A testemunha improvável
A MensagemT1 · E39

A testemunha improvável

14 de Janeiro de 202617 min 54 s

Capítulos

Transcrição

Gerada automaticamente

Abertura e enquadramento

Volto a estar consigo e também com todo o auditório da Novo Tempo, a partir do canal 186 da Mel, mas também com todos os ouvintes da Rádio RCS. Este encontro serve para nós escutarmos a mensagem de Deus e podermos afirmar que este é, sem dúvida, um tempo de excelência que Jesus nos oferece.

O encontro no poço

Fico comigo para juntos descobrirmos, a partir da Bíblia, qual pode ser a testemunha improvável. Era meio-dia em Sicar, a força do calor pairava por todos os lugares e era necessário que todos se recolhessem àquela hora, porque não era possível fazer a caminhada até ao Poço de Jacó. E naquele lugar havia horas onde quase todos vinham retirar água, de manhã bem cedo ou então ao entardecer, quando o calor descia de intensidade. Nestes dois períodos do dia, podia ver-se o caminho em direção ao poço cheio de pessoas, com cântaros, para lá e para cá, tentando saciar a sua sede de água.

Mas ao meio-dia, se alguém se aproximasse do poço, teria de ser com toda a probabilidade um estranho ou então alguém rejeitado. Jesus é o homem deste encontro, que tinha vindo a caminhar durante muito tempo com os seus companheiros, ele tinha atravessado mais uma vez a fronteira de Samaria e ele conhecia como ninguém os muitos atritos dos povos fronteiriços. Quando Jesus chegou ao local do Poço de Jacó, era também a hora da refeição. Portanto, a hora em que ninguém viria àquele lugar e para ajudar os discípulos a vencer os seus preconceitos, mandou-os ir comprar mantimentos enquanto ele descansava junto ao Poço de Jacó.

Jesus estava sedento, não tinha como tirar água do poço. Sentou-se por perto e aguardou. E enquanto esperava pela vinda dos seus discípulos, Jesus vê uma mulher que se aproxima para tirar água. Entre os judeus e samaritanos não havia nenhum tipo de amizade. Pelo contrário, eram inimigos declarados que raramente se cruzavam. Por isso, quando aquela mulher chegou, nada disse àquele homem que estava junto ao poço. Não era estranho que um homem pudesse parar por ali. Os poços eram espaços partilhados da comunidade. O problema é que Jesus era judeu e aquela mulher era samaritana.

Ninguém a conhecia por outro nome. Traz consigo um aspecto arrogante, solitário. Chega, prepara os utensílios para baixar o pote. até ao poço e tenta tirar água rapidamente, e foi neste silêncio que o homem falou pela primeira vez. Abra a sua Bíblia comigo em São João capítulo 4, versículos 6 e 7. São João capítulo 4, versículos 6 e 7, nós podemos ler esta passagem. E estava ali a fonte de Jacó, Jesus pois, cansado do caminho, sentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta. Veio uma mulher de Santa Maria tirar água e disse-lhe Jesus, dá-me de beber.

As palavras simples de Jesus causaram-lhe suspeita. Pedir água ao pé do poço era aquilo que os homens costumavam fazer quando queriam falar com uma mulher. Quase todas as histórias de amor no início da história universal da humanidade começaram precisamente a ensicar. Lembra-se da história de Hebrão, por exemplo, que decidiu casar o seu filho Isaac, mandou um servo até ao poço. A estratégia era a mesma. A mulher, a quem o servo pedisse água, se a resposta fosse sim, essa seria a escolhida para a esposa de Isaac. Foi assim que surgiu Rebeca. E, portanto, aquela samaritana conhecia bem aquela frase. Tenho sede. Já a tinha ouvido por outros homens.

Cinco ou seis homens com os quais ela esperou realizar os seus sonhos e ser feliz. Mas entre Jesus e a mulher samaritana existia um abismo que os distanciava. Não estavam claramente na mesma dimensão. O mundo daquela mulher estava banhado em relações instáveis e obscuras. Jesus, contrariamente, estava ali àquela hora porque Ele queria oferecer novidade de vida e por isso a conversa começou com um simples pedido. Dá-me de beber. E a mulher não tardou a dar resposta. Eu gostava de ler consigo.

Agora, um outro versículo que se encontra claramente em São João capítulo 4, versículo 9. São João 4, 9 diz, como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? Para Jesus o interesse não estava propriamente na questão da água, mas estava na distância que os separava. O desafio para Jesus seria conquistar um coração perdido. Jesus sabia que pedir água não era assim tão chocante como dizer àquela mulher, estou aqui à tua espera para falar do teu futuro. Pelo contrário, Jesus testemunhou àquela mulher quem ele era e o que ele poderia

A promessa da água viva

receber ou o que ela poderia receber se aceitasse a mudança. E nos minutos que Jesus tinha, enquanto os seus discípulos estavam fora, Ele não perde tempo e lança o desafio eterno àquela mulher. No versículo 10 de São João capítulo 4, Ele vai dizer se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz dá-me de beber, tu lhe pedirias e Ele te daria água viva. os passos dos seus discípulos já se ouviam ao longe e por isso Jesus queimou as últimas etapas ou algumas das etapas indo rapidamente à raiz da proposta. A mulher, atónita perante aquele desafio tão diferente de todos os outros que tinha recebido ao longo da vida, Tenta matar a sua curiosidade.

Vejam o que está escrito nos versículos 11 e 12 deste mesmo capítulo 4 de São João. Disse-lhe a mulher, Senhor, tu não tens com que tirar água e o poço é fundo? Onde pois tens água viva? És tu maior do que o nosso pai Jacó que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele e os seus filhos e o seu gado? E Jesus volta a dar-lhe como que um lamiré daquilo que era a sua proposta. Jesus vai falar-lhe de água viva, de água inesgotável, de água que não pode ser guardada em nenhuma cisterna, nem canalizada por nenhum sistema. Aquela era a água que vivifica o corpo e o espírito ao mesmo tempo e que lava a vida por dentro e por fora.

E logo que a Samaritana percebeu a sinceridade da misteriosa oferta de Jesus, pediu-lhe um pouco dessa água especial, ela vai dizer no versículo 15, Senhor, dá-me dessa água para que não mais tenha sede e não venha aqui tirá-la. Jesus parece ignorar o pedido daquela mulher e de forma implacável faz-lhe um outro pedido Vai pedir algo mais à Samaritana. No versículo 16, Jesus diz, vai, chama o teu marido e vem cá. Aquele seria o momento da mulher definir a sua identidade e também o seu estatuto social.

No fundo, Jesus pediu à Samaritana para que ela trouxesse ali quem lhe dava o nome e também a existência legal. E a resposta daquela mulher foi muito simples, sincera, mas simples. Ela vai dizer no versículo 17, não tenho marido. E Jesus diz-lhe claramente, disseste bem, não tenho marido. Porque aquela mulher teve cinco maridos ou cinco casamentos, se quisermos, que lhe tinham retirado a possibilidade de ela acreditar no matrimónio. Tinham sido cinco fracassos que lhe fizeram perder a fé nos homens e, como tal, optar pela independência. Sentia-se à margem da sociedade e também condenada a perder a pouca segurança que sentia.

E por isso passou a vir ao Poço, a uma hora em que mais ninguém frequentava. O objetivo de Jesus era mostrar-lhe que a conhecia muito bem e que ele estava ali não para a condenar, mas para lhe dar o que ela ainda não tinha conseguido alcançar. E vejam o que está escrito no versículo 18 deste mesmo capítulo 4 de São João. Diz, tiveste cinco maridos e agora o que tens não é teu marido e disseste com verdade. Referindo-se ao seu estado civil, Jesus não lhe dirige nenhuma condenação nem astigmatiza perante as escolhas.

Apenas coloca em evidência a sua marginalidade. Mostra-lhe que o facto de ela vir àquela hora era um sinal evidente que vivia à margem da sociedade. Surpreendida pelo conhecimento que aquele homem tinha da sua vida pessoal, aquela mulher reconheceu que Jesus deveria ser um profeta e desviou a conversa do tópico da sua vida privada para o tópico da rivalidade que existia entre os chamaritanos e os judeus. Só que Jesus, e para Jesus isso não era o mais importante. O que contava para o mestre da Galileia é que estava diante dele uma mulher e diante daquela mulher estava um novo tempo.

Porque quer fossem judeus ou samaritanos, Jesus garantia que ainda neste mundo a humanidade haveria de retornar aos criadores da vida. Então Jesus vai dizer, e podemos ler no versículo 23 do capítulo 4 de São João, vai dizer mulheres, a hora vem e é agora mesmo em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Espera, eu sei que alguém virá esclarecer-nos de todas estas coisas. Será que este é mesmo aquele que nós esperamos há tanto tempo?

E se até ali aquela mulher pudesse estar de cabeça baixa, agora ela olhava para Jesus, olhos nos olhos, porque Jesus não estava ali por causa da sua sede. Nem tão pouco para nenhum encontro vazio de sentido. Mas Jesus veio ao poço para que aquela mulher recebesse a promessa de vida eterna. E Jesus vai revelar-se a esta mulher, dizendo no versículo 26, Eu o sou, eu que falo contigo. No fundo, Jesus vai dizer àquela mulher, mulher, esse alguém que tu esperas está neste momento a falar contigo. E tudo isto se passou muito rápido.

Os discípulos, entretanto, regressavam precisamente no momento desta revelação. Aquela mulher deixou de se preocupar com a água do poço, porque essa era temporária. Esqueceu-se também do cântaro vazio à beira do poço e correu em direção à

A primeira missionária cristã

cidade, descrevendo sem medo o seu encontro com o homem judeu, o Messias. E ainda com a voz preenchida pela certeza da descoberta, ela foi de porta em porta, passando pela praça da sua cidade, anunciando aos seus vizinhos de que encontrar água viva já não seria um privilégio exclusivo dos judeus. Era também dos samaritanos. Ou seja, a esperança soava claramente nas suas palavras. E nós podemos ler isso no capítulo 4 de São João, versículo 29, em que ela dizia, Porventura, não é este o Cristo.

Graças a esta mulher, Jesus começou o seu ministério de evangelismo, precisamente em Samaria. Aquela samaritana tornou-se a primeira missionária cristã da história. Se fosse hoje, talvez não a chamaríamos para nenhuma área de ação, por ela ter um passado marginal. Mas, meus amigos, nós poderemos continuar a gastar o nosso tempo olhando para os defeitos dos outros, enquanto Jesus utiliza o seu próprio tempo para redimir aqueles que são marginais e que vivem estigmatizados pelo fruto das suas escolhas. Ao olharmos para os versículos 27 a 42 do capítulo 4 de João, é por mais evidente o trabalho de evangelização que Jesus fez junto dos samaritanos.

Eles próprios o convidaram a ficar na sua cidade. E o mestre, juntamente com os seus discípulos, teve a coragem de ficar em Sicar durante dois dias. E nesse período vejam o que aconteceu. Podemos ler em São João capítulo 4, versículo 39. Diz que muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele pela palavra da mulher que testificou, disse-me tudo o quanto tinha feito. Muitos dos cidadãos acreditaram em Jesus baseados no testemunho de uma mulher conhecida por ter um passado tenebroso. Jesus é aquele que pode mudar a nossa vida porque Deus está fora dos nossos sistemas e é completamente alheio às nossas querelas ou até mesmo àquilo que se passa na nossa vida.

Para o encontrarmos, nós não necessitamos de ir em peregrinação ao templo ou a algum lugar especial, nem tão pouco subir ao monte. Basta que tenhamos coragem para ir até ao fundo de nós próprios. E esta mulher teve a oportunidade dada por Deus. E quando aceitou, quando aceitou Cristo como Messias, tornou-se também ela uma fonte de água viva. Mas esta mulher já não existe. Temos apenas o relato da sua conversão escrito na palavra de Deus. Agora estamos nós. E por certo, alguns de nós talvez estamos a viver precisamente o papel desta mulher.

Vivemos à margem, somos vistos como homens e mulheres de defeitos múltiplos e se calhar de pecados que nos retiram crédito. Mas se este é o retrato da sua vida, permita-me dizer-lhe, prezado amigo, Deus tem a saída para si. Basta que tenha coragem de ir até o fundo de si mesmo, porque Jesus está à sua espera, como esperou pelaquela mulher enquanto esperava também pelos seus discípulos. Se nós aceitarmos o dom da água viva que Jesus nos oferece, não tínhamos medo de usar a nossa voz, preenchida pela certeza da descoberta que fizemos, e aí irmos de porta em porta, passando pelas praças da nossa cidade, mostrando aos nossos vizinhos de que ainda hoje é possível encontrarmos água viva, e que este não é um privilégio exclusivo de alguns.

mas é um dom gratuito de Jesus. Que Deus o abençoe.

Sobre este episódio

Neste episódio da série "A Mensagem", exploramos a história da "testemunha improvável". 🏺 Descubra como um encontro inesperado junto ao Poço de Jacó, entre Jesus e uma mulher samaritana, quebrou barreiras de preconceito e religião. Uma reflexão profunda sobre a "Água Viva" que sacia a sede da alma e transforma vidas marcadas pelo passado. Venha descobrir como Jesus nos encontra nos momentos mais solitários e nos oferece um novo recomeço. ✨

Série
A Mensagem · 70 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 39
Estreou
14 de Janeiro de 2026
Categoria
Espiritualidade