Olá, amigos! É muito bom poder estar convosco neste programa onde temos o privilégio de juntos estudar e refletir na Palavra de Deus. Para começarmos nossa mensagem, eu quero fazer uma pergunta. Como anda a sua memória? Boa? Má? Assim e assim? Confesso que a minha já esteve melhor. A maioria das crianças e jovens, a memória é extremamente fiel. Se quiserem fazer o teste, é só prometer alguma coisa a uma criança ou jovem e vão ver que eles não esquecem. Já com os adultos, ela começa a dar sinais de esquecimento. Penso eu, talvez pela quantidade de informação que temos de gerir hoje em dia, ou pela sobrecarga de trabalho e de estresse, mas principalmente, acredito eu, pela degeneração causada pelo pecado.
Eu lembro de um familiar meu que enfrentou a doença do Alzheimer. Uma pessoa tão querida, tão amada, eu tinha um amor grande por ela. E eu lembro sempre a fazer coisas, a convidar pessoas à sua casa, a preparar as refeições com carinho e naturalmente com muito cuidado. Mas depois que aquela doença começou a afetá-la, como eu visitava ela de tempos em tempos, a outra vez que a vi, já via ela sentada, já um pouco sem lembrar de muita gente, lembrava desse, daquele, e da última vez que a vi, infelizmente, ela já não lembrava de ninguém, já nem lembrava nem de si mesma, de quem era. É uma tristeza poder ver como a perda de memória afeta a existência das pessoas.
Perder a memória é perder nossa identidade, é esquecer quem somos. No meu trabalho como postor junto de pessoas, vou percebendo que um dos maiores
medos de quem tem problemas de memória é ser esquecido. Na Bíblia, encontramos um episódio que nos fala sobre a tentativa de apagar a memória e destruir a identidade de alguém. Isso está no livro de Daniel, lá no Antigo Testamento, no capítulo 1. E nós vamos ler esse capítulo todo, mas para já vamos ler do verso 1 ao verso 6. Daniel, capítulo 1, do verso 1 ao verso 6, nós lemos assim. No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei da Babilônia, a Jerusalém e a seteou. O Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoaquim, rei de Judá, e alguns dos itensílios da casa de Deus. A estes levou-os para a terra de Sinar, para a casa do seu Deus, e os pôs na casa do tesouro do seu Deus.
Disse o rei Aspenaz, chefe dos eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como de nobres. Jovens, sem nenhum defeito, de boa aparência, instruídos em toda sabedoria, doutos em ciência, versados no conhecimento, e que fossem competentes para assistirem no palácio do rei, e lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus. Determinou-lhes o rei, a ração diária, das finas iguarias, da mesa real e do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, ao cabo dos quais assistiriam diante do rei. Entre eles se achavam os filhos de Judá, Daniel, Ananias, Misael e Azarias." É interessante que o texto nos começa a dizer que Jerusalém foi entregue nas mãos de Nabucodonosor com os vasos do templo.
Dá a impressão de que o Deus da Babilônia se apresenta mais forte que o Deus de Judá. Mas isso é uma falsa impressão, pois o texto mostra a ação de Deus sobre tudo. Durante todo esse capítulo, nós vemos a ação de Deus. E não só nesse capítulo, durante todo o livro de Daniel, vamos ver que Deus foi com Israel para o cativeiro e continuou ao seu lado, ao lado do seu povo. Interessante perceber que o texto nos diz que eles foram levados cativos para a Babilônia, a 1.500 quilômetros de distância até a planície de Sinar, que, segundo Gênesis 11.2, diz ser o lugar onde foi construída a torre de Babel, terra dos caldeus, de onde Deus chamou Abraão.
Israel faz agora o caminho inverso que Abraão fez um dia. Talvez Deus queria começar de novo. Podemos pensar que Deus estava só a castigar Israel pela sua apostasia e, na verdade, estava a ajudá-los a refletir nas suas más escolhas, mas, ao mesmo tempo, Deus estava a recomeçar. Esta verdade de novo começo está constantemente presente na Bíblia, meus queridos. Eu lembro, por exemplo, de Paulo, que pensava fazer o correto em perseguir os cristãos, mas encontrou Jesus no caminho e passou de Saulo a Paulo. Eu lembro de Pedro que negou Jesus três vezes, mas depois teve a oportunidade de três vezes afirmar que amava Jesus.
Eu lembro de Jacó que enganou o pai, mentiu para conseguir a bênção da primogenitura, fugiu de casa para não ser morto pelo irmão, pensou que estava tudo acabado, mas Deus encontrou no caminho. E assim muitos outros. Nós encontramos a possibilidade de um novo começo. É interessante perceber que... Quando Daniel fala de que Israel foi levado para a terra dos caldeus, o nome caldeus, a construção do nome, significa alguém que é capaz de construir cartas astronômicas. Por isso, os caldeus eram um povo que tinha por hábito construir cartas astronômicas baseadas nas posições dos astros, pois achavam que os astros, em determinadas posições, guiavam a vida e o comportamento das pessoas.
Até hoje, ainda existe esse tipo de crença entre os homens. Pessoas que acham que a posição e a influência dos astros vão influenciar a sua vida e não as suas escolhas e não as suas decisões. O texto nos diz que eles teriam de fazer três anos de formação. Repararam bem nesse episódio? O rei pediu para que escolhessem jovens, para que eles pudessem fazer três anos de uma formação na cultura, na língua, em tudo aquilo que envolvia o aprendizado sobre Babilônia. Mais ou menos o tempo de uma licenciatura hoje. O método de Babilônia era e sempre foi o mesmo, uniformizar o comportamento. Em Gênesis, no capítulo 11, do verso 1 a 4, nós lemos o seguinte.
Eu quero ler convosco e convido vocês a lerem comigo, na vossa Bíblia ou no vosso telemóvel, esse episódio. Gênesis 11, do verso 1 a 4, nós encontramos assim. Ora, em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar. Sucedeu que, partindo eles do oriente, Deram como a planície na terra de Sinar, e habitaram ali. E disseram uns aos outros, Vinde, façamos tijolos e queimêmolos bem. Os tijolos serviram-lhe de pedra e o betume de argamassa. E disseram, vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre, cujo tope chegue até os céus, e tornemos célebre o nosso nome. Algumas versões dizem, façamos um nome para nós, para que não sejamos espalhados por toda a terra." Repararam bem nesse texto?
Uma mesma língua, uma mesma forma, A fábrica de tijolos é interessante porque é a primeira vez que aparece tijolos na Bíblia e vocês sabem que tijolo se faz em moldes, todos iguais, todos queriam fazer um só nome.
Esse método de Babilônia, meus queridos, consiste em usar a pressão do grupo, a pressão da multidão para fazer o homem obedecer à vontade de outros homens e deixar de lado a vontade de Deus. É interessante também perceber que o livro do Apocalipse fala sobre Babilônia. E no capítulo 17, no verso 5 e no verso 13, nós lemos assim, Que interessante perceber isso. Continuação do mesmo padrão de comportamento.
Todos devem pensar igual a Babilônia. É interessante porque o método utilizado ainda é o mesmo. A maneira de conseguir isso é seduzindo, ganhando nossa confiança, mudando nossa maneira de pensar. É interessante perceber que lhes é proposto, durante este período de formação, a alimentação baseada nas carnes e na mesa das iguarias e nos vinhos que o rei tinha acesso. É interessante porque em Deuteronômio 32, 38, nós percebemos que participar desse tipo de alimento fazia parte do princípio de adoração do Médio Oriente, a adoração idólatra. Participar dessa mesa, portanto, para esses jovens poderia significar adorar o rei, que era visto como um representante da divindade entre os homens.
Por que uma simples questão alimentar pode ser assim tão importante? Muitos de nós perguntamos o porquê que algumas igrejas, algumas religiões seguem aquilo que a Bíblia diz. Será que isso é tão importante na nossa alimentação, na nossa vida, no nosso percurso espiritual? Sabe, meus queridos, aqui na história de Daniel nos ensina que essas regras, essas normas, na verdade, são um recurso deixado por Deus para que possamos lembrar de quem somos. Sabe como o sábado, uma vez por semana, é lembrar de quem somos? Como os mandamentos, como algumas restrições alimentares que o Senhor deixou na sua palavra? São placas sinalizadoras, como numa estrada, que nos fazem lembrar, a cada refeição, a cada semana, a cada relacionamento, quem é o Deus a qual servimos.
Por isso, esta tentativa constante de nos colocar diante de práticas e pensamentos que nos moldam ao mundo de Babilônia. A Bíblia nos revela que é pela contemplação que somos transformados. Tudo o que contemplamos nos transforma pouco a pouco. O instrumento mais utilizado para essa transformação é a imagem. E hoje em dia, cada vez mais, temos acesso à quantidade de filmes, de séries, de jogos. E pouco a pouco, temos contato, ao vermos constantemente, vamos vendo os nossos princípios morais rebaixados, ao constantemente estarmos diante de imagens que estimulam a violência, por exemplo, o engano, a mentira, a baixeza moral e a confiança em si mesmo.
Babilônia continua em ação. O verso 6 e 7 nos diz algo interessante, do capítulo 1 de Daniel. Nos diz que entre eles Entre os jovens que o rei pediu para que pudessem ser escolhidos, entre eles se achavam dos filhos de Judá, Daniel, Ananias, Misael e Azarias. O chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber, a Daniel, o de Beltesuzá, Ananias, o de Cedraque, a Misael, o de Mesaque e Azarias, o de Abed-Nego. Reparem bem nessa frase, entre eles. É com tristeza, meus queridos, que nós percebemos que não foram só os quatro que foram escolhidos para participar dessa formação da Mesa do Rei durante esses três anos, mas somente os quatro decidiram permanecer fiéis ao Senhor.
É verdade, amigos. Às vezes, vemos as pessoas próximas de nós deixar de lado princípios na sua vida em nome da aceitação de grupos. O livro de Daniel vai mostrar que essa decisão é fatal para o nosso relacionamento com Deus. Se não se arrependermos e voltarmos ao Senhor, isso pode ser extremamente prejudicial e perigoso para a nossa existência. Para ajudar no processo de perda de identidade imposto pelo rei, além da comida, nos versos que nós lemos, dá-se a mudança dos seus nomes. Daniel, que significa Deus é o meu juiz, passa a ser Beltesazar, que significa que Bel proteja minha vida.
Ananias, que significa a graça de Adonai, passa a ser Sadraque, sobre as ordens do Deus Aku. Misael, que significa quem é como Deus, passa a ser Mesaque, que significa quem é como o Deus Aku. E as Arias, que significa Adonai ajudou, passa a ser Abednego, servo do Deus Nego. Aprendi com um grande conhecedor das línguas originais da Bíblia, o professor Jacques Ducan, em um seu livro sobre Daniel, que o que temos nos nomes deles no nosso texto não é o nome verdadeiro dos deuses egípcios. Daniel, ao escrever o texto, mudou levemente o nome original das divindades babilônicas, alterando o nome verdadeiro, mostrando assim um sinal de resistência.
É verdade, aquilo que nós temos no texto não é exatamente como se pronunciaria o nome desses deuses. E Daniel fez isso de propósito quando escreveu, não aceitando assim o nome desses deuses. Sabe, esse mesmo princípio nós encontramos no nome Moisés. O nome Moisés, na sua língua original, significa filho de. Nós temos, por exemplo, a história, ou conhecemos o nome de Hamsés, que significa filho de Há. Nós temos outros nomes, como Thutmose, que significa filho de Thut. Mas Moisés ficou somente quando escreveu o texto com o seu nome, filho de.
Dizendo assim que o sujeito do seu nome não deveria, e ele não queria que fosse a divindade egípcia, mas sim o verdadeiro Deus de Israel. Nós podemos continuar a ler no capítulo 1 de Daniel, agora do verso 8 em diante, até o verso 14 nós lemos assim, resolveu Daniel firmemente não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia, então pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se. Ora, Deus concedeu a Daniel misericórdia e compreensão da parte do chefe dos eunucos. Disse o chefe dos eunucos a Daniel, Tenho medo do meu senhor, o rei, que determinou a vossa comida e a vossa bebida.
Porque, pois, veria ele o vosso rosto mais abatido do que o dos outros jovens na vossa idade? Assim, porís em perigo a minha cabeça para com o rei. Então disse Daniel ao cozinheiro-chefe, a quem o chefe dos eunucos havia encarregado de cuidar de Daniel, Ananias, Misael e Asarias. Experimenta, peço-te, os teus servos dez dias, e que se nos deem legumes a comer e água a beber. Então se veja diante de ti a nossa aparência, e a dos jovens que comem das finas iguarias do rei, e segundo vires, age com os teus servos. Ele atendeu e os experimentou por dez dias. É impressionante, não é verdade? Daniel, esse texto nos diz que Daniel decidiu, Daniel escolheu.
Sabe, meus queridos, o poder da decisão abre portas para a ação de Deus na nossa vida. Colocar nossa vontade ao lado do Senhor é o primeiro passo na libertação que Ele quer trazer para a nossa existência. Fazer uso do meu livre-arbítrio para dizer não àquilo que pode me levar para longe de Deus. Não se contaminar. Mostrar e fazer essa escolha mostra que essa escolha era baseada para Daniel nas leis de Levítico. Leis estas que Daniel aprendeu a serem extremamente importantes para a sua relação com Deus, como judeu que era. A palavra aqui também, no verso 8, quando nós lemos legumes, na verdade, na língua original, essa palavra tem a mesma origem que a palavra utilizada em Gênesis 1, 29, e que se referia aos alimentos que Deus deu ao homem quando o criou.
O que nós percebemos, então, é que Daniel estava a se agarrar a alguns detalhes que Deus tinha deixado para que ele pudesse lembrar de que ele era filho do Criador dos céus e da terra. Mas é interessante também percebermos, meus queridos, que apesar de ser uma questão religiosa para Daniel, reparem na cortesia e respeito que ele se dirige ao cozinheiro-chefe. Peço-te, Daniel não foi insolente, não foi arrogante nem orgulhoso. Ele agiu como um filho dos nobres de Judá, de onde descendia, mas principalmente ele agiu como filho do rei do universo que era. Nós continuamos a ler agora o texto a partir do verso 15 e vamos até o verso 21,
onde lemos o seguinte. No fim dos dez dias a sua aparência era melhor. Estavam eles mais robustos do que todos os jovens que comiam das finas iguarias do rei. Com isto o cozinheiro-chefe tirou deles as finas iguarias e o vinho que deviam beber e lhes dava legumes. Ora, a esses quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria. Mas a Daniel deu a inteligência de todas as visões e sonhos. Vem-se do tempo determinado pelo rei para que os trouxessem? O chefe dos eunucos os trouxe à presença de Nabucodonosor. Então o rei falou com eles e, entre todos, não foram achados outros como Daniel, Ananias, Misael e Azarias.
Por isso, passaram a assistir diante do rei. Em toda a matéria de sabedoria e de inteligência sobre o que o rei lhes fez perguntas, os achou dez vezes mais dotos do que todos os magos e encantadores que havia em todo o seu reino. E o texto termina dizendo que Daniel continuou até o primeiro ano do rei Ciro. Sabe, meus queridos, santidade não exclui relacionamento com a humanidade. Ser santo não significa se desinteressar pelos outros e pela vida, contudo de bom que ela representa. Daniel aceitou viver em Babilônia. Ele creu que Deus tinha um plano para ele lá em Babilônia.
Ele não acusou, não praguejou, nem falou mal de Babilônia. Ele foi fiel em Babilônia. Daniel vivia em Babilônia, mas o seu coração estava em Jerusalém. É isso, meus queridos. Podemos viver onde quer que seja, mas o nosso coração tem que estar sempre onde Deus está. E para Daniel, Jerusalém era o lugar onde Deus estava, era a casa de Deus, era ali que ele queria voltar, era para lá que ele queria ir. O mais impressionante que o texto nos mostra é essa realidade no coração dele. Quantas vezes Deus aparece no texto? Vocês repararam? Ele aparece três vezes, no verso 2, no verso 9 e no verso 17.
É interessante que Deus é que está por trás de cada ação. E ao mesmo tempo, todas as vezes que aparece o nome de Deus, aparece um verbo que vem logo a seguir, é o verbo dar, natan em hebraico. É Deus que é o doador em cada ação. Foi Deus que deu Jerusalém a Nabucodonosor, foi Deus que deu o coração do cozinheiro para que Daniel pudesse ter acesso à alimentação correta e foi Deus que deu sabedoria para Daniel. Isso nos mostra, meus queridos, que Deus estava lá em Babilônia com Daniel e seus amigos. Isso será visto durante toda a experiência deles relatada no livro de Daniel. Interessante que a conclusão que chegamos é que Babilônia tentou fazer Daniel esquecer quem era, filho de uma linhagem real, da linhagem do rei de Israel.
Daniel percebeu esse plano e decidiu permanecer fiel a Deus e se agarrar a todos os meios que podia dados por Deus para não se esquecer de quem ele era. O método continua o mesmo. Ao aceitarmos abrir mão de pequenos detalhes, de princípios aparentemente insignificantes, com o tempo perderemos a nossa identidade cristã. Reparem que o livro de Daniel é uma experiência profética para os últimos tempos. Quanto mais se aproxima os últimos dias desse mundo, essa realidade vai se cumprindo. Somente aqueles que forem fiéis é que manterão sua identidade cristã. Se permanecermos fiéis ao nosso Deus, Nos pequenos detalhes, ele permitirá não perdermos a memória de quem somos e nos dará sabedoria para viver ao seu lado, com os pés na terra, mas com o coração no céu.
Neste episódio da série "A Mensagem", mergulhamos no primeiro capítulo do livro de Daniel para entender como a Babilónia tentou apagar a identidade de quatro jovens hebreus. Descubra por que a memória e a fidelidade nos pequenos detalhes são fundamentais para mantermos o nosso foco em Deus. Aprenda que, mesmo longe de casa e sob pressão, é possível decidir não se contaminar e permitir que o Senhor transforme a nossa realidade através da nossa obediência e confiança.