Quando tenho tudo mas não tenho nada
A MensagemT1 · E60

Quando tenho tudo mas não tenho nada

10 de Junho de 202623 min 43 s

Capítulos

Transcrição

Gerada automaticamente

Abertura e reflexão bíblica

Olá, sejam bem-vindos a mais uma edição do programa A Mensagem. Aquele momento especial em que tenho a oportunidade de compartilhar consigo um momento de reflexão sobre a Palavra de Deus. É tão bom poder separar no nosso dia um bocadinho de tempo para pensar que os nossos problemas não são únicos nossos. Há mais pessoas que vivem os mesmos problemas. E sabe porquê isso é tão importante? Porque quando vemos que os outros conseguiram superar a dificuldade que eu hoje estou a ter, então quer dizer que eu tenho solução, que o meu problema tem solução. Eu também posso encontrar. É por essa razão que nós temos um livro chamado The Biblia, que nós temos vindo a estudar dia após dia, em que podemos ver histórias de tantas pessoas que passaram por provações imensas e conseguiram superá-las.

Já pensou que há cartas na Bíblia que, embora tenham sido dirigidas a outras pessoas, mas podem ser neste momento especialmente dirigidas a si, com uma mensagem que se aplica diretamente ao ano, ao mês, ao dia de hoje? É um bocadinho disso que queria falar hoje. Em continuidade daquilo que há uns tempos falámos também aqui neste programa sobre cartas que João deixou a várias igrejas.

A mensagem à igreja de Laodiceia

Sabia que, assim como acontecem tantas vezes com pessoas que olhamos, por vezes encontramos-nos numa situação em que achamos que temos tudo o que precisamos, até o momento em que chega alguém e que diz, já olhaste bem para ti, já viste que te falta tanta coisa, quando eu vou ao Apocalipse, um livro que normalmente está só associado a coisas muito distantes, eu vou encontrar sete cartas escritas por João para sete igrejas. E na última dessas cartas vem uma mensagem que em tudo tem a ver com os dias de hoje.

E essa mensagem que aparece vai destinada a uma igreja de Laodicea. Uma igreja que situava-se num sítio que tinha tudo para ser o mais rico. Até os escravos daquela terra tinham senhores, tinham donos riquíssimos. E estes escravos, nada que seja novo, achavam que tinham tudo o que precisavam. Aquela igreja tinha tudo o que precisava. Hoje em dia a escravatura não nos diz muito, mas nos tempos antigos era algo normal. E houve um personagem, inclusivamente, que viveu nos seus servos aquilo que eu aqui estou a dizer. Esse senhor se chamava Sabrão.

Em cada momento, na sua jornada com o seu sobrinho Ló, Houve um episódio em que os servos de Abraão e os servos de Ló, os cravos de um e os cravos de outro, lutavam entre si sobre quem é que era o maior. E nem se lembravam que quer uns, quer outros eram cravos iguais e que nada tinham. No entanto, continuavam a guerrear entre si. Acha que isso só é diferente dos dias de hoje? se achar, convidava-o a lembrar-se, por exemplo, o que é que acontece quando se juntam pessoas a discutir sobre clubes de futebol. Não precisamos de dizer nomes de clubes para perceber que estas pessoas que tanto discutem sobre quem é o melhor, e o meu é melhor que o teu, e, no entanto, nenhum deles recebe nada de salário de nenhum daqueles clubes, nenhum deles recebe nada porque uma equipa ganhou à outra, mas, no entanto, Continuam a guerrear entre si porque a minha é melhor do que a tua." Não é uma coisa do dia a dia?

Esta é uma realidade. Mas, no entanto, o que será que João escrevia a esta comunidade que vivia este problema? Ela vai escrever, em relação à igreja de Laodiceia, conheça as tuas obras. que nem és frio, nem és quente. Quem me dera que fosses frio ou quente, mas porque és morno, nem quente, nem frio, estou pronto de te vomitar da minha boca. Isto é o que está escrito nos versos 15 e 16 do capítulo 3 do Apocalipse. Afinal, esta igreja, estas pessoas a quem João escrevia, sentiam-se tão ricas, tão abençoadas, que nem reparavam que, afinal, estavam a ser mais uma pessoa na multidão.

Não tomavam decisões nem para um lado nem para o outro. Estavam numa mornidão. Nem queimavam, nem gelavam. Eram quase que como indiferentes. Já parámos para pensar que, nos dias da sociedade de comunicação em que vivemos, é isto que muitas vezes nós nos sentimos. Que se ninguém vem ao nosso Facebook, ou ao nosso Twitter, ou à nossa rede social, e faz lá um like, parece que não temos valor. Mas, ao mesmo tempo, eu não sinto vontade de publicar nada, ou então o oposto. Tenho a necessidade de pôr lá toda a minha vida para ver se alguém valoriza.

Mas, no entanto, nenhum de nós está a fazer nada que faça alterar a sociedade. Era um pouco este o cenário que o João estava aqui a apontar. Ao ponto que ele vai então deixar um conselho a esta igreja. A partir do verso 17 de Apocalipse 3. Tu dizes que estás rico e abastado, que não precisas de nada. Mas ainda não reparaste que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu. Compra de mim ouro, E mais à frente, vestes para te vestirem e colírio para ungires os teus olhos e conseguires ver. Uma curiosidade, os escravos que trabalhavam no campo, naquela altura, muitas vezes andavam nus. E andavam nus porque, com alguma frequência, alguém ficava escravo porque se tinha colocado em dívidas e até a sua roupa tinha sido vendida para pagar a dívida e, não tendo sido suficiente, transformou-se em escravo.

Mas, mais uma vez, tal como hoje em dia, a lutarmos por um clube de futebol, mesmo estando nu, muitas vezes o escravo defendia, eu sou melhor que tu porque eu pertenço à casa XPTO. E é isto que João vai começar a falar. Então estás a reclamar. Não estás a fazer diferença. Estás a dizer que tens tudo e, afinal, não tens nada. Tu precisas deter comigo e pegar de mim riqueza. para que realmente tenhas poder de compra. E precisas de roupa para que deixes de ser nu. E precisas de abrir os olhos para ver a tua situação. E quando olho para tudo isto, faz-me lembrar uma das personagens mais incompreendidas da Bíblia.

A parábola do filho pródigo

Uma personagem que nos aparece como parte de uma parábola. Uma parábola que tem dois atores principais. É a parábola do filho pródigo. Existe o ator principal, o filho pródigo, o filho mais novo da família, que um dia ousou pedir ao pai que queria a sua herança antes mesmo que o pai morresse, causando profunda tristeza àquele pai, saindo de casa e indo viver uma vida que nós hoje podíamos chamar simplesmente de devassa, esbanjando. Existe um pai que continua a ser tomado também como a personagem principal, representando a figura do próprio Cristo, que esperava pelo filho perdido, de braços abertos, querendo aceitá-lo.

Mas e o personagem secundário? O filho mais velho? Tão poucas vezes se fala sobre ele. Às vezes até esquecemos do contexto que estava ali. Porque se formos ver o contexto de Lucas, que conta esta história, nos capítulos 15, do seu Evangelho, nós vamos encontrar que esta história aparece num contexto em que Jesus sai de uma festa, sai de um lugar em que está, com muitos convidados, para vir até à entrada de casa conversar com fariseus que acusavam Jesus de estar a fazer uma festa com pecadores. E estes fariseus vão ouvir da boca de Jesus a história de um filho pródigo, a história de um filho que se perdeu, que vai sair de casa, que vai fazer as maiores tropelias.

Mas houve um dia que ele voltou. E nesse momento em que ele volta, começa uma festa. Mas nem todos os amados estavam lá dentro. Já imaginou que tantas vezes nós gostamos de nos pôr nos pés dos personagens principais de todas as histórias, mas temos aqui um personagem que aparece na história como uma história inacabada. Porquê inacabada? Porque a mensagem era, filho, estás a reclamar comigo que eu estou a fazer uma festa para o irmão mais novo. Ele fez tudo de mal. Viveu uma vida péssima. Mas ele retornou. E agora tu estás à porta de casa, a reclamar da festa.

E não entras na festa, onde todos nos estamos a alegrar. Eu vou voltar lá para dentro. E tu onde vais ficar? Quantas vezes nós já estivemos nessa circunstância em que tudo parece ser complicado, tudo parece ser uma dificuldade e, no entanto, somos chamados à razão, dizendo, já reparaste que não são só os outros que fazem coisas erradas? Já reparaste que também tu precisas de perdão? Este filho mais velho representava os fariseus que estavam à porta. Representavam os mesmos mornos do Apocalipse, da carta à Laodiceia.

Aquela pessoa que realmente cometeu falhas, mas agora sente dificuldade em decidir-se. E muitas perguntas se levantam. Será que eu vou aceite? Será que vão permitir que eu esteja dentro? Será que eu vou cometer erro? Será que eu estou a fazer mal? Quantas vezes não acontece que estamos perante situações em que até mesmo aquilo em que tínhamos certeza começa a ser uma dúvida? Costuma-se dizer que duvidamos de nós mesmos. Questionamos tudo. E aí chega João e simplesmente diz que ainda era que sejas quente ou que sejas frio.

É importante saberes onde estás, decidires-te. Guardar sentimentos não serve. Guardar raivas não serve. Isto aponta para uma coisa tão importante. Já pensou que o que Jesus estava ali a mostrar é que para haver salvação eu tenho que me juntar aos outros salvos? Houve uma vez alguém que me contou uma história e que me marcou muito o coração e eu neste momento quero partilhá-la consigo. Um homem, a cada momento, viu a sua filha ser abusada por alguém.

Guardou um ressentimento. Qual dor não seria aquela? O homem foi condenado, foi preso, mas este pai guardou no seu coração aquela mágoa. Muitos anos mais tarde, o homem que tinha feito o que não devia, Ele foi liberto. Cumpriu a pena. Conheceu a mensagem. Conheceu a Jesus. Pôs no seu coração que tinha errado. E eis um dia que estes dois homens se encontram numa mesma igreja. E agora? Como é que você ia reagir? O testemunho ia só no sentido.

é que os dois estavam naquela igreja, ambos tendo aceito que tinham vindo de um passado que não seria bom. Fosse um pecado maior, um pecado menor, ambos não tinham direito à salvação. E agora estava instalado um grande dilema. O que não conseguirmos resolver nesta terra pode ser um impedimento no nosso rumo à pátria celestial. Aquele pai que guardava aquela mágoa, simplesmente viu-se a colocar-se a pergunta a ele próprio. Se ele se arrependeu e se Jesus o perdoou, como é que eu vou me sentir se eu também for para o céu e o encontrar?

Sim, o céu pode nos dar algumas surpresas. Pessoas que nunca imaginávamos encontrar lá, podem vir a estar lá. e vice-versa. Pessoas que eu pensava que tinham uma vida santa e afinal havia muita coisa que eu não conhecia. E este pai contava que naquele momento sentiu porque é que ele tinha que perdoar. Não por causa do outro. Ele precisava perdoar por sua causa. Ele precisava de tomar uma decisão. Precisava de perceber que realmente o céu tem à sua porta um homem chamado Jesus, braços abertos. E o preço para entrar, para ter o bilhete para aceder lá, não tem preço.

Não há nada que eu possa fazer para ter acesso. Lamento dizer-lhe, não há nada que possa fazer para aceder ao céu, a não ser aceitar o bilhete que Jesus dá. Foi isso que eu vim fazer a esta terra. Era isto que João deixava escrita à Igreja da Odisseia. Morno é que não. Porque só quando olhares para ti e vires o teu verdadeiro estado, só quando reparares que realmente estás fraco, tens dificuldade em perdoar, nesse momento a depressão pode ir embora. Nesse momento a raiva pode ir embora. Quão grande mensagem é essa? Saber que, mesmo que eu não tenha capacidade, temos alguém lá em cima que nos pode dar o que nos falta.

Quão grande é a esperança que nos é dada quando dizemos que podemos encontrar a Jesus no céu. A Igreja da Odisseia sentia que não necessitava nada. O filho mais velho achava que merecia mais, que tinha, que tinha feito muitas coisas.

O perigo do orgulho

E nem estava a reparar que o seu problema continuava no mesmo sítio e tinha um nome chamado Orgulho. E o orgulho é uma das principais ameaças à minha e à sua salvação. Sabe porquê? Nos dias de hoje, ainda há pouco falámos, porque é que tantas pessoas sentem necessidade de mostrar tudo o que fazem num artigo como este? Passam o dia a tirar fotografias. Passo o dia a registrar o que comi, onde fui, o carro que tenho, como tenho.

E chega um ponto em que começo a ver, tal como o sábio Salomão deixou escrito, tudo é vaidade, tudo é orgulho. E a minha vida é conduzida e levada por um sentimento de um filho mais velho da história do filho pródigo. Eu tenho tudo o que preciso e não sou reconhecido. Oh pai, este irmão fez tudo de mal. E estás a dar-lhe presentes a ele, destes-lhe roupa nova, estás-lhe a roubar o meu dinheiro de herança. Ele já gastou uma herança toda dele. E nem reparou que o pai não partilhou de herança. O pai partilhou dos seus recursos.

Porque, afinal, se o pai tinha ainda vida, isso significava que ainda não havia herança nenhuma. E quantas vezes, hoje, tantas famílias, tantos irmãos se desentendem exatamente por causa de heranças? E um quer, e outro não quer, e isto é mais valioso do que aquilo. E quantas vezes nos damos a pensar que, porventura, o pai soubesse o que viria a acontecer e o desentendimento que teria aos seus filhos, mas preferiria não ter deixado riqueza nenhuma de herança. Nunca pensou nisso? Já imaginou o que é que era que, tendo dois filhos, os dois filhos iam deixar de se amar por causa de coisas Já pensou que às vezes nós vivemos uma vida inteira para acumular conforto e riqueza, para entrar numa sepultura com a mesma quantidade de riquezas?

Quando entramos numa sepultura, entramos com o que outros nos vestiram, somos sepultados onde os outros quiseram, E alguns poderão dizer, mas há aquelas pessoas que deixam tudo escrito. Ainda assim, dependeram de outra pessoa concordar com o que deixou escrito. Porque depois de sermos levados à sepultura, não temos mais decisão. Mas há algo que podemos fazer ainda em vida. Há algo que ainda Jesus deixava na sua parábola com uma esperança até para

O convite e a promessa final

aquela pessoa que é orgulhosa. e vinha sobre a forma de convite. Qual era o convite que Jesus deixava ao irmão mais velho da história? Anda, vem festejar conosco. O teu irmão estava morto. Era como se não existisse mais. E ele voltou. E eu estou alegre por isso, porque a nossa família está unida. Mas se agora não entras tu, vou ficar triste. E tenho de lhe dizer. Neste momento, Jesus pode estar triste. E estará triste se sentir que você não está ao seu lado. Que você ainda não está disponível para entrar na casa. Que você possa estar, neste momento, ainda com dúvidas sobre a sua situação atual.

Eu não posso falar sobre a sua situação, mas posso dar-lhe o meu caso. Eu sei que não sou perfeito. Eu sei que tenho feito muitas coisas erradas. Mas também sei que o convite que Jesus deixou, ele se estende até a mim, mesmo que eu tenha feito muitas coisas erradas. Estendeu-se para aquele filho pródigo, mesmo ele tendo esbanjado tudo. E se foi possível para um filho pródigo como aquele, para si também é possível. Não há maior beleza no Evangelho do que a certeza de que ninguém desceu tão fundo que o braço de Jesus não possa alcançar. Até um fariseu. Até aquela classe de pessoas que passavam o tempo a tentar apanhar Jesus em falhas.

Até esses. Jesus continuava a contar histórias dizendo, anda, fecha comigo. Não percas a oportunidade. Eu continuo a ter ouro para partilhar. Eu continuo a ter vestes para poder entregar para que não se vejam os teus defeitos. Eu continuo a ter discernimento para que, quando olhes para a Bíblia, me possas encontrar lá. Agora, tenho um desafio para si. E esse desafio fica com um destes artigos, que são as vestimentas. Já imaginou que a maior promessa que temos no Evangelho é que, quando nós vestimos as roupas de Cristo, os outros não me veem mais a mim, mas sim veem a Cristo?

porque eu deixo de fazer o que é natural, mas simplesmente ajo como Jesus agiria, porque não consigo ser de outra maneira. Porque o Espírito Santo trabalha em mim e me ajuda a seguir conforme a sua vontade. E eu sigo a sua vontade porque eu recebi esse discernimento e eu vou encontrando na Bíblia, nestas palavras de esperança, como é que ele gostava que eu andasse. E eu sei que este Jesus deixou-me tudo aquilo que eu preciso para ser feliz, porque o seu desejo é a minha felicidade. E mais do que isso, ele deixou-me uma certeza. Deixou-me uma hora marcada. Eu posso não saber qual é essa hora, mas há uma ceia no céu que está à sua espera.

E eu apenas quero deixar esse desafio. Aceite a roupa de Jesus. Aceite os médicos que ele comprou com o seu com a sua vida e não perca a oportunidade de estar lá. Eu conto consigo e espero que conto comigo, porque vai ser um momento de alegria. Que Deus o abençoe.

Sobre este episódio

Vivemos num mundo cheio de opiniões, comparações e orgulho. Mas será que, por vezes, também nós nos tornámos “mornos” na fé?

Série
A Mensagem · 70 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 60
Estreou
10 de Junho de 2026
Categoria
Espiritualidade
Convidados
Daniel Simões