Olá, seja bem-vindo a mais um programa A Mensagem. Aquele momento especial em que podemos ter um cantinho do nosso dia para podermos pegar na nossa Bíblia e refletir um pouco sobre temas que, embora tenham sido escritos e pensados há muitos, muitos anos atrás, ainda assim têm tanto significado para os dias de hoje. e ainda para mais em alturas em que o mundo está tão controverso, com tanto tumulto, em que as pessoas quase que não pensam no próximo, há situações que começamos a perguntar-nos, será que há algum sentido em tudo isto? Será que estamos a aproximar tanto de tempos de fim em que ninguém pensa bem de ninguém?
Onde só existe dor, guerras, tantas coisas que nos fazem amargurar o coração? É verdade, nós temos na Bíblia um livro que fala muito sobre o futuro, mas que, por incrível que pareça, não era pensado apenas no futuro. Quer saber porquê? Nós, quando falamos do Apocalipse, qual é o primeiro pensamento que lhe dá na sua cabeça? Certamente que não é para falar dos dias de hoje. Mas e se eu lhe disser que o livro de Apocalipse tem algumas mensagens que não são para o futuro, são para hoje, para qualquer tempo, aquele tempo especial de dúvida? Eu gostaria de vos contar aquela que foi a primeira igreja à qual João deixou uma mensagem no seu livro de Apocalipse.
Em Apocalipse, logo no início, nos capítulos 2 e 3, aparecem sete cartas que são escritas por João e são posteriormente lidas, todas elas, pelas igrejas da Ásia Menor. A primeira delas, a carta a Éfson, apresenta algo que era importante naquela altura, que também tem uma imagem que vai apontar para tempos bem à frente sobre a evolução da igreja cristã ao longo das eras, mas tem uma mensagem também para si e para mim. E essa mensagem vinha a falar de algo de... que, infelizmente, nos dias de hoje, nós levamos para outro campo. Se nós formos à Apocalipse, no capítulo 2, nós vamos encontrar, logo a partir do verso 1, esta carta.
Mas a dado momento, no verso 4, a igreja de Éfson, Paulo escreve... Quando eu leio uma afirmação destas, Por incrível que pareça, nós perdemos um bocadinho a noção do que é que quer dizer este primeiro amor. Porque nos dias de hoje, quando falamos em primeiro amor, nós vamos sempre para o relacionamento conjugal, entre duas pessoas. Mas, no entanto, o que aqui está a falar não é sobre um relacionamento entre duas pessoas, mas sim a minha reação quando eu tenho algo que me elevou o coração, algo que encheu os meus sentimentos. E esta igreja recebe uma ordem da parte de João em que tinham esquecido o que é que queria dizer este primeiro amor.
Algo estava ali a acontecer que afetava muito aquelas pessoas. Eu quase poderia dizer que certamente na sua vida houve coisas que deixaram de ser o seu amor. Alguma vez se lembrou do momento e das emoções que teve quando teve o seu primeiro carro? Quando entrou pela primeira vez numa escola? Toda a emoção de ter uma novidade, de ter algo que Queremos contar a toda a gente o que se passou. Não sentiu também isso? A primeira vez que abriu as páginas da Bíblia e que leu algo para si, fez todo sentido. E que falava das nossas crianças, no dia de Natal, a alegria que recebem por receber aqueles presentes novos.
E o que é que acontece um bocadinho de tempo depois? Passou a época de Natal, e de repente alguns brinquedos nem sequer chegaram a ser abertos. Outros foram usados uma vez e ficaram lá encostados. O que é que aconteceu? É isto que João escrevia a Éfodo. Tu deixaste o primeiro amor. Já não está a ser a mesma coisa. E qual é a consequência? A consequência é que Eu ainda conheço o que tenho. Eu sei o que recebi, mas já não estou entusiasmado com aquilo.
Já não falo sobre o assunto. Deixou de ser algo que permaneceu no meu coração como algo de importante. Existe uma história na Bíblia contada e passada pelo próprio Jesus. Também relatada pelo mesmo apóstolo, também por João. que vai mostrar o efeito deste primeiro amor. E além do efeito do primeiro amor, o que é que é o redescobrir deste primeiro amor? Porque se é verdade que nós, no nosso coração, é perigoso perder esse primeiro amor, quão mais importante é podermos falar daquilo que era o objetivo de João, quando dizia volta.
Aliás, se nós Formos a ver o verso 5 do capítulo 2 de Apocalipse, o que dizia era mesmo... O que João estava preocupado não era com o facto do esquecimento do primeiro amor. Ele estava preocupado em alertar aquela igreja. Há algo de melhor se voltares às primeiras experiências. Tens ainda tempo. Alguma vez ouviu falar sobre uma mulher samaritana que um dia se cruzou no caminho de Jesus? Uma mulher que foi a razão única pela qual Jesus um dia, ao meio-dia, passou por terras de Samaria e se sentou junto a um poço, o Poço de Jacó.
E nesse momento, quando não era esperado que ninguém fosse ao poço, uma mulher, que tinha perdido o seu primeiro amor, que tinha perdido toda a esperança, toda a emoção, vai se encontrar com Jesus naquele local. De certeza que se sentiu já nessa situação, numa situação em que parece que tudo o que nós fizemos, tudo aquilo por que nós passámos, foi tão pesado que já não vale a pena. À primeira memória vem uma ideia de esportistas que na sua juventude passam pelo seu auge, estão entusiasmados, ganham. Mas o tempo passa e de repente vamos encontrar esses mesmos esportistas sem estar em forma, sem estar motivados.
E parece que as coisas deixaram de fazer sentido porque já não conseguem. Era isto que se passava com esta mulher. Esta mulher, quando encontra Jesus e vê um judeu a convidá-lo a dar-lhe água. Coisa esquisita. Era a mesma coisa que entre duas nações completamente opostas. que estão em guerra e uma pessoa de uma nação ir pedir suprimentos a outra. Não fazia sentido. Os samaritanos não se davam com os judeus. Os judeus não se davam com os samaritanos. E, no entanto, Jesus, sendo judeu, vai pedir a esta mulher. Já que estás aqui, já que vieste a esta hora tão quente ao poço, dá-me de beber. E nós quando vamos ao evangelho do apóstolo João, no capítulo 4, vamos encontrar exatamente esta história em que vemos que esta mulher ficou espantada.
Mas como é que tu, sendo judeu, estás a pedir uma samaritana por água? Se as pessoas da tua nacionalidade nem sequer falam conosco. No entanto, Jesus, sendo o Messias, conhecia bem aquela mulher. E conhecendo aquela mulher, Ele vai-lhe começar a explicar que o que Ele queria dar-lhe à Senhora era algo muito mais importante do que água. Seria água viva, algo que faria mudar o seu coração. Numa primeira parte, como qualquer um de nós, quando confrontados por alguém que quebra os preconceitos, a nossa reação é natural. É uma reação de desconfiança.
Tenho de lhe dizer que aquela mulher não era diferente de você. Aquela mulher desconfiou de Jesus. Não percebeu o que ia. Mas Jesus fez aquilo que podia mexer no coração. Simplesmente começou a contar-lhe a sua história. Começou-lhe a dizer Onde está o teu marido? Vai buscá-lo. E a mulher não pôde fazê-lo. E Jesus continuou. Tens razão, não tens marido. E não tens marido porque já tiveste muitos. E a pessoa com quem estás agora não é teu marido. Jesus sabia a vida dela. Jesus conhece a minha vida, conhece a sua. Mas não temos razões para ficar preocupados. Porque para esta mulher, o ter sido confrontada que ela muito bem conhecia, ela sabia qual era a situação dela, ela não tinha dúvidas.
E naquele momento em que um completo estranho começa a interagir com ela e começa-lhe a dizer, sem qualquer probabilidade, tudo o que se tinha passado, Neste momento, ela começa a aceitar que quem está aqui é alguém mais importante do que um mero homem. Quando ele diz que é o Messias, tem que ser o Messias, porque só o Messias podia me dizer tudo isto que eu passei. Al começou a nascer dentro dela. Ela sabia, no início, na sua juventude, todas as emoções que tinha tido, todos os sonhos, sonhos esses que se esfumaram. E agora, numa situação em que não tinha mais esperança nenhuma, é isto que aparece alguém. Que sabe cada pormenor diajeneira que ela tinha feito.
Cada projeto falhado. E o que vai continuar a dizer é... Eu não vim para condenar. Eu vim para oferecer a solução. Eu vim para dizer que não importa onde tu estejas. Se estás em Samaria, se estás em Jerusalém. A relação de adoração entre ti e Deus é a partir do teu coração. Ainda tens oportunidade. Agora, o incrível de ver é que neste momento em que esta jovem mulher recebe estas notícias, qual é a reação dela? No momento em que ela recupera o sonho, já não se trata de procurar quem está ao seu lado para ficar alegre. Ela podia ter tido uma reação de fazer uma grande euforia com Jesus, porque era com quem tinha ali ao lado para partilhar.
Mas não foi isso que ela foi fazer. Ela sentiu que precisava de algo mais. E o algo mais foi esquecer aquilo que ela tinha ido fazer. Ela tinha ido buscar água, pois o cántaro ficou ao lado de Jesus. Mas ela saiu em direção à sua cidade. E na sua cidade, e por quem ela passava, o que é que ela levava de mensagem? Não algo que ela tinha recebido, não algo que outra pessoa lhe tinha contado. Uma mensagem apenas. Aquele Jesus Aquela pessoa que está lá no poço contou tudo o que eu tinha feito. Esquisito! Alguém chega junto de si, vai-lhe contar todos os podres, todas as coisas difíceis que fez, e não puxou dali crítica, dividendo-o?
Não tirou dali acusação? Esta é a oferta de Jesus. É a oferta que Jesus tem para si. Quando há aquele encontro em que ele aponta às nossas falhas, logo a seguir, a mensagem é, o que importa é a adoração em espírito e em verdade, aquilo que vai no coração. E sabe o que é que aconteceu? A mensagem que ela levava não era a mensagem de apregação de alguém que lhe ensinou sobre a Bíblia. Ela levava uma experiência pessoal. Eu ouvi alguém que me contou tudo o que eu tinha feito e deu-me esperança. reencontrou o seu primeiro amor. Era como se tivesse lido a Palavra Sagrada pela primeira vez na vida.
Consequência? Não conseguiu ficar calada. Não há possibilidade de nós reencontrarmos o nosso primeiro amor sem gravarmos na nossa memória experiências. João, na carta de Apocalipse, a carta à igreja de Éfson, Ele dizia, arrepende-te e volta ao primeiro amor. Não te esqueças quais foram os sentimentos que tinhas. Porque é aí que eu quero estar. Uma outra história aparece-nos também na Bíblia.
Que nos dão a mais bela promessa que nós poderíamos ter. Um homem chamado Adão. Uma mulher chamada Eva. a dado momento, receberam o melhor presente que podiam ter recebido da parte de Deus, a sua vida. E, por uma falha, por um momento de dúvida, fraquejaram e entregaram o domínio das suas vidas ao inimigo. Foi perdida aquele primeiro amor de contacto diário, direto, cara a cara com Deus. Mas, mais uma vez, É Deus que se aproxima e pergunta, Adão, onde estás?
Porque te escondes? Volta para o teu primeiro amor. Já pensou que é exatamente isto que toda a Escritura pede para si neste momento? Onde estás? Porque estás a deixar esfriar esse teu primeiro amor? Eu não te abandonei, eu continuo cá. Eu continuo de braços abertos para ti. Que melhor esperança nós podemos ter do que aquela criança que tendo quebrado algum brinquedo, algum artigo da mãe, e quando olha para o pai ou para a mãe com o olhar de quem vai receber um castigo, e o que recebe de volta é um olhar de amor, de dizer, tu és mais importante do que isso.
Eu quero-te a ti, não há coisa. Nós, quando falamos isto, parece-se tão carinhoso. Porquê? Porque eu anseio esse tipo de relação. E é este tipo de relação que eu sinto que precisamos ter no nosso dia-a-dia. É que o primeiro amor tem quatro elementos indispensáveis que nós compreendemos tão bem. Esta noção de relacionamento tem uma primeira sensação de urgência. Quando eu realmente amo alguém, eu não penso em mais nada. Esta é a prioridade. Eu não vou esperar. A mulher samaritana, quando se apercebeu à frente de quem estava, as promessas que lhe estavam a ser feitas, ela não podia esperar mais para partilhar.
E, de tal forma, transparecia de dentro dela o que estava a acontecer, que toda uma cidade foi levada a fazer o trajeto de volta até aquele poço, porque também eles queriam ouvir mais deste mestre. Se esta mulher que falhou tanto, se esta mulher que andava tão deprimida por um encontro, transformou a sua vida e tem amor a transbordar dos olhos, nós também queremos isso, mas não é para amanhã, é imediato. Mas, por outro lado, também há um segundo ponto. É que o primeiro amor é simples. Não é complicado amar. Complicado é a nossa racionalidade de tentar justificar porquê é que eu vou amar.
Mas isso a própria Escritura já nos diz. Eu não o amo porque é racional. Eu o amo porque ele me amou primeiro. Eu simplesmente estou a reagir a algo que recebi. Por que é que na noite de Natal a criança brinca com os brinquedos que recebeu? Não foi porque a criança os escolheu. Porque são novidade. Porque alguém lhes deu com afeto. E isso é suficiente para que haja a curiosidade e o desejo de estar. E quase que imaginam se é pai, se é mãe, se é tio ou tia. A reação dos seus queridos quando recebem um jogo e que muitos de nós dizemos, lá vamos nós.
Qual é o primeiro pedido da criança? Ora, vem brincar comigo. Porque aquele presente não faz sentido nenhum para brincar sozinho. Só faz sentido se eu tiver alguém comigo para partilhar a alegria. É este o cenário que João na carta à Igreja de Éfsos tinha, mas que também esta samaritana viveu a alegria de poder partilhar com alguém que era bom estar aos pés de Jesus. E isto leva-nos ao terceiro ponto do primeiro amor.
É que ele é autêntico. Não pode ser fingido. Qualquer um de nós já encontrou aquela situação incómoda de encontrar alguém que faz a chamada cara de forçada quando recebe um presente de que não gostou. Já alguma vez esteve em algum sítio convidada por alguém que lhe oferece uma refeição e não gosta do que vai comer? E que está quase que a forçar um sorriso para não parecer mal? Isso não é um primeiro amor. Mas e o que dizer se essa pessoa que lhe o convidou fosse o seu namorado?
Porque é o primeiro amor, aquela primeira refeição. Até aquela comida que não gostava passou a ser a melhor comida do mundo. Às vezes não se trata do presente, mas trata-se das mãos que o deram. Se é a pessoa mais importante para mim que me deu um presente, passou a ser o mais espetacular de todos. Foi autêntico. que melhora a autenticidade do que as crianças, voltando ao nosso exemplo. Quantas vezes temos crianças que têm dois presentes, um que custou uma pequena fortuna e outro que estava comprado na loja das quinquilharias, mas, no entanto, aquele que foi comprado, se calhar, por um irmão, com as últimas moedinhas do mealheiro, que não tem valor económico nenhum.
mas porque foi dado pelo irmão que se lembrou dele e tem tanto valor. Nós estamos a falar dos filhos. E se eu falar dos pais? O que é que você tem a dizer quando um filho, quando um neto pega num simples desenho, num papel amachucado, rasgado do caderno das aulas, com uma escrita numa letra que não é bonita, mas chega ao fim do dia e vai chegar ao seu lado e vai chegar junto de um papá e vai dizer, papá, este desenho é para ti. Esqueçam, não há preço para este presente. Não era trocado por nenhuma riqueza do mundo.
Porquê? Porque foi autêntico. Foi algo que foi dado pelo meu filho. Foi algo que foi dado pelo meu neto. E isto vale tudo. E uma última coisa em relação ao verdadeiro amor. É que ele é corajoso. O que dizer de uma mulher samaritana que tinha um sentimento depressivo por tantas coisas erradas que tinha feito e, no entanto, por causa deste encontro, ela sai dali apregoando a todos as asneiras que tinha feito. Este homem sabe tudo o que eu fiz. Ele sabe que eu tive muitos maridos e que a minha situação agora não é regular.
E ele não me acusou. E está aqui a chave. É que mais importante que os meus erros foi a solução que foi encontrada e que me foi comprada. Mais importante do que o desenho que eu fiz para dar ao meu pai não ser perfeito é ter a coragem de o entregar. E o resto, a história conta. Você sabe. Já imaginou que Jesus, ao deixar-nos a sua Palavra, deixou uma mensagem de esperança para si? Não é cara uma Bíblia. Não custa muito dinheiro. Mas posso garantir que quando nós recebemos uma Bíblia de alguém que gostamos, nós sentimos necessidade de a ler.
Não porque foi apenas uma Bíblia, mas porque foi alguém que se preocupou comigo. Tenho-lhe a dizer, neste momento temos um Pai que deu tudo por si. E esse Pai que deu tudo por si deixou-me uma palavra, deixou-me uma mensagem. E essa mensagem é de esperança. Quão bonito é um dia podermos encontrá-lo de novo para agradecer pessoalmente. Mas ao mesmo tempo, quão bom é podermos abrir os nossos braços e entrar de mãos dadas com amigos. Amigos aos quais tivemos a coragem de convidar. Vem comigo. E é isso que eu quero neste momento deixar. Venha comigo. Porque eu quero encontrar o autor desta mensagem.
Que Deus o abençoe.
Neste episódio de A Mensagem, refletimos sobre uma das mensagens mais profundas do livro de Apocalipse, o chamado para voltar ao primeiro amor.