Bom senso

Bom senso

29 de Setembro de 202624 min 35 s

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e aí Seja muito bem-vindo ao Palavras e Virtudes, o seu espaço de reflexão aqui na Novo Tempo Portugal. Eu sou o Jorge Machado e é um privilégio ter a sua companhia para partilharmos mensagens que inspiram e edificam o coração. Quantas vezes temos ouvido alguém dizer, é preciso ter bom senso? E quantas vezes, provavelmente, dele já carecemos em determinadas situações que muitos se apresentavam complicadas?

Alguém disse em tom de brincadeira, raramente conhecemos alguma pessoa de bom senso além daquelas que concordam conosco. Com todas as reticências que isso possa merecer, a verdade é que o bom senso é cada vez mais uma virtude rara, pois poucos são os que a possuem efetivamente. Hoje, juntei duas palavras para lhe falar de uma única virtude, o bom senso. Mas antes de prosseguirmos na nossa viagem de hoje pelo mundo das palavras e virtudes, quero mostrar-lhe algo interessante que irá ajudá-lo na busca de mais conhecimento.

Trata-se um manual dedicado à família e ao seu bem-estar, o Manual Entre Família. Sabemos que as condições da nossa sociedade atual são reflexo das condições existentes no seio da família. Também sabemos que as transformações que ocorrem nos lares terão reflexos na melhoria da sociedade. Ora, o manual Entre Família aborda questões atuais sobre este tema e sobre como melhorar a convivência familiar e lidar com os desafios típicos da nossa época. Pode recebê-lo sem qualquer custo.

Ele é gratuito. Se estiver interessado, basta ligar para o número de telefone que aparece no seu ecrã, o 933 939291.

O significado do bom senso

Repito, 933 939291. Ficamos à espera do seu pedido. Começo agora com duas perguntas num mundo de extremos como encontrar o equilíbrio e a sensatez nas nossas decisões diárias, o que nos define como pessoas de bom senso. Em 1615, Galileu Galilei escreveu uma carta à duquesa toscana, uma senhora chamada Maria Cristina de Lorena. Essa carta tornou-se famosa pela forma como o cientista discutia a relação entre as suas descobertas científicas e as escrituras sagradas.

Ali encontramos uma frase que se tornou quase um euforismo. Ele escreveu o seguinte, Não consigo acreditar que o mesmo Deus que nos deu inteligência, razão e bom senso nos proíba de usá-los. É bem verdade. Ainda assim, bom, haverá muitos dos que são dotados de inteligência que em determinadas circunstâncias faltam-lhes o tal bom senso que permite evitar situações e conflitos embaraçosos. Afinal, o que é bom senso? Comecemos pela palavra. A expressão bom senso é oriunda e é formada pelo substantivo sensus, que significa sentido, mais o adjetivo bonum, o mesmo que bom.

Assim, ter bom senso é agir com um bom sentido, ou seja, agir de forma sensata. O bom senso será então uma qualidade intuitiva capaz de distinguir o melhor procedimento em situações específicas que muitas vezes são difíceis de analisar e que requerem uma tomada de posição. Deste modo, esta qualidade está estritamente ligada à sabedoria e à razoabilidade. O bom senso define o grau de capacidade que uma pessoa possui de ajustar diretrizes ou opiniões a determinadas realidades, tendo em conta as consequências, podendo deste modo fazer bons julgamentos e tomar ao mesmo tempo as melhores opções.

O bom senso não deve ser confundido com a ideia de senso comum. Nem sempre as duas coisas conciliam. Quando um grupo de pessoas estão de acordo sobre determinada posição, diz-se que há senso comum. No entanto, isso não significa que a posição tomada seja a correta. Aquele, porém, que age com bom senso, falo com independência, de forma intuitiva, movido pela sensatez, sendo capaz de distinguir a melhor conduta.

O bom senso em Provérbios

Mas o que nos dizem as escrituras? O que nos dizem as escrituras sobre esta qualidade que, como já referi, procede da sabedoria? Bom, a maior parte das referências bíblicas sobre o bom senso encontramos no livro de Provérbios de Salomão. Salomão, quando subiu ao trono de Israel, foi confrontado por Deus, que lhe propôs dar-lhe o que ele quisesse. E Salomão respondeu com ponderação e com bom senso. Ele não pediu riqueza, nem poder, mas pediu a Deus sabedoria e discernimento para governar. Alguns anos mais tarde, quando começou a escrever o seu livro de provérbios, ele fala do motivo ou da razão que o levou a escrever esse mesmo livro.

Entre as várias razões, Salomão realça a seguinte, para dar aos simples prudência e aos jovens conhecimento e bom senso. Salomão fala do bom senso como algo que deve ser cultivado desde cedo, desde a juventude. Logo, no capítulo seguinte do livro de provérbios, ele reforça o mesmo pensamento. O bom senso te guardará e o discernimento te protegerá. Quando o sábio diz que o bom senso te guardará, ele refere-se à capacidade de ponderar sobre as possíveis consequências antes de agir.

Aqui, o bom senso funciona como um filtro que impede que caiamos em ciladas emocionais ou de qualquer outro tipo. O bom senso é frequentemente escrito como a sabedoria do cotidiano. Embora pareça algo comum, ele, o bom senso, na verdade é uma virtude refinada que atua como uma espécie de ponte entre o conhecimento teórico e a ação prática. Se lermos no livro de provérbios, essa virtude não é vista como um talento inato, mas é comparada a uma virtude que se desenvolve através de cuidadosa observação e de humildade.

Eu costumo dizer, ou eu costumo ilustrar, da seguinte maneira, o que é bom senso. Imagine um viajante caminhando por uma floresta densa e desconhecida. Ele leva numa mão um mapa e na outra mão uma lanterna. O nevoeiro é intenso e isso o impede de ver o que está à sua frente. Essa neblina representa as incertezas e as ciladas da vida. O bom senso não é o mapa. Não é o mapa que o conduzirá ao seu destino, mas sim a lanterna na sua mão. Isso é o bom senso. Ela não ilumina todo o destino até o final, mas revela exatamente onde dar o próximo passo para não tropeçar ou cair num precipício.

Um pouco mais adiante, no capítulo 4 do seu livro de provérbios, Salomão faz uma recomendação. Ele diz o seguinte, pondera a vereda de teus pés e todos os teus caminhos sejam bem ordenados. Ponderar não é caminhar, é medir o peso de cada passo. Como vimos na imagem daquela floresta coberta pelo nevoeiro, não basta ter um mapa, é preciso ter a lanterna do bom senso. Ponderar a vereda significa perguntar. Este caminho que estou a trilhar hoje leva-me ao destino certo?

Bom, o bom senso, o bom senso protege-nos de trilhar rotas apenas pela sua facilidade aparente ou por mera conformidade com a maioria. Na parte final do texto de Salomão, ele aconselha o seguinte, todos os teus caminhos sejam bem ordenados. Pois é, uma vida bem ordenada não é uma vida sem problemas. mas uma vida com direção. É saber que, mesmo quando o nevoeiro da vida aperta, a tua lanterna está acesa e os teus pés não se movem sem que antes tenhas consultado a sabedoria divina.

Muitas vezes, a proteção de Deus manifesta-se através desse bom senso. Por isso, o bom senso, a proteção de Deus, tal como todas as outras virtudes, não nasce do acaso, nem é um mero produto de um esforço interior isolado. Ele é o fruto do nosso relacionamento com Deus, que nos impulsiona a buscar nele a sabedoria e o discernimento. Eu quero terminar a primeira parte do nosso programa de hoje com mais um conselho que vem de Deus através do livro de provérbios no capítulo 3.

É um texto muito conhecido. Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos e ele endereitará as tuas veredas. Enquanto refletimos nesta palavra de sabedoria, convido-o para uma pequena pausa. No próximo bloco, vamos descobrir como aplicar este bom senso nas decisões práticas do nosso dia-a-dia, tendo como inspiração o maior de todos os exemplos de bom senso que o mundo conheceu. Não saia daí. Ficamos à sua espera para o segundo bloco do Palavras e Virtudes.

O exemplo de Cristo

TV Novo Tempo, o canal da criação, o canal da esperança. Estamos de volta ao Palavras e Virtudes. Espero que esteja a apreciar o tema de hoje. Falo-lhe de bom senso, a virtude da justa medida. Antes de prosseguirmos, quero lembrá-lo que pode solicitar, sem qualquer encargo, este manual Entre Família. O manual Entre Família, discussão de temas atuais e orientações precisas para otimizar o convívio familiar frente aos obstáculos da sociedade atual.

Para solicitar este manual, basta ligar para a Novo Tempo Portugal, através do telefone 933-939291. Ficamos à espera do seu telefonema. Na primeira parte do nosso programa, consideramos alguns aspectos importantes acerca desta virtude que caracteriza o equilíbrio entre a razão e a emoção. Refletimos sobre alguns textos do livro de Provérbios de Salomão. Muito depois de Salomão, vemos em Cristo o bom senso espelhado em seus ensinos e em suas ações.

Jesus foi confrontado variadíssimas vezes com os excessos de uma religião repleta de conceitos legalistas. Foram muitas as vezes em que o senso comum dos fariseus contrastava com o bom senso de Cristo. Numa ocasião, Jesus foi confrontado pelo chefe de uma sinagoga por ter curado, no dia de sábado, uma mulher que sofria de uma deficiência física há 18 anos. Jesus apelou ao bom senso dos que o acusavam e disse no sábado, ou melhor, no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi ou jumento e não o leva a beber água?

E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão à qual há 18 anos Satanás a mantinha presa? Este bom senso tão visível em Jesus tinha como princípio a empatia assente no seu imensurável amor. O Evangelho de João, no capítulo 8, narra um outro episódio dramático e ao mesmo tempo comovente. Jesus regressava do Monte das Oliveiras ainda ao amanhecer. Todo o povo estava reunido ao seu redor para ouvir os seus ensinamentos. Eis quando os doutores da lei e alguns fariseus trouxeram-lhe uma mulher a qual era acusada de ser surpreendida em adultério.

Fizeram-na ficar de pé diante de todos e disseram a Jesus, Mestre, esta mulher foi surpreendida no ato de adultério. A lei de Moisés ordena que tais mulheres sejam apedrejadas. E tu, o que tens a dizer? Naquele momento, o centro da atenção muda completamente. Os ouvintes tornam-se espectadores. A acusada sente-se olhada e culpada. As vozes de impropérios dos acusadores fazem-se ouvir com acentos de indignação pelo pecado cometido. Mas Jesus, Jesus reage como sempre o fez. Acolhe o aflito e escuta com ouvidos de quem ama.

houve o rogo silencioso do coração contrito e aflito e curvas para escrever sobre o chão empoeirado o que via no coração de cada Algor. Cada um deles Ao olhar e ao ver o que Jesus escrevera, silenciosamente vai-se retirando, ao mesmo tempo que Jesus se ergue e diz-lhes, se algum de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a tirar a pedra. Pois é, aqui está a pedagogia atuante de Cristo, mescolada de bom senso e amor. Que exemplo nos deixou neste tempo em que vozes e gestos se cruzam?

Sim, o exemplo de Cristo. Onde parece, neste tempo, ter razão quem fala mais ou mais bonito. E assim, ali estava rodeada de gente a mulher adúltera, sórdida e acusada. A sua vida dependia de uma palavra, a palavra de Cristo, aquele que só ele poderia atirar a pedra da condenação. Porquê? Porque de todos os que ali estavam, ele era o único que não tinha pecado, mas cuja missão era tirar o pecado do mundo. As pedras nas mãos dos que a queriam apedrejar pesavam agora toneladas, e envergonhados de cabeça baixa, saíram daquele lugar.

Ao ver o que ninguém podia ver, ao olhar no mais profundo do coração daquela mulher, Jesus vê o arrependimento e a tristeza por ter pecado. Ele não pergunta sequer pelo homem que adulterou com ela, não. Ele apenas pergunta-lhe, mulher, quem te condenou? E ela, erguendo a cabeça, olha para o seu Salvador e responde, ninguém, senhor. Ah, quando eu leio este texto, eu lembro-me do episódio que é narrado pelo apóstolo Paulo, quando escreveu na sua carta aos romanos, quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?

É Deus quem o justifica. Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Esta frase do apóstolo inverte a lógica humana. Normalmente tentamos justificar-nos a nós mesmos através de boas ações. O argumento do apóstolo é simples, se o juiz supremo, que é Deus, já declarou o réu inocente, ou seja, justificado, não há instância superior que possa reverter essa decisão. O texto explica a razão, porque os que foram por ele redimidos estão seguros.

A confiança não reside no mérito humano, mas em três factos históricos e teológicos sobre Jesus Cristo. Em primeiro lugar, ele deu a sua vida pelo pecador arrependido. Em segundo lugar, ele ressuscitou. E em terceiro lugar, hoje intercede pelo pecador que o busca. É exatamente isso que Cristo faz connosco. O mesmo que fez com aquela mulher, também eu não te condeno. Vai e não peques mais. Jesus é aquele que faz triunfar a misericórdia sobre o ódio. O bom senso de Cristo era fundamentado pela justiça, pelo amor e pela misericórdia, e levava-o a separar o pecado da pessoa que o praticava.

É comum ouvirmos dizer que Deus abomina o pecado, mas ama o pecador. E é verdade, Jesus demonstra que é possível reprovar o ato sem aniquilar quem o cometeu. Ao dizer nem eu te condeno, ele não está a dizer que o adultério é aceitável, mas sim preservando a vida de uma mulher arrependida, concedendo-lhe o direito do perdão e a oportunidade de transformação. A ausência da condenação imediata serve como o incentivo para a mudança. É a experiência de ser amado, apesar do erro, que capacita a pessoa a viver agora, de agora em diante, pelo poder de Deus de forma diferente.

Alguém denominou este ato de Jesus como o encontro da miséria com a misericórdia. A Bíblia não refere nada mais sobre aquela mulher. Nada sabemos a respeito dela, como foi a sua vida depois daquele dia em que Cristo a libertou dos que a queriam matar. Não, o Evangelho sobre isso faz silêncio. Talvez porque o mais importante daquela história já foi revelado. O anonimato preserva a intimidade do recomeço. O que ela fez com a sua liberdade era uma decisão entre ela e Deus, simbolizando

A misericórdia e a justificação

que a vida nova é um processo diário e pessoal. Sim, Jesus não olha para as nossas falhas como sentenças definitivas, mas convida-nos a olhar para as suas feridas como o meio da nossa justificação. Pelo seu sacrifício, ele quebrou o pecado para que, uma vez lavados por esse sangue derramado, pudéssemos finalmente ouvir o convite. Vai e não peques mais, não por medo do castigo, mas por gratidão a quem deu a vida, a quem deu a vida por nós. O triunfo da misericórdia sobre o ódio foi conquistado no Calvário e está disponível aqui e agora, para si, para mim e para todo aquele que crê.

Estamos a chegar ao final do nosso encontro. Agradeço a sua presença e espero que a nossa partilha tenha sido enriquecedora. Aproveitem ainda os restantes minutinhos que tenho para rapidamente fazer-lhe ou dizer-lhe que tem à sua disposição, sem qualquer custo, este Manual Entre Famílias. Já sabe, é só ligar para o 933 939291. Não se esqueça do que hoje lhe dissemos. Jesus não olha para as nossas falhas como sentenças definitivas, mas convida-nos a olhar para as suas feridas como meio da nossa justificação. E é assim que me despeço de si com a promessa de que voltaremos com o Palavras e Virtudes já na próxima semana.

Eu sou o Jorge Machado e tive muito gosto em estar consigo. Em nome de toda a equipa que produziu e realizou este programa, o nosso muito obrigado.

A nossa oferta

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Entre Família

Sobre este episódio

Num mundo de extremos, o bom senso pode ser a lanterna que ilumina o próximo passo. Descubra como cultivar esta virtude com Deus.

Série
Palavras e Virtudes · 21 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 19
Estreou
29 de Setembro de 2026
Categoria
Outros