos Juízes foi tocar num cadáver. Tocar no leão morto não era uma falta grave. Mas Deus tinha recomendado que nunca tocasse em nada morto.

E Sansão fez um voto prometendo que nunca o faria. Sansão sabia que não deveria tocar em cadáveres e, mesmo assim, decidiu-lhe dar uma espreitadela no animal morto. Ele quebrou ali o primeiro voto da sua consagração. Sabe, caro telespetador, todo o desvio de um cristão começa quando algo insignificante, mas contrário à vontade de Deus, desperta a nossa atenção. Quantas vezes não fomos nós preitar algo mau e degradante por curiosidade? Quantas vezes fomos a lugares ou vimos coisas que nos iriam causar fraqueza?

Mas vejam a subtileza da tentação do inimigo. Para aumentar a surpresa e cativar a atenção, dentro do cadáver havia um fabo de mel. O proibido traz sempre consigo algo atraente. Ele procurou doçura na podridão. E é assim com aqueles que buscam prazer no pecado e procuram doçura naquilo que é impuro. E com isso vão perdendo a intimidade com Deus. Os pais de Sansão avisaram repetidamente acerca do seu pacto com Deus ao longo da sua infância e adolescência. Mas sanção não só desobedeceu, como ainda levou para casa esse mel para os pais e não lhes disse nada acerca de onde o mel tinha sido encontrado, porque assim saberiam que o filho tinha acabado de quebrar o voto.

Há aqui algo de muito provocador e maldoso nesta atitude de sanção. É por isso que somos levados muitas vezes a não admirar muito este homem da Bíblia. Mas nós podemos fazer o mesmo. Quando, em vez de levar aos nossos vizinhos e familiares a luz, ainda os conduzimos para o mal e para o erro. Em vez de lhes levar bom alimento, contribuímos para que se alimentem de comida encontrada no lixo. E foi aqui que começou o descalabro de sanção. Mas a queda definitiva ainda não tinha acontecido.

Queda e licao espiritual

Ao cobrar o primeiro voto no Azireu, abriu a porta para outras quedas. A Bíblia diz que um abismo chama outro abismo. O que é que aconteceu? Na festa do seu casamento, com vergonha de assumir a sua condição de Nazireu, Sansão fez um grande banquete, como era costume, e ele preferiu imitar os rapazes da sua época, e em vez de se posicionar como um ungido de Deus, o Nazireu não podia beber vinho, mas Sansão quebrou agora o segundo preceito do voto de consagração. e fez uma festa da romba com muito álcool à mistura. Agora pergunte-lhe, a força de sanção vinha do cabelo comprido? Não.

A sua força vinha de fazer a vontade de Deus e ter um relacionamento próximo com Ele. E o que é aquilo que brou primeiro? Deixou que lhe cortassem o cabelo? Ou deixou de fazer a vontade de Deus e ter um relacionamento com Deus? Então porquê que Deus lhe permitiu ter ainda força quando adormeceu com Dalila e esta mandou-o prendê-lo com cordas novas e ele libertou-se delas num instante? Porquê que ele ainda tinha força quando já tinha quebrado dois dos seus princípios sagrados e o seu relacionamento com Deus estava reduzido a pouco ou nada? Porquê? Porque Deus cumpre sempre os votos que faz conosco.

Sanção ainda mantinha uma das três cláusulas do seu voto. Existem atos significativos na nossa vida que nos mantêm ligados a Deus por um fio que Ele não rompe, por mais que nós já não cumpramos a sua vontade e mantenhamos um relacionamento distante com Ele. Já transgredimos alguns aspectos da nossa vida, mas ainda mantemos uma ponte de contacto e Deus não nos abandona à primeira falha. Mas podemos ficar sem ele quando cortamos por completo todas as conexões. Hoje a nossa força vem, tal como sanção, de fazermos a sua vontade, de mantermos uma comunhão com ele diariamente. Não para derrotar com os braços um leão ou arrancar um portão de uma muralha, mas a força para dar testemunho.

para lutar contra os ataques do inimigo e para sobreviver neste mundo de doenças, maldade e morte. Será que também nós temos na nossa vida algo que corresponda ao último fio que nos agarra a Deus e que, se o cortarmos, poderemos sucumbir? Sim, certamente existem pequenos atos simbólicos que não são, na sua essência, aquilo que nos dá força, mas que, se os abandonarmos, poderão desligar-nos por completo de Deus. Pode ser a oração matinal. Pode ser ir à igreja. Podemos andar afastados e ter já perdido o relacionamento com Ele. Mas há fios que nos prendem ainda a Deus, que se os cortarmos, a nossa força pode esvanecer-se por completo.

Sansão deixou que lhe cortassem o cabelo. E, ironicamente, cortou ele o único fio que o ligava a Deus. Deus passa o pecado, o pecado arruinou-lhe a vida, sanção acabou por desprezar os seus três votos de consagração, perdeu a força, perdeu a visão, perdeu a dignidade e depois perdeu a sua própria vida. A vida de sanção é um brado de alerta, especialmente para as gerações mais novas, porque há muitos jovens que à semelhança de sanção não escutam os seus pais, não escutam a igreja, Muitos jovens, mesmo sendo consagrados a Deus, vivem procurando o mel no meio da decomposição deste mundo.

Não procuram nada de bom no meio do lixo. Não se alimentam daquilo que está estragado. Todos sabemos bem distinguir o que é bom e digno daquilo que é inapropriado. Porque Deus tem para nós o melhor que nós podemos obter. Que Deus o abençoe muito.

Sobre este episódio

Neste episódio, a história de Sansão leva-nos a refletir sobre como as grandes quedas, muitas vezes, começam em coisas pequenas. A partir de Juízes 13 e 14, é explorado o voto de nazireu e a forma como Sansão foi quebrando, passo a passo, a sua consagração, até perder a força, a visão e a dignidade.

Série
A Mensagem · 70 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 38
Estreou
07 de Janeiro de 2026
Categoria
Espiritualidade