A minha graça te basta
A MensagemT1 · E9

A minha graça te basta

28 de Maio de 202526 min 22 s

Capítulos

Transcrição

Gerada automaticamente

Abertura e contexto espiritual

Dois boas-vindas a todos aqueles que estão conosco neste momento e com os quais nós vamos partilhar alguns dos textos da Bíblia que nos ajudam no nosso progresso e no nosso crescimento espiritual. E gostaria de começar contando uma história sobre Martim Lutero. O ano de 1527 foi um dos anos mais difíceis para Martim Lutero. A 22 de abril desse ano, ele estava a pregar em Wittenberg, quando de repente ficou confuso e enfraquecido. Nos meses que seguiram, ele lidou com a doença e com uma depressão debilitante. Tinham-se passado dez anos desde que publicara as suas famosas 95 teses sobre a justificação pela fé. Tinha travado uma longa e dolorosa batalha contra a Igreja e contra o Império, e até mesmo contra outros reformadores.

Agora ele sentia-se à beira do colapso e derrotado. Escreveu então uma carta ao seu amigo Melanchthon contando-lhe a sua doença. E na carta ele dizia Passei mais de uma semana na morte e no inferno. O meu corpo inteiro estava dorido e ainda tremo. Completamente abandonado por Cristo, trabalhei sob vacilações e tempestades de desespero e de blasfémia contra Deus. Mas graças às orações dos santos, Deus mostrou a sua graça sobre mim e livrou a minha alma do inferno. Com a ajuda dos médicos, Luther recuperou forças e saúde. E no momento em que estava a recuperar, uma praga assolou a região de Wittenberg. Embora a sua mulher estivesse grávida, a casa de Luther foi transformada num hospital e ele viu muitos dos seus amigos morrerem devido à peste.

O seu próprio filho ficou doente e parecia que iria morrer. Foi no meio de todo este cenário que Luther escreveu o seu famoso hino, Geová Castelforte. Convido-vos a lermos a 2 Epístola aos Coríntios, capítulo 12, versículos 1 a 10,

O espinho na carne

que eu vou ler. Se é necessário que me glorie, ainda que não convém, passarei às visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo, que há quatorze anos foi arrebatado até ao terceiro céu. Se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe. E sei que o tal homem, se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe, foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é inícito ao homem referir. De tal coisa me gloriarei, não porém de mim mesmo, salvo nas minhas fraquezas. Pois se eu vier a gloriar-me, não serei inécio, porque direi a verdade, mas abstenho-me, para que ninguém se preocupe comigo mais do que em mim vê. Onde a mim houve? E para que não me ensobrabecesse, com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para-me esbofetear, afim que não me exalte.

Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então ele me disse, a minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque quando sou fraco, então é que sou forte. Para compreendermos bem as afirmações de Paulo e o objetivo que ele se propôs ao escrever estas linhas, temos de analisar o contexto imediato das afirmações de Paulo. Neste propósito, não apenas o capítulo 11 desta 2ª epístola vai ser de grande auxílio e fonte da maior parte das nossas informações, como alguns elementos decorrentes da 1ª epístola aos Coríntios serão de grande ajuda.

O contexto imediato diz-nos que Paulo amava esta igreja. Foi ele que a criou. Foi ele que a apresentou a Deus, como aquele que apresenta a noiva ao noivo. Ele tem para com esta igreja os mesmos sentimentos que os profetas de Israel e Judá experimentavam para com o povo de Deus. Ele ama esta igreja, tal como Deus a ama. Ele apresentou esta igreja a Deus como uma virgem pura. quer dizer, uma igreja que experimentasse uma fidelidade total para com Deus. O seu receio é que os coríntios não apenas o rejeitem a ele, mas que também o rejeitem a Cristo. Porque desde que Paulo iniciara esta igreja, eles tinham feito o seu percurso, tinham crescido, tinham-se desenvolvido, tinham criado a impressão de ser uma igreja de elite, uma igreja acima da média.

Verdadeiramente, eles tinham uma excelente opinião e imagem de si mesmos. Quando lemos, por exemplo, o Hino ao Mor, em 1ª de Coríntios 13, Paulo menciona, ainda que o falasse, a língua dos homens e dos anjos. E depois, quando analisamos os capítulos 12 e 14 da mesma epístola, verificamos que os coríntios tinham uma aptência pelos dons que eles consideravam mais extraordinários, os dons de línguas. Eles eram uma igreja que gostava de contribuir para as grandes causas. E quando contribuíam, as suas ofertas faziam-se sentir e estariam, ao que parece, prontos a sofrer o martírio por causa de Cristo. Embora o modo como eles viam os sofrimentos de Paulo, como fraquezas que não estavam à altura do extraordinário que eles eram, o martírio fosse mais uma ideia que uma vontade que passasse à realidade. Eles gostavam, entre outras coisas, de discutir as várias opiniões sobre a igreja e a salvação.

e havia diferentes facções dentro da igreja consolante os grandes oradores cristãos da época, Paulo, Pedro e Apolo. Havia, portanto, uma certa tendência coríntia para o exagero, para o extraordinário, para o espetacular. E foi isso que levou a que eles fossem a presa certa de um certo tipo de oradores que de pressa perceberam o que é que fazia mover esses coríntios e como é que eles poderiam tirar partido disso. Quando lemos o capítulo 11 desta segunda carta aos Coríntios, apercebemos que estavam em Corinto, quando Paulo escreve, um certo tipo de apóstolos. Eles afirmavam ser apóstolos de Cristo, ministros da justiça. Paulo, ironicamente, apelida-os de superapóstolos. E usa uma palavra que só aparece aqui no Novo Testamento.

Uma palavra que designa alguém que está no mais alto grau. Finalmente, os coríntios tinham alguém à sua medida. Alguém que ia ao encontro das suas expectativas. Porém, a ironia de Paulo era evidente. Eles exerciam um ministério contrário ao de Paulo, com atitudes opostas aos de Paulo. Superioridade em lugar de humildade e obediência. Aceitação do ministério apostólico a troco de dinheiro dos coríntios. Portanto, estes superapóstolos, na realidade, eram falsos apóstolos. Camuflavam-se como apóstolos de Cristo, mas eram enganadores. Esse caráter de enganadores era demonstrado por outras atitudes.

Em primeiro lugar, pela forma como denegriam o Ministério de Paulo. Estes falsos apóstolos depreciavam, sabotavam, destruíam a autoridade apostólica de Paulo. Para sobressaírem, para terem ascendente, ridicularizavam o Ministério do Apóstolo anterior. Como Paulo não levara qualquer valor pelo ensino que ministrava, então diziam que esse ensino não deveria ser de grande qualidade. Curiosamente, ainda hoje temos a ideia de que o que é gratuito não é bom. Neste caso, aquilo que os coríntios pagavam é que não era bom. Era uma falsificação. Além disso, eles davam um outro tipo de ensino. O ensino que eles davam era de um outro Jesus, um outro evangelho, um outro espírito que influenciava o comportamento da igreja de Corinto.

O retrato feito dos pseudoapóstolos não é encantador. Não apenas davam ensino falso, como nas suas pregações reduziam as pessoas à escravidão, uma provável alusão ao legalismo. Gostavam de honras e de elogios, portanto eram condescendentes e desprezíveis. Enganavam. Tratavam com desprezo. E a palavra grega que Paulo utiliza significa tratar com insolência. Reprovavam de forma violenta, provavelmente com afirmações fortes. Temos aqui todas as contrafações do Ministério Cristão. Era só relembrar o que Jesus tinha afirmado sobre as atitudes do bom pastor para perceber que havia ali qualquer coisa que não estava certa.

Resumindo, os superapóstolos que encaixavam tão bem naquilo que eram as expectativas da Igreja de Corinto eram, na verdade, pseudoapóstolos. E em lugar de receber Cristo, na verdade, os coríntios estavam a receber a mensagem de Satanás. O super-Evangelho que lhes era pregado era um contra-Evangelho. E a hiper-apostolicidade desses falsos pregadores não garantia a autenticidade

As credenciais do apóstolo

da Igreja. E neste capítulo 11, Paulo vai enumerar aquelas que são as credenciais que o qualificavam como apóstolo. Os coríntios gostavam de apóstolos com palmarés. Paulo vai dar o seu palmarés e um palmarés especial. Ele não enumera o número de conversos. nem o número das igrejas que criou, nem os seus sucessos de evangelista. Não faz qualquer alusão ao caminho de Damasco, nem aos seus encontros com os apóstolos em Jerusalém, mas mostra as fraquezas que o habilitavam como apóstolo. E, em tudo isso, Paulo sublinha que seguiu o caminho de um discípulo que segue o Mestre. Tal como Jesus, sem deixar de ser Deus, se humilhou como homem, Paulo, sem deixar de ser apóstolo, sofreu todas as contingências associadas ao seu ministério.

Os últimos dez versículos do capítulo 11, desta segunda carta aos Coríntios, dão conta daquilo que Paulo experimentou no seu ministério e que os Coríntios depreciavam. E é desta forma que chegamos ao capítulo 12, para melhor percebermos a mensagem que Paulo nos quer transmitir. Os coríntios, pensando que eram uma igreja acima da média e que deviam ter como líderes espirituais pessoas acima da média, tinham sido enganados por super-apóstolos, que afinal não eram senão pseudo-apóstolos, enganadores, que levavam a igreja de Corinto por um caminho contrário ao do Evangelho. Paulo não enquadrava completamente no perfil que os crentes de Corinto queriam e, no entanto, eles tinham alguém especial. E neste capítulo 12, Paulo vai fazer menção de um episódio da sua experiência espiritual desconhecido completamente do registro que temos da vida do apóstolo.

Nestes primeiros versículos do capítulo 12, ele fala na terceira pessoa, mostrando que tinha tido visões e revelações, literalmente apocalipses, que o levaram a contemplar Deus. O Testamento de Levi e a Ascensão de Moisés, livros apócrifos, mencionavam Sete céus. O livro de Enoch, na sua versão eslava, menciona 22. O livro de Baruc, em grego, menciona cinco céus. Paulo aqui menciona o terceiro céu. O terceiro céu era o lugar onde Deus habitava. Para os coríntios, adeptos de manifestações sensíveis e exteriores do Espírito, Paulo menciona ter tido contacto com a plenitude do poder divino no momento em que a sua fraqueza era mais visível.

Ouviu palavras inefáveis, uma espécie de segredos divinos. Para os adversários de Paulo, eram as manifestações do seu poder espiritual que eram o centro do seu apostolado. Para os supers-apóstolos, eram necessários três requisitos, uma palavra superior, milagres e sinais que legitimem o apostolado e experiências da vida celestial replicadas na experiência cristã atual. Paulo menciona um episódio de há 14 anos atrás, que teria ocorrido por volta do ano 41 da nossa era, quando ele estava na Cilícia ou na Síria. Qual é o objetivo de mencionar esta experiência se ele não pode revelar o seu conteúdo? Porque aqui o objetivo é mostrar algo simples e profundo.

Deus permite que no nosso ministério e na nossa vida nós passemos por provações duras e difíceis. Por vezes, ao passar por essas provações, não somos apenas sacudidos por elas, como pela interpretação que os outros fazem dessas provas, das acusações veladas que elas geram. Ah, se ele fosse abençoado por Deus, provavelmente isto não aconteceria. E em certos momentos, Deus revela-se de uma forma mais pessoal, mais íntima, mais plenamente àqueles que passam por estas experiências marcantes. O Evangelho relata que Jesus, no Getsemane, ao orar por nós, foi no final confortado por um anjo. Está em Lucas, no capítulo 22, no versículo 43.

Mas desconhecemos o que o anjo lhe disse e já agora nem sequer precisamos disso. A mensagem foi para Jesus. O objetivo era dar-lhe força e coragem para a prova que ele teria que passar. A experiência de Paulo situa-se nesta mesma linha. Esta revelação de Deus foi para ele um incentivo. E Paulo menciona, só para dizer aos coríntios, que nem tudo aquilo que vemos com os nossos olhos constitui a experiência total do outro. Eles viam em Paulo uma pessoa banal e ignoravam que ele tinha sido alvo de uma revelação especial de Deus. Eles viam nos superapóstolos pessoas extraordinárias, que não eram senão charlatões. As aparências são ilusórias e enganadoras.

O essencial é o que a graça de Deus faz por nós. E ser alvo de uma manifestação mais pessoal e íntima de Deus é uma manifestação da graça de Deus. Logo após esta experiência, que está em 2 Coríntios 12, 7 a 10, Paulo menciona que, além das suas provações pelas quais passava, foi-lhe acrescentada mais uma. O famoso espinho na carne. Este espinho da carne já fez correr muita tinta? Veio, diz o texto, da parte de Satanás. A origem deste espinho na carne mostra qual é o seu objetivo. o de fazer Paulo desistir da sua carreira, o afastá-lo do seu ministério, o de perturbar a sua confiança em Deus.

O espinho na carne foi compreendido ao longo dos séculos de muitas maneiras. Tentação sexual, incredulidade, lembrança do seu passado perseguidor. Tertuliano dizia, no segundo século da nossa era, que seria uma doença. E desde então, já se mencionaram 150 doenças diferentes que supostamente afligiram Paulo. problemas nos olhos, nevralgias, reumatismo, hipelepsia, gaguej, problemas na coluna, etc. A palavra que Paulo emprega no grego pode significar várias coisas. Espinho, poste, prego, ponta de anzol, suplício e mesmo a cruz.

Trata-se de um tormento, de um calvário. que começou antes da sua vinda para Corinto e que se manifestava em várias ocasiões. Há pouco mencionámos que a sua origem fazia-nos suspeitar que o seu objetivo era fazer Paulo desistir do seu ministério. O versículo 7 dá-nos razão ao dizer que esse espinho esbofeteava Paulo. A palavra grega esbofetear, kolaphizo, não dá a verdadeira dimensão do que a nossa tradução traduz. A mesma palavra, kolaphizo, aplicava-se ao combate dos gladiadores onde estes lutavam com luvas de chumbo.

A expressão significa tratar alguém com ignomínia, punir, afligir. Tratava-se de fazer Paulo colapsar, colocá-lo fora de combate. As três orações de Paulo, para que Deus afastasse este tormento de si, fazem lembrar as três orações de Jesus no Getsemane. No caso de Jesus, a resposta consistiu em suportar a provação. A resposta de Jesus a Paulo está formulada no Prefeito, o que sublinha a sua validade permanente. A minha graça te basta. Dezoito vezes a palavra graça é encontrada nesta segunda carta aos Coríntios.

Jesus não afastou o problema de Paulo, mas assegurou da sua presença, do seu poder, do seu amor incondicional. No conflito em que estamos envolvidos, Deus nem sempre pode afastar os problemas e as dificuldades, mas assegura-nos do seu cuidado especial, a sua graça, que nos capacita para ultrapassarmos as circunstâncias mais delicadas. O verbo que se encontra no versículo 9, faz referência à habitação do poder de Deus em Paulo e só aparece aqui, uma única vez, em todo o Novo Testamento. Este verbo evoca a presença gloriosa da Shekinah, quando o tabernáculo foi cheio e coberto pela nuvem, para mostrar que Deus estava ali, invisível, mas sensível.

Esta passagem É extraordinária para nós a nível pessoal. Neste relato, Paulo foi comparado aos superapóstolos. Sempre que somos comparados a alguém que parece ter atributos superiores, qualidades superiores, a tentação é elevar a fasquia e mostrar que temos um elemento, uma pós-graduação, um atributo, uma habilidade melhor. Paulo esteve quase a seguir esse caminho. Mas recuou. A sua posição é que quando alguém eleva tanto a fasquia que quase atinge a perfeição, o sinal do verdadeiro apostolado não está nos nossos possíveis atributos ou mais-valias, mas sim no que a graça de Deus realiza por nós nas

A força na fraqueza

circunstâncias diversas da vida, muitas vezes nas circunstâncias mais desfavoráveis. Nós temos dificuldades em conviver com as fragilidades e as fraquezas. Maquiamos-las, disfarçamos-las, escondemos-las o melhor que podemos. E se as assumimos, é sempre com um ar de consternação ou de resignação. Mas Deus lida com as fraquezas e com as fragilidades. A encarnação de Cristo foi a aposta divina na fraqueza e na fragilidade. e mostrar como, apesar disso, o seu poder pode triunfar. A minha graça te basta. É a mensagem de Jesus a todos os que diariamente ou de forma regular têm que lidar com fragilidades e fraquezas.

Essa mensagem diz que, em primeiro lugar, a graça de Deus dá-nos a capacidade de aceitar as nossas fragilidades, de aprendermos a conviver com elas e, em seguida, o poder de as ultrapassarmos. O forte não é aquele que constrói a sua vida e as suas vitórias à custa dos outros. mas aquele que consegue, apesar das suas limitações, fazer erguer aqueles que parecem mais fortes e mais capazes do que ele. Essa é a força construtiva da graça de Deus. Lembremos que as pessoas que vieram a Jesus nos Evangelhos eram quase todos fracos, doentes, atormentados de diversos males, vítimas da sociedade. A todos, Jesus deu em abundância o que eles mais precisavam, a cura.

a reabilitação, a segurança. Estejamos certos que a graça de Deus dá-nos aquilo de que nós mais precisamos. A nível da igreja, parece-me que o cristianismo, de um modo geral, é às vezes

A igreja e o sucesso

mais coríntio que paulino. Na sociedade, nós vivemos na era dos recordes, das performances, na era do sucesso. A nível desportivo, os atletas procuram bater recordes anteriores. A nível económico, as diferentes economias procuram atingir cada vez maiores lucros e níveis de produtividade. A nível tecnológico e científico, as descobertas e inovações sucedem-se a um ritmo difícil de acompanhar. Até mesmo o cidadão comum não quer ficar sem participar e contribuir para o ambiente geral. Nós temos o livro do Guinness, onde, a nível individual ou coletivo, as pessoas podem registar os seus sucessos. As religiões não são imunes a este espírito. E, no caso do Cristianismo, nós notamos esta influência da sociedade sobre a Igreja.

Cada confissão religiosa procura mostrar o que de mais admirável tem. Temos, por exemplo, as megas igrejas que reúnem milhares de fiéis e é impressionante ver essas estruturas com espetáculos religiosos à medida. Temos as igrejas onde se falam línguas desconhecidas, em que o sentido da mensagem se perde na diminuição dos sons que ninguém conhece. Temos as igrejas que mobilizam milhares e milhões em peregrinações a locais específicos ou no momento da visita dos seus líderes carismáticos. Temos a igreja que mais cresce no mundo, com um determinado número de crentes que adere por hora, por minuto, a um determinado número de igrejas que é organizado por dia. Temos as igrejas que mais usam os meios de comunicação na difusão das suas mensagens para alcançar de forma mais rápida o auditório pretendido.

Temos as igrejas das grandes catedrais, as que enchem estádios de futebol, as que realizam mais milagres à hora, ao minuto ou em grupo. Em suma, temos superigrejas, superestrelas carismáticas, superprogramas. Paulo lembra-nos que a superigreja, a igreja do sucesso, a igreja do aplauso, corre o risco de esquecer o essencial da sua existência, da sua presença, do seu destino na Terra. A igreja super corre o risco de pensar que é um fim em si mesma e que pode vir a substituir o Reino dos Céus. Lembremos que Jesus mencionou que o Reino dos Céus é frágil. É uma pequena semente, um pouco de fermento, uma simples candeia, um punhado de sal, um pregador.

que esses elementos simples e frágeis, com o poder da graça de Deus, se tornam incrivelmente poderosos nos seus efeitos, mas sem nunca perderem a sua essência. A Igreja de Corinto estava prestes a perder a sua essência, ao pensar que os seus dons, os seus pregadores, os seus sucessos, eram o principal da sua existência. Paulo relembra que, a nível pessoal e comunitário, o importante é nunca perdermos de vista aquele que pode, a partir de coisas simples e frágeis, fazer algo tão extraordinário como mudar a vida das pessoas e torná-las significativas. como ajudar-nos a aceitar as nossas fragilidades e sermos capazes de as usarmos de forma criativa e construtiva para o avanço da nossa existência e do Reino de Deus.

No Reino da Graça, todos são capacitados para enfrentarem as suas fragilidades e tornarem-se vencedores contra todas as expectativas, apesar das difíceis circunstâncias e enfrentando continuamente oposição. Porque quando temos a certeza da graça de Deus, quando Deus nos cobre com a sua presença, quando eu estou fraco, então sou forte. que possa esta ser a nossa experiência. Que a graça que habitou o apóstolo Paulo possa habitar em cada um de nós, em cada um de vós. E que apesar das dificuldades, das limitações, dos problemas da vida com que todos nós somos confrontados, consigamos dizer e ouvir Deus dizer, a minha graça te basta.

E é aí, quando nós somos objeto da graça de Deus, que nós compreendemos que apesar das circunstâncias adversas, apesar dos momentos negativos pelos quais nós possamos estar a passar, apesar muitas vezes das críticas e dos comentários daqueles que, vendo as nossas dificuldades, não as conseguem perceber e cujas críticas nos ferem pessoalmente, se formos alvo, se nos sentirmos objeto da Graça de Deus. Então, mesmo as dificuldades que nos fariam colapsar são aquelas que nos dão a impulsão necessária para que com a Graça de Deus nós possamos ultrapassá-las, possamos ir para além delas.

Apesar dessas dificuldades, manter-nos-emos firmes, manter-nos-emos capazes, manter-nos-emos à toa e seremos úteis à causa de Deus, que a benção de Deus esteja sobre cada um de vós, sobre cada um de nós, e que a sua graça realmente seja um incentivo na nossa vida.

Série
A Mensagem · 72 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 9
Estreou
28 de Maio de 2025
Categoria
Espiritualidade